Brincadeira sustentável e inclusão
O brincar como cuidado do mundo interno desde a infância
Tipos Psicológicos Jungianos, Imagens Psíquicas e Imaginação Ativa
Brincar também é conhecer a si mesmo
Quando falamos em brincadeira sustentável, não estamos tratando apenas do cuidado com o meio ambiente, mas também do cuidado com o mundo interno, emoções, pensamentos, símbolos e formas únicas de ser e aprender.
É aqui que as ideias de Carl Gustav Jung ganham vida e dialogam profundamente com a Educação Infantil, a inclusão e o direito de cada criança viver sua própria infância.
Tipos Psicológicos: cada criança, um jeito de sentir e pensar
Jung observou que as pessoas percebem o mundo e tomam decisões de maneiras diferentes. Ele chamou isso de tipos psicológicos, organizados a partir de duas atitudes e quatro funções:
Atitudes
Introversão: energia voltada para o mundo interno
Extroversão: energia voltada para o mundo externo
Funções psíquicas
Sensação: aprende pelo corpo e pelos sentidos
Intuição: aprende por imagens, ideias e possibilidades
Pensamento: organiza pela lógica
Sentimento: avalia pelo valor afetivo
Na Educação Infantil, compreender essa diversidade é um gesto profundamente inclusivo.
Há crianças que precisam se mover para aprender, outras que observam em silêncio; algumas constroem, outras imaginam; algumas falam muito, outras se expressam melhor pelo desenho ou pelo corpo.
Todas estão certas, apenas são diferentes.
Incluir é não exigir que todas aprendam do mesmo jeito, no mesmo tempo e pela mesma linguagem.
Imagens Psíquicas: quando o brincar vira linguagem da alma
Para Jung, o psiquismo se expressa por imagens simbólicas: desenhos, histórias, sonhos, personagens, monstros, heróis.
Na infância, essas imagens aparecem naturalmente no brincar:
Na casinha e no faz de conta
Nos desenhos repetidos
Nas histórias inventadas
Nos jogos simbólicos com elementos da natureza
Para muitas crianças inclusive aquelas com deficiência, neurodivergentes ou com dificuldades de comunicação verbal, o brincar simbólico é a principal forma de expressão.
Essas imagens não são “só fantasia”. Elas revelam emoções, conflitos, desejos e processos de crescimento.
Quando oferecemos tempo, espaço e materiais simples (madeira, sementes, tecidos, sucata), estamos garantindo acesso, expressão e pertencimento, bases de uma educação verdadeiramente inclusiva e sustentável.
Imaginação Ativa: brincar como escuta interior
A imaginação ativa é um conceito junguiano que propõe dialogar conscientemente com as imagens internas.
Na infância, isso acontece de forma espontânea por meio do brincar livre, sem pressa e sem respostas prontas.
Exemplos simples e inclusivos:
Continuar uma história criada pela criança
Perguntar sobre um personagem desenhado, sem interpretar por ela
Permitir que transforme materiais sem um “resultado certo”
Valorizar o processo, não o produto
O adulto não dirige, acompanha.
Não corrige, escuta.
Assim, o brincar se torna um espaço de autorregulação emocional, segurança afetiva, criatividade e fortalecimento do eu, respeitando as singularidades de cada criança.
Brincadeira Sustentável: integrar, não acelerar
Uma educação inspirada em Jung valoriza:
O tempo interno de cada criança
A diversidade de modos de ser, sentir e aprender
O brincar como linguagem profunda e legítima
O uso consciente, acessível e criativo dos materiais
Sustentável é a brincadeira que não desperdiça a infância,
não silencia a imaginação,
não padroniza o sentir
e inclui todas as infâncias possíveis.
Brincar é um ato ecológico do planeta e da psique.

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