VOCÊ PEGA UMA COISA E TRANSFORMA EM OUTRA. NÃO É APENAS RECICLAGEM. É ARTE!
Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Descobertas sensoriais
domingo, 20 de setembro de 2026
A VIAGEM DE CHIHIRO
A VIAGEM DE CHIHIRO, HAYAO MIYAZAKI
Cinema, Literatura, Filosofia, História, Geografia, Arte, Cultura, Sustentabilidade, Identidade, Patrimônio e Formação Humana
Lançado em 2001 e dirigido por Hayao Miyazaki, A Viagem de Chihiro apresenta uma narrativa sobre infância, identidade, memória, consumo, trabalho, relações humanas e transformação. Ao entrar em um mundo desconhecido, Chihiro precisa aprender a observar, compreender regras, estabelecer vínculos e desenvolver autonomia para atravessar situações que inicialmente não consegue compreender.
O filme permite trabalhar sustentabilidade para além da dimensão ambiental, relacionando-a à maneira como habitamos os espaços, utilizamos recursos, estabelecemos relações e preservamos aquilo que possui valor cultural e simbólico. A transformação dos personagens e dos ambientes possibilita discutir identidade, pertencimento, memória e responsabilidade. A experiência também se aproxima da Brincadeira Sustentável ao compreender o brincar como investigação: observar, experimentar, formular hipóteses, interpretar sinais e transformar materiais e experiências em conhecimento.
OBJETIVO GERAL
Investigar, a partir de A Viagem de Chihiro, as relações entre identidade, território, memória, consumo, trabalho, cultura, relações humanas e sustentabilidade, utilizando o cinema, a investigação, a criação artística e a ressignificação de materiais como instrumentos de aprendizagem.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Desenvolver a capacidade de observar e interpretar imagens e situações; investigar relações entre identidade, memória e pertencimento; compreender diferentes formas de ocupação e organização dos espaços; refletir sobre consumo e utilização de recursos; reconhecer valores culturais e simbólicos; experimentar linguagens artísticas e sensoriais; criar representações de territórios imaginários; utilizar materiais previamente selecionados e higienizados em processos de ressignificação; desenvolver autonomia, cooperação, argumentação e responsabilidade.
MAPA DO MUNDO DESCONHECIDO
Construir um mapa de um território imaginário, identificando caminhos, espaços, personagens, recursos, zonas de passagem e lugares de transformação. A cartografia pode ser construída coletivamente e modificada à medida que novas informações são descobertas.
O mapa deixa de ser apenas uma representação espacial e passa a registrar relações, percursos, escolhas e possibilidades.
O OBJETO E SUA HISTÓRIA
Escolher um objeto cotidiano e investigar sua função, origem, material, circulação, significado e possibilidades de transformação.
A pergunta central é: quando um objeto deixa de ser apenas uma coisa e passa a carregar uma história?
O objeto pode ser documentado, desenhado, pesquisado e posteriormente ressignificado.
CASA DE BANHO DOS SENTIDOS
Criar uma instalação sensorial inspirada nos diferentes ambientes do filme, utilizando materiais reutilizados, sons, texturas, luzes e elementos naturais previamente selecionados.
A atividade permite investigar como os espaços são percebidos pelo corpo e como arquitetura, som, textura, temperatura, luz e movimento interferem na experiência de um lugar.
O QUE TEM VALOR?
Investigar diferentes formas de valor: econômico, afetivo, cultural, histórico, ambiental e simbólico.
Um objeto pode possuir pouco valor comercial e grande importância afetiva. Um lugar pode não estar à venda e ainda assim possuir enorme valor cultural. Uma paisagem pode oferecer benefícios que não aparecem imediatamente como mercadoria.
A atividade amplia a compreensão de valor para além do preço.
NOME E IDENTIDADE
Investigar a importância do nome, da memória e da identidade na construção de quem somos. A atividade pode envolver histórias de nomes, palavras que representam pertencimento, objetos de memória e elementos culturais associados à identidade.
O nome não é tratado apenas como identificação, mas como elemento relacionado à memória, à relação e à construção da própria narrativa.
LABORATÓRIO DA TRANSFORMAÇÃO
Transformar materiais descartados em objetos simbólicos relacionados ao universo investigado. Papéis, caixas, tecidos, embalagens e outros materiais previamente selecionados e higienizados podem adquirir novas funções.
Você pega uma coisa e transforma em outra. Não é apenas reciclagem. É arte.
A matéria permanece, mas sua função, sua forma e seu significado podem ser transformados.
CUIDAR DO LUGAR
Observar um espaço cotidiano, identificar características, necessidades, problemas e potencialidades e propor formas de cuidado e preservação.
A atividade pode envolver escola, praça, jardim, sala, biblioteca ou outro espaço de convivência.
A pergunta é simples: o que muda em um lugar quando as pessoas passam a cuidar dele?
CONSUMO E TRANSFORMAÇÃO
Investigar a relação entre desejo, necessidade, consumo, desperdício e transformação. A atividade pode partir dos objetos presentes no cotidiano para analisar de onde vêm, quais materiais utilizam, quanto tempo permanecem em uso e o que acontece quando deixam de ser necessários.
O objetivo não é apenas discutir consumo, mas compreender os sistemas de produção, circulação, utilização e descarte.
O MUNDO DOS ESPAÇOS
Criar diferentes ambientes inspirados na estrutura narrativa do filme, como passagem, ponte, estação, jardim, casa de banho, túnel e outros espaços imaginados pelos participantes.
Cada ambiente deve possuir uma função, uma regra, uma memória e uma relação com os personagens.
A arquitetura torna-se linguagem e instrumento de investigação.
GRANDE JOGO: A JORNADA DE CHIHIRO
O espaço é organizado como um território de investigação com diferentes estações: Mapa, Identidade, Memória, Valor, Sentidos, Consumo, Cuidado e Transformação.
Os participantes percorrem o território, recebem perguntas, identificam pistas, interpretam objetos, resolvem desafios e registram descobertas.
O objetivo não é simplesmente completar o percurso, mas compreender como cada escolha modifica a jornada.
QUESTÃO INVESTIGATIVA
O que acontece com nossa identidade e com os lugares que habitamos quando esquecemos sua história, seu significado e seu valor?
DOCUMENTAÇÃO PEDAGÓGICA
O processo pode ser registrado por mapas, desenhos, textos, fotografias autorais, objetos, registros sensoriais, hipóteses, perguntas, relatos e produções coletivas. A documentação deve acompanhar as transformações ocorridas durante o percurso, tornando visível aquilo que foi observado, investigado, criado e ressignificado.
AVALIAÇÃO
A avaliação considera a capacidade de observar, formular perguntas, interpretar situações, estabelecer relações, investigar objetos e espaços, reconhecer diferentes formas de valor, participar das experiências, cooperar, argumentar, utilizar materiais de maneira responsável e transformar experiências em produções próprias.
RESULTADOS ESPERADOS
Ampliação da percepção sobre identidade, memória e pertencimento; compreensão das relações entre consumo, território e sustentabilidade; desenvolvimento da leitura visual e sensorial; valorização de referências culturais; desenvolvimento da autonomia e da cooperação; ampliação da capacidade investigativa; experimentação artística; compreensão dos objetos e espaços como portadores de histórias e significados.
CULMINÂNCIA
Mostra “O Mundo que Habitamos”, reunindo mapas, objetos ressignificados, instalações sensoriais, registros de pesquisa, produções artísticas e representações dos territórios construídos pelos participantes.
A exposição apresenta os espaços não apenas como cenários, mas como lugares constituídos por memória, relações, escolhas, cultura e responsabilidade.
METODOLOGIA
Observar > estranhar > perguntar > investigar > experimentar > criar > registrar > interpretar > compartilhar > ressignificar.
LEGADO
Quando aprendemos a olhar para um lugar, um objeto ou uma pessoa para além de sua aparência imediata, começamos a compreender que cada coisa possui uma história, uma relação e um significado. A experiência de A Viagem de Chihiro permite transformar essa percepção em investigação sobre identidade, memória, consumo, território e responsabilidade.
O espaço que habitamos também nos transforma. Os objetos que utilizamos carregam histórias. Os nomes preservam memórias. As relações produzem pertencimento. Cuidar, portanto, não significa apenas conservar aquilo que existe, mas compreender seu valor antes de decidir o que fazer com ele.
A sustentabilidade passa a ser compreendida como uma prática de relação: com a matéria, com os lugares, com a cultura, com as pessoas e com aquilo que desejamos transmitir.
Observar. Estranhar. Perguntar. Investigar. Experimentar. Criar. Cuidar. Ressignificar. Compartilhar. Legar.
sábado, 19 de setembro de 2026
A ÁRVORE DA VIDA
Cinema, Literatura, Filosofia, Ciências, Biologia, Geografia, História, Arte, Infância, Natureza, Memória, Sustentabilidade e Formação Humana
A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011), dirigido por Terrence Malick, apresenta uma narrativa construída por memórias, imagens, sons, relações familiares, infância e contemplação da natureza. Distanciando-se de uma estrutura narrativa convencional, o filme articula experiências cotidianas e questões existenciais, criando uma experiência cinematográfica na qual tempo, memória, natureza e formação humana se entrelaçam.
A infância ocupa posição central nessa construção. As experiências das crianças não aparecem apenas como preparação para a vida adulta, mas como experiências completas de descoberta. O ambiente familiar, os sons, a luz, os movimentos, os conflitos, os afetos e os encontros participam da construção da percepção de mundo.
Essa perspectiva permite investigar uma questão fundamental da educação: o que uma criança aprende antes mesmo de saber explicar aquilo que está aprendendo? A aprendizagem não acontece somente quando existe uma atividade formal. O ambiente, os gestos, os espaços, as relações, os objetos e as experiências sensoriais também participam da formação.
Essa abordagem aproxima-se da Pedagogia da Presença e do Legado. A criança observa o adulto antes mesmo de compreender suas explicações. A maneira como uma pessoa se relaciona com outras pessoas, com os objetos, com a natureza, com o tempo e com os conflitos também constitui uma forma de comunicação. A presença educativa manifesta-se, portanto, tanto naquilo que é dito quanto naquilo que é vivido.
A natureza ocupa no filme uma dimensão que ultrapassa a ideia de paisagem. Árvores, água, animais, luz, vento, céu e movimento participam da experiência narrativa e sensível. A relação entre ser humano e natureza pode, assim, ser investigada não apenas pela perspectiva ambiental, mas também pela experiência de pertencimento ao mundo.
Essa perspectiva dialoga com a ideia de Sustentabilidade Viva. Sustentabilidade não significa apenas conservar recursos naturais. Envolve compreender como habitamos os lugares, como percebemos os ciclos da vida e como estabelecemos relações com aquilo que nos sustenta. Observar uma árvore, acompanhar uma transformação natural ou perceber as mudanças de um território pode modificar a maneira como nos relacionamos com ele.
A árvore também pode funcionar como estrutura simbólica para discutir continuidade. Raízes, tronco, ramificações, crescimento e transformação permitem estabelecer relações com memória, ancestralidade, conhecimento, vínculos e futuro. A metáfora, entretanto, não precisa oferecer uma interpretação única. Ela pode ser utilizada como instrumento para produzir perguntas e diferentes leituras.
Em Ciências, o estudo das árvores pode envolver botânica, fotossíntese, crescimento, ciclos naturais, biodiversidade e relações ecológicas. Em Geografia, podem ser investigados paisagem, território, clima, ocupação e transformações ambientais. Em História, a árvore pode ser relacionada à memória de lugares e às transformações ocorridas ao longo do tempo.
Em Artes, a árvore pode tornar-se desenho, fotografia, escultura, instalação, composição sonora ou audiovisual. Em Língua Portuguesa, podem ser produzidos textos autobiográficos, poemas, narrativas de memória e descrições sensoriais. Em Filosofia, o filme permite investigar existência, liberdade, responsabilidade, sofrimento, relações familiares, tempo e sentido.
Em Matemática, o crescimento de uma árvore pode ser acompanhado por medições, registros, tabelas e representações gráficas. Em Tecnologia, fotografias periódicas podem documentar transformações do ambiente e formar uma sequência temporal capaz de revelar aquilo que a observação imediata não permite perceber.
A perspectiva da Brincadeira Sustentável amplia essa experiência ao considerar a natureza como espaço de investigação, criação e aprendizagem. Folhas, sementes, galhos, pedras e outros elementos naturais podem ser observados e, quando apropriado, utilizados em experiências artísticas, priorizando materiais já encontrados no solo e evitando danos aos organismos e ao ambiente.
Você pega uma coisa e transforma em outra. Não é apenas reciclagem. É arte.
Nesse contexto, a transformação não precisa significar retirar algo da natureza para produzir outro objeto. Pode significar transformar a maneira de olhar, registrar, interpretar e atribuir significado. Uma folha pode tornar-se desenho, evidência científica, registro fotográfico, elemento de composição ou objeto de investigação sem deixar de ser parte de um sistema natural.
A proposta também permite trabalhar a diferença entre olhar e observar. Olhar pode ser um ato imediato; observar pressupõe atenção, comparação, registro e interpretação. A experiência sensível pode iniciar uma investigação científica quando é acompanhada de procedimentos adequados de observação, documentação e análise.
OBJETIVO GERAL
Investigar, a partir de A Árvore da Vida, as relações entre infância, natureza, memória, família, território, percepção e formação humana, articulando experiências científicas, artísticas, filosóficas e sensoriais.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Desenvolver observação e percepção sensorial; investigar ciclos naturais e biodiversidade; compreender relações entre seres vivos e ambiente; registrar transformações do território; trabalhar memória individual e coletiva; explorar diferentes linguagens artísticas; relacionar natureza, tempo e território; desenvolver práticas de documentação; estimular reflexão filosófica sobre existência, relações e pertencimento; compreender sustentabilidade como relação entre vida, ambiente, cultura e responsabilidade.
SUGESTÕES DE ATIVIDADES INTERDISCIPLINARES
Diário de uma Árvore: escolher uma árvore existente no território e acompanhar suas transformações durante determinado período, registrando folhas, flores, frutos, presença de animais, condições climáticas e alterações no entorno.
Árvore da Memória: construir uma árvore simbólica na qual as raízes representem referências recebidas, o tronco represente experiências presentes e os galhos representem possibilidades futuras.
Percurso dos Sentidos: realizar uma caminhada de observação identificando sons, texturas, temperaturas, formas, movimentos, aromas e elementos visuais. Os registros podem formar um mapa sensorial do território.
Ciência da Árvore: investigar espécies existentes no território, suas características, necessidades, importância ecológica e relações com outros organismos.
Fotografia do Tempo: fotografar o mesmo lugar em diferentes momentos e comparar as transformações observadas, construindo uma narrativa visual sobre o tempo.
Arte com Elementos Naturais: criar composições utilizando materiais naturais já encontrados no solo, sem retirar organismos vivos ou danificar plantas. A atividade pode investigar forma, textura, composição e permanência.
Carta para uma Árvore: escrever uma carta imaginária para uma árvore significativa, relacionando tempo, memória, território e futuro.
GRANDE JOGO: A JORNADA DA ÁRVORE
O Grande Jogo pode ser organizado em oito estações: Raiz, Tronco, Folha, Água, Luz, Tempo, Memória e Futuro. Cada estação propõe uma experiência de observação, investigação, criação ou interpretação. O percurso permite compreender a árvore simultaneamente como organismo, elemento do território, objeto científico, referência cultural e símbolo de continuidade.
PERGUNTA INVESTIGATIVA
O que muda em nossa maneira de habitar o mundo quando aprendemos a observar a natureza não apenas como cenário, mas como parte da experiência da vida?
DOCUMENTAÇÃO PEDAGÓGICA
O processo pode ser registrado por meio de diários de observação, fotografias, desenhos científicos, mapas sensoriais, tabelas, gráficos, textos, poemas, registros sonoros e produções artísticas. A documentação permite comparar diferentes formas de conhecer um mesmo território e acompanhar transformações que acontecem ao longo do tempo.
AVALIAÇÃO
A avaliação considera a capacidade de observar, registrar, formular perguntas, investigar, comparar informações, estabelecer relações e comunicar descobertas. Também são consideradas a participação, o cuidado com o ambiente, a produção artística e científica e a capacidade de relacionar experiências individuais a questões coletivas.
RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se ampliar a percepção sobre natureza e território, desenvolver práticas de investigação e documentação, fortalecer repertório científico e artístico, compreender relações ecológicas, valorizar memória e pertencimento e reconhecer diferentes maneiras de produzir conhecimento sobre um mesmo fenômeno.
CULMINÂNCIA
Mostra “Árvore da Vida: Memória, Natureza e Existência”
Exposição reunindo diários de observação, mapas sensoriais, fotografias, desenhos, textos, dados científicos, registros sonoros e instalações. A proposta apresenta diferentes formas de conhecer um mesmo território: científica, artística, histórica, filosófica e sensível.
METODOLOGIA
Observar > sentir > perguntar > investigar > registrar > interpretar > relacionar > criar > compartilhar > ressignificar.
A experiência sensível constitui o ponto de partida para a investigação. O que é percebido transforma-se em pergunta; a pergunta conduz à pesquisa; a pesquisa produz registros; os registros permitem interpretações; e as interpretações retornam ao território sob novas formas de criação e conhecimento.
LEGADO
A Árvore da Vida permite compreender infância, memória, natureza e relações familiares como dimensões profundamente relacionadas à formação humana. Sua narrativa convida a desacelerar e reconhecer que nem todo conhecimento surge imediatamente como resposta. Algumas experiências precisam primeiro ser vividas, observadas, sentidas e elaboradas.
A árvore pode representar aquilo que permanece e aquilo que continua crescendo. Existem referências que recebemos, experiências que nos formam e possibilidades que ainda não conhecemos.
Na perspectiva da Brincadeira Sustentável, essa compreensão amplia o próprio significado de transformação. Transformar não é necessariamente retirar algo da natureza para produzir outra coisa. Também transformamos quando aprendemos a observar, interpretar, cuidar e atribuir novos significados ao mundo que já habitamos.
A sustentabilidade, nesse sentido, começa antes da ação sobre a matéria. Começa na percepção da relação.
Antes de transformar o mundo, precisamos aprender a perceber que já fazemos parte dele.
Observar. Sentir. Perguntar. Investigar. Registrar. Interpretar. Relacionar. Criar. Cuidar. Compartilhar. Legar.
quinta-feira, 26 de março de 2026
Conhecendo o mundo através das sensações
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“Para compreender a linguagem dos demais não é suficiente compreender as palavras, é necessário entender seu pensamento.” (Lev Semyonovich Vygotsky)
Como se dão os processos de oralidade nas diversas etapas do desenvolvimento de crianças de três a quatro anos de idade?
Inicialmente essa pesquisa foi fundamentada nas teorias de Vygotsky (1984) e Piaget (1999), também buscando conhecer os conceitos que os documentos oficiais trazem sobre a Educação Infantil e suas propostas pedagógicas. Por conseguinte, abordou-se a importância do papel do professor e a relação da família como participante desse processo de desenvolvimento. A metodologia utilizada foi de natureza qualitativa, através de um estudo de caso realizado em uma escola da rede privada com uma criança de três anos e meio de idade, pertencente à creche da educação infantil nível III. Como estratégias foram feitas observação e entrevista com a professora da turma. Com base na investigação, analisamos os processos de desenvolvimento da oralidade da criança observada e suas respectivas dificuldades podendo ser geradas na fala, o seu comportamento na sala de atividades e em casa, suas interações com os colegas de turma, com a professora e com os familiares; também observando e averiguando o trabalho pedagógico da professora, sua relação com a criança e com a família. Por fim, mediante os resultados da pesquisa, trazemos nas considerações finais os fatores que determinam para o retardamento da fala e os que contribuem para a construção da linguagem oral da criança.
INTRODUÇÃO
A prática pedagógica tem diversas funções quando se trata de favorecer e estimular as capacidades da criança, especialmente na educação infantil. A fala é uma das importantes competências que a criança desenvolve favorecendo o desenvolvimento de outras funções, como por exemplo, as interações, e em geral todos os seus aspectos cognitivos. Com base nisso, é necessário que o tema abordado seja discutido por professores, gestores e inclusive pela família, pois esta também é de fundamental importância nesse processo servindo de exemplo e estímulo para a criança na sua descoberta da fala.
A linguagem é o que une os indivíduos de uma sociedade, seja pela fala ou manifestada de outras formas, como os gestos ou as expressões faciais. Nesse sentido, o sujeito consegue entender o que o outro quer dizer e assim as comunicações se tornam possíveis formando grupos sociais e externando pensamentos. Além disso, a fala também favorece a cultura, seja por meio de idiomas, de acordo com determinadas regiões, ou através do grupo social ao qual se pertence.
Para a melhor compreensão do tema e maior embasamento teórico, trouxemos os autores Piaget (1999) e Vygotsky (1984) que serviram como fonte teórica do estudo, no intuito de melhor entender o processo de desenvolvimento da oralidade da criança, fazendo relação com seus fatores de influência como a afetividade, cognição, o meio social e a genética. Também traremos as Diretrizes Curriculares Nacionais (2012) e a Base Nacional Curricular Comum (2017) para abordamos sobre a Educação Infantil. Além dos Referenciais Curriculares Nacionais (1998), buscando compreender o papel do professor como participante e atuante na construção da linguagem oral da criança.
O interesse inicial por realizar este estudo ocorreu por meio de uma motivação familiar. O surgimento de nossa inquietação estava próximo a nossa realidade, concretizado por alguém que se encontrava em situação de dificuldades na fala, em seus primeiros anos de vida, ainda em processo de desenvolvimento cognitivo. Outro ponto que também nos motivou para a realização da investigação foi por este assunto não ser um tema discutido nas escolas, ocasionalmente, não ficando muito em pauta pelos profissionais da educação. Partindo disso, acreditamos que o estudo servirá de auxílio na obtenção de maiores conhecimentos para educadores, pesquisadores, famílias e outros sujeitos que se sentirem interessados pessoalmente ou profissionalmente sobre os processos de desenvolvimento da oralidade.
Trouxemos para este estudo algumas inquietações traduzidas nestas questões: Como se dá o desenvolvimento da oralidade das crianças de 3 e 4 anos de idade? Como ocorre o desenvolvimento da criança e de sua fala na Educação Infantil segundo os pensadores Piaget (1984) e Vygotsky (1999)? De que maneira o professor pode trabalhar em sala de aula para estimular a fala das crianças e dirimir suas dificuldades? Como a família pode contribuir para o desenvolvimento desse processo?
Nesse sentido, abordaremos especialmente o desenvolvimento da fala em crianças de 3 e 4 anos de idade buscando compreender a importância do papel da família, dos professores de educação infantil e da sociedade como participantes e atuantes das aprendizagens do sujeito nesse processo.
Diante desta realidade, o objetivo geral que orienta este trabalho consiste em: Investigar os processos envolvidos no desenvolvimento da oralidade das crianças na educação infantil. Para permitir uma compreensão mais ampla, buscou-se: compreender os processos de fala da criança apresentando como os pensadores analisam seu desenvolvimento; avaliar de que maneira os professores da educação infantil trabalham para desenvolver a oralidade da criança e dirimirem as dificuldades encontradas; aferir maneiras de como a família pode contribuir no desenvolvimento desse processo.
A pesquisa aqui apresentada encontra-se assim organizada: na primeira seção abordaremos sobre o desenvolvimento da oralidade nas perspectivas de Vygotsky (1984) e Piaget (1999) apontando seus pensamentos, estudos e investigações enfatizando o que dizem a respeito da linguagem oral e os fatores que contribuem nesse processo. Além disso, também trataremos a importância da família como meio de favorecer estímulos à fala através das interações que realiza com a criança.
Na sessão seguinte falaremos a respeito do que dizem os documentos oficiais sobre a Educação Infantil, esta que se divide em creche e pré-escola. Partindo disso, abordaremos sobre as propostas pedagógicas, a importância que a escola tem na vida da criança e os direitos que lhe são assegurados. Com base nisso, faremos relação com o que os documentos trazem sobre o desenvolvimento da oralidade enfatizando a importância da fala como meio necessário no desenvolvimento cognitivo; também abordando o papel do professor e da escola como um dos principais participantes em favorecer e estimular a construção de um rico vocabulário para a criança.
Com intuito de alcançar os objetivos da pesquisa, como metodologia, organizamos nosso estudo em uma pesquisa de natureza qualitativa, através de um estudo de caso associado por uma pesquisa bibliográfica que forneceu subsídios para as análises dos dados coletados em nossa pesquisa de campo. Foi feita uma observação da vivência escolar de uma criança de três anos e meio, que está cursando infantil nível III – creche, acompanhando por alguns dias um pouco da sua rotina na escola e em casa, seu comportamento com a professora, com a família e seus colegas.
Por conseguinte, também realizamos uma entrevista com a professora da turma por meio de um questionário, afim de melhor conhecer seu trabalho pedagógico. Logo depois, apresentamos os resultados do estudo de caso, abordando a entrevista com a professora, a observação da criança e a observação da pesquisa. Neste sentido, fizemos relação com alguns teóricos para maior apropriação de conhecimento.
Nas considerações finais, abordamos os objetivos que alcançamos com a pesquisa, respondendo as perguntas que foram propostas no trabalho. Concluindo a importância do estudo realizado como fonte de pesquisa e enriquecimento teórico para todos os pais ou responsáveis que buscam maneiras de dirimir dificuldades na fala da criança. Também para professores e pesquisadores que buscam compreender o processo de evolução da linguagem e favorecer seu desenvolvimento no intuito de alcançar melhorias, auxiliando em novos estudos e pesquisas.
Possibilita as crianças a sentirem diferentes texturas, explorando diferentes materiais como algodão, lixa, botões, espuma, eva, papéis ondulados entre outros, estimulando assim a coordenação motora ampla, a percepção tátil, a curiosidade e a imaginação.
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