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Síntese: A partir de uma experiência artística com uma folha de papel dobrada, surgiu uma atividade que integra origami, construção de avião de papel, movimento corporal e investigação científica. A inclusão de uma biruta cenográfica, que inesperadamente cumpriu sua função de indicar a movimentação do ar, ampliou as possibilidades de exploração. A proposta articula arte, matemática, ciências, linguagem, educação ambiental e desenvolvimento motor, valorizando a observação, a formulação de hipóteses e a aprendizagem pela experimentação.
Objetivo: Explorar as possibilidades educativas do origami, desenvolvendo coordenação motora fina, percepção espacial, atenção, planejamento, criatividade e investigação. Diferenciar a movimentação do ar do deslocamento de um objeto e observar fatores que interferem na trajetória do avião.
Público-alvo: Educação Infantil e Ensino Fundamental, com adaptações conforme a faixa etária e as necessidades dos participantes.
Materiais: Folhas de papel reutilizado; papelão para a estrutura da biruta; papel de seda, papel crepom ou tiras leves de materiais reutilizáveis; barbante ou fita adesiva; tesoura para uso do adulto; fita métrica ou marcações no chão; e espaço livre e seguro para os lançamentos.
Papel reutilizado e sucata: Papel reutilizado é aquele que já teve um uso anterior, mas permanece em condições adequadas para ser utilizado novamente, como uma folha escrita de um lado que pode receber uma dobradura. Sucata é um material ou objeto descartado de sua finalidade original que pode ser selecionado e transformado em um novo recurso. Uma folha usada pode ser reutilizada para construir o avião; uma caixa de papelão descartada pode ser transformada na estrutura da biruta. A distinção está relacionada à condição do material, ao uso anterior e à finalidade que assume. Ambos devem estar limpos, secos e seguros para o manuseio. Reutilizar prolonga a vida útil de um material; transformar sucata amplia suas possibilidades de uso.
O origami na educação: A dobradura permite explorar a transformação de uma superfície plana em formas com novas características e funções. Durante o processo, a criança acompanha sequências, reconhece relações espaciais e geométricas e desenvolve habilidades de coordenação motora fina, percepção visual, atenção, planejamento e resolução de problemas. A atividade também favorece a autonomia, a persistência e a compreensão de que ajustes e novas tentativas podem produzir resultados diferentes. Esses benefícios dependem da adequação da proposta à idade e das condições de participação.
Como confeccionar a biruta cenográfica: Recorte um aro de papelão e fixe nele tiras leves de papel de seda, papel crepom ou papel reutilizado, distribuídas ao redor da circunferência. Prenda um barbante ao aro para suspender a estrutura em um suporte estável, deixando as tiras livres para se movimentarem. As crianças podem decorar a biruta antes da montagem. Para observar a movimentação do ar, coloque-a em local com circulação de ar, longe de paredes, obstáculos e da área de lançamento. Um adulto deve realizar ou supervisionar a montagem e a fixação.
Desenvolvimento e experimentação: As crianças observam inicialmente o comportamento da biruta e, depois, constroem seus aviões por meio de dobraduras. A partir de uma linha demarcada, realizam lançamentos, acompanham as trajetórias e comparam as distâncias percorridas. Podem repetir as tentativas, modificar a maneira de lançar e observar os resultados. A biruta deve permanecer afastada da área de lançamento, permitindo investigar separadamente os dois movimentos. O educador incentiva a observação, a comparação e a formulação de hipóteses, sem antecipar todas as respostas.
Vento e deslocamento do avião: O vento é o ar em movimento no ambiente. A biruta permite observar essa movimentação por meio da orientação e da oscilação de suas tiras. O avião começa a se deslocar após receber o impulso do lançamento e segue uma trajetória influenciada pela gravidade, pela resistência do ar, pelo formato das asas, pela maneira de lançar e, quando presente, pelo vento. As tiras também podem se movimentar devido às correntes de ar provocadas pela circulação de pessoas. Por isso, a observação da biruta, isoladamente, não comprova a presença de vento natural nem explica o voo do avião.
Perguntas norteadoras: Antes da construção: Como uma folha plana pode se transformar em um avião? Precisamos usar uma folha nova ou podemos reutilizar uma já utilizada? Qual é a diferença entre reutilizar papel e transformar uma embalagem descartada? Durante a experiência: O que coloca o avião em movimento? Todos os aviões percorrem a mesma distância? O que acontece quando mudamos a maneira de lançar? Por que as tiras da biruta se movimentam? Ela se movimenta mesmo quando ninguém lança um avião? O avião e a biruta se movimentam pelo mesmo motivo? Como podemos investigar a influência do vento? Depois da atividade: O que descobrimos? O que mudou entre as tentativas? Como poderíamos modificar o avião? Que outros objetos podemos construir com papel reutilizado? Que materiais descartados poderiam ganhar uma nova função? As perguntas devem ser adequadas à faixa etária e às observações das crianças, valorizando suas hipóteses e descobertas.
Articulações interdisciplinares: Na Arte, a atividade explora formas, cores, composição e criação. Na Matemática, permite trabalhar geometria, simetria, sequências e medidas. Na Linguagem, favorece a descrição de procedimentos e a comunicação das descobertas. Nas Ciências da Natureza, possibilita investigar o movimento, a gravidade, a resistência do ar e o vento. Nas experiências corporais, mobiliza coordenação motora e orientação espacial. Na educação ambiental, promove a reflexão sobre reutilização, descarte e transformação dos materiais.
Resultados observáveis e indicadores: O educador pode registrar se a criança acompanha as etapas de dobradura, constrói o avião com ou sem auxílio, realiza e repete lançamentos, compara trajetórias e distâncias, observa a movimentação da biruta e diferencia os dois fenômenos. Também pode verificar se formula hipóteses, modifica estratégias e propõe novas possibilidades de utilização dos materiais. As distâncias podem ser medidas com fita métrica ou estimadas por marcações no chão. Desenhos, fotografias, medidas e falas das crianças constituem registros do processo de aprendizagem. A avaliação considera a participação, as estratégias utilizadas e a evolução individual.
Segurança e acessibilidade: A atividade deve ocorrer em espaço desobstruído, com lançamentos em direção segura e sem pessoas à frente. A biruta deve estar firmemente fixada, fora da área de circulação. Os materiais precisam estar limpos, secos e livres de grampos, pontas ou partes cortantes. Ferramentas devem ser utilizadas sob supervisão adulta. Para favorecer a participação de crianças com diferentes habilidades motoras, podem ser oferecidos modelos simplificados, aviões previamente dobrados, apoio individualizado e alternativas de lançamento sentado ou com dispositivos adaptados.
Relação com a BNCC: Na Educação Infantil, a proposta pode ser relacionada aos campos de experiências “Traços, sons, cores e formas”, “Corpo, gestos e movimentos” e “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações”. No Ensino Fundamental, articula-se às áreas de Arte, Matemática e Ciências. As habilidades específicas devem ser selecionadas conforme a faixa etária, o ano escolar e os objetivos pedagógicos.
Brincadeira Sustentável - da arte à produção de conhecimento: Uma folha dobrada tornou-se o ponto de partida para uma experiência que ultrapassou a criação inicial. O avião de papel possibilitou explorar o movimento, enquanto a biruta cenográfica revelou uma função prática que não havia sido prevista. Essa experiência evidencia como a prática artística pode gerar novas perguntas, descobertas e relações entre diferentes áreas do conhecimento. Na Brincadeira Sustentável, os materiais não são apenas objetos de construção: tornam-se meios para criar, experimentar, observar e produzir conhecimento, ampliando as possibilidades educativas da arte, da brincadeira e da sustentabilidade.

