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"Inspirado em Heidegger, Brincadeira Sustentável (por Renata Bravo) não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser digerida, vivida e incorporada."

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Carimbo de Raposinha com Rolo de Papel Higiênico


Quem trabalha com crianças ou gosta de criar em casa sabe que os rolos de papel higiênico podem se transformar em verdadeiros tesouros do artesanato e da reciclagem.

Hoje, vamos transformar esse material simples em uma atividade encantadora, inspirada em um dos personagens mais queridos da literatura: a Raposa de O Pequeno Príncipe.

Muitas pessoas já conhecem o tradicional carimbo de coelhinho feito com rolinhos de papel. Com uma pequena adaptação nas formas e nas cores, podemos criar uma linda raposinha, com rosto arredondado e orelhas pontudas.

É uma atividade simples, econômica e cheia de possibilidades para trabalhar arte, literatura, sustentabilidade e coordenação motora com as crianças.

Materiais necessários

  • Rolos de papel higiênico vazios - 3 unidades para cada carimbo
  • Tinta guache laranja e branca
  • Lápis 
  • Canetinha preta ou tinta preta com pincel fino
  • Cola quente ou fita adesiva
  • Papel colorido para o fundo - rosa, azul-escuro ou verde podem criar belos contrastes

Como montar o carimbo de raposa

O segredo está em combinar formas arredondadas e pontudas.

O rosto: mantenha um dos rolos de papel higiênico com seu formato circular. Ele será a base do rosto da raposinha.

As orelhas: amasse levemente os outros dois rolos, criando vincos que permitam formar duas pontas semelhantes a pequenos triângulos.

A união: fixe as duas orelhas na parte superior do rolo que formará o rosto. Pode-se utilizar fita adesiva ou cola quente, esta etapa deve ser feita por um adulto.

Pronto! O carimbo está preparado para ganhar vida.

Hora de carimbar e colorir!

Agora começa a parte mais divertida!

1. O carimbo principal

Passe tinta guache laranja na base do molde e pressione cuidadosamente sobre o papel. Ao levantar o rolinho, aparecerá o formato da cabeça da raposa com suas orelhinhas.

2. A pelagem branca

Depois de a tinta laranja secar um pouco, utilize o dedo ou um pincel pequeno para acrescentar tinta branca na parte inferior do rosto, criando as bochechas claras da raposinha.

3. Os detalhes

Com um lápis ou canetinha preta, desenhe os olhos, o focinho e outros pequenos detalhes que darão personalidade ao personagem.

E aqui está uma parte importante da proposta: não é necessário que todas as raposas sejam iguais. Cada criança pode criar sua própria expressão, escolher o fundo e acrescentar elementos à composição.

Brincar, criar e reutilizar

Uma atividade como essa vai muito além de produzir uma pintura.

Ao transformar um rolo de papel que seria descartado em um instrumento de criação, a criança percebe que muitos materiais podem ganhar novos usos e novos significados.

A proposta também permite explorar:

  • coordenação motora fina;
  • percepção de formas geométricas;
  • cores e contrastes;
  • pintura e composição artística;
  • reutilização de materiais;
  • imaginação e criatividade;
  • literatura e narrativa.

A Raposa e o Pequeno Príncipe

A atividade pode ser acompanhada pela leitura ou pela conversa sobre O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.

Enquanto as crianças criam suas raposinhas, podemos conversar sobre amizade, cuidado, vínculos e responsabilidade.

A famosa passagem da Raposa pode ser um ponto de partida para essa conversa:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

Mais do que memorizar uma frase, a criança pode ser convidada a pensar: O que significa cuidar de alguém? E de um animal? Da natureza? De um brinquedo? De um lugar?

Assim, uma simples atividade de carimbo pode abrir espaço para uma experiência interdisciplinar envolvendo Arte, Literatura, Educação Ambiental e Cultura da Infância.

Do rolinho à imaginação

Um pedaço de papelão que seria descartado transforma-se em carimbo.

O carimbo transforma-se em raposa.

E a raposa pode transformar-se em uma história.

É nesse movimento que a reciclagem deixa de ser apenas uma prática de reaproveitamento e passa a ser também uma forma de criar, imaginar e aprender brincando.





O Pequeno Príncipe em Braille: a verdadeira inclusão

Ler é um direito de todos 

Há histórias que são lidas com os olhos, outras com as mãos, e há aquelas que, independentemente de como chegam até nós, são capazes de tocar o coração.

O Pequeno Príncipe é uma dessas histórias.

Quando suas páginas ganham o Braille, cada palavra encontra novos caminhos para chegar ao leitor. Os pontos em relevo tornam-se letras, as letras transformam-se em palavras e as palavras abrem portas para mundos que pertencem a todos.

Uma criança com deficiência visual também tem o direito de conhecer o Pequeno Príncipe, viajar entre os planetas, encontrar a Raposa, imaginar as estrelas e se emocionar com cada ensinamento dessa obra tão especial.

Por isso, uma edição em Braille não é apenas um livro acessível. É uma ponte, um convite, uma oportunidade de dizer, por meio da literatura: esta história também é sua.

Incluir não é apenas permitir que alguém participe. É garantir que ninguém precise ficar do lado de fora. É reconhecer diferentes formas de perceber o mundo e criar caminhos para que todos possam aprender, imaginar, sentir e sonhar.

Talvez essa seja uma das mais belas lições de O Pequeno Príncipe: aquilo que realmente importa nem sempre pode ser visto.

“O essencial é invisível aos olhos, mas não ao tato.”

PLANO DE AULA: ACESSIBILIDADE E LITERATURA

Tema: Inclusão, acessibilidade e o direito à leitura.

Livro base: O Pequeno Príncipe, versão em Braille.

Público alvo: Educação Infantil ou Ensino Fundamental I, com adaptações.

Duração: 2 aulas de 50 minutos.

OBJETIVOS

Compreender os conceitos de acessibilidade e inclusão; sensibilizar os alunos para a importância do direito à leitura; conhecer o sistema Braille e sua função social; desenvolver empatia, respeito e valorização das diferenças; estimular a imaginação e a expressão artística por meio de experiências sensoriais.

CONTEÚDOS

Literatura e inclusão, sistema de escrita Braille, deficiência visual, leitura sensorial e tátil, cidadania, empatia e respeito às diferenças.

ATIVIDADES PEDAGÓGICAS DE INCLUSÃO

Roda de conversa: O que é inclusão? 

Inicie perguntando: “O que podemos fazer para que todos tenham acesso às mesmas experiências?”

Converse sobre as diferentes formas de ler e conhecer o mundo. Apresente livros em Braille e audiolivros e, se possível, mostre aos alunos um exemplar de O Pequeno Príncipe em Braille.

Explorando o Braille com as mãos 

Apresente o alfabeto Braille em relevo e convide as crianças a percorrê-lo com os dedos, percebendo que os pontos formam letras e palavras. Cada aluno poderá descobrir como seu próprio nome pode ser representado em Braille.

Uma leitura que também se sente 

Leia o trecho “O essencial é invisível aos olhos” e converse sobre aquilo que podemos perceber sem enxergar. Em seguida, proponha uma experiência com uma caixa tátil. De olhos cobertos, os alunos tocam diferentes objetos e tentam identificá-los. A atividade ajuda a perceber que o mundo pode ser conhecido por muitos caminhos.

Criando uma arte para ser sentida 

Cada aluno poderá criar seu próprio planeta inspirado em O Pequeno Príncipe, utilizando materiais com diferentes texturas, como lã, algodão, lixa, tecidos e papéis. O desafio é criar uma imagem que também possa ser percebida pelas mãos de quem não enxerga.

Caminhar com confiança 

Em duplas, os alunos realizam um pequeno percurso pela sala. Um deles poderá estar com os olhos cobertos, enquanto o outro o orienta com cuidado e respeito. A experiência deve ser conduzida com segurança e como uma vivência de percepção e confiança, sem pretender reproduzir a experiência da deficiência visual.

Para encerrar, uma pergunta pode abrir espaço para a reflexão:

“Como podemos tornar o mundo mais acessível para todos?”

AVALIAÇÃO

A avaliação acontece durante todo o processo, considerando a participação nas conversas e atividades, a capacidade de cooperação, o desenvolvimento da empatia e do respeito às diferenças e a relação estabelecida entre a experiência vivenciada e situações do cotidiano.

RECURSOS NECESSÁRIOS

Livro em Braille ou reprodução de trechos; alfabeto Braille em relevo; materiais táteis; tecidos; objetos diversos; caixa tátil; papel; cola; lã; algodão; lixa e outros materiais para criação artística.

Mais do que ensinar o Braille, esta proposta convida a criança a compreender que acessibilidade é uma forma de abrir caminhos. Porque quando a leitura encontra diferentes sentidos, a literatura deixa de ser apenas aquilo que se vê e passa a ser aquilo que se vive.


Uma viagem pelos planetas da imaginação, da amizade e do conhecimento


A Feira Literária do Ensino Fundamental II proporcionou aos estudantes uma experiência encantadora e significativa por meio da obra O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Muito mais do que uma simples leitura, o projeto transformou-se em uma verdadeira jornada literária, artística, filosófica e interdisciplinar, permitindo que os alunos explorassem os personagens, os símbolos e as reflexões presentes em um dos livros mais lidos e traduzidos do mundo.


A importância da leitura de O Pequeno Príncipe

Publicado em 1943, O Pequeno Príncipe atravessa gerações porque fala sobre temas universais: amizade, amor, responsabilidade, empatia, solidão, cuidado com o próximo e o verdadeiro significado da vida.

Ao acompanhar a trajetória do Pequeno Príncipe por diferentes planetas, os estudantes foram convidados a refletir sobre questões humanas profundas e extremamente atuais. A obra nos ensina que:

"O essencial é invisível aos olhos."

Essa mensagem convida crianças, jovens e adultos a enxergarem além das aparências, valorizando sentimentos, relações e atitudes.

A leitura também contribui para:

Desenvolvimento da interpretação textual;

Ampliação do repertório cultural;

Formação ética e cidadã;

Estímulo à imaginação e à criatividade;

Reflexão sobre valores humanos;

Desenvolvimento da empatia e da sensibilidade.

Os personagens e seus significados

Durante a feira, os alunos deram vida aos personagens da obra por meio de apresentações, dramatizações, figurinos, cenários e exposições temáticas.

O Pequeno Príncipe - Representa a pureza da infância, a curiosidade, a capacidade de sonhar e de enxergar o mundo com sensibilidade.

A Rosa - Vaidosa, delicada e especial, a Rosa simboliza o amor, os vínculos afetivos e a responsabilidade que temos por aqueles que cativamos.

A famosa frase:

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas",

foi amplamente discutida pelos alunos como uma reflexão sobre amizade, respeito e cuidado.

O Aviador - Narrador da história, representa o olhar adulto que redescobre a infância e a imaginação através do encontro com o Pequeno Príncipe.

A Raposa - Um dos personagens mais marcantes da obra, ensina o valor da amizade, da construção de laços e da importância do tempo dedicado às pessoas.

O Rei - Representa o poder exercido sem propósito e a necessidade humana de controle.

O Vaidoso - Simboliza a busca excessiva por reconhecimento e aprovação.

O Bêbado - Representa os ciclos repetitivos e a dificuldade de enfrentar problemas.

O Homem de Negócios - Mostra a obsessão pela posse e pela acumulação de riquezas.

O Acendedor de Lampiões - Representa o compromisso, o dever e a dedicação ao trabalho.

O Geógrafo - Simboliza o conhecimento teórico desconectado da experiência prática.

A Serpente - Figura misteriosa que representa transformação, passagem e reflexão sobre a existência.

Os planetas visitados

Cada planeta visitado pelo Pequeno Príncipe apresenta uma crítica social e uma reflexão sobre comportamentos humanos.

Os alunos construíram representações dos planetas utilizando materiais diversos, explorando conceitos de arte, astronomia e literatura.


Planeta do Rei - Reflexão sobre autoridade e liderança.

Planeta do Vaidoso - Discussão sobre autoestima e necessidade de aprovação.

Planeta do Bêbado - Reflexão sobre escolhas e consequências.

Planeta do Homem de Negócios - Debate sobre consumismo e materialismo.

Planeta do Acendedor de Lampiões - Valorização do trabalho e da responsabilidade.

Planeta do Geógrafo - Importância da pesquisa e da busca pelo conhecimento.

Terra - O planeta onde o Pequeno Príncipe encontra a Raposa e aprende as lições mais importantes da história.

O mistério do chapéu que era um elefante dentro de uma jiboia

Um dos símbolos mais conhecidos do livro também esteve presente na feira.

No início da obra, o Aviador desenha uma jiboia que havia engolido um elefante. Porém, os adultos enxergam apenas um chapéu.

Esse episódio representa a diferença entre o olhar infantil e o olhar adulto.

Enquanto as crianças costumam perceber possibilidades, imaginação e fantasia, os adultos frequentemente observam apenas aquilo que é óbvio.

A atividade permitiu reflexões sobre criatividade, pensamento crítico e diferentes formas de interpretar o mundo.

Interdisciplinaridade na Feira Literária

Língua Portuguesa

Leitura e interpretação da obra;

Produção de resenhas;

Criação de poemas;

Escrita de cartas para personagens;

Reescrita de capítulos.

Artes

Confecção dos planetas;

Criação dos figurinos;

Construção de cenários;

Ilustrações inspiradas na obra;

Produção de painéis temáticos.

Teatro

Encenação dos capítulos;

Expressão corporal;

Desenvolvimento da oralidade;

Interpretação dos personagens.

Ciências

Estudo dos planetas e do sistema solar;

Reflexão sobre preservação ambiental;

Observação do céu e astronomia.

Geografia

Localização dos planetas no sistema solar;

Discussão sobre diferentes formas de organização da sociedade;

Cartografia criativa inspirada na viagem do Pequeno Príncipe.

História

Contexto histórico da publicação da obra;

Segunda Guerra Mundial;

Vida e trajetória de Antoine de Saint-Exupéry.

Filosofia

Reflexões sobre amizade;

Sentido da vida;

Liberdade;

Responsabilidade;

Relações humanas.

Matemática

Construção geométrica dos planetas;

Escalas e proporções;

Medidas para cenários;

Organização estatística das atividades da feira.

Educação Socioemocional

Empatia;

Escuta ativa;

Cooperação;

Respeito às diferenças;

Formação de vínculos saudáveis.

Aprendizagens desenvolvidas pelos estudantes

Ao longo do projeto, os alunos:

Exercitaram a leitura crítica;

Desenvolveram a criatividade;

Aprimoraram a comunicação oral;

Trabalharam em equipe;

Construíram autonomia;

Desenvolveram habilidades artísticas;

Refletiram sobre valores humanos;

Relacionaram literatura e vida cotidiana.

Uma experiência que vai além da literatura

A Feira Literária inspirada em O Pequeno Príncipe demonstrou que os livros são pontes para o conhecimento, para a imaginação e para a formação humana.

Ao representar personagens como a Rosa, a Raposa, o Aviador, o Rei e os habitantes dos diferentes planetas, os estudantes não apenas leram uma obra clássica: eles vivenciaram suas mensagens, transformando a leitura em uma experiência significativa, afetiva e interdisciplinar.

Mais do que conhecer uma história, os alunos aprenderam que cada pessoa carrega um universo dentro de si e que, assim como o Pequeno Príncipe, é preciso cultivar amizades, cuidar de quem amamos e nunca perder a capacidade de olhar o mundo com encantamento, curiosidade e sensibilidade. 

O Pequeno Príncipe em papel machê

Autoria: Renata Bravo 

Entre o papel e o infinito

Nasce um planeta.

Não daqueles perfeitos, desenhados com régua,

mas um mundo de crateras, poros,

onde as imperfeições respiram poesia.


Esse planeta é feito de restos.

Retalhos de jornal, memórias impressas,

palavras que talvez um dia alguém leu,

e agora se transformam em matéria do universo.


Sobre ele, repousa uma pequena figura,

frágil como as perguntas das crianças,

leve como a esperança.

Feita de papel… mas movida por estrelas.


O papel machê molda o corpo,

mas é o afeto que molda a alma.

Cada camada é silêncio,

cada dobra é coragem.

Porque criar também é cuidar.

E cuidar é um ato de resistência.


No planeta pequeno, há espaço para grandes coisas:

para a saudade, para a curiosidade,

para o espanto diante de um pôr do sol.

Porque, como escreveu um aviador-poeta,

o essencial é invisível aos olhos

mas aqui,

neste pequeno mundo feito de papel,

faz-se visível no gesto, na textura, no olhar.


E assim, entre recortes e sonhos,

o artista reconstrói universos.

Com as mãos sujas de cola e poesia,

ele nos lembra que

cada planeta que criamos fora

revela o planeta que habitamos dentro.

Se a vida fosse uma escultura, talvez fosse de papel machê:

leve, reciclável, frágil… e eternamente recomeçável.

O Pequeno Príncipe em Papel Machê: arte, valores humanos e sustentabilidade

INTRODUÇÃO:

O presente trabalho apresenta uma proposta interdisciplinar de prática artística baseada na construção de uma escultura em papel machê inspirada na obra literária O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. A atividade envolve a criação de um planeta e da figura do protagonista utilizando materiais recicláveis, promovendo reflexões sobre sustentabilidade, valores humanos, expressão artística e interpretação literária.

A escolha dessa obra se justifica pela profundidade de seus ensinamentos simbólicos, que abordam temas como amizade, empatia, essência, solidão e responsabilidade afetiva. A técnica do papel machê, por sua vez, possibilita aos participantes trabalhar conceitos de arte sustentável, reaproveitamento de materiais e construção tridimensional.

A proposta é direcionada a contextos escolares, oficinas culturais, práticas terapêuticas e atividades do movimento escoteiro, com potencial de envolver participantes de diferentes faixas etárias, especialmente crianças e adolescentes. O objetivo é proporcionar uma experiência estética, filosófica e ambiental, promovendo o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e criativo.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:

- O Pequeno Príncipe como obra pedagógica

Publicado em 1943, O Pequeno Príncipe é reconhecido mundialmente como uma obra que ultrapassa a literatura infantil, apresentando reflexões filosóficas sobre o ser humano. Frases como “O essencial é invisível aos olhos” e “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” destacam a profundidade de seus ensinamentos. No contexto educacional, a obra é um recurso para o trabalho com valores, empatia e pensamento crítico.

- A arte como linguagem expressiva e interdisciplinar

Segundo Barbosa (2010), a arte contribui para a formação do sujeito por meio da expressão e da percepção estética. A escultura em papel machê desenvolve coordenação motora, pensamento espacial e estímulo criativo. Quando associada à literatura, expande a compreensão leitora por meio da materialização simbólica.

- Papel machê e sustentabilidade

O papel machê é uma técnica artesanal que reutiliza papel e cola, sendo altamente sustentável. Trabalhar com materiais recicláveis promove a conscientização ambiental, proposta importante para projetos vinculados à educação ambiental e ao movimento escoteiro, alinhado com o princípio “deixar o mundo melhor do que encontramos”.

- Interdisciplinaridade na prática pedagógica

A utilização de uma obra literária como base para uma criação escultórica permite integração entre arte, língua portuguesa, filosofia, ciências e matemática. Essa abordagem interdisciplinar favorece a aprendizagem significativa (Ausubel, 2003), integrando conhecimento teórico à prática artística.

OBJETIVOS:

- Geral

Desenvolver uma experiência artística interdisciplinar utilizando a técnica do papel machê inspirada na obra O Pequeno Príncipe, promovendo reflexão sobre valores humanos e sustentabilidade.

- Específicos

Construir uma escultura representando o planeta e o personagem utilizando papel machê e materiais recicláveis;

Compreender e interpretar simbolicamente trechos da obra literária;

Trabalhar princípios de arte, sustentabilidade e expressão emocional;

Estimular a criatividade, o raciocínio espacial e a coordenação motora;

Promover valores como responsabilidade, empatia e sensibilidade;

Desenvolver atividade expositiva para compartilhamento da produção com a comunidade.

METODOLOGIA / DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:

A atividade pode ser desenvolvida individualmente ou em grupo, em aulas de arte, literatura, oficinas culturais ou ações escoteiras. Recomenda-se um período de 3 a 5 encontros.

Etapas propostas

1- Leitura e conversa inicial

Leitura de trechos selecionados;

Discussão sobre os conceitos de planeta, essência, cuidado e valores.

2- Planejamento artístico

Esboço da escultura;

Definição de materiais.

3- Construção do planeta (base da escultura)

Moldagem em papel machê sobre estrutura circular;

Inserção de crateras e relevos.

4- Construção da figura do Pequeno Príncipe

Estrutura com arame ou papel enrolado;

Camadas em jornal e papel machê;

Definição de postura e movimento.

5- Secagem natural + Pintura e detalhes

Escolha de cores simbólicas;

Inserção de elementos como flor ou estrela.

6- Exposição e reflexão

Apresentação da escultura;

Roda de conversa: “Qual é o essencial do meu planeta?”

INTERDISCIPLINARIDADE:

Arte - Escultura, tridimensionalidade, textura

Literatura - Interpretação da obra

Filosofia - Valores humanos, reflexão

Ciê. Naturais - Sustentabilidade, planeta, ciclo da matéria

Matemática - Forma esférica, proporção

Educação ambiental - Reutilização de materiais

Psicomotricidade - Moldagem, coordenação motora

Educação escoteira - Cuidado com o planeta, empatia e responsabilidade

AVALIAÇÃO:

A avaliação deve ser contínua, observando:

Engajamento nas discussões;

Criatividade e adequação técnica;

Compreensão conceitual da obra;

Participação na construção coletiva;

Capacidade reflexiva e argumentativa;

Autonomia e cooperação.

Pode também incluir autoavaliação: “o que aprendi com o planeta que construí?”

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A atividade proposta revelou-se uma possibilidade significativa de integração entre arte, literatura e valores humanos, oferecendo aos participantes a oportunidade de refletir sobre a própria existência através de uma experiência estética. A produção artística em papel machê permitiu a representação simbólica de um planeta único, onde o essencial se revela pela textura, pelo gesto e pela intenção de quem cria.

Ao trabalhar O Pequeno Príncipe, compreende-se que a arte pode ser ponte entre mundos internos e externos, promovendo a expressão emocional e a consciência ambiental. A técnica sustentável reforça a mensagem de cuidado com o planeta e com as relações humanas.

Dessa maneira, a escultura torna-se não apenas objeto artístico, mas também veículo pedagógico, terapêutico e cultural.

REFERÊNCIAS:

BARBOSA, Ana Mae. Arte-Educação no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2010.

AUSUBEL, David. A Aprendizagem Significativa. São Paulo: Moraes, 2003.

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Diversas edições.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. MEC, 2017.

ESCOTEIROS DO BRASIL. Projeto Educativo do Movimento Escoteiro, 2019.


As dobras da raposa e as conexões da matemática

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas": a Raposa, a Matemática e os vínculos que constroem o conhecimento

Na cesta da fotografia, uma pequena raposa parece guardar flores, chocolates e delicadas raposas de origami, dobradas pelas próprias crianças. Cada elemento ali conta uma história e nos conduz imediatamente a um dos trechos mais marcantes de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry:

"Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez a tua rosa tão importante."

Essa frase vai muito além da literatura. Ela fala sobre dedicação, paciência, construção de vínculos e responsabilidade. Curiosamente, esses mesmos valores estão presentes na aprendizagem da Matemática.

Muitas pessoas acreditam que a Matemática é feita apenas de números e fórmulas. Na realidade, ela é construída por relações. Cada novo conceito depende do anterior, assim como uma amizade se fortalece pouco a pouco. Não se aprende frações sem compreender as partes de um todo. Não se entende porcentagem sem dominar proporções. Não se resolve problemas financeiros sem antes desenvolver o raciocínio lógico.

Assim como o Pequeno Príncipe precisou dedicar tempo para compreender a Raposa, o estudante precisa dedicar tempo para compreender a Matemática. Não existem atalhos para o verdadeiro aprendizado.

A Matemática de Singapura ensina exatamente isso: compreender antes de decorar. O conhecimento nasce da observação, da manipulação de materiais, da conversa, da experimentação e da descoberta. Cada etapa fortalece a seguinte, criando uma rede de conexões sólidas.

As raposas de origami presentes na fotografia tornam esse aprendizado ainda mais concreto. Cada dobra representa uma decisão, um raciocínio e uma sequência lógica. Antes de surgir uma figura completa, é preciso observar, planejar, seguir uma ordem e compreender que cada etapa depende da anterior. Esse processo desenvolve percepção espacial, coordenação motora, concentração, noções de simetria, geometria e pensamento sequencial — habilidades fundamentais para a construção do raciocínio matemático.

Ao mesmo tempo, o origami ensina uma lição semelhante à da Raposa: um simples pedaço de papel ganha significado quando dedicamos tempo, cuidado e intenção. Da mesma forma, o conhecimento se transforma em aprendizagem verdadeira quando é construído com paciência e participação ativa.

Esse ensinamento também dialoga com a Educação Financeira. O dinheiro não cresce de repente; ele é resultado de pequenas escolhas feitas todos os dias. Economizar um pouco, planejar uma compra, comparar preços e entender o valor do tempo são hábitos que, como a amizade entre a Raposa e o Pequeno Príncipe, se constroem gradualmente.

Há ainda uma bela ligação entre a geometria presente nas raposas de origami e a própria Matemática. Cada figura nasce de uma sequência organizada de dobras, exigindo atenção, orientação espacial, simetria e precisão. Um pequeno erro em uma etapa altera toda a figura final. Assim também acontece com o raciocínio matemático: cada passo importa, e compreender o processo vale mais do que simplesmente decorar o resultado.

Essa cena reúne diferentes áreas do conhecimento:

Literatura, ao refletir sobre os vínculos humanos.

Matemática, por meio da lógica, da geometria, das sequências e do pensamento espacial.

Educação Financeira, ao mostrar o valor da constância, do planejamento e das pequenas escolhas.

Arte, através das raposas de origami, da criatividade e da expressão artística.

Educação Socioemocional, ao ensinar empatia, responsabilidade, paciência e cuidado.

No fim, talvez a maior lição da Raposa também seja uma das maiores lições da Matemática: o que realmente tem valor é aquilo que construímos com tempo, atenção e significado.

Porque aprender não é apenas encontrar respostas. É criar conexões que permanecerão por toda a vida.






O Pequeno Príncipe: leitura, reflexão e aprendizagem

Pregador de roupas e palito de picolé

“O avião representa a passagem entre o mundo que conhecemos e aquele que só conseguimos descobrir quando aprendemos a olhar com os olhos da infância.”


Questionário de Interpretação 

O Pequeno Príncipe

A presente ficha pretende verificar se você fez uma leitura atenta da narrativa "O Pequeno Prínicpe", de Antoine de Saint-Exupéry.

I - Nas frases seguintes, escolha a opção correta para cada caso:

1 - Exupéry dedica o seu livro

a. à mãe
b. aos filhos
c. ao seu maior amigo

2 - Enquanto criança, o narrador desenhou

a. um chapéu
b. uma jibóia digerindo um elefante
c. uma flor

3 - O Principezinho dá ao narrador

a. o seu cachecol
b. o seu riso
c. a sua flor

4 - O avião do narrador aterrissou

a. no Saara
b. na Amazônia
c. na Antártida

5 - O Principezinho pediu ao narrador para desenhar

a. uma árvore
b. um avião
c. uma ovelha

6 - O planeta do Principezinho era

a. grande
b. pequeno
c. do tamanho de uma casa

7 - O Pequeno Príncipe precisava

a. de um amigo
b. de uma casa
c. de comer

8 - No planeta do Pequeno Príncipe existiam sementes terríveis de

a. urtigas
b. rabanetes
c. embondeiros

9 - O Pequeno Príncipe diz: “Quando se está muito, muito triste, é bom”

a. ver o pôr-do-sol
b. nadar
c. comer

10 - A flor do Pequeno Príncipe tinha medo

a. dos tigres
b. da chuva
c. das correntes de ar

11 - O Pequeno Príncipe deveria ter avaliado a sua flor

a. pelas palavras
b. pela aparência
c. pelos atos

12 - O Pequeno Príncipe fugiu do seu planeta

a. na cauda de um cometa
b. numa migração de pássaros selvagens
c. de avião

13 - O Rei propôs ao Pequeno Príncipe ser Ministro

a. da educação
b. da justiça
c. das finanças

14 - No segundo planeta vivia

a. um vaidoso
b. um egoísta
c. um glutão

15 - O bêbado bebia

a. porque gostava
b. para esquecer
c. sem motivo

16 - Na vida, o acendedor de candeeiros gostava mais de

a. comer
b. acender candeeiros
c. dormir

17 - A flor do Pequeno Príncipe era

a. efêmera
b. perene
c. nem efêmera nem perene

18 - O primeiro encontro do Pequeno Príncipe, na Terra, foi com

a. uma serpente
b. um rato
c. uma raposa

19 – Para a raposa, “estar preso/cativo” significa

a. estar na cadeia
b. estar amarrado
c. gostar de alguém

20 - Quem diz “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos” é

a. o Principezinho
b. a raposa
c. o agulheiro

II - Questionário de interpretação

Anote V (Verdadeiro) ou F (Falso) para cada afirmação:

  1. ( ) As pessoas crescidas compreenderam os desenhos do narrador. (cap. I)

  2. ( ) O Principezinho pediu que lhe desenhasse um elefante. (cap. II)

  3. ( ) O desenho da ovelha foi objeto de contemplação. (cap. III)

  4. ( ) O narrador sabia ver ovelhas através de caixas. (cap. IV)

  5. ( ) Os embondeiros não são arbustos, mas grandes árvores. (cap. V)

  6. ( ) O Principezinho apreciava a beleza dos crepúsculos. (cap. VI)

  7. ( ) A flor não era única no mundo para o Principezinho. (cap. VII)

  8. ( ) A flor exigiu uma redoma para se cobrir. (cap. VIII)

  9. ( ) Para a sua evasão, o Principezinho aproveitou uma migração de patos selvagens. (cap. IX)

  10. ( ) O primeiro asteróide a ser visitado era habitado por um soberano. (cap. X)

  11. ( ) O segundo planeta era habitado por um admirador. (cap. XI)

  12. ( ) A visita ao terceiro planeta mergulhou o Principezinho numa grande alegria. (cap. XII)

  13. ( ) O homem de negócios administra e conta as estrelas. (cap. XIII)

  14. ( ) Para o acendedor de candeeiros, as ordens não mudaram. (cap. XIV)

  15. ( ) O habitante do sexto planeta escrevia livros pequenos. (cap. XV)

  16. ( ) Na Terra existem cento e onze reis. (cap. XVI)

  17. ( ) A serpente não é mais poderosa do que um dedo de um rei. (cap. XVII)

  18. ( ) O Principezinho atravessou o deserto e só encontrou uma flor de três pétalas. (cap. XVIII)

  19. ( ) Quando subiu a uma montanha não muito alta, o Principezinho avistou penhascos pontiagudos. (cap. XIX)

  20. ( ) As rosas em flor eram parecidas com a flor do Principezinho. (cap. XX)

  21. ( ) Para a raposa, cativar significa “criar laços”. (cap. XXI)

  22. ( ) O agulheiro separava os passageiros em pacotes de cem. (cap. XXII)

  23. ( ) Os comprimidos eram aperfeiçoados para matar a sede. (cap. XXIII)

  24. ( ) O narrador descobriu um poço ao nascer do dia. (cap. XXIV)

  25. ( ) Para o Principezinho, os olhos são cegos, é preciso procurar com uma lanterna. (cap. XXV)

  26. ( ) A serpente mordeu o Principezinho junto do tornozelo. (cap. XXVI)

  27. ( ) A ovelha terá ou não comido a flor? A dúvida persiste. (cap. XXVII)

Conclusão

Agora pense e escreva:

Na viagem que o Principezinho fez pelos asteróides e pela Terra, qual foi a personagem que despertou mais o seu interesse? Justifique a sua resposta.







Gabarito

I - Escolha a opção correta

  1. a

  2. b

  3. b

  4. a

  5. c

  6. b

  7. a

  8. c

  9. a

  10. c

  11. c

  12. b

  13. b

  14. a

  15. b

  16. b

  17. a

  18. a

  19. c

  20. b

II - Verdadeiro ou Falso

  1. F

  2. F

  3. F

  4. F

  5. V

  6. V

  7. F

  8. V

  9. F

  10. V

  11. V

  12. F

  13. V

  14. F

  15. V

  16. F

  17. F

  18. V

  19. F

  20. V

  21. V

  22. F

  23. V

  24. F

  25. F

  26. V

  27. V

Interdisciplinaridade

A leitura de O Pequeno Príncipe possibilita uma abordagem interdisciplinar, pois a narrativa ultrapassa a literatura e convida o leitor a refletir sobre temas relacionados à vida, à natureza, às relações humanas, à ciência, à arte e à formação ética.

Língua Portuguesa

Leitura e interpretação textual, identificação de personagens, narrador, espaço e tempo, compreensão de diálogos, desenvolvimento do vocabulário e produção de textos argumentativos e reflexivos.

Filosofia

Reflexão sobre questões como amizade, amor, responsabilidade, solidão, pertencimento, sentido da vida, relações humanas e diferença entre aquilo que é essencial e aquilo que é apenas aparente.

Ciências e Astronomia

Exploração dos planetas, asteroides, estrelas, movimentos celestes e fenômenos relacionados ao universo. A viagem do Principezinho pode servir como ponto de partida para despertar a curiosidade científica sobre o espaço.

Geografia

Estudo do deserto do Saara, paisagens naturais, localização geográfica, representação dos espaços e diferentes ambientes encontrados na narrativa.

Matemática

Análise dos números presentes na obra, especialmente aqueles relacionados ao homem de negócios e às estrelas, permitindo discutir contagem, quantificação, grandes números e o uso da matemática para representar diferentes situações.

Ciências da Natureza e Educação Ambiental

Os embondeiros, as flores, as sementes e o cuidado com o planeta possibilitam conversar sobre plantas, crescimento, preservação ambiental, equilíbrio dos ecossistemas e responsabilidade humana diante da natureza.

Arte

Os desenhos do narrador constituem uma importante porta de entrada para atividades de expressão artística. Os estudantes podem criar ilustrações, representar personagens, produzir releituras da obra e explorar diferentes formas de comunicação por meio das imagens.

Educação Socioemocional

A relação entre o Principezinho e a raposa permite trabalhar amizade, empatia, confiança, afetividade, criação de vínculos e responsabilidade pelo outro. A ideia de “cativar” pode ser relacionada à construção de relações baseadas no cuidado e no respeito.

Educação para a Cidadania

As diferentes personagens encontradas pelo Principezinho permitem discutir comportamentos humanos, relações de poder, vaidade, consumismo, responsabilidade, trabalho e convivência em sociedade.

Educação Ambiental e Cultura da Infância

A obra também pode ser relacionada à valorização da infância, do brincar, da imaginação e da capacidade de as crianças perceberem o mundo para além das aparências. O cuidado com a pequena flor e com os embondeiros pode ser associado ao desenvolvimento de uma relação mais sensível, responsável e afetiva com a natureza.

Proposta interdisciplinar

A partir da leitura de O Pequeno Príncipe, os estudantes podem realizar um projeto coletivo envolvendo Literatura, Arte, Ciências, Geografia, Matemática, Filosofia e Educação Ambiental. Cada grupo pode escolher uma personagem, planeta ou tema da narrativa e transformá-lo em uma produção: desenho, texto, pesquisa científica, mapa, poema, dramatização ou instalação artística.

Dessa maneira, a literatura deixa de ser apenas objeto de leitura e passa a funcionar como ponto de encontro entre diferentes áreas do conhecimento, estimulando a imaginação, a investigação, a criatividade, o pensamento crítico e a formação humana

Blindado

Um blindado feito com materiais reutilizados também pode ser uma porta de entrada para conhecer a história dos veículos militares e refletir sobre tecnologia, criatividade e transformação. Os primeiros tanques surgiram durante a Primeira Guerra Mundial, em um contexto em que os exércitos buscavam atravessar terrenos difíceis e as extensas trincheiras protegidos por uma estrutura de blindagem. O primeiro emprego de tanques em combate ocorreu em 1916, na Batalha do Somme, quando os britânicos utilizaram seus primeiros veículos desse tipo. O próprio nome “tank” tanque, em inglês surgiu, entre outras razões, como uma forma de disfarçar o projeto durante seu desenvolvimento.

Com o passar do tempo, os veículos blindados foram sendo aperfeiçoados e passaram a desempenhar diferentes funções, como transporte de tropas, reconhecimento e apoio em operações militares. Hoje, fazem parte da história da tecnologia, da engenharia e dos conflitos do século XX.

Aqui, essa história ganha uma nova dimensão: um blindado construído com materiais que seriam descartados. Papelão, embalagens e outros elementos simples são transformados pelas mãos criativas em um objeto de brincadeira e aprendizagem. A proposta mostra que reutilizar não significa apenas aproveitar um material, mas também ressignificar objetos, estimular a imaginação e transformar conhecimento em experiência.

Na infância, conhecer a história pode começar justamente assim: construindo, brincando, fazendo perguntas e dando novos sentidos ao mundo que nos cerca.



terça-feira, 1 de setembro de 2026

Frentes de trabalho sustentáveis

Quando emprego e desenvolvimento caminham juntos

Ao longo da história do Brasil, as frentes de trabalho surgiram como uma alternativa para enfrentar períodos de crise, desemprego e dificuldades econômicas. Mais do que uma medida emergencial, elas podem se transformar em uma poderosa ferramenta de desenvolvimento sustentável, beneficiando trabalhadores, comunidades e o meio ambiente.

Quando bem planejadas, as frentes de trabalho não apenas geram renda para famílias que precisam de oportunidades, mas também deixam um legado positivo para a sociedade.

Emprego que Transforma

Uma das maiores vantagens das frentes de trabalho é a possibilidade de oferecer ocupação temporária, capacitação profissional e experiência prática. Muitas pessoas que estão fora do mercado encontram nesses programas uma oportunidade para desenvolver habilidades, criar uma rotina de trabalho e ampliar suas perspectivas profissionais.

Além disso, a participação em projetos coletivos fortalece o senso de pertencimento e cidadania.

Obras que Beneficiam a Comunidade

Imagine milhares de trabalhadores atuando na recuperação de espaços públicos, na limpeza de rios, na manutenção de escolas, na construção de sistemas de drenagem ou na revitalização de praças e parques.

Essas ações produzem benefícios duradouros:

Melhoria da qualidade de vida da população;

Redução de enchentes e alagamentos;

Conservação dos espaços urbanos;

Valorização dos bairros;

Fortalecimento da infraestrutura local.

O resultado é uma cidade mais organizada, segura e acolhedora para todos.

Sustentabilidade na Prática

As frentes de trabalho também podem ser grandes aliadas da sustentabilidade ambiental.

Entre as atividades possíveis estão:

- Plantio de árvores e reflorestamento;

- Recuperação de nascentes;

- Limpeza e despoluição de rios e lagoas;

- Criação e manutenção de hortas comunitárias;

- Coleta seletiva e reciclagem;

- Educação ambiental junto à população.

Essas ações ajudam a preservar recursos naturais e contribuem para a construção de cidades mais resilientes às mudanças climáticas.

Formação e Qualificação

Outro aspecto importante é a possibilidade de unir trabalho e aprendizagem.

Enquanto atuam em projetos comunitários, os participantes podem receber formação em áreas como:

Construção civil;

Jardinagem e paisagismo;

Gestão ambiental;

Agricultura urbana;

Manutenção predial;

Educação socioambiental.

Assim, o programa deixa de ser apenas uma fonte temporária de renda e se torna uma ponte para novas oportunidades profissionais.

Investimento que Retorna para a Sociedade

Quando o poder público investe em frentes de trabalho sustentáveis, o retorno vai muito além da geração de empregos.

A comunidade ganha espaços públicos mais cuidados, o meio ambiente é preservado, a infraestrutura é fortalecida e milhares de pessoas têm a chance de desenvolver novas competências.

Trata-se de uma estratégia capaz de unir inclusão social, desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.

Conclusão

As frentes de trabalho sustentáveis mostram que é possível transformar desafios em oportunidades. Ao mesmo tempo em que geram renda e promovem dignidade, elas deixam marcas positivas nas cidades, fortalecem o sentimento de comunidade e contribuem para um futuro mais sustentável.

Investir em pessoas e no cuidado com o território é uma forma inteligente de construir uma sociedade mais justa, produtiva e preparada para os desafios do século XXI. 

Porque o melhor legado de um programa social não é apenas ajudar no presente, mas criar condições para um futuro melhor para todos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Animais de papelão

Brincar, Criar e Aprender com Materiais Reutilizados

O que uma caixa de papelão pode se transformar? Uma baleia, um golfinho, um cisne, uma tartaruga ou até mesmo um animal da savana africana.

Quando uma criança transforma um pedaço de papelão em um animal, ela não está apenas fazendo uma atividade manual. Está criando, imaginando, experimentando formas, desenvolvendo habilidades motoras e descobrindo novas maneiras de olhar para a natureza.

O material que seria descartado ganha uma nova vida por meio da criatividade.

Por que criar animais com papelão?

O papelão é um material simples, acessível e versátil. Caixas de embalagens podem se transformar em brinquedos, personagens, cenários e objetos para brincar.

Durante a construção, a criança pode:

  • desenvolver a coordenação motora fina;
  • exercitar a percepção de formas e proporções;
  • experimentar desenho, pintura e composição;
  • desenvolver a criatividade e a autonomia;
  • conhecer diferentes animais e seus habitats;
  • perceber que materiais descartados podem ser reutilizados;
  • criar suas próprias narrativas e brincadeiras.

Mais importante ainda: o processo valoriza a criança como autora e construtora de suas próprias experiências.

Baleia de papelão

A baleia pode ser construída a partir de formas simples, utilizando o corpo principal, a cauda e as nadadeiras.

Depois de pronta, ela pode fazer parte de um grande oceano de papelão, criado pelas próprias crianças.

Que outros animais vivem no oceano?

Onde vivem as baleias?

O que acontece quando os mares são contaminados por plástico?

Assim, uma atividade artística pode se transformar em uma conversa sobre vida marinha, preservação ambiental e responsabilidade coletiva.

Golfinho de papelão

O golfinho permite explorar linhas curvas e movimentos.

A criança pode criar vários golfinhos e montar uma cena de brincadeira: um grupo nadando, saltando ou viajando pelo oceano.

É possível acrescentar ondas, peixes, barcos e outros elementos feitos com sobras de papelão.

O brinquedo deixa de ser apenas um objeto e passa a fazer parte de uma paisagem criada pela imaginação infantil.

Cisne de papelão

O cisne pode ser trabalhado a partir das formas elegantes do pescoço, do corpo e das asas.

Depois da pintura, as crianças podem criar um lago utilizando papel, papelão, folhas secas e outros materiais reutilizados.

A atividade permite conversar sobre aves, água, habitats e biodiversidade, além de trabalhar equilíbrio, simetria e observação.

Tartaruga de papelão

A tartaruga é especialmente interessante para explorar formas geométricas.

A carapaça pode ser criada com diferentes texturas e padrões, permitindo que cada criança faça uma tartaruga única.

Uma proposta interessante é construir uma pequena comunidade de tartarugas e conversar sobre os diferentes ambientes em que elas vivem.

Também é uma oportunidade para falar sobre preservação das praias, rios e oceanos.

Animais da savana africana

Que tal transformar uma caixa de papelão em uma pequena savana?

Leões, girafas, zebras, elefantes, rinocerontes e outros animais podem nascer de formas simples recortadas no papelão.

Depois, o grupo pode criar o próprio cenário:

árvores
capim
rios e lagos
pedras
animais
sol

A brincadeira pode evoluir para uma verdadeira narrativa coletiva, na qual cada criança cria um personagem e inventa uma história.

Quando o brinquedo também ensina

O mais importante não é chegar a um modelo perfeito.

É permitir que a criança observe, imagine, desenhe, recorte, monte, erre, transforme e tente novamente.

O papelão oferece justamente essa liberdade.

Uma caixa pode ser um animal.

Um pedaço pode virar uma asa.

Um recorte pode se transformar em uma pata.

E, quando tudo se junta, nasce uma brincadeira.

Essa é a essência da Brincadeira Sustentável: transformar materiais, mas também transformar o olhar da criança sobre o mundo.

Reutilizar é criar novas possibilidades

Antes de jogar uma caixa fora, vale perguntar:

O que podemos criar com ela?

Essa simples pergunta pode abrir espaço para experiências de arte, ciência, natureza, matemática, literatura e educação ambiental.

Porque sustentabilidade também pode começar na infância pelas mãos, pela imaginação e pelo brincar.

Vamos transformar descarte em

 brincadeira?






Separe algumas caixas de papelão, convide as crianças e comece a criar.

Talvez a próxima caixa não seja apenas uma caixa.

Talvez ela esteja esperando para virar uma baleia, um golfinho, uma tartaruga, um cisne, caranguejo ou toda uma savana.


domingo, 30 de agosto de 2026

Malba Tahan - O homem que calculava (Matemática - Gramática - Literatura)





Malba Tahan: quando Matemática, Gramática e Literatura se encontram

Novas didáticas, novas pedagogias, novas metodologias. Foi também esse desejo de transformar a maneira de ensinar que motivou a grande produção literária de Malba Tahan, pseudônimo do professor e escritor brasileiro Júlio César de Mello e Souza. Sua obra, sem dúvida, merece um espaço ainda maior nos cursos de Licenciatura em Matemática, na formação continuada de professores e, principalmente, nas práticas pedagógicas da Educação Básica.

Quando pensamos em Malba Tahan, pensamos imediatamente em Matemática. Mas sua obra nos convida a ir além. Talvez uma de suas maiores riquezas esteja justamente na possibilidade de aproximar três áreas que muitas vezes aparecem separadas na escola: Matemática, Gramática e Literatura.

Antes de resolver um problema matemático, o aluno precisa ler. Antes de calcular, precisa compreender. Antes de apresentar uma resposta, precisa organizar seu pensamento e utilizar a linguagem para explicar o caminho percorrido. Nesse sentido, um problema matemático começa muito antes da operação: começa na interpretação.

Palavras como “metade”, “dobro”, “triplo”, “diferença”, “soma”, “terça parte”, “restante”, “total” e “proporção” fazem parte da linguagem e carregam conceitos matemáticos. Por isso, ensinar Matemática também significa ensinar a ler, interpretar, estabelecer relações, argumentar e escrever.

É justamente nesse ponto que a obra de Malba Tahan se torna tão atual.

Em O Homem que Calculava, encontramos Beremiz Samir, personagem que percorre diferentes lugares solucionando problemas por meio da observação, da lógica, da criatividade e do raciocínio. Beremiz não é simplesmente alguém que sabe fazer contas. Ele pensa matematicamente. E essa diferença é fundamental.

A Matemática, em suas histórias, aparece inserida em situações concretas: na divisão de bens, nas proporções, nas medidas, nos negócios, nos jogos, nas relações humanas e nos desafios do cotidiano. O leitor acompanha uma narrativa e, quase sem perceber, começa a fazer Matemática.

Um dos episódios mais conhecidos é o problema dos 35 camelos. Um homem deixa como herança 35 camelos para seus três filhos, determinando que o primeiro receberia a metade, o segundo a terça parte e o terceiro a nona parte. O problema parece simples, mas surge uma dificuldade: como dividir 35 camelos dessa maneira?

Beremiz propõe acrescentar temporariamente um camelo. Assim, passam a ser considerados 36 camelos. A partir daí, a divisão se torna possível: metade de 36 corresponde a 18; a terça parte corresponde a 12; e a nona parte corresponde a 4. Somando, temos 18 + 12 + 4 = 34 camelos.

Mas a beleza do problema está justamente na investigação que ele provoca.

Por que foi necessário acrescentar um camelo? O que aconteceria se não fosse acrescentado? Por que as frações propostas não completam exatamente um inteiro?

Ao somarmos as três partes, temos:

1/2 + 1/3 + 1/9 = 17/18.

Portanto, falta 1/18 para completar a unidade.

Uma situação aparentemente simples transforma-se, então, em uma oportunidade para trabalhar frações, equivalência, divisão, proporção, interpretação e raciocínio lógico. Mais do que isso: permite mostrar ao estudante que a Matemática não está apenas na resposta final, mas principalmente no caminho utilizado para chegar até ela.

E é justamente nesse caminho que a Gramática e a Literatura entram.

Imagine levar esse problema para uma sala de aula e pedir aos estudantes que primeiro leiam a história, identifiquem os personagens, localizem as informações importantes e expliquem, com suas próprias palavras, o que está sendo solicitado. Depois, podem destacar as palavras que indicam quantidade, divisão e proporção. Podem observar como o texto foi construído, quais expressões são essenciais para compreender a situação e como uma simples palavra pode alterar completamente o significado de um problema.

Em seguida, podem representar a situação por meio de desenhos, esquemas ou tabelas, criar hipóteses, realizar os cálculos e, finalmente, escrever uma explicação sobre como chegaram à solução.

Temos aí uma experiência em que Literatura, Gramática e Matemática caminham juntas.

A Literatura cria a narrativa e desperta a curiosidade. A Gramática ajuda o estudante a compreender e organizar a linguagem. A Matemática transforma as informações em relações, estratégias, cálculos e argumentos.

Essa perspectiva pode contribuir significativamente para minimizar uma das grandes dificuldades encontradas na aprendizagem matemática: a interpretação de problemas.

Quantas vezes encontramos estudantes que sabem realizar uma operação, mas não sabem identificar qual operação utilizar? Sabem dividir, mas não compreendem a situação de divisão? Conhecem fórmulas, mas têm dificuldade para transformar um texto em uma representação matemática?

Talvez uma das respostas esteja justamente em aproximar mais a Matemática da leitura.

Matemática também é linguagem.

O estudante precisa compreender o que lê, selecionar informações, estabelecer relações, formular hipóteses, testar estratégias e explicar seu pensamento. Não basta chegar ao resultado. É preciso saber dizer por que aquele resultado faz sentido.

Por isso, uma atividade inspirada em Malba Tahan pode ir muito além da resolução de um exercício. Depois de solucionar o problema dos camelos, por exemplo, os alunos podem ser convidados a escrever uma pequena narrativa matemática, criar outro problema envolvendo uma divisão de bens ou modificar os números da situação original e investigar o que aconteceria.

Podem ainda criar uma ilustração para a história, representar os personagens, elaborar uma tabela com as quantidades ou transformar o problema em uma pequena dramatização.

Nesse momento, a aula deixa de ser apenas uma aula de Matemática.

É Literatura, porque existe narrativa.

É Gramática, porque existe leitura, interpretação e produção textual.

É Matemática, porque existe raciocínio, cálculo e resolução de problemas.

E é também criatividade, comunicação e investigação.

Talvez seja essa uma das grandes contribuições de Malba Tahan para a Educação Matemática. Ele nos mostra que resolver um problema não significa simplesmente escolher uma fórmula e substituí-la por números. Resolver um problema é compreender uma situação, fazer perguntas, estabelecer relações, testar possibilidades e construir uma solução.

O professor pode começar a aula contando uma história, apresentando um personagem ou propondo um desafio. Em vez de escrever imediatamente uma fórmula no quadro, pode perguntar: “O que vocês fariam no lugar de Beremiz?”

A partir daí, diferentes caminhos podem surgir. Alguns estudantes desenharão, outros farão cálculos, outros buscarão uma solução mentalmente. Um grupo poderá chegar a uma estratégia diferente de outro. E o professor poderá perguntar: “Como vocês sabem que essa solução está correta?”

Essa pergunta é poderosa porque desloca o estudante da posição de quem apenas responde para a posição de quem precisa argumentar matematicamente.

A obra de Malba Tahan também oferece uma importante contribuição para a formação de professores. Sua leitura pode provocar reflexões sobre como ensinar frações, proporções, medidas, lógica e resolução de problemas de maneira mais significativa. Pode ajudar o futuro professor a perceber que ensinar Matemática não é apenas dominar conteúdos, mas também encontrar caminhos para que esses conteúdos façam sentido para quem aprende.

Por isso, penso que a obra de Malba Tahan deveria ser mais explorada nos cursos de Licenciatura em Matemática e nas formações continuadas. Não apenas como literatura complementar, mas como possibilidade de reflexão sobre a própria prática docente.

Sua obra nos convida a pensar em uma práxis docente na qual professor e estudante estão permanentemente aprendendo. Uma prática em que a leitura pode anteceder o cálculo, a pergunta pode anteceder a fórmula e a curiosidade pode anteceder a explicação.

Estudar Malba Tahan também nos coloca diante do universo da pesquisa. Ao investigar sua trajetória, suas obras e suas propostas para o ensino, começamos a compreender que pesquisar exige curiosidade, organização, leitura, comparação de fontes, reflexão e construção de perguntas. A pesquisa, assim como a Matemática, nasce muitas vezes de uma inquietação.

E talvez seja exatamente essa inquietação que precisamos recuperar na escola.

Não apresentar a Matemática como um conjunto de fórmulas decoradas, mas como uma forma de compreender o mundo.

Não apresentar o problema apenas como uma obrigação escolar, mas como um desafio.

Não ensinar somente a resposta, mas valorizar o percurso.

Não perguntar apenas “qual é o resultado?”, mas também:

“Como você pensou?”

“Por que escolheu esse caminho?”

“Você consegue explicar?”

“Existe outra maneira de resolver?”

Nesse sentido, O Homem que Calculava continua sendo uma obra extraordinariamente fértil para a Educação.

Beremiz nos mostra que os números estão presentes nas escolhas, nas divisões, nas medidas, nas proporções, nos jogos e nas situações do cotidiano. Mas também nos mostra que, por trás de cada cálculo, existe uma história e, por trás de cada história, existe uma linguagem que precisa ser compreendida.

É por isso que considero tão potente pensar em Matemática + Gramática + Literatura.

A Literatura dá contexto e desperta a imaginação. A Gramática organiza a compreensão e a expressão. A Matemática desenvolve o raciocínio, a lógica e a capacidade de solucionar problemas.

As três áreas podem se encontrar em uma mesma experiência de aprendizagem.

E esse encontro pode ajudar a desconstruir aquela velha ideia de que Matemática é apenas uma disciplina difícil, cheia de fórmulas e regras para decorar.

A Matemática também pode ser fina, elegante, curiosa, divertida e delirante, como nos convida a perceber o universo de Malba Tahan.

Por isso, deixo aqui meu convite, especialmente aos professores, estudantes de licenciatura, educadores e apaixonados pelo conhecimento:

Leiam O Homem que Calculava.

Leiam como literatura.

Leiam como professores.

Leiam como pesquisadores.

Leiam como aprendizes.

E levem Beremiz para a sala de aula.

Talvez ele consiga fazer algo que muitas fórmulas não conseguem: despertar no estudante a vontade de descobrir a resposta.

Porque um problema matemático pode começar com uma história, passar pela linguagem e terminar em uma descoberta.

Literatura dá contexto.

Gramática dá linguagem.

Matemática dá raciocínio.

E, quando essas três áreas se encontram, o aluno não aprende apenas a calcular.

Ele aprende a ler, compreender, pensar, argumentar, escrever e descobrir.

Essa talvez seja uma das grandes lições deixadas por Malba Tahan: a Matemática não precisa ser apenas calculada. Ela pode ser lida, narrada, investigada, escrita, discutida e vivida.

E é justamente aí que aprender Matemática pode se transformar em uma experiência de encantamento.






Da caverna às cidades de pedra: a arte como memória da humanidade

A arte pré-histórica nasceu muito antes das grandes cidades, dos templos e dos monumentos. Nas paredes das cavernas, nossos ancestrais registraram animais, cenas de caça, figuras humanas, mãos, símbolos e sinais que ainda hoje despertam perguntas.

Mas essa história não termina nas cavernas.

Ao longo do tempo, a relação humana com a pedra foi se transformando. A pedra que servia para produzir ferramentas passou também a ser utilizada na construção de abrigos, monumentos, templos, túmulos, muralhas e cidades inteiras.

Essa pequena representação artística permite fazer uma verdadeira viagem no tempo. 

Podemos observar diferentes manifestações da arte e da cultura humana:

Pinturas rupestres ‐ registros encontrados em cavernas e abrigos, utilizando pigmentos naturais, como ocre, carvão e minerais.

Esculturas e pequenas figuras - representações humanas e animais, muitas vezes associadas a práticas simbólicas e culturais.

Ferramentas e objetos – pedras trabalhadas, ossos e outros materiais revelam criatividade, conhecimento e capacidade de transformar a natureza.

O domínio do fogo – fundamental para a sobrevivência, mas também para transformar materiais, produzir pigmentos e ampliar as possibilidades de ocupação dos espaços.

Monumentos de pedra – com o desenvolvimento das sociedades, a pedra passou a fazer parte de construções cada vez mais complexas.

Cidades de pedra – a arquitetura tornou-se também uma forma de expressão, identidade, poder, religião e organização social.

- E então chegamos a Petra

Um dos exemplos mais impressionantes dessa relação entre humanidade e pedra é Petra, na atual Jordânia.

Petra foi desenvolvida pelos nabateus, uma antiga sociedade que prosperou na região e transformou um ambiente rochoso em uma importante cidade, especialmente entre os últimos séculos antes de Cristo e os primeiros séculos da era cristã.

Suas construções foram esculpidas diretamente nas paredes de arenito, criando fachadas monumentais, túmulos, espaços religiosos e estruturas urbanas.

É importante perceber, porém, que Petra não é uma “cidade pré-histórica”. Ela pertence à Antiguidade. E justamente por isso ela ajuda a ampliar a leitura da nossa pequena cena: existe uma longa trajetória entre os primeiros registros rupestres e a arquitetura monumental das sociedades urbanas.

Da mão marcada na parede da caverna à fachada monumental esculpida na montanha, existe uma história de experimentação, conhecimento, imaginação e transformação da matéria.

- Uma linha do tempo para observar

CAVERNAS → ABRIGOS → ALDEIAS → MONUMENTOS → CIDADES → GRANDES CIVILIZAÇÕES

A arte acompanha esse percurso.

Ela deixa de estar apenas nas paredes dos abrigos e passa a ocupar objetos, corpos, construções, templos, palácios, praças e cidades.

E talvez essa seja uma das grandes perguntas que essa atividade pode provocar nas crianças:

O que mudou quando o ser humano deixou de apenas representar o mundo nas paredes e começou a transformar o próprio espaço em uma grande obra de arte?

Da arte rupestre às cidades de pedra, a humanidade continua contando histórias por meio daquilo que cria.

- A pedra deixou de ser apenas matéria. Tornou-se memória.

- E a arte tornou-se uma forma de deixar marcas no mundo.

Petra foi desenvolvida pelos nabateus, uma antiga sociedade que prosperou na região e transformou um ambiente rochoso em uma importante cidade, especialmente entre os últimos séculos antes de Cristo e os primeiros séculos da era cristã.

Suas construções foram esculpidas diretamente nas paredes de arenito, criando fachadas monumentais, túmulos, espaços religiosos e estruturas urbanas.

É importante perceber, porém, que Petra não é uma “cidade pré-histórica”. Ela pertence à Antiguidade. E justamente por isso ela ajuda a ampliar a leitura da nossa pequena cena: existe uma longa trajetória entre os primeiros registros rupestres e a arquitetura monumental das sociedades urbanas.

Da mão marcada na parede da caverna à fachada monumental esculpida na montanha, existe uma história de experimentação, conhecimento, imaginação e transformação da matéria.

-Uma linha do tempo para observar

CAVERNAS → ABRIGOS → ALDEIAS → MONUMENTOS → CIDADES → GRANDES CIVILIZAÇÕES

A arte acompanha esse percurso.

Ela deixa de estar apenas nas paredes dos abrigos e passa a ocupar objetos, corpos, construções, templos, palácios, praças e cidades.

E talvez essa seja uma das grandes perguntas que essa atividade pode provocar nas crianças:

O que mudou quando o ser humano deixou de apenas representar o mundo nas paredes e começou a transformar o próprio espaço em uma grande obra de arte?

Da arte rupestre às cidades de pedra, a humanidade continua contando histórias por meio daquilo que cria.

- A pedra deixou de ser apenas matéria. Tornou-se memória.

- E a arte tornou-se uma forma de deixar marcas no mundo.

Interdisciplinaridade: quando a arte conecta diferentes conhecimentos

Uma proposta como esta permite trabalhar a Arte Pré-Histórica de forma interdisciplinar, transformando uma simples maquete em uma verdadeira viagem pelo conhecimento humano.

A partir das cavernas, podemos percorrer diferentes áreas:

Artes - pinturas rupestres, esculturas, símbolos, cores e formas de expressão.

História - modos de vida, caça, coleta, domínio do fogo, surgimento das aldeias e desenvolvimento das primeiras civilizações.

Geografia - paisagens, cavernas, desertos, rios, ocupação do território e localização de lugares como Petra, na Jordânia.

Ciências - pigmentos naturais, minerais, formação das rochas, fogo, materiais e processos de transformação da naturezaMatemática - formas geométricas, proporções, medidas, simetria e planejamento das construções.

Arquitetura e Engenharia - como diferentes sociedades aprenderam a construir com pedra e a transformar montanhas e terrenos em espaços de habitação, culto e convivência.

Sustentabilidade - utilização de materiais disponíveis na natureza, reaproveitamento e reflexão sobre nossa relação com os recursos naturais.

Língua Portuguesa - criação de narrativas, interpretação dos símbolos, produção de textos e construção de uma linha do tempo.

Cartografia - localizar no mapa as regiões onde encontramos manifestações rupestres, antigas cidades e importantes sítios arqueológicos.

Tecnologia e STEAM - investigar como conhecimentos de observação, experimentação, construção e resolução de problemas já estavam presentes nas sociedades antigas.

- Da caverna para o mundo

A grande riqueza dessa proposta está justamente em não tratar a arte como um conteúdo isolado.

Uma pintura rupestre pode ser o ponto de partida para uma conversa sobre História.

A História pode levar à Geografia.

A Geografia pode levar à arquitetura.

A arquitetura pode levar à Matemática e à Engenharia.

Os pigmentos podem levar às Ciências.

E tudo isso pode retornar à Arte.

Assim, a criança percebe que o conhecimento não está dividido em pequenas caixas.

Ele se conecta.

E talvez seja essa uma das grandes aprendizagens que uma experiência como essa pode proporcionar:

O ser humano começou deixando marcas nas paredes das cavernas. Com o tempo, passou a construir espaços, cidades e civilizações. Em cada etapa, conhecimento, criatividade e imaginação caminharam juntos.

Arte não é apenas aquilo que vemos. É também uma porta de entrada para compreender como o ser humano pensou, viveu, criou e transformou o mundo.

O impacto do surto de esclerose múltipla e o fortalecimento de habilidades preexistentes

Introdução Desde muito cedo, percebi que minha forma de experimentar o mundo era diferente da maioria das pessoas. Durante anos, acreditei q...