INSPIRADO EM HEIDEGGER, BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL (POR RENATA BRAVO), NÃO SE APRESENTA COMO UM CONTEÚDO A SER DECORADO, MAS COMO UMA EXPERIÊNCIA A SER DIGERIDA, VIVIDA E INCORPORADA.

RECICLAR É IMPORTANTE, MAS QUESTIONAR É ESSENCIAL

quarta-feira, 11 de março de 2026

Faça-se a ... sombra!

Luzes e sombras tem realmente sua poesia. Oscilantes, mais ou menos intensas, elas brincam, sugerem formas, movimentos e até mesmo sensações. Há muito, esse contraste tem sido utilizado para encantar, sentir e fazer sonhar, como acontece no Teatro de Sombras. Não à toa, portanto, crianças são atraídas pelo jogo das luzes e das sombras. Quem trabalha com bebês e crianças bem pequenas sabe como uma fonte de luz pode chamar-lhes a atenção, e como o simples "acende e apaga" se transforma numa divertida brincadeira.


Passo a Passo
1- Recorte o fundo do copo plástico
2- Cole na parte de cima do copo o plástico com durex
3- Faça o desenho no plástico com canetinha ou caneta permanente.
4- Coloque uma lanterna na extremidade contrária ao plástico e mire em uma parede.



A luz e a sombra são elementos fundamentais da linguagem visual. Com elas podemos criar no desenho, na pintura e escultura belíssimos efeitos como o de dilatação do espaço, o de profundidade e o de valorização da parte mais iluminada.












Cartilha Educativa

Faça-se a… Sombra
Autora: Renata Bravo

1- Apresentação

Título: Faça-se a… Sombra!

Introdução:
A luz e a sombra encantam as crianças com seu jogo mágico de contrastes. Formas, movimentos e sensações despertam a imaginação e criam histórias que dançam nas paredes. Esta atividade transforma simples materiais recicláveis em um pequeno espetáculo de criatividade e ciência.

Objetivos:

Sensibilizar para conceitos visuais e percepção espacial através do jogo de luz e sombra.

Estimular criatividade, coordenação motora fina, curiosidade e expressão artística.

Promover o reaproveitamento de materiais simples de forma sustentável.

2- Materiais necessários

Copo plástico transparente ou de uso único (reciclável)

Tesoura sem ponta (ou com supervisão)

Plástico fino transparente (filme plástico ou similar)

Durex ou fita adesiva

Canetinha permanente ou colorida

Lanterna pequena de mão

Parede lisa para projeção (de preferência branca)

3- Passo a passo da atividade

1. Recorte o fundo do copo plástico, criando uma moldura para projeção.

2. Cole no topo do copo um pedaço de plástico transparente usando fita adesiva.

3. Desenhe no plástico com canetinha permanente.

4. Posicione a lanterna atrás do desenho e projete a sombra na parede.

4- Orientações pedagógicas e dicas

Exploração visual: varie a inclinação da lanterna, a distância até a parede e a intensidade da luz para criar efeitos diferentes.

Variedade de desenhos: incentive a criação de animais, formas geométricas, símbolos, letras e silhuetas.

Materiais alternativos: experimente garrafas PET cortadas, papel vegetal ou cartões transparentes.

Inclusão: para crianças com deficiência visual, adicione narrativas orais; para baixa visão, use contraste máximo.

Segurança: sempre com supervisão no uso da tesoura e lanternas.

5- Conexões com competências e habilidades

Criatividade e expressão pessoal: cada desenho é uma obra única.

Coordenação motora fina: recorte, colagem e desenho exigem precisão.

Curiosidade científica: experimentação com luz, reflexão e sombra.

Sustentabilidade: consciência sobre reaproveitamento e impacto ambiental.

6- Avaliação e registro

Fotografe o momento da projeção e a criação das obras.

Estimule perguntas:

“O que mais gostou de ver?”

“Como poderia mudar a forma da sombra?”

“O que acontece quando a luz muda de posição?”

Peça que as crianças desenhem ou contem sobre o que sentiram ao ver suas sombras.

7- Possíveis adaptações

Para crianças de 3 a 6 anos:

Use materiais maiores e já preparados.

Limite a atividade a 10–15 minutos.

Associe com músicas ou histórias.

Para crianças de 7 a 12 anos:

Incentive pequenas histórias com teatro de sombras.

Experimente stop-motion, luzes coloridas ou formas mais complexas.

8- Exemplos visuais e inspirações

Inclua fotos das projeções ou crie um mini-teatro de sombras com materiais reciclados.










terça-feira, 10 de março de 2026

Wall-E - o robô, criado no ano de 2100 para limpar a Terra coberta por lixo.

 Esse filme, cujo roteiro e direção foram feitos por Andrew Stanton, aborda vários aspectos interessantes que podem ser trabalhados em sala de aula, nas diversas séries do Ensino Fundamental e Médio.

Para a construção deste robô, utilizei caixas e rolos de papelão.


O filme WALL‑E, oferece muitos temas que podem ser explorados pedagogicamente no Ensino Fundamental e Médio, pois aborda questões ambientais, sociais, tecnológicas e éticas. A seguir estão eixos e conteúdos que podem ser trabalhados em sala de aula.
1- Educação Ambiental
Acúmulo de lixo e consumismo: reflexão sobre o excesso de produção de resíduos na sociedade.
Sustentabilidade: importância da reciclagem, redução e reutilização de materiais.
Impactos ambientais: poluição do solo, do ar e consequências para a vida no planeta.
Responsabilidade coletiva: papel dos indivíduos, empresas e governos na preservação ambiental.
Atividade possível:
Projeto de coleta seletiva na escola ou criação de objetos com material reciclado.
2- Consumo e Sociedade
Consumismo e cultura do descarte.
Influência das grandes empresas na sociedade (no filme representadas pela corporação Buy n Large).
Publicidade e comportamento humano.
Reflexão sobre necessidade x desejo no consumo.
Atividade possível:
Debate ou produção de texto argumentativo sobre hábitos de consumo.
3- Tecnologia e Futuro
Automação e robótica.
Dependência tecnológica na vida humana.
Discussão sobre avanços tecnológicos e seus limites éticos.
Relação entre tecnologia e qualidade de vida.
Disciplinas envolvidas:
Ciências, Física, Tecnologia, Filosofia.
4- Vida Humana e Saúde
No filme, os humanos vivem sedentários na nave Axiom.
Reflexões sobre:
sedentarismo
alimentação industrializada
dependência de máquinas
Atividade possível:
Debate sobre hábitos saudáveis e bem-estar.
5- Valores Humanos e Sociais
Solidariedade e amizade (relação entre WALL-E e EVA).
Cooperação e trabalho em equipe.
Empatia e cuidado com o outro.
Esperança e reconstrução do planeta.
Esses temas podem ser trabalhados em formação ética e cidadã.
6- Ciências e Ecologia
Ecossistemas e biodiversidade.
Importância das plantas para a vida na Terra.
Ciclos naturais e equilíbrio ambiental.
A pequena planta encontrada por WALL-E simboliza a possibilidade de regeneração da natureza.
7- Linguagem e Artes
Análise da linguagem cinematográfica:
trilha sonora
expressão sem muitos diálogos
narrativa visual
Produção de:
resenhas
críticas de cinema
histórias em quadrinhos
curtas animados inspirados no filme
8- Filosofia e Ética (Ensino Médio)
O que significa progresso?
A tecnologia melhora ou piora a vida humana?
Qual é o limite do consumo e do crescimento econômico?
Conclusão
O filme WALL‑E permite uma abordagem interdisciplinar envolvendo Ciências, Geografia, Língua Portuguesa, Filosofia, Artes e Educação Ambiental, estimulando nos estudantes reflexões sobre sustentabilidade, responsabilidade social, tecnologia e valores humanos, fundamentais para a formação de cidadãos conscientes.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Mundo Azul: arara-azul e seus biomas


Cartilha Educativa: Conhecendo a Arara-Azul
Autora: Renata Bravo

ATIVIDADE CRIATIVA
MONTE SUA ARARA-AZUL

Materiais necessários:

Corpo: 1 garrafa PET de 600ml

Cabeça: 1 bolinha de isopor

Asas: EVA felpudo azul

Bico: EVA preto ou papel cartão preto

Revestimento da garrafa: fita crepe (ou tecido azul, papel crepom, ou outro material azul de sua preferência). Também pode ser usada a técnica do papel machê.

Tinta acrílica azul (caso utilize fita crepe)

Cola colorida amarela (para detalhes como olhos e base do bico)

Passo a passo:

Envolva a garrafa com fita crepe (ou outro material azul).

Pinte com tinta acrílica azul (se usou fita crepe).

Cole a bolinha de isopor no topo da garrafa para fazer a cabeça.

Faça as asas com EVA azul e cole nas laterais.

Recorte e cole o bico com EVA preto ou papel cartão.

Faça os detalhes dos olhos e bico com cola colorida amarela.

Deixe secar e... sua arara-azul está pronta!

CONHECENDO A ARARA-AZUL

A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), também chamada de arara-jacinto ou araraúna, é uma ave linda e inteligente da família dos psitacídeos, mesma dos papagaios e periquitos. Ela vive principalmente no Cerrado e Pantanal, embora também possa ser encontrada na Amazônia.

Curiosidades:

As araras são aves monogâmicas, formam um par para a vida toda!

O macho e a fêmea são praticamente iguais, só um exame pode dizer quem é quem.

Alimentam-se de castanhas como as do Acuri e da Bocaiúva.

Seus ninhos estão quase sempre na árvore Manduvi.

Cada casal cria, em média, um filhote a cada dois anos.

Os filhotes ficam com os pais por mais de 100 dias após nascer.

Infelizmente, essa espécie está ameaçada de extinção por tráfico, caça e destruição do habitat.

Outras araras-azuis brasileiras:

- Arara-azul-de-lear

Vive na Caatinga (Bahia)

Dorme e faz ninhos em paredões de arenito

Está ameaçada pela caça e destruição do habitat

- Ararinha-azul

Vive em Curuçá (Bahia)

Foi considerada extinta, mas está sendo reintroduzida na natureza com sucesso

Por que proteger a arara-azul?

Elas ajudam a espalhar sementes, mantendo a floresta viva

A presença delas mostra que o ambiente está saudável

São símbolos da biodiversidade brasileira!

Você sabia?

A Caatinga, onde vivem algumas espécies de araras-azuis, é a savana mais rica em biodiversidade do mundo! Apesar de ter pouca chuva (menos de 750 mm por ano), é lar de muitos animais únicos.

Como ajudar?

Não compre animais silvestres!

Valorize e proteja o meio ambiente

Apoie projetos de conservação e educação ambiental

- Vamos juntos cuidar da natureza e das araras-azuis!









CONHECENDO A ARARA-AZUL

Apresentação

Este guia complementar foi criado para encantar crianças, educadores e famílias, convidando todos a conhecer uma das aves mais lindas do Brasil: a arara-azul. Ao longo das páginas, vamos aprender curiosidades, descobrir onde ela vive e entender por que precisamos protegê-la.

1- Quem é a arara-azul?

A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), também chamada de arara-jacinto ou araraúna, é uma ave muito inteligente e colorida. Ela faz parte da família dos psitacídeos, a mesma dos papagaios e periquitos.

Ela vive principalmente no Pantanal e no Cerrado, mas também pode ser encontrada em algumas áreas da Amazônia.


2- Uma ave cheia de curiosidades!

Você sabia que a arara-azul tem hábitos incríveis?

- As araras são monogâmicas: formam um casal para a vida toda.

O macho e a fêmea são quase iguais, só exames especiais conseguem diferenciá-los.

- Alimentam-se de castanhas, como as do acuri e da bocaiúva.

- Seus ninhos ficam quase sempre na árvore manduvi.

- Cada casal cria, em média, um filhote a cada dois anos.

- Os filhotes ficam com os pais por mais de 100 dias após nascerem.


3- Onde vivem as araras-azuis brasileiras?

Além da arara-azul-grande, o Brasil abriga outras espécies muito especiais.

- Arara-azul-de-lear

Vive na Caatinga, no estado da Bahia

Dorme e faz ninhos em paredões de arenito

Está ameaçada pela caça e pela destruição do habitat

- Ararinha-azul

Vive na região de Curaçá (Bahia)

Foi considerada extinta na natureza

Hoje está sendo reintroduzida com sucesso, graças a projetos de conservação

4- Ameaças à arara-azul

Infelizmente, a arara-azul corre perigo.

- Tráfico de animais silvestres
- Caça ilegal
- Destruição das florestas e árvores onde vivem

Quando o ambiente é destruído, elas perdem alimento, abrigo e segurança.

5- Por que proteger a arara-azul?

Proteger a arara-azul é cuidar da natureza!

- Elas ajudam a espalhar sementes, mantendo as florestas vivas.
- A presença delas mostra que o ambiente está saudável.
- São símbolos da biodiversidade brasileira.

6- Você sabia?

A Caatinga, onde vivem algumas araras-azuis, é a savana mais rica em biodiversidade do mundo!

Mesmo com pouca chuva (menos de 750 mm por ano), ela abriga muitos animais e plantas que só existem ali.

7- Como podemos ajudar?

Todos nós podemos proteger as araras-azuis:

- Não compre animais silvestres
- Valorize e proteja o meio ambiente
- Apoie projetos de conservação e educação ambiental

Mensagem final:

Vamos juntos cuidar da natureza e das araras-azuis!
Cada atitude conta para garantir que essas aves maravilhosas continuem colorindo o céu do Brasil.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Inclusão na escola: nunca pense em deficiência, pense em habilidades

A escola é o lugar onde todas as crianças devem pertencer. A inclusão acontece quando deixamos de olhar para o que falta e passamos a enxergar as habilidades que cada estudante possui.

Em atividades interdisciplinares, diferentes formas de aprender se encontram, se completam e enriquecem o processo educativo.

Quando estimulamos os sentidos, respeitamos os ritmos, garantimos acessibilidade e valorizamos os interesses, a qualidade de vida, a aprendizagem e a autoestima melhoram para todos.

Deficiência visual

Quando a visão é reduzida ou ausente, outros sentidos ganham protagonismo: audição, tato e olfato.

Na escola, podem ser incluídos em:

Banda musical escolar (percussão, canto, ritmo, grupo vocal)

Oficinas de música e instrumentos

Contação de histórias e narrativas orais

Atividades táteis (argila, texturas, materiais naturais)

Projetos sensoriais com cheiros, sons e sabores

Habilidades desenvolvidas: sensibilidade auditiva, memória, coordenação, criatividade e expressão musical.

Deficiência auditiva

Aprender não depende apenas do ouvir. O corpo, o olhar e as mãos também ensinam.

Na escola, podem ser incluídos em:

Jogos de tabuleiro (estratégia, matemática, regras)

Artes visuais (desenho, pintura, colagem, fotografia)

Atividades com imagens, mapas e sequências visuais

Dança e expressão corporal

Jogos de mímica e linguagem visual

Habilidades desenvolvidas: raciocínio lógico, atenção visual, cooperação e expressão corporal.

Deficiência intelectual

Cada aluno aprende no seu tempo. Quando o processo é respeitado, o aprendizado acontece com sentido.

Na escola, podem ser incluídos em:

Atividades de pintura, desenho e artes manuais

Música com movimento

Jogos simples e repetitivos

Oficinas práticas (culinária, jardinagem, cuidados)

Trabalhos em grupo e projetos coletivos

Habilidades desenvolvidas: coordenação motora, autonomia, socialização, criatividade e autoestima.

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Existem muitos tipos de autismo. A inclusão começa quando buscamos saber o que interessa e motiva cada pessoa.

Na escola, podem ser incluídos em:

Projetos baseados em interesses (números, animais, música, tecnologia)

Atividades estruturadas e previsíveis

Música, ritmo e sons organizados

Artes visuais, desenho detalhado e pintura

Jogos com regras claras e apoio visual

Habilidades desenvolvidas: foco, organização, criatividade, comunicação e autonomia.

Cadeirantes / deficiência física

A mobilidade reduzida não limita o pensamento, a criatividade nem a participação. Inclusão também é garantir acessibilidade física e atitudes inclusivas.

Na escola, podem ser incluídos em:

Atividades artísticas (pintura, desenho, escultura, colagem)

Música, canto e instrumentos adaptados

Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos

Projetos de tecnologia, robótica e produção digital

Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares

Habilidades desenvolvidas: autonomia, expressão, raciocínio, criatividade, liderança e trabalho em equipe.

Deficiência pode se transformar em habilidade

Quando a escola adapta o ambiente, as práticas e o olhar, surgem:

Talentos antes invisíveis

Novas formas de comunicação

Criatividade ampliada

Vínculos verdadeiros

Aprendizagens profundas

Nunca pense em deficiência. Pense em habilidades.

Porque cada pessoa percebe o mundo de um jeito e todos esses jeitos têm valor.

A Casa dos Sentidos

Na escola havia uma sala diferente.

Não tinha placa,

mas todos a chamavam de Casa dos Sentidos.

Ali, quem não via

escutava o mundo com atenção

e reconhecia os amigos

pelo som dos passos e do riso.

Quem não ouvia

dançava com o chão,

sentindo a música vibrar

nos pés e no coração.

Havia quem se movesse sobre rodas

e ensinasse à escola inteira

que o caminho não está nas pernas,

mas na vontade de chegar.

Havia quem aprendesse devagar,

mas ensinasse rápido

o valor da paciência,

do cuidado

e do tempo certo das coisas.

Havia também quem visse o mundo em detalhes invisíveis,

porque seu olhar nascia de dentro

e enxergava o que ninguém mais via.

Na Casa dos Sentidos,

ninguém era menos.

Cada um era necessário.

E todos aprenderam juntos

que o mundo

não se entende só com os olhos,

nem só com os ouvidos…

O mundo se entende

quando a escola abre espaço

para todas as habilidades existirem. 

~~~~~~~~~

Inclusão na escola: quando a deficiência revela habilidades

Resumo

A educação inclusiva propõe um deslocamento de olhar: sair da lógica da deficiência e reconhecer as habilidades, potencialidades e diferentes formas de aprender. Este artigo discute como a escola pode estimular sentidos, interesses e competências de estudantes com deficiência visual, auditiva, intelectual, transtorno do espectro autista e deficiência física, por meio de atividades interdisciplinares que promovem aprendizagem, participação e qualidade de vida.

1- Introdução

A escola é, por essência, um espaço de diversidade. No entanto, durante muito tempo, estudantes com deficiência foram vistos a partir daquilo que não conseguiam fazer. A perspectiva inclusiva rompe com esse modelo e propõe uma mudança fundamental: não pensar em deficiência, mas em habilidades.

Quando a escola adapta suas práticas, valoriza os interesses individuais e estimula diferentes sentidos, cria-se um ambiente onde todos aprendem, cada um à sua maneira. A inclusão não beneficia apenas quem tem deficiência, mas toda a comunidade escolar.

2- Estímulo sensorial e qualidade de vida

O estímulo dos sentidos é um dos pilares da educação inclusiva. Quando um sentido é reduzido ou ausente, outros podem ser ampliados, promovendo autonomia, bem-estar, aprendizagem significativa e melhora da qualidade de vida.

A escola, por meio de atividades interdisciplinares, tem grande potencial para favorecer essas experiências.

3- Deficiência visual: aprender com o corpo e com o som

Na deficiência visual, os sentidos da audição, tato e olfato tornam-se centrais no processo de aprendizagem.

Possibilidades pedagógicas:

Participação na banda musical escolar, em grupos vocais e percussão

Oficinas de música, ritmo e instrumentos

Contação de histórias, narrativas orais e audiolivros

Atividades táteis com argila, texturas e materiais naturais

Projetos sensoriais envolvendo cheiros, sons e sabores

Essas experiências desenvolvem memória auditiva, coordenação, criatividade e expressão artística, fortalecendo o protagonismo do estudante.

4- Deficiência auditiva: aprender pelo olhar, pelo corpo e pela interação

A aprendizagem não acontece apenas pela escuta. Estudantes com deficiência auditiva utilizam intensamente o campo visual, o tato e a expressão corporal.

Possibilidades pedagógicas:

Jogos de tabuleiro, que envolvem estratégia, matemática e cooperação

Artes visuais: pintura, desenho, colagem e fotografia

Atividades com imagens, mapas mentais e sequências visuais

Dança, teatro e expressão corporal

Jogos de mímica e comunicação visual

Essas práticas estimulam o raciocínio lógico, a atenção, a leitura de imagens e o trabalho em grupo.

5- Deficiência intelectual: respeitar o ritmo e valorizar o processo

Na deficiência intelectual, o foco deve estar no processo de aprendizagem, não apenas no resultado. Respeitar o tempo de cada estudante é essencial para que o aprendizado faça sentido.

Possibilidades pedagógicas:

Atividades de pintura, desenho e artes manuais

Música associada ao movimento

Jogos simples, repetitivos e estruturados

Oficinas práticas como culinária, jardinagem e cuidados cotidianos

Projetos coletivos e trabalhos em grupo

Essas ações promovem coordenação motora, autonomia, socialização e fortalecimento da autoestima.

6- Transtorno do Espectro Autista (TEA): partir do interesse

O autismo não é único; existem muitos espectros e singularidades. A inclusão efetiva começa ao identificar o que interessa e motiva cada pessoa autista.

Possibilidades pedagógicas:

Projetos baseados em interesses específicos (números, animais, música, tecnologia)

Atividades estruturadas, previsíveis e com apoio visual

Música, ritmo e sons organizados

Artes visuais, desenho detalhado e pintura

Jogos com regras claras e mediação adequada

Quando o interesse é respeitado, surgem foco, engajamento, comunicação e autonomia.

7- Deficiência física e cadeirantes: acessibilidade e participação

A mobilidade reduzida não limita a capacidade cognitiva, criativa ou social. A inclusão de estudantes cadeirantes passa pela acessibilidade física, adaptações pedagógicas e atitudes inclusivas.

Possibilidades pedagógicas:

Atividades artísticas adaptadas

Música, canto e instrumentos acessíveis

Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos

Projetos de tecnologia, robótica e produção digital

Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares

Essas práticas favorecem autonomia, liderança, expressão e trabalho colaborativo.

8- A escola como espaço de transformação

Quando a escola adapta o ambiente, flexibiliza metodologias e amplia seu olhar, a deficiência deixa de ser vista como limitação e passa a ser compreendida como uma forma diferente de estar no mundo.

A educação inclusiva revela talentos, fortalece vínculos e ensina valores como empatia, respeito e cooperação.

9- Considerações finais

Pensar inclusão é pensar em humanidade.

É reconhecer que todos aprendem, ainda que não aprendam do mesmo jeito.

As circunstâncias podem ser diferentes, mas o potencial humano sempre encontra um jeito de florescer.

Porque uma escola inclusiva não prepara apenas estudantes, prepara uma sociedade mais justa, sensível e plural.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Quando a terra guarda o legado

Do aluno à Educadora Ambiental

Estudei nesse colégio anos atrás. Foi aqui, nas aulas de Técnicas Agrícolas com o querido professor Paulo, que aprendi pela primeira vez a plantar, cuidar e valorizar a natureza. 

Essa vivência marcou profundamente minha formação. E agora, anos depois, foi justamente por meio do grupo de escoteiros que a vida me trouxe de volta a este lugar.

Ao retornar, encontrei a horta adormecida, esquecida pelo tempo… mas nunca esquecida por mim. Como educadora ambiental, me dispus a reativá-la, com o apoio da direção da escola e do grupo de escoteiros, para transformá-la novamente em um espaço vivo de aprendizado, cuidado e conexão com a terra. 

O primeiro dia de vivência com os lobinhos foi significativo.

Senti-me acolhida, ouvida, e profundamente tocada pelo interesse das crianças. Com um comportamento exemplar, os lobinhos demonstraram respeito mútuo, escuta atenta e curiosidade em todos os momentos da atividade.

Que seja o início de um novo ciclo: de cultivo, partilha e transformação.

Seguimos juntos, semeando consciência ambiental e colhendo um futuro mais verde!

#MelhorPossível 

#SempreAlerta


Sustentabilidade não é só meio ambiente. Tem a ver também com legado e relações humanas.






Relatório de atividade com o grupo de escoteiros/lobinhos:

Objetivos da atividade:

Apresentar aos lobinhos a planta urucunzeiro (urucum) e suas sementes.

Ensinar sobre a importância cultural, histórica e ecológica do urucum, especialmente para os povos indígenas.

Estimular a criatividade por meio de pintura com tinta natural de urucum.

Desenvolver noções de cuidado com o meio ambiente através do plantio de ervas na horta.

Reforçar o compromisso dos lobinhos como Guardiões da Natureza.

Descrição das atividades realizadas:

1- Reconhecimento do urucunzeiro

Lobinhos observaram a árvore que produz o urucum, identificando suas folhas, frutos e sementes.

2-  Apresentação das sementes do urucum

Chefes explicaram suas utilidades: pintura corporal, proteção da pele contra sol e insetos, e como base do colorau na culinária.

3-  Atividade prática de pintura com urucum

Crianças usaram tinta natural feita a partir das sementes de urucum para produzir desenhos livres, estimulando a expressão artística.

4- Atividade paralela: visita aos canteiros de horta e plantio de salsinha.

Lobinhos aprenderam sobre os cuidados com hortaliças, plantaram mudas de salsinha e conversaram sobre a importância de cultivar e preservar plantas.

Resultados e observações:

Lobinhos participaram com entusiasmo em todas as etapas.

Demonstraram curiosidade sobre a origem do urucum e interesse em aprender sobre a cultura indígena.

Mostraram cuidado e carinho ao plantar as mudinhas de salsinha.

As produções artísticas foram variadas e criativas, mostrando o envolvimento com o tema.

As crianças estavam animadas e ao mesmo tempo tranquilas, permitindo o desenvolvimento das atividades em clima de harmonia.

Registro fotográfico:

Em anexo: foto das pinturas realizadas pelas crianças.

Avaliação da chefia:

A atividade atingiu plenamente seus objetivos, promovendo conhecimento cultural, consciência ambiental e habilidades manuais, além de fortalecer a integração entre os lobinhos. O comportamento dos lobinhos foi excelente, demonstrando respeito e interesse em todos os momentos.

Sugestões para próximas atividades:

Ampliar a horta com novos canteiros e envolver as famílias no cuidado.

Adoção simbólica de árvore
Escolher uma árvore no espaço do grupo ou em área pública e acompanhá-la como “árvore madrinha” da alcateia, observando as mudanças nas folhas, flores e frutos, regando e cuidando dela ao longo do tempo.

Compostagem com os lobinhos
Criar uma composteira coletiva para transformar restos de frutas, legumes e folhas secas em adubo para a horta. As crianças podem ajudar a separar resíduos, montar a composteira e acompanhar o processo, aprendendo sobre o ciclo natural e a importância de reduzir o lixo.

Plantio de flores ou temperos nativos
Iniciar um canteiro de flores silvestres ou temperos como manjericão, alecrim e orégano, que atraem polinizadores e ajudam na biodiversidade.

Observação de insetos polinizadores
Organizar uma saída para observar abelhas, borboletas e outros polinizadores, registrando em fotos ou desenhos.

Trilha ecológica com caça ao tesouro
Preparar um percurso em área verde com pistas para que os lobinhos descubram plantas, sementes ou rastros de animais, desenvolvendo percepção ambiental.

Musicalização com instrumentos naturais
Criar instrumentos como maracas, pau-de-chuva ou chocalhos feitos de sementes, galhos e materiais naturais, explorando ritmos e sons inspirados na natureza.

Oficina de brinquedos ecológicos
Montar brinquedos com materiais reaproveitados, como carrinhos de tampinhas, bonecos de rolha ou jogos de memória com caixas de papelão, reforçando o conceito dos 3 Rs: reduzir, reutilizar e reciclar.

Relatório elaborado por:
Educadora Ambiental Renata Bravo - Responsável pela atividade
Data de elaboração: 03/08/2025







Do galho ao chão, a generosidade da terra se revelou:
o xixá, curioso e diferente,
a graviola, macia e envolvente.
Frutos que alimentam o corpo e despertam a mente.



Diário da Horta - Descobrimos dois frutos!

Hoje, durante a visita à horta, encontramos dois frutos bem diferentes e cheios de curiosidades!

Graviola : É grande, verde e tem a casca com pontinhas. Por dentro, é macia, branca e bem docinha. A gente aprende que ela nasce de uma flor e cresce direto no galho da árvore!

Xixá : Esse é mais diferente ainda! Parece uma bola cheia de espinhos, mas por dentro tem sementes que podemos comer. É da família do pistache!

A natureza é mesmo incrível! Cada fruto tem sua forma, seu sabor e sua história.

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Lobinhos na Horta - Missão Frutos!

Em nossa trilha pela horta do grupo, fizemos uma super descoberta!

Encontramos xixá e graviola!

Dois frutos bem diferentes, que nem todo mundo conhece!

A graviola é docinha e cheirosa. Serve para fazer sucos e sorvetes.

O xixá tem uma casca com espinhos e sementes comestíveis. Parece coisa de outro mundo!

Aprendemos que todo fruto vem de uma flor, e que cuidar da horta é também cuidar da vida que cresce ali.

E também encontramos... a Alfavaca!

Ela não é um fruto, mas é uma planta cheia de cheiro bom!

Alfavaca

Tem folhas verdes e macias, e quando a gente esfrega os dedos nela... hummm! Sai um cheirinho delicioso!

É usada para fazer chás, temperar comidas e até espantar insetos.

As abelhas e borboletas adoram suas flores!

Descobrimos que a alfavaca também ajuda a proteger outras plantas na horta. Ela é como uma guardiã perfumada!

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Lobinhos na Horta - Cheiro de Alfavaca!

Nosso nariz também aprendeu!

No meio da horta, sentimos um cheirinho no ar… Era a alfavaca!

Uma planta cheirosa, amiga das abelhas e das hortaliças.

Serve para chá, comida e até para afastar insetos.

Com a alfavaca, a horta fica mais forte e mais cheirosa!


Uma semana depois do plantio: a mudinha já está mostrando que vai crescer forte e saudável. Cuidar da natureza é ver o resultado do nosso carinho florescer!


Cheios de orgulho, alegria e um forte sentimento de pertencimento ao projeto, eles mostram a muda que plantaram na horta. É o começo de um cuidado com a natureza que vai crescendo com eles.