Em vez de apresentar a ciência como um conjunto distante de fórmulas e respostas prontas, a infância nos convida a começar pelo gesto mais simples: tocar, observar, perguntar e experimentar. A criança aprende ciência quando percebe que o mundo responde às suas ações quando mistura água e terra, quando observa uma folha secar ao sol, quando descobre que algo descartado pode ganhar nova função. É nesse encontro direto com a realidade que nasce a alfabetização científica: não como teoria abstrata, mas como experiência viva.
Nesse processo, o conhecimento não se separa em disciplinas rígidas: ciência, arte, linguagem, matemática e convivência se entrelaçam em experiências significativas, formando uma aprendizagem naturalmente interdisciplinar.
Alfabetização Científica: aprender fazendo, perguntando e conectando saberes
A curiosidade infantil é o primeiro laboratório. Ao explorar o ambiente, a criança constrói hipóteses espontâneas, testa ideias e aprende a lidar com erros e descobertas. A prática cotidiana plantar sementes, observar insetos, construir brinquedos simples transforma o conhecimento em algo concreto e significativo.
A alfabetização científica começa quando a criança:
pergunta “por quê?” e “como?” com liberdade;
observa fenômenos naturais e mudanças ao seu redor;
registra descobertas com desenhos, histórias, gráficos simples ou pequenos experimentos;
relaciona ciência com arte, linguagem oral e matemática em suas investigações;
entende que aprender é investigar e não apenas memorizar.
Mais do que ensinar conceitos isolados, o educador cria situações em que diferentes áreas do conhecimento dialogam e o mundo se revela como um espaço de investigação contínua.
Educação Ambiental: cuidar é compreender relações
Quando a criança percebe que suas ações têm impacto no ambiente, ela começa a desenvolver consciência ecológica. A educação ambiental não precisa começar com discursos complexos, mas com experiências sensíveis: cuidar de uma planta, economizar água, observar a vida em um jardim ou parque.
Essas vivências despertam:
senso de pertencimento à natureza;
responsabilidade coletiva;
percepção das interdependências entre seres vivos e ambiente;
atitudes simples de cuidado e preservação;
conexões entre ciência, ética, convivência social e expressão artística.
Assim, a ecologia deixa de ser um tema distante e passa a ser uma prática cotidiana de respeito e atenção, atravessando diferentes áreas do currículo.
Materiais Reutilizados: ciência, criatividade e aprendizagem interdisciplinar
Objetos descartados podem se transformar em ferramentas poderosas de aprendizagem. Ao reutilizar materiais, a criança explora conceitos científicos (peso, equilíbrio, transformação), desenvolve pensamento criativo e amplia conhecimentos em matemática, arte e linguagem.
Exemplos de propostas pedagógicas:
construção de instrumentos musicais com embalagens (ciência do som + música);
experiências sobre movimento e resistência (ciências + matemática);
criação de jogos e brinquedos (lógica + linguagem + convivência);
projetos artísticos com materiais do cotidiano (arte + percepção sensorial + sustentabilidade).
O reaproveitamento deixa de ser apenas uma ação ecológica e se torna um convite à reinvenção e à integração de saberes.
Uma aprendizagem que nasce do encontro
Quando ciência, natureza e criatividade caminham juntas, a educação se transforma em experiência significativa e interdisciplinar. A criança aprende que o mundo não é um conjunto fragmentado de matérias, mas uma rede viva de relações — e que ela também participa dessa construção.
Alfabetizar cientificamente é cultivar o olhar curioso, a escuta atenta e o cuidado com aquilo que nos cerca. É permitir que a infância descubra que aprender não é acumular respostas, mas habitar o mundo com sensibilidade, responsabilidade e imaginação, conectando diferentes formas de conhecer e compreender a realidade.
