Existe uma ideia poderosa e ao mesmo tempo delicada quando falamos sobre infância, esporte e prevenção ao uso de drogas: a de que experiências corporais positivas e significativas podem ajudar crianças e adolescentes a construir relações mais saudáveis com o próprio corpo, com o prazer e com as emoções.
O esporte não é apenas movimento.
Ele é pertencimento, superação, vínculo social, descoberta de limites e possibilidades. Quando uma criança corre, joga, dança, escala ou simplesmente brinca com o corpo inteiro, ela vivencia sensações reais de conquista e bem-estar. O cérebro responde liberando substâncias como endorfina, dopamina e serotonina associadas ao prazer, à motivação e ao equilíbrio emocional.
Mas é importante dizer algo com responsabilidade:
o esporte não imuniza automaticamente ninguém contra o uso de drogas. A vida humana é complexa, atravessada por fatores sociais, emocionais, familiares e culturais. No entanto, práticas esportivas e corporais consistentes ao longo da infância podem funcionar como fatores de proteção importantes, fortalecendo autoestima, disciplina, vínculos sociais e estratégias saudáveis de enfrentamento das frustrações.
O Corpo que Aprende a Sentir
Crianças que vivenciam o esporte desde cedo aprendem que o prazer pode vir do esforço, da cooperação e do movimento. Elas descobrem que o cansaço pode ser bom, que a respiração pode acalmar e que o corpo pode ser um espaço de alegria não apenas de fuga.
Esse aprendizado cria uma memória corporal poderosa:
o bem-estar não precisa ser artificial ou imediato; ele pode nascer do processo, do tempo e da experiência compartilhada.
Comunidade, Pertencimento e Propósito
Outro aspecto essencial do esporte é o coletivo. Equipes, grupos e projetos esportivos criam redes de apoio e pertencimento fatores fundamentais na prevenção de comportamentos de risco. Quando a criança se sente vista, reconhecida e parte de algo maior, aumenta a sensação de valor pessoal e diminui a necessidade de buscar aceitação em contextos prejudiciais.
Para Além da Performance
Promover esporte na infância não significa formar atletas de alto rendimento. Significa oferecer oportunidades diversas de movimento brincadeiras livres, jogos cooperativos, atividades ao ar livre, práticas inclusivas e acessíveis. O foco deve estar no prazer de participar e na construção de hábitos saudáveis para a vida inteira.
Educação Integral e Prevenção
Investir em esporte é investir em saúde mental, social e emocional. É criar caminhos para que crianças aprendam a lidar com ansiedade, frustração e desafios por meio de experiências corporais positivas. Em conjunto com educação emocional, arte, cultura e vínculos familiares, o esporte se torna uma ferramenta potente de prevenção e desenvolvimento humano.
Em Síntese
Quando o movimento faz parte da infância, o corpo aprende que pode produzir alegria, energia e equilíbrio por si mesmo. Essa vivência não elimina todos os riscos da vida, mas fortalece recursos internos e sociais que ajudam crianças e adolescentes a fazer escolhas mais conscientes no futuro.
Porque, no fundo, educar também é ensinar o corpo a encontrar caminhos saudáveis para sentir, viver e pertencer.