Elas o fazem acontecer.
Entre recortes, pinceladas, colagens e cores que se sobrepõem, o mundo surge como experiência viva, construída no gesto, no tempo e na relação. Cada peixe, tartaruga ou caranguejo nasce do encontro entre a mão que cria e o material que responde: papel, tinta, textura e imaginação.
Aqui, a criação não obedece a modelos prévios. O traço não busca perfeição, mas presença. O olhar não copia a realidade: dialoga com ela. O que se vê é o resultado de um processo em que corpo, sensibilidade e atenção caminham juntos.
O fazer artístico, neste contexto, é mais do que expressão: é modo de habitar. Ao colar, pintar e compor, a criança se reconhece como parte do mundo e, ao mesmo tempo, como alguém capaz de transformá-lo. Cada escolha revela uma forma singular de estar, de perceber e de significar.
As irregularidades, as assimetrias e os excessos não são desvios são marcas de autenticidade. Elas testemunham um tempo próprio, um ritmo que não se apressa, um espaço em que errar não ameaça, mas amplia.
Esta exposição convida o visitante a suspender o olhar apressado e a se aproximar com disponibilidade. Não para explicar as obras, mas para encontrar-se com elas. Para lembrar que aprender, criar e existir são movimentos inseparáveis quando o mundo é vivido como experiência, e não como objeto.
Aqui, o brincar não é etapa preparatória.
É acontecimento.
É relação.
É mundo em jogo.



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