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Dilemas da Sustentabilidade frente ao consumismo

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Sapo Cururu: dono do rio e artista da noite


Dizem por aí que o sapo cururu é o dono do rio.
Não porque manda, mas porque conhece cada curva da água quando o sol se despede.

À noite, o negócio é encher a barriga.
Insetos voam distraídos, e o sapo, atento, cumpre sua missão ecológica com precisão.

Sua pele é úmida e fina, feita para respirar.
por isso, nada de tomar sol forte!
O sapo prefere a sombra, o brejo e a beira da água.

Com olhos grandes, enxerga no escuro como poucos.
Somos notívagos, dizem eles, com orgulho.

As narinas não servem só para respirar:
é por elas que o sapo sente o cheiro da chuva chegando
e reconhece quem se aproxima do seu território.

E quando a lua sobe, começa o espetáculo.
O sapo vira artista, dá shows cantando na beira da água,
enchendo a noite de sons que contam histórias antigas do rio.

Agora, vamos desfazer um mito:
Quem inventou que sapo tem chulé porque não lava o pé?
Nós nos lavamos sim!
Vivemos na água, sempre limpos, sempre atentos.

Do girino ao grande saltador,
o sapo cresce, se transforma e aprende a saltar, porque viver também é mudança.

O sapo não é só personagem de cantiga:
é guardião da água, indicador da saúde da natureza
e cantor oficial das noites do Brasil.


O Show do Sapo Cururu

Quando a noite cai e o rio fica espelhado pela lua,

o sapo cururu sobe na pedra mais alta.

- Boa noite! - canta ele.

- Sou o dono do rio… pelo menos à noite.

Os insetos param no ar.

As estrelas piscam curiosas.

Com seus olhos grandes, ele enxerga tudo.

Com a pele úmida, sente a água conversar com o corpo.

Com as narinas, percebe o cheiro da chuva que ainda vem longe.

Ele canta.

Canta para avisar que está ali.

Canta para chamar outros sapos.

Canta porque a noite pede música.

De repente, alguém cochicha:

- Dizem que sapo tem chulé…

O cururu ri e mergulha no rio.

Sai limpo, reluzente, e responde:

- Quem vive na água aprende a se cuidar!

E então ele salta.

Salta alto, salta longe,

como quem celebra a própria história:

do girino pequeno ao grande artista da noite.

O rio agradece.

A lua aplaude.

E o sapo cururu continua cantando,

guardião das águas e das histórias que só a noite escuta.