Dizem por aí que o sapo cururu é o dono do rio.
Não porque manda, mas porque conhece cada curva da água quando o sol se despede.
À noite, o negócio é encher a barriga.
Insetos voam distraídos, e o sapo, atento, cumpre sua missão ecológica com precisão.
Sua pele é úmida e fina, feita para respirar.
por isso, nada de tomar sol forte!
O sapo prefere a sombra, o brejo e a beira da água.
Com olhos grandes, enxerga no escuro como poucos.
Somos notívagos, dizem eles, com orgulho.
As narinas não servem só para respirar:
é por elas que o sapo sente o cheiro da chuva chegando
e reconhece quem se aproxima do seu território.
E quando a lua sobe, começa o espetáculo.
O sapo vira artista, dá shows cantando na beira da água,
enchendo a noite de sons que contam histórias antigas do rio.
Agora, vamos desfazer um mito:
Quem inventou que sapo tem chulé porque não lava o pé?
Nós nos lavamos sim!
Vivemos na água, sempre limpos, sempre atentos.
Do girino ao grande saltador,
o sapo cresce, se transforma e aprende a saltar, porque viver também é mudança.
O sapo não é só personagem de cantiga:
é guardião da água, indicador da saúde da natureza
e cantor oficial das noites do Brasil.
O Show do Sapo Cururu
Quando a noite cai e o rio fica espelhado pela lua,
o sapo cururu sobe na pedra mais alta.
- Boa noite! - canta ele.
- Sou o dono do rio… pelo menos à noite.
Os insetos param no ar.
As estrelas piscam curiosas.
Com seus olhos grandes, ele enxerga tudo.
Com a pele úmida, sente a água conversar com o corpo.
Com as narinas, percebe o cheiro da chuva que ainda vem longe.
Ele canta.
Canta para avisar que está ali.
Canta para chamar outros sapos.
Canta porque a noite pede música.
De repente, alguém cochicha:
- Dizem que sapo tem chulé…
O cururu ri e mergulha no rio.
Sai limpo, reluzente, e responde:
- Quem vive na água aprende a se cuidar!
E então ele salta.
Salta alto, salta longe,
como quem celebra a própria história:
do girino pequeno ao grande artista da noite.
O rio agradece.
A lua aplaude.
E o sapo cururu continua cantando,
guardião das águas e das histórias que só a noite escuta.



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