*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.
A tese que fundamenta este blog parte de uma ideia simples e duradoura: a infância, o brincar, a cultura, a natureza e as relações humanas constituem dimensões essenciais da formação do indivíduo e da construção da vida em sociedade. Embora os contextos históricos, as tecnologias e os modos de viver se transformem, essa base permanece atual. Por isso, não se trata de uma tese vinculada a uma época específica, mas de uma perspectiva que atravessa gerações e continua encontrando sentido sempre que uma criança brinca, aprende, cria, convive e estabelece sua relação com o mundo.

A INFÂNCIA EM TRÂNSITO: MEMÓRIA, CULTURA E FUTURO

Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de outubro de 2026

O que os preços, as ideias políticas, Schubert e Um Conto de Natal nos ensinam sobre a sociedade?


Introdução: o que a economia tem a ver com a nossa humanidade?

O preço dos alimentos, o valor dos salários, as oportunidades de trabalho, a distribuição da riqueza e as condições de vida das famílias parecem pertencer exclusivamente ao campo da Economia. Entretanto, quando observamos esses fenômenos com atenção, descobrimos que eles também envolvem a Sociologia, a História, a Política, a Matemática, a Literatura, a Música e a Educação.

Afinal, por trás de cada número existem pessoas. Por trás de cada orçamento doméstico existem necessidades, escolhas, dificuldades e sonhos. E por trás de cada sociedade existem valores, relações de poder, formas de organização e concepções diferentes sobre justiça, liberdade e responsabilidade coletiva.

É nesse encontro entre conhecimentos que podemos estabelecer uma reflexão: como uma sociedade organiza seus recursos, enfrenta a pobreza, distribui oportunidades e desenvolve a capacidade de cuidar de seus integrantes?

Para investigar essa questão, vamos aproximar cinco temas: inflação, Sociologia, comunismo, a profissão de economista e a relação entre a música de Franz Schubert e a literatura de Charles Dickens, especialmente a obra Um Conto de Natal.

Essa aproximação permite compreender que os problemas econômicos não são apenas questões de números. Eles também revelam escolhas sociais, políticas e humanas.

1. Inflação: quando o dinheiro compra menos

A inflação é o aumento generalizado dos preços de bens e serviços ao longo do tempo. Quando os preços sobem de maneira persistente e a renda de uma família não acompanha esse movimento, seu poder de compra diminui.

Imagine uma família que utiliza determinada quantia mensal para comprar alimentos, pagar transporte, adquirir materiais escolares e custear outras necessidades básicas.

Se os preços aumentam, mas a renda permanece igual, essa família pode precisar substituir produtos, reduzir o consumo, adiar compras ou comprometer outras despesas.

A inflação, portanto, não representa apenas uma mudança nos números registrados nas etiquetas. Ela pode modificar hábitos alimentares, oportunidades educacionais, condições de moradia e perspectivas de futuro.

Entretanto, seus efeitos não são iguais para todos. Famílias com rendas diferentes, reservas financeiras, dívidas e condições distintas de acesso a bens e serviços podem experimentar consequências muito diferentes diante do mesmo aumento de preços.

É importante compreender também que a inflação pode ter diversas causas, como pressões de demanda, elevação de custos de produção, variações cambiais, problemas de oferta e expectativas econômicas. Por isso, seu enfrentamento exige análise das circunstâncias, e não uma explicação única para todos os casos.

A Matemática presente na inflação

A Matemática ajuda a transformar uma percepção cotidiana em uma análise objetiva.

Se uma cesta de compras custava R$ 200 e passou a custar R$ 220, houve um aumento de 10%.

A fórmula é:

Variação percentual = [(preço novo − preço antigo) ÷ preço antigo] × 100.

Essa aprendizagem permite comparar preços, analisar orçamentos, interpretar índices econômicos e compreender por que pequenos aumentos, quando acumulados, podem produzir impactos significativos.

Mas existe uma pergunta ainda mais importante: quem consegue absorver esses aumentos e quem precisa renunciar a necessidades para enfrentá-los?

É nesse momento que a Economia encontra a Sociologia.

2. Sociologia: os preços também revelam desigualdades sociais

A Sociologia investiga como as pessoas vivem em sociedade, como as instituições funcionam e de que maneira fatores como classe social, trabalho, cultura, educação e relações de poder influenciam as oportunidades.

Uma alta no preço dos alimentos pode representar um inconveniente para uma família e uma dificuldade grave para outra.

Isso ocorre porque a renda, o patrimônio, as condições de trabalho e o acesso a serviços públicos são distribuídos de maneira desigual.

A mesma situação econômica pode produzir experiências diferentes.

Uma família pode manter sua alimentação, seus estudos e seu transporte. Outra pode precisar escolher entre pagar uma conta, comprar um medicamento ou adquirir alimentos suficientes para o mês.

Essas diferenças não podem ser compreendidas apenas observando o preço de um produto. É necessário investigar as condições sociais nas quais as pessoas vivem.

A Sociologia também ajuda a compreender como as sociedades constroem ideias sobre mérito, pobreza, riqueza, responsabilidade individual e solidariedade.

Em vez de atribuir automaticamente a pobreza à falta de esforço, uma análise sociológica investiga fatores como desemprego, desigualdade educacional, discriminação, condições de moradia, acesso a serviços públicos e oportunidades econômicas.

Isso não significa negar a importância das escolhas individuais. Significa reconhecer que as escolhas são realizadas dentro de condições concretas, que podem ampliar ou limitar as possibilidades de cada pessoa.

Uma questão para refletir

Se duas crianças possuem capacidades, curiosidades e vontade de aprender semelhantes, mas vivem em condições econômicas muito diferentes, terão necessariamente as mesmas oportunidades de desenvolver seus talentos?

A pergunta conecta Economia, Sociologia e Educação. Também nos leva a pensar sobre como construir uma sociedade na qual as crianças possam desenvolver suas capacidades, independentemente da renda de suas famílias.

3. Comunismo, socialismo e capitalismo: diferentes propostas para organizar a sociedade

Para compreender os debates sobre desigualdade e distribuição de recursos, precisamos conhecer diferentes correntes de pensamento econômico e político.

O capitalismo caracteriza-se, em termos gerais, pela propriedade privada dos meios de produção, pelo trabalho assalariado e pela produção e circulação de bens e serviços em mercados. Existem diferentes modelos de capitalismo, com variados níveis de regulação estatal e proteção social.

O socialismo reúne correntes diversas que defendem formas sociais, públicas, cooperativas ou coletivas de propriedade e controle dos meios de produção. As propostas variam quanto ao papel do Estado, dos trabalhadores, dos mercados e das instituições democráticas.

O comunismo, especialmente na tradição marxista, está associado à proposta de uma sociedade sem classes sociais e sem propriedade privada dos meios de produção. Na formulação teórica de Karl Marx e Friedrich Engels, a transformação das relações de produção ocupa papel central nessa perspectiva.

É necessário distinguir essas propostas teóricas das experiências históricas de governos que se declararam socialistas ou comunistas. Tais experiências apresentaram instituições, políticas econômicas e resultados diferentes, incluindo transformações sociais, processos de industrialização, expansão de determinados serviços e, em vários casos, concentração de poder político, repressão e restrições às liberdades.

Portanto, não é adequado tratar todas as experiências como idênticas nem confundir automaticamente comunismo, socialismo e qualquer política pública de redistribuição de renda.

Onde a inflação entra nessa discussão?

A inflação pode ocorrer em países com diferentes sistemas econômicos. Sua existência, por si só, não comprova o sucesso nem o fracasso de uma ideologia.

O que importa é analisar as condições específicas de cada economia: a produção, a disponibilidade de bens, a política monetária, as contas públicas, o funcionamento dos mercados, as relações comerciais e as decisões governamentais.

Diferentes correntes políticas apresentam propostas distintas para enfrentar a pobreza e a desigualdade. Essas propostas precisam ser examinadas com base em seus objetivos, mecanismos, custos, resultados e efeitos sobre os direitos das pessoas.

A questão fundamental não é apenas perguntar qual sistema promete uma sociedade melhor, mas investigar como suas instituições funcionam, quais problemas conseguem resolver, quais dificuldades produzem e como seus resultados podem ser avaliados.

Uma sociedade democrática precisa permitir que essas questões sejam discutidas com conhecimento histórico, liberdade de pensamento e análise crítica.

4. O economista: interpretar números para compreender a realidade

O economista estuda como recursos limitados são utilizados para atender às necessidades humanas. Seu trabalho pode envolver inflação, emprego, salários, produção, comércio, investimentos, finanças públicas, desenvolvimento regional, desigualdade e sustentabilidade.

Para isso, utiliza Matemática, Estatística, dados históricos, modelos econômicos e informações sobre o comportamento de pessoas, empresas e governos.

Ao investigar a inflação, por exemplo, um economista pode procurar responder a perguntas como:

  • Quais produtos estão apresentando os maiores aumentos?
  • Os aumentos resultam de custos de produção, problemas de oferta, demanda aquecida ou outros fatores?
  • Como a inflação afeta diferentes grupos de renda?
  • Quais são os efeitos das taxas de juros sobre o crédito, o consumo e os investimentos?
  • Como as políticas públicas podem proteger os grupos mais vulneráveis sem ignorar os efeitos econômicos de suas decisões?

As respostas exigem dados e investigação. Não basta observar um único preço ou atribuir toda a responsabilidade a uma única causa.

O economista também pode trabalhar com economia ambiental, planejamento urbano, desenvolvimento sustentável, políticas sociais e avaliação de programas públicos.

Sua contribuição é particularmente importante quando a sociedade precisa decidir como utilizar recursos financeiros, naturais e humanos sem comprometer as condições de vida das gerações futuras.

Entretanto, os dados econômicos não substituem o debate sobre valores. Uma política pode produzir determinado resultado financeiro e, ainda assim, levantar questões sobre justiça, direitos, distribuição dos benefícios e consequências sociais.

É por isso que Economia e Sociologia se complementam: uma ajuda a analisar a produção, a distribuição e o uso dos recursos; a outra contribui para compreender as relações sociais e as desigualdades envolvidas nesses processos.

5. Schubert: a música como expressão da experiência humana

Franz Schubert (1797–1828) foi um compositor austríaco associado ao Romantismo musical. Sua obra inclui sinfonias, música de câmara, peças para piano e numerosos Lieder, canções artísticas que combinam poesia e música.

Em muitas de suas composições, encontramos explorações musicais de sentimentos, paisagens, inquietações, afetos e experiências humanas.

A música pode comunicar emoções de maneira que nem sempre depende de palavras. Uma melodia pode sugerir tranquilidade, tensão, saudade, esperança ou sofrimento, embora a interpretação de uma composição também dependa de seu contexto e da experiência de quem a escuta.

Como relacionar Schubert à Economia e à Sociologia?

Não é necessário afirmar que o compositor formulou teorias econômicas ou que suas obras tenham sido criadas para explicar a inflação. A conexão é interdisciplinar: a música permite explorar a dimensão subjetiva da existência humana, enquanto a Economia e a Sociologia investigam condições materiais e relações sociais.

Uma atividade educativa pode convidar os alunos a escutar uma composição de Schubert e refletir sobre as emoções que ela desperta. Depois, podem discutir como as condições de vida, as relações humanas e as experiências coletivas influenciam a produção artística e o acesso à cultura.

A pergunta deixa de ser apenas quanto custa uma apresentação musical ou um instrumento e passa a incluir outra dimensão: como garantir que a arte e a cultura sejam acessíveis a diferentes grupos sociais?

A música, nesse sentido, também participa da discussão sobre educação, oportunidades, patrimônio cultural e qualidade de vida.

6. Um Conto de Natal: Charles Dickens e a consciência social

Um Conto de Natal (A Christmas Carol), publicado em 1843, é uma obra de Charles Dickens, escritor inglês que retratou diferentes aspectos da sociedade de seu tempo.

A narrativa apresenta Ebenezer Scrooge, um homem rico e avarento que demonstra indiferença diante das dificuldades de outras pessoas. Durante a história, visitas sobrenaturais o levam a confrontar seu passado, observar o presente e imaginar as consequências futuras de suas escolhas.

O encontro com a realidade de outras pessoas modifica sua maneira de compreender a vida. A transformação de Scrooge envolve a revisão de suas prioridades e uma nova disposição para agir com generosidade.

A obra permite discutir pobreza, desigualdade, responsabilidade individual, relações de trabalho e solidariedade.

No contexto da sociedade britânica do século XIX, marcada pelas transformações da industrialização e por profundas diferenças sociais, Dickens chamou a atenção para as condições de vida dos pobres e para a responsabilidade moral dos indivíduos mais favorecidos.

Entretanto, a obra não deve ser reduzida à ideia de que a generosidade individual, sozinha, resolve todos os problemas estruturais da pobreza. A solidariedade pode aliviar sofrimentos imediatos, mas questões como salários, moradia, saúde, educação e proteção social também dependem de instituições, direitos, políticas públicas e condições econômicas.

É justamente aí que a literatura encontra a Sociologia e a Economia.

A história de Scrooge nos convida a perguntar como tratamos as pessoas que enfrentam dificuldades. A análise econômica nos ajuda a investigar as causas e as consequências materiais dessas dificuldades. A análise sociológica amplia a compreensão das desigualdades e das instituições envolvidas.

Juntas, essas perspectivas permitem transformar uma narrativa literária em uma oportunidade de reflexão crítica.

7. O ponto de encontro: dinheiro, dignidade e responsabilidade coletiva

Agora podemos reunir os cinco temas.

A inflação mostra como mudanças nos preços afetam o poder de compra e as condições de vida.

A Sociologia explica por que esses efeitos variam de acordo com as condições sociais, as oportunidades e as desigualdades existentes.

O estudo do comunismo, do socialismo e do capitalismo apresenta diferentes propostas e experiências históricas de organização da produção, da propriedade e da distribuição de recursos.

O economista investiga dados, mecanismos e políticas que ajudam a compreender os problemas econômicos e avaliar possíveis soluções.

A música de Schubert oferece uma oportunidade de explorar sentimentos e experiências humanas por meio da arte.

E Um Conto de Natal mostra como a literatura pode questionar a indiferença diante da pobreza e estimular a reflexão sobre generosidade, responsabilidade e mudança de comportamento.

Essas relações revelam que uma sociedade não pode ser avaliada exclusivamente pela quantidade de riqueza que produz. Também é necessário considerar como essa riqueza é produzida e distribuída, quais oportunidades estão disponíveis, quais direitos são garantidos e como as pessoas são tratadas.

Isso não significa que exista uma única resposta para todos os desafios. Significa reconhecer que os problemas sociais exigem investigação, diálogo e avaliação de diferentes soluções.

Uma economia eficiente precisa considerar a produção e o uso dos recursos. Uma sociedade justa precisa debater oportunidades, direitos e responsabilidades. Uma cultura viva precisa permitir que as pessoas criem, aprendam, expressem sentimentos e participem da vida coletiva.

8. Sustentabilidade: o que deixaremos para as próximas gerações?

A sustentabilidade amplia ainda mais essa reflexão.

Uma sociedade precisa atender às necessidades presentes sem destruir as condições que permitirão às gerações futuras atender às suas próprias necessidades.

Isso envolve o uso responsável dos recursos naturais, a redução do desperdício, a preservação da biodiversidade, a produção de alimentos, a qualidade do trabalho e a construção de cidades habitáveis.

Também exige atenção à dimensão econômica. A pobreza pode limitar o acesso a uma alimentação adequada e a alternativas sustentáveis de consumo. Ao mesmo tempo, padrões de produção e consumo excessivos podem aumentar a pressão sobre os ecossistemas.

Por isso, a sustentabilidade não deve ser tratada apenas como uma questão de comportamento individual. Escolhas pessoais são importantes, mas infraestrutura, tecnologias, políticas públicas, condições de trabalho e formas de produção também influenciam os resultados.

Uma atividade educativa pode começar com uma pergunta simples: o que uma comunidade poderia fazer para reduzir o desperdício de alimentos e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso a uma alimentação adequada?

A investigação pode envolver Matemática, ao calcular desperdícios e custos; Ciências, ao estudar conservação dos alimentos; Economia, ao avaliar recursos e preços; Sociologia, ao compreender as necessidades da comunidade; e Educação Ambiental, ao propor soluções coletivas.

A mesma lógica pode ser aplicada à água, à energia, aos materiais escolares, ao artesanato e à reutilização de materiais.

Dessa maneira, o conhecimento deixa de ser um conjunto de disciplinas isoladas e se transforma em instrumento de compreensão e intervenção responsável na realidade.

9. Proposta de atividade interdisciplinar para escolas

Tema: Economia, desigualdade, arte e solidariedade.

Público: anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, com adaptações para diferentes faixas etárias.

Objetivo: compreender as relações entre inflação, condições sociais, sistemas econômicos, cultura e responsabilidade coletiva.

Etapa 1 - Matemática e inflação

Os estudantes podem pesquisar preços de uma cesta de produtos em dois momentos diferentes, utilizando dados confiáveis ou uma tabela didática fornecida pelo professor.

Devem calcular as variações percentuais e discutir os limites da comparação. Se forem usados dados reais, é importante considerar as datas, as quantidades e a qualidade dos produtos.

Etapa 2 - Sociologia e orçamento familiar

A turma pode analisar orçamentos fictícios de famílias com rendas e necessidades diferentes.

A proposta não é expor a situação financeira dos estudantes, mas mostrar como renda, moradia, transporte e alimentação influenciam as possibilidades de consumo.

Etapa 3 - História e sistemas econômicos

Os alunos podem investigar as diferenças entre capitalismo, socialismo e comunismo, identificando suas principais ideias, experiências históricas, críticas e controvérsias.

O trabalho deve valorizar fontes confiáveis, pluralidade de interpretações e distinção entre conceitos teóricos e experiências concretas.

Etapa 4 - Música e interpretação

A turma escuta uma composição de Schubert e registra impressões sobre ritmo, melodia, atmosfera e emoções percebidas.

Em seguida, os estudantes discutem o papel da música na expressão humana e as possibilidades de ampliar o acesso à cultura.

Etapa 5 - Literatura e debate

Após a leitura de trechos ou de uma versão adequada de Um Conto de Natal, os alunos analisam a transformação de Scrooge e debatem a diferença entre caridade, solidariedade e políticas públicas de proteção social.

Etapa 6 - Sustentabilidade e ação coletiva

Os grupos elaboram uma proposta para um problema concreto da escola ou da comunidade, como desperdício de alimentos, reutilização de materiais ou acesso a atividades culturais.

A proposta deve identificar o problema, apresentar dados, sugerir ações, estimar recursos necessários e definir critérios para avaliar os resultados.

Avaliação

O professor pode avaliar a interpretação de dados, a qualidade dos argumentos, o uso de fontes, a capacidade de relacionar disciplinas, o respeito às opiniões divergentes e a viabilidade das propostas apresentadas.

O mais importante é que os estudantes aprendam a investigar antes de concluir, distinguir fatos de opiniões e compreender que problemas complexos raramente possuem soluções simples.

10. Conclusão: compreender a economia sem esquecer as pessoas

Inflação, Sociologia, comunismo, profissão de economista, música e literatura pertencem a campos diferentes do conhecimento, mas podem dialogar em torno de uma questão comum: como construímos uma sociedade e quais consequências nossas escolhas produzem na vida das pessoas?

A Economia ajuda a compreender a produção, os preços e a distribuição dos recursos. A Sociologia investiga as relações sociais e as desigualdades. A História permite compreender as origens e as transformações das ideias políticas. A Matemática oferece ferramentas para interpretar dados. A Música e a Literatura ampliam as possibilidades de expressão, imaginação e reflexão.

Schubert e Dickens não precisam ter defendido as mesmas ideias para participarem dessa conversa. A aproximação entre eles ocorre no campo da educação e da cultura: a música permite explorar a experiência humana, enquanto a narrativa de Dickens oferece uma reflexão explícita sobre indiferença, pobreza e transformação moral.

No centro de tudo está a possibilidade de desenvolver uma educação que ensine não apenas a calcular preços, mas também a interpretar a realidade; não apenas a conhecer ideologias, mas a examiná-las criticamente; não apenas a reconhecer a desigualdade, mas a investigar suas causas e avaliar alternativas.

Uma sociedade sustentável precisa de conhecimento científico, atividade econômica, instituições responsáveis, participação cidadã e sensibilidade humana.

Porque compreender o valor do dinheiro é importante, mas compreender o valor da vida humana é indispensável para decidir como queremos viver juntos e que mundo pretendemos deixar para as próximas gerações.

*Brincadeira Sustentável - aprender, refletir e transformar

A educação interdisciplinar permite que Matemática, Economia, Sociologia, História, Música, Literatura e sustentabilidade se encontrem em experiências de aprendizagem significativas.

Quando crianças e jovens aprendem a observar, comparar, questionar, criar e propor soluções, desenvolvem ferramentas que podem acompanhá-los por toda a vida, na cidadania, no trabalho, nas relações humanas e na construção de uma sociedade mais consciente.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

A necessidade do uso da Literatura desde a primeira infância, relativa à educação infantil, até o ensino fundamental e o ensino médio

A Literatura revela ser um recurso indispensável na medida em que desperta a imaginação, a autonomia e desenvolve o senso crítico nos leitores. Consequentemente, tais benefícios se estendem à vida pessoal e social do estudante, que aprimora seus conhecimentos e constrói sua personalidade de forma sadia e reflexiva.

No contexto globalizado, em que a lógica de produção social prioriza a formação para o mercado, a falta do hábito da leitura na sociedade acarreta um prejuízo à formação crítica e sensível do ser humano. No ambiente escolar, processos de ensino e aprendizagem são afetados por essa lógica, na qual os envolvidos dedicam-se ao consumo de conteúdos e informações muitas vezes nocivas ao seu espírito social.

A Literatura, como forma de expressão artística e como possiblidade de contato com o que é belo, estético, criativo, contribui para a formação do indivíduo como sujeito social, visto que desperta a sensibilidade, a emoção para a transcendência do que é a sua realidade.

Como disciplina curricular da educação básica, em todas as etapas em que se desenvolve, desde a educação infantil, do ensino fundamental até o ensino médio, é possível perceber as contribuições que o trabalho com a Literatura pode promover na vida escolar e pessoal dos sujeitos, as quais estão centradas, sobretudo, em sua capacidade de humanização e sociabilidade.

Nessa perspectiva, este estudo consiste em reconhecer o uso da Literatura nas práticas escolares como um recurso facilitador para o ensino e a aprendizagem, com o objetivo de perceber as contribuições dessa área para o desenvolvimento de aspectos cognitivos, coletivos e sociais indispensáveis para a formação humana e para a construção do conhecimento. A abordagem metodológica é de cunho descritivo sobre fatos e pensamentos refletidos no contexto escolar, e qualitativo, sendo este ambiente a fonte de informações, já que “fornece análise mais detalhada sobre investigações, hábitos, atitudes e
tendências de comportamentos” (MARCONI; LAKATOS, 2005, p. 269). Os instrumentos utilizados para a coleta de dados são de caráter bibliográfico e com o uso de fichas de observação referentes à pesquisa em foco. Tais observações foram realizadas durante o período de estágio nos ensinos fundamental e médio, no qual foi possível reconhecer a importância da Literatura para o processo de ensino e aprendizagem e para a formação humana e social dos sujeitos envolvidos.

A Literatura na Educação Infantil
Despertar o hábito da leitura é um objetivo constante na prática docente dos profissionais da educação. Aproximar os estudantes de textos literários consiste em um convite à liberdade de expressão, em que eles podem compreender suas próprias emoções. Conforme Coelho (2000),
Desde as suas origens, a Literatura aparece ligada à função essencial
de atuar sobre as mentes, nas quais se decidem as vontades ou as
ações, e sobre os espíritos, nos quais se decidem as emoções, paixões,
desejos, sentimentos de toda ordem. No encontro com a Literatura, os
homens têm a oportunidade de ampliar, transformar ou enriquecer
sua própria experiência de vida em um grau de intensidade não
igualada por nenhuma outra atividade (COELHO, 2000, p.29).

Sabe-se que a criança, desde os seus primeiros anos de vida, deve ser estimulada a manusear livros, a ter contato com a Literatura, a ouvir histórias e a ver adultos lendo, já que as primeiras experiências com essas práticas são determinantes para sua formação como futuros leitores. Nesse sentido, a família tem um papel fundamental para o desenvolvimento desse hábito, possibilitando à criança momentos agradáveis com a leitura de histórias, com o ensino de músicas e rimas, dentre outras formas de promoção da arte em foco. Além disso, desde a gestação a criança já é capaz de escutar histórias, músicas e parlendas. Ela começa a estimular sua percepção e desenvolver sua possibilidade de compreensão ainda nessa fase. No contexto escolar, observa-se que, mesmo antes de ser alfabetizada, a criança desenvolve o gosto pela leitura através das experiências com a manipulação dos livros, com a identificação das imagens e ilustrações que representam a realidade e que desenvolvem a sua imaginação, com a leitura feita pelo educador, e com todo o ambiente que se forma para tal atividade. Barbosa (1999) argumenta sobre a importância da contação de histórias, momento em que a criança desperta a criatividade. Segundo o autor,
Para a criança ouvir histórias estimula a criatividade e formas de
expressão corporal. Sendo um momento de aprendizagem rica em
estímulos sensoriais, intelectuais, dá-lhe segurança emocional. Ouvir
histórias também ajuda a criança a entrar em contato com suas
emoções, supre dúvidas e angústias internas. Através da narrativa a
criança começa a entender o mundo ao seu redor e estabelecer relações
com o outro, a socialização. Consequentemente, são mais criativas,
saem-se melhor no aprendizado e serão adultos mais felizes
(BARBOSA, 1999, p.22).
Sobre a educação infantil, período que corresponde à primeira etapa da vida escolar da criança, Frantz (2011) cita a necessidade de apresentar a poesia desde cedo à criança, pois a mesma estimula vários aspectos, dentre eles, o lúdico, indispensável na formação de bons leitores. Para ele, o trabalho com Literatura convida a viver a fantasia, a imaginar, a “perceber a realidade de maneira especial, mágica, a ver e buscar sentidos e a expressá-los de forma simbólica, lúdica, criativa, nova, prazerosa... poética. É quando o belo se sobrepõe ao útil” (FRANTZ, 2011, p.1).

Nessa esfera, os contos de fadas exercem um fascínio natural sobre as crianças, estimulando suas capacidades de resolução de problemas, de enfrentamento da realidade, de sentir medo, empatia, amor, piedade, de ter senso de justiça, igualdade, fraternidade, de desenvolver a sua humanidade. São fundamentais para o desenvolvimento da criança, pois são repletos de significados para a formação do sujeito. Em sua síntese, os contos de fadas transmitem às crianças, de forma múltipla a ideia de como, por exemplo, uma luta contra as dificuldades na vida é inevitável, é parte intrínseca da existência humana, indicando que se uma pessoa não se intimida frente a essas dificuldades, mas se comporta de modo firme com as pressões inesperadas e muitas vezes injustas, ela dominará todos os obstáculos e, ao fim, emergirá vitoriosa (BETTELHEIM, 1980, p.14).

O universo literário apresentado à criança favorece, assim, a formação de um leitor crítico e sensível. Novas obras e autores têm povoado o imaginário infantil. O professor, como mediador dessa imaginação, pela obra literária, pode ampliar o contato da criança com novos temas e gêneros de textos, a fim de promover a diversificação de conhecimentos e sentimentos relacionados à vida. Nesse sentido, Paulo Freire reconhece que:
Enquanto que, na concepção bancária o educador vai “enchendo” os
educandos, desenvolvendo o seu poder de captação e compreensão do
mundo que lhes aparece, em suas relações com ele, não mais como
uma realidade estática, mas como uma realidade em transformação
em processo. A tendência então, do educador-educando é
estabelecerem uma forma autêntica de pensar e atuar. Pensar-se a si
mesmos e ao mundo, simultaneamente, sem dicotomizar essa ação. A
educação problematizadora se faz assim, um esforço permanente
através do qual os homens vão se percebendo, criticamente, como
estão sendo no mundo com que e em que se acham (FREIRE,1998).

Embora os benefícios do uso de contos de fadas na educação infantil sejam comprovados na realidade do sujeito, em suas perspectivas cognitivas, individuais e sociais, há crítica quanto a essa prática, justificada pelo pensamento de que o espírito lúdico, criativo, desenvolvido pela Literatura, não contribui com a objetividade estimulada na sociedade moderna. Segundo essa lógica, os contos de fadas são entendidos como bobagens e “somente contribuem para falsear o espírito, gerar nas crianças o gosto pelo maravilhoso, incliná-las à credulidade e a afogar nelas o germe de todo senso crítico” (JESUALDO 1993, p.136-137). Sob esse ângulo, novas discussões podem ser feitas, a fim de compreender os motivos pelos quais a Arte e as suas formas de manifestação carregam, na Sociedade Moderna, esse modo de entendimento.

A Literatura no Ensino Fundamental e no Ensino Médio
No ensino fundamental e no ensino médio o trabalho com a Literatura estimula a construção da autonomia dos estudantes como leitores. Motivar o hábito de leitura tanto na escola como em casa e proporcionar atividades nas quais os educandos compartilhem opiniões e pontos de vista, reconhecendo o papel social e humano que a Literatura exerce, assim como identificando temas e autores que os agradem, são princípios que fundamentam a atividade docente nessa área.
Lidar com textos variados e desafiadores à criatividade é uma proposta para o ensino, em suas diferentes etapas. Proporcionar ambientes variados para leitura, como, por exemplo, a biblioteca da escola ou do município, o pátio da escola, a natureza e a sombra de uma árvore, também são formas de aproximar os estudantes, crianças e adolescentes, da Literatura, fortalecendo o vínculo entre esses estudantes com a experiência prazerosa que o contato com o texto literário proporciona.

As bibliotecas infantis, referentes às séries iniciais do ensino fundamental, têm, dentre outras, a vantagem não só de permitir à criança um espaço com uma variedade de leituras, mas de instruírem-na, quando em idade adulta, acerca de suas preferências, uma vez que, “pela escolha feita, entre tantos livros postos à disposição, o sujeito revela o seu gosto, as suas tendências, os seus interesses” (MEIRELES, 1984, p.145). Meirelles (1984) discute a função dessas bibliotecas, pois através do contato com várias obras o estudante reconhece suas particularidades e aprimora sua percepção de mundo, também como leitor. Nesse cenário, o acesso a esses ambientes para o trabalho com a Literatura permite desenvolver a autonomia do estudante, possibilitando, consequentemente, a formação de sua personalidade, na qual ele aprende a conhecer a si mesmo de forma significativa, reconhecendo-se como indivíduo social e particular ao mesmo tempo em que identifica suas preferências, sensações e singularidades em meio à coletividade. Por essa razão, inclusive, o uso da Literatura não deve ser uma atividade obrigatória e entediante, mas, sim, significar um momento prazeroso e agradável, em que habilidades críticas e sensíveis à humanidade se constroem, baseadas na experiência com a expressão artística. Para Coelho (2000),

É ao livro, à palavra escrita, que atribuímos a maior responsabilidade
na formação da consciência de mundo das crianças e dos jovens [...] e
parece já fora de qualquer dúvida que nenhuma outra forma de ler o
mundo é tão eficaz quanto a que a Literatura permite (COELHO, 2000, p.15).

Na sequência dessa construção, o estudante não apenas amplia seu repertório de obras com o estudo da Literatura, mas começa a entender as diferentes características dos gêneros literários, como, por exemplo, suas formas de elaboração, suas intenções, o contexto social e histórico de sua composição, os temas subjacentes ao texto e ao gênero, a história de vida do autor do texto, entre outros elementos, relacionados, especialmente, ao âmbito das emoções e da fruição estética que a Literatura promove. Poderá compreender melhor determinada obra analisando seu contexto de criação e os recursos linguísticos utilizados, afinal, a possibilidade de entender os livros é um prazer que só o estudo da Literatura pode gerar, proporcionando ao leitor o autoconhecimento, fator indispensável na formação de cidadãos cientes e capazes de intervirem em processos sociais de seu tempo. Para Zilberman (1994),

A Literatura sintetiza, por meio dos recursos da ficção, uma realidade,
que tem amplos pontos de contato com o que o leitor vive
cotidianamente. Assim, por mais exacerbada que seja a fantasia do
escritor ou mais distanciadas e diferentes as circunstâncias de espaço
e tempo dentro das quais uma obra é concebida, o sintoma de sua
sobrevivência é o fato de que ela continua a se comunicar com o
destinatário atual, porque ainda fala de seu mundo, com suas
dificuldades e soluções, ajudando-o a conhecê-lo melhor
(ZILBERMAN, 1994, p. 22)

Diante dessas perspectivas com relação ao uso da Literatura como recurso para a formação do sujeito, há, porém, a resistência à tal abordagem, identificada desde a elaboração de políticas públicas para a Educação, quando estas não reconhecem o valor do subjetivo como meio para a formação humana, até as práticas cotidianas refletidas na ação docente, a qual percebe o texto literário como forma para o trabalho com aspectos gramaticais, o que pode gerar uma distorção quanto ao principal sentido da Literatura. Averbuck (1988) salienta que, com relação ao estudante:
A escola não repara em seu ser prático, não atende sua capacidade de
viver poeticamente o conhecimento e o mundo [...] O que eu pediria à
escola, se não me faltassem luzes pedagógicas, era considerar a poesia
como primeira visão direta das coisas, e depois como veículo de
informação prática e teórica, preservando em cada aluno o fundo
mágico, lúdico, intuitivo e criativo, que se identifica basicamente com a
sensibilidade poética (DRUMMOND, apud AVERBUCK, 1988, p.
66-67).
Segundo Bordini (1989), o papel da Literatura na escola não alcança seu sentido porque esta “não permite a entrada no mundo dos livros de forma completa[...]. Ensina-se Literatura para aprender gramática, [...]. Tornando-se matéria para adornar outras ciências, o texto literário se descaracteriza e afasta de si o leitor” (BORDINI, 1989, p. 9).

Nas palavras de Rubem Alves (1994),
O prazer gratuito da experiência estética e lúdica foi banido das nossas
escolas. E se alguém duvida, que olhe para os rostos amedrontados dos
nossos moços, assombrados, pelo fantasma do vestibular,
atormentados pela exigência da eficácia, fazendo coisas sem entender e
sem rir (RUBEM ALVES, 1994, p.13).

Nessa realidade, observa-se que o principal objetivo do trabalho com Literatura é o de desenvolver regras linguísticas e conteúdos gramaticais, desprezando questionamentos e opiniões dos estudantes sobre o texto literário, o que é um processo necessário para a construção do senso crítico e para a formação de novos leitores. Além disso, muitas vezes, o próprio professor encontra dificuldades para desenvolver o hábito da leitura, seja em função das prioridades que sua vida exige ou pela falta de formação docente que estimule essa prática, fato que, inevitavelmente, transparece em suas ações. Muitas vezes, preocupados em atingir o conteúdo determinado pelo currículo escolar, muitos professores afastam um leitor em potencial da experiência única de acessar o universo lúdico e estético da Literatura. A aprovação no vestibular se transforma na prioridade das aulas, mesmo que o senso crítico apurado pela Literatura também facilite muito o desempenho do estudante em qualquer concurso.
Bamberger (1986) reforça que os hábitos de leitura do professor e sua personalidade são “importantíssimos para desenvolver o interesse e o hábito de leitura nas crianças, nos adolescentes, já que sua própria educação também contribui de forma essencial para a influência que ele exerce” (BAMBERGER, 1986, p. 74).

Coutinho (1975) salienta que:
Entre nós, o que é geral é o método expositivo, são exposições
panorâmicas, em ordem cronológica, o mais dos casos reduzidos a um
catálogo de nomes e títulos de obras, acompanhadas às vezes de dados
bibliográficos, resumos de enredos ou classificação dos autores por
escolas. Não será mal dizer que nada disso é Literatura (COUTINHO,
1975, p.118).
Nesse panorama, retomar meios para o incentivo à leitura e considerar a Literatura como recurso fundamental à formação social dos indivíduos, que contemple desde a formação docente até as fases iniciais da educação, significa reconhecer a importância que essa área possui na construção do conhecimento e das relações humanas sensíveis à emoção, ao sentimento, aos valores subjetivos, independentes da lógica de produção de capital. Criar comunidades de leitores, por exemplo, tem sido um hábito cada vez mais frequente nas escolas, uma proposta que pode ser sugerida pelo educador, visto que, embora não seja o único, é ele o mediador, aquele que incentiva a turma a ler sempre, que organiza rodas de leitura, que dialoga sobre as obras e que fomenta a troca de livros, a apresentação de pontos de vista dos estudantes, o pensamento crítico e reflexivo sobre o contexto histórico, econômico e social ao qual nos submetemos. Dentre essas possibilidades de trabalho com a Literatura, observa-se que muitos gêneros literários podem ser explorados em sala de aula, aproximando o estudante a um universo repleto de questionamentos e contemplação. Segundo Dantas (1982),

Há o poeta romântico do século XIX, o romântico Vinícius de Moraes, o compositor romântico das serestas e serenatas. Há o romântico Chico Buarque de “Carolina” e o realista Chico Buarque de “Construção”. Há Camões realista de “Os Lusíadas” e o romântico de “Alma Minha Gentil” (DANTAS, 1982, p. 65).

Nessas circunstâncias, experiências que possibilitem um processo de aprendizagem sadio e edificante devem estar, assim, relacionados ao sentido que a Literatura desempenha, atribuindo a ela seu real significado para a formação humana e social dos indivíduos, pois é através da Literatura que os educandos ampliam seu universo intelectual, que fazem associações e contextualizam seu aprendizado. A diversificação dos textos literários possibilita um maior senso crítico, consolidando leitores críticos à realidade e sensíveis às diferentes formas de vida, cidadãos cientes de seus deveres e de seus direitos, e sujeitos protagonistas de sua própria história e sociedade.

Considerações Finais
O tema proposto requer uma profunda reflexão, pois envolve inúmeras variantes sociais: aluno, família, escola, educador, infância, adolescência, etc. Porém, sua importância é inquestionável. O uso da Literatura como recurso facilitador da aprendizagem, tanto em sala de aula, quanto fora dela, é de suma relevância para a formação dos sujeitos, já que desenvolve habilidades de caráter humano e social, por meio da criatividade, do lúdico, da sensibilidade.

Diante das observações e da pesquisa bibliográfica é impossível não reconhecer a necessidade do uso da Literatura de forma cada vez mais constante no ambiente escolar. Os benefícios constatados com a experiência da Literatura, desde a ampliação do vocabulário até o despertar do senso crítico, contribuem para a formação de cidadãos cientes de seu papel social e humanitário, por meio da expressão artística.

A partir do exposto, observou-se que o trabalho com Literatura em sala de aula é imprescindível. Na educação infantil, experiências com o manuseio de livros, com a contação de histórias e a exploração do universo mágico dos contos de fadas, já que desde cedo a criança já manifesta interesse pelo universo lúdico presente nas histórias, estimulam as possibilidades de reflexão e aprendizagem. No ensino fundamental, a criança constrói sua autonomia como leitora, já reconhece seus temas e autores preferidos, uma vez exposta a essas experiências. Nas séries finais, compreende melhor o contexto, já que analisa as características dos gêneros literários, iniciando o ensino da Literatura em si, também como disciplina curricular. Consequentemente, o senso crítico da criança, geralmente na fase da pré-adolescência, fica mais apurado. No ensino médio, com as experiências de leitura intensificadas, nota-se a consolidação do indivíduo como leitor.

Nesse sentido, explorar temas variados e assuntos polêmicos é uma atitude pertinente, pois possibilitará a construção de um pensamento com senso crítico refinado. Não é possível transmitir conceitos sem questioná-los, explorando a capacidade do estudante em utilizar o raciocínio e a interpretação. Essa explanação sugere que o educador esteja realmente inserido no processo de aprendizagem, interessado em possibilitar ao seu educando uma proposta séria e diferenciada. Em função disso, sugere-se um movimento nacional e local em prol do trabalho com a Literatura desde a infância, explorando todo o potencial da criança como leitora, até as últimas etapas da educação básica. Além disso, que possibilite a formação contínua de professores, bem como a estinação de recursos para as bibliotecas, a fim de atualizá-las para que possam atender à demanda vigente, uma vez que se reconheça a importância da Literatura como recurso facilitador da aprendizagem e para a formação humana e social dos sujeitos em construção.

Percepção multissensorial e criatividade

Introdução Desde a infância, percebo o mundo de maneira predominantemente multissensorial. Letras, números, formas, cores, objetos e configu...