*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.
A tese que fundamenta este blog parte de uma ideia simples e duradoura: a infância, o brincar, a cultura, a natureza e as relações humanas constituem dimensões essenciais da formação do indivíduo e da construção da vida em sociedade. Embora os contextos históricos, as tecnologias e os modos de viver se transformem, essa base permanece atual. Por isso, não se trata de uma tese vinculada a uma época específica, mas de uma perspectiva que atravessa gerações e continua encontrando sentido sempre que uma criança brinca, aprende, cria, convive e estabelece sua relação com o mundo.

A INFÂNCIA EM TRÂNSITO: MEMÓRIA, CULTURA E FUTURO

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

ALIMENTAÇÃO SUSTENTÁVEL, HORTAS E AGROECOLOGIA: PLANTAR, CULTIVAR E APRENDER A CUIDAR DA VIDA

 


Introdução: de onde vem o alimento que chega à nossa mesa?

Todos os dias, fazemos escolhas relacionadas à alimentação. Comemos frutas, verduras, legumes, cereais, feijões e muitos outros alimentos que participam de nossa cultura, de nossas relações familiares e de nossa vida em comunidade.

Mas você já parou para pensar em todo o caminho percorrido por um alimento antes de chegar ao prato?

Antes de uma fruta chegar à feira, ao mercado ou à nossa casa, pode ter sido necessário preparar o solo, plantar, irrigar, cuidar da lavoura, colher, transportar, armazenar e distribuir a produção. Nesse percurso, participam agricultores, trabalhadores rurais, transportadores, comerciantes, profissionais da alimentação e muitas outras pessoas.

A produção de alimentos também está relacionada ao uso da água, à conservação do solo, à biodiversidade, ao clima e às condições de trabalho no campo.

Por isso, falar sobre alimentação sustentável na infância é uma oportunidade de integrar educação ambiental, ciências, matemática, geografia, história, cultura, saúde, criatividade e cidadania.

As hortas escolares e comunitárias tornam essa aprendizagem ainda mais significativa. Ao plantar uma semente, acompanhar seu crescimento e observar a presença de insetos, minhocas e outros organismos, a criança percebe que a produção de alimentos depende de relações complexas entre os seres vivos e o ambiente.

Educar para uma alimentação sustentável é ajudar as crianças a compreender de onde vem o alimento, como ele é produzido, quais recursos são necessários e por que precisamos cuidar de quem produz e dos ambientes que sustentam a vida.

1. A alimentação começa na natureza

Os alimentos que consumimos têm diferentes origens. Alguns são de origem vegetal, como frutas, verduras, legumes, cereais, sementes e leguminosas. Outros são de origem animal, como ovos, leite, carnes e seus derivados.

Existem também produtos elaborados a partir da combinação de ingredientes de diferentes origens.

Para compreender a alimentação, precisamos conhecer as condições naturais e os conhecimentos humanos envolvidos na produção.

O solo fornece suporte e nutrientes às plantas. A água participa de processos essenciais ao crescimento vegetal. A luz solar permite a fotossíntese, processo pelo qual plantas, algas e alguns outros organismos produzem matéria orgânica utilizando energia luminosa.

Além disso, os seres vivos interagem entre si. Insetos podem realizar a polinização, organismos do solo participam da decomposição da matéria orgânica e diferentes espécies contribuem para o funcionamento dos ecossistemas.

Essas relações mostram que produzir alimentos não significa apenas plantar e colher. É necessário compreender e respeitar os processos naturais.

Atividade: o caminho do alimento

Escolha um alimento conhecido pelas crianças, como feijão, milho, tomate, banana ou mandioca.

Convide a turma a investigar:

  • De onde vem esse alimento?

  • Qual parte da planta é utilizada?

  • Como a planta cresce?

  • De que condições ela necessita?

  • Quem participa da produção e da distribuição?

  • Como o alimento chega à nossa comunidade?

As respostas podem ser representadas por desenhos, cartazes, sequências de imagens ou pequenos textos.

Quando possível, utilize alimentos da cultura alimentar local e valorize os conhecimentos de agricultores, feirantes e famílias, sem presumir que todas as crianças tenham as mesmas experiências.

2. Solo vivo: a base da produção de alimentos

O solo é muito mais do que terra que serve para plantar. Ele contém minerais, matéria orgânica, água, ar e uma diversidade de organismos que participam de sua formação e de seu funcionamento.

Minhocas, fungos, bactérias e outros seres vivos contribuem, de diferentes maneiras, para a decomposição da matéria orgânica e para a circulação de nutrientes.

Quando o solo é degradado pela erosão, pela compactação ou pelo manejo inadequado, sua capacidade de sustentar a vegetação pode ser prejudicada.

A conservação do solo é, portanto, uma questão importante para a produção de alimentos e para a proteção dos ecossistemas.

Atividade: observadores do solo

Com acompanhamento de um adulto, observe pequenas amostras de solo de locais diferentes, sem coletar materiais de áreas contaminadas ou ambientalmente protegidas.

Utilize recipientes transparentes e, se possível, lupas.

As crianças podem observar:

  • diferenças de cor e textura;

  • presença de raízes e restos vegetais;

  • umidade;

  • pequenos organismos visíveis;

  • diferenças entre solo coberto por vegetação e solo exposto.

Registre as observações por meio de desenhos e descrições.

Explique que a aparência, isoladamente, não permite determinar todas as características de um solo nem afirmar se ele é seguro para o cultivo de alimentos. Para uma horta, é importante utilizar substrato apropriado e conhecer a procedência dos materiais.

3. Água, plantas e ciclos naturais

A água é indispensável ao crescimento das plantas, mas isso não significa que todas necessitem da mesma quantidade. As necessidades variam conforme a espécie, a fase de desenvolvimento, o clima, o tipo de solo e as condições de cultivo.

A irrigação adequada ajuda a evitar tanto a falta quanto o excesso de água.

Também é importante compreender o ciclo da água. A evaporação, a transpiração das plantas, a condensação e a precipitação participam da circulação da água entre a superfície terrestre e a atmosfera.

A vegetação e a conservação do solo podem contribuir para a infiltração e para a manutenção de condições ambientais importantes.

Atividade: como uma planta utiliza água?

Plante sementes de uma espécie apropriada à região em recipientes semelhantes, utilizando o mesmo tipo de substrato.

Com supervisão, organize uma investigação simples, variando apenas uma condição de cultivo por vez, quando isso for adequado à espécie.

A turma pode registrar:

  • data do plantio;

  • aparecimento das primeiras folhas;

  • crescimento da planta;

  • frequência de irrigação;

  • mudanças observadas.

Não é necessário submeter as plantas à falta prolongada de água ou a condições que comprometam seu desenvolvimento. A experiência deve priorizar a observação responsável.

Os registros podem ser organizados em tabelas, calendários de crescimento e gráficos simples.

4. O que é agroecologia?

A agroecologia é uma abordagem que integra conhecimentos ecológicos, práticas agrícolas, saberes tradicionais, participação social e reflexão sobre as condições econômicas e culturais da produção de alimentos.

Ela valoriza a compreensão dos agroecossistemas, a conservação da biodiversidade, o cuidado com o solo e a água e a busca por sistemas produtivos mais sustentáveis.

A agroecologia não é simplesmente uma técnica isolada, nem significa que todos os sistemas agrícolas funcionem da mesma maneira. Trata-se de um campo amplo de conhecimentos e práticas que considera as relações entre natureza, agricultura e sociedade.

Em atividades educativas, essa abordagem ajuda a compreender que a produção de alimentos pode ser planejada de diferentes formas e que as escolhas de manejo influenciam o ambiente.

Atividade: comparar formas de cultivo

Apresente imagens ou descrições de diferentes sistemas de produção, incluindo hortas diversificadas, monoculturas e cultivos com cobertura vegetal.

Peça às crianças que observem:

  • Quantas espécies de plantas aparecem?

  • Como o solo está protegido?

  • Há sinais de diversidade de organismos?

  • Como a água pode ser utilizada?

  • Quais conhecimentos são necessários para manejar a produção?

Evite apresentar uma imagem isolada como prova definitiva de que determinado sistema é sustentável ou insustentável. A avaliação depende de vários fatores, incluindo clima, manejo, escala de produção, uso de insumos, condições de trabalho e impactos ambientais.

5. Biodiversidade na horta: nem todo inseto é uma praga

Uma horta pode abrigar uma diversidade de seres vivos. Abelhas, borboletas e outros animais podem contribuir para a polinização. Minhocas e microrganismos participam dos processos do solo. Algumas espécies alimentam-se de organismos que prejudicam as plantas.

Por outro lado, determinados organismos podem causar danos às culturas. A presença de um inseto, porém, não significa automaticamente que seja necessário eliminá-lo.

O manejo sustentável busca compreender as relações ecológicas, identificar corretamente os organismos e utilizar medidas proporcionais ao problema.

Em uma atividade infantil, não é necessário capturar ou manipular animais. A observação à distância, o uso de fotografias e os registros desenhados são alternativas seguras.

Atividade: diário dos visitantes da horta

Durante algumas semanas, a turma pode observar a presença de diferentes seres vivos nas plantas.

Registre:

  • quais organismos foram observados;

  • em quais plantas apareceram;

  • quais comportamentos foram percebidos;

  • se havia flores, folhas novas ou frutos;

  • quais perguntas surgiram.

As crianças podem criar fichas ilustradas e comparar observações realizadas em diferentes dias.

Não é preciso identificar todas as espécies. Quando houver interesse, a turma pode consultar materiais educativos confiáveis ou contar com a orientação de um profissional.

A atividade desenvolve atenção, curiosidade científica e respeito pela biodiversidade.

6. Horta escolar: aprender com as mãos, os olhos e a investigação

Uma horta escolar pode ser instalada em um canteiro, em vasos, em jardineiras ou em recipientes apropriados. O tamanho depende do espaço, da disponibilidade de água, da iluminação, das condições de segurança e da capacidade de manutenção.

Não é necessário começar com uma estrutura grande ou cara. Uma pequena horta bem cuidada pode oferecer experiências educativas valiosas.

Antes de iniciar, é importante avaliar a procedência do solo e dos recipientes, a incidência de luz, a drenagem e a disponibilidade de água segura. Materiais que possam ter contido produtos químicos não devem ser utilizados.

Também é necessário escolher espécies adequadas ao clima e à época do ano.

Atividade: planejar a primeira horta

A turma pode participar de todas as etapas:

  1. observar o espaço disponível;

  2. pesquisar plantas adequadas;

  3. escolher o tipo de recipiente ou canteiro;

  4. elaborar um desenho do projeto;

  5. definir como ocorrerá a irrigação;

  6. organizar os cuidados necessários;

  7. criar um calendário de acompanhamento.

O planejamento pode incluir medidas, quantidades de sementes, estimativas de materiais e divisão de tarefas.

As crianças devem participar de forma compatível com a idade, sem utilizar ferramentas perigosas ou produtos químicos.

7. Compostagem: transformar restos orgânicos em recursos

Restos de frutas e verduras, folhas secas e outros materiais orgânicos adequados podem ser utilizados em processos de compostagem.

A compostagem é um processo biológico de decomposição controlada da matéria orgânica, realizado por organismos decompositores em condições apropriadas.

Quando bem conduzida, pode produzir um composto útil para melhorar determinadas características do solo e reduzir a quantidade de resíduos orgânicos encaminhados à destinação final.

Entretanto, nem todo material orgânico deve ser colocado indiscriminadamente em qualquer composteira. Carnes, laticínios, alimentos gordurosos e outros resíduos podem exigir sistemas específicos. A escolha dos materiais depende do método utilizado.

Atividade: conhecer a decomposição

Para uma experiência educativa, utilize folhas secas e pequenos pedaços de material vegetal apropriado, em um recipiente adequado e supervisionado por um adulto.

Registre as mudanças ao longo do tempo, observando a alteração da aparência e da textura.

Não permita que as crianças manipulem materiais em decomposição sem orientação. A composteira deve ser mantida em condições higiênicas e afastada de alimentos prontos para consumo.

Converse com a turma:

  • Por que as folhas mudam de aparência?

  • O que significa decomposição?

  • Qual é a função dos organismos decompositores?

  • Como a compostagem pode contribuir para a gestão de resíduos?

  • Por que é necessário controlar umidade, ventilação e materiais utilizados?

A atividade aproxima a educação ambiental dos processos biológicos e mostra que muitos resíduos podem ter uma destinação útil quando manejados adequadamente.

8. Alimentos da estação, cultura alimentar e produção local

Os alimentos disponíveis variam conforme a região, o clima, a época do ano e as condições de produção e distribuição.

Conhecer os alimentos da estação pode ampliar a variedade da alimentação e facilitar o planejamento das compras. Entretanto, disponibilidade, preço e acesso também dependem da infraestrutura e das condições econômicas locais.

A alimentação está profundamente relacionada à cultura. Receitas, modos de plantar, preparar e compartilhar alimentos são transmitidos entre gerações e expressam histórias, territórios e identidades coletivas.

No Brasil, a diversidade alimentar inclui ingredientes e conhecimentos associados a diferentes povos e comunidades, entre eles povos indígenas, comunidades quilombolas, agricultores familiares e outros grupos tradicionais.

Esses conhecimentos devem ser abordados com respeito, reconhecendo a diversidade de experiências e evitando tratar comunidades diferentes como se compartilhassem uma única cultura.

Atividade: mapa dos alimentos da região

Convide a turma a investigar quais frutas, verduras, legumes e outros alimentos são produzidos ou comercializados na região.

A pesquisa pode incluir feiras, mercados, relatos voluntários de produtores e materiais educativos.

Organize um painel com:

  • nome do alimento;

  • época aproximada de maior disponibilidade;

  • formas de cultivo ou produção;

  • usos culinários;

  • receitas e tradições associadas;

  • possíveis formas de aproveitamento integral, quando seguras e adequadas.

As contribuições familiares devem ser voluntárias. Nenhuma criança deve ser obrigada a compartilhar informações pessoais, receitas ou hábitos alimentares de sua casa.

9. Desperdício de alimentos: aproveitar melhor sem comprometer a segurança

O desperdício ocorre em diferentes etapas da cadeia alimentar: produção, colheita, armazenamento, transporte, comércio, preparo e consumo.

Reduzir perdas envolve melhorar o planejamento, conservar os alimentos adequadamente, utilizar porções compatíveis com as necessidades e organizar a destinação dos resíduos.

O aproveitamento integral pode incluir partes comestíveis de determinados vegetais, desde que sejam reconhecidas como apropriadas para consumo e estejam corretamente higienizadas e preparadas.

Nem todas as cascas, folhas, sementes ou partes de uma planta são comestíveis. Por isso, qualquer atividade culinária deve utilizar ingredientes conhecidos, seguros e apropriados.

Atividade: detetives do desperdício

Com autorização da escola, observe como os alimentos são planejados e servidos durante uma refeição coletiva, sem expor individualmente o consumo das crianças.

A turma pode investigar:

  • Como as quantidades são planejadas?

  • Como os alimentos são armazenados?

  • Quais cuidados ajudam a preservar sua qualidade?

  • Que medidas poderiam reduzir perdas?

  • Como os resíduos orgânicos podem ser destinados adequadamente?

Os registros podem ser feitos com tabelas e gráficos simples.

O objetivo não é vigiar o prato das crianças ou constrangê-las por não terminarem uma refeição. Restrições alimentares, apetite, condições de saúde e necessidades individuais precisam ser respeitados.

10. Alimentação sustentável e direito à alimentação adequada

A alimentação adequada é uma condição fundamental para a saúde, o desenvolvimento e a dignidade humana.

Entretanto, nem todas as famílias têm acesso regular a alimentos suficientes, variados e de qualidade. A insegurança alimentar está relacionada a fatores econômicos, sociais, territoriais e políticos.

Por isso, o debate sobre alimentação sustentável não pode se limitar a recomendar que as pessoas comprem determinados produtos ou adotem hábitos que podem não estar ao seu alcance.

É necessário considerar o acesso a alimentos, o preço, a disponibilidade local, as condições de trabalho, a agricultura familiar, os sistemas de abastecimento e as políticas públicas.

Também é importante respeitar diferenças culturais, necessidades nutricionais, alergias, restrições alimentares e preferências individuais.

A escola pode abordar esses temas de maneira educativa, sem classificar alimentos ou famílias como moralmente superiores ou inferiores.

Atividade: o que torna um sistema alimentar sustentável?

Organize uma conversa a partir de situações fictícias envolvendo produção, transporte, comércio, preparação e consumo.

Os grupos podem analisar:

  • Como os alimentos foram produzidos?

  • Que recursos foram utilizados?

  • Como foram transportados e armazenados?

  • Houve desperdício?

  • Os trabalhadores tiveram condições adequadas?

  • O alimento é acessível à comunidade?

  • Que melhorias poderiam ser propostas?

A atividade mostra que a sustentabilidade alimentar envolve dimensões ambientais, sociais, culturais e econômicas.

11. Matemática, ciência e linguagem na horta

Uma horta é um laboratório interdisciplinar ao ar livre.

Na matemática, as crianças podem medir canteiros, comparar alturas de plantas, contar sementes, organizar calendários, calcular quantidades e construir gráficos.

Em ciências, podem estudar germinação, fotossíntese, necessidades das plantas, biodiversidade, decomposição e relações ecológicas.

Na geografia, podem investigar clima, solo, uso da terra, produção local e distribuição dos alimentos.

Na história, podem conhecer mudanças nas práticas agrícolas, nos hábitos alimentares e nos sistemas de produção.

Na língua portuguesa, podem escrever diários de observação, instruções de cultivo, relatórios, entrevistas e pequenos textos informativos.

Nas artes, podem criar ilustrações botânicas, placas para os canteiros, desenhos científicos e registros visuais.

Atividade: caderno de campo

Cada criança ou grupo mantém um caderno de observação da horta.

O registro pode incluir:

  • data;

  • planta observada;

  • desenho;

  • medidas;

  • condições do ambiente;

  • mudanças percebidas;

  • perguntas;

  • hipóteses e conclusões.

O caderno permite acompanhar o desenvolvimento do pensamento científico, valorizando tanto as descobertas quanto as perguntas que permanecem sem resposta.

12. Sequência didática interdisciplinar

A proposta pode ser desenvolvida em cinco encontros, adaptados à faixa etária e às condições da instituição.

Encontro 1 - De onde vêm os alimentos?

Investigação sobre a origem dos alimentos, suas etapas de produção e as pessoas envolvidas.

Áreas: ciências, geografia, história e linguagem.

Encontro 2 - Solo, água e biodiversidade

Observação de materiais, investigação sobre as necessidades das plantas e registro dos seres vivos presentes no ambiente.

Áreas: ciências, matemática e educação ambiental.

Encontro 3 - Planejamento e plantio da horta

Escolha das espécies, elaboração de um projeto, plantio e organização do calendário de cuidados.

Áreas: matemática, ciências, artes e planejamento.

Encontro 4 - Compostagem e redução do desperdício

Discussão sobre resíduos orgânicos, conservação de alimentos e destinação adequada.

Áreas: ciências, linguagem, cidadania e educação ambiental.

Encontro 5 - Feira de descobertas

Apresentação dos registros, desenhos, tabelas, experiências e propostas de melhoria.

Áreas: todas as anteriores, com destaque para comunicação, cooperação e argumentação.

A sequência pode ser ampliada com visitas autorizadas, entrevistas com produtores, participação de famílias voluntárias e colaboração com profissionais da agricultura e da alimentação.

13. Inclusão, acessibilidade e participação

A horta escolar deve ser planejada para permitir que todas as crianças participem de forma significativa.

Isso exige considerar a altura dos canteiros, a largura dos caminhos, a acessibilidade dos espaços, a possibilidade de utilizar ferramentas adaptadas e a oferta de diferentes formas de participação.

Algumas crianças podem plantar; outras podem observar, registrar medidas, desenhar, fotografar, organizar informações ou acompanhar o crescimento das plantas.

Para crianças com deficiência visual, podem ser utilizados modelos táteis, descrições verbais e recursos sensoriais seguros. Para crianças com dificuldades motoras, podem ser oferecidos recipientes acessíveis e ferramentas adequadas. Para aquelas que necessitam de apoio à comunicação, podem ser usados cartões ilustrados, sequências visuais e recursos de comunicação alternativa.

Também é importante observar alergias, sensibilidades sensoriais, riscos relacionados a plantas específicas e necessidades individuais de apoio.

A participação não deve depender de uma única habilidade física ou forma de comunicação. Cada criança precisa ter oportunidades reais de investigar, tomar decisões e contribuir com o grupo.

14. Como avaliar a aprendizagem?

A avaliação pode acompanhar todo o processo, desde as primeiras perguntas até a apresentação dos resultados.

Observe se as crianças conseguem:

  • explicar, de maneira adequada à idade, de onde vêm os alimentos;

  • reconhecer a importância do solo, da água e da biodiversidade;

  • registrar mudanças no desenvolvimento das plantas;

  • compreender o papel da decomposição e da compostagem;

  • identificar possibilidades de reduzir o desperdício;

  • relacionar alimentação, cultura, trabalho e ambiente;

  • elaborar perguntas e hipóteses;

  • trabalhar em equipe e apresentar descobertas;

  • propor cuidados para a horta e para a comunidade.

Não é necessário avaliar o sucesso da aprendizagem apenas pela quantidade de alimentos colhidos. Uma horta pode enfrentar dificuldades de clima, espaço, pragas ou manutenção. Mesmo quando a produção é pequena, a investigação pode ser rica e educativa.

15. Projeto prático: Da Semente à Mesa - uma experiência de sustentabilidade

O projeto pode unir horta, alimentação, ciência, cultura e cidadania em uma atividade de médio prazo.

Etapa 1 -  Investigar: pesquisar alimentos da região, suas origens e as condições necessárias à produção.

Etapa 2 - Planejar: escolher espécies adequadas, avaliar o espaço, organizar materiais e estabelecer um calendário de cuidados.

Etapa 3 - Cultivar: acompanhar a germinação e o desenvolvimento das plantas, registrando as observações.

Etapa 4 - Estudar: investigar biodiversidade, solo, água, decomposição, trabalho agrícola e redução de perdas.

Etapa 5 - Compartilhar: apresentar as descobertas por meio de uma exposição, um mural, um caderno de campo ou uma feira pedagógica.

Etapa 6 - Avaliar: discutir o que foi aprendido, quais dificuldades surgiram e como o projeto pode continuar.

Se houver colheita e atividade culinária, será necessário seguir as normas de higiene e segurança alimentar, verificar a procedência dos materiais utilizados e respeitar alergias e restrições. A degustação não deve ser obrigatória.

O projeto pode ser realizado mesmo sem uma horta permanente. Vasos, observações de plantas existentes e investigações sobre alimentos locais também permitem desenvolver os objetivos pedagógicos.

Conclusão: plantar conhecimento para colher possibilidades

A alimentação sustentável nos ajuda a compreender que a vida cotidiana está conectada aos ciclos da natureza, ao trabalho humano, à cultura e à organização da sociedade.

Uma semente pode ensinar sobre germinação e tempo. Uma minhoca pode despertar perguntas sobre o solo. Uma horta pode transformar medidas matemáticas em experiências concretas. Uma receita tradicional pode abrir caminhos para estudar história e diversidade cultural. A investigação sobre o desperdício pode levar a propostas de melhoria na escola.

Essas experiências também podem despertar interesses por agricultura, biologia, gastronomia, nutrição, engenharia de alimentos, agroecologia, pesquisa científica, educação ambiental e empreendedorismo sustentável.

Quando as crianças participam de projetos que envolvem observação, planejamento, experimentação e cooperação, desenvolvem conhecimentos que podem acompanhá-las por toda a vida.

O que a criança aprende hoje sobre plantar, investigar, respeitar a biodiversidade e cuidar dos alimentos pode se transformar em consciência ambiental, autonomia, criatividade e até em uma futura profissão.

Educar para a alimentação sustentável é cultivar muito mais do que plantas. É cultivar conhecimentos, relações, responsabilidade e possibilidades de transformação social.


Aprender brincando, cultivar ideias e transformar o cuidado com a vida em conhecimento para o futuro.

Referências para aprofundamento

  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

  • BRASIL. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

  • BRASIL. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e o Programa Nacional de Alimentação Escolar, com alterações posteriores.

  • FAO — Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Materiais educativos sobre sistemas alimentares sustentáveis, agricultura e segurança alimentar.

  • ONU. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 2 — Fome Zero e Agricultura Sustentável, e o ODS 12 - Consumo e Produção Responsáveis.

  • EMBRAPA. Materiais técnicos e educativos sobre hortas, solos, compostagem e práticas agrícolas sustentáveis.

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