Arte, natureza, alimentação e sustentabilidade a partir da horta
A horta pode ser compreendida como um espaço educativo, sensorial e cultural, no qual natureza, alimentação, arte e relações humanas se encontram. Mais do que produzir alimentos, uma horta possibilita observar ciclos de vida, reconhecer espécies, acompanhar transformações, compreender a relação entre água, solo, luz, plantas, insetos e seres humanos e perceber que aquilo que chega à mesa resulta de processos que envolvem tempo, cuidado e trabalho.
A proposta “Ode à Horta Encantada” parte da poesia como instrumento de sensibilização e amplia a experiência por meio da produção artística. A criança observa a horta, identifica formas, cores, texturas e aromas e, posteriormente, transforma essas referências em objetos tridimensionais confeccionados artesanalmente.
ODE À HORTA ENCANTADA
No cantinho do quintal ou da escola animada,
mora a Horta - verdinha, bonita e cuidada.
Com suas folhas dançando ao vento,
é um jardim de alimento e encantamento!
Salve, ó Horta cheia de vida,
tua missão é nobre e querida!
Doce cenoura, alface faceira,
manjericão perfumado, pimenta ligeira.
Sol lá no alto dá luz dourada,
a chuva molha a terra encantada.
A minhoca cava túneis com alegria,
e a abelha visita flor todo dia!
Na horta, a criança aprende e descobre
que o simples plantar faz o futuro mais nobre.
Com carinho, a gente rega e colhe,
e vê que da terra brota o que nos escolhe.
Oh, horta, teu canto é puro e forte,
ensinas que a vida vem da sorte...
mas também vem do amor, do tempo e da mão
que semeia esperança em cada estação.
ATIVIDADE - FRUTOS DA HORTA ENCANTADA
A atividade propõe a construção de frutos tridimensionais em papel machê, posteriormente pintados com cores vivas. O objetivo não é apenas produzir uma peça decorativa, mas estabelecer uma relação entre observação, matéria, forma, cor, volume, transformação e conhecimento.
A criança pode observar frutos reais, fotografias ou ilustrações e investigar suas características: formato, tamanho, textura, cores, partes externas e internas, sementes e diferenças entre espécies. Em seguida, essas informações são utilizadas como referência para a construção dos modelos.
Materiais
Papel reutilizado, jornal ou folhas destinadas ao descarte; papelão para estruturas, quando necessário; fita adesiva; cola para papel machê; água; recipientes para preparação da massa; pincéis; tinta; lápis; tesoura de uso adequado à faixa etária; base para secagem e materiais de proteção da superfície de trabalho.
Os materiais previamente selecionados, limpos e destinados à atividade podem ser utilizados como matéria-prima para a construção, evidenciando o princípio da ressignificação: um material que perderia sua função inicial passa a integrar uma nova produção artística e pedagógica.
Desenvolvimento
Primeiramente, apresenta-se o poema “Ode à Horta Encantada”, realizando uma leitura compartilhada. A conversa pode abordar quais plantas, frutos, sementes e pequenos animais aparecem no poema e quais deles podem ser encontrados em uma horta real.
Na segunda etapa, realiza-se a observação. As crianças podem examinar frutos naturais, imagens ou exemplares disponíveis, identificando formas e cores. A observação antecede a construção para que o objeto produzido tenha relação com aquilo que foi investigado.
Na terceira etapa, inicia-se a modelagem. O papel é amassado, estruturado e revestido progressivamente com papel machê até adquirir o volume desejado. Após a secagem completa, a superfície recebe pintura.
A etapa da pintura permite investigar cores, contrastes, luminosidade e composição. As cores vivas podem ser utilizadas para enfatizar a dimensão lúdica e expressiva da proposta, sem perder a relação com as características observadas nos frutos.
Ao final, os frutos podem compor uma Horta Encantada tridimensional, uma instalação artística, um cenário para contação de histórias, uma exposição ou parte de uma experiência teatral.
DO FRUTO REAL AO OBJETO ARTÍSTICO
A sequência estabelece um percurso de aprendizagem:
observar → identificar → pesquisar → selecionar materiais → estruturar → modelar → esperar → pintar → compor → apresentar → documentar.
Nesse processo, a criança percebe que criar envolve transformação, planejamento, experimentação e tempo. O papel deixa de ser apenas papel e passa a constituir uma forma tridimensional; a forma recebe cor; a cor comunica; o conjunto transforma o espaço.
A atividade também possibilita trabalhar conceitos de educação ambiental, sustentabilidade, alimentação, botânica, percepção sensorial, artes visuais, geometria, volume, cores, coordenação motora, linguagem e cultura.
A HORTA COMO ESPAÇO DE RELAÇÕES HUMANAS
A horta também introduz uma dimensão social. Plantar, cuidar, esperar, colher e compartilhar são ações que envolvem responsabilidade e cooperação. O alimento deixa de ser percebido apenas como produto final e passa a ser compreendido como resultado de uma cadeia de relações entre natureza, trabalho, conhecimento e comunidade.
Nesse sentido, a proposta relaciona sustentabilidade ambiental à sustentabilidade das relações humanas: cuidar da terra, dos materiais, dos alimentos, dos espaços e das pessoas faz parte de um mesmo processo de construção de legado.
A produção dos frutos em papel machê amplia essa reflexão. A criança não apenas representa um alimento; ela registra, por meio da matéria, aquilo que observou e aprendeu.
A Horta Encantada torna-se, assim, um território de investigação e criação: a natureza fornece o tema, a observação produz conhecimento, o material oferece possibilidades e a arte transforma a experiência em memória.
Brincadeira Sustentável não é apenas reaproveitar materiais. É investigar, transformar, criar significado e compreender que aquilo que seria descartado também pode participar da construção de conhecimento, cultura e memória.
