A investigação das texturas permite explorar conceitos matemáticos por meio da percepção tátil, da observação e da comparação de propriedades dos materiais. Superfícies lisas, rugosas, macias, ásperas, rígidas ou flexíveis oferecem informações que podem ser organizadas, classificadas e descritas. Ao reconhecer semelhanças e diferenças, a criança desenvolve procedimentos de comparação, categorização e construção de critérios, articulando experiências sensoriais, linguagem, pensamento lógico e investigação científica.
A classificação de materiais por textura constitui uma atividade de organização de dados. Uma mesma coleção pode ser agrupada segundo diferentes propriedades: textura, forma, tamanho, peso ou flexibilidade. Essa possibilidade permite investigar como os critérios influenciam a organização de um conjunto e como um elemento pode pertencer a diferentes categorias conforme a característica analisada. A comparação entre superfícies também favorece a construção de vocabulário descritivo e a elaboração de hipóteses sobre os materiais, suas características e seus usos.
As texturas podem ser organizadas em sequências e padrões. A alternância entre uma superfície lisa e outra rugosa, por exemplo, permite criar regularidades que podem ser identificadas, reproduzidas e ampliadas. Com crianças maiores, é possível registrar as classificações em tabelas simples, contar elementos de cada grupo e comparar quantidades. A proposta integra, assim, percepção sensorial, matemática, linguagem e conhecimento dos materiais, sem exigir que a aprendizagem dependa exclusivamente do contato tátil.
Sequência didática: laboratório de texturas. Inicialmente, o educador apresenta uma coleção de materiais seguros, como tecidos, papéis, papelão e elementos naturais selecionados, limpos e adequados à faixa etária. As crianças exploram as superfícies com as mãos ou por observação visual, conforme suas preferências e possibilidades, e descrevem as características percebidas. Em seguida, organizam os materiais por critérios próprios e explicam suas escolhas. Na etapa seguinte, o educador propõe a construção de sequências com diferentes texturas e incentiva a identificação da regularidade. As crianças podem representar os resultados por desenhos, símbolos ou tabelas simples, comparando a quantidade de elementos em cada categoria. Para concluir, cada participante apresenta sua organização e explica quais critérios utilizou e se precisou modificá-los durante a investigação.
A avaliação deve considerar a capacidade de observar, comparar, classificar, reconhecer padrões e comunicar descobertas. O educador pode registrar as estratégias utilizadas, as hipóteses formuladas e as mudanças de critério realizadas durante a atividade. É fundamental respeitar diferenças sensoriais e não obrigar o contato com determinadas superfícies. A exploração pode ser adaptada com instrumentos, luvas, observação visual, descrição verbal ou outros recursos acessíveis, de acordo com as necessidades de cada criança.
Na perspectiva da Brincadeira Sustentável, materiais reaproveitados e resíduos limpos selecionados podem adquirir função investigativa, desde que apresentem condições adequadas de higiene e segurança. A proposta não se limita à montagem de painéis táteis: busca transformar a experiência sensorial em oportunidade de classificação, análise, representação e construção de conhecimento. Dessa forma, a matemática se aproxima do cotidiano e contribui para uma educação que articula autonomia, inclusão, criatividade e responsabilidade ambiental.
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