As dobraduras constituem um recurso pedagógico para investigar conceitos matemáticos por meio da manipulação, da observação e da experimentação. Ao dobrar uma folha de papel, a criança produz linhas, identifica regiões, compara formas e percebe relações espaciais que podem ser exploradas progressivamente na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A atividade permite relacionar geometria, coordenação motora, percepção visual, raciocínio lógico e criação artística, sem reduzir a experiência à reprodução de modelos prontos.
Cada dobra pode ser compreendida como uma operação geométrica. A linha formada funciona como eixo de referência e permite observar a simetria quando duas partes da folha coincidem. As marcas produzidas também favorecem a investigação de retas, segmentos, vértices, ângulos e figuras planas. Ao abrir novamente o papel, a criança pode comparar as regiões obtidas, identificar repetições e reconhecer transformações na organização da superfície. Dobras sucessivas possibilitam ainda explorar metades, quartos e outras divisões, estabelecendo relações intuitivas entre geometria e frações.
Na proposta Brincadeira Sustentável, o papel utilizado pode vir de folhas já impressas em uma das faces, sobras de atividades ou outros materiais limpos e adequados à manipulação. A escolha deve considerar a segurança, a resistência e a faixa etária das crianças. O material não precisa ser novo para cumprir sua função pedagógica: sua utilização planejada contribui para a educação ambiental e demonstra como recursos cotidianos podem adquirir novos usos por meio da investigação e da criação.
Sequência didática: investigar a geometria por meio das dobraduras. Inicialmente, o educador apresenta folhas de papel e propõe que as crianças explorem diferentes maneiras de dobrá-las, sem oferecer um modelo único. Em seguida, solicita que observem as marcas formadas, comparem as partes e expliquem o que mudou na folha. Na etapa seguinte, orienta a realização de uma dobra ao meio e a verificação da coincidência entre as duas partes, introduzindo a ideia de simetria. Depois, propõe novas dobras para produzir diferentes regiões e investigar formas geométricas, ângulos e divisões. Por fim, cada criança cria uma composição própria e relata as estratégias utilizadas. O educador registra as observações, as hipóteses e as dificuldades, considerando tanto o processo de investigação quanto o resultado final.
A avaliação deve acompanhar a capacidade de observar, comparar, antecipar resultados, testar possibilidades e comunicar descobertas. Mais do que verificar se a criança reproduziu corretamente uma figura, importa identificar como ela compreende as relações espaciais e modifica suas estratégias diante de novos desafios. As dobraduras demonstram, assim, que a aprendizagem matemática pode emergir de experiências concretas, articulando pensamento, movimento, linguagem e imaginação.