Existe um gesto simples que quase ninguém aplaude: varrer o chão.
É silencioso, cotidiano, repetido todos os dias e justamente por isso, muitas vezes invisível. Mas quem varre não está limpando apenas um espaço individual. Está cuidando do lugar que é de todos. Está exercendo cidadania na prática.
A civilização não se constrói apenas com grandes discursos, leis complexas ou projetos grandiosos. Ela nasce também dos pequenos atos que sustentam a convivência coletiva: recolher o lixo, preservar o espaço comum, respeitar quem cuida da cidade e reconhecer que cada função tem dignidade e importância social.
Quando entendemos que a pessoa que varre o chão não o faz apenas para si mesma, mas para toda a comunidade, ampliamos nosso olhar sobre o que significa viver em sociedade. O trabalho que parece simples se revela como um gesto profundo de responsabilidade coletiva, uma forma concreta de dizer: “eu me importo com o mundo que compartilhamos”.
Valorizar esse trabalho é também questionar hierarquias invisíveis que desvalorizam funções essenciais. Não existe civilização sem cuidado. Não existe cidadania sem reconhecimento mútuo. O chão limpo que atravessamos diariamente carrega a marca de alguém que dedicou tempo, corpo e atenção para que o espaço comum fosse possível.
Educar para a cidadania é ensinar que ninguém cuida sozinho do mundo. É compreender que toda ação que melhora o coletivo por menor que pareça, sustenta a vida em comunidade. Quando respeitamos e valorizamos quem cuida dos espaços, também aprendemos a cuidar melhor deles.
Talvez a verdadeira civilização comece justamente ali: no gesto humilde que mantém o chão firme para todos caminharem. Porque quem varre o chão, no fundo, ajuda a sustentar a própria ideia de nação, uma rede de pessoas que constroem juntas o lugar onde vivem.

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