*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.
A tese que fundamenta este blog parte de uma ideia simples e duradoura: a infância, o brincar, a cultura, a natureza e as relações humanas constituem dimensões essenciais da formação do indivíduo e da construção da vida em sociedade. Embora os contextos históricos, as tecnologias e os modos de viver se transformem, essa base permanece atual. Por isso, não se trata de uma tese vinculada a uma época específica, mas de uma perspectiva que atravessa gerações e continua encontrando sentido sempre que uma criança brinca, aprende, cria, convive e estabelece sua relação com o mundo.

A INFÂNCIA EM TRÂNSITO: MEMÓRIA, CULTURA E FUTURO

sábado, 3 de outubro de 2026

Obras de arte podem ser abstratas


Faixa etária: Educação Infantil

Atividade: Pintura coletiva com tinta guache, utilizando dedos e pincéis, com exploração de cores e misturas.

Objetivos: Explorar a tinta guache utilizando os dedos e o pincel para produzir diferentes marcas, linhas e manchas; identificar e nomear algumas cores utilizadas durante a pintura; experimentar a mistura de duas ou mais cores e observar as novas tonalidades produzidas; comparar as cores antes e depois das misturas, percebendo mudanças de tonalidade; realizar escolhas de cores e instrumentos durante a produção da pintura; explorar diferentes movimentos com dedos e pincéis sobre o suporte; participar da construção de uma pintura coletiva, compartilhando o espaço e os materiais com os colegas; observar a produção final e comentar sobre as cores, misturas e marcas presentes na pintura; reconhecer que uma obra de arte pode apresentar cores, linhas, formas e manchas sem representar necessariamente uma figura conhecida.

Materiais: Tinta guache; pincéis de diferentes tamanhos; papel de grande formato ou outro suporte adequado; recipientes para as tintas; água; materiais para proteção das roupas e da superfície de trabalho.

Desenvolvimento: A atividade inicia-se com a apresentação das tintas e a observação das cores disponíveis. O professor pode conversar com as crianças sobre as cores que reconhecem e propor pequenas experiências de mistura, permitindo que observem a formação de novas tonalidades. Em seguida, o grupo é convidado a realizar uma pintura coletiva utilizando tinta guache, dedos e pincéis. As crianças podem experimentar diferentes movimentos, produzindo linhas, manchas, formas e sobreposições de cores, sem a necessidade de representar uma figura específica ou reproduzir um modelo.

Durante a produção, o professor acompanha as descobertas realizadas pelas crianças e estimula a observação das transformações provocadas pelas misturas. Perguntas como “O que aconteceu quando misturamos essas duas cores?”, “Que cor apareceu?”, “Como podemos produzir uma marca diferente com o pincel?” e “O que acontece quando usamos o dedo em vez do pincel?” favorecem a investigação e a verbalização das descobertas.

A pintura é construída coletivamente, possibilitando que as crianças compartilhem o suporte, os materiais e o espaço de criação. A proposta valoriza o processo de experimentação e as escolhas realizadas durante a produção, e não a obtenção de um resultado previamente determinado.

Arte abstrata: As obras de arte podem apresentar diferentes formas de representação. Na arte abstrata, cores, linhas, formas, manchas, texturas e movimentos podem constituir a própria composição, sem a necessidade de representar fielmente pessoas, objetos ou paisagens. Na Educação Infantil, esse conceito pode ser introduzido por meio da observação e da experimentação, respeitando a capacidade de percepção e expressão de cada criança.

Apreciação: Após a finalização, a pintura pode ser apresentada ao grupo para uma apreciação coletiva. As crianças são convidadas a observar as cores, misturas, linhas, manchas e sobreposições presentes na produção e a comentar suas descobertas. O professor pode registrar falas e observações relevantes, valorizando diferentes percepções sobre uma mesma produção artística.

Indicadores de observação: Explora a tinta com dedos e pincéis; identifica e nomeia cores; experimenta misturas; percebe mudanças de tonalidade; produz diferentes marcas e movimentos; realiza escolhas durante a atividade; compartilha materiais e espaço; participa da construção coletiva; observa a produção final; comenta sobre cores, misturas e marcas presentes na pintura.

Avaliação: A avaliação ocorre por meio da observação do processo, considerando a participação, a exploração dos materiais, a identificação e combinação de cores, a percepção das transformações provocadas pelas misturas, a autonomia nas escolhas, a interação com os colegas e a capacidade de observar e comentar a produção artística.

BNCC: A proposta articula experiências relacionadas aos campos de experiências “Traços, sons, cores e formas”, “O eu, o outro e o nós” e “Corpo, gestos e movimentos”, contemplando a exploração de materiais, cores, formas e diferentes possibilidades de expressão artística, além da interação e da participação em uma produção coletiva.


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Pintura coletiva na Educação Infantil é uma atividade riquíssima para estimular criatividade, socialização e coordenação motora, além de promover o trabalho em equipe

PINTURA COLETIVA: ARTE, COOPERAÇÃO E CONSTRUÇÃO COMPARTILHADA

Faixa etária: 3 a 6 anos

A pintura coletiva é uma experiência de criação artística na qual o processo possui tanta importância quanto o resultado. Ao compartilhar um mesmo suporte, materiais, cores e espaço de criação, as crianças experimentam diferentes possibilidades de expressão visual e, simultaneamente, desenvolvem formas de interação, negociação, cooperação e respeito pela produção dos outros.

A proposta pode ser realizada com papel kraft, cartolina ou outros suportes de grande dimensão, transformando a superfície em um campo de experimentação. Pincéis, rolinhos, esponjas, carimbos e outros instrumentos ampliam as possibilidades de gesto, movimento, textura e composição.

Objetivos pedagógicos: estimular a expressão artística e a criatividade; ampliar a coordenação motora ampla e fina; explorar cores, formas, marcas, texturas e diferentes modos de aplicação da tinta; favorecer a interação e a cooperação; desenvolver a percepção espacial; incentivar a comunicação e a construção de significados a partir da produção visual.

Campos de Experiência relacionados à BNCC: O eu, o outro e o nós, ao favorecer interações, compartilhamento e construção coletiva; Corpo, gestos e movimentos, pela exploração corporal e motora envolvida nos diferentes gestos de pintar; e Traços, sons, cores e formas, pela investigação de materiais, cores, formas, superfícies e possibilidades de expressão artística.

Materiais: papel kraft ou cartolina de grande dimensão; tintas guache adequadas à faixa etária; pincéis de diferentes tamanhos; rolinhos; esponjas; carimbos; recipientes para água; panos; aventais ou camisetas usadas para proteção.

Desenvolvimento: inicialmente, o espaço deve ser organizado de maneira que permita a circulação e o acesso simultâneo das crianças ao suporte. O papel pode ser colocado no chão ou fixado em uma parede baixa, conforme as condições do ambiente. O professor apresenta a proposta, explicando que o suporte será compartilhado e que cada criança poderá deixar suas marcas, observando também as intervenções realizadas pelos colegas.

Na etapa de exploração, as crianças experimentam cores, instrumentos, movimentos e diferentes formas de aplicação da tinta. O professor acompanha o processo sem determinar previamente o que cada criança deve desenhar, realizando intervenções que favoreçam a observação, a comunicação e a investigação: “O que acontece quando essas cores se encontram?”, “Que marca esse instrumento produz?”, “Como podemos ocupar esse espaço?”, “O que mudou depois que outra criança pintou aqui?”.

A atividade pode incorporar elementos naturais previamente selecionados e higienizados, como folhas, galhos ou outros materiais adequados para impressão e composição. Dessa maneira, a experiência também pode estabelecer relações com a educação ambiental e com a ressignificação de materiais, aproximando-se da perspectiva da Brincadeira Sustentável.

No encerramento, o grupo observa a produção conjuntamente. Mais importante do que identificar um significado único para a imagem é possibilitar que as crianças relatem suas escolhas, percebam transformações ocorridas durante o processo e reconheçam a participação dos colegas. A pintura passa, assim, a funcionar também como registro visual de uma experiência compartilhada.

Possibilidades de investigação: a proposta pode partir de um tema, como “A floresta dos animais”, “O fundo do mar”, “O céu”, “O lugar onde vivemos” ou “As cores da natureza”. Também pode ser realizada sem tema definido, permitindo que a composição surja progressivamente das ações das próprias crianças. Música, literatura, elementos naturais e objetos de diferentes texturas podem ampliar a experiência sensorial e interdisciplinar.

Objetivos de avaliação

A avaliação tem caráter processual, formativo e qualitativo, acompanhando as experiências, descobertas e formas de participação de cada criança. Busca-se observar:

  • Expressão e criatividade: como a criança utiliza cores, formas, marcas e texturas para comunicar ideias, sensações e interesses.

  • Exploração dos materiais: sua iniciativa para experimentar diferentes instrumentos, superfícies e possibilidades de pintura.

  • Desenvolvimento motor: como utiliza e coordena movimentos amplos e habilidades manuais durante a exploração dos materiais.

  • Autonomia: sua capacidade de fazer escolhas, iniciar ações, experimentar possibilidades e participar das diferentes etapas da proposta.

  • Interação social: como compartilha materiais e espaço, estabelece relações com os colegas e participa da construção coletiva.

  • Cooperação e respeito: como considera as ações dos outros, negocia o uso dos recursos e reconhece a produção dos colegas.

  • Comunicação e linguagem: como fala sobre suas experiências, explica escolhas, interpreta a produção e participa das conversas coletivas.

  • Percepção e investigação: como observa transformações nas cores, marcas, texturas e formas produzidas durante a atividade.

  • Participação: o nível de envolvimento da criança, respeitando diferentes ritmos, interesses, possibilidades e formas de expressão.

  • Construção coletiva: como a criança percebe sua contribuição e compreende que a produção final resulta da participação de diferentes pessoas.

A avaliação deve considerar o percurso de cada criança, evitando comparações entre os participantes e valorizando avanços, iniciativas, estratégias e diferentes modos de participação.

Indicadores de observação

Durante a atividade, o professor poderá observar e registrar se a criança:

Expressão artística e exploração

  • Explora espontaneamente cores, formas, marcas e texturas.

  • Experimenta diferentes materiais e instrumentos de pintura.

  • Demonstra curiosidade diante das possibilidades oferecidas pelos materiais.

  • Realiza escolhas próprias de cores e ferramentas.

  • Cria marcas e composições sem depender de um modelo pronto.

  • Percebe e comenta mudanças provocadas pela mistura ou sobreposição de cores.

Coordenação e exploração corporal

  • Manipula pincéis, rolinhos, esponjas e carimbos de diferentes maneiras.

  • Experimenta movimentos amplos e pequenos durante a pintura.

  • Demonstra progressivamente maior controle dos instrumentos.

  • Ajusta seus movimentos de acordo com o espaço disponível.

  • Explora diferentes posições corporais para realizar a atividade.

Interação e cooperação

  • Compartilha materiais e espaço com os colegas.

  • Espera, negocia ou solicita o uso de determinado material.

  • Observa e respeita as marcas realizadas pelas outras crianças.

  • Participa da construção de uma produção comum.

  • Demonstra disposição para colaborar com os colegas.

  • Percebe que suas ações interferem na produção coletiva.

Comunicação e linguagem

  • Fala sobre o que está pintando ou experimentando.

  • Nomeia ou reconhece cores, formas e elementos presentes na produção.

  • Explica suas escolhas ou atribui significados às próprias marcas.

  • Escuta e comenta as ideias dos colegas.

  • Participa da conversa sobre a obra finalizada.

Autonomia e participação

  • Escolhe materiais e formas de utilização com crescente autonomia.

  • Envolve-se na atividade durante diferentes etapas.

  • Demonstra iniciativa para experimentar novas possibilidades.

  • Participa da organização e/ou limpeza dos materiais, de acordo com suas possibilidades.

  • Demonstra interesse em observar o resultado coletivo.

Relação com a proposta coletiva

  • Reconhece sua participação na produção do grupo.

  • Identifica ou comenta contribuições realizadas pelos colegas.

  • Percebe transformações ocorridas na pintura ao longo do processo.

  • Demonstra satisfação ou interesse ao observar a obra coletiva.

  • Participa da construção de narrativas e significados para a produção.

Registro sugerido: os indicadores podem ser utilizados como referência para anotações descritivas, fotografias, registros das falas das crianças e documentação pedagógica. O professor pode registrar situações significativas em vez de simplesmente marcar “sim” ou “não”, acompanhando os avanços e as diferentes formas de participação de cada criança.

Cuidados de segurança

  • Utilizar somente tintas e materiais adequados à faixa etária, preferencialmente atóxicos e identificados para uso infantil.

  • Manter os materiais sob supervisão constante de um adulto.

  • Evitar materiais que possam apresentar risco de corte, perfuração, ingestão ou engasgo.

  • Verificar previamente se pincéis, carimbos e outros instrumentos estão em boas condições.

  • Manter a área de circulação livre e o piso protegido e seco.

  • Orientar as crianças a não colocar tintas, pincéis ou outros materiais na boca.

  • Higienizar os materiais após o uso e lavar as mãos das crianças ao final.

  • Considerar possíveis alergias ou sensibilidades a tintas, materiais naturais e outros elementos utilizados.

  • Verificar folhas, galhos e outros elementos naturais antes de utilizá-los, retirando materiais com espinhos, farpas, insetos ou outras características que possam oferecer risco.

Acessibilidade e inclusão

A atividade deve ser organizada para que todas as crianças possam participar do processo de criação, respeitando diferentes formas de comunicação, movimento, percepção e expressão.

  • Garantir espaço adequado para circulação e posicionamento.

  • Disponibilizar o painel em altura acessível às diferentes crianças.

  • Oferecer pincéis e instrumentos com diferentes tamanhos, formatos e espessuras.

  • Utilizar adaptações, como engrossadores de cabo, quando necessário.

  • Permitir diferentes formas de produzir marcas, utilizando pincéis, rolinhos, esponjas, carimbos ou outros recursos.

  • Para crianças com deficiência visual, explorar contrastes, texturas e experiências táteis, acompanhadas de descrição verbal quando pertinente.

  • Para crianças com deficiência auditiva, utilizar demonstrações visuais, gestos, imagens ou outros recursos de comunicação disponíveis.

  • Respeitar diferentes tempos de participação, oferecendo pausas ou adaptações quando necessário.

  • Considerar sensibilidades relacionadas a texturas, cheiros, sons ou contato com determinados materiais.

  • Valorizar diferentes formas de participação, incluindo observar, escolher materiais, realizar marcas, indicar cores, contar histórias ou colaborar na organização.

  • Garantir que as adaptações ampliem a autonomia e as possibilidades de participação da criança.

Documentação pedagógica

Fotografias das diferentes etapas, registros das falas das crianças, observações do professor e a própria produção coletiva podem compor a documentação da atividade. O painel final não deve ser compreendido apenas como produto para exposição, mas como evidência de um processo de criação, interação e construção compartilhada.

Na perspectiva da Brincadeira Sustentável, a pintura coletiva pode ultrapassar a utilização convencional dos materiais e constituir uma experiência de arte, educação ambiental, convivência e ressignificação. O essencial não está apenas na pintura produzida, mas no que permanece da experiência: a capacidade de criar, compartilhar, transformar, observar, interpretar e construir coletivamente.

Produto final: painel coletivo para exposição na escola, acompanhado, quando possível, de registros do processo e das falas das crianças.


ODE À HORTA ENCANTADA


Arte, natureza, alimentação e sustentabilidade a partir da horta

A horta pode ser compreendida como um espaço educativo, sensorial e cultural, no qual natureza, alimentação, arte e relações humanas se encontram. Mais do que produzir alimentos, uma horta possibilita observar ciclos de vida, reconhecer espécies, acompanhar transformações, compreender a relação entre água, solo, luz, plantas, insetos e seres humanos e perceber que aquilo que chega à mesa resulta de processos que envolvem tempo, cuidado e trabalho.

A proposta “Ode à Horta Encantada” parte da poesia como instrumento de sensibilização e amplia a experiência por meio da produção artística. A criança observa a horta, identifica formas, cores, texturas e aromas e, posteriormente, transforma essas referências em objetos tridimensionais confeccionados artesanalmente.

ODE À HORTA ENCANTADA

No cantinho do quintal ou da escola animada,
mora a Horta - verdinha, bonita e cuidada.
Com suas folhas dançando ao vento,
é um jardim de alimento e encantamento!

Salve, ó Horta cheia de vida,
tua missão é nobre e querida!
Doce cenoura, alface faceira,
manjericão perfumado, pimenta ligeira.

Sol lá no alto dá luz dourada,
a chuva molha a terra encantada.
A minhoca cava túneis com alegria,
e a abelha visita flor todo dia!

Na horta, a criança aprende e descobre
que o simples plantar faz o futuro mais nobre.
Com carinho, a gente rega e colhe,
e vê que da terra brota o que nos escolhe.

Oh, horta, teu canto é puro e forte,
ensinas que a vida vem da sorte...
mas também vem do amor, do tempo e da mão
que semeia esperança em cada estação.

ATIVIDADE - FRUTOS DA HORTA ENCANTADA

A atividade propõe a construção de frutos tridimensionais em papel machê, posteriormente pintados com cores vivas. O objetivo não é apenas produzir uma peça decorativa, mas estabelecer uma relação entre observação, matéria, forma, cor, volume, transformação e conhecimento.

A criança pode observar frutos reais, fotografias ou ilustrações e investigar suas características: formato, tamanho, textura, cores, partes externas e internas, sementes e diferenças entre espécies. Em seguida, essas informações são utilizadas como referência para a construção dos modelos.

Materiais

Papel reutilizado, jornal ou folhas destinadas ao descarte; papelão para estruturas, quando necessário; fita adesiva; cola para papel machê; água; recipientes para preparação da massa; pincéis; tinta; lápis; tesoura de uso adequado à faixa etária; base para secagem e materiais de proteção da superfície de trabalho.

Os materiais previamente selecionados, limpos e destinados à atividade podem ser utilizados como matéria-prima para a construção, evidenciando o princípio da ressignificação: um material que perderia sua função inicial passa a integrar uma nova produção artística e pedagógica.

Desenvolvimento

Primeiramente, apresenta-se o poema “Ode à Horta Encantada”, realizando uma leitura compartilhada. A conversa pode abordar quais plantas, frutos, sementes e pequenos animais aparecem no poema e quais deles podem ser encontrados em uma horta real.

Na segunda etapa, realiza-se a observação. As crianças podem examinar frutos naturais, imagens ou exemplares disponíveis, identificando formas e cores. A observação antecede a construção para que o objeto produzido tenha relação com aquilo que foi investigado.

Na terceira etapa, inicia-se a modelagem. O papel é amassado, estruturado e revestido progressivamente com papel machê até adquirir o volume desejado. Após a secagem completa, a superfície recebe pintura.

A etapa da pintura permite investigar cores, contrastes, luminosidade e composição. As cores vivas podem ser utilizadas para enfatizar a dimensão lúdica e expressiva da proposta, sem perder a relação com as características observadas nos frutos.

Ao final, os frutos podem compor uma Horta Encantada tridimensional, uma instalação artística, um cenário para contação de histórias, uma exposição ou parte de uma experiência teatral.

DO FRUTO REAL AO OBJETO ARTÍSTICO

A sequência estabelece um percurso de aprendizagem:

observar → identificar → pesquisar → selecionar materiais → estruturar → modelar → esperar → pintar → compor → apresentar → documentar.

Nesse processo, a criança percebe que criar envolve transformação, planejamento, experimentação e tempo. O papel deixa de ser apenas papel e passa a constituir uma forma tridimensional; a forma recebe cor; a cor comunica; o conjunto transforma o espaço.

A atividade também possibilita trabalhar conceitos de educação ambiental, sustentabilidade, alimentação, botânica, percepção sensorial, artes visuais, geometria, volume, cores, coordenação motora, linguagem e cultura.

A HORTA COMO ESPAÇO DE RELAÇÕES HUMANAS

A horta também introduz uma dimensão social. Plantar, cuidar, esperar, colher e compartilhar são ações que envolvem responsabilidade e cooperação. O alimento deixa de ser percebido apenas como produto final e passa a ser compreendido como resultado de uma cadeia de relações entre natureza, trabalho, conhecimento e comunidade.

Nesse sentido, a proposta relaciona sustentabilidade ambiental à sustentabilidade das relações humanas: cuidar da terra, dos materiais, dos alimentos, dos espaços e das pessoas faz parte de um mesmo processo de construção de legado.

A produção dos frutos em papel machê amplia essa reflexão. A criança não apenas representa um alimento; ela registra, por meio da matéria, aquilo que observou e aprendeu.

A Horta Encantada torna-se, assim, um território de investigação e criação: a natureza fornece o tema, a observação produz conhecimento, o material oferece possibilidades e a arte transforma a experiência em memória.

Brincadeira Sustentável não é apenas reaproveitar materiais. É investigar, transformar, criar significado e compreender que aquilo que seria descartado também pode participar da construção de conhecimento, cultura e memória.


Percepção multissensorial e criatividade

Introdução Desde a infância, percebo o mundo de maneira predominantemente multissensorial. Letras, números, formas, cores, objetos e configu...