RENATA BRAVO ♻️ BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL
VOCÊ PEGA UMA COISA E TRANSFORMA EM OUTRA. NÃO É APENAS RECICLAGEM É ARTE!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Roda Musical
Pinacoteca de São Paulo: Arte, História e Formação do Olhar
A Pinacoteca do Estado de São Paulo é um dos mais importantes espaços culturais do Brasil e um verdadeiro laboratório vivo para a educação artística. Seu prédio histórico, localizado no centro da cidade, é um excelente ponto de partida para compreender a relação entre arte, arquitetura e formação cultural.
Construído no final do século XIX, o edifício abrigou originalmente o Liceu de Artes e Ofícios, instituição voltada à formação técnica e artística. Posteriormente, funcionou como Escola de Belas Artes, onde pinturas e esculturas eram utilizadas como modelos de estudo para os alunos, reforçando práticas acadêmicas fundamentais para o desenvolvimento do desenho, da pintura e da observação estética.
Nesse contexto, os retratos ganham papel central no ensino da arte. Eles serviam não apenas para o domínio da técnica, mas também para o estudo da expressão, da luz, do gesto e da composição. Ao observar essas obras hoje, surge uma reflexão pedagógica importante: como os estilos de retrato evoluíram ao longo do tempo e de que forma dialogam com a arte contemporânea?
Entre os artistas presentes no acervo, destaca-se Almeida Júnior, nascido em Itu, considerado um dos principais nomes do naturalismo brasileiro. Suas obras retratam o cotidiano do interior paulista, valorizando a cultura caipira e os gestos simples da vida diária. Um exemplo marcante são as cenas domésticas, como as que incluem o fogão a lenha, elemento simbólico da vida rural e da identidade brasileira.
O reconhecimento de seu talento levou Dom Pedro II a conceder-lhe uma bolsa de estudos na Europa, experiência que influenciou diretamente sua técnica e amadurecimento artístico. Esse intercâmbio cultural é um tema relevante para o ensino de arte, pois evidencia como a formação artística se constrói a partir do diálogo entre referências locais e internacionais.
A obra “Saudade” é um dos quadros mais emblemáticos de Almeida Júnior. Com um gesto contido e expressivo, a pintura convida à leitura emocional da imagem, permitindo discussões sobre sentimento, narrativa visual e interpretação artística, aspectos fundamentais no desenvolvimento do olhar crítico dos estudantes.
Assim, a Pinacoteca se consolida como um espaço educativo essencial, onde é possível articular história da arte, identidade cultural e práticas pedagógicas.
Visitar a Pinacoteca é aprender com a arte.
Um convite permanente para educadores, estudantes e famílias ampliarem sua percepção estética e cultural.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Sapo Cururu: dono do rio e artista da noite
Sustentabilidade do Legado: uma leitura histórica e interdisciplinar das relações humanas
A História não é apenas um registro do passado. Ela é uma ponte entre tempos, culturas e saberes. Ao analisarmos trajetórias históricas, como a atuação dos jesuítas no século XVI, somos convidados a refletir sobre legado, sustentabilidade e relações humanas a partir de uma perspectiva interdisciplinar.
História: ações humanas e permanências
Os movimentos de expansão religiosa e cultural da Europa moderna ocorreram em um contexto de conflitos, reformas religiosas e disputas de poder. Nesse cenário, os jesuítas atuaram como educadores, missionários e mediadores culturais em diferentes partes do mundo.
Essas ações deixaram marcas duradouras: escolas, registros escritos, práticas pedagógicas e formas de organização social. A História nos ajuda a compreender como decisões humanas atravessam séculos, influenciando sociedades atuais, esse é um dos sentidos mais profundos do conceito de legado.
Geografia: território, deslocamento e adaptação
As peregrinações pela Europa, as viagens oceânicas e a entrada em florestas e territórios desconhecidos revelam uma relação direta entre seres humanos e espaço geográfico. A adaptação ao clima, ao relevo e aos recursos naturais era condição para a sobrevivência.
Nesse ponto, a interdisciplinaridade com a Geografia permite refletir sobre uso do território, mobilidade humana e impactos ambientais, conectando o passado às discussões contemporâneas sobre sustentabilidade e ocupação consciente dos espaços.
Ciências e Educação Ambiental: sustentabilidade além do meio ambiente
Embora o conceito moderno de sustentabilidade não existisse à época, as práticas de sobrevivência, cultivo, construção e deslocamento mostram uma relação constante com a natureza. A dependência direta dos recursos naturais evidencia que não há sociedade sem equilíbrio ambiental.
Trazer essa reflexão para as Ciências amplia o entendimento de sustentabilidade como algo que envolve:
preservação dos recursos,
continuidade da vida,
responsabilidade intergeracional.
Filosofia e Ética: relações humanas e valores
As relações entre missionários, povos originários e diferentes culturas levantam questões éticas fundamentais: respeito, diálogo, imposição cultural e convivência com a diferença. A Filosofia contribui ao questionar como nos relacionamos com o outro e quais valores sustentam nossas escolhas.
Pensar o legado histórico também é refletir sobre erros, conflitos e aprendizados, desenvolvendo uma postura crítica e consciente.
Educação: o legado como herança viva
A educação aparece como eixo integrador de todas essas áreas. O conhecimento transmitido de geração em geração é uma forma de sustentabilidade cultural. Quando ensinamos História de maneira interdisciplinar, formamos estudantes capazes de compreender o mundo de forma complexa, conectada e responsável.
Conclusão
Sustentabilidade do legado é entender que nossas ações constroem caminhos duradouros. A História mostra que relações humanas, território, natureza e conhecimento estão interligados. Ao trabalhar esses temas de forma interdisciplinar, a educação cumpre seu papel maior: formar cidadãos conscientes do passado, atentos ao presente e responsáveis pelo futuro
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Matriz Energética Limpa e Infraestrutura Digital: Indicadores Técnicos para Data Centers Sustentáveis
A expansão da economia digital impõe desafios técnicos crescentes relacionados ao consumo energético, eficiência operacional e impacto ambiental. Data centers, semicondutores e novas arquiteturas de armazenamento tornaram-se elementos críticos para o desenvolvimento tecnológico, exigindo uma abordagem integrada entre matriz energética limpa, inovação e soberania digital.
Data centers e eficiência energética
Os data centers operam em regime contínuo, demandando alta confiabilidade elétrica, redundância e sistemas de resfriamento robustos. Para avaliar sua eficiência energética, o principal indicador utilizado é o PUE (Power Usage Effectiveness), que relaciona a energia total consumida pela instalação com a energia efetivamente utilizada pelos equipamentos de TI.
Infraestruturas modernas buscam PUE entre 1,1 e 1,3, enquanto instalações tradicionais ainda operam acima de 1,6. Quanto mais próximo de 1,0, maior a eficiência global do data center e menor o desperdício energético.
Associado ao PUE, o DCiE (Data Center Infrastructure Efficiency) expressa essa eficiência em percentual, permitindo comparações diretas entre projetos.
Matriz energética limpa e emissões de carbono
A sustentabilidade de um data center está diretamente relacionada à origem da energia utilizada. O CUE (Carbon Usage Effectiveness) mede as emissões de CO₂ associadas ao consumo energético. Data centers alimentados majoritariamente por fontes renováveis tendem a apresentar CUE próximo de zero, alinhando-se a metas ESG e compromissos de neutralidade de carbono.
A transição para uma matriz energética limpa não apenas reduz emissões, mas também aumenta a previsibilidade de custos operacionais no longo prazo.
Uso de água e resfriamento
O resfriamento representa até 40% do consumo energético total de um data center. Para mensurar o impacto hídrico, utiliza-se o WUE (Water Usage Effectiveness), indicador fundamental em regiões com restrição de recursos hídricos.
Projetos sustentáveis buscam WUE inferior a 0,4 L/kWh, adotando soluções como resfriamento líquido, imersivo ou sistemas de circuito fechado. Tecnologias com alto COP (Coeficiente de Performance) contribuem significativamente para a redução do consumo energético associado à climatização.
Densidade computacional e otimização do espaço
A evolução da computação levou ao aumento da densidade energética por rack, indicador essencial para o planejamento físico e térmico. Data centers tradicionais operam entre 3 e 5 kW por rack, enquanto ambientes de alta densidade, voltados para IA e HPC, ultrapassam 40 kW por rack.
Maior densidade permite mais capacidade de processamento e armazenamento em menor espaço físico, desde que acompanhada de soluções avançadas de resfriamento e gestão energética.
Semicondutores de silício e eficiência por watt
O silício permanece como base da indústria de semicondutores, sendo determinante para a eficiência energética dos sistemas. Avanços em litografia, empacotamento 3D e microarquitetura ampliam a relação desempenho por watt, reduzindo o consumo energético por operação computacional.
O domínio dessa cadeia produtiva impacta diretamente indicadores como capacidade de processamento por kWh e custo operacional por workload, fortalecendo a autonomia tecnológica nacional.
Armazenamento avançado e moléculas de carbono
Tecnologias emergentes baseadas em moléculas de carbono, incluindo grafeno e armazenamento em DNA sintético (sequências ATCG), introduzem um novo indicador estratégico: capacidade de armazenamento por unidade de energia.
Essas soluções oferecem:
Altíssima densidade de dados
Consumo energético mínimo em estado passivo
Redução significativa do espaço físico necessário
Do ponto de vista técnico, representam um salto na eficiência energética e na sustentabilidade da infraestrutura digital.
Reaproveitamento energético
O ERE (Energy Reuse Effectiveness) avalia a capacidade de reaproveitamento da energia residual, especialmente o calor gerado pelos servidores. Projetos que reutilizam esse calor para aquecimento urbano ou processos industriais apresentam melhor desempenho energético global e menor impacto ambiental.
Viabilidade econômica: CAPEX, OPEX e TCO
A análise econômica de data centers sustentáveis deve considerar o TCO (Total Cost of Ownership), que integra CAPEX (investimento inicial) e OPEX (custos operacionais).
Infraestruturas mais eficientes tendem a demandar maior CAPEX inicial, porém apresentam OPEX reduzido ao longo do ciclo de vida, principalmente devido à economia de energia, água e manutenção.
Disponibilidade e confiabilidade
Indicadores de SLA e disponibilidade são críticos para setores estratégicos. Data centers classificados como:
Tier III operam com 99,982% de disponibilidade
Tier IV atingem 99,995%
Esses níveis são essenciais para serviços financeiros, governamentais e de infraestrutura crítica.
Estratégia nacional e retenção de recursos
Deixar de ser apenas hospedeiro de data centers internacionais requer uma estratégia baseada em indicadores técnicos, incentivos fiscais e políticas públicas. Manter dados, infraestrutura e conhecimento no território nacional fortalece a soberania digital, reduz riscos geopolíticos e estimula o desenvolvimento tecnológico interno.
Conclusão técnica
A integração entre matriz energética limpa, semicondutores avançados e novos modelos de armazenamento, sustentada por indicadores técnicos claros, permite a construção de data centers mais eficientes, sustentáveis e competitivos. Esses parâmetros são fundamentais para decisões de investimento, políticas públicas e posicionamento estratégico na economia digital de baixo carbono.
domingo, 25 de janeiro de 2026
Brincar ao ar livre
Vivências ancestrais que nutrem o corpo, os sentidos e a alma
Brincar é uma necessidade humana. Desde os tempos mais antigos, o brincar acontece em contato com a natureza, com o corpo em movimento e com a vida em comunidade. Nas ancestralidades indígenas, brincar não se separa do viver, é aprendizado, cultura e pertencimento.
Brincar ao ar livre: energia em movimento
O espaço aberto convida o corpo a se expressar livremente. Correr, pular, rolar, escalar e explorar ativam a energia vital, fortalecem o corpo e promovem equilíbrio emocional. A natureza oferece desafios reais e acolhedores, respeitando o ritmo de cada criança.
Os sentidos despertos
No brincar ao ar livre, os sentidos são protagonistas:
A visão observa cores, formas e movimentos
A audição escuta sons da natureza e das cantigas
O tato sente a terra, a água, as folhas e os troncos
O olfato reconhece cheiros do mato, da chuva e das flores
O paladar se conecta à comida viva, como a fruta colhida do pé
Cada vivência se transforma em aprendizado profundo.
Saberes da ancestralidade indígena
As brincadeiras ancestrais ensinam através da experiência direta com a natureza e da convivência coletiva. São práticas simples que carregam valores essenciais.
Brincar no rio
O rio ensina sobre cuidado, limites e respeito. Brincar na água fortalece o corpo, acalma e conecta a criança aos ciclos naturais.
Subir na árvore
Subir em árvore desenvolve equilíbrio, força, coragem e confiança. A árvore, sagrada nas culturas indígenas, torna-se espaço de aprendizado e conexão.
Comer fruta do pé
Colher e comer a fruta diretamente da árvore é aprender sobre tempo, espera, cuidado e gratidão. O alimento ganha sentido e história.
Cantigas de roda
Na roda, todos pertencem. As cantigas unem corpo, voz e comunidade, fortalecendo vínculos, memória cultural e identidade.
Outras brincadeiras ancestrais:
Correr livre pela terra
Fazer brinquedos com elementos naturais
Brincar de imitar animais
Contar histórias ao redor da roda
Jogos de força, equilíbrio e cooperação
Brincadeiras que desenvolvem autonomia, criatividade, consciência corporal, empatia e espírito coletivo.
Brincar como herança cultural
Resgatar o brincar ao ar livre inspirado na ancestralidade indígena é honrar saberes antigos e oferecer às crianças experiências reais, sensoriais e cheias de significado. Não é voltar ao passado, é cuidar do futuro.
Brincar ao ar livre é raiz, é memória viva, é energia que circula.
Defender o brincar é defender uma infância plena, conectada e humana.
Música, Ritmo e Origem: o Bolero de Maurice Ravel como Ponte entre Mundos
Resumo
Este artigo propõe uma leitura intercultural da obra Bolero (1928), de Maurice Ravel, articulando música erudita ocidental e cosmologias indígenas a partir dos conceitos de ritmo, repetição e criação. Parte-se da compreensão da música como experiência corporal, relacional e culturalmente situada, aproximando a estrutura rítmica do Bolero de práticas musicais ancestrais, nas quais o som organiza o tempo, a memória coletiva e a relação com o mundo. O texto defende a música como ponte entre mundos distintos, contribuindo para reflexões no campo da educação musical intercultural e para o reconhecimento de epistemologias não hegemônicas.
Palavras-chave: Educação musical intercultural; Ritmo; Cosmologia indígena; Maurice Ravel; Música e ancestralidade.
1- Introdução
A música constitui uma das mais antigas formas de organização simbólica da experiência humana. Antes da escrita, da sistematização científica e da linguagem formal, o som já estruturava o tempo, o corpo e as relações coletivas. Em diferentes culturas, a música não se apresenta apenas como expressão estética, mas como linguagem fundamental de criação de sentido.
O Bolero, de Maurice Ravel, frequentemente analisado sob a ótica da música erudita europeia, oferece possibilidades de leitura que ultrapassam os limites de sua tradição de origem. Sua estrutura baseada na repetição rítmica e no crescendo contínuo permite um diálogo fecundo com cosmologias indígenas, nas quais o ritmo e o som são compreendidos como princípios organizadores do mundo.
Este artigo propõe uma leitura comparativa e intercultural do Bolero, compreendendo a música como ponte entre mundos culturais distintos, sem hierarquização estética, mas com reconhecimento de princípios sonoros compartilhados.
2- Ritmo e Repetição no Bolero de Maurice Ravel
O Bolero não se constrói pela surpresa ou pela variação temática, mas pela insistência. Um único tema, sustentado por um ostinato rítmico constante, percorre toda a obra. A transformação ocorre pelo acréscimo gradual de timbres e pelo aumento progressivo da intensidade sonora.
Essa repetição não empobrece a escuta; ao contrário, a aprofunda. Cada reapresentação do tema inaugura uma nova experiência, pois o ouvinte já foi atravessado pelo tempo musical anterior. O ritmo inicial, marcado, constante, quase hipnótico pode ser compreendido como um pulso originário, um batimento que antecede a complexidade melódica.
Nesse sentido, o Bolero evidencia que o ritmo não é mero acompanhamento, mas fundamento estrutural da música, organizando a percepção do tempo e a experiência corporal da escuta.
3- Cosmologias Indígenas: Som, Criação e Ancestralidade
Nas cosmologias indígenas, o mundo não nasce do silêncio absoluto, mas do som, da vibração e do gesto repetido. A repetição não é entendida como estagnação, mas como renovação contínua. O canto que retorna reafirma a memória coletiva e atualiza a presença dos ancestrais.
O som, nesse contexto, é força criadora. Ele convoca, organiza e mantém a relação entre humanos, natureza e espiritualidade. Fenômenos sonoros, como o trovão, não são apenas eventos físicos, mas manifestações simbólicas de transformação e comunicação do mundo natural.
A música indígena, profundamente ligada à oralidade e à coletividade, organiza o tempo de forma circular, reforçando uma compreensão não linear da experiência temporal.
4- Leitura Comparativa: Música como Experiência Compartilhada
Ao aproximar o Bolero das práticas musicais indígenas, observa-se uma convergência fundamental: a centralidade do ritmo como organizador do tempo e do corpo. Em ambos os casos, a música cria estados de atenção coletiva e escuta corporal.
O crescendo contínuo do Bolero pode ser interpretado como metáfora do processo de criação do mundo: da simplicidade à complexidade, do silêncio à plenitude sonora. Não há ruptura brusca, mas acúmulo. O tempo musical deixa de ser linear e passa a ser vivido como experiência sensível.
A culminância sonora da obra, o “boom” final, não representa um encerramento, mas uma transformação. Assim como o trovão nas cosmologias indígenas, esse impacto sonoro marca uma passagem, revelando a potência acumulada da repetição.
Essa leitura comparativa não propõe equivalência cultural, mas diálogo intercultural, reconhecendo a música como linguagem transversal às culturas humanas.
5- Educação Musical Intercultural: a Música como Ponte
Na educação musical intercultural, a música deixa de ser apenas objeto de análise técnica e passa a ser experiência relacional. O diálogo entre o Bolero e as músicas indígenas permite deslocamentos epistemológicos importantes, ampliando o repertório sonoro e cultural dos estudantes.
O estudante é convidado a escutar com o corpo, com a memória e com a sensibilidade cultural. A música torna-se espaço de tradução entre mundos distintos que compartilham o ritmo como fundamento comum.
Nesse contexto, a música atua como ponte entre culturas, tempos e formas de conhecimento, promovendo respeito à diversidade e reconhecimento de epistemologias historicamente marginalizadas.
6- Considerações Finais
Compreender o Bolero de Maurice Ravel em diálogo com cosmologias indígenas amplia as possibilidades de leitura da obra e reafirma a música como linguagem fundamental da humanidade. Ritmo, repetição e escuta coletiva atravessam culturas e revelam modos diversos de organizar o tempo e a experiência.
A música, como ponte entre mundos, não elimina diferenças, mas permite a travessia entre elas. Ouvir torna-se um ato ético, tocar um gesto de encontro, e educar musicalmente um compromisso com a pluralidade cultural e epistemológica.
Referências Sugeridas
BLACKING, John. How musical is man? Seattle: University of Washington Press, 1973.
GREEN, Lucy. How popular musicians learn. Aldershot: Ashgate, 2002.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 78, 2007.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2002.
DENORA, Tia. Music in everyday life. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.





