*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.
A tese que fundamenta este blog parte de uma ideia simples e duradoura: a infância, o brincar, a cultura, a natureza e as relações humanas constituem dimensões essenciais da formação do indivíduo e da construção da vida em sociedade. Embora os contextos históricos, as tecnologias e os modos de viver se transformem, essa base permanece atual. Por isso, não se trata de uma tese vinculada a uma época específica, mas de uma perspectiva que atravessa gerações e continua encontrando sentido sempre que uma criança brinca, aprende, cria, convive e estabelece sua relação com o mundo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Fábula: O Boto Cor-de-Rosa e a Preguiça das Águas

 

ARUMI E SOLOMBRA

A história de Arumi e Solombra foi construída coletivamente com as crianças. Durante a atividade, elas foram apresentando ideias, personagens, características, acontecimentos e possíveis caminhos para a narrativa, enquanto eu registrava por escrito suas contribuições. A partir dessa construção oral, fomos organizando as ideias, relacionando os acontecimentos e desenvolvendo a narrativa até chegarmos a um consenso sobre a história e sua mensagem.

Nas margens tranquilas de um grande rio da Amazônia, vivia Arumi, um boto-cor-de-rosa conhecido por sua alegria e vontade de ajudar. Ele nadava rápido, fazia piruetas e tinha sempre uma história nova para contar.

Perto dali, em um galho quase tocando a água, vivia Solombra, uma preguiça-de-três-dedos, calma, quieta e muito observadora. Ela não gostava de pressa; para Solombra, o tempo tinha o ritmo das folhas balançando ao vento.

Certa manhã, Arumi saltou fora d’água, espirrando gotinhas brilhantes para todos os lados.

- Solombra, venha ver! O rio está cheio de peixinhos prateados. É dia de festa! - disse o boto, animado.

A preguiça abriu um olho, depois o outro, e sorriu devagar.

- Arumi, eu adoraria, mas me leva um tempo para me mover.

O boto deu uma risadinha.

- Tempo? Mas a vida é tão rápida!

Solombra balançou a cabeça.

- Nem tudo precisa ser rápido. Às vezes, quem corre demais perde o que o rio quer mostrar.

Arumi achou aquilo estranho, mas não disse nada e saiu nadando em disparada para aproveitar a festa dos peixes. De tão apressado, não percebeu que uma rede de pesca abandonada estava presa entre dois troncos submersos.

Num segundo, ficou preso.

- Socorro! Alguém me ajuda! - gritou Arumi, se debatendo.

Do galho, Solombra ouviu o chamado. Com calma, muito calma, começou a descer. Cada movimento parecia uma eternidade, mas era firme e preciso. Ela mergulhou apenas o suficiente para alcançar a rede com suas garras longas e, com gestos lentos e cuidadosos, foi desfazendo os nós.

Arumi, aliviado, nadou para a superfície.

- Solombra! Você me salvou!

A preguiça sorriu.

- Viu, Arumi? Às vezes, devagar se enxerga melhor.

O boto abaixou a cabeça, envergonhado.

- Eu sempre achei que velocidade era o que importava... Mas hoje aprendi que sua calma é tão forte quanto minha agilidade.

E, desde aquele dia, Arumi passou a prestar mais atenção ao caminho, e Solombra passou a participar, no seu ritmo, das aventuras do amigo no rio.

Moral: A pressa pode nos cegar; a calma revela caminhos que salvam.



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