VOCÊ PEGA UMA COISA E TRANSFORMA EM OUTRA. NÃO É APENAS RECICLAGEM É ARTE!
RECICLAR É IMPORTANTE, MAS QUESTIONAR É ESSENCIAL
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Roda Musical
Pinacoteca de São Paulo: Arte, História e Formação do Olhar
A Pinacoteca do Estado de São Paulo é um dos mais importantes espaços culturais do Brasil e um verdadeiro laboratório vivo para a educação artística. Seu prédio histórico, localizado no centro da cidade, é um excelente ponto de partida para compreender a relação entre arte, arquitetura e formação cultural.
Construído no final do século XIX, o edifício abrigou originalmente o Liceu de Artes e Ofícios, instituição voltada à formação técnica e artística. Posteriormente, funcionou como Escola de Belas Artes, onde pinturas e esculturas eram utilizadas como modelos de estudo para os alunos, reforçando práticas acadêmicas fundamentais para o desenvolvimento do desenho, da pintura e da observação estética.
Nesse contexto, os retratos ganham papel central no ensino da arte. Eles serviam não apenas para o domínio da técnica, mas também para o estudo da expressão, da luz, do gesto e da composição. Ao observar essas obras hoje, surge uma reflexão pedagógica importante: como os estilos de retrato evoluíram ao longo do tempo e de que forma dialogam com a arte contemporânea?
Entre os artistas presentes no acervo, destaca-se Almeida Júnior, nascido em Itu, considerado um dos principais nomes do naturalismo brasileiro. Suas obras retratam o cotidiano do interior paulista, valorizando a cultura caipira e os gestos simples da vida diária. Um exemplo marcante são as cenas domésticas, como as que incluem o fogão a lenha, elemento simbólico da vida rural e da identidade brasileira.
O reconhecimento de seu talento levou Dom Pedro II a conceder-lhe uma bolsa de estudos na Europa, experiência que influenciou diretamente sua técnica e amadurecimento artístico. Esse intercâmbio cultural é um tema relevante para o ensino de arte, pois evidencia como a formação artística se constrói a partir do diálogo entre referências locais e internacionais.
A obra “Saudade” é um dos quadros mais emblemáticos de Almeida Júnior. Com um gesto contido e expressivo, a pintura convida à leitura emocional da imagem, permitindo discussões sobre sentimento, narrativa visual e interpretação artística, aspectos fundamentais no desenvolvimento do olhar crítico dos estudantes.
Assim, a Pinacoteca se consolida como um espaço educativo essencial, onde é possível articular história da arte, identidade cultural e práticas pedagógicas.
Visitar a Pinacoteca é aprender com a arte.
Um convite permanente para educadores, estudantes e famílias ampliarem sua percepção estética e cultural.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Sapo Cururu: dono do rio e artista da noite
Sustentabilidade do Legado: uma leitura histórica e interdisciplinar das relações humanas
A História não é apenas um registro do passado. Ela é uma ponte entre tempos, culturas e saberes. Ao analisarmos trajetórias históricas, como a atuação dos jesuítas no século XVI, somos convidados a refletir sobre legado, sustentabilidade e relações humanas a partir de uma perspectiva interdisciplinar.
História: ações humanas e permanências
Os movimentos de expansão religiosa e cultural da Europa moderna ocorreram em um contexto de conflitos, reformas religiosas e disputas de poder. Nesse cenário, os jesuítas atuaram como educadores, missionários e mediadores culturais em diferentes partes do mundo.
Essas ações deixaram marcas duradouras: escolas, registros escritos, práticas pedagógicas e formas de organização social. A História nos ajuda a compreender como decisões humanas atravessam séculos, influenciando sociedades atuais, esse é um dos sentidos mais profundos do conceito de legado.
Geografia: território, deslocamento e adaptação
As peregrinações pela Europa, as viagens oceânicas e a entrada em florestas e territórios desconhecidos revelam uma relação direta entre seres humanos e espaço geográfico. A adaptação ao clima, ao relevo e aos recursos naturais era condição para a sobrevivência.
Nesse ponto, a interdisciplinaridade com a Geografia permite refletir sobre uso do território, mobilidade humana e impactos ambientais, conectando o passado às discussões contemporâneas sobre sustentabilidade e ocupação consciente dos espaços.
Ciências e Educação Ambiental: sustentabilidade além do meio ambiente
Embora o conceito moderno de sustentabilidade não existisse à época, as práticas de sobrevivência, cultivo, construção e deslocamento mostram uma relação constante com a natureza. A dependência direta dos recursos naturais evidencia que não há sociedade sem equilíbrio ambiental.
Trazer essa reflexão para as Ciências amplia o entendimento de sustentabilidade como algo que envolve:
preservação dos recursos,
continuidade da vida,
responsabilidade intergeracional.
Filosofia e Ética: relações humanas e valores
As relações entre missionários, povos originários e diferentes culturas levantam questões éticas fundamentais: respeito, diálogo, imposição cultural e convivência com a diferença. A Filosofia contribui ao questionar como nos relacionamos com o outro e quais valores sustentam nossas escolhas.
Pensar o legado histórico também é refletir sobre erros, conflitos e aprendizados, desenvolvendo uma postura crítica e consciente.
Educação: o legado como herança viva
A educação aparece como eixo integrador de todas essas áreas. O conhecimento transmitido de geração em geração é uma forma de sustentabilidade cultural. Quando ensinamos História de maneira interdisciplinar, formamos estudantes capazes de compreender o mundo de forma complexa, conectada e responsável.
Conclusão
Sustentabilidade do legado é entender que nossas ações constroem caminhos duradouros. A História mostra que relações humanas, território, natureza e conhecimento estão interligados. Ao trabalhar esses temas de forma interdisciplinar, a educação cumpre seu papel maior: formar cidadãos conscientes do passado, atentos ao presente e responsáveis pelo futuro
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Inclusão na escola: nunca pense em deficiência, pense em habilidades
A escola é o lugar onde todas as crianças devem pertencer. A inclusão acontece quando deixamos de olhar para o que falta e passamos a enxergar as habilidades que cada estudante possui.
Em atividades interdisciplinares, diferentes formas de aprender se encontram, se completam e enriquecem o processo educativo.
Quando estimulamos os sentidos, respeitamos os ritmos, garantimos acessibilidade e valorizamos os interesses, a qualidade de vida, a aprendizagem e a autoestima melhoram para todos.
Deficiência visual
Quando a visão é reduzida ou ausente, outros sentidos ganham protagonismo: audição, tato e olfato.
Na escola, podem ser incluídos em:
Banda musical escolar (percussão, canto, ritmo, grupo vocal)
Oficinas de música e instrumentos
Contação de histórias e narrativas orais
Atividades táteis (argila, texturas, materiais naturais)
Projetos sensoriais com cheiros, sons e sabores
Habilidades desenvolvidas: sensibilidade auditiva, memória, coordenação, criatividade e expressão musical.
Deficiência auditiva
Aprender não depende apenas do ouvir. O corpo, o olhar e as mãos também ensinam.
Na escola, podem ser incluídos em:
Jogos de tabuleiro (estratégia, matemática, regras)
Artes visuais (desenho, pintura, colagem, fotografia)
Atividades com imagens, mapas e sequências visuais
Dança e expressão corporal
Jogos de mímica e linguagem visual
Habilidades desenvolvidas: raciocínio lógico, atenção visual, cooperação e expressão corporal.
Deficiência intelectual
Cada aluno aprende no seu tempo. Quando o processo é respeitado, o aprendizado acontece com sentido.
Na escola, podem ser incluídos em:
Atividades de pintura, desenho e artes manuais
Música com movimento
Jogos simples e repetitivos
Oficinas práticas (culinária, jardinagem, cuidados)
Trabalhos em grupo e projetos coletivos
Habilidades desenvolvidas: coordenação motora, autonomia, socialização, criatividade e autoestima.
Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Existem muitos tipos de autismo. A inclusão começa quando buscamos saber o que interessa e motiva cada pessoa.
Na escola, podem ser incluídos em:
Projetos baseados em interesses (números, animais, música, tecnologia)
Atividades estruturadas e previsíveis
Música, ritmo e sons organizados
Artes visuais, desenho detalhado e pintura
Jogos com regras claras e apoio visual
Habilidades desenvolvidas: foco, organização, criatividade, comunicação e autonomia.
Cadeirantes / deficiência física
A mobilidade reduzida não limita o pensamento, a criatividade nem a participação. Inclusão também é garantir acessibilidade física e atitudes inclusivas.
Na escola, podem ser incluídos em:
Atividades artísticas (pintura, desenho, escultura, colagem)
Música, canto e instrumentos adaptados
Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos
Projetos de tecnologia, robótica e produção digital
Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares
Habilidades desenvolvidas: autonomia, expressão, raciocínio, criatividade, liderança e trabalho em equipe.
Deficiência pode se transformar em habilidade
Quando a escola adapta o ambiente, as práticas e o olhar, surgem:
Talentos antes invisíveis
Novas formas de comunicação
Criatividade ampliada
Vínculos verdadeiros
Aprendizagens profundas
Nunca pense em deficiência. Pense em habilidades.
Porque cada pessoa percebe o mundo de um jeito e todos esses jeitos têm valor.
A Casa dos Sentidos
Na escola havia uma sala diferente.
Não tinha placa,
mas todos a chamavam de Casa dos Sentidos.
Ali, quem não via
escutava o mundo com atenção
e reconhecia os amigos
pelo som dos passos e do riso.
Quem não ouvia
dançava com o chão,
sentindo a música vibrar
nos pés e no coração.
Havia quem se movesse sobre rodas
e ensinasse à escola inteira
que o caminho não está nas pernas,
mas na vontade de chegar.
Havia quem aprendesse devagar,
mas ensinasse rápido
o valor da paciência,
do cuidado
e do tempo certo das coisas.
Havia também quem visse o mundo em detalhes invisíveis,
porque seu olhar nascia de dentro
e enxergava o que ninguém mais via.
Na Casa dos Sentidos,
ninguém era menos.
Cada um era necessário.
E todos aprenderam juntos
que o mundo
não se entende só com os olhos,
nem só com os ouvidos…
O mundo se entende
quando a escola abre espaço
para todas as habilidades existirem.
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Inclusão na escola: quando a deficiência revela habilidades
Resumo
A educação inclusiva propõe um deslocamento de olhar: sair da lógica da deficiência e reconhecer as habilidades, potencialidades e diferentes formas de aprender. Este artigo discute como a escola pode estimular sentidos, interesses e competências de estudantes com deficiência visual, auditiva, intelectual, transtorno do espectro autista e deficiência física, por meio de atividades interdisciplinares que promovem aprendizagem, participação e qualidade de vida.
1- Introdução
A escola é, por essência, um espaço de diversidade. No entanto, durante muito tempo, estudantes com deficiência foram vistos a partir daquilo que não conseguiam fazer. A perspectiva inclusiva rompe com esse modelo e propõe uma mudança fundamental: não pensar em deficiência, mas em habilidades.
Quando a escola adapta suas práticas, valoriza os interesses individuais e estimula diferentes sentidos, cria-se um ambiente onde todos aprendem, cada um à sua maneira. A inclusão não beneficia apenas quem tem deficiência, mas toda a comunidade escolar.
2- Estímulo sensorial e qualidade de vida
O estímulo dos sentidos é um dos pilares da educação inclusiva. Quando um sentido é reduzido ou ausente, outros podem ser ampliados, promovendo autonomia, bem-estar, aprendizagem significativa e melhora da qualidade de vida.
A escola, por meio de atividades interdisciplinares, tem grande potencial para favorecer essas experiências.
3- Deficiência visual: aprender com o corpo e com o som
Na deficiência visual, os sentidos da audição, tato e olfato tornam-se centrais no processo de aprendizagem.
Possibilidades pedagógicas:
Participação na banda musical escolar, em grupos vocais e percussão
Oficinas de música, ritmo e instrumentos
Contação de histórias, narrativas orais e audiolivros
Atividades táteis com argila, texturas e materiais naturais
Projetos sensoriais envolvendo cheiros, sons e sabores
Essas experiências desenvolvem memória auditiva, coordenação, criatividade e expressão artística, fortalecendo o protagonismo do estudante.
4- Deficiência auditiva: aprender pelo olhar, pelo corpo e pela interação
A aprendizagem não acontece apenas pela escuta. Estudantes com deficiência auditiva utilizam intensamente o campo visual, o tato e a expressão corporal.
Possibilidades pedagógicas:
Jogos de tabuleiro, que envolvem estratégia, matemática e cooperação
Artes visuais: pintura, desenho, colagem e fotografia
Atividades com imagens, mapas mentais e sequências visuais
Dança, teatro e expressão corporal
Jogos de mímica e comunicação visual
Essas práticas estimulam o raciocínio lógico, a atenção, a leitura de imagens e o trabalho em grupo.
5- Deficiência intelectual: respeitar o ritmo e valorizar o processo
Na deficiência intelectual, o foco deve estar no processo de aprendizagem, não apenas no resultado. Respeitar o tempo de cada estudante é essencial para que o aprendizado faça sentido.
Possibilidades pedagógicas:
Atividades de pintura, desenho e artes manuais
Música associada ao movimento
Jogos simples, repetitivos e estruturados
Oficinas práticas como culinária, jardinagem e cuidados cotidianos
Projetos coletivos e trabalhos em grupo
Essas ações promovem coordenação motora, autonomia, socialização e fortalecimento da autoestima.
6- Transtorno do Espectro Autista (TEA): partir do interesse
O autismo não é único; existem muitos espectros e singularidades. A inclusão efetiva começa ao identificar o que interessa e motiva cada pessoa autista.
Possibilidades pedagógicas:
Projetos baseados em interesses específicos (números, animais, música, tecnologia)
Atividades estruturadas, previsíveis e com apoio visual
Música, ritmo e sons organizados
Artes visuais, desenho detalhado e pintura
Jogos com regras claras e mediação adequada
Quando o interesse é respeitado, surgem foco, engajamento, comunicação e autonomia.
7- Deficiência física e cadeirantes: acessibilidade e participação
A mobilidade reduzida não limita a capacidade cognitiva, criativa ou social. A inclusão de estudantes cadeirantes passa pela acessibilidade física, adaptações pedagógicas e atitudes inclusivas.
Possibilidades pedagógicas:
Atividades artísticas adaptadas
Música, canto e instrumentos acessíveis
Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos
Projetos de tecnologia, robótica e produção digital
Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares
Essas práticas favorecem autonomia, liderança, expressão e trabalho colaborativo.
8- A escola como espaço de transformação
Quando a escola adapta o ambiente, flexibiliza metodologias e amplia seu olhar, a deficiência deixa de ser vista como limitação e passa a ser compreendida como uma forma diferente de estar no mundo.
A educação inclusiva revela talentos, fortalece vínculos e ensina valores como empatia, respeito e cooperação.
9- Considerações finais
Pensar inclusão é pensar em humanidade.
É reconhecer que todos aprendem, ainda que não aprendam do mesmo jeito.
As circunstâncias podem ser diferentes, mas o potencial humano sempre encontra um jeito de florescer.
Porque uma escola inclusiva não prepara apenas estudantes, prepara uma sociedade mais justa, sensível e plural.
domingo, 25 de janeiro de 2026
Brincar ao ar livre
Vivências ancestrais que nutrem o corpo, os sentidos e a alma
Brincar é uma necessidade humana. Desde os tempos mais antigos, o brincar acontece em contato com a natureza, com o corpo em movimento e com a vida em comunidade. Nas ancestralidades indígenas, brincar não se separa do viver, é aprendizado, cultura e pertencimento.
Brincar ao ar livre: energia em movimento
O espaço aberto convida o corpo a se expressar livremente. Correr, pular, rolar, escalar e explorar ativam a energia vital, fortalecem o corpo e promovem equilíbrio emocional. A natureza oferece desafios reais e acolhedores, respeitando o ritmo de cada criança.
Os sentidos despertos
No brincar ao ar livre, os sentidos são protagonistas:
A visão observa cores, formas e movimentos
A audição escuta sons da natureza e das cantigas
O tato sente a terra, a água, as folhas e os troncos
O olfato reconhece cheiros do mato, da chuva e das flores
O paladar se conecta à comida viva, como a fruta colhida do pé
Cada vivência se transforma em aprendizado profundo.
Saberes da ancestralidade indígena
As brincadeiras ancestrais ensinam através da experiência direta com a natureza e da convivência coletiva. São práticas simples que carregam valores essenciais.
Brincar no rio
O rio ensina sobre cuidado, limites e respeito. Brincar na água fortalece o corpo, acalma e conecta a criança aos ciclos naturais.
Subir na árvore
Subir em árvore desenvolve equilíbrio, força, coragem e confiança. A árvore, sagrada nas culturas indígenas, torna-se espaço de aprendizado e conexão.
Comer fruta do pé
Colher e comer a fruta diretamente da árvore é aprender sobre tempo, espera, cuidado e gratidão. O alimento ganha sentido e história.
Cantigas de roda
Na roda, todos pertencem. As cantigas unem corpo, voz e comunidade, fortalecendo vínculos, memória cultural e identidade.
Outras brincadeiras ancestrais:
Correr livre pela terra
Fazer brinquedos com elementos naturais
Brincar de imitar animais
Contar histórias ao redor da roda
Jogos de força, equilíbrio e cooperação
Brincadeiras que desenvolvem autonomia, criatividade, consciência corporal, empatia e espírito coletivo.
Brincar como herança cultural
Resgatar o brincar ao ar livre inspirado na ancestralidade indígena é honrar saberes antigos e oferecer às crianças experiências reais, sensoriais e cheias de significado. Não é voltar ao passado, é cuidar do futuro.
Brincar ao ar livre é raiz, é memória viva, é energia que circula.
Defender o brincar é defender uma infância plena, conectada e humana.
Música, Ritmo e Origem: o Bolero de Maurice Ravel como Ponte entre Mundos
Resumo
Este artigo propõe uma leitura intercultural da obra Bolero (1928), de Maurice Ravel, articulando música erudita ocidental e cosmologias indígenas a partir dos conceitos de ritmo, repetição e criação. Parte-se da compreensão da música como experiência corporal, relacional e culturalmente situada, aproximando a estrutura rítmica do Bolero de práticas musicais ancestrais, nas quais o som organiza o tempo, a memória coletiva e a relação com o mundo. O texto defende a música como ponte entre mundos distintos, contribuindo para reflexões no campo da educação musical intercultural e para o reconhecimento de epistemologias não hegemônicas.
Palavras-chave: Educação musical intercultural; Ritmo; Cosmologia indígena; Maurice Ravel; Música e ancestralidade.
1- Introdução
A música constitui uma das mais antigas formas de organização simbólica da experiência humana. Antes da escrita, da sistematização científica e da linguagem formal, o som já estruturava o tempo, o corpo e as relações coletivas. Em diferentes culturas, a música não se apresenta apenas como expressão estética, mas como linguagem fundamental de criação de sentido.
O Bolero, de Maurice Ravel, frequentemente analisado sob a ótica da música erudita europeia, oferece possibilidades de leitura que ultrapassam os limites de sua tradição de origem. Sua estrutura baseada na repetição rítmica e no crescendo contínuo permite um diálogo fecundo com cosmologias indígenas, nas quais o ritmo e o som são compreendidos como princípios organizadores do mundo.
Este artigo propõe uma leitura comparativa e intercultural do Bolero, compreendendo a música como ponte entre mundos culturais distintos, sem hierarquização estética, mas com reconhecimento de princípios sonoros compartilhados.
2- Ritmo e Repetição no Bolero de Maurice Ravel
O Bolero não se constrói pela surpresa ou pela variação temática, mas pela insistência. Um único tema, sustentado por um ostinato rítmico constante, percorre toda a obra. A transformação ocorre pelo acréscimo gradual de timbres e pelo aumento progressivo da intensidade sonora.
Essa repetição não empobrece a escuta; ao contrário, a aprofunda. Cada reapresentação do tema inaugura uma nova experiência, pois o ouvinte já foi atravessado pelo tempo musical anterior. O ritmo inicial, marcado, constante, quase hipnótico pode ser compreendido como um pulso originário, um batimento que antecede a complexidade melódica.
Nesse sentido, o Bolero evidencia que o ritmo não é mero acompanhamento, mas fundamento estrutural da música, organizando a percepção do tempo e a experiência corporal da escuta.
3- Cosmologias Indígenas: Som, Criação e Ancestralidade
Nas cosmologias indígenas, o mundo não nasce do silêncio absoluto, mas do som, da vibração e do gesto repetido. A repetição não é entendida como estagnação, mas como renovação contínua. O canto que retorna reafirma a memória coletiva e atualiza a presença dos ancestrais.
O som, nesse contexto, é força criadora. Ele convoca, organiza e mantém a relação entre humanos, natureza e espiritualidade. Fenômenos sonoros, como o trovão, não são apenas eventos físicos, mas manifestações simbólicas de transformação e comunicação do mundo natural.
A música indígena, profundamente ligada à oralidade e à coletividade, organiza o tempo de forma circular, reforçando uma compreensão não linear da experiência temporal.
4- Leitura Comparativa: Música como Experiência Compartilhada
Ao aproximar o Bolero das práticas musicais indígenas, observa-se uma convergência fundamental: a centralidade do ritmo como organizador do tempo e do corpo. Em ambos os casos, a música cria estados de atenção coletiva e escuta corporal.
O crescendo contínuo do Bolero pode ser interpretado como metáfora do processo de criação do mundo: da simplicidade à complexidade, do silêncio à plenitude sonora. Não há ruptura brusca, mas acúmulo. O tempo musical deixa de ser linear e passa a ser vivido como experiência sensível.
A culminância sonora da obra, o “boom” final, não representa um encerramento, mas uma transformação. Assim como o trovão nas cosmologias indígenas, esse impacto sonoro marca uma passagem, revelando a potência acumulada da repetição.
Essa leitura comparativa não propõe equivalência cultural, mas diálogo intercultural, reconhecendo a música como linguagem transversal às culturas humanas.
5- Educação Musical Intercultural: a Música como Ponte
Na educação musical intercultural, a música deixa de ser apenas objeto de análise técnica e passa a ser experiência relacional. O diálogo entre o Bolero e as músicas indígenas permite deslocamentos epistemológicos importantes, ampliando o repertório sonoro e cultural dos estudantes.
O estudante é convidado a escutar com o corpo, com a memória e com a sensibilidade cultural. A música torna-se espaço de tradução entre mundos distintos que compartilham o ritmo como fundamento comum.
Nesse contexto, a música atua como ponte entre culturas, tempos e formas de conhecimento, promovendo respeito à diversidade e reconhecimento de epistemologias historicamente marginalizadas.
6- Considerações Finais
Compreender o Bolero de Maurice Ravel em diálogo com cosmologias indígenas amplia as possibilidades de leitura da obra e reafirma a música como linguagem fundamental da humanidade. Ritmo, repetição e escuta coletiva atravessam culturas e revelam modos diversos de organizar o tempo e a experiência.
A música, como ponte entre mundos, não elimina diferenças, mas permite a travessia entre elas. Ouvir torna-se um ato ético, tocar um gesto de encontro, e educar musicalmente um compromisso com a pluralidade cultural e epistemológica.
Referências Sugeridas
BLACKING, John. How musical is man? Seattle: University of Washington Press, 1973.
GREEN, Lucy. How popular musicians learn. Aldershot: Ashgate, 2002.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 78, 2007.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2002.
DENORA, Tia. Music in everyday life. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.
STEAM, Cultura Maker e Música: Aprender Brincando de Forma Sustentável
Aprender pode (e deve!) ser uma experiência criativa, prática e significativa. Quando unimos STEAM, cultura maker, brincadeira sustentável e instrumentos musicais, abrimos espaço para uma educação viva, onde as crianças constroem conhecimento com as mãos, os ouvidos, o corpo e o coração.
O que é STEAM na prática?
STEAM significa Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. Na infância e em projetos socioeducativos, isso acontece quando a criança:
Testa sons e vibrações (ciência),
Cria instrumentos com materiais reutilizados (engenharia),
Mede, compara e organiza ritmos (matemática),
Explora a expressão sonora e estética (artes),
Registra, investiga e experimenta (tecnologia do cotidiano).
- Cultura Maker: aprender fazendo
Na cultura maker, o erro vira aprendizado e a curiosidade guia o processo. Ao construir instrumentos musicais com sucata, a criança:
Desenvolve autonomia e criatividade;
Aprende a planejar, testar e melhorar;
Percebe que pode criar, não apenas consumir.
- Brincadeira Sustentável: brincar cuidando do planeta
A brincadeira sustentável valoriza materiais simples e reutilizados:
Latas viram tambores,
Garrafas PET se transformam em chocalhos,
Caixas de papelão viram violões imaginários.
Além de brincar, a criança aprende sobre consumo consciente, reuso e responsabilidade ambiental.
- Instrumentos musicais e fenômenos do som
Ao explorar instrumentos (tradicionais ou construídos), surgem descobertas importantes:
- Sustain - o tempo que o som permanece audível após ser produzido.
- Altura - sons graves e agudos.
- Intensidade - sons fortes e fracos.
- Timbre - o “jeito” único de cada som.
- Ressonância e vibração – como o som se espalha e ganha corpo.
Esses fenômenos podem ser vivenciados de forma prática, sensorial e divertida, sem fórmulas complicadas.
Por que essa abordagem é tão potente?
- Integra arte, ciência e sustentabilidade
- Estimula escuta, coordenação motora e expressão
- Valoriza o brincar como linguagem de aprendizagem
- Fortalece o vínculo com o meio ambiente
- Desenvolve pensamento crítico e criativo
- Quando a criança cria, investiga e brinca, o aprendizado acontece de forma natural e significativa.
E quando isso é feito com consciência ambiental e sensibilidade artística, estamos formando cidadãos mais criativos, atentos e responsáveis.
ATIVIDADE PRÁTICA
Orquestra Sustentável: Construindo Sons e Descobrindo o Sustain
Público-alvo:
Educação Infantil (4+) e Ensino Fundamental I
(com adaptações possíveis para outras faixas etárias)
Duração:
1h a 1h30
Objetivos de Aprendizagem:
Explorar fenômenos sonoros (sustain, timbre, altura e intensidade)
Estimular criatividade, coordenação motora e escuta ativa
Desenvolver consciência ambiental por meio do reuso de materiais
Vivenciar conceitos STEAM de forma lúdica e prática
Materiais (reutilizados e seguros):
Garrafas PET, latas, potes plásticos
Tampinhas, grãos, areia, pedrinhas
Elásticos, barbante, fita adesiva
Caixas de papelão
Tesoura sem ponta
Canetinhas e materiais para decoração
ETAPA 1 - Construção dos Instrumentos (Cultura Maker)
Convide as crianças a escolherem materiais e criarem seu próprio instrumento:
Sugestões:
Chocalhos (garrafa + grãos)
Tambores (lata ou pote + balão ou papel)
Cordofone simples (caixa + elásticos)
Mediação:
“O que acontece com o som quando mudamos o material?”
“Esse som dura muito ou pouco?”
ETAPA 2 - Descobrindo os Sons (Fenômenos Musicais)
Com os instrumentos prontos, explore:
- Sustain
Toque o instrumento e conte quanto tempo o som permanece.
Compare sons curtos e longos.
- Intensidade
Toque forte e fraco.
Observe como o corpo reage ao som.
- Altura
Sons mais graves ou agudos (grãos grandes x pequenos, elásticos grossos x finos).
- Timbre
Compare instrumentos diferentes tocando o “mesmo ritmo”.
ETAPA 3 - Experimentação STEAM
Proponha desafios:
“Como fazer o som durar mais?”
“O que muda se colocarmos mais grãos?”
“E se trocarmos o material da caixa?”
- Aqui entram ciência (som), engenharia (estrutura), matemática (quantidade/tempo) e arte (expressão).
ETAPA 4 - Orquestra Sustentável
Organize uma roda
Crie sinais para começar, parar, tocar forte ou suave
Monte uma pequena composição coletiva
- Valorize o silêncio como parte da música.
ETAPA 5 - Roda de Conversa e Consciência Ambiental
Converse com as crianças:
O que era esse material antes?
Ele iria para o lixo?
O que aprendemos com essa transformação?
Avaliação (qualitativa e lúdica):
Participação e envolvimento
Capacidade de escuta
Criatividade na construção
Curiosidade e experimentação
(Pode ser feita por observação, fotos ou relatos das crianças)
ADAPTAÇÕES INCLUSIVAS
Sons táteis e vibrações para crianças com deficiência visual
Instrumentos leves e grandes para idosos ou crianças pequenas
Ritmos simples e repetitivos para crianças com TEA
Encerramento Poético:
“O som nasce do movimento,
o instrumento nasce da imaginação,
e o cuidado com o planeta nasce quando aprendemos brincando.”
SEQUÊNCIA DIDÁTICA
Descobrindo o Som: Música, Ciência e Sustentabilidade
Público-alvo:
Educação Infantil (4–5 anos) e Ensino Fundamental I (1º ao 3º ano)
(com adaptações possíveis)
Duração:
7 encontros de 50 a 60 minutos
(pode ser compactada ou ampliada)
Objetivo Geral:
Vivenciar os fenômenos do som por meio da construção de instrumentos sustentáveis, promovendo aprendizagem STEAM, escuta sensível, criatividade e consciência ambiental.
COMPETÊNCIAS DESENVOLVIDAS
Escuta ativa e percepção sonora
Coordenação motora e expressão corporal
Investigação, experimentação e criatividade
Consciência ambiental e consumo consciente
Trabalho coletivo e respeito ao silêncio
AULA 1 - O QUE É SOM?
Foco: Vibração
Objetivos específicos:
Compreender que o som nasce do movimento
Sentir o som com o corpo
Atividades:
Bater palmas, pés e objetos
Encostar a mão no instrumento enquanto toca
Sentir vibração no peito ao falar
Mediação:
“O som se mexe?”
“O que acontece quando paramos?”
- Registro Desenho livre: “Como o som se move?”
AULA 2 - SONS QUE DURAM MAIS OU MENOS
Foco: Sustain
Objetivos:
Identificar sons curtos e longos
Comparar materiais
Atividades:
Testar tambor, chocalho e elástico
Contar o tempo do som com palmas
Desafio STEAM:
“Como fazer o som durar mais?”
AULA 3 - SOM FORTE E SOM FRACO
Foco: Intensidade
Objetivos:
Controlar força e intenção sonora
Desenvolver escuta coletiva
Atividades:
Tocar forte / suave
Jogo do maestro (gestos indicam intensidade)
- Valor socioemocional Respeito ao espaço e ao outro
AULA 4 - GRAVE OU AGUDO?
Foco: Altura
Objetivos:
Diferenciar sons graves e agudos
Relacionar som e material
Atividades:
Elásticos grossos x finos
Grãos grandes x pequenos
Movimento corporal (grave = baixo / agudo = alto)
- STEAM Classificar, comparar e testar
AULA 5 CADA SOM É ÚNICO
Foco: Timbre
Objetivos:
Reconhecer identidade sonora
Valorizar diversidade
Atividades:
Mesmo ritmo em materiais diferentes
Jogo “Quem está tocando?”
Conexão humana:
“Assim como os sons, as pessoas são diferentes.”
AULA 6 - O SOM GANHA CORPO
Foco: Ressonância
Objetivos:
Entender o papel do espaço
Experimentar caixas e recipientes
Atividades:
Tocar dentro e fora da caixa
Explorar eco e amplificação
- Ciência viva Som + espaço = ressonância
AULA 7 - SILÊNCIO E CRIAÇÃO COLETIVA
Foco: Silêncio e Orquestra Sustentável
Objetivos:
Integrar todos os fenômenos
Criar música coletiva
Atividades:
Construção final dos instrumentos
Orquestra sustentável com sinais
Momentos de silêncio consciente
Encerramento poético:
“O silêncio organiza o som.”
AVALIAÇÃO (PROCESSUAL E SENSÍVEL)
Participação e curiosidade
Capacidade de escuta
Criatividade e experimentação
Trabalho em grupo
- Sem provas: observação, registros visuais, falas das crianças.
ADAPTAÇÕES INCLUSIVAS
Vibração e som tátil (deficiência visual)
Ritmos simples e previsíveis (TEA)
Instrumentos grandes e leves (idosos / EI)
CONEXÃO COM SUSTENTABILIDADE
Origem dos materiais
Reuso e transformação
Redução do descarte
Cuidado com o ambiente
FRASE-SÍNTESE DA SEQUÊNCIA
Quando a criança constrói, escuta e cria,
ela aprende ciência, arte e cuidado com o planeta ao mesmo tempo.
Cultura indígena e educação do olhar
São Paulo nasceu indígena: rios, barro e memória
Antes de ser cidade, São Paulo era território indígena.
Antes do concreto, havia barro.
Antes das avenidas, rios vivos moldavam o cotidiano.
No Rio Piratininga, peixes ficavam presos nas margens quando as águas baixavam. O mesmo acontecia no Rio dos Tamanduás e no Anhangabaú, todos nomes em tupi, lembrando que São Paulo fala, desde a origem, uma língua indígena.
Cada nome carrega um significado, uma relação com a natureza, um modo de viver. São Paulo é indígena na raiz, mesmo quando tenta esquecer.
O colégio de barro e a cidade que surgiu ao redor
No século XVI, padres jesuítas como Manuel da Nóbrega e José de Anchieta chegaram a esse território. A primeira construção importante da cidade foi o Colégio de São Paulo, feito de taipa de pilão, barro, terra, água e mãos.
Essa parede de taipa, ainda existente no Pátio do Colégio, é considerada a parede mais antiga de São Paulo. Ela não foi erguida sozinha: foi construída com o conhecimento de artesãos indígenas, que dominavam técnicas de construção com terra muito antes da chegada dos europeus.
Há muitos símbolos, muitas leituras possíveis…
Mas a origem é uma só.
Catequização, língua e saberes
A Companhia de Jesus teve papel central na formação da cidade. A catequização dos povos indígenas foi parte desse processo complexo, contraditório e histórico.
José de Anchieta, além de religioso, foi linguista, educador, escritor e cozinheiro. No século XVI, escreveu a gramática da língua tupi, registrando uma língua viva, falada e cantada.
Também adaptou receitas: a mandioca virou base de uma nova culinária, uma espécie de “massa de pão dos trópicos”, mistura de saber indígena e adaptação europeia.
Educação, língua, comida e fé se cruzavam no cotidiano.
Biblioteca, memória e centro histórico
Nomes como Padre Antônio Vieira e Anchieta fazem parte dessa história que pode ser revisitada hoje no Museu Anchieta, na biblioteca do Pátio do Colégio, no coração do centro histórico de São Paulo.
Estátuas de barro, figuras simples os “paulistinhas” lembram que a cidade nasceu pequena, feita de terra, mãos e encontros culturais.
Educar o olhar para a origem
Conhecer essa história é mais do que aprender datas.
É perceber que São Paulo não começou em prédios altos, mas em rios, trilhas, palavras indígenas e paredes de barro.
Olhar para a cidade com esse cuidado é também um ato educativo: reconhecer a origem, valorizar os povos indígenas e compreender que a cidade que somos hoje nasceu de muitas mãos, mas de um só chão.
São Paulo é indígena.
E essa memória ainda pulsa sob nossos pés.
São Paulo: onde tudo começou
A cidade de São Paulo nasceu de forma simples e cheia de significado. No dia 25 de janeiro de 1554, em uma pequena cabana de pau-a-pique, foi fundado o Colégio de São Paulo de Piratininga. A partir desse gesto singelo, em meio à mata e aos caminhos indígenas, começava a história de uma das maiores cidades do mundo.
Da primeira construção, feita com materiais simples e saberes da época, não restam vestígios materiais. O tempo passou, a cidade cresceu, se transformou. Mas a memória permaneceu.
Aqui, no Pateo do Collegio, preserva-se a parede mais antiga de São Paulo, construída em taipa-de-pilão, técnica ancestral que mistura terra, água e trabalho humano. Essa parede é remanescente da segunda edificação do Colégio, erguida ainda no século XVI, e segue de pé como testemunha silenciosa da história.
Dizem que as paredes têm ouvidos…
Se isso for verdade, imagine quantas histórias essa parede já escutou: encontros, conflitos, orações, decisões, sonhos e transformações. Séculos de vida pulsando ao seu redor.
São Paulo nasceu assim: pequena, feita de terra, mãos e esperança.
E é por isso que olhar para esse lugar é também olhar para nossas origens.
São Paulo: onde tudo começou.
sábado, 24 de janeiro de 2026
Atividades adaptadas - celas braille
Como é formada uma cela braille?
Os pontos são numerados de cima para baixo, coluna da esquerda: pontos 1, 2, 3
Coluna da direita: pontos 4, 5, 6
A disposição dos pontos em duas colunas verticais permite 63 combinações
Alguns consideram a célula vazia como um símbolo também, totalizando 64 combinações
Quem criou o braille?
Louis Braille criou o braille em 1824. O braille é um sistema de leitura para pessoas cegas ou com baixa visão.
Como ler braille?
As células braille são dispostas em linhas impressas em papel ou noutro suporte tátil
Os pontos em relevo podem ser lidos com os dedos
Linhas braille eletrônicas
As linhas braille eletrônicas permitem aos seus utilizadores a interação com computadores e dispositivos móveis
A maioria das linhas braille tem teclas com funções diversas, que permitem dispensar os teclados tradicionais
O Braille não é uma língua e, sim, um código pelo qual muitos idiomas como português, inglês, espanhol, árabe, chinês e dezenas de outros podem ser escritos e lidos. É usado por milhares de pessoas em todo o mundo em suas línguas nativas e fornece um meio de alfabetização para todos.
Não é alfabeto e sim código. Código para leitura e não para escrita.
A música e a existência humana: um encontro que atravessa o tempo
Quando a imaginação ganha patas, asas e caudas!
Quem disse que papelão é só caixa?
Na mão das crianças (e dos adultos também!), ele vira leão, tartaruga, pássaro, peixe e até animais que não existem em nenhum livro só na imaginação
Criar animais com papelão é muito mais do que uma atividade artística. É uma experiência completa:
Criatividade em ação - transformar um material simples em algo cheio de vida
Consciência ambiental - reaproveitar, cuidar do planeta, reinventar
Desenvolvimento cognitivo - planejamento, solução de problemas, imaginação
Coordenação motora - cortar, colar, montar, pintar
Expressão e narrativa - cada animal ganha nome, história, som e personalidade
Vale tudo:
- recortes irregulares
- texturas diferentes
- tintas, canetinhas, colagens
- olhos grandes, patas tortas, asas coloridas
Aqui não existe certo ou errado.
Existe processo, descoberta e encantamento
Dica educativa: depois de prontos, os animais podem virar personagens para histórias, teatro, jogos simbólicos ou projetos sobre natureza, biodiversidade e sustentabilidade.
Porque quando damos espaço para criar, o papelão deixa de ser descarte…
e vira arte, brincadeira e aprendizado
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Pandeiro: o coração do samba nas mãos
Um tabuleiro redondo (de torta) ou uma lata de biscoitos.
Irá remover o fundo com um abridor de latas.
Um grande balão ou pedaço de couro
Elástico.
Tesoura.
Modo de fazer:
- Cortar a ponta do balão
- Estique o balão no recipiente e prenda com um elástico
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Saxofone: um instrumento de muitas possibilidades
O saxofone é um instrumento de sopro fascinante, conhecido por sua versatilidade, expressividade e presença marcante em diversos estilos musicais. Do jazz à música clássica, da banda escolar à música popular, ele se adapta, dialoga e emociona.
- Pode ser tocado de diversas maneiras
O saxofone permite diferentes formas de tocar e se expressar:
Sons suaves ou intensos
Frases longas ou curtas
Ritmos marcados ou livres
Improvisação ou leitura musical
Tudo depende da respiração, da embocadura, da posição do corpo e da intenção musical. Cada músico desenvolve, com o tempo, sua própria identidade sonora.
-Praticar faz toda a diferença
A prática constante é essencial para:
Melhorar o controle da respiração
Afinar o som
Ganhar agilidade nos dedos
Desenvolver percepção auditiva
Praticar não é apenas repetir, mas escutar, sentir e experimentar o instrumento. Mesmo poucos minutos por dia fazem grande diferença no aprendizado.
- Podemos mudar a chave
No saxofone, usamos chaves para produzir diferentes notas. Ao pressioná-las, alteramos o caminho do ar e, consequentemente, o som.
Além disso, existem diferentes tipos de saxofone, cada um afinado em uma tonalidade (como sax alto, tenor, soprano e barítono), o que amplia ainda mais as possibilidades musicais.
- Aprender música é um processo
Tocar saxofone é um caminho de descoberta: envolve disciplina, escuta, sensibilidade e criatividade. É um instrumento que convida à expressão do corpo inteiro, o sopro, os dedos, a postura e a emoção.
Mais do que tocar notas, o saxofone nos ensina a respirar música.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Construa seus próprios instrumentos musicais
ALGUMAS SUGESTÕES
Saxofone
As crianças ficarão abismadas, quando descobrirem que é possível tirar som de um saxofone construído com canos de pvc.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Sustentabilidade, educação e cidadania
ODS 9: Trabalhar Juntos para Inovar e Construir Cidades Sustentáveis
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 9 (ODS 9) nos convida a imaginar e construir um futuro melhor por meio da inovação, da infraestrutura de qualidade e de uma industrialização inclusiva e sustentável. Ele nos lembra que o progresso só faz sentido quando todas as pessoas prosperam juntas.
- Construir uma nova cidade: para quem e para quê?
Pensar em uma cidade nova não é apenas desenhar prédios e ruas. É planejar espaços onde:
As pessoas tenham acesso à moradia segura
A energia limpa seja prioridade
A infraestrutura seja resiliente a catástrofes naturais
O desenvolvimento econômico caminhe junto com o cuidado ambiental
Cidades sustentáveis são aquelas que protegem vidas, respeitam a natureza e oferecem oportunidades para todos.
- Energia limpa: base do futuro
A inovação começa pela forma como produzimos e usamos energia. Fontes renováveis como solar, eólica e biomassa reduzem impactos ambientais e tornam as cidades mais eficientes e saudáveis. Investir em energia limpa é investir em qualidade de vida e em um planeta equilibrado.
- Agricultura familiar: inovação que alimenta a cidade
A agricultura familiar é parte essencial da infraestrutura sustentável. Ela:
Garante segurança alimentar
Fortalece a economia local
Reduz impactos ambientais com produção de alimentos mais próximos do consumidor
Valoriza saberes tradicionais aliados à inovação tecnológica sustentável
Hortas urbanas, quintais produtivos, cooperativas e circuitos curtos de comercialização conectam o campo e a cidade, promovendo desenvolvimento equilibrado.
- Industrialização inclusiva e responsável
A indústria tem papel fundamental no desenvolvimento, mas precisa ser:
Inclusiva, gerando empregos dignos
Sustentável, reduzindo resíduos e poluição
Responsável, respeitando pessoas e recursos naturais
Quando a inovação tecnológica apoia a agricultura familiar — como sistemas de irrigação eficientes, energia solar e logística inteligente — o desenvolvimento se torna mais justo.
- Casas preparadas para enfrentar catástrofes
Infraestrutura também significa proteção. Moradias bem planejadas, com materiais adequados e localização segura, ajudam comunidades a enfrentar enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos. Prevenir é sempre melhor do que reconstruir.
- Fomentar a sustentabilidade desde a educação
Na escola, o ODS 9 pode ser trabalhado por meio de:
Projetos de cidades sustentáveis com hortas comunitárias
Maquetes integrando energia limpa, moradia e agricultura familiar
Debates sobre inovação, tecnologia, produção de alimentos e responsabilidade social
Atividades que estimulem o trabalho coletivo, a criatividade e o cuidado com a terra
Educar para a inovação é formar cidadãos capazes de transformar o mundo com consciência e colaboração.
- Trabalhar junto para prosperar
O ODS 9 nos ensina que ninguém constrói o futuro sozinho. Quando inovação, infraestrutura, indústria responsável e agricultura familiar caminham juntas, criamos cidades onde todos prosperam.
Inovar é cuidar. Construir é incluir. Produzir é sustentar.
Brincando com a matemática
Fácil de preparar, trabalha habilidades cognitivas,contagem e muito maisComo transformar a Matemática em uma experiência lúdica, significativa e encantadora na Educação Infantil?
Quando pensamos em Matemática na Educação Infantil, não falamos de números soltos no papel, fichas repetitivas ou conceitos abstratos antecipados. Falamos de experiência, corpo, brincadeira, curiosidade e sentido.
A Matemática está presente desde cedo na vida das crianças:
na divisão dos brinquedos, na contagem dos passos, nas formas dos objetos, no ritmo das músicas, nas receitas, nas construções, nos jogos e nas descobertas cotidianas.
Um novo olhar para a Matemática
O desafio e ao mesmo tempo a grande oportunidade é repensar o fazer pedagógico, transformando a Matemática em uma linguagem viva, explorada de forma:
LúdicaSignificativaIntencionalIntegrada às brincadeirasRespeitosa aos tempos e ritmos de cada criança
O objetivo não é acelerar aprendizagens, mas garantir experiências ricas que construam uma base sólida para o pensamento lógico, a resolução de problemas e a autonomia intelectual.
Matemática que nasce da experiência
Na Educação Infantil, a Matemática acontece quando a criança:
Compara tamanhos, quantidades e pesosExplora formas, espaços e trajetosReconhece padrões em músicas, histórias e movimentosOrganiza, classifica e cria estratégiasLevanta hipóteses e testa possibilidades
Tudo isso sem precisar nomear conceitos abstratos, mas vivenciando-os de forma concreta e prazerosa.
Brincar é aprender Matemática
As brincadeiras são o principal território da aprendizagem matemática na infância.
É nelas que a criança:
Conta para saber “se tem para todo mundo”Mede para construir uma torre mais altaOrganiza para brincar melhorCalcula mentalmente ao dividir, juntar ou tirarDesenvolve noções de tempo, espaço e quantidade
A Matemática, assim, deixa de ser um conteúdo e passa a ser uma experiência de descoberta.
O papel do educador: intencionalidade e escuta
Transformar a Matemática em uma experiência enriquecedora exige do educador:
Observação atenta das brincadeirasEscuta sensível das hipóteses das criançasPropostas desafiadoras, sem excesso de explicaçõesAmbientes organizados, ricos em materiais exploráveisPerguntas abertas, que provoquem reflexão
Mais do que ensinar respostas, o educador cria situações-problema que despertam o pensamento matemático.
Garantindo direitos de aprendizagem
Essa abordagem respeita os direitos de aprendizagem da Educação Infantil:
ConviverBrincarParticiparExplorarExpressarConhecer-seA Matemática, nesse contexto, contribui para o desenvolvimento integral , cognitivo, emocional, social e corporal, sem pressões ou antecipações inadequadas. Encantar para aprenderQuando a Matemática é vivida com sentido, ela encanta.
E quando encanta, desperta curiosidade, confiança e prazer em aprender.
Investir em experiências matemáticas lúdicas na Educação Infantil é plantar sementes para aprendizagens futuras, formando crianças que pensam, questionam, criam e se relacionam de forma positiva com o conhecimento.
Porque a Matemática, antes de ser número, é experiência.

























