*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.
A tese que fundamenta este blog parte de uma ideia simples e duradoura: a infância, o brincar, a cultura, a natureza e as relações humanas constituem dimensões essenciais da formação do indivíduo e da construção da vida em sociedade. Embora os contextos históricos, as tecnologias e os modos de viver se transformem, essa base permanece atual. Por isso, não se trata de uma tese vinculada a uma época específica, mas de uma perspectiva que atravessa gerações e continua encontrando sentido sempre que uma criança brinca, aprende, cria, convive e estabelece sua relação com o mundo.

A INFÂNCIA EM TRÂNSITO: MEMÓRIA, CULTURA E FUTURO

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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

COMUNIDADE ANDINA (CAN):


A América Andina como território de aprendizagem

Estudar a Comunidade Andina (CAN) é uma oportunidade de compreender como território, história, cultura, economia e natureza se relacionam na organização das sociedades. Mais do que localizar países em um mapa, a proposta é investigar como as populações ocupam os territórios, desenvolvem conhecimentos, produzem alimentos, estabelecem relações comerciais e constroem formas de convivência.

A Comunidade Andina é uma organização de integração regional formada por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Sua origem está no Acordo de Cartagena, assinado em 26 de maio de 1969. A integração busca ampliar a cooperação entre os países membros e favorecer o desenvolvimento econômico e social da região.

Para a educação, esse tema permite aproximar a Geografia da História, da Economia, das Ciências da Natureza, da Matemática, das Artes e da Educação Ambiental. O estudante deixa de ser apenas um observador de mapas e passa a investigar as relações que transformam os territórios.

1. Geografia: compreender os Andes e seus territórios

A Cordilheira dos Andes atravessa a América do Sul e influencia o clima, a disponibilidade de água, a biodiversidade, os deslocamentos humanos e as atividades econômicas. Entretanto, os países andinos não são homogêneos: apresentam diferentes paisagens, populações, histórias, ecossistemas e formas de ocupação territorial.

Na Bolívia, no Peru, no Equador e na Colômbia, a relação entre montanhas, planaltos, vales, florestas, áreas costeiras e cidades produz diferentes condições de vida e de trabalho. A presença dos Andes não elimina a diversidade interna de cada país; ao contrário, ajuda a compreender parte das diferenças regionais.

Uma atividade pedagógica consiste em construir um mapa tridimensional da região, utilizando papelão, papel reutilizado, massa de modelar ou outros materiais disponíveis. Os estudantes podem representar a cordilheira, os rios, as áreas de floresta, as cidades e as rotas de circulação. O mapa torna-se um instrumento de investigação: onde vivem as populações? Como as mercadorias circulam? Quais áreas enfrentam dificuldades de acesso? Como o relevo interfere no transporte e no custo dos produtos?

2. Povos originários: conhecimentos, culturas e continuidade histórica

A história da região andina não começa com a chegada dos europeus. Povos originários desenvolveram conhecimentos agrícolas, técnicas de manejo da água, sistemas de cultivo, formas de organização comunitária, expressões artísticas, línguas e conhecimentos ambientais transmitidos entre gerações.

A batata, o milho e a quinoa são exemplos de alimentos associados a antigas práticas agrícolas andinas, embora sua produção e seu consumo também estejam presentes em outros territórios. A diversidade de variedades, os conhecimentos sobre os ciclos ambientais e a seleção de plantas revelam a importância das relações entre cultura, alimentação e biodiversidade.

Estudar esses conhecimentos exige evitar estereótipos. Os povos indígenas não pertencem apenas ao passado nem formam um grupo cultural único. São comunidades contemporâneas, com diferentes identidades, línguas, modos de vida, reivindicações e relações com a tecnologia, a educação e a economia.

Uma proposta de atividade é pesquisar uma prática cultural ou agrícola específica, identificando sua origem, sua função, suas transformações históricas e sua relevância atual. Tecelagem, cerâmica, cultivo em diferentes altitudes e manejo da água podem ser investigados com fontes confiáveis, respeitando os direitos culturais e a autoria dos conhecimentos.

3. Geoeconomia: produção, circulação e comércio

A geoeconomia investiga como a localização, os recursos naturais, a infraestrutura, a tecnologia e as decisões políticas influenciam a produção e o comércio. Na região andina, o relevo, as distâncias, as condições climáticas e o acesso aos portos e aos mercados interferem na circulação de mercadorias.

A agricultura, a mineração, a indústria, o turismo e os serviços apresentam diferentes pesos nas economias dos países membros. A importância de cada atividade varia conforme o país e a região, por isso é necessário consultar dados atualizados antes de fazer comparações.

Uma investigação escolar pode acompanhar o caminho de um produto: onde é produzido, quais recursos são utilizados, como é transportado, quem participa da cadeia produtiva e onde ocorre a venda. O estudante pode calcular distâncias, estimar custos de transporte e comparar preços, compreendendo que o valor final de um produto não depende apenas da matéria-prima.

Esse estudo também permite discutir trabalho, renda, infraestrutura, acesso a mercados e desigualdades territoriais. Uma região pode possuir recursos naturais relevantes e, ainda assim, enfrentar dificuldades relacionadas ao transporte, ao financiamento, à tecnologia ou à distribuição dos benefícios econômicos.

4. Biodiversidade e sustentabilidade: o território como responsabilidade coletiva

Os países da Comunidade Andina apresentam grande diversidade de ecossistemas, incluindo ambientes montanhosos, florestas, áreas costeiras e regiões de transição ecológica. Essa diversidade sustenta espécies, atividades produtivas e modos de vida, mas também enfrenta pressões relacionadas à perda de habitats, à poluição, às mudanças climáticas e ao uso inadequado dos recursos naturais.

A educação ambiental precisa ultrapassar a simples identificação de problemas. É importante investigar causas, consequências, responsabilidades e possibilidades de ação. Como proteger nascentes? Como reduzir desperdícios? De que maneira a agricultura pode conservar o solo? Como o consumo de um produto interfere em territórios distantes?

Os estudantes podem elaborar uma ficha de investigação ambiental, registrando o problema observado, as evidências encontradas, os grupos afetados, as possíveis soluções e os limites de cada proposta. O objetivo não é apresentar respostas simplistas, mas desenvolver a capacidade de analisar situações reais e tomar decisões fundamentadas.

Na perspectiva da Brincadeira Sustentável, materiais que seriam descartados podem ganhar novas funções em mapas, maquetes, jogos, painéis e objetos educativos. Essa transformação, porém, não substitui políticas de conservação nem resolve, isoladamente, os problemas ambientais. Ela contribui para desenvolver percepção, criatividade, responsabilidade material e compreensão dos ciclos de uso dos recursos.

5. Matemática: transformar informações em conhecimento

A Matemática permite analisar os territórios com mais precisão. Em uma atividade sobre a Comunidade Andina, os estudantes podem trabalhar com escalas cartográficas, proporções, distâncias, áreas, tabelas, gráficos e interpretação de indicadores socioeconômicos e ambientais.

Uma proposta consiste em escolher um produto agrícola e comparar sua produção, seus preços ou seus destinos comerciais em fontes estatísticas confiáveis. Antes de comparar números, é necessário observar o ano dos dados, a unidade de medida, a origem da informação e os critérios utilizados.

Também é possível simular uma cadeia de comercialização. Os grupos calculam custos de produção, embalagem, transporte e distribuição, distinguindo faturamento, custos, lucro e preço final. A atividade evidencia que decisões econômicas envolvem escolhas, riscos, infraestrutura e relações entre diferentes agentes.

6. Arte e cultura: criar para investigar e comunicar

As expressões artísticas podem funcionar como instrumentos de pesquisa e comunicação. Desenhos, mapas ilustrados, padrões geométricos, narrativas, modelagem e produção de objetos ajudam os estudantes a representar conhecimentos sobre os territórios.

A proposta não é copiar símbolos culturais sem contexto, mas pesquisar seus significados, suas origens e seus usos, reconhecendo que determinadas expressões pertencem a comunidades específicas. Quando possível, devem ser utilizadas fontes produzidas pelos próprios povos e artistas estudados.

A construção de um painel coletivo pode reunir mapas, informações verificadas, desenhos, dados econômicos, registros ambientais e perguntas elaboradas pelos estudantes. Assim, a produção artística não aparece como decoração da aula, mas como parte do processo de investigação.

7. Interculturalidade: diferenças, cooperação e cidadania global

A integração regional envolve negociações políticas, relações econômicas, circulação de pessoas e cooperação entre países. Também exige reconhecer diferenças históricas, linguísticas, sociais e culturais sem transformar essas diferenças em hierarquias.

A Comunidade Andina pode ser comparada a outros blocos e mecanismos de integração, como o Mercosul e a União Europeia. A comparação deve considerar objetivos, países participantes, formas de organização e desafios, sem presumir que todas as organizações funcionem da mesma maneira.

Na feira intercultural, os estudantes podem apresentar a Comunidade Andina por meio de mapas, objetos produzidos com materiais reutilizados, jogos de perguntas, pequenas exposições e explicações sobre a relação entre cultura, território e economia. A apresentação deve privilegiar informação confiável, respeito cultural e participação de todos.

8. Proposta didática: mapa coletivo e lembrança educativa

Tema: Comunidade Andina - territórios, culturas e biodiversidade.

Público: atividade adaptável à Educação Básica, com aprofundamento conforme a faixa etária.

Objetivo geral: compreender relações entre território, cultura, economia, biodiversidade e integração regional por meio de pesquisa, criação e comunicação.

Etapas de trabalho:

  1. Investigar: localizar Bolívia, Colômbia, Equador e Peru; pesquisar a formação da Comunidade Andina e suas características territoriais.
  2. Contextualizar: estudar aspectos culturais, históricos, ambientais e econômicos com fontes confiáveis.
  3. Construir: elaborar um mapa coletivo com relevo, rios, ecossistemas, cidades e rotas selecionadas.
  4. Experimentar: desenvolver um jogo de perguntas, uma simulação de circulação de mercadorias ou uma investigação sobre um produto.
  5. Registrar: organizar referências, dados, desenhos, fotografias autorizadas e conclusões.
  6. Compartilhar: apresentar o trabalho ao público, explicando o que foi aprendido e quais questões continuam abertas.

Como lembrança da feira, os estudantes podem produzir um marcador de páginas com papelão limpo ou papel reutilizado. Na frente, podem inserir o nome da Comunidade Andina e a identificação dos quatro países membros. No verso, uma frase educativa: “Conhecer os territórios, respeitar as culturas e preservar os conhecimentos para as próximas gerações.” A produção deve ser acompanhada de informações verificadas e não utilizar símbolos culturais fora de contexto.

9. Os seis eixos da Brincadeira Sustentável

A proposta pode ser organizada em seis eixos complementares:

Arte: criação de mapas, painéis, maquetes e objetos educativos.

Cultura: pesquisa sobre histórias, línguas, práticas sociais e conhecimentos dos povos da região.

Natureza e território: análise do relevo, dos ecossistemas, da biodiversidade e das relações entre sociedade e ambiente.

Convivência e participação: trabalho colaborativo, escuta, divisão de responsabilidades e respeito às diferenças.

Inclusão e acessibilidade: utilização de materiais táteis, recursos visuais, linguagem clara e diferentes formas de participação, conforme as necessidades dos estudantes.

Documentação e avaliação: registro das fontes consultadas, dos procedimentos, das descobertas, das dificuldades e das aprendizagens desenvolvidas.

A avaliação pode considerar a qualidade da pesquisa, a compreensão dos conceitos, a capacidade de relacionar informações, a colaboração e a clareza da apresentação. O processo importa tanto quanto o objeto final.

Considerações finais

Estudar a Comunidade Andina é compreender que os territórios não são apenas espaços desenhados nos mapas. São lugares de memória, trabalho, produção, circulação, diversidade biológica, conhecimento e relações humanas. A integração regional, por sua vez, não se resume ao comércio: envolve cooperação, decisões políticas, desafios ambientais e a necessidade de construir formas mais justas de desenvolvimento.

Na Brincadeira Sustentável, aprender significa investigar, contextualizar, experimentar, criar, registrar e compartilhar. Um material reutilizado pode tornar-se mapa, jogo ou suporte de comunicação; uma atividade artística pode estimular uma pergunta geográfica; e uma pesquisa econômica pode revelar como decisões tomadas em diferentes escalas afetam a vida cotidiana.

O conhecimento ganha sentido quando permite compreender melhor o mundo e agir com responsabilidade. Conhecer para valorizar. Criar para compreender. Preservar para transmitir às próximas gerações.


USMCA

COMO O COMÉRCIO INTERNACIONAL TRANSFORMA TERRITÓRIOS

O comércio internacional não se resume à compra e à venda de mercadorias. Por trás de cada produto existem territórios, recursos naturais, trabalhadores, tecnologias, infraestrutura, decisões políticas, custos de produção e relações entre países. Estudar os acordos comerciais permite compreender como a economia se organiza no espaço geográfico e como decisões tomadas entre governos podem repercutir nas empresas, nos empregos, nos preços e na vida cotidiana da população.

O USMCA, sigla utilizada nos Estados Unidos para o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá, constitui um campo de investigação interdisciplinar para o Ensino Fundamental, Anos Finais e o Ensino Médio. No Canadá, o acordo é conhecido como CUSMA; no México, como T-MEC. O tratado entrou em vigor em 1º de julho de 2020, substituindo o NAFTA, acordo anterior entre os três países.

A análise do USMCA possibilita articular Geografia, História, Economia, Sociologia, Matemática, Língua Inglesa, Educação Ambiental e Educação Profissional, partindo de situações concretas para investigar as relações entre território, produção, circulação, consumo e trabalho.

GEOGRAFIA E GEOPOLÍTICA: O TERRITÓRIO COMO ELEMENTO ECONÔMICO

Estados Unidos, México e Canadá compartilham o espaço geográfico da América do Norte, mas apresentam diferenças territoriais, demográficas, econômicas, ambientais e sociais. A localização das cidades, a disponibilidade de recursos naturais, as características do relevo, o clima, a infraestrutura de transportes, o acesso aos portos e a distribuição das atividades industriais influenciam as possibilidades de produção e circulação de mercadorias.

A Geopolítica permite investigar como os países defendem seus interesses, negociam regras, estabelecem prioridades e administram divergências. A Geoeconomia, por sua vez, examina como o comércio, os investimentos, a infraestrutura, a tecnologia, os recursos naturais e as políticas econômicas participam das relações de poder entre territórios.

Essas perspectivas ajudam a compreender que a integração comercial não elimina as diferenças entre os países. Ao contrário, exige negociações permanentes sobre interesses que podem coincidir em determinados setores e divergir em outros.

CADEIAS PRODUTIVAS: A HISTÓRIA DE UM PRODUTO

Um automóvel pode servir como ponto de partida para investigar a organização econômica da América do Norte. Sua fabricação envolve matérias-primas, componentes eletrônicos, metais, plásticos, pneus, máquinas, energia, trabalhadores especializados, sistemas de informação e redes de transporte.

Uma mesma cadeia produtiva pode envolver fornecedores, fábricas e centros de distribuição localizados em diferentes países. As peças são transportadas, transformadas, montadas e comercializadas até chegar ao consumidor. Por isso, uma interrupção logística, uma alteração no preço da energia ou uma mudança nas regras comerciais pode repercutir em diversas etapas da produção.

O USMCA estabelece regras para o comércio entre os três países, incluindo critérios de origem para que determinadas mercadorias possam receber tratamento tarifário preferencial. Compreender essas regras exige investigar onde os produtos são fabricados, de onde vêm seus componentes e quais condições precisam ser atendidas.

A atividade educativa pode começar com a seguinte pergunta: de quantas pessoas, profissões, recursos naturais e decisões econômicas depende a fabricação de um único automóvel?

A resposta transforma um objeto cotidiano em instrumento de investigação geográfica, econômica, tecnológica e social.

AGRICULTURA, RECURSOS NATURAIS E SEGURANÇA ALIMENTAR

A produção agrícola também permite compreender as relações entre território e economia. Clima, fertilidade do solo, disponibilidade de água, relevo, tecnologia, mecanização, mão de obra, armazenamento e transporte influenciam os custos e a produtividade.

A investigação pode comparar a produção de milho, trigo, frutas, carnes e laticínios, observando as diferenças entre as regiões produtoras e os mercados consumidores. Também permite discutir como a disponibilidade de alimentos, os hábitos culturais, os preços e as condições de transporte se relacionam com a organização do espaço econômico.

É importante evitar explicações simplificadas que atribuam o desenvolvimento agrícola exclusivamente às características naturais. A produtividade depende igualmente de infraestrutura, conhecimento técnico, acesso a equipamentos, financiamento, políticas públicas, organização do trabalho e condições de comercialização.

O estudo pode avançar para questões de segurança alimentar, uso responsável da água, conservação dos solos, desperdício de alimentos e impactos ambientais da produção e do transporte.

MATEMÁTICA E EDUCAÇÃO FINANCEIRA: CUSTO, PREÇO E LUCRO

A cadeia produtiva oferece uma situação concreta para trabalhar operações matemáticas e conceitos econômicos.

Os estudantes podem simular a produção e a comercialização de um objeto, registrando custos de matéria-prima, mão de obra, energia, embalagem, armazenamento e transporte. Em seguida, podem calcular o custo total, estabelecer um preço de venda hipotético e comparar os resultados de diferentes cenários.

É necessário distinguir conceitos que frequentemente são confundidos: receita corresponde ao valor obtido com as vendas; lucro é o resultado que permanece após a dedução dos custos e das despesas considerados no cálculo. O preço de venda não representa, por si só, o lucro de uma empresa.

A turma também pode investigar como câmbio, tributação, tarifas comerciais, juros, custo do capital e logística influenciam as decisões empresariais. Os números utilizados na simulação devem ser identificados como hipotéticos, quando não corresponderem a dados reais pesquisados.

Dessa maneira, a Matemática deixa de ser apenas um conjunto de operações abstratas e passa a contribuir para a interpretação de situações econômicas e para a tomada de decisões fundamentadas.

TRABALHO, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Toda cadeia produtiva depende de conhecimentos e atividades profissionais. Além dos trabalhadores diretamente envolvidos na fabricação, existem profissionais de logística, manutenção, engenharia, design, programação, administração, comércio exterior, comunicação, controle de qualidade e gestão ambiental.

A investigação permite compreender que o desenvolvimento tecnológico modifica os processos de trabalho, cria novas demandas de qualificação e transforma a organização das empresas. Também abre espaço para discutir remuneração, condições de trabalho, segurança, direitos trabalhistas e distribuição dos benefícios econômicos.

A Educação Profissional pode ser trabalhada desde a infância por meio da experimentação, da construção de objetos, da resolução de problemas, do planejamento e da valorização de diferentes competências. Arte, artesanato, tecnologia e trabalho não precisam ser tratados como campos isolados: podem integrar processos de criação, produção, análise e aperfeiçoamento.

SUSTENTABILIDADE: O QUE NÃO APARECE NO PREÇO

O preço de um produto não revela necessariamente todos os impactos associados à sua produção. Consumo de água e energia, emissões do transporte, extração de recursos naturais, geração de resíduos, descarte de embalagens e condições de trabalho precisam integrar a análise.

A sustentabilidade exige observar o ciclo de vida dos materiais, desde a obtenção da matéria-prima até o uso, a reutilização e a destinação final. Também exige considerar as relações humanas, a dignidade do trabalho, a responsabilidade compartilhada e os efeitos das decisões econômicas sobre as comunidades.

A atividade pode propor que os estudantes redesenhem uma etapa da cadeia produtiva para reduzir desperdícios, reaproveitar materiais, melhorar a eficiência logística ou prolongar a vida útil de um objeto. A proposta deve ser avaliada não apenas pelo custo financeiro, mas também pelos efeitos sociais e ambientais.

USMCA E MERCOSUL: COMPARAR PARA COMPREENDER

A comparação entre o USMCA e o Mercosul amplia a compreensão sobre a integração regional. Embora ambos envolvam relações comerciais entre países, possuem estruturas institucionais, compromissos e objetivos próprios, que devem ser estudados sem presumir que funcionem da mesma maneira.

O Mercosul permite investigar a integração sul-americana, a circulação de mercadorias, as diferenças econômicas entre as regiões, a infraestrutura, a produção agropecuária e industrial e as relações comerciais do Brasil com outros mercados.

A comparação também pode abordar os desafios enfrentados por empresas brasileiras: custos logísticos, tributação, produtividade, acesso a financiamento, inovação tecnológica, câmbio e exigências para entrada em mercados estrangeiros.

O objetivo não é estabelecer uma classificação entre blocos econômicos, mas compreender como diferentes formas de integração respondem a contextos históricos, geográficos e econômicos específicos.

PROPOSTA DIDÁTICA: MAPA INTERATIVO DAS CADEIAS PRODUTIVAS

A partir do tema USMCA, os estudantes podem construir um mapa gigante da América do Norte, identificando os três países, suas fronteiras, cidades industriais, áreas agrícolas, recursos naturais, portos e principais corredores de transporte.

Com papelão, embalagens limpas, etiquetas, barbante, desenhos e outros materiais reutilizáveis, a turma pode representar as etapas de uma cadeia produtiva. Setas indicam a circulação de matérias-primas, componentes e produtos acabados. Fichas informativas apresentam profissões, custos simulados, tecnologias utilizadas e questões ambientais.

Cada grupo escolhe um produto e documenta seu percurso. Durante a apresentação, os visitantes acompanham as etapas de produção, identificam os participantes envolvidos e investigam como alterações em uma parte da cadeia podem afetar as demais.

A atividade pode ser ampliada com uma simulação de negociação comercial, na qual os estudantes representam empresas, trabalhadores, consumidores e instituições públicas. Cada grupo apresenta interesses, analisa informações e procura formular propostas fundamentadas, respeitando as diferenças de perspectiva.

SEIS EIXOS PARA ORGANIZAR A APRENDIZAGEM

Arte: representação visual dos territórios, criação de mapas, construção de maquetes e elaboração de materiais expositivos.

Cultura: investigação dos hábitos alimentares, das expressões culturais, das línguas e das relações entre identidade, território e consumo, sem reduzir a diversidade de cada país a estereótipos.

Natureza e território: estudo dos recursos naturais, do clima, dos solos, da água, da infraestrutura e dos impactos ambientais da produção.

Convivência e participação: negociação, argumentação, escuta, cooperação, respeito às diferenças e análise de interesses diversos.

Inclusão e acessibilidade: mapas táteis, legendas, recursos visuais, instruções acessíveis e diferentes formas de participação e apresentação dos resultados.

Documentação e avaliação: registro das perguntas, fontes consultadas, mapas produzidos, cálculos, hipóteses, decisões, dificuldades encontradas e conclusões revisadas.

O percurso pode seguir uma sequência investigativa: ler, contextualizar, observar, pesquisar, mapear, construir, experimentar, interpretar, documentar, compartilhar e transmitir conhecimento.

CONCLUSÃO: COMPREENDER AS RELAÇÕES PARA TRANSFORMAR A REALIDADE

Estudar o USMCA é investigar como territórios, recursos naturais, tecnologias, trabalho, cultura e decisões econômicas se relacionam. Um produto deixa de ser apenas um objeto de consumo e passa a revelar uma rede de conhecimentos, atividades profissionais, deslocamentos e escolhas que conectam diferentes lugares.

Quando o estudante constrói um mapa, calcula custos, analisa uma cadeia produtiva, compara territórios e propõe soluções sustentáveis, desenvolve competências que podem acompanhar sua formação ao longo da vida. A aprendizagem se torna mais significativa quando articula conhecimento, experiência, investigação e responsabilidade.

Na Brincadeira Sustentável, transformar materiais também significa transformar a maneira de observar o mundo. A proposta não se limita à reciclagem: envolve criação, ressignificação, experimentação, educação ambiental, tecnologia assistiva, valorização do trabalho e construção de relações humanas mais responsáveis.


Uma lembrancinha interessante para o tema USMCA seria algo pequeno, bonito, útil e produzido pelos próprios alunos, com uma mensagem que conecte os três países à ideia de cooperação internacional e sustentabilidade.
Minha sugestão é criar um “Passaporte da Amizade - América do Norte”, acompanhado de um marcador de página artesanal. É econômico, fácil de reproduzir em quantidade e permite que cada visitante leve uma recordação educativa da feira.
Modelo da lembrancinha: marcador de página intercultural

Marcador de página intercultural

Materiais: papelão fino de embalagens limpas, papel reutilizado, lápis de cor ou caneta hidrocor, fita ou barbante e retalhos de papel.

Como produzir:
Recortar marcadores de aproximadamente 5 × 15 cm.
Desenhar um globo terrestre e as bandeiras dos Estados Unidos, México e Canadá.
Escrever o nome USMCA e uma frase em inglês.
Fazer um furo na parte superior e colocar um pequeno cordão.
No verso, incluir uma curiosidade sobre comércio, cultura ou sustentabilidade.

O diferencial educativo: cada aluno pode produzir marcadores com curiosidades diferentes. Assim, os visitantes recebem lembranças variadas e podem comparar informações sobre os três países.
Para manter a identidade da Brincadeira Sustentável, recomendo utilizar sobras de materiais de artesanato e embalagens limpas, demonstrando que a criação pode unir educação, economia de recursos e valorização do trabalho manual.


Percepção multissensorial e criatividade

Introdução Desde a infância, percebo o mundo de maneira predominantemente multissensorial. Letras, números, formas, cores, objetos e configu...