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VOCÊ PEGA UMA COISA E TRANSFORMA EM OUTRA. NÃO É APENAS RECICLAGEM, É ARTE!

Desde a pré-história, a arte sempre teve um sentido transformador, que não precisa de justificativas.
Esta para confundir, perturbar, provocar e incitar o espectador... um convite a reflexão sobre questões filosóficas e cotidianas.


O propósito do blog é: a experiência da ressignificação, de somar conhecimentos sobre a matéria que está sendo tratada. Especialmente aquelas que são complexas em locomover o objeto de estudo ao laboratório, por exemplo, na Astronomia. A observação junto com a experimentação, fazem parte de um método científico que trabalha de maneira complementária e permite realizar a verificação empírica dos fenômenos.

É a ressignificação da mente humana.

É a simplicidade e complexidade em um mesmo trabalho, transcendendo os limites físicos e lúdicos.

A RECICLAGEM MATERIAL , NÃO É A FINALIDADE DO BLOG.

E frente a ressignificação no que concerne a conscientização ambiental:

A relação consumista precisa ser reeducada,pois a raiz de impactos sociais e ambientais, é o consumo desenfreado, desequilibrado e descarte inadequado!

O consumo consciente ajuda a diminuir impactos negativos no meio em que vivemos.
Precisa-se ressignificar os pensamentos e conscientizar da vida em coletivo; conciliar o meio social e o natural ; e reavaliar a aprendizagem humana na perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional.


SUSTENTABILIDADE NÃO É SÓ MEIO AMBIENTE. TEM A VER COM LEGADO E RELAÇÕES HUMANAS. É um ato de civilidade, faz parte de uma harmonia social que demonstra respeito pelo próximo e torna a sociedade mais justa.

Renata Bravo
brincadeirasustentavel@gmail.com
ORAI E VIGIAI

Bem vindo e muito obrigada pela visita!

Plasticidade quer dizer MOLDÁVEL. Ter capacidade de se transformar, é uma das características do nosso sistema nervoso. A plasticidade neural é uma propriedade intrínseca do ser humano que acontece durante a aprendizagem ou durante as mudanças compensatórias causadas por uma lesão. Até pouco tempo acreditava-se que a plasticidade existia somente na infância, ou seja, enquanto o cérebro não teria se formado completamente. Atualmente sabe-se que milhares de neurônios são criados diariamente também no cérebro adulto, gerando mudanças contínuas durante toda a vida.

A arte é perfeita,
é moldável ,
é alcançável,
é transformadora.

O desenvolvimento inicial do blog "Brincadeira Sustentável"

Muito prazer, sou Renata Bravo ! 

Católica Apostólica Romana. Disso, deriva todo o resto.



Sou uma católica que gosta de Nietzsche.
Na minha opinião ele não era ateu, seus pensamentos são de uma profundidade absoluta, exigindo muito cuidado na interpretação. 
E uma síntese perfeita de seus pensamentos, está em:
Tg 1:22-25 -> 
22 Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos.
23 Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho. 
24 e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência.
25 Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer.

Adoro catequisar Nietzsche rs

Sou sinestésica ... 

E desde criança, sinto uma força ordenadora me vigiando, protegendo e me colocando à provas

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Aqui relato, uma das provas que passei na vida; 

a maior experiência de fé que vivenciei e que deu origem ao blog 
" Brincadeira Sustentável":

- Entre 4 e 5 meses após dar à luz, passei por um grave problema de saúde, que foi e ainda é muito difícil de explicar.

- Ocorreu uma falha de comunicação interna e surgiram vários problemas. 
Estava com ataxia: problemas na ligação entre o cérebro e os músculos, incapacidade de coordenação motora. O meu corpo não obedecia o cérebro.

- Nas 24hs do dia, sentia fortes, insistentes e enlouquecedoras cãibras, que começavam nos pés, passavam por todo o corpo e chegavam na cabeça... essas cãibras comprometiam o movimento dos braços e pernas, assim como o resto da musculatura voluntária, incluindo a força para manter o ombro e cabeça erguidos ; equilíbrio e postura corporal... percebia uma dissociação dos ossos... notava o colapso de todos os orgãos

- Escutava sons agudos continuados (indescritíveis e ensurdecedores) .
Estava com a vista dupla e via flashes intermitentes de luz.
Quando conseguiam me sentar, meu corpo desequilibrava e tombava para o lado direito.
______________________

O ínício da investigação da enfermidade

- Procurei um oftalmologista, pois percebia minha vista enfraquecendo e desalinhando.
Quando fui atendida, a doutora fez um exame: pegou uma caneta e pediu para acompanhar somente com os olhos, o movimento que ela iria fazer com o objeto. Não movimentei coordenadamente os olhos, e fui informada que o meu problema não seria resolvido com doutores daquela especialidade e sim com neurologistas, pois estava com paralisia do VI nervo craniano. 

- Além do incômodo na vista, também diminuía o equilíbrio na marcha, coordenação motora, dificuldade na fala e deglutição.

- agendei uma consulta com o neurologista.
Quando fui atendida, o Dr. Arnaldo, fez o mesmo exame: pegou uma caneta e repetiu o procedimento do oftalmologista. Informou que precisaria me submeter a uma ressonância magnética do crânio, receitou medicamentos e pediu para que voltasse ao consultório na semana seguinte. 

Quando chegou o dia da consulta, já estava semi paralisada... não realizava movimentos simples, como pentear meus cabelos, escovar os dentes, e sentia cãibras dos pés à cabeça ... não fui ao consultório e o Dr. agendou para a semana seguinte.

Quando novamente chegou o dia da consulta, não poderia faltar porque estava pior e claramente precisava de tratamento especializado.
Fui carregada até o consultório, e obviamente, entrei sentada em uma cadeira de rodas. 


O neurologista, Dr Arnaldo, se assustou com o meu estado, pois estava completamente diferente, do que, na consulta anterior.
Logo, suspeitou que seria EM - esclerose múltipla, mas a velocidade dos sintomas, causaram espanto.

- Imediatamente me encaminhou ao serviço de emergência da UPA, para avaliação (o médico de plantão também levantou a hipótese de EM) e em seguida, fui encaminhada para o HFSE/RJ, para investigação e tratamento especializados. 

Cheguei no hospital às 06:00hs, e fui autorizada a aguardar uma consulta do Dr. Rogério Naylor (por sorte, era o dia de plantão dele). 
Quando o Dr. chegou ao ambulatório, o atendente informou que eu era mais uma paciente que aguardava sua chegada; então, ele me cumprimentou e disse que seria atendida. 
Logo, providenciou a minha carteirinha do SUS.
O Dr atendeu a todos que estavam agendados, mas a cada intervalo, seguia em minha direção, e solicitava que fizesse algum gesto, como acompanhar a caneta, apertar os olhos, apertar suas mãos, sorrir, deslizou uma chave na sola do meu pé, ..., depois do quarto paciente, o Dr. além de me examinar rapidamente, começou a perguntar "Tem mais alguém para ser atendido, além da Renata?", "está muito difícil de avaliar". Ele com sua experiência, percebeu que precisava ser atendida e internada imediatamente, mas precisava respeitar a fila de espera.

- Fui atendida às 13:00 hs. 

- O Dr. e mais dois médicos assistentes, procuravam entender o que se passava comigo, mas a avaliação foi complicada, não conseguiam diagnosticar com precisão. O olhar deles era de espanto. A única certeza, era que o cerebelo, o grande intermediador do cérebro, não  estava funcionando .

Fui informada que seria internada. 
O Dr. iniciou o preenchimento do meu prontuário, inclusive, com muita calma ele conseguiu, que eu mesmo com dificuldades na fala, respondesse o meu endereço. Consegui, e ele percebeu que a memória  permanecia intacta.

Estava consciente que naquele momento, a internação seria a melhor solução, mas passei a ficar desesperada, quando vi a reação  de  meus  familiares e amigos quando souberam que poderia estar com  esclerose  múltipla (já ocorreu um caso de EM, na minha família).

O medo deles me desequilibrou, não queria mais ser internada, surtei, e obviamente os sintomas pioraram. 

Queria dizer que estava "bem", mas não conseguia me comunicar, pois não falava (a língua estava semi paralisada), não escrevia (sentia fortes cãibras), não realizava gestos (tremia exageradamente) ou troca de olhares (estava com diplopia). 


Não conseguia me expressar de forma alguma!

- Desejei intensamente, que realizassem os exames, e que respondessem de forma bem clara e suficientemente compreensiva o que me ocorria, para então, receber o tratamento adequado. 

Voltando:
- Fui à sala de tomografia computadorizada, acompanhada do Dr. Rogério Naylor. 

- Continuava surtada! 
É difícil descrever, o que é estar semi paralisada, surtada, e ao mesmo tempo consciente de tudo o que estava acontecendo. 
Aliás, gostaria de relatar tudo resumidamente, mas é impossível.


- Finalmente fui internada (por sorte, tinha 1 leito me aguardando na enfermaria).
Com queixa de:

-> diplopia, ataxia, disfonia e disfagia

E ao exame apresentava:

-> força grau IV nos 4 membros;
-> paratonia, com reflexos axiais de face exaltados;
-> dismetria bilateral (E>D), com tremor cefálico em negação;
-> sinal de Babinski bilateral;
-> paresia de reto lateral bilateral (E>D), nistagno vertical e horizontal
-> paresia de palato bilateral, sem reflexo nauseoso e disfonia.

- A paralisia não era somente no VI nervo craniano e sim, no VI, VII, IX e X nervos cranianos.

- fui submetida a inúmeros exames para tentarem fechar o diagnóstico.
Foi realizada Ressonância magnética de neuro eixo (com evidência de lesão extensa em ponte e bulbo, sugestiva de processo inflamatório ).
Punção lombar, ... todos os exames, liberados pelo centro de estudos.

- Fiquei absurdamente 1 mês ou mais sem evacuar.

- Como a minha língua e garganta paralisaram, foi necessário usar sonda nasogástrica - um tubo de polivinil que quando prescrito, deve ser tecnicamente introduzido desde as narinas até o estômago.  

Era desesperador, o fato de tentar me comunicar e não conseguir. 

- Não dormia, pois achava que se fechasse os olhos , não abriria mais. Com essa atitude, a diplopia piorava, o corpo continuava "congelado", ... 

- Nas visitações, surgiram vários grupos de orações, de inúmeras congregações, denominações diferentes e lugares distantes. 
Eram 3 a 4 grupos por dia, em que essas visitações eram permitidas. 

Apesar das nobres e boas intenções, esses grupos me irritavam, porque naquele momento eu queria o silêncio, necessitava de calma e equilíbrio, principalmente porque meu problema era neurológico. 

E em alguns momentos, fingia que estava dormindo e rezava para que todos que não entendiam o meu caso, sumissem de lá, e  impressionantemente sumiram, LOL . 

Eu pedia misericórdia por mim, por eles, e por todos nós.

- Fiquei muito sentida, por não ter visto grupos de orações católicos. Lembrei de Tg 1:22-25

Não perdi o meu credo. E graças a Abba Pai, que não deixou que eu perdesse a razão, Razão, cuja força pintou este quadro trágico da existência humana, fazendo-nos perceber que devemos submeter à Religião. Não se tratando de renunciar à Razão, mas de perceber racionalmente que as razões da Religião são as únicas capazes de explicar nossa condição e nos dando alguma esperança. A grandeza do homem se reflete em seu próprio pensar na finitude e em reconhecer sua condição de miséria. A grandeza e a miséria do homem estão interligadas. O homem não deve se julgar um animal, mas também não deve presumir que é um anjo. 

Então, mesmo sem conseguir respirar fundo (literalmente), pensei: Abba Pai é o meu ar, os suspiros que não estou conseguindo dar, Ele esta dando por mim, ... consegui iniciar sozinha minhas preces, e finalmente "mergulhei" no mistério da fé religiosa.  

Era repetitiva, mas conseguia rezar todas as orações que aprendi em português, latim, e principalmente grego (traduzindo com a mínima interferência possível do texto original, em uma tentativa de fidelidade, como os evangelistas nos legaram)

- Também, fui a cada uma das raizes da fé cristã, como exemplo : 

Precisava ser paciente como o profeta Daniel, que foi atirado na cova dos leões famintos por ser fiel ao Pai. Ele poderia ter renunciado a tudo que cria, mas manteve firme e o Senhor o livrou. 
Com muita fé, eu não parava de orar, pois tinha a certeza que o Pai não falharia.

Em outro momento :
Sobre Moisés, que tinha uma fé inabalável , e uma incrível trajetória (Moisés talvez não imaginasse, que o Pai estava prestes a abrir o mar Vermelho, para que os israelitas escapassem. Mas ele confiava que Deus faria alguma coisa para proteger Seu povo ...).
Meditei: eu tenho 100% de fé que vou sair desse pesadelo e sem sequelas...

- Lembrava dos ensinamentos de Dom Estevão Bettencourt, O.S.B.  , e de todos os meus mestres de teologia... 
Reforçei as súplicas.  
Pronunciava Salmos... 

- Mesmo desesperada, mergulhava em meditações. 
Cogitava: Porque estão dizendo que não voltarei a andar, firmar a cabeça, ... ? Preciso de uma explicação convincente!
Foi quando ouvi um sussurro: "vai até a Arca da aliança". 
E então, chamei por Maria = Theotókos.

Conversei com ela, apresentei a minha situação, realizei a minha defesa, apelei, recorri ao Supremo, manejei com maestria o competente recurso de apelação. Sempre utilizando a Lectio divina, repassei mentalmente a Suma Teológica de Tomás de Aquino , Constituições, Declarações, Decretos, Cartas Apostólicas, ... 
Fiz críticas construtivas, pois, como uma sincera devota de São Francisco, propus como ele, entrar em uma "fogueira" junto com os hereges e ateus, para ver quem sairia vivo. E como católica, não desconfiei que não sairia viva.

Precisava exorcizar, exterminar o meu desespero!

- Com 15 dias de internada, meu quadro de saúde começou a apresentar melhoras e os médicos ficaram sem saber do que se tratava. 
A esclerose múltipla foi completamente descartada... sabiam que era uma grave lesão no tronco cerebral - ponte, bulbo e cerebelo (o centro da vida), que não se tratava de uma doença rara e sim única ... 

Iniciaram a pulsoterapia (corticóides na veia). Parecia que minha cabeça descongelava e tinha a sensação de cócegas, que se espalhavam na parte de trás da cabeça e desciam para a nuca.  

Recebi alta na semana seguinte, sem nenhuma patologia específica.

- Voltei para casa no dia de Nossa Senhora das Graças, 27 de novembro. 

- Continuei o tratamento com o Dr Marcelo Cagy, que incluiu anti-inflamatórios (foi necessário uso prolongado de corticóides - aproximadamente 1 ano e meio).

- A fase da recuperação , foi tão complicada e desesperadora, quanto a fase do surto da doença, pois as dores que eu não senti no surto, senti na recuperação de cada movimento. 

- O primeiro movimento que normalizou, foi o da coluna e do pescoço. A dor foi insuportável, mas voltei logo a sentar, falar (com dificuldade, por um longo tempo), me alimentar. 

Com o tempo, reaprendi a andar, levantar os braços, manter a cabeça firme, movimentar os olhos coordenadamente, ... 

Indicaram que eu usasse um andador ortopédico ou uma bengala, mas não aceitei, pois me sentiria desmotivada ou acomodada com esses acessórios. Queria recuperar rapidamente o controle dos movimentos, de marcha e reflexos, precisava enrijecer as pernas para sustentar o corpo contra a gravidade ... preferi empurrar o carrinho de bebê da minha filha. Ela também participou do meu processo de reabilitação, na medida que interagíamos, eu começava a reencontrar o centro de equilíbrio do meu corpo e da mente. 
Para treinar minha marcha, sentavam ela no carrinho, eu me equilibrava e empurrava, sempre com um acompanhante me coordenando, dando segurança e orientando. 

Demorei a caminhar normalmente, algumas vezes me desequilibrava e caía, inclusive da cadeira. 
Mesmo, com dificuldade de sentir a palma dos pés, não desistia. 

- Na região do diafragma, parecia que tinha uma corda amarrada; eu respirava (óbvio), mas não conseguia suspirar. Foi um alívio enorme quando voltei a suspirar... 

A diplopia e a audição foram os sintomas que mais persistiram. Quando a movimentação dos meus olhos estavam voltando ao normal, eu sentia os globos oculares "entrarem" e "saírem", e não sei descrever essa sensação. Fiquei cega por alguns momentos (desesperador!).  
E a audição? Ouvia barulhos assustadores, sentia uma pressão intracraniana, pontadas muito fortes e frequentes, parecia que entravam dois vergalhões, um em cada ouvido! E os dois "vergalhões" se encontravam no meio da cabeça, e ficavam rodando como se fossem cotonetes! E quando finalmente senti os "vergalhões" saírem, quase desmaiei, mas aliviou quando minha audição voltou ao normal... (nesse momento lembrei do significado de uma palavra em aramaico: éfeta... e tentei me fortalecer).

- Continuava com as caminhadas e gradativamente recuperava a coordenação. Foi um tratamento de forma global - emotivo, motor e cognitivo... Sentia melhoras no equilíbrio, na noção de espaço e da postura, minha musculatura tonificava e minha dicção voltava ao normal em função da respiração correta. 

- A redução do uso de corticóides (desmame) foi gradual e nada agradável. Por três vezes, antes de dormir, senti um intenso tremor no corpo, e cheguei a pensar que estava sendo eletrocutada. Quando senti que estava bem, fui para a frente do espelho, pois achava que estava com o rosto todo retorcido; observei meu reflexo , e vi que estava normal. Provavelmente, aquela sensação de choque, foi psicológica ...

- A cada dor que sentia, me lembrava dos dias em que estive internada no prédio principal do HFSE- RJ, 7º andar, e ouvia os gritos de outros pacientes, não sabia distinguir se eram gritos de dores ou delírios. No setor feminino, conseguia ouvir os gritos do setor masculino. As pacientes do setor feminino, quando andavam pelos corredores, diziam que tinham delírios e consequentemente vontade de pular das rampas, que davam acesso aos outros andares... Era uma aflição indescritível! Um dia antes de receber alta, pedi para me levarem até a janela, quando encostei no parapeito, tive a sensação que a parede e eu iríamos cair ... e sempre achava que iria cair da cama ou da cadeira de rodas .

- Para suportar as dores que persistiam, continuava insistentemente as orações e meditações ... Mesmo, pronunciando o salmo 30 diariamente, eu já estava chegando ao meu limite... 

- Então, lembrei de ocasiões, que sem comentar com ninguém, silenciosamente peço intercessão por pessoas conhecidas e desconhecidas, que estão com enfermidades. 
Depois de algum tempo, recebo a notícia que estão surpreendentemente bem. 
Porém essas pessoas, nunca sabem que orei por elas. 

- Com essa e muitas outras lembranças, iniciei um processo de aprendizagem autodidata, de interiorização e relaxamento:

Fiz uma antiga forma de oração cristã, contemplativa que procura Deus no silêncio e na quietude, para além das palavras ou pensamentos ...

Estava interiormente silenciosa e calma e ouvi uma voz :  "Talita cumi". 

Em seguida: “Venha como estais” , “levanta-te". 

Tranquilamente, caminhei de um cômodo ao outro, e com a mesma calma que ouvi a voz, respondi: "Eis me aqui, ... fala Senhor, que tua serva, escuta ”

Ouvi: "... será guiada e guiarás..." 

Observei umas sucatas, e novamente ouvi a voz: " Eis, aqui, à sua matéria prima e terapia , faça-se, reconstrua-se, seja! ..." 

Não sei se o recado era esse (poderia ser delírio, mas lembrei do significado da palavra éfeta... obs.: tudo o que acontecia ao meu redor, eu imediatamente, procurava alguma menção da Bíblia Sagrada, como inspiração)

Como sempre trabalhei com artes, principalmente para crianças, fiquei observando as sucatas e imaginei vários brinquedos com elas... cálculos matemáticos, ... músicas... danças circulares ... e mais uma vez ouvi a voz: "Calma e medita, trabalhe com o dom que te concedi"


- Ainda recuperando meus movimentos, comecei a produzir brinquedos com a sucata ... e comecei a sentir os benefícios da arte, como terapia. 

Observação : não fiquei "encostada" pelo INSS! Passei por dificuldades, mas , não cogitei recorrer ao INSS.

- Além da minha família e amigos, que sempre estiveram ao meu lado,  a arte (o dom que Deus me concedeu), foi um catalizador, favoreceu meu processo de recuperação. Foi um tratamento psicomotor que realizou a interação dos sentidos, da motricidade do cognitivo, com o meio facilitatório da arte, e através desses estímulos desenvolvidos , aprimorei a noção de esquema corporal, a coordenação motora ampla e fina, a lateralidade, o ritmo, a estrutura espacial, a organização temporal e a socialização. 

Meu dom artístico e a minha religiosidade me equilibraram.

Minha auto estima melhorou. O estresse e a ansiedade pela cura foram diminuindo, os sintomas da doença sumindo ... 
Voltei a ter autonomia do corpo. 
As minhas funções vitais voltaram a ser controladas e realizadas espontaneamente, e aquele quadro irreversível do início da doença, a certeza que estava caminhando para uma morte encefálica, se distanciou absurdamente. 

- As sensações de satisfação e prazer, foram promovendo uma organização psíquica. Senti um prazer enorme quando reaprendi a suspirar, me espreguiçar, e finalmente conseguir segurar a escova de dentes, escovar e sentir as cerdas deslizarem na gengiva, no céu da boca, língua. Também foi um alívio, sentir a circulação da palma dos pés voltar ao normal, e enfim, conseguir movimentar todas as articulações, sem dificuldades. 

- Em alguns momentos , a música erudita (um exercício de metafísica inconsciente), também causou efeitos relaxantes na minha cabeça, e sentia ela "descongelando"; foi uma sensação estranha, porém agradável. 

Acredito que a sinestesia também tenha me ajudado (o hábito de lidar com várias sensações ao mesmo tempo). E foi quando comecei a assimilar, a ação de Deus na minha vida... 

- Confiante me dediquei na produção dos brinquedos. 

Fui fazendo uma peça aqui, outra peça ali. 

Então , criei de forma completamente despretensiosa o blog no Google, uma fanpage no Facebook e no Instagram. 

A princípio seriam utilizados somente para pesquisas e atualizações dos meus trabalhos, uma distração (lembro que minha cabeça ainda tinha um leve tremor...)
Imaginei que só seriam vistos por mim e escrevi no título "Brinquedos e atividades com material reciclado, para maternal". 

Para minha surpresa, as páginas foram ganhando força e visibilidade, percebi que estava sendo "seguida", por pessoas interessadas em atividades escolares, professsores, psicopedagogos, profissionais que atuam com pessoas em fase de reabilitação corporal e mental, ... e muitos outros profissionais de diversas especialidades ; 
e que eu não estava fazendo reciclagem e sim reaproveitamento. 

Sem perceber, posicionei as pessoas diante da complexidade da Arte!

- Troquei o nome da Fanpage por "Brincadeira Sustentável" (na página antiga , eram 230 mil seguidores).  

E, como todas as páginas que existem na internet recebem perguntas, a minha página não fugiu a regra, recebi muitas dúvidas e comentários (ainda recebo). Tornou-se mais um tipo de "terapia". 
Eram e continuam sendo perguntas de brasileiros, chilenos, argentinos, norte americanos, asiáticos, europeus, ... , de lugares bem inusitados, como Sultanato de Omã, Algumas ilhas Cipriotas, Myanmar, Indonésia, Moldávia, Vietnã, Paquistão, ...

O Google tradutor foi e ainda é o meu maior parceiro LOL.

- Ficava pensando, como a internet e suas redes sociais tem um alcance incrível!
Elas ampliam possibilidades de interação. Antes, eu tinha a ilusão que se escrevesse algo, outras pessoas só encontrariam se eu enviasse o link. 

- Com a visibilidade das páginas, vários profissionais começaram a me procurar para criar oficinas, exposições de brinquedos, em escolas e parques, e ensinar a crianças, professores, monitores, pais, membros de associação de moradores a produzirem brinquedos... minha página e trabalho foram mencionados na rede social do Ministério do Meio Ambiente... Sou curiosamente seguida no Instagram, pelo Ministério da Ciência, por grupos religiosos, pelo respeitado Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes, ...

- O caos que estava instalado na minha vida, e que lentamente se infiltrava e me levava a uma morte encefálica, foi transformado, em um leque de possibilidades, aprendizados, perspectivas , que se descortinam diariamente.




Algumas conclusões, relacionadas a criação do blog:

 Fui "espremida", "sacudida", "virada de cabeça para baixo", para dar início ao Blog.

- Conclusão 1 - Além da minha fé ter aumentado... ter sentido os benefícios da arte como terapia, também observei nas oficinas de brinquedos das quais participei, que reaproveitar matéria prima que de outra forma seria acondicionada em aterro/queimada, ou lançadas em leitos de rios ou oceanos, também se enquadra não só como uma atividade ou brincadeira, mas como uma prática econômica, social e inclusiva. Em muitas situações, a partir da execução dos brinquedos, mudanças sociais, comportamentais e ambientais podem ser observadas, como a interação entre pais e filhos e de crianças especiais com seus familiares. Crianças e adultos se divertem ajudando a produzir os brinquedos. Garrafas, são transformadas em aviões e outros objetos, levando alegria às crianças, a conscientização sobre a defesa do meio ambiente.


- Conclusão 3 - A produção de resíduos é inerente à condição humana. Mas precisamos e podemos nos reeducar, para consumirmos menos. Assim, é importante o cidadão atual compreender que o desenvolvimento econômico e tecnológico é sim necessário, mas que ele pode ser adequado de maneira a não comprometer o meio ambiente e as gerações futuras, suprindo todas as necessidades do mundo atual. 

- Conclusão 4 - Uma das possibilidades de encaminhamento e até mesmo de solução para a crise ambiental, é o diálogo entre o ensino religioso e a educação ambiental, com o intuito de criar um espaço mais solidário, mais místico e ético entre os seres humanos e os diversos ecossistemas que povoam a Terra. A sociedade precisa se conscientizar com o juízo de valores.

É importante perseverar e possibilitar o desenvolvimento das crianças, com base em valores éticos e cristãos , para que se tornem cidadãos íntegros e utilizem seu potencial na construção de um mundo melhor e mais justo. Um mundo de respeito ao próximo e ao meio ambiente.

Na vida, enfrentamos muitas adversidades e obstáculos, mas o ensino religioso nos ajuda a superar todos. O sofrimento é inerente a dignidade da natureza humana. Ninguém está livre do sofrimento. Todos passamos por dificuldades, e precisamos aprender a captar.
Quando sobrevivia aquele caos, não pensava que fosse um castigo, pois sabia que mais adiante seriam reveladas suas verdadeiras faces.

- Conclusão 5 -

- Conclusão 6 - A arte é um dom divino!

- Conclusão 7 - 

-> Algumas observações:

- Desde que tive alta no hospital, meu neurologista
 solicita uma Ressonância Magnética do crânio, por ano. 
Fui submetida a 5 RMs.
Até 2014, era vista uma mancha na região onde ocorreu a lesão. Perguntei o que aquela mancha significava e ouvi a resposta: " É uma cicatriz ".
Não fiz nenhuma cirurgia.
De 2015 em diante, essa mancha sumiu.

Sempre que volto ao ambulatório, fica cada vez mais constatado que não tenho EM, e tampouco sabe-se dizer qual a patologia que tive. Dizem que não foi uma doença rara e sim única.

Não utilizo mais corticóides, mas, ainda não tive alta ( meu médico não quer me perder de vista ). Inclusive, na primeira avaliação de 2018, ele disse para um residente que o acompanhava surpreso, a paciente incomum: "às vezes, aparecem uns casos assim, só para bagunçar com o nosso coreto". 
Desde 2012, todos os residentes que acompanharam as avaliações, tiveram a mesma reação de surpresa e animação com o fato novo.            

- Nos últimos dias em que o HFSE foi minha morada, duas médicas foram me avaliar (rotina diária).
Deslizaram uma chave, na palma do meu pé. Nos dias anteriores eu não sentia a chave, mas nesse dia eu senti e flexionei os dedos. A médica auxiliar do Dr Marcelo Cagy, e que realizava as avaliações diárias, disse para a outra, pasma: "Até ontem isso não acontecia". A outra médica olhou para mim e perguntou: "Renata, qual é o seu mistério?"
Respondi com muita dificuldade na fala, a minha afirmação de fé:  "Eu creio ... e recitei o CREDO" . Elas saíram atônitas.
E ainda concluí com uma citação de Santo Agostinho , doutor da Igreja católica:
"Creio para entender e entendo para crer melhor ".

Resumidamente, entendi que recebi o sacramento da Reconciliação (Penitência) e da Cura.


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Em última análise (até o momento :D) :
Não pergunte o que sua religião pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por sua religião. 
No meu caso, o espírito humano foi tão forte, quanto, qualquer remédio! 

Não desisti...
Perseverei...
Por amor, sobrevivi...
por amor, fui curada... 
transformada...
Ressurgida das cinzas...

Renascida!

Renata Bravo

brincadeirasustentavel@gmail.com

"Para aqueles que tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para aqueles sem fé, nenhuma explicação é possível."
Tomás de Aquino

"A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada."
Albert Einstein

"Temos a arte para não morrer da verdade."
Friedrich Nietzsche

"O artista e o poeta mergulham no inconsciente e voltam. Já o louco, o doente mental não tem o bilhete de volta. Essa é a diferença."
Nise da Silveira

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