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Dilemas da Sustentabilidade frente ao consumismo

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Cada criança um mundo: Jung e o brincar na infância

Tipos Psicológicos Jungianos, Imagens Psíquicas e Imaginação Ativa

Brincar também é conhecer a si mesmo

Quando falamos em brincadeira sustentável, não estamos tratando apenas do cuidado com o meio ambiente, mas também do cuidado com o mundo interno, emoções, pensamentos, símbolos e formas únicas de ser e aprender. É aqui que as ideias de Carl Gustav Jung ganham vida e dialogam profundamente com a educação, o brincar e a criatividade.

Tipos Psicológicos: cada criança, um jeito de sentir e pensar

Jung observou que as pessoas percebem o mundo e tomam decisões de maneiras diferentes. Ele chamou isso de tipos psicológicos, organizados a partir de duas atitudes e quatro funções:

Atitudes:

Introversão: energia voltada para o mundo interno

Extroversão: energia voltada para o mundo externo

Funções psíquicas:

Sensação: aprende pelo corpo, pelos sentidos

Intuição: aprende por imagens, ideias e possibilidades

Pensamento: organiza pela lógica

Sentimento: avalia pelo valor afetivo

Na prática educativa e nas brincadeiras, isso nos convida a respeitar diferentes formas de brincar e aprender. Há crianças que exploram, outras que observam; algumas constroem, outras imaginam. Todas estão certas apenas são diferentes.

Imagens Psíquicas: quando o brincar vira linguagem da alma

Para Jung, o psiquismo se expressa por imagens simbólicas: desenhos, histórias, sonhos, personagens, monstros, heróis.

Na infância, essas imagens aparecem naturalmente no brincar:

Na casinha, no faz de conta

Nos desenhos repetidos

Nas histórias inventadas

Nos jogos simbólicos com elementos da natureza

Essas imagens não são “só fantasia”. Elas revelam emoções, conflitos, desejos e processos de crescimento. Quando oferecemos tempo, espaço e materiais simples (madeira, sementes, tecidos, sucata), estamos nutrindo uma expressão psíquica saudável e sustentável.

Imaginação Ativa: brincar como escuta interior

A imaginação ativa é um conceito junguiano que propõe dialogar conscientemente com essas imagens internas.

Na infância, isso acontece de forma espontânea por meio do brincar livre.

Exemplos simples:

Continuar uma história criada pela criança

Perguntar sobre um personagem desenhado

Permitir que ela transforme materiais sem um “resultado certo”

O adulto não dirige, acompanha. Não corrige, escuta. Assim, o brincar se torna um espaço de autorregulação emocional, criatividade e fortalecimento do eu.

Brincadeira Sustentável: integrar, não acelerar

Uma educação inspirada em Jung valoriza:

O tempo interno de cada criança

A diversidade de modos de ser

O brincar como linguagem profunda

O uso consciente e criativo dos materiais

Sustentável é a brincadeira que não desperdiça a infância, não silencia a imaginação e não padroniza o sentir.

Brincar é um ato ecológico do planeta e da psique.


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