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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

De Caxias às Urnas: Que Brasil Queremos?

Quando olhamos para a história de Duque de Caxias, é comum encontrarmos a imagem do militar, do comandante e do homem associado aos grandes conflitos que marcaram o Brasil do século XIX.

Mas talvez seja possível olhar para essa trajetória por outro ângulo.

Mais do que perguntar quais batalhas Caxias venceu, podemos perguntar qual ideia de Brasil estava por trás de sua atuação.

O Brasil daquele período ainda era uma jovem nação. A unidade territorial, a estabilidade política e a afirmação do país diante de seus vizinhos eram questões fundamentais. Caxias tornou-se uma das figuras associadas a esse processo de construção e consolidação do Estado brasileiro.

Hoje, os desafios são outros.

O Brasil não precisa apenas defender suas fronteiras. Precisa também saber o que fazer com aquilo que existe dentro delas.

Temos uma das maiores biodiversidades do planeta, enormes reservas de água, uma agricultura de escala mundial, petróleo, gás, minérios e recursos estratégicos que podem ter enorme importância para a economia e para a tecnologia do futuro.

Entre esses recursos estão as terras raras, utilizadas em equipamentos eletrônicos, sistemas de energia, motores, ímãs de alta tecnologia e diversas aplicações estratégicas.

Mas uma riqueza existente no subsolo não significa, automaticamente, riqueza para a população.

A verdadeira soberania está também na capacidade de pesquisar, desenvolver tecnologia, processar, industrializar e agregar valor aos recursos que pertencem ao território nacional.

É uma mudança importante na própria ideia de defesa do país.

No século XIX, defender a soberania significava, entre outras coisas, preservar a integridade territorial.

No século XXI, soberania também significa não depender permanentemente de outros países para produzir aquilo que temos condições de desenvolver aqui.

Significa investir em universidades, institutos de pesquisa, formação profissional, infraestrutura, energia, indústria e inovação.

Significa pensar no longo prazo.

E é justamente aí que a história encontra as eleições.

Uma eleição não deveria ser apenas uma escolha entre pessoas, partidos, slogans ou campanhas publicitárias.

É uma oportunidade de perguntar:

Que projeto de país está sendo apresentado?

O que será feito com nossas riquezas?

Como serão protegidos nossos recursos naturais?

Que lugar terão a ciência, a educação e a tecnologia?

Como o Brasil pretende aumentar sua capacidade industrial?

Como transformar crescimento econômico em oportunidades para quem vive aqui?

Como equilibrar desenvolvimento e preservação ambiental?

Como preparar o país para um mundo em que água, energia, alimentos, minerais estratégicos, tecnologia e conhecimento terão importância cada vez maior?

E, talvez, uma pergunta ainda mais importante:

Que Brasil queremos entregar às próximas gerações?

É nesse sentido que o legado de Caxias pode ultrapassar os livros de história.

Não para transformá-lo em símbolo de determinado partido ou candidato — e muito menos para dizer ao cidadão em quem deve votar.

Seu legado pode servir como ponto de partida para uma reflexão sobre responsabilidade pública, compromisso com a Nação e consciência de que as decisões de hoje produzem consequências muito além do presente.

O cidadão não entrega apenas um voto.

Entrega, temporariamente, uma parcela da responsabilidade sobre os rumos do país.

Por isso, escolher representantes exige mais do que simpatia. Exige informação, comparação, memória e capacidade de olhar para além das promessas imediatas.

É preciso observar quem apresenta propostas consistentes, quem conhece os desafios brasileiros, quem compreende a importância das instituições e quem consegue pensar o país não apenas para os próximos quatro anos, mas para as próximas décadas.

A história nos mostra que nenhuma Nação se constrói de um dia para o outro.

Território, instituições, conhecimento, infraestrutura, indústria e identidade nacional são construídos ao longo de gerações.

Por isso, talvez a grande pergunta desta eleição não seja simplesmente “em quem votar?”

Talvez seja:

“Que Brasil estamos ajudando a construir quando fazemos nossa escolha?”

Caxias pertence à história.

O futuro do Brasil pertence às nossas escolhas.



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