*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.
A tese que fundamenta este blog parte de uma ideia simples e duradoura: a infância, o brincar, a cultura, a natureza e as relações humanas constituem dimensões essenciais da formação do indivíduo e da construção da vida em sociedade. Embora os contextos históricos, as tecnologias e os modos de viver se transformem, essa base permanece atual. Por isso, não se trata de uma tese vinculada a uma época específica, mas de uma perspectiva que atravessa gerações e continua encontrando sentido sempre que uma criança brinca, aprende, cria, convive e estabelece sua relação com o mundo.

A INFÂNCIA EM TRÂNSITO: MEMÓRIA, CULTURA E FUTURO

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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

DESCONTOS NO BENEFÍCIO DO INSS: UM TESTEMUNHO SOBRE INDIGNAÇÃO, EDUCAÇÃO FINANCEIRA E DEFESA DE DIREITOS


Antes de vir a público o escândalo dos descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, minha mãe percebeu que estava recebendo um valor diferente do esperado e me pediu para conferir o pagamento pela internet. Ao consultar seu contracheque, identifiquei um desconto associativo cuja origem ela não reconhecia. Minha mãe me disse que aquilo nunca havia acontecido antes de solicitar um empréstimo bancário. O desconto começara justamente naquele período. Posteriormente, constatei que os descontos haviam ocorrido durante aproximadamente nove meses, o que tornou ainda mais importante esclarecer a origem das cobranças e solicitar a restituição dos valores.

A coincidência me causou indignação e levantou uma suspeita imediata: por que uma cobrança desconhecida começaria exatamente quando uma pessoa contratava um empréstimo? Pensei que a proximidade entre as duas operações poderia levar o beneficiário a acreditar que havia autorizado o desconto junto com o empréstimo, confundindo cobranças de naturezas distintas. Naquele momento, pensei: “Não acredito que arrumaram um jeito de tirar dinheiro dos aposentados.”

Eu ainda não tinha todas as respostas nem elementos suficientes para determinar como aquela cobrança havia sido autorizada. Tinha, porém, uma questão concreta diante de mim: minha mãe não reconhecia o desconto, afirmava que nunca havia passado por aquela situação antes e precisava entender por que seu benefício havia sido reduzido.

Assim que identifiquei o desconto, comecei a pesquisar na internet para verificar se outras pessoas relatavam situações semelhantes. Enviei um e-mail à entidade relacionada à cobrança, contestando o desconto e solicitando a devolução imediata do valor. Minha iniciativa foi motivada pela convicção de que aquela cobrança precisava ser esclarecida e pela necessidade de proteger o benefício de minha mãe.

Por precaução e indignação, procurei também um advogado próximo a mim. Ele sugeriu que a questão fosse levada diretamente à Justiça. Naquele momento, porém, decidi seguir primeiro os procedimentos administrativos disponíveis e solicitar a restituição dos valores. Queria registrar formalmente a contestação e buscar uma solução pelos canais apropriados antes de considerar outras medidas.

Ao continuar pesquisando no site do INSS, encontrei uma opção para registrar a reclamação sobre o desconto e solicitar a devolução dos valores. Essa descoberta me permitiu dar continuidade às providências administrativas para contestar a cobrança. Ao final do processo, o dinheiro foi devolvido. Essa restituição resolveu a questão financeira específica, embora não apagasse a preocupação e a indignação provocadas pelo episódio.

Somente depois de começar a encaminhar a questão conversei com minha mãe. Expliquei que havia identificado uma situação preocupante, que já estava tomando providências e que ela não precisava se preocupar naquele momento. Minha intenção era conduzir o assunto com responsabilidade, sem lhe causar uma angústia desnecessária.

Quando o escândalo veio a público, fiquei pasma com a quantidade de aposentados que passavam por situações semelhantes. Mais doloroso ainda era perceber que muitos sequer sabiam que havia cobranças em seus benefícios cuja origem não reconheciam. O que eu havia identificado no contracheque de minha mãe e tentado resolver individualmente fazia parte de um problema de proporções muito maiores.

Foi impossível não me indignar diante da possibilidade de que pessoas que trabalharam durante toda a vida estivessem perdendo parte de uma renda essencial sem compreender o motivo. A suspeita de que a proximidade entre a contratação de empréstimos e o início de determinadas cobranças pudesse gerar confusão tornou-se ainda mais inquietante diante da dimensão do caso. A existência de descontos não reconhecidos exigia esclarecimentos, apuração e, quando cabível, restituição dos valores.

A perversidade que enxerguei naquela situação estava na vulnerabilidade de quem poderia não perceber o desconto, não saber como contestá-lo ou sequer imaginar que precisava verificar o próprio contracheque. Minha indignação se dirigiu à possibilidade de que pessoas ou organizações tivessem se aproveitado dessa vulnerabilidade. A atribuição de responsabilidades, contudo, deve se apoiar nas provas e nas conclusões das apurações competentes. É justamente por se tratar de uma situação grave que a identificação dos responsáveis e a comprovação das condutas precisam ser conduzidas com rigor.

Para quem depende da aposentadoria, uma redução inesperada pode comprometer despesas essenciais, como alimentação, medicamentos e contas domésticas. Além do possível prejuízo financeiro, existe o desgaste de identificar a origem da cobrança, buscar orientação, registrar a reclamação e acompanhar o pedido de restituição. Não se trata apenas de valores descontados, mas também da tranquilidade, da autonomia e da segurança de pessoas que precisam confiar na regularidade de seus benefícios.

Este relato apresenta minha experiência pessoal e as providências que adotei diante de descontos que não reconhecíamos. A devolução dos valores foi o desfecho financeiro da minha contestação, mas não constitui, isoladamente, prova definitiva de fraude ou de responsabilidade criminal. A avaliação da regularidade das cobranças e a eventual responsabilização dos envolvidos dependem dos documentos e das apurações pertinentes. Relatar os fatos, preservar os registros e questionar cobranças desconhecidas são medidas importantes para buscar esclarecimentos e proteger direitos.

A aposentadoria é um direito construído ao longo de uma vida de trabalho e contribuição. Sua proteção exige transparência nos descontos, facilidade de acesso aos canais de reclamação e apuração adequada de possíveis irregularidades. Nenhum beneficiário deveria ter dificuldade para compreender por que seu pagamento foi reduzido ou para contestar uma cobrança que não reconhece.

Conferir regularmente o contracheque é também uma prática de educação financeira. Significa compreender os valores recebidos, identificar descontos, verificar sua origem e questionar cobranças que não foram reconhecidas ou cuja autorização não pode ser confirmada. Essa atenção contribui para a proteção da renda, para a tomada consciente de decisões e para o exercício dos direitos do beneficiário. A educação financeira, nesse contexto, não se limita ao planejamento de despesas: envolve informação, capacidade de análise e prevenção de prejuízos. Quando a renda é essencial para a subsistência, conhecer e acompanhar a movimentação do próprio benefício é uma forma de preservar a autonomia, a segurança financeira e a dignidade.

Percepção multissensorial e criatividade

Introdução Desde a infância, percebo o mundo de maneira predominantemente multissensorial. Letras, números, formas, cores, objetos e configu...