terça-feira, 11 de junho de 2024

Deficiência visual no ambiente escolar

Resíduo visual

A condição que caracteriza a presença de resíduo visual mais aproveitável nas atividades acadêmicas é a baixa visão.  Esse resíduo pode ser explorado e aproveitado nas atividades escolares, até mesmo para a leitura e para outras atividades visuais. Vale lembrar que, devido às diferentes causas que a originam, a baixa visão se apresenta em condições variáveis, em relação, por exemplo, ao nível do comprometimento, à acuidade e ao campo visual, ao desempenho visual até entre pessoas com o mesmo comprometimento biológico, etc. As diferenças geram necessidades, desconfortos e particularidades que chegam a ser opostos, como a necessidade de luminosidade manifesta por alguns e a fotofobia vivida por outros. Conhecer as necessidades de cada aluno permitirá saber que ajustes promover, por exemplo, na ampliação de materiais de leitura e imagéticos, na localização do aluno em sala de aula, na regulação da iluminação, na oferta de recursos ópticos e/ou não ópticos, etc.

Audição

Pessoas com deficiência visual são parcial ou totalmente privadas do acesso direto a imagens, gestos ou outras manifestações visuais que podem ser relevantes para a interação com professor e colegas e para a compreensão do conteúdo ministrado. Assim, é fundamental ampliar o emprego da linguagem verbal na interação com pessoas com DV, aliar essa modalidade da linguagem a outras estratégias ou conjugá-la às expressões e aos recursos visuais. Por exemplo, em vez de solicitar a atenção ou a participação do aluno através do olhar, fazê-lo verbalmente ou através de um leve toque no seu braço; sempre descrever imagens que sejam relevantes para a compreensão do conteúdo ministrado, nomear claramente os elementos que se quer referir em vez de usar expressões como "este", "aqui", "aquele", etc. 

Tato

A relevância do tato não se restringe ao importante papel no acesso ao Braille. O contato com materiais em relevo, modelos tridimensionais, entre outros, proporcionam uma experiência concreta com elementos estudados de maneira abstrata, enriquecendo os conceitos e imagens mentais. Por isso, é importante a confecção de materiais táteis para representar elementos estudados. Ao mesmo tempo, a ausência desses materiais pode acarretar, em alguns casos, prejuízos à aprendizagem. 

Propriocepção

Em linhas gerais, pode-se dizer que a propriocepção está ligada à percepção de localização e movimentos do corpo. Essas percepções são importantes para a orientação no espaço e para a mobilidade e podem ser exploradas em atividades que envolvam todo o corpo, como as ligadas à Educação Física.


Como qualquer outro sentido (audição, visão, olfato e paladar) o tato tem sua importância, principalmente para os deficientes visuais. O Tato não se restringe apenas a região da mão, as sensações táteis estão presentes em todo o corpo.

Através do tato é possível sentir a textura, a temperatura, o peso, o tamanho, o formato, entre outras características e com isso é possível definir imagens mentais dos objetos manuseados. Estar em contato com o mundo através do tato é um fator essencial para as crianças que possuem deficiência visual, pois é a forma que possuem para conhecer o mundo ao seu redor e ganhar mais independência.

Quando exposto a algum objeto novo o deficiente visual tende a explorá-lo com as mãos para reconhecê-lo e assim criar uma imagem da figura desconhecida. A captação de informação mediante ao tato, no entanto, requer mais tempo e paciência que a identificação através da visão.


Os contadores de histórias na obra de Daniel Munduruku


Resumo: Os escritos críticos e literários do autor indígena brasileiro Daniel Munduruku (1964) atribuem papel proeminente à imagem do contador de histórias. O conjunto de sua obra oferece valiosa contribuição para a literatura indígena como um todo. Mais do que um ciclo de histórias e memórias coletadas de fonte oral, o mosaico de narrativas autobiográficas e ficcionais, ensaios e contos escritos por Munduruku formam um detalhado retrato de sua herança cultural indígena. O propósito deste estudo é discutir como Munduruku apresenta o ato de contar histórias segundo a tradição oral indígena. A análise sugere que, além de expressar ensinamentos que o autor deseja transmitir ao leitor não-indígena, o contador de histórias do povo Munduruku é essencial para definir a identidade e o senso de pertencimento da criança indígena em relação à sua comunidade de origem e sua herança cultural. 

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Comparada ao modelo europeu, a tradição oral é valorizada de modo diverso entre os povos indígenas, cuja filiação à cultura escrita é recente. Distinguindo o contador de histórias, como voz remanescente da tradição oral, a meta deste artigo é comentar o ato de narrar histórias, um dos pilares da obra de Daniel Munduruku, apoiando-se nos escritos ficcionais e não-ficcionais do autor. O objetivo é expor como o autor apresenta e define o contador de histórias, na função de expoente e repositório da cultura indígena. 
“A escrita é uma novidade para os povos indígenas brasileiros”, arguiu Munduruku (2018a) que, na condição de autor indígena e educador, refere ser essencial: “[...] começar a chamar esses povos pelo nome, dizer quem eles são de fato, onde estão, como vivem, e por que, na nossa contemporaneidade, existe um massacre dessas populações” (MUNDURUKU, 2016b). Denunciar a situação atual dessas populações e expor como elas vivem e se expressam é um dos compromissos da obra de Munduruku: 

[...] os povos indígenas sempre foram considerados em transição, ou seja, estiveram numa posição de inferioridade com relação aos demais brasileiros. Até 1988 nossa gente era alvo de políticas públicas cujo principal objetivo era fazer com que fôssemos integrados à sociedade brasileira. Por essa ótica, ganharíamos o status de “civilizados” tão logo ingressássemos no mercado de trabalho, oriundos de um ensino técnico que nos daria os instrumentais para nos tornarmos mão de obra barata. Era a escola profissionalizante pela qual todos os indígenas tinham de passar para poder ter direito à sua carteira de trabalho e a uma identidade nacional. (MUNDURUKU, 2018a)



Histórias que eu vivi e gosto de contar

Autor: Daniel Munduruku

Ilustrações: Rosinha Campos

Editora Callis

historias01Histórias que Eu Vivi e Gosto de Contar, de Daniel Munduruku, com ilustrações de Rosinha Campos, é um daqueles livros que têm a sutileza de integrar vários aspectos da literatura.

Os contos apresentados levam o leitor a unir o real ao maravilhoso. Isso significa que seres criados pelo imaginário (como Curupira, Surucucu, Mãe-d’água e outros) tornam-se tão verdadeiros como outros personagens que fazem parte do real, como a presença do próprio autor, nas narrativas.

Vale a pena salientar também que há bastante espaço na leitura para a análise da matéria literária, cuja base está fundamentada nos valores ideológicos (fi losofi a de vida, padrões ideais de comportamento, consciência de mundo, aspirações, metas a serem alcançadas, etc.) presentes na obra. É possível aproximar-se do universo do povo indígena do qual o autor faz parte. Ao longo da obra, estão presentes aspectos da cultura, das tradições e dos costumes, assim como a construção ética e moral desse povo.

Dessa maneira, pode-se afi rmar que tais elementos (matéria literária e valores ideológicos) estão no primeiro plano da obra, e, em segundo plano, está o conteúdo manifesto. Portanto, o autor procurou dar ênfase ao aspecto literário das narrativas, embora se possa também observar a presença do aspecto didático ao longo do texto.

Em relação às ilustrações, pode-se dizer que foi uma decisão acertada restringir a sua quantidade, por ser interessante que as crianças possam desenvolver a imaginação e a criatividade sobre o espaço e o tempo correspondentes às aventuras apresentadas. Essa exploração pode acontecer por estarem diante de um espaço e tempo desconhecidos, já que é provável que a maioria dos leitores nunca tenha morado em uma fl oresta. Assim, solicitar que elas pensem como é a vida na fl oresta, que o autor apresenta com tanta propriedade, torna-se uma atividade extremamente estimuladora.

Por meio da leitura, ainda é possível trabalhar o projeto cultural da obra, ou seja, o encantamento pela literatura, e também o projeto de vida do livro, isto é, encontrar um sentido para sua própria vida a partir da leitura do texto. Portanto, os textos e as imagens do livro podem ser vistos além de um mero instrumento de transmissão cultural, mas devem ser valorizados como um poderoso recurso de integração e respeito entre culturas, passando, a partir dessa postura, para a prática no mundo em que vivemos.

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Negritude na literatura infantil

Uma abordagem baseada na obra Histórias da Preta, de Heloisa Pires Lima.

Diante de um cenário brasileiro permeado de praticas de preconceito, racismo e constante marginalização da historia do negro, urge a necessidade do trabalho em sala de aula com conteúdos que valorizem a formação da identidade étnica e que reformule os conceitos de negritude. 

Aqui, propomos analisar o processo de aceitação e construção da identidade negra da personagem infantil do livro “Histórias da Preta” da autora Heloisa Pires Lima. 

Evidenciando o caminho percorrido pela Preta, narradora-personagem principal, percebe-se que a mesma busca conhecer a sua historia e nesse percurso vai se reconhecendo enquanto negra, se aceitando e se valorizando. 

Acredita-se que esta obra é um instrumento capaz de auxiliar o professor, juntamente com a Lei Federal 10.639/03 (BRASIL, 2003), no desenvolvimento da identidade étnica racial da criança negra.


Histórias da Preta

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Na obra Histórias da Preta, de Heloisa Pires Lima, a autora apresenta uma abordagem histórica de cultura africana, passando pela definição de etnia e racismo, sempre trabalhando com uma visão do que é ser diferente. Essa é uma obra um tanto quanto complexa. A preta, vemos pela capa do livro, é uma jovem; porém, no decorrer da narrativa, dado o conhecimento e as reflexões que ela apresenta, já parece uma mulher adulta experiente: “Certa vez, trabalhei com os índios pataxós, na Bahia…” (p. 55).

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A estrutura da obra é diferente: temos, no início, a Preta se apresentando (fase de menina):

Cresci uma menina igual a todas as meninas e diferente de todas as outras. Desse jeito, sou eu com minha história, nesta história com todos os tamanhos que couberem neste livro. Eu sou a preta. Era minha madrinha, a tia Carula [ … ] que me chamava assim (p. 9).

O livro é dividido em Apresentação, África, O roubo do tesouro, São direitos ou são tortos?, Historietas da Preta, Histórias do candomblé, Diferente de ser igual. Outro aspecto interessante na estrutura é que a preta é a narradora-personagem principal. A voz na história é dela, e notamos que ela tem muitos traços da autora no decorrer da narração.

Tentaremos, pelo menos, apresentar a idéia principal da obra. Na Apresentação, ela discute sobre o duplo sentido da designação. Preta:

[…] tia Carula ficou principalmente na minha lembrança de certos dias tristes em que ela chegava com sua sacolinha de carinhos. E só ela sabia me chamar de Preta desse jeito que ficou tão doce. Olha que engraçado: quando os outros diziam que eu era preta eu achava estranho (p. 12).

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Notamos a relação afetuosa dela com a tia, o carinho, o ambiente aconchegante.

Preta mostra seus questionamentos e seu processo de descoberta e de se assumir como negra: “— Eu não sou preta, eu sou marrom. Cor de doce de leite, como a canela, como o chocolate, como o brigadeiro. Cor de telha. Cor de terra […]. Eu fui aos poucos descobrindo que eu era Preta marrom, uma menina negra”.

Não é imediatamente que ela se denominará como negra, mas aos poucos vai se percebendo e sendo percebida como tal.

É fundamental aqui o processo, pois muitos negros passaram por ele: “Ser negra é como me percebem? Ou como eu me percebo? Ou como vejo e sinto me perceberem? […] Como é, afinal, ser uma pessoa negra? Eu respondo quando responderem como é que é ser uma pessoa que não é negra?” (p. 12).

Durante a Apresentação, encontramos reflexões curiosas, inquietantes sobre essa questão: “— Vó, quem inventou a cor das pessoas? […] Ela disse: — Eu só respondo se tu me disser quem inventou o nome da cor das pessoas” (p. 12).

Ou quando ela vai comparar o termo afro com “etiqueta para todos ou tudo o que é parecido com algo ou alguém da África. Euro é a etiqueta para semelhanças européias” (p. 13).

A origem africana é assunto que percorre toda a obra, bem como a origem mestiça: “[…] Outro dia eu conversei com um amigo loiro cuja mãe sempre conta com orgulho que sua avó era negra […] Eu, negra descendente de alemães, e ele, loiro descendente de crioulos. Ninguém acredita!”. Chama-nos a atenção essa inversão positiva da mãe do amigo, que conta com orgulho a origem negra.

Mas origem africana está na cara. E também no coração. Ser africano é diferente de ser italiano ou francês […] onde o bicho homem virou gente foi na África […]. Mas, ainda que todo mundo seja africano na origem, nem todo o mundo é visivelmente negro hoje em dia. É um quebra-cabeça essa história (p. 13).

A partir daí, ela vai colar pedaços da história para tentar montar esse quebra-cabeça.

Comentemos, agora, a primeira parte da história: a África é negra ou muito colorida? A preta é uma contadora de histórias, haja vista o título da obra. Porém, de ouvidora de histórias, ela passou a ser leitora e, por último, escritora: “Fui crescendo com Lia, que me ensinou a escutar e a sonhar e às vezes a ter pesadelos com essas histórias. Às vezes líamos juntas. Depois comecei a ler de tudo, até que virei uma Lia. E Lia agora escreve livros” (p. 16).

Notamos a maneira criativa e envolvente com que a narradora tece suas idéias, sempre procurando brincar, jogar com os sentidos das palavras lia (do verbo ler) e Lia, nome próprio. Esse caráter lúdico-metafórico perpassa quase toda a obra, por exemplo: “Depois de mil e uma noites e dias de histórias sobre a África, entendi que por muito tempo os livros diminuíram alguns povos” ou “A África tem muitas etnias, isto é, muitos jeitos diferentes de ser num mundo aparentemente igual”.

Tranqüilamente, a autora nos coloca em contato com a África, com definições de etnia, cultura, por meio de uma linguagem instigante, provocativa, reflexiva e, muitas vezes, com ludicidade. Quando ela conta um dos mitos da criação do mundo pelos africanos, notamos um pouco isso:

Sabe como o mundo foi criado pelos africanos? Ou como os africanos foram criados pelo mundo? Ou como a criação criou o mundo africano? Ou como muitos africanos criaram as histórias da criação? (p. 18). Essas narrativas cheias de poesia são conhecimentos que contam sobre a criação do mundo: sabedoria sob o céu de estrelas africanas (p. 22).

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Ela apresenta a dimensão sagrada da palavra para o povo africano e o griot ou diélis (quer dizer sangue, e a circulação do sangue é a própria vida, a força vital), contador de histórias, poetas, músicos: “[…] é através da fala que o mundo continua a existir no presente” (p. 23).

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Na segunda parte, a Preta nos fala da captura de negros africanos, das etnias que vieram para algumas regiões do país. Percebemos verdadeira preocupação em mostrar outro lado da história não contada nas escolas, ou seja, uma versão diferente da história oficial, pois a Preta nos fala sobre o comércio transaárico na África, sobre o tráfico de gente: “Tinha o mercado de gente, o mercado de marfim, o mercado de ouro, e esses mercados dividiam e uniam etnias” (p. 39), até chegar ao mercado transatlântico e às suas conseqüências: “Até de tristeza eles morriam — uma tristeza chamada banzo, que era a falta que sentiam de sua terra, de sua casa” (p. 41). No livro Luana, também aparece esse termo.

Por último, ela mostra dados sobre quando, quantos, para onde e de onde vieram os escravizados, quais eram as etnias e os principais traficantes. Notamos que essa preocupação de apresentar um relato fiel da realidade histórica é imprescindível para um resgate da nossa história; porém, ao fazê-lo, perde-se um pouco o teor literário da obra, pois parece que estamos diante de um livro de história, e não de ficção, embora entendamos a preocupação em explicar tudo à criança.

Será que essa é uma característica dessa nova tendência de escritores (negros ou não) ou até mesmo uma necessidade da literatura infanto-juvenil com recorte étnico-racial, visando a uma busca e/ou ao resgate da nossa identidade? Ainda não podemos afirmar isso, mas há outros livros, não analisados aqui, que demonstram essa preocupação também.

No capítulo São direitos ou são tortos?, encontramos Estevão, um garoto negro, aluno da Academia Imperial de Belas-Artes, filho de escravos:

Mas uma confusão que costuma acontecer é imaginar que todas as pessoas negras eram escravas […] algumas puderam pôr em prática as estratégias de libertação e conseguiram libertar a si mesmas e tornar livres seus filhos e netos (p. 46).

Enquanto ele desfila pelas ruas do Rio de Janeiro, possivelmente, Preta nos conta o sonho dele: ter sucesso como o artista negro José Maurício N. Garcia: “Uma pausa do órgão quebrou seu sonho. Sabia que teria que brigar muito para conseguir ser importante. Tinha mesmo era que libertar todo mundo primeiro” (p. 47). Ele também quer ser capoeirista e vê a capoeira como uma luta que parece uma dança. Além de Estevão, ela cita alguns negros brasileiros que se destacaram.

Em Historietas da Preta, ela novamente conta várias histórias, buscando enfatizar que há outras maneiras de olhar algo ou alguém diferente, mostra a invisibilidade do negro ou a imagem dele sempre dominado, associado a tudo que é ruim: “A coisa está preta” (p. 54), sofrendo racismo. No dicionário, ela vê a definição dada ao negro: “Assim eu não vou querer ser nem negra nem preta” (p. 54). Ela vai trabalhando com os significados das palavras:

O sentido que nós damos às palavras indica o modo como vemos o mundo, traduz o que achamos das coisas […]. Sombra é bom quando tem muita luz, e luz é bom quando está muito escuro. O petróleo é negro e não é sujo, o carvão é preto e faz fumaça branca, e eu pensei em tantos opostos que se equilibram que… deu um branco na minha cabeça! (p. 54)

Nas Histórias do candomblé, Preta nos conta sua experiência em uma festa de caboclo: “A festa foi uma flecha que me atirou para dentro de um mundo desconhecido” (p. 60), pois ela havia estudado em escola de freiras: “Quando se é criado numa religião, aprende-se a evitar as outras. Das religiões de origem africana, sempre me chegavam informações muito preconceituosas” (p. 60). A Preta nos fala do candomblé, dos iorubas, dos orixás: Oxum, Oxumaré, Xangô, Oxossi, Obaluaiê, Iansã e outros.

Em Diferente de ser igual, ela retoma o que é ser diferente, ser igual, sempre procurando mostrar o lado enriquecedor da diferença e a igualdade de direitos: “Quem são os mais diferentes? Depende de como eu sou. Mas e se eu for muitos? Então vou ser parecida com muitos […]. Somos iguais no direito à vida” (pp. 68–69).

livrodavez5As ilustrações desse livro são belíssimas. Na capa, temos a Preta lineada com detalhes; notam-se os traços africanos, os adornos, a maquiagem e as tranças, assim como em Luana. As cores utilizadas são atraentes, fortes e significativas, pois lembram e mostram o colorido das cores africanas (pp. 26, 54 e 57). Em todas as páginas, há algum desenho, muitos deles de algumas etnias africanas; objetos de diferentes etnias também aparecem em destaque (pp.23–24), assim como animais africanos típicos, como camelo, girafa, jacaré, veado e outros (pp. 1, 2, 6, 7, 17, 26, 27, 34, 35 e 36).

Há ilustrações que parecem verdadeiras poesias ou quadros, que encantam, atraem, como a imagem de um pássaro numa página meio rosada com uma lua com cara de gente (p. 14) ou da amiga Lia montada em um camelo, ilustração que utiliza duas páginas com tons diferentes, parecendo a paisagem de um quadro (pp. 31–32).

livrodavez6livrodavez7Nas ilustrações da Preta ainda menina, notamos que, em uma, ela está mais escura e, em outra, mais clara, com traços diferentes, acredito que com cabelo diferente também. A constante referência à África é notória e muito positiva; por exemplo: na página 12, temos um desenho parecido com um mapa colorido, escrito África, com os africanos representados com vestimentas tradicionais, adornos (pp. 16–18). Algumas são mais nítidas do que as outras com relação aos traços faciais, se compararmos às páginas 16, 30 e 37.

Na quinta parte, temos ilustrações que retratam o candomblé, os orixás, as iniciadas (pp. 60–65).

O Sol, representando o dia, com traços negros (pp. 6, 15), em primeiro lugar, e a Lua (noite), em segundo lugar, são os mais desenhados. Além das ilustrações, o material, o papel utilizado para a impressão do livro é de extrema qualidade, gostoso de manusear, tatear, contribuindo para a estética do livro. Há ilustrações grandes, chamativas e outras com teor (preocupação) mais instrutivo (pp. 24, 25 e 43).

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Inside Out

Inside Out (Divertida mente) é uma animação divertida, emocionante, com muito aprendizado e com muita psicologia envolvida. Você já pensou em como os nossos sentimentos são responsáveis por como nos comportamos? 









Assistir e analisar "Divertida mente" faz você entender um pouco mais sobre como  sentimento e comportamento estão interligados.

A animação da PIXAR é baseada no desenvolvimento emocional de Riley (uma garota divertida de 11 anos), que está passando por uma fase de muitas mudanças emocionais, e nos apresenta 5 personagens que estão na sua mente, são eles: Alegria, Raiva, Tristeza, Nojinho e Medo. Assim como no filme, são essas emoções as responsáveis pelos nossos comportamentos.

Mas como assim? O que eu sinto é responsável por como eu me comporto?

Sim!

Para explicar o nosso comportamento com as emoções podemos utilizar a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC).

A Teoria Cognitiva Comportamental (TCC) foi desenvolvida por Aaron T. Beck na década de 60 em uma universidade da Pensilvânia, e é uma psicoterapia breve, estruturada, orientada ao presente, direcionada a resolver problemas atuais, modificar pensamentos e os comportamentos disfuncionais.

Aron Beck em 1964, afirma que a terapia cognitiva está fundamentada no modelo cognitivo que sugere a hipótese de que as emoções e comportamentos dos indivíduos são influenciados por sua percepção dos eventos. Não é um determinado acontecimento por si só que faz com que o indivíduo defina o que está sentindo, mas antes disso, a maneira como ele interpreta o acontecimento.

Sendo assim, temos dois níveis de pensamentos que atuam ao mesmo tempo: os níveis mais obvio de pensamento e o superficial. Beck define esses pensamentos como automáticos, e não são decorrentes de deliberação ou raciocínio. Esses pensamentos manifestam-se automaticamente, eles são frequentes, muito rápidos e breves.

Os nossos pensamentos são a fonte do nosso comportamento, trabalham juntos, conforme eu me vejo na situação, eu sinto e me comporto. Podemos ver essa teoria exemplificada em “Divertida Mente” de uma forma brilhante.







sábado, 8 de junho de 2024

terça-feira, 4 de junho de 2024

No Campeonato Mundial de Budapeste, em junho, a americana Anita Alvarez afundou até o fundo da piscina.


Observando através da água e percebendo que ela estava submersa por muito tempo, a sua treinadora Andrea Fuentes atirou-se imediatamente atrás dela, completamente vestida e levou-a para um lugar seguro. Anita estava inconsciente e não podia nadar ou se ajudar de forma alguma.

Se Andrea não tivesse intervindo, Anita teria se afogado. Mas Andrea conhecia bem Anita. Ela procurou-a, percebeu rapidamente que estava debaixo da água por muito tempo e pulou sem hesitação para salvá-la.

Isso me fez refletir muito...
Quando você está submerso demais, quem são as pessoas que vão te procurar, perceber e se lançar para te trazer à superfície quando você não tiver mais forças para nadar?

Quem são as pessoas que fariam isso por você?

E alguém pode contar com você, para ser essa pessoa que irá procurá-los e perceber quando estiverem submersos demasiado tempo, te jogando na água para apoiá-los quando estiverem exaustos e sem forças para nadar nestas águas turbulentas que chamamos vida? 





 

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Sequência de Corpus Christi

Em algumas Solenidades do Calendário Litúrgico da Igreja Católica, existe um momento em que os cristãos cantam alguns hinos específicos, como por exemplo o hino chamado “Sequência de Corpus Christi”.

A Sequência é uma composição poética que é recitada ou cantada, antes da aclamação do Evangelho. 

A Sequência de Corpus Christi foi criada por São Tomás de Aquino, a pedido do Papa Urbano IV, que instituiu a celebração de Corpus Christi.

Em sua origem a composição se chama “Lauda Sion”, que traduzida para o português se chamaria “Terra exulta”.














1. Terra, exulta de alegria,

louva teu pastor e guia

com teus hinos, tua voz!

2. Tanto possas, tanto ouses,

em louvá-lo não repouses:

sempre excede o teu louvor!

3. Hoje a Igreja te convida:

ao pão vivo que dá vida

vem com ela celebrar!

4. Este pão que o mundo creia!

por Jesus, na santa ceia,

foi entregue aos que escolheu.

5. Nosso júbilo cantemos,

nosso amor manifestemos,

pois transborda o coração!

6. Quão solene a festa, o dia,

que da Santa Eucaristia

nos recorda a instituição!

7. Novo Rei e nova mesa,

nova Páscoa e realeza,

foi-se a Páscoa dos judeus.

8. Era sombra o antigo povo,

o que é velho cede ao novo:

foge a noite, chega a luz.

9. O que o Cristo fez na ceia,

manda à Igreja que o rodeia

repeti-lo até voltar.

10. Seu preceito conhecemos:

pão e vinho consagremos

para nossa salvação.

11. Faz-se carne o pão de trigo,

faz-se sangue o vinho amigo:

deve-o crer todo cristão.

12. Se não vês nem compreendes,

gosto e vista tu transcendes,

elevado pela fé.

13. Pão e vinho, eis o que vemos;

mas ao Cristo é que nós temos

em tão ínfimos sinais...

14. Alimento verdadeiro,

permanece o Cristo inteiro

quer no vinho, quer no pão.

15. É por todos recebido,

não em parte ou dividido,

pois inteiro é que se dá!

16. Um ou mil comungam dele,

tanto este quanto aquele:

multiplica-se o Senhor.

17. Dá-se ao bom como ao perverso,

mas o efeito é bem diverso:

vida e morte traz em si...

18. Pensa bem: igual comida,

se ao que é bom enche de vida,

traz a morte para o mau.

19. Eis a hóstia dividida... Quem hesita, quem duvida?

Como é toda o autor da vida, 

a partícula também.

20. Jesus não é atingido: o sinal que é partido;

mas não é diminuído,

nem se muda o que contém.

21. Eis o pão que os anjos comem

transformado em pão do homem;

só os filhos o consomem: não será lançado aos cães!

22. Em sinais prefigurado,

por Abraão foi imolado,

no cordeiro aos pais foi dado, no deserto foi maná...

23. Bom Pastor, pão de verdade,

piedade, ó Jesus, piedade,

conservai-nos na unidade,

extingui nossa orfandade, transportai-nos para o Pai!

24. Aos mortais dando comida, 

dais também o pão da vida;

que a família assim nutrida

seja um dia reunida aos convivas lá do céu!

Arara-azul

Mundo Azul: arara-azul e seus biomas

arara azul Cartilha Educativa: Conhecendo a Arara-Azul Autora: Renata Bravo Atividade criativa Monte sua arara-azul Materiais necessários: C...