Um ponto que raramente é dito nas discussões sobre inclusão é o direito ao tempo de adaptação.
Nem sempre a barreira é apenas o espaço, a comunicação ou a estrutura. Muitas vezes, a dificuldade está no ritmo imposto pelo mundo um ritmo que não considera que algumas pessoas precisam de mais tempo para compreender, responder, agir ou se posicionar.
A sociedade costuma valorizar rapidez: responder rápido, aprender rápido, se adaptar rápido. Mas nem todas as pessoas funcionam nesse mesmo tempo.
E aqui a pandemia ajuda a entender isso de forma muito clara.
Durante a pandemia, toda a sociedade foi obrigada a desacelerar e se reorganizar. Rotinas foram interrompidas, formas de trabalho mudaram, a escola precisou se reinventar, e até a comunicação levou tempo para ser compreendida e ajustada. Ninguém teve escolha a não ser aprender no próprio ritmo de adaptação possível naquele momento.
Isso ajuda a enxergar algo importante: quando o mundo muda para todos, o tempo de adaptação passa a ser respeitado.
Para muitas pessoas com deficiência, porém, essa necessidade de adaptação não é temporária. Ela é constante. E, mesmo assim, nem sempre o tempo necessário é reconhecido.
O resultado disso é uma pressão silenciosa para “acompanhar o ritmo”, mesmo quando o ambiente não foi pensado para isso. E essa pressão pode gerar desgaste, ansiedade e sensação de inadequação.
Reconhecer o direito ao tempo de adaptação é reconhecer que inclusão não é apenas acesso físico ou participação formal. É também permitir que cada pessoa possa existir no seu próprio ritmo, sem ser punida por isso.
Porque quando o mundo desacelerou na pandemia, ele provou algo importante:
Adaptação leva tempo e isso é humano, não exceção.
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