CULTURA DA INFÂNCIA VIVA: PATRIMÔNIO DO BRINCAR, DA ARTE E DA NATUREZA

INSPIRADO EM HEIDEGGER, BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL (POR RENATA BRAVO) NÃO SE APRESENTA COMO UM CONTEÚDO A SER DECORADO, MAS COMO UMA EXPERIÊNCIA A SER DIGERIDA, VIVIDA E INCORPORADA.

CONTATO: RENATARJBRAVO@GMAIL.COM - PESQUISAS, TECNOLOGIA ASSISTIVA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL DESDE 2013.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Faça-se a ... sombra!

Luzes e sombras têm realmente sua poesia. Oscilantes, mais ou menos intensas, elas brincam com o olhar, sugerem formas, movimentos e até mesmo sensações. Há muito tempo, esse contraste é utilizado para encantar, emocionar e fazer sonhar, como acontece no Teatro de Sombras.

Não é por acaso, portanto, que crianças se sentem tão atraídas pelo jogo entre luz e sombra. Quem trabalha com bebês e crianças bem pequenas sabe como uma simples fonte de luz é capaz de despertar curiosidade, atenção e encantamento. O gesto simples de “acender e apagar” transforma-se rapidamente em uma brincadeira divertida, cheia de descobertas e possibilidades.

As experiências com luzes e sombras favorecem a imaginação, a percepção visual, a exploração do espaço e o desenvolvimento sensorial. Além disso, criam atmosferas poéticas e investigativas, permitindo que as crianças experimentem movimentos, formas e narrativas de maneira lúdica e criativa.

No contexto da Educação Infantil, o trabalho com luz e sombra pode envolver brincadeiras livres, projeções, histórias, músicas, exploração de objetos transparentes e construção de pequenas cenas inspiradas no Teatro de Sombras, ampliando o repertório artístico, expressivo e sensível das crianças.


Passo a Passo
1- Recorte o fundo do copo plástico
2- Cole na parte de cima do copo o plástico com durex
3- Faça o desenho no plástico com canetinha ou caneta permanente.
4- Coloque uma lanterna na extremidade contrária ao plástico e mire em uma parede.



A luz e a sombra são elementos fundamentais da linguagem visual. Por meio delas, é possível criar, no desenho, na pintura e na escultura, efeitos expressivos e estéticos que ampliam a percepção do olhar e enriquecem as produções artísticas.

Com o jogo entre luz e sombra, podem surgir belíssimos efeitos, como a sensação de profundidade, a dilatação do espaço e a valorização das áreas mais iluminadas da composição. Esses contrastes ajudam a destacar formas, volumes, texturas e movimentos, tornando as imagens mais vivas, expressivas e realistas.

Nas artes visuais, a exploração da luz e da sombra também desperta a sensibilidade, a imaginação e a observação. Ao experimentar diferentes fontes de luz, intensidades e direções, crianças e estudantes passam a perceber como as sombras se transformam e como a iluminação interfere na maneira como vemos objetos, espaços e formas.

Essas experiências podem ser trabalhadas de maneira lúdica e criativa em propostas artísticas inspiradas no Teatro de Sombras, em desenhos de observação, pinturas, esculturas e instalações, favorecendo a expressão artística e o desenvolvimento do olhar estético.











Cartilha Educativa

Faça-se a… Sombra

Autora: Renata Bravo

1 - Apresentação

Título: Faça-se a… Sombra!

A luz e a sombra encantam as crianças com seu jogo mágico de contrastes. Formas, movimentos e sensações despertam a imaginação e criam histórias que dançam nas paredes. Esta atividade transforma simples materiais recicláveis em um pequeno espetáculo de criatividade e ciência.

A proposta busca sensibilizar para conceitos visuais e percepção espacial através do jogo de luz e sombra, além de estimular a criatividade, a coordenação motora fina, a curiosidade e a expressão artística. Também promove o reaproveitamento de materiais simples de forma sustentável.

2 - Materiais necessários

Para realizar a atividade, serão necessários um copo plástico transparente ou de uso único reciclável, tesoura sem ponta ou com supervisão, plástico fino transparente como filme plástico ou similar, durex ou fita adesiva, canetinha permanente ou colorida, uma pequena lanterna de mão e uma parede lisa para projeção, de preferência branca.

3 - Passo a passo da atividade

Primeiramente, recorte o fundo do copo plástico, criando uma moldura para projeção. Em seguida, cole no topo do copo um pedaço de plástico transparente utilizando fita adesiva. Depois, desenhe no plástico com canetinha permanente. Por fim, posicione a lanterna atrás do desenho e projete a sombra na parede.

4 - Orientações pedagógicas e dicas

Durante a atividade, explore diferentes possibilidades visuais, variando a inclinação da lanterna, a distância até a parede e a intensidade da luz para criar efeitos diversos. Incentive as crianças a produzirem desenhos de animais, formas geométricas, símbolos, letras e silhuetas.

Também é possível experimentar materiais alternativos, como garrafas PET cortadas, papel vegetal ou cartões transparentes. Para crianças com deficiência visual, podem ser incluídas narrativas orais; para crianças com baixa visão, recomenda-se utilizar contraste máximo entre luz e fundo.

A atividade deve ser realizada sempre com supervisão no uso da tesoura e das lanternas.

5 - Conexões com competências e habilidades

A proposta favorece a criatividade e a expressão pessoal, pois cada desenho se transforma em uma obra única. Também contribui para o desenvolvimento da coordenação motora fina, já que o recorte, a colagem e o desenho exigem precisão e controle dos movimentos.

Além disso, desperta a curiosidade científica por meio da experimentação com luz, reflexão e sombra, ao mesmo tempo em que promove a conscientização sobre sustentabilidade, reaproveitamento de materiais e impacto ambiental.

6 - Avaliação e registro

É interessante fotografar os momentos de projeção e a criação das obras produzidas pelas crianças. O educador pode estimular perguntas como: “O que mais gostou de ver?”, “Como poderia mudar a forma da sombra?” e “O que acontece quando a luz muda de posição?”.

Também pode solicitar que as crianças desenhem ou contem sobre o que sentiram ao observar suas próprias sombras e projeções.

7 - Possíveis adaptações

Para crianças de 3 a 6 anos, recomenda-se utilizar materiais maiores e previamente preparados, além de limitar a atividade entre 10 e 15 minutos. A proposta pode ser associada a músicas, histórias e brincadeiras sensoriais.

Para crianças de 7 a 12 anos, é possível incentivar a criação de pequenas histórias utilizando Teatro de Sombras, além de explorar técnicas como stop-motion, luzes coloridas e formas mais complexas.

8 - Exemplos visuais e inspirações

A atividade pode ser enriquecida com fotografias das projeções realizadas pelas crianças ou pela criação de um pequeno teatro de sombras utilizando materiais reciclados e diferentes fontes de luz.


Renata Bravo

Educadora, escritora e pesquisadora em Formação Humana, Arte e Legado Cultural.










segunda-feira, 30 de março de 2026

Inclusão na escola: nunca pense em deficiência, pense em habilidades

A escola é o lugar onde todas as crianças devem pertencer. A inclusão acontece quando deixamos de olhar para o que falta e passamos a enxergar as habilidades que cada estudante possui.

Em atividades interdisciplinares, diferentes formas de aprender se encontram, se completam e enriquecem o processo educativo.

Quando estimulamos os sentidos, respeitamos os ritmos, garantimos acessibilidade e valorizamos os interesses, a qualidade de vida, a aprendizagem e a autoestima melhoram para todos.

Deficiência visual

Quando a visão é reduzida ou ausente, outros sentidos ganham protagonismo: audição, tato e olfato.

Na escola, podem ser incluídos em:

Banda musical escolar (percussão, canto, ritmo, grupo vocal)

Oficinas de música e instrumentos

Contação de histórias e narrativas orais

Atividades táteis (argila, texturas, materiais naturais)

Projetos sensoriais com cheiros, sons e sabores

Habilidades desenvolvidas: sensibilidade auditiva, memória, coordenação, criatividade e expressão musical.

Deficiência auditiva

Aprender não depende apenas do ouvir. O corpo, o olhar e as mãos também ensinam.

Na escola, podem ser incluídos em:

Jogos de tabuleiro (estratégia, matemática, regras)

Artes visuais (desenho, pintura, colagem, fotografia)

Atividades com imagens, mapas e sequências visuais

Dança e expressão corporal

Jogos de mímica e linguagem visual

Habilidades desenvolvidas: raciocínio lógico, atenção visual, cooperação e expressão corporal.

Deficiência intelectual

Cada aluno aprende no seu tempo. Quando o processo é respeitado, o aprendizado acontece com sentido.

Na escola, podem ser incluídos em:

Atividades de pintura, desenho e artes manuais

Música com movimento

Jogos simples e repetitivos

Oficinas práticas (culinária, jardinagem, cuidados)

Trabalhos em grupo e projetos coletivos

Habilidades desenvolvidas: coordenação motora, autonomia, socialização, criatividade e autoestima.

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Existem muitos tipos de autismo. A inclusão começa quando buscamos saber o que interessa e motiva cada pessoa.

Na escola, podem ser incluídos em:

Projetos baseados em interesses (números, animais, música, tecnologia)

Atividades estruturadas e previsíveis

Música, ritmo e sons organizados

Artes visuais, desenho detalhado e pintura

Jogos com regras claras e apoio visual

Habilidades desenvolvidas: foco, organização, criatividade, comunicação e autonomia.

Cadeirantes / deficiência física

A mobilidade reduzida não limita o pensamento, a criatividade nem a participação. Inclusão também é garantir acessibilidade física e atitudes inclusivas.

Na escola, podem ser incluídos em:

Atividades artísticas (pintura, desenho, escultura, colagem)

Música, canto e instrumentos adaptados

Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos

Projetos de tecnologia, robótica e produção digital

Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares

Habilidades desenvolvidas: autonomia, expressão, raciocínio, criatividade, liderança e trabalho em equipe.

Deficiência pode se transformar em habilidade

Quando a escola adapta o ambiente, as práticas e o olhar, surgem:

Talentos antes invisíveis

Novas formas de comunicação

Criatividade ampliada

Vínculos verdadeiros

Aprendizagens profundas

Nunca pense em deficiência. Pense em habilidades.

Porque cada pessoa percebe o mundo de um jeito e todos esses jeitos têm valor.

A Casa dos Sentidos

Na escola havia uma sala diferente.

Não tinha placa,

mas todos a chamavam de Casa dos Sentidos.

Ali, quem não via

escutava o mundo com atenção

e reconhecia os amigos

pelo som dos passos e do riso.

Quem não ouvia

dançava com o chão,

sentindo a música vibrar

nos pés e no coração.

Havia quem se movesse sobre rodas

e ensinasse à escola inteira

que o caminho não está nas pernas,

mas na vontade de chegar.

Havia quem aprendesse devagar,

mas ensinasse rápido

o valor da paciência,

do cuidado

e do tempo certo das coisas.

Havia também quem visse o mundo em detalhes invisíveis,

porque seu olhar nascia de dentro

e enxergava o que ninguém mais via.

Na Casa dos Sentidos,

ninguém era menos.

Cada um era necessário.

E todos aprenderam juntos

que o mundo

não se entende só com os olhos,

nem só com os ouvidos…

O mundo se entende

quando a escola abre espaço

para todas as habilidades existirem. 

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Inclusão na escola: quando a deficiência revela habilidades

Resumo

A educação inclusiva propõe um deslocamento de olhar: sair da lógica da deficiência e reconhecer as habilidades, potencialidades e diferentes formas de aprender. Este artigo discute como a escola pode estimular sentidos, interesses e competências de estudantes com deficiência visual, auditiva, intelectual, transtorno do espectro autista e deficiência física, por meio de atividades interdisciplinares que promovem aprendizagem, participação e qualidade de vida.

1- Introdução

A escola é, por essência, um espaço de diversidade. No entanto, durante muito tempo, estudantes com deficiência foram vistos a partir daquilo que não conseguiam fazer. A perspectiva inclusiva rompe com esse modelo e propõe uma mudança fundamental: não pensar em deficiência, mas em habilidades.

Quando a escola adapta suas práticas, valoriza os interesses individuais e estimula diferentes sentidos, cria-se um ambiente onde todos aprendem, cada um à sua maneira. A inclusão não beneficia apenas quem tem deficiência, mas toda a comunidade escolar.

2- Estímulo sensorial e qualidade de vida

O estímulo dos sentidos é um dos pilares da educação inclusiva. Quando um sentido é reduzido ou ausente, outros podem ser ampliados, promovendo autonomia, bem-estar, aprendizagem significativa e melhora da qualidade de vida.

A escola, por meio de atividades interdisciplinares, tem grande potencial para favorecer essas experiências.

3- Deficiência visual: aprender com o corpo e com o som

Na deficiência visual, os sentidos da audição, tato e olfato tornam-se centrais no processo de aprendizagem.

Possibilidades pedagógicas:

Participação na banda musical escolar, em grupos vocais e percussão

Oficinas de música, ritmo e instrumentos

Contação de histórias, narrativas orais e audiolivros

Atividades táteis com argila, texturas e materiais naturais

Projetos sensoriais envolvendo cheiros, sons e sabores

Essas experiências desenvolvem memória auditiva, coordenação, criatividade e expressão artística, fortalecendo o protagonismo do estudante.

4- Deficiência auditiva: aprender pelo olhar, pelo corpo e pela interação

A aprendizagem não acontece apenas pela escuta. Estudantes com deficiência auditiva utilizam intensamente o campo visual, o tato e a expressão corporal.

Possibilidades pedagógicas:

Jogos de tabuleiro, que envolvem estratégia, matemática e cooperação

Artes visuais: pintura, desenho, colagem e fotografia

Atividades com imagens, mapas mentais e sequências visuais

Dança, teatro e expressão corporal

Jogos de mímica e comunicação visual

Essas práticas estimulam o raciocínio lógico, a atenção, a leitura de imagens e o trabalho em grupo.

5- Deficiência intelectual: respeitar o ritmo e valorizar o processo

Na deficiência intelectual, o foco deve estar no processo de aprendizagem, não apenas no resultado. Respeitar o tempo de cada estudante é essencial para que o aprendizado faça sentido.

Possibilidades pedagógicas:

Atividades de pintura, desenho e artes manuais

Música associada ao movimento

Jogos simples, repetitivos e estruturados

Oficinas práticas como culinária, jardinagem e cuidados cotidianos

Projetos coletivos e trabalhos em grupo

Essas ações promovem coordenação motora, autonomia, socialização e fortalecimento da autoestima.

6- Transtorno do Espectro Autista (TEA): partir do interesse

O autismo não é único; existem muitos espectros e singularidades. A inclusão efetiva começa ao identificar o que interessa e motiva cada pessoa autista.

Possibilidades pedagógicas:

Projetos baseados em interesses específicos (números, animais, música, tecnologia)

Atividades estruturadas, previsíveis e com apoio visual

Música, ritmo e sons organizados

Artes visuais, desenho detalhado e pintura

Jogos com regras claras e mediação adequada

Quando o interesse é respeitado, surgem foco, engajamento, comunicação e autonomia.

7- Deficiência física e cadeirantes: acessibilidade e participação

A mobilidade reduzida não limita a capacidade cognitiva, criativa ou social. A inclusão de estudantes cadeirantes passa pela acessibilidade física, adaptações pedagógicas e atitudes inclusivas.

Possibilidades pedagógicas:

Atividades artísticas adaptadas

Música, canto e instrumentos acessíveis

Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos

Projetos de tecnologia, robótica e produção digital

Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares

Essas práticas favorecem autonomia, liderança, expressão e trabalho colaborativo.

8- A escola como espaço de transformação

Quando a escola adapta o ambiente, flexibiliza metodologias e amplia seu olhar, a deficiência deixa de ser vista como limitação e passa a ser compreendida como uma forma diferente de estar no mundo.

A educação inclusiva revela talentos, fortalece vínculos e ensina valores como empatia, respeito e cooperação.

9- Considerações finais

Pensar inclusão é pensar em humanidade.

É reconhecer que todos aprendem, ainda que não aprendam do mesmo jeito.

As circunstâncias podem ser diferentes, mas o potencial humano sempre encontra um jeito de florescer.

Porque uma escola inclusiva não prepara apenas estudantes, prepara uma sociedade mais justa, sensível e plural.


A Arte de Recortar o Essencial: o legado de Henri Matisse




Na correria do dia a dia, muitas vezes acreditamos que criar depende de muitos recursos, materiais sofisticados ou técnicas complexas. No entanto, a obra de Henri Matisse nos convida a olhar em outra direção: a da simplicidade que revela o essencial.

Na década de 1940, já enfrentando limitações físicas, o artista reinventou sua forma de produzir arte. Em sua série Jazz, ele passou a “desenhar com a tesoura”, recortando papéis pintados com guache e criando composições vibrantes, cheias de ritmo e movimento. As formas parecem dançar no espaço, como se a cor ganhasse vida própria.

Inspiradas pelo universo do circo, do teatro e da música, especialmente o jazz, suas obras traduzem energia, improviso e liberdade. Cada recorte carrega intenção, cada composição revela um olhar atento ao que realmente importa.

Mais do que uma técnica, Matisse nos oferece um ensinamento profundo: simplificar não é reduzir é descobrir.

Ao trabalhar com poucos elementos, ele nos mostra que a criatividade floresce quando damos espaço ao essencial. Esse olhar pode transformar não apenas a arte, mas também a forma como vivemos, aprendemos e ensinamos.

Em tempos de excesso, sua obra permanece atual e necessária. Talvez criar seja, antes de tudo, um exercício de escolha: o que fica, o que sai e o que, de fato, merece permanecer.

Plano de aula 

A proposta desta aula é estimular a criatividade e a expressão artística das crianças por meio da técnica de colagem com recortes, inspirada no trabalho de Henri Matisse. A atividade é indicada para a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental, com duração aproximada de 50 minutos a 1 hora.

A aula pode ser iniciada com uma conversa breve e acessível sobre o artista, destacando que, em determinado momento de sua vida, ele passou a criar obras utilizando apenas papel, cor e tesoura. O educador pode instigar a curiosidade das crianças com perguntas como: “É possível desenhar sem lápis?” ou “Como podemos criar usando apenas recortes?”.

Em seguida, são apresentados diferentes tipos de papéis, preferencialmente já disponíveis no ambiente escolar, como revistas, embalagens, papéis coloridos e outros materiais. As crianças são convidadas a explorar livremente esses elementos, escolhendo cores, texturas e formatos.

A atividade principal consiste na criação de uma composição artística a partir de recortes livres. Sem o uso de moldes prontos, as crianças recortam formas espontâneas e organizam suas produções sobre uma base de papel, experimentando combinações, sobreposições e diferentes formas de organização.

Durante o processo, o educador acompanha e incentiva, valorizando as escolhas individuais e promovendo reflexões por meio de perguntas como: “O que essa forma parece?” ou “Como você decidiu colocar essas cores juntas?”. O foco está no processo criativo, e não em um resultado padronizado.

Ao final, é proposto um momento de partilha, no qual as crianças apresentam suas produções e falam sobre suas criações. Esse momento favorece a expressão oral, a escuta e o respeito pelas diferentes formas de expressão.

A avaliação ocorre de maneira contínua e qualitativa, considerando o envolvimento, a participação, a experimentação e a capacidade de expressão de cada criança.

Como continuidade, o educador pode organizar uma exposição das produções, valorizando o trabalho realizado e ampliando o contato das crianças com a arte.




sábado, 28 de março de 2026

Quando o caminhão ensina: aprender com o movimento


Há aprendizados que não começam em livros, mas no olhar atento sobre o mundo.

Um caminhão-pipa em movimento pode parecer apenas uma imagem comum. Mas, quando observamos o comportamento da água dentro dele, algo se revela: ela se inclina, se desloca, reage. Ela responde ao movimento antes mesmo que possamos explicar o porquê.

É nesse instante que nasce a aprendizagem verdadeira.

Ao frear, a água segue adiante. Ao acelerar, ela se desloca para trás. Não por escolha, mas por uma continuidade silenciosa do movimento. A criança, ao observar isso, não está apenas vendo, está se relacionando, criando hipóteses, sentindo o fenômeno.

Aprender, aqui, não é receber uma resposta pronta.

É habitar a pergunta.

Quando levamos essa experiência para o concreto, uma garrafa com água, o gesto de empurrar, parar, observar, o conhecimento deixa de ser abstrato. Ele ganha corpo, tempo e presença.

E mais: não precisamos de materiais complexos. Uma simples garrafa reutilizada se torna instrumento de descoberta. Há, nesse gesto, também um convite ao cuidado com o que já existe, ao uso consciente, à simplicidade que educa.

A infância pede isso: experiências que façam sentido.

Que partam do mundo real.

Que convidem ao encontro com as coisas, com o outro, consigo mesmo.

Porque, no fim, aprender não é acumular respostas.

É aprender a perceber.

Latas de leite decoradas


O que guardar em latas de alumínio que foram transformadas em itens decorativos?

1) Porta joias.
2) Porta temperos
3) Porta papel higiênico.
4) Cachepot.
5) Porta-canetas.
6) Lixeira.
7) Porta trecos.
8) Luminária.

Material:
Lata de leite, sacola surpresa personalizada com o tamanho 14cm x 27cm - contém 8 unidades (no Rio de Janeiro, o pacote da sacola surpresa é vendido em lojas de artigos de festas) , eva.

- Abra a sacolinha surpresa (com o tema de sua preferência - existem vários), vire a lata de alumínio de cabeça para baixo e com calma encape a lata.
- Vire as abas para dentro da lata.
- Não precisa de cola.
- Depois de encapada, faça um acabamento no fundo da lata. O acabamento pode ser de eva ou papel cartão (como preferir).
Se quiser, decore a tampa da lata (com o material que você preferir).
















quinta-feira, 26 de março de 2026

Dobraduras, Recorte e Colagem: Criando Divertidas Carinhas de Animais

Explorar o universo das artes com crianças é abrir portas para a imaginação, a criatividade e o desenvolvimento de habilidades essenciais. Entre as atividades mais simples e encantadoras estão as dobraduras, recorte e colagem de papel, que ganham ainda mais vida quando se transformam em carinhas divertidas de animais.

Por que trabalhar com dobraduras, recorte e colagem?

Essas atividades vão muito além da brincadeira. Elas contribuem diretamente para o desenvolvimento infantil:

Coordenação motora fina: ao recortar, dobrar e colar
Concentração e atenção: ao seguir etapas e criar formas
Criatividade: ao inventar animais, cores e expressões
Expressão emocional: ao dar “vida” às carinhas

Além disso, são práticas acessíveis, que utilizam materiais simples e permitem inúmeras variações.


Ideia de atividade: Carinhas de animais com papel

Materiais necessários:

Papéis coloridos (ou reciclados)
Tesoura sem ponta
Cola
Canetinhas ou lápis de cor
Olhinhos móveis (opcional)


Como fazer:

1- Dobradura base
Comece com formas simples: dobrar um círculo ao meio pode virar o rosto de um animal.

2. Recorte criativo
Recorte orelhas, focinhos, bicos e outros detalhes. Aqui vale explorar diferentes formatos!

3- Colagem
Monte a carinha colando os elementos sobre a base.

4- Expressão facial
Desenhe olhos, boca e detalhes que dão personalidade ao animal: feliz, bravo, curioso, sonolento...


Sugestões de animais:

Cachorro com orelhas grandes e caídas
Gato com bigodes fininhos
Sapo com olhos saltados
Coelho com orelhas compridas
Leão com juba feita de tirinhas de papel

Cada animal pode ser adaptado conforme a idade das crianças e os materiais disponíveis.

Dica pedagógica:

Transforme a atividade em um momento de aprendizagem integrada:

Conte histórias com os animais criados
Proponha que cada criança apresente seu personagem
Trabalhe sons dos animais e características (onde vivem, o que comem)
Crie um mural coletivo com todas as produções

Um mundo de possibilidades:

A beleza dessa proposta está na simplicidade. Com papel, tesoura e imaginação, as crianças constroem não apenas figuras, mas também histórias, vínculos e aprendizados.

Ao final, cada carinha de animal carrega um pouco da personalidade de quem a criou e isso torna a experiência ainda mais especial.

Incentivar atividades manuais é valorizar o tempo do fazer, do experimentar e do brincar. E, nesse processo, surgem sorrisos, descobertas e muita diversão!






 

Arte e Desenvolvimento Humano

A Arte: Grande Aliada do Desenvolvimento Desde a Infância

  O contato com a arte deve começar na infância, fase em que o ser humano constrói suas primeiras percepções sobre si, sobre o outro e sobre...