*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Bolha de sabão e arte

Bolha de Sabão: brincar, arte e formas geométricas

Área de conhecimento: Linguagem oral e escrita, Arte, Linguagem Corporal e Matemática.

Conteúdos: Oralidade e linguagem; elaboração de produções artísticas envolvendo pintura; reconhecimento de figuras geométricas planas e tridimensionais, com destaque para o círculo e a esfera.

Objetivos: Conhecer fatos interessantes sobre a brincadeira “Bolha de Sabão”; desenvolver noções de formas geométricas planas e tridimensionais, identificando o círculo e a esfera; vivenciar a brincadeira com bolas e bolhas de sabão, relacionando-a às representações realizadas por artistas plásticos.

Desenvolvimento: Recepcionaremos as crianças com os blocos lógicos, proporcionando um primeiro contato com as formas geométricas por meio da exploração e da brincadeira.

No primeiro momento, organizados na colcha para a roda de conversa, relembraremos fatos sobre a vida e a obra do artista plástico Ivan Cruz, conversando sobre diferentes telas que ele já produziu e retomando as brincadeiras representadas em suas obras. Em seguida, apresentaremos a tela “Bolha de Sabão” e deixaremos que as crianças observem atentamente a cena, relatando o que percebem e identificando o que as crianças representadas estão fazendo. Perguntaremos se já conhecem a brincadeira e se já brincaram de fazer bolhas de sabão. Depois, iremos ao pátio, onde disponibilizaremos água e sabão para que possam experimentar e brincar livremente com as bolhas.

No segundo momento, retomaremos a experiência por meio de uma conversa sobre as formas das bolhas. Perguntaremos às crianças com que forma geométrica elas se parecem e observaremos bolas e outros objetos presentes no ambiente que possam estabelecer relações com a esfera. Exploraremos, assim, a diferença entre o círculo, uma figura geométrica plana, e a esfera, uma forma tridimensional. Também retomaremos os blocos lógicos e utilizaremos a caixa didática de figuras geométricas para manusear e explorar o círculo por meio de diferentes texturas. Em seguida, iremos até a parede que contém as casas representadas na tela de Ivan Cruz para realizarmos fotografias inspiradas na obra, aproximando as crianças da linguagem artística por meio da experiência corporal e da recriação.

No terceiro momento, utilizando a televisão, apresentaremos imagens de diferentes obras de artistas plásticos que também representaram a brincadeira “Bolha de Sabão”. Após essa apreciação, iremos novamente ao pátio externo para uma nova experiência artística. As crianças brincarão com bolhas de sabão preparadas com corantes e experimentarão produzir marcas e impressões sobre cartolinas, observando as formas, cores e efeitos criados pelas bolhas. As cartolinas produzidas serão utilizadas na elaboração de um painel coletivo, juntamente com as fotografias inspiradas na obra de Ivan Cruz, para posteriormente serem expostas na instituição.

No quarto momento, retomaremos o livro Folclorices de Brincar, de Mércia Maria Leitão e Neide Duarte, relembrando as brincadeiras presentes na obra. Em seguida, realizaremos a leitura do poema relacionado à vivência e convidaremos as crianças a representá-lo por meio de suas próprias ilustrações, valorizando a expressão artística e a interpretação individual.

Recursos: Blocos lógicos, diferentes tipos de bolas, água, detergente, colcha para a roda de conversa, televisão, cartolinas, giz de cera, corantes, caixa didática de formas geométricas e materiais necessários para a produção das bolhas de sabão.

Avaliação: A avaliação acontecerá por meio da observação da participação e da interação das crianças durante as vivências, considerando suas descobertas, hipóteses, movimentos, produções artísticas e manifestações orais. Serão observadas também as relações que estabelecem entre a brincadeira, as obras de arte e as formas geométricas, bem como seus relatos e conhecimentos prévios sobre os artistas e as manifestações artísticas apresentadas.

Bolhas de sabão- Ivan Cruz

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Plano Individual de Intervenção para Criança no Espectro do Autismo


Perfil Psico-Educativo Revisto (PEP-R)

O Perfil Psico-Educativo Revisto (PEP-R), desenvolvido por Schopler e colaboradores em 1990, no Centro de Chapel Hill, na Carolina do Norte, constitui um instrumento de avaliação destinado a analisar de forma sistemática as competências escolares e pré-escolares da criança, bem como os seus padrões de comportamento. Originalmente indicado especialmente para crianças até aos 7 anos de idade, o instrumento foi amplamente utilizado na avaliação de crianças com perturbações do desenvolvimento, nomeadamente no espectro do autismo. A Escala de Desenvolvimento do PEP-R contempla sete áreas: Imitação, Percepção, Motricidade Fina, Motricidade Global, Coordenação Óculo-Manual, Desempenho Cognitivo e Cognição Verbal. A sua aplicação permite identificar áreas de maior competência, áreas que necessitam de maior apoio e competências emergentes, constituindo uma importante base para o planeamento da intervenção educativa e terapêutica.

Complementarmente, a Escala de Comportamento do PEP-R procura identificar comportamentos considerados não habituais e característicos das perturbações do desenvolvimento. A observação permite compreender o modo como a criança estabelece relações, interage com os materiais, responde aos estímulos sensoriais e utiliza a linguagem. São consideradas quatro grandes áreas: Relações e Afeto, Jogo e Interação com o Material, Respostas Sensoriais e Linguagem.

No caso analisado, foram realizadas avaliações através da Escala de Desenvolvimento e da Escala de Comportamento do PEP-R em 11 de abril de 2002, quando a criança apresentava idade cronológica de 6 anos e 10 meses, e posteriormente em 31 de outubro de 2003, aos 8 anos e 4 meses. Na primeira avaliação, foram identificadas diferentes competências e emergências nas áreas avaliadas. No domínio da Imitação, a criança demonstrava capacidade para imitar sons de animais, participar em jogos simples, como o jogo das escondidas, imitar ações com objetos sonoros e reproduzir movimentos globais, além de conseguir repetir dígitos. Na área da Percepção, revelava interesse por materiais relacionados com a linguagem, especialmente livros.

Na Motricidade Fina, apresentava competências como moldar uma taça com plasticina e tocar sequencialmente com o polegar nos restantes dedos. Na Motricidade Global, conseguia chutar, atirar e apanhar uma bola. Relativamente à Coordenação Óculo-Manual, demonstrava capacidade para copiar figuras geométricas, nomeadamente triângulo e losango, pintar dentro dos limites e copiar letras.

No Desempenho Cognitivo, a criança reconhecia imagens, identificava cores, formas geométricas, letras, partes do corpo, tamanhos e quantidades, escrevia o próprio nome, compreendia e seguia ordens simples e demonstrava compreender a função de diferentes objetos, inclusive através da representação dessas funções por meio de gestos. Na área da Cognição Verbal, conseguia nomear cores, formas geométricas, letras e objetos, utilizar o plural e alguns pronomes, repetir frases curtas e simples, identificar o próprio nome e género e resolver situações-problema apresentadas na segunda pessoa. Também realizava a leitura de palavras curtas e de uma frase, apresentando alguns erros, mas demonstrando compreensão do que lia.

A Observação do Comportamento permitiu analisar aspectos relacionados com as relações interpessoais, os materiais, as respostas sensoriais e a linguagem. Na área das relações, foram observados aspectos como a reação ao medo, o contacto visual, a cooperação, a tolerância a interrupções e a motivação perante reforços sociais. Na relação com os materiais, foram considerados a motivação por recompensas concretas, a exploração do ambiente, o modo como examinava os materiais e a capacidade de atenção. Na dimensão sensorial, foram observadas respostas a estímulos visuais, auditivos, gustativos, tácteis e olfactivos, assim como a presença de gestos estereotipados. Na linguagem, foram analisados a utilização e a inteligibilidade das palavras, a entoação e a inflexão, a presença de ecolália imediata ou diferida e a utilização dos pronomes.

A partir dos resultados obtidos na avaliação formal e da identificação das competências emergentes, foi elaborado um Plano Individual de Intervenção, com o objetivo de definir metas, estratégias e formas de acompanhamento ajustadas ao perfil da criança. O plano constitui o ponto de partida para uma intervenção especializada nas áreas em que foram identificadas maiores necessidades, sem deixar de considerar as competências já adquiridas e o potencial de desenvolvimento apresentado.

A elaboração do plano contou ainda com entrevistas realizadas com a família e com os técnicos responsáveis pelo acompanhamento da criança. Essa articulação permitiu relacionar os objetivos propostos com os interesses da família e com as atividades realizadas no quotidiano, procurando assegurar maior significado e funcionalidade às aprendizagens. Por se tratar de um instrumento dinâmico, o plano deve ser revisto e ajustado sempre que necessário, de modo a acompanhar a evolução da criança e responder adequadamente às suas necessidades.

Entre os objetivos definidos encontravam-se o desenvolvimento da Imitação, do Desempenho Cognitivo, da Comunicação e Linguagem, da Autonomia, da Socialização e da Motricidade Global. Na área da Imitação, por exemplo, observava-se uma reação à apresentação de um fantoche e estabeleceu-se como objetivo a sua manipulação na área do “Aprender”, recorrendo a ajudas físicas e verbais. No Desempenho Cognitivo, partia-se de uma exploração livre dos materiais, muitas vezes levando-os à boca, para desenvolver a capacidade de associar duas imagens de animais mediante uma solicitação verbal, utilizando jogos de loto, demonstração e ajuda física.

Na área da Autonomia, considerando que a criança necessitava de ajuda durante as refeições, foi estabelecido como objetivo promover maior independência na alimentação, especialmente através da utilização adequada da colher e do garfo. Na Comunicação e Linguagem, verificava-se que a criança comunicava principalmente quando necessitava de ir à casa de banho, utilizando um gesto, sendo estabelecido como objetivo ampliar a capacidade de expressar necessidades e desejos e aumentar o repertório de palavras, incluindo a utilização da palavra para pedir água.

No domínio da Socialização, considerando que a criança ainda não cumprimentava as pessoas, estabeleceu-se como objetivo que passasse a dizer “bom dia” ao chegar à sala. Na Motricidade Global, partindo da observação de que chutava a bola de forma indiscriminada, procurou-se desenvolver a capacidade de direcioná-la para um colega, estabelecendo como meta chutar a bola para o outro pelo menos cinco vezes consecutivas. No Desempenho Cognitivo, considerando a dificuldade inicial na identificação das cores, foi estabelecido o objetivo de reconhecer pelo menos três cores: azul, vermelho e verde.

As estratégias e orientações metodológicas incluíam trabalho individualizado, demonstração das tarefas, utilização de ajudas físicas e verbais, reforço positivo e recurso a pictogramas como forma de estimular a autonomia e facilitar a compreensão das atividades. A avaliação do progresso deveria ocorrer de forma contínua, através da observação direta e de registos sistemáticos, permitindo ajustar o programa sempre que necessário, complementada por avaliações formais no início e no final do ano letivo.

A participação da criança no grupo ou turma regular fazia parte igualmente do plano de intervenção. Estava previsto o cumprimento do horário da sala regular, das 8h às 12h, com participação nas atividades desenvolvidas pela turma, incluindo visitas de estudo, música e educação física. O acompanhamento era complementado por apoios especializados, nomeadamente terapia da fala duas vezes por semana e psicomotricidade uma vez por semana.

Posteriormente, foram realizadas novas avaliações através da Escala de Desenvolvimento e da Escala de Comportamento do PEP-R, em 31 de outubro de 2003, quando a criança apresentava idade cronológica de 8 anos e 4 meses. A comparação entre os diferentes momentos de avaliação permite acompanhar a evolução das competências e dos comportamentos observados e constitui um importante recurso para a revisão e adequação das estratégias de intervenção.

Dessa forma, o PEP-R e o Plano Individual de Intervenção não devem ser compreendidos apenas como instrumentos de avaliação ou classificação, mas como recursos para conhecer a criança em sua singularidade, reconhecer aquilo que já consegue realizar, identificar competências emergentes e planejar oportunidades de aprendizagem que respeitem seu ritmo, suas necessidades, seus interesses e suas possibilidades de desenvolvimento.

Percepção multissensorial e criatividade

Introdução Desde a infância, percebo o mundo de maneira predominantemente multissensorial. Letras, números, formas, cores, objetos e configu...