segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

As festividades nos Países Baixos incluem o Sinterklaas, o Natal e o Dia do Rei.



Feriados e Tradições Holandesas

Viver na Holanda significa ser exposto a novos costumes e tradições, alguns dos quais podem te surpreender. A Holanda transformou-se “num caldeirão de diferentes culturas e raças”. É um país que, por um lado, mantém as suas próprias tradições históricas, mas, por outro, está aberto a novas ideias, pessoas e costumes. Aqueles que já estão na Holanda, podem estar familiarizados com os costumes e feriados Nacionais Holandeses, mas será que conseguem se lembrar de todos eles? Escolhemos alguns dos feriados holandeses mais importantes para que fiques a conhecer e a saber mais um pouco sobre o que esperar quando vieres trabalhar para o país das Tulipas.

1. Oud en Nieuw (Festa de Ano Novo)
Tal como a maioria dos países, a Holanda começa o ano com a celebração do Dia de Ano Novo. Os Holandeses costumam se reunir com a família e amigos para beber champanhe, mas também comem “oliebollen” (bolas de massa frita). Para além disso, também é comum as pessoas usarem fogo de artifício durante esta festa. Além disso, há também o tradicional “Nieuwjaarsduik” que se traduz em “mergulho de ano novo”. As pessoas vão à praia no dia 1 de janeiro e dão um mergulho na água para “lavar” o ano antigo e dar as boas-vindas ao novo ano com um novo começo.


Oliebollen é uma massa frita em formato de bola, típica dos Países Baixos. Oliebollen são tradicionalmente consumidas na Holanda na véspera de Ano Novo, mas podem ser encontradas durante o ano todo em barracas de quermesse e feiras na Holanda e na Bélgica. Durante os últimos meses do ano, a receita é vendida em barracas montadas especialmente para a preparação e venda da iguaria.

2. Goede Vrijdag (Sexta Feira Santa)
Este dia é reflexo das profundas raízes que a religião cristã tem no país. É celebrado na sexta-feira antes da Páscoa. A sexta-feira que antecede a Páscoa é chamada de “boa” porque, segundo a bíblia, a crucificação de Jesus foi o sacrifício necessário que possibilitou a salvação do pecado.


3. Pasen (Páscoa)
A Páscoa é comemorada por todo o mundo e a Holanda não foge à regra. Na terra das tulipas, esta altura festiva carrega um duplo significado. Um está associado a fins religiosos, relativos à ressurreição de Cristo. O outro está relacionado com o Coelhinho da Páscoa. É uma altura em que as crianças pintam ovos que, ou os apanharam em casa ou na floresta ou num zoo local. Na Holanda, este feriado é celebrado em dois dias.







4. Koningsdag (Dia do Rei)
Esta é uma das celebrações holandesas mais conhecidas. É realizado anualmente no dia 27 de abril para comemorar o aniversário do rei. Durante este dia você verá muitas cidades e pessoas vestidas de laranja em homenagem à família real. Existem muitos festivais realizados por todo o país. É durante este dia que todos podem vender publicamente os seus pertences sem precisar de uma licença. Mercados livres são realizados por todo o país!
Quando o monarca é uma rainha, o dia é chamado de Dia da Rainha




5. Bevrijdingsdag (Dia da Libertação)
O Dia da Libertação é celebrado a 5 de Maio e comemora a libertação da ocupação alemã da Segunda Guerra Mundial na Holanda em 1945. Nota para o facto de este dia de celebração, apenas ser feriado uma vez a cada 5 anos.





6. Pinksteren
“Back in the days”, este dia baseava-se na comemoração da chegada do Espírito Santo. Hoje em dia, o festival Pinkpop é realizado no fim de semana de “Pinksteren”. Muitas estrelas internacionais já pisaram o palco das festividades deste dia tão popular! Alguns exemplos destes artistas são: The Police, The Rolling Stones, Justin Bieber, Bruno Mars, Martin Garrix, e muitos outros.


Pentecoste Giotto Padua
7. Hemelvaartsdag (Dia da Ascensão)
Este é mais um dia relacionado com o Cristianismo. Comemora o dia em que Jesus Cristo ascendeu a Deus, 39 dias após sua ressurreição. É realizado 40 dias após a Páscoa.

Christi Himmelfahrt, skildery deur Gebhard Fugel, ca. 1893

8. Prinsjesdag (Dia do Príncipe)
Este não é um feriado público mas, mesmo assim, é celebrado toda a terceira terça-feira de Setembro. A Família Real é vista publicamente na sua carruagem dourada, de onde viajam para Grote Kerk em Haia. O Rei faz um discurso público que é transmitido ao vivo pela televisão, a partir do trono real. O discurso contém os principais planos (financeiros) do governo para o próximo ano. Esta é a abertura do novo ano de funcionamento do Senado e da Câmara dos Deputados.




9. Sint Maarten
Este é um dia de celebração para as crianças e é realizado no dia 11 de Novembro. Este é uma celebração com bastantes similaridades com o Halloween, mas na Holanda as crianças não se fantasiam, mas sim decoram uma lanterna que usam para andar pelas ruas a bater às portas e a pedir guloseimas. É costume as crianças cantarem, acenderem a lanterna e receberem doces. Provém de São Martinus, que era conhecido por ser um soldado valente e, segundo o folclore, deu o seu casaco a um mendigo.

10. Sinterklaas
Esta é outra importante celebração, e é realizada no dia 5 de Dezembro de cada ano. Tal como Santaclaus, São Nicolau é um velho com uma longa barba, mas monta um cavalo branco e tem ajudantes chamados “Pete Negro”. Na véspera do dia 5 de Dezembro, eles percorrem o país para dar presentes às crianças e colocá-los no calçado (que as próprias crianças colocam em frente à porta). É comum que os Sinterklaas visitem as crianças durante os dias de escola ou mesmo nas suas atividades extracurriculares, onde o Pete Negro os enche de doces! Na escola (os adultos fazem em casa) é tradição escolher e juntar doces para criar uma surpresa, juntamente com um poema para alguém que gostem.

A tradição dos presentes é mais forte no Sinterklaas do que no Natal.

11. Kerst (Natal)
Para terminar o ano é claro, o Natal! Tradicionalmente, o Natal são 2 dias e é uma altura para visitar as famílias (normalmente num dia visita-se os pais e no outro os sogros. Ou, caso sejam solteiros, visitar um amigo!). Muitas pessoas reservam um tempo para fazer “gourmet”. Como podes constatar, a Holanda é um país cheio de tradições e costumes. Embora possa parecer que é um país de base cristã, na realidade, é um país é aberto, internacional e multicultural.

Os holandeses celebram o Natal nos dias 25 e 26 de dezembro

A expectativa é ter um Natal branco, mas nos últimos anos tem sido raro
Não é comum trocar presentes no Natal, mas sim focar no sentido natalino









domingo, 2 de fevereiro de 2025

Hong Kong tem diversas festividades, incluindo o Ano Novo Chinês, o Festival dos Barcos Dragões, o Festival da Lua, entre outras

Festividades de Hong Kong

Ano Novo Chinês: Uma das festividades mais conhecidas de Hong Kong, que combina tradição e modernidade.
Festival dos Barcos Dragões: Também conhecido como Tuen Ng Festival, é uma festividade que se destaca pelas corridas de barco.
Festival da Lua: Uma festividade em que se compram bolos lunares nas padarias chinesas.
Festival de Ching Ming: Uma homenagem aos falecidos, em que os cidadãos visitam os cemitérios e fazem oferendas.
Festival do Pão Doce de Cheung Chau: Um festival taoista que acontece na Ilha de Cheung Chau, em que os participantes coletam pão doce de torres de metal.
Hong Kong Special Administrative Region Establishment Day: Celebração da mudança da soberania de Hong Kong do Reino Unido para a República Popular da China em 1997.
Dia nacional: Celebração da fundação da República Popular Chinesa em 1949.

As escolas podem celebrar o Ano Novo Lunar com apresentações de dança e música, oficinas culturais, e demonstrações de artes marciais

A celebração é um feriado tradicional no país, e simboliza as esperanças do povo chinês por uma vida melhor, os fortes laços com a família e os valores de harmonia entre os seres humanos e a natureza.


O Ano Novo Lunar, também conhecido como Ano Novo Chinês ou Festival de Primavera, é uma celebração que envolve reuniões familiares, trocas de presentes, e a degustação de pratos típicos.

Algumas atividades que podem ser realizadas na escola para celebrar o Ano Novo Lunar são:
Apresentações de dança do leão e do dragão
Oficinas de caligrafia e de gastronomia
Demonstrações de Kung Fu e Tai Chi
Apresentações de música tradicional chinesa

Algumas das tradições do Ano Novo Lunar são:
Reuniões familiares
Troca de envelopes vermelhos, chamados hongbao, que contêm dinheiro e votos de boa sorte
Queima de fogos de artifício
Decoração com a cor vermelha
Consumo de pratos típicos que simbolizam sorte e prosperidade


Sabe de onde provém o Festival da Primavera? Reza a lenda que existia um monstro de nome Nian (significa ano) que, na véspera do último dia do ano lunar, surgia para semear a destruição, arruinando colheitas e edifícios. Com o passar do tempo, descobriu-se que o monstro temia a cor vermelha, a luz das chamas e ruídos estrondosos. Por conseguinte, as famílias passaram a adornar as suas residências com dísticos de papel vermelho e janelas de papel recortado, bem como a detonar panchões, e finalmente conseguiram repelir o monstro. Estas práticas tornaram-se tradições consagradas das festividades de Ano Novo Chinês.

O ancestral calendário chinês estabelece o início do ano na primavera, época em que a natureza se revigora e tudo retoma o seu ciclo vital. Numa sociedade agrícola, para os antepassados chineses que dependiam essencialmente do cultivo da terra, a prática de rituais e preces ao iniciar o ano era simultaneamente uma forma de gratidão pelas colheitas do ano findo e uma expressão de esperança por uma próxima temporada de boa colheita. Assim, a prática de realizar cerimónias de oferendas no começo do ano manteve-se ao longo dos milénios, evoluindo gradualmente para o Festival da Primavera.

Durante o festival, é comum queimarem-se panchões, que originalmente invocavam o estouro que ocorria ao queimar-se canas de bambu. Mais tarde, evoluiu para o uso de pólvora com o fabrico de pequenos explosivos e petardos. O costume de queimar panchões tinha inicialmente o propósito de saudar os deuses e expulsar os maus espíritos, mas devido à sua cor festiva e ao som animado, tornou-se uma atividade que acompanha a atmosfera alegre do Festival da Primavera.


Quase todas as famílias costumam afixar os dísticos de primavera e o caráter Fu (significa felicidade) na entrada das suas casas. Os dísticos, originalmente chamados de taofu (significa talismãs de pera), são paredes com linhas poéticas que trazem votos auspiciosos e são dispostos simetricamente em ambos os lados da entrada principal da casa, sendo substituídos apenas com a chegada do próximo Ano Novo.

Ao mesmo tempo, o caráter Fu em vermelho é frequentemente colado nas portas ou paredes das residências. Algumas pessoas preferem afixar o caráter Fu invertido, uma vez que a palavra chinesa que significa invertido tem a mesma pronúncia que o caráter dao (chegar), representando assim a chegada da felicidade.

Na véspera do Festival da Primavera, existe a tradição de desfrutar o Jantar da Família e de cumprir a prática do Ficando Acordado, que significa não ir dormir antes da meia-noite para aguardar a chegada do novo ano.

Após a ceia, iluminam-se as casas e todos se reúnem em comunhão para acolher com expectativa a chegada do Ano Novo Chinês. Segundo a tradição, manter as luzes acesas durante toda a noite anterior ao Ano Novo atrai contínua prosperidade para o lar no ciclo que se inicia. Já no primeiro dia do Ano Novo Lunar, as pessoas visitam as casas de familiares e amigos para cumprimentarem o novo ano, trocando votos de felicidade e expressando desejos de bons auspícios. Além disso, é oferecido o dinheiro de Ano Novo, metido em envelopes vermelhos, que se chama Lai See em cantonês, por pessoas casadas a familiares solteiros, especialmente crianças. Diz-se que o Lai See pode afastar os espíritos malignos e garantir aos mais jovens um ano sereno e protegido.



Hoje em dia, o Festival da Primavera não é um feriado exclusivo apenas para os chineses a nível nacional, é-o também para os emigrados. Em 22 de dezembro de 2023, a Assembleia-Geral das Nações Unidas estabeleceu o festival como um feriado oficial das Nações Unidas. Em 2016, o estado do Rio de Janeiro, no Brasil, designou-o como um feriado oficial estadual.

Pode constatar-se sempre uma série de atividades festivas neste festival, como as danças de leões e dragões, espetáculos de fogo de artifício e de lanternas, bem como o desfile de carros alegóricos e outras celebrações, que ocorrem nas ruas e praças da Chinatown ou no centro de cidades em muitos países e regiões.

Como exemplo, o Feliz Ano Novo Lunar em Portugal teve lugar consecutivamente em 10 edições desde 2014. Devido às relações históricas e culturais únicas entre Macau e Portugal, a Região Administrativa Especial de Macau também participa no evento com grupos folclóricos. No Brasil, Timor-Leste e nos países de língua portuguesa em África também há celebrações do Festival da Primavera.










sábado, 1 de fevereiro de 2025

Em 2007, arqueólogos desenterraram um notável túmulo de 2.200 anos em Turpan, China, revelando os restos de um homem com uma perna prótese única.

A perna do homem estava severamente deformada, com a rótula, osso da coxa e osso da canela fundidos em um ângulo afiado. Ligada a este membro deformado estava uma perna prótese, feita com um casco de cavalo como ponta. Evidências de desgaste na prótese sugerem que ela tinha sido usada extensivamente, sugerindo a notável resistência e adaptabilidade do homem diante de suas limitações físicas.



As paredes de pedra podem ajudar a esfriar a casa no verão, pois são ótimas isolantes térmicos.

Além disso, elas ajudam a manter a temperatura interna estável, o que proporciona um ambiente mais fresco.

Benefícios das paredes de pedra:
Isolamento térmico e acústico,
Regulam a temperatura,
Podem ser usadas em qualquer ambiente,
São viáveis em todas as estações do ano.

Para isolar o frio das paredes, você pode usar materiais como:
Fibra de vidro,
Lã de rocha,
Lã de poliéster,
Perlita expandida,
Vidro celular.



Penteados como as tranças ajudaram os escravizados durante a escravidão.

As tranças eram uma ferramenta de sobrevivência, pois serviam para identificar tribos, marcar pontos de encontro e criar rotas para fugas.

Como as tranças ajudavam os escravizados?

As tranças serviam como mapas para indicar caminhos para os quilombos
As tranças marcavam pontos de encontro, onde os escravizados se encontravam para saber como estavam e tomar decisões
As tranças identificavam as tribos de origem dos escravizados
As tranças eram trançadas com sementes para serem plantadas

O significado das tranças

As tranças são um penteado de origem africana que carregam consigo significados diversos. Elas podem ser uma forma de proteção e aceitação para as mulheres negras.




O Curupira é uma figura do folclore brasileiro, um ser mítico que protege a floresta e pune os que a destroem.


Características
É um menino pequeno, com cabelos vermelhos ou laranja, dentes afiados e pés virados para trás
Vive na floresta e usa seus poderes mágicos para confundir caçadores e viajantes
Pode criar ilusões e produzir um som semelhante a um apito agudo
É comum retratar o Curupira montado em um caititu

Origem

A palavra Curupira tem origem no dialeto indígena tupi-guarani, onde curu significa "menino" e pira significa "corpo"
A lenda do Curupira tem origem nos povos indígenas, sendo muito famosa no Norte do Brasil

Importância
O Curupira é um dos mitos mais antigos do Brasil
Em São Paulo, o Curupira foi instituído como o Símbolo Estadual de Guardião e Protetor das Florestas e dos animais





Explore o potencial pedagógico do folclore e valorize a cultura popular em sala de aula.

O Ano Novo Lunar é comemorado em várias culturas asiáticas, como a chinesa, a coreana, a vietnamita, a de Cingapura, a da Indonésia, a da Malásia, e em locais com grande população de chineses ou descendentes.


Crianças vestidas de tigre para o ano novo em Nanjing. 
O tigre é o rei dos animais, segundo a tradição, e simboliza força, coragem, confiança, liderança e vitalidade.

Cada cultura tem suas próprias tradições, mas todas compartilham a ideia de renovação, prosperidade e união familiar.

O Ano Novo Lunar é uma tradição das culturas orientais, especialmente da China. É comemorado com rituais coletivos, como refeições, danças e festivais.

Algumas das tradições do Ano Novo Lunar incluem:
Comprar roupas novas
Limpar a casa
Reuniões familiares
Apresentações de música e dança
Rituais públicos de fogo e água
Competições esportivas tradicionais
Confecção de artesanatos



A serpente é considerada um símbolo de paz e sabedoria, sugerindo nesta cultura um período de crescimento pessoal. Constitui um dos 12 animais do zodíaco chinês, os quais se associam a cada um de cinco elementos: metal, madeira, água, fogo e terra.
O dragão é um animal do zodíaco chinês que está associado ao Ano Novo Chinês, um festival importante na cultura chinesa. O ano do dragão é considerado um período de sorte, prosperidade, energia e transformação.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

O Festival Folclórico de Parintins é uma festa popular brasileira que acontece anualmente na cidade de Parintins, no Amazonas

O evento é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O festival é marcado pela disputa entre os bois-bumbás Garantido e Caprichoso, que representam agremiações folclóricas rivais. As apresentações acontecem no Centro Cultural de Parintins, também conhecido como Bumbódromo.

Características do festival
O festival é uma manifestação cultural ligada à tradição do boi-bumbá
O festival popularizou elementos da cultura indígena, africana e europeia
As toadas cantadas no festival são muito populares e ficam disponíveis em serviços de streaming
O festival é transmitido pela TV A Crítica

História do festival
O festival foi criado em 1965 para angariar recursos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo.



O Festival Folclórico de Parintins povoa o imaginário Amazônico e, por isso, nos últimos anos tem sido alvo de muitas pesquisas e estudos nas áreas da Antropologia, da Educação, do Meio Ambiente e de áreas afins. É uma festividade que vem aguçando a curiosidade de vários estudiosos, ocasionando trabalhos acadêmicos, como livros, monografias, dissertações e teses. É uma manifestação cultural que tem se destacado e inspirado outras festividades no interior do estado do Amazonas e até mesmo no Carnaval do Rio de Janeiro, despertando o interesse, principalmente, de folcloristas. 

É uma festividade que permeia o município de Parintins há várias décadas. O que se iniciou de forma modesta, como uma simples brincadeira entre amigos, é hoje a marca da cidade, ganhou contorno nacional e até internacional, modificando o modo de vida da população e, principalmente a sua economia. É uma festa que possibilita a união de diferentes culturas e propõe um novo olhar sobre o brincar de boi e a Amazônia, de modo mais consciente, levando em consideração as questões socioambientais. 

Conforme Brandão (1989, p. 9): “A festa se apossa da rotina e não rompe, mas excede sua lógica, e é nisso que ela força as pessoas ao breve ofício ritual da transgressão”. Esse Festival faz parte do cotidiano da população. É uma festa que proporciona muitos excessos, pois as pessoas produzem outros gestos e comportamentos diferentes do habitual. Assim, ao se vestir de índios e brincar de boi, vivenciam novas experiências. 

Esta redação procurou não só conhecer as contribuições da festa na vida da população parintinense, mas também apontar caminhos para uma educação socioambiental, lançando um novo olhar sobre a festa que envolve a ilha de Tupinabarana. 

A proposta de um novo olhar sobre o brincar de boi em Parintins, ou seja, um olhar sociocultural e educacional, é devido à mobilização que tal festa proporciona ao município. É fundamental que toda comunidade parintinense envolva-se nesse processo para que juntos possam agregar valores e combater determinados problemas que a festa ocasiona, como: a prostituição infanto-juvenil, tráfico e consumo de drogas, aumento no índice de natalidade etc. 

Na perspectiva de Burke (2010, p. 50): “Se todas as pessoas numa determinada sociedade partilhassem a mesma cultura, não haveria a mínima necessidade de se usar a expressão “cultura popular”. Nesse sentido, o Festival Folclórico de Parintins é uma festa de origem popular que atravessa gerações, sendo composta por várias culturas que juntas formam um modo de vida o qual é expresso por meio da narrativa de lendas, toadas e rituais. 

Pelas informações obtidas nas entrevistas com o grupo de representantes dos bumbás Caprichoso/Garantido, moradores antigos, professores e alunos pôde-se observar que, para a maioria dos entrevistados, o Festival Folclórico de Parintins é o responsável pelas mudanças tanto positivas quanto negativas na cidade haja vista o mesmo modificar toda sua estrutura. 

Até hoje não se chegou a uma conclusão de qual o primeiro bumbá da cidade, o que, por um lado é bom, pois permanece o clima de mistério e rivalidade entre os bois. Percebe-se na fala dos entrevistados que cada associação folclórica toma para si o direito de ser o primeiro bumbá da cidade.

Porém, o importante é que esse grupo de entrevistados acredita que esse Festival contribui no campo cultural, educacional, social e político de Parintins, pois o mesmo influencia no modo de vida da população e, principalmente, traduz sua manifestação cultural em forma de informação e brincadeira. Essa manifestação vem influenciando também na construção de uma identidade cultural dos povos da Amazônia. Embora sozinha não tenha esse poder, tem se tornado referência para o estado do Amazonas. 

Percebe-se que a evolução do boi-bumbá acompanhou a modernidade, pois o boi deixou de ser de rua e passou a ser de arena, uma “brincadeira” com vários patrocinadores devido, ultimamente, ser uma festa promovida pela indústria cultural. 

Para o grupo de moradores entrevistados, que no passado presenciaram um outro brincar de boi, mais simples e familiar, essas mudanças são sentidas de forma negativa, pois hoje o boi-bumbá de Parintins tornou-se uma brincadeira cara, agregando tecnologia e inovações que transformaram a festa em boi espetáculo, seja na arena do bumbódromo seja na tela da televisão, isto é, uma festa projetada para um público formador de opinião. A mudança considerada boa para esse grupo é que hoje a rivalidade entre os torcedores dos bumbás se dá de forma sadia, sem agressões físicas e verbais, como era no passado. 

Percebe-se a força e a influência desse Festival no campo escolar. Com isso, a escola deve valer-se das informações proporcionadas pelo boi e utilizá-las em sala de aula a favor da educação, por meio das letras de toadas, trabalhando a complexidade da questão ambiental.

A escola, por ser espaço de formação e informação, deve aproveitar os benefícios que essa festa proporciona, ser pensada e agregada ao currículo escolar como Tema Transversal Local, capaz de promover um melhor entendimento sobre essa festividade. 

Partindo do princípio que a cultura surge de todo modo de vida, Burke (2010, p. 59) entende que “é de esperar que a cultura [...] varie segundo diferenças ecológicas, além das sociais; diferenças no ambiente físico implicam diferenças na cultura material e estimulam também diferentes atitudes”, pois as pessoas não têm modo de vida uniforme, tampouco as culturas são homogêneas, por isso há essa variação. Assim, os bumbás de Parintins revelam as potencialidades e mistérios da Amazônia, explorando a beleza da fauna, da flora, a cultura dos povos, a simplicidade do caboclo e a bravura dos índios. E é através do brincar de boi que o fabulário amazônico vai sendo narrado e as pessoas adquirem informações sobre a cultura local. 

Como toda festa popular, o Festival de Parintins também contém cunho ideológico, pois está voltado para ações sociais, políticas e, principalmente, econômicas. Conforme Duvignaud (1983, p. 154 e 155): “A festa se torna deliberadamente ideológica, pois a teatralização que ela requer, a dramatização dos símbolos e alegorias que subentende tendem a justificar ou explicar uma doutrina”. Desse modo, como em toda ideologia, a festa interfere no modo de vida das pessoas, pois hoje além da brincadeira popular, o boi também é considerado boi espetáculo, voltado para um público consumidor e formador de opinião. 

Esse Festival tem o poder de influenciar em outras festividades, inclusive na festa junina na maioria das escolas de Parintins, pois estas têm seus “boizinhos”, que se apresentam nesse período. Contudo, pensar a influência do boi-bumbá no âmbito escolar é tarefa não só para o corpo docente, mas sobretudo da comunidade envolvente, pois o mesmo deve ser tratado de modo mais efetivo e significativo no universo escolar. 

Por isso, o pensar em educação e, sobretudo, no Festival Folclórico de Parintins deve ser aberto e flexível, promover transformação para o município. Para tanto, devem ser superadas as limitações metodológicas e educacionais, promovendo um esforço contínuo e conjunto da sociedade parintinense. Assim, espera-se que essa dissertação possa contribuir para a formação e o entendimento do povo parintinense em relação à importância de seu Festival, pois este expressa a tradição, o folclore e a manifestação cultural de Parintins.




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