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"Inspirado em Heidegger, Brincadeira Sustentável (por Renata Bravo) não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser digerida, vivida e incorporada."

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O Pequeno Príncipe: leitura, reflexão e aprendizagem

Pregador de roupas e palito de picolé

O avião no livro O Pequeno Príncipe, representa a passagem entre o mundo que conhecemos e aquele que só conseguimos descobrir quando aprendemos a olhar com os olhos da infância.


O Pequeno Príncipe
Representa a infância que ainda sabe olhar para além das aparências. É a curiosidade, a sensibilidade e a capacidade de fazer perguntas essenciais. Sua jornada revela que crescer não deveria significar perder a capacidade de se encantar, cuidar e imaginar.

O Aviador
Representa o adulto que, embora tenha se afastado da infância, ainda guarda dentro de si a capacidade de reencontrá-la. O avião representa a passagem entre o mundo que conhecemos e aquele que só conseguimos descobrir quando aprendemos a olhar com os olhos da infância.

A Raposa
Representa o vínculo, a amizade e a importância de criar laços. Ela ensina que aquilo que amamos se torna único para nós porque dedicamos tempo, presença e cuidado. É também a personagem que revela que os relacionamentos trazem responsabilidades.

A Rosa
Representa o amor em sua dimensão mais humana: belo, delicado, mas também complexo. A Rosa ensina que amar é cuidar, compreender e assumir responsabilidade por aquilo que se tornou importante para nós.

A Serpente
Representa o mistério, a passagem e a transformação. Ela está ligada à ideia de deixar uma forma de existência para alcançar outra, conduzindo o Pequeno Príncipe de volta àquilo que considera seu verdadeiro lugar.

O Rei
Representa o poder e a necessidade humana de controlar. Seu pequeno reino revela uma autoridade que deseja ser obedecida, mas que precisa adaptar suas ordens àquilo que realmente pode ser realizado.

O Vaidoso
Representa a necessidade de reconhecimento e a dependência do olhar dos outros. Ele só consegue enxergar aquilo que confirma sua própria importância, mostrando como a vaidade pode nos afastar de relações verdadeiras.

O Bêbado
Representa o ciclo da fuga e da culpa. Preso em uma situação da qual não consegue sair, ele evidencia como determinados comportamentos podem transformar-se em um círculo difícil de romper.

O Homem de Negócios
Representa a lógica da posse, da acumulação e da preocupação excessiva com números. Ao contar estrelas como propriedades, ele revela o absurdo de tentar possuir aquilo que deveria ser contemplado.

O Acendedor de Lampiões
Representa o compromisso, o dever e a responsabilidade. Entre os adultos encontrados pelo Pequeno Príncipe, é um dos que mais se aproxima de um sentido de serviço, embora esteja preso a uma tarefa que perdeu seu significado original.

O Geógrafo
Representa o conhecimento que observa e registra, mas que nem sempre experimenta diretamente a realidade. Ele conhece os lugares pelos relatos dos outros, mostrando a diferença entre saber sobre alguma coisa e realmente vivê-la.

As Rosas do jardim
Representam aquilo que parece igual aos nossos olhos, mas que pode revelar uma diferença essencial quando existe vínculo. O Pequeno Príncipe percebe que sua Rosa não é especial apenas por sua aparência, mas pela história que construíram juntos.

A Raposa e a Rosa juntas
Revelam uma das grandes ideias do livro: o valor das coisas não está apenas naquilo que vemos, mas nos laços que construímos com elas. É o cuidado que transforma o comum em único.

A Caixa e o Carneiro
Representam a imaginação. O carneiro que não aparece aos olhos pode ser imaginado dentro da caixa. A imagem mostra que a infância não precisa receber tudo pronto: ela participa da criação daquilo que vê.

A Serpente, a Rosa e a Raposa
Juntas, podem ser compreendidas como três momentos da jornada do Pequeno Príncipe: a passagem, o amor e o vínculo. São encontros que o fazem compreender que conhecer o mundo também significa conhecer a si mesmo.

Os adultos
Representam diferentes formas de afastamento da essência da vida: o poder, a vaidade, a posse, a fuga, a burocracia e o conhecimento sem experiência. Saint-Exupéry não apresenta a infância apenas como uma fase da vida, mas como uma maneira de perceber o que realmente importa.

No fundo, cada personagem funciona como um pequeno espelho. O livro não pergunta apenas quem são esses personagens, mas quem somos nós quando nos encontramos diante deles. A grande viagem do Pequeno Príncipe é, sobretudo, uma viagem entre diferentes maneiras de olhar o mundo, até compreender que aquilo que realmente importa nem sempre pode ser visto pelos olhos.

Sobre o livro, segue um questionário de interpretação 

O Pequeno Príncipe

A presente ficha pretende verificar se você fez uma leitura atenta da narrativa "O Pequeno Prínicpe", de Antoine de Saint-Exupéry.

I - Nas frases seguintes, escolha a opção correta para cada caso:

1 - Exupéry dedica o seu livro

a. à mãe
b. aos filhos
c. ao seu maior amigo

2 - Enquanto criança, o narrador desenhou

a. um chapéu
b. uma jibóia digerindo um elefante
c. uma flor

3 - O Principezinho dá ao narrador

a. o seu cachecol
b. o seu riso
c. a sua flor

4 - O avião do narrador aterrissou

a. no Saara
b. na Amazônia
c. na Antártida

5 - O Principezinho pediu ao narrador para desenhar

a. uma árvore
b. um avião
c. uma ovelha

6 - O planeta do Principezinho era

a. grande
b. pequeno
c. do tamanho de uma casa

7 - O Pequeno Príncipe precisava

a. de um amigo
b. de uma casa
c. de comer

8 - No planeta do Pequeno Príncipe existiam sementes terríveis de

a. urtigas
b. rabanetes
c. embondeiros

9 - O Pequeno Príncipe diz: “Quando se está muito, muito triste, é bom”

a. ver o pôr-do-sol
b. nadar
c. comer

10 - A flor do Pequeno Príncipe tinha medo

a. dos tigres
b. da chuva
c. das correntes de ar

11 - O Pequeno Príncipe deveria ter avaliado a sua flor

a. pelas palavras
b. pela aparência
c. pelos atos

12 - O Pequeno Príncipe fugiu do seu planeta

a. na cauda de um cometa
b. numa migração de pássaros selvagens
c. de avião

13 - O Rei propôs ao Pequeno Príncipe ser Ministro

a. da educação
b. da justiça
c. das finanças

14 - No segundo planeta vivia

a. um vaidoso
b. um egoísta
c. um glutão

15 - O bêbado bebia

a. porque gostava
b. para esquecer
c. sem motivo

16 - Na vida, o acendedor de candeeiros gostava mais de

a. comer
b. acender candeeiros
c. dormir

17 - A flor do Pequeno Príncipe era

a. efêmera
b. perene
c. nem efêmera nem perene

18 - O primeiro encontro do Pequeno Príncipe, na Terra, foi com

a. uma serpente
b. um rato
c. uma raposa

19 – Para a raposa, “estar preso/cativo” significa

a. estar na cadeia
b. estar amarrado
c. gostar de alguém

20 - Quem diz “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos” é

a. o Principezinho
b. a raposa
c. o agulheiro

II - Questionário de interpretação

Anote V (Verdadeiro) ou F (Falso) para cada afirmação:

  1. ( ) As pessoas crescidas compreenderam os desenhos do narrador. (cap. I)

  2. ( ) O Principezinho pediu que lhe desenhasse um elefante. (cap. II)

  3. ( ) O desenho da ovelha foi objeto de contemplação. (cap. III)

  4. ( ) O narrador sabia ver ovelhas através de caixas. (cap. IV)

  5. ( ) Os embondeiros não são arbustos, mas grandes árvores. (cap. V)

  6. ( ) O Principezinho apreciava a beleza dos crepúsculos. (cap. VI)

  7. ( ) A flor não era única no mundo para o Principezinho. (cap. VII)

  8. ( ) A flor exigiu uma redoma para se cobrir. (cap. VIII)

  9. ( ) Para a sua evasão, o Principezinho aproveitou uma migração de patos selvagens. (cap. IX)

  10. ( ) O primeiro asteróide a ser visitado era habitado por um soberano. (cap. X)

  11. ( ) O segundo planeta era habitado por um admirador. (cap. XI)

  12. ( ) A visita ao terceiro planeta mergulhou o Principezinho numa grande alegria. (cap. XII)

  13. ( ) O homem de negócios administra e conta as estrelas. (cap. XIII)

  14. ( ) Para o acendedor de candeeiros, as ordens não mudaram. (cap. XIV)

  15. ( ) O habitante do sexto planeta escrevia livros pequenos. (cap. XV)

  16. ( ) Na Terra existem cento e onze reis. (cap. XVI)

  17. ( ) A serpente não é mais poderosa do que um dedo de um rei. (cap. XVII)

  18. ( ) O Principezinho atravessou o deserto e só encontrou uma flor de três pétalas. (cap. XVIII)

  19. ( ) Quando subiu a uma montanha não muito alta, o Principezinho avistou penhascos pontiagudos. (cap. XIX)

  20. ( ) As rosas em flor eram parecidas com a flor do Principezinho. (cap. XX)

  21. ( ) Para a raposa, cativar significa “criar laços”. (cap. XXI)

  22. ( ) O agulheiro separava os passageiros em pacotes de cem. (cap. XXII)

  23. ( ) Os comprimidos eram aperfeiçoados para matar a sede. (cap. XXIII)

  24. ( ) O narrador descobriu um poço ao nascer do dia. (cap. XXIV)

  25. ( ) Para o Principezinho, os olhos são cegos, é preciso procurar com uma lanterna. (cap. XXV)

  26. ( ) A serpente mordeu o Principezinho junto do tornozelo. (cap. XXVI)

  27. ( ) A ovelha terá ou não comido a flor? A dúvida persiste. (cap. XXVII)

Conclusão

Agora pense e escreva:

Na viagem que o Principezinho fez pelos asteróides e pela Terra, qual foi a personagem que despertou mais o seu interesse? Justifique a sua resposta.







Gabarito

I - Escolha a opção correta

  1. a

  2. b

  3. b

  4. a

  5. c

  6. b

  7. a

  8. c

  9. a

  10. c

  11. c

  12. b

  13. b

  14. a

  15. b

  16. b

  17. a

  18. a

  19. c

  20. b

II - Verdadeiro ou Falso

  1. F

  2. F

  3. F

  4. F

  5. V

  6. V

  7. F

  8. V

  9. F

  10. V

  11. V

  12. F

  13. V

  14. F

  15. V

  16. F

  17. F

  18. V

  19. F

  20. V

  21. V

  22. F

  23. V

  24. F

  25. F

  26. V

  27. V

Interdisciplinaridade

A leitura de O Pequeno Príncipe possibilita uma abordagem interdisciplinar, pois a narrativa ultrapassa a literatura e convida o leitor a refletir sobre temas relacionados à vida, à natureza, às relações humanas, à ciência, à arte e à formação ética.

Língua Portuguesa

Leitura e interpretação textual, identificação de personagens, narrador, espaço e tempo, compreensão de diálogos, desenvolvimento do vocabulário e produção de textos argumentativos e reflexivos.

Filosofia

Reflexão sobre questões como amizade, amor, responsabilidade, solidão, pertencimento, sentido da vida, relações humanas e diferença entre aquilo que é essencial e aquilo que é apenas aparente.

Ciências e Astronomia

Exploração dos planetas, asteroides, estrelas, movimentos celestes e fenômenos relacionados ao universo. A viagem do Principezinho pode servir como ponto de partida para despertar a curiosidade científica sobre o espaço.

Geografia

Estudo do deserto do Saara, paisagens naturais, localização geográfica, representação dos espaços e diferentes ambientes encontrados na narrativa.

Matemática

Análise dos números presentes na obra, especialmente aqueles relacionados ao homem de negócios e às estrelas, permitindo discutir contagem, quantificação, grandes números e o uso da matemática para representar diferentes situações.

Ciências da Natureza e Educação Ambiental

Os embondeiros, as flores, as sementes e o cuidado com o planeta possibilitam conversar sobre plantas, crescimento, preservação ambiental, equilíbrio dos ecossistemas e responsabilidade humana diante da natureza.

Arte

Os desenhos do narrador constituem uma importante porta de entrada para atividades de expressão artística. Os estudantes podem criar ilustrações, representar personagens, produzir releituras da obra e explorar diferentes formas de comunicação por meio das imagens.

Educação Socioemocional

A relação entre o Principezinho e a raposa permite trabalhar amizade, empatia, confiança, afetividade, criação de vínculos e responsabilidade pelo outro. A ideia de “cativar” pode ser relacionada à construção de relações baseadas no cuidado e no respeito.

Educação para a Cidadania

As diferentes personagens encontradas pelo Principezinho permitem discutir comportamentos humanos, relações de poder, vaidade, consumismo, responsabilidade, trabalho e convivência em sociedade.

Educação Ambiental e Cultura da Infância

A obra também pode ser relacionada à valorização da infância, do brincar, da imaginação e da capacidade de as crianças perceberem o mundo para além das aparências. O cuidado com a pequena flor e com os embondeiros pode ser associado ao desenvolvimento de uma relação mais sensível, responsável e afetiva com a natureza.

Proposta interdisciplinar

A partir da leitura de O Pequeno Príncipe, os estudantes podem realizar um projeto coletivo envolvendo Literatura, Arte, Ciências, Geografia, Matemática, Filosofia e Educação Ambiental. Cada grupo pode escolher uma personagem, planeta ou tema da narrativa e transformá-lo em uma produção: desenho, texto, pesquisa científica, mapa, poema, dramatização ou instalação artística.

Dessa maneira, a literatura deixa de ser apenas objeto de leitura e passa a funcionar como ponto de encontro entre diferentes áreas do conhecimento, estimulando a imaginação, a investigação, a criatividade, o pensamento crítico e a formação humana

Blindado

Um blindado feito com materiais reutilizados também pode ser uma porta de entrada para conhecer a história dos veículos militares e refletir sobre tecnologia, criatividade e transformação. Os primeiros tanques surgiram durante a Primeira Guerra Mundial, em um contexto em que os exércitos buscavam atravessar terrenos difíceis e as extensas trincheiras protegidos por uma estrutura de blindagem. O primeiro emprego de tanques em combate ocorreu em 1916, na Batalha do Somme, quando os britânicos utilizaram seus primeiros veículos desse tipo. O próprio nome “tank” tanque, em inglês surgiu, entre outras razões, como uma forma de disfarçar o projeto durante seu desenvolvimento.

Com o passar do tempo, os veículos blindados foram sendo aperfeiçoados e passaram a desempenhar diferentes funções, como transporte de tropas, reconhecimento e apoio em operações militares. Hoje, fazem parte da história da tecnologia, da engenharia e dos conflitos do século XX.

Aqui, essa história ganha uma nova dimensão: um blindado construído com materiais que seriam descartados. Papelão, embalagens e outros elementos simples são transformados pelas mãos criativas em um objeto de brincadeira e aprendizagem. A proposta mostra que reutilizar não significa apenas aproveitar um material, mas também ressignificar objetos, estimular a imaginação e transformar conhecimento em experiência.

Na infância, conhecer a história pode começar justamente assim: construindo, brincando, fazendo perguntas e dando novos sentidos ao mundo que nos cerca.



terça-feira, 1 de setembro de 2026

Frentes de trabalho sustentáveis

Quando emprego e desenvolvimento caminham juntos

Ao longo da história do Brasil, as frentes de trabalho surgiram como uma alternativa para enfrentar períodos de crise, desemprego e dificuldades econômicas. Mais do que uma medida emergencial, elas podem se transformar em uma poderosa ferramenta de desenvolvimento sustentável, beneficiando trabalhadores, comunidades e o meio ambiente.

Quando bem planejadas, as frentes de trabalho não apenas geram renda para famílias que precisam de oportunidades, mas também deixam um legado positivo para a sociedade.

Emprego que Transforma

Uma das maiores vantagens das frentes de trabalho é a possibilidade de oferecer ocupação temporária, capacitação profissional e experiência prática. Muitas pessoas que estão fora do mercado encontram nesses programas uma oportunidade para desenvolver habilidades, criar uma rotina de trabalho e ampliar suas perspectivas profissionais.

Além disso, a participação em projetos coletivos fortalece o senso de pertencimento e cidadania.

Obras que Beneficiam a Comunidade

Imagine milhares de trabalhadores atuando na recuperação de espaços públicos, na limpeza de rios, na manutenção de escolas, na construção de sistemas de drenagem ou na revitalização de praças e parques.

Essas ações produzem benefícios duradouros:

Melhoria da qualidade de vida da população;

Redução de enchentes e alagamentos;

Conservação dos espaços urbanos;

Valorização dos bairros;

Fortalecimento da infraestrutura local.

O resultado é uma cidade mais organizada, segura e acolhedora para todos.

Sustentabilidade na Prática

As frentes de trabalho também podem ser grandes aliadas da sustentabilidade ambiental.

Entre as atividades possíveis estão:

- Plantio de árvores e reflorestamento;

- Recuperação de nascentes;

- Limpeza e despoluição de rios e lagoas;

- Criação e manutenção de hortas comunitárias;

- Coleta seletiva e reciclagem;

- Educação ambiental junto à população.

Essas ações ajudam a preservar recursos naturais e contribuem para a construção de cidades mais resilientes às mudanças climáticas.

Formação e Qualificação

Outro aspecto importante é a possibilidade de unir trabalho e aprendizagem.

Enquanto atuam em projetos comunitários, os participantes podem receber formação em áreas como:

Construção civil;

Jardinagem e paisagismo;

Gestão ambiental;

Agricultura urbana;

Manutenção predial;

Educação socioambiental.

Assim, o programa deixa de ser apenas uma fonte temporária de renda e se torna uma ponte para novas oportunidades profissionais.

Investimento que Retorna para a Sociedade

Quando o poder público investe em frentes de trabalho sustentáveis, o retorno vai muito além da geração de empregos.

A comunidade ganha espaços públicos mais cuidados, o meio ambiente é preservado, a infraestrutura é fortalecida e milhares de pessoas têm a chance de desenvolver novas competências.

Trata-se de uma estratégia capaz de unir inclusão social, desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.

Conclusão

As frentes de trabalho sustentáveis mostram que é possível transformar desafios em oportunidades. Ao mesmo tempo em que geram renda e promovem dignidade, elas deixam marcas positivas nas cidades, fortalecem o sentimento de comunidade e contribuem para um futuro mais sustentável.

Investir em pessoas e no cuidado com o território é uma forma inteligente de construir uma sociedade mais justa, produtiva e preparada para os desafios do século XXI. 

Porque o melhor legado de um programa social não é apenas ajudar no presente, mas criar condições para um futuro melhor para todos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Animais de papelão

Brincar, Criar e Aprender com Materiais Reutilizados

O que uma caixa de papelão pode se transformar? Uma baleia, um golfinho, um cisne, uma tartaruga ou até mesmo um animal da savana africana.

Quando uma criança transforma um pedaço de papelão em um animal, ela não está apenas fazendo uma atividade manual. Está criando, imaginando, experimentando formas, desenvolvendo habilidades motoras e descobrindo novas maneiras de olhar para a natureza.

O material que seria descartado ganha uma nova vida por meio da criatividade.

Por que criar animais com papelão?

O papelão é um material simples, acessível e versátil. Caixas de embalagens podem se transformar em brinquedos, personagens, cenários e objetos para brincar.

Durante a construção, a criança pode:

  • desenvolver a coordenação motora fina;
  • exercitar a percepção de formas e proporções;
  • experimentar desenho, pintura e composição;
  • desenvolver a criatividade e a autonomia;
  • conhecer diferentes animais e seus habitats;
  • perceber que materiais descartados podem ser reutilizados;
  • criar suas próprias narrativas e brincadeiras.

Mais importante ainda: o processo valoriza a criança como autora e construtora de suas próprias experiências.

Baleia de papelão

A baleia pode ser construída a partir de formas simples, utilizando o corpo principal, a cauda e as nadadeiras.

Depois de pronta, ela pode fazer parte de um grande oceano de papelão, criado pelas próprias crianças.

Que outros animais vivem no oceano?

Onde vivem as baleias?

O que acontece quando os mares são contaminados por plástico?

Assim, uma atividade artística pode se transformar em uma conversa sobre vida marinha, preservação ambiental e responsabilidade coletiva.

Golfinho de papelão

O golfinho permite explorar linhas curvas e movimentos.

A criança pode criar vários golfinhos e montar uma cena de brincadeira: um grupo nadando, saltando ou viajando pelo oceano.

É possível acrescentar ondas, peixes, barcos e outros elementos feitos com sobras de papelão.

O brinquedo deixa de ser apenas um objeto e passa a fazer parte de uma paisagem criada pela imaginação infantil.

Cisne de papelão

O cisne pode ser trabalhado a partir das formas elegantes do pescoço, do corpo e das asas.

Depois da pintura, as crianças podem criar um lago utilizando papel, papelão, folhas secas e outros materiais reutilizados.

A atividade permite conversar sobre aves, água, habitats e biodiversidade, além de trabalhar equilíbrio, simetria e observação.

Tartaruga de papelão

A tartaruga é especialmente interessante para explorar formas geométricas.

A carapaça pode ser criada com diferentes texturas e padrões, permitindo que cada criança faça uma tartaruga única.

Uma proposta interessante é construir uma pequena comunidade de tartarugas e conversar sobre os diferentes ambientes em que elas vivem.

Também é uma oportunidade para falar sobre preservação das praias, rios e oceanos.

Animais da savana africana

Que tal transformar uma caixa de papelão em uma pequena savana?

Leões, girafas, zebras, elefantes, rinocerontes e outros animais podem nascer de formas simples recortadas no papelão.

Depois, o grupo pode criar o próprio cenário:

árvores
capim
rios e lagos
pedras
animais
sol

A brincadeira pode evoluir para uma verdadeira narrativa coletiva, na qual cada criança cria um personagem e inventa uma história.

Quando o brinquedo também ensina

O mais importante não é chegar a um modelo perfeito.

É permitir que a criança observe, imagine, desenhe, recorte, monte, erre, transforme e tente novamente.

O papelão oferece justamente essa liberdade.

Uma caixa pode ser um animal.

Um pedaço pode virar uma asa.

Um recorte pode se transformar em uma pata.

E, quando tudo se junta, nasce uma brincadeira.

Essa é a essência da Brincadeira Sustentável: transformar materiais, mas também transformar o olhar da criança sobre o mundo.

Reutilizar é criar novas possibilidades

Antes de jogar uma caixa fora, vale perguntar:

O que podemos criar com ela?

Essa simples pergunta pode abrir espaço para experiências de arte, ciência, natureza, matemática, literatura e educação ambiental.

Porque sustentabilidade também pode começar na infância pelas mãos, pela imaginação e pelo brincar.

Vamos transformar descarte em

 brincadeira?






Separe algumas caixas de papelão, convide as crianças e comece a criar.

Talvez a próxima caixa não seja apenas uma caixa.

Talvez ela esteja esperando para virar uma baleia, um golfinho, uma tartaruga, um cisne, caranguejo ou toda uma savana.


domingo, 30 de agosto de 2026

Malba Tahan - O homem que calculava (Matemática - Gramática - Literatura)





Malba Tahan: quando Matemática, Gramática e Literatura se encontram

Novas didáticas, novas pedagogias, novas metodologias. Foi também esse desejo de transformar a maneira de ensinar que motivou a grande produção literária de Malba Tahan, pseudônimo do professor e escritor brasileiro Júlio César de Mello e Souza. Sua obra, sem dúvida, merece um espaço ainda maior nos cursos de Licenciatura em Matemática, na formação continuada de professores e, principalmente, nas práticas pedagógicas da Educação Básica.

Quando pensamos em Malba Tahan, pensamos imediatamente em Matemática. Mas sua obra nos convida a ir além. Talvez uma de suas maiores riquezas esteja justamente na possibilidade de aproximar três áreas que muitas vezes aparecem separadas na escola: Matemática, Gramática e Literatura.

Antes de resolver um problema matemático, o aluno precisa ler. Antes de calcular, precisa compreender. Antes de apresentar uma resposta, precisa organizar seu pensamento e utilizar a linguagem para explicar o caminho percorrido. Nesse sentido, um problema matemático começa muito antes da operação: começa na interpretação.

Palavras como “metade”, “dobro”, “triplo”, “diferença”, “soma”, “terça parte”, “restante”, “total” e “proporção” fazem parte da linguagem e carregam conceitos matemáticos. Por isso, ensinar Matemática também significa ensinar a ler, interpretar, estabelecer relações, argumentar e escrever.

É justamente nesse ponto que a obra de Malba Tahan se torna tão atual.

Em O Homem que Calculava, encontramos Beremiz Samir, personagem que percorre diferentes lugares solucionando problemas por meio da observação, da lógica, da criatividade e do raciocínio. Beremiz não é simplesmente alguém que sabe fazer contas. Ele pensa matematicamente. E essa diferença é fundamental.

A Matemática, em suas histórias, aparece inserida em situações concretas: na divisão de bens, nas proporções, nas medidas, nos negócios, nos jogos, nas relações humanas e nos desafios do cotidiano. O leitor acompanha uma narrativa e, quase sem perceber, começa a fazer Matemática.

Um dos episódios mais conhecidos é o problema dos 35 camelos. Um homem deixa como herança 35 camelos para seus três filhos, determinando que o primeiro receberia a metade, o segundo a terça parte e o terceiro a nona parte. O problema parece simples, mas surge uma dificuldade: como dividir 35 camelos dessa maneira?

Beremiz propõe acrescentar temporariamente um camelo. Assim, passam a ser considerados 36 camelos. A partir daí, a divisão se torna possível: metade de 36 corresponde a 18; a terça parte corresponde a 12; e a nona parte corresponde a 4. Somando, temos 18 + 12 + 4 = 34 camelos.

Mas a beleza do problema está justamente na investigação que ele provoca.

Por que foi necessário acrescentar um camelo? O que aconteceria se não fosse acrescentado? Por que as frações propostas não completam exatamente um inteiro?

Ao somarmos as três partes, temos:

1/2 + 1/3 + 1/9 = 17/18.

Portanto, falta 1/18 para completar a unidade.

Uma situação aparentemente simples transforma-se, então, em uma oportunidade para trabalhar frações, equivalência, divisão, proporção, interpretação e raciocínio lógico. Mais do que isso: permite mostrar ao estudante que a Matemática não está apenas na resposta final, mas principalmente no caminho utilizado para chegar até ela.

E é justamente nesse caminho que a Gramática e a Literatura entram.

Imagine levar esse problema para uma sala de aula e pedir aos estudantes que primeiro leiam a história, identifiquem os personagens, localizem as informações importantes e expliquem, com suas próprias palavras, o que está sendo solicitado. Depois, podem destacar as palavras que indicam quantidade, divisão e proporção. Podem observar como o texto foi construído, quais expressões são essenciais para compreender a situação e como uma simples palavra pode alterar completamente o significado de um problema.

Em seguida, podem representar a situação por meio de desenhos, esquemas ou tabelas, criar hipóteses, realizar os cálculos e, finalmente, escrever uma explicação sobre como chegaram à solução.

Temos aí uma experiência em que Literatura, Gramática e Matemática caminham juntas.

A Literatura cria a narrativa e desperta a curiosidade. A Gramática ajuda o estudante a compreender e organizar a linguagem. A Matemática transforma as informações em relações, estratégias, cálculos e argumentos.

Essa perspectiva pode contribuir significativamente para minimizar uma das grandes dificuldades encontradas na aprendizagem matemática: a interpretação de problemas.

Quantas vezes encontramos estudantes que sabem realizar uma operação, mas não sabem identificar qual operação utilizar? Sabem dividir, mas não compreendem a situação de divisão? Conhecem fórmulas, mas têm dificuldade para transformar um texto em uma representação matemática?

Talvez uma das respostas esteja justamente em aproximar mais a Matemática da leitura.

Matemática também é linguagem.

O estudante precisa compreender o que lê, selecionar informações, estabelecer relações, formular hipóteses, testar estratégias e explicar seu pensamento. Não basta chegar ao resultado. É preciso saber dizer por que aquele resultado faz sentido.

Por isso, uma atividade inspirada em Malba Tahan pode ir muito além da resolução de um exercício. Depois de solucionar o problema dos camelos, por exemplo, os alunos podem ser convidados a escrever uma pequena narrativa matemática, criar outro problema envolvendo uma divisão de bens ou modificar os números da situação original e investigar o que aconteceria.

Podem ainda criar uma ilustração para a história, representar os personagens, elaborar uma tabela com as quantidades ou transformar o problema em uma pequena dramatização.

Nesse momento, a aula deixa de ser apenas uma aula de Matemática.

É Literatura, porque existe narrativa.

É Gramática, porque existe leitura, interpretação e produção textual.

É Matemática, porque existe raciocínio, cálculo e resolução de problemas.

E é também criatividade, comunicação e investigação.

Talvez seja essa uma das grandes contribuições de Malba Tahan para a Educação Matemática. Ele nos mostra que resolver um problema não significa simplesmente escolher uma fórmula e substituí-la por números. Resolver um problema é compreender uma situação, fazer perguntas, estabelecer relações, testar possibilidades e construir uma solução.

O professor pode começar a aula contando uma história, apresentando um personagem ou propondo um desafio. Em vez de escrever imediatamente uma fórmula no quadro, pode perguntar: “O que vocês fariam no lugar de Beremiz?”

A partir daí, diferentes caminhos podem surgir. Alguns estudantes desenharão, outros farão cálculos, outros buscarão uma solução mentalmente. Um grupo poderá chegar a uma estratégia diferente de outro. E o professor poderá perguntar: “Como vocês sabem que essa solução está correta?”

Essa pergunta é poderosa porque desloca o estudante da posição de quem apenas responde para a posição de quem precisa argumentar matematicamente.

A obra de Malba Tahan também oferece uma importante contribuição para a formação de professores. Sua leitura pode provocar reflexões sobre como ensinar frações, proporções, medidas, lógica e resolução de problemas de maneira mais significativa. Pode ajudar o futuro professor a perceber que ensinar Matemática não é apenas dominar conteúdos, mas também encontrar caminhos para que esses conteúdos façam sentido para quem aprende.

Por isso, penso que a obra de Malba Tahan deveria ser mais explorada nos cursos de Licenciatura em Matemática e nas formações continuadas. Não apenas como literatura complementar, mas como possibilidade de reflexão sobre a própria prática docente.

Sua obra nos convida a pensar em uma práxis docente na qual professor e estudante estão permanentemente aprendendo. Uma prática em que a leitura pode anteceder o cálculo, a pergunta pode anteceder a fórmula e a curiosidade pode anteceder a explicação.

Estudar Malba Tahan também nos coloca diante do universo da pesquisa. Ao investigar sua trajetória, suas obras e suas propostas para o ensino, começamos a compreender que pesquisar exige curiosidade, organização, leitura, comparação de fontes, reflexão e construção de perguntas. A pesquisa, assim como a Matemática, nasce muitas vezes de uma inquietação.

E talvez seja exatamente essa inquietação que precisamos recuperar na escola.

Não apresentar a Matemática como um conjunto de fórmulas decoradas, mas como uma forma de compreender o mundo.

Não apresentar o problema apenas como uma obrigação escolar, mas como um desafio.

Não ensinar somente a resposta, mas valorizar o percurso.

Não perguntar apenas “qual é o resultado?”, mas também:

“Como você pensou?”

“Por que escolheu esse caminho?”

“Você consegue explicar?”

“Existe outra maneira de resolver?”

Nesse sentido, O Homem que Calculava continua sendo uma obra extraordinariamente fértil para a Educação.

Beremiz nos mostra que os números estão presentes nas escolhas, nas divisões, nas medidas, nas proporções, nos jogos e nas situações do cotidiano. Mas também nos mostra que, por trás de cada cálculo, existe uma história e, por trás de cada história, existe uma linguagem que precisa ser compreendida.

É por isso que considero tão potente pensar em Matemática + Gramática + Literatura.

A Literatura dá contexto e desperta a imaginação. A Gramática organiza a compreensão e a expressão. A Matemática desenvolve o raciocínio, a lógica e a capacidade de solucionar problemas.

As três áreas podem se encontrar em uma mesma experiência de aprendizagem.

E esse encontro pode ajudar a desconstruir aquela velha ideia de que Matemática é apenas uma disciplina difícil, cheia de fórmulas e regras para decorar.

A Matemática também pode ser fina, elegante, curiosa, divertida e delirante, como nos convida a perceber o universo de Malba Tahan.

Por isso, deixo aqui meu convite, especialmente aos professores, estudantes de licenciatura, educadores e apaixonados pelo conhecimento:

Leiam O Homem que Calculava.

Leiam como literatura.

Leiam como professores.

Leiam como pesquisadores.

Leiam como aprendizes.

E levem Beremiz para a sala de aula.

Talvez ele consiga fazer algo que muitas fórmulas não conseguem: despertar no estudante a vontade de descobrir a resposta.

Porque um problema matemático pode começar com uma história, passar pela linguagem e terminar em uma descoberta.

Literatura dá contexto.

Gramática dá linguagem.

Matemática dá raciocínio.

E, quando essas três áreas se encontram, o aluno não aprende apenas a calcular.

Ele aprende a ler, compreender, pensar, argumentar, escrever e descobrir.

Essa talvez seja uma das grandes lições deixadas por Malba Tahan: a Matemática não precisa ser apenas calculada. Ela pode ser lida, narrada, investigada, escrita, discutida e vivida.

E é justamente aí que aprender Matemática pode se transformar em uma experiência de encantamento.






Da caverna às cidades de pedra: a arte como memória da humanidade

A arte pré-histórica nasceu muito antes das grandes cidades, dos templos e dos monumentos. Nas paredes das cavernas, nossos ancestrais registraram animais, cenas de caça, figuras humanas, mãos, símbolos e sinais que ainda hoje despertam perguntas.

Mas essa história não termina nas cavernas.

Ao longo do tempo, a relação humana com a pedra foi se transformando. A pedra que servia para produzir ferramentas passou também a ser utilizada na construção de abrigos, monumentos, templos, túmulos, muralhas e cidades inteiras.

Essa pequena representação artística permite fazer uma verdadeira viagem no tempo. 

Podemos observar diferentes manifestações da arte e da cultura humana:

Pinturas rupestres ‐ registros encontrados em cavernas e abrigos, utilizando pigmentos naturais, como ocre, carvão e minerais.

Esculturas e pequenas figuras - representações humanas e animais, muitas vezes associadas a práticas simbólicas e culturais.

Ferramentas e objetos – pedras trabalhadas, ossos e outros materiais revelam criatividade, conhecimento e capacidade de transformar a natureza.

O domínio do fogo – fundamental para a sobrevivência, mas também para transformar materiais, produzir pigmentos e ampliar as possibilidades de ocupação dos espaços.

Monumentos de pedra – com o desenvolvimento das sociedades, a pedra passou a fazer parte de construções cada vez mais complexas.

Cidades de pedra – a arquitetura tornou-se também uma forma de expressão, identidade, poder, religião e organização social.

- E então chegamos a Petra

Um dos exemplos mais impressionantes dessa relação entre humanidade e pedra é Petra, na atual Jordânia.

Petra foi desenvolvida pelos nabateus, uma antiga sociedade que prosperou na região e transformou um ambiente rochoso em uma importante cidade, especialmente entre os últimos séculos antes de Cristo e os primeiros séculos da era cristã.

Suas construções foram esculpidas diretamente nas paredes de arenito, criando fachadas monumentais, túmulos, espaços religiosos e estruturas urbanas.

É importante perceber, porém, que Petra não é uma “cidade pré-histórica”. Ela pertence à Antiguidade. E justamente por isso ela ajuda a ampliar a leitura da nossa pequena cena: existe uma longa trajetória entre os primeiros registros rupestres e a arquitetura monumental das sociedades urbanas.

Da mão marcada na parede da caverna à fachada monumental esculpida na montanha, existe uma história de experimentação, conhecimento, imaginação e transformação da matéria.

- Uma linha do tempo para observar

CAVERNAS → ABRIGOS → ALDEIAS → MONUMENTOS → CIDADES → GRANDES CIVILIZAÇÕES

A arte acompanha esse percurso.

Ela deixa de estar apenas nas paredes dos abrigos e passa a ocupar objetos, corpos, construções, templos, palácios, praças e cidades.

E talvez essa seja uma das grandes perguntas que essa atividade pode provocar nas crianças:

O que mudou quando o ser humano deixou de apenas representar o mundo nas paredes e começou a transformar o próprio espaço em uma grande obra de arte?

Da arte rupestre às cidades de pedra, a humanidade continua contando histórias por meio daquilo que cria.

- A pedra deixou de ser apenas matéria. Tornou-se memória.

- E a arte tornou-se uma forma de deixar marcas no mundo.

Petra foi desenvolvida pelos nabateus, uma antiga sociedade que prosperou na região e transformou um ambiente rochoso em uma importante cidade, especialmente entre os últimos séculos antes de Cristo e os primeiros séculos da era cristã.

Suas construções foram esculpidas diretamente nas paredes de arenito, criando fachadas monumentais, túmulos, espaços religiosos e estruturas urbanas.

É importante perceber, porém, que Petra não é uma “cidade pré-histórica”. Ela pertence à Antiguidade. E justamente por isso ela ajuda a ampliar a leitura da nossa pequena cena: existe uma longa trajetória entre os primeiros registros rupestres e a arquitetura monumental das sociedades urbanas.

Da mão marcada na parede da caverna à fachada monumental esculpida na montanha, existe uma história de experimentação, conhecimento, imaginação e transformação da matéria.

-Uma linha do tempo para observar

CAVERNAS → ABRIGOS → ALDEIAS → MONUMENTOS → CIDADES → GRANDES CIVILIZAÇÕES

A arte acompanha esse percurso.

Ela deixa de estar apenas nas paredes dos abrigos e passa a ocupar objetos, corpos, construções, templos, palácios, praças e cidades.

E talvez essa seja uma das grandes perguntas que essa atividade pode provocar nas crianças:

O que mudou quando o ser humano deixou de apenas representar o mundo nas paredes e começou a transformar o próprio espaço em uma grande obra de arte?

Da arte rupestre às cidades de pedra, a humanidade continua contando histórias por meio daquilo que cria.

- A pedra deixou de ser apenas matéria. Tornou-se memória.

- E a arte tornou-se uma forma de deixar marcas no mundo.

Interdisciplinaridade: quando a arte conecta diferentes conhecimentos

Uma proposta como esta permite trabalhar a Arte Pré-Histórica de forma interdisciplinar, transformando uma simples maquete em uma verdadeira viagem pelo conhecimento humano.

A partir das cavernas, podemos percorrer diferentes áreas:

Artes - pinturas rupestres, esculturas, símbolos, cores e formas de expressão.

História - modos de vida, caça, coleta, domínio do fogo, surgimento das aldeias e desenvolvimento das primeiras civilizações.

Geografia - paisagens, cavernas, desertos, rios, ocupação do território e localização de lugares como Petra, na Jordânia.

Ciências - pigmentos naturais, minerais, formação das rochas, fogo, materiais e processos de transformação da naturezaMatemática - formas geométricas, proporções, medidas, simetria e planejamento das construções.

Arquitetura e Engenharia - como diferentes sociedades aprenderam a construir com pedra e a transformar montanhas e terrenos em espaços de habitação, culto e convivência.

Sustentabilidade - utilização de materiais disponíveis na natureza, reaproveitamento e reflexão sobre nossa relação com os recursos naturais.

Língua Portuguesa - criação de narrativas, interpretação dos símbolos, produção de textos e construção de uma linha do tempo.

Cartografia - localizar no mapa as regiões onde encontramos manifestações rupestres, antigas cidades e importantes sítios arqueológicos.

Tecnologia e STEAM - investigar como conhecimentos de observação, experimentação, construção e resolução de problemas já estavam presentes nas sociedades antigas.

- Da caverna para o mundo

A grande riqueza dessa proposta está justamente em não tratar a arte como um conteúdo isolado.

Uma pintura rupestre pode ser o ponto de partida para uma conversa sobre História.

A História pode levar à Geografia.

A Geografia pode levar à arquitetura.

A arquitetura pode levar à Matemática e à Engenharia.

Os pigmentos podem levar às Ciências.

E tudo isso pode retornar à Arte.

Assim, a criança percebe que o conhecimento não está dividido em pequenas caixas.

Ele se conecta.

E talvez seja essa uma das grandes aprendizagens que uma experiência como essa pode proporcionar:

O ser humano começou deixando marcas nas paredes das cavernas. Com o tempo, passou a construir espaços, cidades e civilizações. Em cada etapa, conhecimento, criatividade e imaginação caminharam juntos.

Arte não é apenas aquilo que vemos. É também uma porta de entrada para compreender como o ser humano pensou, viveu, criou e transformou o mundo.

Imagem da parte interna da Vitória Régia e que fica dentro d'água. Parece uma placenta.

 


A matemática escondida dentro da Vitória-Régia

E se a natureza fosse um grande livro de matemática?

Ao observar a parte interna da Vitória-Régia, aquela estrutura que permanece dentro da água, uma imagem curiosa pode surgir aos nossos olhos: ela lembra uma placenta.

Essa associação é um convite para olhar a natureza com mais atenção. Por trás de formas que parecem simplesmente belas ou curiosas, existem estruturas, proporções, padrões e relações que podem ser investigados pela matemática e pelas ciências.

A matemática está presente na natureza.

Ela aparece nas formas, nos padrões de crescimento, nas simetrias e nas relações entre diferentes elementos dos seres vivos e dos ambientes.

Podemos encontrá-la:

na simetria das pétalas das flores;
nas formas e espirais das conchas;
nos padrões das asas e nas manchas de alguns animais;
na disposição das folhas e no crescimento das plantas;
nos movimentos da água e na dinâmica dos fluidos;
nas ondas e nas oscilações da natureza;
nos modelos matemáticos utilizados para compreender o crescimento das populações.

No caso da Vitória-Régia, suas enormes folhas flutuantes e sua estrutura interna oferecem uma oportunidade especial para observar geometria, simetria, organização espacial e adaptação ao ambiente aquático.

A matemática, nesse sentido, não está apenas nos livros ou nas contas que fazemos na escola. Ela também pode ser percebida na forma como a natureza se organiza.

Olhar, comparar, perguntar

Uma criança diante de uma Vitória-Régia pode começar simplesmente perguntando:

Por que ela tem esse formato?
Como consegue flutuar?
Por que existem tantas nervuras?
Como a água circula por essa estrutura?
Será que existe um padrão entre essas linhas?
Com o que essa forma se parece?

E é justamente aí que começa a investigação.

A observação pode levar à Matemática, à Biologia, à Física, à Geografia, à Arte e à Educação Ambiental.

A matemática funciona como uma linguagem que nos ajuda a descrever, comparar e compreender fenômenos naturais. Por meio dela, podemos criar modelos para estudar desde o crescimento de uma população até o movimento da água, as ondas e diferentes processos que acontecem no ambiente.

A natureza como laboratório

Quando levamos uma criança a observar uma planta, uma concha, uma folha, uma pedra ou o movimento da água, estamos oferecendo algo muito maior do que uma simples atividade.

Estamos ensinando a olhar.

E olhar com atenção é o primeiro passo para investigar.

A natureza pode ser um enorme laboratório a céu aberto, onde cada forma pode despertar uma pergunta e cada pergunta pode abrir caminho para uma nova descoberta.

Talvez a grande pergunta não seja apenas:

“Onde está a matemática?”

Mas:

“Quantas vezes passamos pela matemática sem perceber que ela estava diante dos nossos olhos?”

Brincar. Observar. Comparar. Medir. Criar hipóteses. Descobrir.

É assim que a aprendizagem pode nascer do encontro entre a criança e a natureza.

Porque aprender também é descobrir que o mundo está cheio de padrões esperando para serem percebidos.


Experiência: descobrindo os padrões da Vitória-Régia

A proposta é transformar a observação da Vitória-Régia em uma investigação.

A atividade pode ser realizada com uma imagem, fotografia ou desenho da parte interna da Vitória-Régia, especialmente de suas nervuras e ramificações. Se houver acesso seguro a uma planta, a observação pode ser feita diretamente, sem retirar ou danificar a folha.

1. Observe antes de medir

Convide as crianças a olhar atentamente para a imagem.

Pergunte:

  • O que você percebe primeiro?
  • Com o que essa estrutura se parece?
  • As linhas estão organizadas de alguma maneira?
  • Existe um centro?
  • As linhas se repetem?
  • Há simetria?
  • Algumas linhas são maiores ou mais grossas que outras?
  • Quantas ramificações conseguimos identificar?

A comparação com uma placenta pode ser utilizada como ponto de partida para conversar sobre formas da natureza, mas deixando que cada criança encontre suas próprias associações.

2. Vamos procurar a matemática

Escolha algumas das nervuras principais e peça às crianças que:

1-contem quantas nervuras conseguem identificar;

2-comparem os tamanhos;

3-observem os ângulos formados pelas ramificações;

4-procurem padrões de repetição;

5-identifiquem possíveis linhas de simetria;

6-façam um desenho simplificado, transformando a estrutura observada em uma figura geométrica.

A ideia não é encontrar uma “resposta certa”, mas perceber que existe organização matemática nas formas naturais.

3. Transformando observação em dados

Para crianças maiores, a atividade pode ganhar uma etapa de investigação.

Escolha uma região da folha e registre:

Número de nervuras principais: ______
Número de ramificações observadas: ______
Maior distância entre duas nervuras: ______
Menor distância: ______

Depois, compare os resultados entre diferentes imagens ou folhas.

Que padrões aparecem?

Será que duas folhas apresentam exatamente a mesma organização?

4. Da Ciência para a Arte

Agora vem uma parte especialmente interessante.

Entregue papel e materiais de desenho e proponha:

“Crie uma nova folha inspirada na Vitória-Régia, mas invente o seu próprio padrão matemático.”

A criança pode criar:

  • linhas de simetria;
  • formas geométricas;
  • repetições;
  • espirais;
  • ramificações;
  • padrões inspirados em outras plantas.

Depois, compare os desenhos com a estrutura real observada.

5. Uma pergunta para continuar investigando

A Vitória-Régia vive em ambientes aquáticos e apresenta adaptações relacionadas à vida na água.

Isso permite ampliar a investigação:

Como uma folha tão grande consegue flutuar?

A partir dessa pergunta, podemos explorar flutuação, densidade, pressão, água, superfície e estrutura das folhas.

Assim, uma única planta pode abrir portas para diferentes áreas do conhecimento.

Uma atividade, muitas aprendizagens

Essa experiência pode envolver:

Matemática → formas, medidas, padrões, simetria e proporções.
Ciências → plantas, adaptação e ambiente aquático.
Física → flutuação e propriedades da água.
Arte → desenho, composição e criação de padrões.
Educação ambiental → valorização dos ecossistemas e da biodiversidade.
Linguagem → registro das observações e elaboração de hipóteses.

É a interdisciplinaridade acontecendo a partir de uma simples folha.

E talvez essa seja uma das maiores riquezas de aprender com a natureza:

uma folha pode ser uma obra de arte, um objeto de investigação científica e, ao mesmo tempo, uma aula de matemática.

-Observar a natureza é também aprender a ler os seus padrões.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Dinâmica do "cai não cai" - desafio da água


Uma versão divertida e cooperativa do tradicional Cai Não Cai, construída com materiais simples: tela aramada, cabos de madeira e saquinhos com água.

A tela aramada é colocada sobre a cabeça de um participante, como se fosse um grande chapéu. Sobre a estrutura são posicionados os cabos de madeira, formando uma espécie de trama que sustenta os saquinhos com água.

O desafio começa quando os participantes precisam retirar ou movimentar os cabos de madeira, um de cada vez, tentando evitar que os saquinhos caiam pelos espaços da estrutura.

Mas existe uma consequência: se um saquinho cair entre os cabos, ele pode estourar e molhar a pessoa que está usando a tela na cabeça!

A brincadeira provoca expectativa e muitas risadas, mas também exige atenção. Cada movimento precisa ser pensado, pois a retirada de um cabo pode alterar o equilíbrio dos demais saquinhos.

Além da diversão, a dinâmica desenvolve:

  • coordenação motora e percepção espacial;
  • atenção e concentração;
  • equilíbrio e controle dos movimentos;
  • raciocínio e tomada de decisão;
  • comunicação e cooperação entre os participantes.

O jogo pode ser realizado em equipes, tornando o desafio ainda mais interessante: os participantes precisam conversar, observar a estrutura e decidir juntos qual cabo retirar.

No Grande Jogo, a dinâmica pode representar uma pequena lição sobre escolhas e consequências: cada movimento importa. É preciso observar antes de agir, confiar na equipe e aceitar que, às vezes, o resultado pode ser uma boa surpresa ou um banho inesperado!

Objetivo: retirar os cabos de madeira sem deixar os saquinhos de água caírem.

Desafio extra: a equipe consegue completar o percurso mantendo todos os saquinhos intactos?

E se cair? Não tem problema: faz parte do jogo. Afinal, no Grande Jogo, errar, rir, tentar novamente e aprender também fazem parte da aventura.



Aprendizado e Interdisciplinaridade

A dinâmica do Cai Não Cai da Água transforma uma brincadeira simples em uma experiência de aprendizagem prática e interdisciplinar. Ao manipular os cabos de madeira e observar o comportamento dos saquinhos com água, os participantes aprendem por meio da experimentação, da cooperação e da resolução de problemas.

A atividade permite trabalhar diferentes áreas do conhecimento:

Matemática: noções de equilíbrio, medidas, espaço, distância, quantidade, peso e probabilidade. Os participantes podem observar quais posições oferecem maior ou menor risco de queda.

Ciências: conceitos relacionados à gravidade, força, equilíbrio, movimento, pressão e propriedades da água. O jogo permite perceber, na prática, como uma pequena alteração na estrutura pode modificar todo o sistema.

Física: a retirada de cada cabo modifica a distribuição de forças e o equilíbrio da estrutura. A brincadeira cria uma oportunidade concreta para compreender relações entre força, movimento, estabilidade e gravidade.

Educação Física: desenvolve coordenação motora, percepção corporal, controle dos movimentos, atenção e equilíbrio.

Artes e criatividade: a construção do brinquedo estimula a criação de novas possibilidades a partir de materiais simples e reutilizáveis.

Educação ambiental: a utilização de tela aramada, cabos de madeira e outros materiais que podem ser reaproveitados demonstra que objetos cotidianos podem ser ressignificados e transformados em recursos para brincar e aprender.

Competências socioemocionais: a dinâmica estimula comunicação, colaboração, paciência, tomada de decisão, respeito às regras e capacidade de lidar com o erro e com a surpresa.

Assim, o Cai Não Cai da Água ultrapassa a ideia de uma simples brincadeira. Ele transforma o corpo, os materiais e o ambiente em instrumentos de investigação, mostrando que brincar também é uma forma de observar, experimentar, formular hipóteses, tomar decisões e construir conhecimento coletivamente.

https://brinquedosmaterialreutilizado.blogspot.com/p/lei-de-incentivo-cultura-lei-rouanet.html


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Origami em ação

Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática com papel

A proposta é mostrar que não é necessário utilizar eletricidade, motores ou equipamentos sofisticados para fazer tecnologia. Com papel, água, gravidade e criatividade, os alunos podem construir mecanismos capazes de armazenar energia, produzir movimento e demonstrar fenômenos da natureza.

PROJETO 1 - SAPO SALTADOR

Energia Potencial x Energia Cinética

Pergunta do projeto:
Como fazer um sapo de papel saltar sem motor ou bateria?

O segredo está na dobra do papel. Quando o aluno pressiona a parte traseira do sapo, a estrutura dobrada sofre uma deformação e armazena energia potencial elástica. Ao liberar a dobra, essa energia é transformada em energia cinética, fazendo o sapo saltar.

Materiais necessários

  • 1 folha de papel cartão ou papel sulfite grosso (120 g ou 180 g)
  • Canetinhas coloridas
  • 1 caixa de papelão rasa para servir como “lagoa” ou alvo
  • 1 fita métrica ou régua

Passo a passo

  1. Recorte um retângulo de papel de aproximadamente 10 x 15 cm.
  2. Dobre as partes superiores para formar a cabeça e as patas dianteiras.
  3. Dobre a parte inferior para cima.
  4. Dobre novamente uma parte para trás, formando uma estrutura em “sanfona” nas pernas traseiras.
  5. Reforce bem as dobras.
  6. Coloque o sapo no ponto zero da fita métrica.
  7. Pressione a dobra traseira para baixo.
  8. Solte rapidamente.
  9. Observe o salto e registre a distância percorrida.

Experimento

Teste diferentes tipos ou gramaturas de papel e compare os resultados.

Desafio: Qual sapo consegue saltar mais longe?

Conceitos envolvidos

  • Energia potencial elástica
  • Energia cinética
  • Força e movimento
  • Resistência dos materiais
  • Estruturas e mecanismos

Interdisciplinaridade

Física: energia, força e movimento.
Matemática: distância, medidas, comparação e médias.
Engenharia: construção, teste e aperfeiçoamento.
Tecnologia: criação de um mecanismo sem eletricidade.
Arte: desenho e personalização do sapo.
Ciências: propriedades e resistência dos materiais.

PROJETO 2  CACHORRO DE PAPEL NA RAMPA

Ação da Gravidade

Pergunta do projeto:
É possível fazer um objeto “andar” utilizando apenas a força da gravidade?

O cachorro de papel é construído para possuir um ponto de equilíbrio específico. Quando colocado no alto de uma rampa e liberado, a gravidade provoca uma sequência de pequenos movimentos, fazendo o cachorro descer passo a passo.

Materiais necessários

  • Papel mais firme
  • Canetinhas
  • Papelão para construir a rampa
  • Régua
  • Fita adesiva

Passo a passo

  1. Construa o cachorro de papel.
  2. Decore o personagem.
  3. Monte uma rampa inclinada de aproximadamente 35 cm.
  4. Coloque o cachorro no ponto inicial.
  5. Solte-o sem empurrar.
  6. Observe seu movimento.
  7. Modifique a inclinação da rampa.
  8. Compare o comportamento do cachorro.

Experimento

Teste diferentes inclinações da rampa.

Desafio: O que acontece quando aumentamos ou diminuímos a inclinação?

Conceitos envolvidos

  • Gravidade
  • Força
  • Equilíbrio
  • Movimento
  • Inclinação
  • Mecânica simples

Interdisciplinaridade

Física: gravidade, força, equilíbrio e movimento.
Matemática: inclinação, comprimento e tempo.
Engenharia: construção de uma estrutura capaz de produzir movimento.
Tecnologia: utilização de um mecanismo simples.
Arte: criação e personalização do personagem.
Ciências: observação e formulação de hipóteses.

PROJETO 3 - FLOR DE ORIGAMI MÁGICA

Água, absorção e transformação

Pergunta do projeto:
Como uma flor de papel consegue abrir sozinha quando entra em contato com a água?

A flor é dobrada com as pétalas voltadas para dentro. Quando colocada na água, o papel começa a absorver o líquido. A água penetra nas fibras de celulose, alterando suas propriedades e fazendo com que as dobras se modifiquem. Como resultado, a flor começa a “desabrochar”.

Materiais necessários

  • Papel para origami ou papel sulfite
  • Tesoura
  • Canetinhas ou lápis de cor
  • 1 prato, travessa ou recipiente raso
  • Água

Passo a passo

  1. Desenhe uma flor simples com 5 ou 6 pétalas.
  2. Recorte a flor.
  3. Decore o centro com uma mensagem, desenho ou curiosidade científica.
  4. Dobre cada pétala para dentro, em direção ao centro.
  5. Coloque a flor fechada delicadamente sobre a superfície da água.
  6. Observe as pétalas começarem a se abrir.
  7. Cronometre o tempo necessário para a flor desabrochar.

Experimento

Teste diferentes tipos de papel.

Desafio: Qual tipo de papel faz a flor abrir mais rapidamente?

Conceitos envolvidos

  • Absorção de água
  • Propriedades das fibras de celulose
  • Interação entre água e papel
  • Transformação da estrutura
  • Relação entre ciência e natureza

Interdisciplinaridade

Ciências: absorção e propriedades dos materiais.
Física: interação entre água e estrutura do papel.
Biologia: relação com o transporte de água nas plantas.
Matemática: contagem e comparação do tempo.
Arte: desenho, cores e criação da flor.
Tecnologia: criação de um mecanismo que responde a um estímulo ambiental.

O QUE UNE OS TRÊS PROJETOS?

UM PAPEL. TRÊS FENÔMENOS.

SAPO
Energia armazenada → movimento

CACHORRO
Gravidade → movimento

FLOR
Água → transformação da estrutura

Os três projetos demonstram que é possível criar experiências tecnológicas utilizando materiais simples e sem motores, pilhas ou eletricidade.

INTERDISCIPLINARIDADE - STEAM

S - Science (Ciência)
Investigação de energia, gravidade, água e propriedades dos materiais.

T - Technology (Tecnologia)
Criação de mecanismos e soluções utilizando conhecimentos científicos.

E - Engineering (Engenharia)
Planejamento, construção, teste e aperfeiçoamento dos modelos.

A - Arts (Artes)
Criação dos personagens, flores, cores e apresentação visual.

M - Mathematics (Matemática)
Medidas, distância, tempo, comparação, registros e análise dos resultados.

Outras áreas envolvidas

Língua Portuguesa: elaboração de hipóteses, registros, explicações e apresentação oral.

Educação Ambiental: utilização consciente dos materiais e possibilidade de reaproveitamento de papel.

Educação Ambiental e Sustentabilidade: demonstração de que soluções criativas podem ser desenvolvidas com materiais simples e de baixo impacto.

COMO APRESENTAR NA FEIRA

A bancada pode receber o título:

ORIGAMI EM AÇÃO

A tecnologia que existe nas dobras de uma folha

ESTAÇÃO 1 - PULO 
Energia potencial e cinética

ESTAÇÃO 2 - CAMINHADA 🐕
Gravidade e movimento

ESTAÇÃO 3 - DESABROCHAR 
Água e absorção

Em cada estação, o visitante poderá fazer uma previsão, participar do experimento, observar o resultado e descobrir a explicação científica.

Assim, o origami deixa de ser apenas uma dobradura e se transforma em uma experiência de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática.

MENSAGEM FINAL

“Tecnologia não é apenas aquilo que funciona com eletricidade. Tecnologia também é a capacidade de transformar conhecimento em soluções.”

Uma simples folha de papel pode armazenar energia, responder à gravidade e interagir com a água mostrando que a tecnologia também pode começar com criatividade, observação e uma boa ideia.

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ESPAÇO PARA PARCERIAS E PUBLICIDADE

Esta publicação está recebendo um número expressivo de visualizações e possui espaço destinado a publicidade e parcerias relacionadas ao universo do origami, da criatividade e dos trabalhos manuais.

Podem participar marcas, artesãos, artistas, professores, papelarias, fabricantes de papéis e materiais artísticos, produtos, ferramentas, cursos, oficinas e iniciativas ligadas ao origami, ao artesanato, à educação, à sustentabilidade, à cultura e à criatividade.

Para informações sobre divulgação e parcerias:
E-mail/PIX: RENATARJBRAVO@GMAIL.COM

O espaço publicitário é destinado a conteúdos e marcas relacionados ao tema desta publicação.

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Continuação 

DE ONDE SURGIU ESSA IDEIA?

A ideia de criar experiências tecnológicas utilizando apenas papel surgiu de uma pergunta aparentemente simples:

E se uma folha de papel pudesse fazer mais do que apenas ser dobrada?

Normalmente, quando pensamos em tecnologia, imaginamos motores, baterias, fios, computadores, robôs e equipamentos eletrônicos.

Mas, ao observar uma simples folha de papel com mais atenção, percebemos que ela possui características surpreendentes.

Ela pode ser dobrada, tensionada, comprimida, deformada, equilibrada, movimentada, absorver água e mudar sua forma.

A partir dessa observação surgiu a proposta de investigar o papel não apenas como um material para desenhar ou fazer dobraduras, mas como um material capaz de participar de experiências científicas e tecnológicas.

Foi assim que a brincadeira com papel começou a se transformar em investigação.

O desafio passou a ser:

O que podemos fazer uma folha de papel realizar utilizando apenas as propriedades do próprio material e as forças presentes na natureza?

A partir dessa pergunta, diferentes possibilidades começaram a aparecer.

Uma dobra pode armazenar energia.

A gravidade pode produzir movimento.

A água pode provocar uma transformação na estrutura.

E aquilo que inicialmente parecia apenas uma brincadeira com papel passou a revelar conceitos de Física, Ciências, Matemática, Engenharia, Tecnologia e Arte.

DO QUE É FEITO O PAPEL?

Para compreender por que o papel consegue apresentar tantos comportamentos diferentes, é importante conhecer sua composição.

O principal componente do papel é a celulose, uma substância encontrada principalmente nas paredes das células das plantas. A celulose é formada por longas cadeias de moléculas de glicose e constitui uma das principais estruturas dos vegetais.

Na fabricação do papel, fibras vegetais são transformadas em uma massa, que depois é distribuída, prensada e seca para formar uma folha.

A matéria-prima mais comum é a madeira, mas também podem ser utilizadas outras fontes de fibras vegetais, como algodão, bambu, bagaço de cana-de-açúcar e fibras recicladas.

Dependendo do tipo de papel, também podem existir outros componentes, como água, cargas minerais, agentes de colagem, pigmentos, corantes e revestimentos. Esses elementos ajudam a determinar características como espessura, resistência, textura, absorção e aparência.

Por isso, dois papéis aparentemente semelhantes podem apresentar comportamentos muito diferentes durante um experimento.

Um papel mais fino pode dobrar facilmente.

Um papel mais espesso pode apresentar maior resistência.

Um papel mais absorvente pode reagir de maneira diferente ao entrar em contato com a água.

A composição e a estrutura das fibras ajudam a explicar essas diferenças.

A DESCOBERTA: O PAPEL TEM UMA DINÂMICA PRÓPRIA

O mais interessante dessa experiência é perceber que o papel não é um material completamente passivo.

Quando dobramos uma folha, estamos alterando sua estrutura.

Quando pressionamos uma dobra, podemos armazenar energia.

Quando modificamos sua forma, podemos mudar sua resistência, seu equilíbrio e a maneira como ela se movimenta.

Quando colocamos o papel em contato com a água, suas fibras absorvem o líquido e suas propriedades podem se modificar.

Ou seja:

A mesma folha pode apresentar comportamentos diferentes dependendo de como é construída, dobrada, posicionada ou colocada em contato com outros elementos.

Essa percepção foi fundamental para o desenvolvimento dos experimentos.

O papel passou a ser observado como um pequeno laboratório.

A pergunta deixou de ser apenas:

Como fazer uma dobradura?

E passou a ser:

O que acontece quando modificamos a estrutura do papel?

Essa mudança de olhar é justamente o que transforma uma atividade artística em uma experiência de investigação científica.

UMA FOLHA, MUITAS POSSIBILIDADES

A partir dos experimentos, percebe-se que uma única folha de papel pode participar de fenômenos bastante diferentes.

Quando dobramos e pressionamos:

Papel → deformação → armazenamento de energia → movimento

É o princípio observado no sapo saltador.

Quando alteramos o equilíbrio e utilizamos uma superfície inclinada:

Papel → equilíbrio + gravidade → movimento

É o princípio observado no cachorro de papel na rampa.

Quando colocamos o papel em contato com a água:

Papel → absorção → alteração das fibras → transformação da forma

É o princípio observado na flor de origami que desabrocha.

Três experiências diferentes.

Três fenômenos diferentes.

Um mesmo material.

PAPEL.

QUANDO A BRINCADEIRA SE TRANSFORMA EM CIÊNCIA

Existe uma característica comum aos três experimentos: todos começam com uma pergunta.

O sapo consegue saltar mais longe?

O cachorro consegue descer uma rampa sozinho?

A flor consegue abrir quando entra em contato com a água?

A partir dessas perguntas, o aluno precisa fazer uma hipótese, construir o modelo, realizar o experimento, observar o resultado, medir ou registrar o que aconteceu, comparar diferentes possibilidades, identificar o que pode ser modificado, testar novamente e tentar explicar o fenômeno.

Esse processo aproxima a atividade da própria maneira como a ciência e a engenharia trabalham.

O aluno não recebe apenas uma resposta.

Ele investiga para descobrir.

E FOI AÍ QUE APARECEU A INTERDISCIPLINARIDADE

Ao observar os experimentos, percebe-se que não existe uma única disciplina capaz de explicar tudo o que acontece.

O sapo, por exemplo, envolve energia, força, movimento, deformação, medidas e construção.

A flor envolve água, fibras, absorção, transformação, tempo, observação e desenho.

O cachorro envolve gravidade, equilíbrio, inclinação, movimento, construção e testes.

Assim, uma simples folha de papel cria uma ponte entre diferentes áreas do conhecimento.

FÍSICA

Explica energia, força, gravidade, equilíbrio e movimento.

CIÊNCIAS

Investiga as propriedades da celulose, da água, das fibras e dos demais materiais.

MATEMÁTICA

Permite medir distâncias, tempos, ângulos, comparar resultados e calcular médias.

ENGENHARIA

Envolve planejamento, construção, testes, erros, ajustes e aperfeiçoamento.

TECNOLOGIA

Mostra que tecnologia também pode ser a criação de mecanismos e soluções a partir de conhecimentos e materiais simples.

ARTE

Está presente no desenho, nas cores, na estética, na criação dos personagens e na própria linguagem do origami.

LÍNGUA PORTUGUESA

Entra na formulação de perguntas, hipóteses, registros, explicações e apresentação dos resultados.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Permite discutir o uso consciente do papel, seu reaproveitamento e a criação de soluções utilizando materiais acessíveis.

DO ORIGAMI À TECNOLOGIA

O origami tradicionalmente é associado à arte de dobrar papel.

Mas as dobras também podem ser entendidas como uma forma de projetar estruturas.

Uma dobra pode aumentar a rigidez de uma folha.

Outra pode criar uma articulação.

Outra pode modificar o equilíbrio.

Outra pode permitir que uma estrutura se movimente.

Isso aproxima o origami de conceitos encontrados em áreas como engenharia, arquitetura, design, robótica e desenvolvimento de estruturas dobráveis.

Portanto, o objetivo não é simplesmente ensinar uma dobradura.

É estimular o aluno a olhar para uma folha e pensar:

O que posso criar com ela?

E depois:

Por que isso funciona?

E finalmente:

Como posso melhorar?

Nesse momento, a atividade deixa de ser apenas uma construção manual e passa a ser um processo de criação, investigação e resolução de problemas.

O PAPEL COMO UM PEQUENO LABORATÓRIO

A grande descoberta por trás do projeto é justamente essa:

Uma folha de papel pode ser um laboratório de ciência.

Com ela podemos investigar energia, movimento, gravidade, equilíbrio, força, absorção, materiais, estruturas, medidas, tempo, criatividade, design e sustentabilidade.

E tudo isso pode começar com uma pergunta, uma folha e uma dobra.

A GRANDE IDEIA

O projeto nasceu, portanto, de uma mudança de perspectiva.

Não olhar para o papel apenas como algo que será transformado em um objeto.

Mas olhar para ele como um material que pode revelar fenômenos.

A criança dobra.

Observa.

Testa.

Erra.

Modifica.

Tenta novamente.

E descobre que, por trás de uma simples dobradura, existem princípios científicos.

É nesse caminho que a brincadeira encontra a ciência.

E é também nesse caminho que a Arte encontra a Tecnologia, a Engenharia encontra a Matemática e a curiosidade encontra o conhecimento.

Uma simples folha de papel, formada principalmente por fibras de celulose, pode ser o ponto de partida para uma grande investigação.

PORQUE TECNOLOGIA TAMBÉM PODE COMEÇAR COM UMA DOBRA.


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