VOCÊ PEGA UMA COISA E TRANSFORMA EM OUTRA. NÃO É APENAS RECICLAGEM É ARTE!
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terça-feira, 2 de dezembro de 2025
Livro: O guardião das luzes
Essa “ponte espiral” realmente existe, e é parte integrante de um sistema engenhoso de infra-estrutura histórica
A ponte ou mais precisamente um tipo de ponte é uma das chamadas roving bridge (em português, “ponte de transposição” ou “ponte-roving”).
No contexto do Macclesfield Canal, essas pontes também são conhecidas coloquialmente como Snake Bridge ou “snake bridges”.
A função da ponte era permitir que o cavalo que puxava uma barcaça pelo canal passasse de um lado do canal para o outro sem que fosse necessário desengatar a corda de reboque. Dessa forma, o trajeto era contínuo, facilitando o transporte.
Histórico e contexto:
O Macclesfield Canal foi projetado no início do século XIX. A rota foi planejada por Thomas Telford e construída por William Crosley.
O canal foi oficialmente aberto em 9 de novembro de 1831, após aprovação de lei em 1826.
Originalmente, seu propósito era servir às indústrias da época (moinhos, minas, pedreiras etc.), ligando áreas industriais entre Manchester, as Midlands e a região da cerâmica (“Potteries”).
Com a chegada e expansão das ferrovias, o canal perdeu importância para transporte comercial, mas voltou a ter relevância com o uso recreativo de barcos (lazer/cruzeiros), o que ocorre até hoje.
A engenharia por trás da “Snake Bridge”:
As roving bridges “snake bridges” foram projetadas com rampas curvas (às vezes em espiral) para que o cavalo percorresse um trajeto arqueado que o levava de um lado para o outro do canal. Desta forma, a corda de reboque nunca precisava ser desengatada, economizando tempo e esforço.
Esse tipo de ponte era especialmente útil nas partes do canal onde o “towpath” (caminho por onde o cavalo caminhava) precisava alternar de margem por exemplo, para contornar obstruções, muros de propriedade, docas, armazéns etc.
No Macclesfield Canal existem seis dessas pontes (ou “snake/roving bridges”).
As pontes e outras estruturas do canal são em muitos casos protegidas como patrimônio: são classificadas como “Grade II listed structures” (edificações de importância histórica).
Importância histórica e patrimonial:
As “snake bridges” representam a engenhosidade da Revolução Industrial uma solução direta a um problema prático de transporte, que respeitava as limitações técnicas e logísticas da época.
Hoje, o canal e suas pontes não servem mais ao transporte comercial como no século XIX, mas passaram a integrar um ambiente de lazer, turismo e preservação histórica. O canal ainda é navegável e muitas de suas estruturas estão preservadas.
Para os admiradores de engenharia histórica, arquitetura industrial e história dos transportes, as “snake / roving bridges” do Macclesfield Canal são exemplos clássicos de adaptação eficiente a desafios de mobilidade na era pré-máquinas motorizadas.
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
O Pequeno Príncipe em papel machê
Autoria: Renata Bravo
Entre o papel e o infinito
Nasce um planeta.
Não daqueles perfeitos, desenhados com régua,
mas um mundo de crateras, poros,
onde as imperfeições respiram poesia.
Esse planeta é feito de restos.
Retalhos de jornal, memórias impressas,
palavras que talvez um dia alguém leu,
e agora se transformam em matéria do universo.
Sobre ele, repousa uma pequena figura,
frágil como as perguntas das crianças,
leve como a esperança.
Feita de papel… mas movida por estrelas.
O papel machê molda o corpo,
mas é o afeto que molda a alma.
Cada camada é silêncio,
cada dobra é coragem.
Porque criar também é cuidar.
E cuidar é um ato de resistência.
No planeta pequeno, há espaço para grandes coisas:
para a saudade, para a curiosidade,
para o espanto diante de um pôr do sol.
Porque, como escreveu um aviador-poeta,
o essencial é invisível aos olhos
mas aqui,
neste pequeno mundo feito de papel,
faz-se visível no gesto, na textura, no olhar.
E assim, entre recortes e sonhos,
o artista reconstrói universos.
Com as mãos sujas de cola e poesia,
ele nos lembra que
cada planeta que criamos fora
revela o planeta que habitamos dentro.
Se a vida fosse uma escultura, talvez fosse de papel machê:
leve, reciclável, frágil… e eternamente recomeçável.
O Pequeno Príncipe em Papel Machê: arte, valores humanos e sustentabilidade
INTRODUÇÃO:
O presente trabalho apresenta uma proposta interdisciplinar de prática artística baseada na construção de uma escultura em papel machê inspirada na obra literária O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. A atividade envolve a criação de um planeta e da figura do protagonista utilizando materiais recicláveis, promovendo reflexões sobre sustentabilidade, valores humanos, expressão artística e interpretação literária.
A escolha dessa obra se justifica pela profundidade de seus ensinamentos simbólicos, que abordam temas como amizade, empatia, essência, solidão e responsabilidade afetiva. A técnica do papel machê, por sua vez, possibilita aos participantes trabalhar conceitos de arte sustentável, reaproveitamento de materiais e construção tridimensional.
A proposta é direcionada a contextos escolares, oficinas culturais, práticas terapêuticas e atividades do movimento escoteiro, com potencial de envolver participantes de diferentes faixas etárias, especialmente crianças e adolescentes. O objetivo é proporcionar uma experiência estética, filosófica e ambiental, promovendo o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e criativo.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:
- O Pequeno Príncipe como obra pedagógica
Publicado em 1943, O Pequeno Príncipe é reconhecido mundialmente como uma obra que ultrapassa a literatura infantil, apresentando reflexões filosóficas sobre o ser humano. Frases como “O essencial é invisível aos olhos” e “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” destacam a profundidade de seus ensinamentos. No contexto educacional, a obra é um recurso para o trabalho com valores, empatia e pensamento crítico.
- A arte como linguagem expressiva e interdisciplinar
Segundo Barbosa (2010), a arte contribui para a formação do sujeito por meio da expressão e da percepção estética. A escultura em papel machê desenvolve coordenação motora, pensamento espacial e estímulo criativo. Quando associada à literatura, expande a compreensão leitora por meio da materialização simbólica.
- Papel machê e sustentabilidade
O papel machê é uma técnica artesanal que reutiliza papel e cola, sendo altamente sustentável. Trabalhar com materiais recicláveis promove a conscientização ambiental, proposta importante para projetos vinculados à educação ambiental e ao movimento escoteiro, alinhado com o princípio “deixar o mundo melhor do que encontramos”.
- Interdisciplinaridade na prática pedagógica
A utilização de uma obra literária como base para uma criação escultórica permite integração entre arte, língua portuguesa, filosofia, ciências e matemática. Essa abordagem interdisciplinar favorece a aprendizagem significativa (Ausubel, 2003), integrando conhecimento teórico à prática artística.
OBJETIVOS:
- Geral
Desenvolver uma experiência artística interdisciplinar utilizando a técnica do papel machê inspirada na obra O Pequeno Príncipe, promovendo reflexão sobre valores humanos e sustentabilidade.
- Específicos
Construir uma escultura representando o planeta e o personagem utilizando papel machê e materiais recicláveis;
Compreender e interpretar simbolicamente trechos da obra literária;
Trabalhar princípios de arte, sustentabilidade e expressão emocional;
Estimular a criatividade, o raciocínio espacial e a coordenação motora;
Promover valores como responsabilidade, empatia e sensibilidade;
Desenvolver atividade expositiva para compartilhamento da produção com a comunidade.
METODOLOGIA / DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
A atividade pode ser desenvolvida individualmente ou em grupo, em aulas de arte, literatura, oficinas culturais ou ações escoteiras. Recomenda-se um período de 3 a 5 encontros.
Etapas propostas
1- Leitura e conversa inicial
Leitura de trechos selecionados;
Discussão sobre os conceitos de planeta, essência, cuidado e valores.
2- Planejamento artístico
Esboço da escultura;
Definição de materiais.
3- Construção do planeta (base da escultura)
Moldagem em papel machê sobre estrutura circular;
Inserção de crateras e relevos.
4- Construção da figura do Pequeno Príncipe
Estrutura com arame ou papel enrolado;
Camadas em jornal e papel machê;
Definição de postura e movimento.
5- Secagem natural + Pintura e detalhes
Escolha de cores simbólicas;
Inserção de elementos como flor ou estrela.
6- Exposição e reflexão
Apresentação da escultura;
Roda de conversa: “Qual é o essencial do meu planeta?”
INTERDISCIPLINARIDADE:
Arte - Escultura, tridimensionalidade, textura
Literatura - Interpretação da obra
Filosofia - Valores humanos, reflexão
Ciê. Naturais - Sustentabilidade, planeta, ciclo da matéria
Matemática - Forma esférica, proporção
Educação ambiental - Reutilização de materiais
Psicomotricidade - Moldagem, coordenação motora
Educação escoteira - Cuidado com o planeta, empatia e responsabilidade
AVALIAÇÃO:
A avaliação deve ser contínua, observando:
Engajamento nas discussões;
Criatividade e adequação técnica;
Compreensão conceitual da obra;
Participação na construção coletiva;
Capacidade reflexiva e argumentativa;
Autonomia e cooperação.
Pode também incluir autoavaliação: “o que aprendi com o planeta que construí?”
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
A atividade proposta revelou-se uma possibilidade significativa de integração entre arte, literatura e valores humanos, oferecendo aos participantes a oportunidade de refletir sobre a própria existência através de uma experiência estética. A produção artística em papel machê permitiu a representação simbólica de um planeta único, onde o essencial se revela pela textura, pelo gesto e pela intenção de quem cria.
Ao trabalhar O Pequeno Príncipe, compreende-se que a arte pode ser ponte entre mundos internos e externos, promovendo a expressão emocional e a consciência ambiental. A técnica sustentável reforça a mensagem de cuidado com o planeta e com as relações humanas.
Dessa maneira, a escultura torna-se não apenas objeto artístico, mas também veículo pedagógico, terapêutico e cultural.
REFERÊNCIAS:
BARBOSA, Ana Mae. Arte-Educação no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2010.
AUSUBEL, David. A Aprendizagem Significativa. São Paulo: Moraes, 2003.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Diversas edições.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. MEC, 2017.
ESCOTEIROS DO BRASIL. Projeto Educativo do Movimento Escoteiro, 2019.
O Corpo que Dança em Alumínio
Autoria: Renata Bravo
O movimento nasce antes do gesto.
Nasce no sopro que desperta o corpo,
no desejo que faz o músculo vibrar,
no pensamento que inicia a dança silenciosa.
Aqui,
cada escultura é um instante capturado.
Corpos feitos de alumínio,
leveza metálica que desenha a alma
no exato segundo em que ela se revela.
Cada dobra reflete esforço, equilíbrio, entrega.
Cada contorno guarda a tensão do salto,
a fluidez de um giro,
o silêncio de uma respiração.
Não há imobilidade:
há memória de movimento.
Sobre a base colorida,
expandem-se ondas que anunciam energia,
como se o corpo tocasse o chão
e o chão respondesse com arte.
É o traço da vibração,
o eco da presença,
a poesia que nasce quando o corpo se torna forma.
Porque movimento é linguagem,
escultura é permanência,
e arte é o encontro entre o que se sente e o que se vê.
Nesta exposição,
os corpos não estão parados.
Estão em pausa.
No exato instante antes da próxima dança.
O corpo desenha no espaço o que a palavra ainda não aprendeu a dizer.
A escultura, então, fala por ele.
A Terra que Germina Vida
A Terra que Germina Vida
Autoria: Renata Bravo
- Introdução:
O presente trabalho tem como objetivo apresentar um projeto pedagógico inovador que utiliza a representação da Terra com materiais recicláveis e sementes germinativas, estimulando a aprendizagem interdisciplinar e a consciência ambiental. A atividade, representada na imagem que inspira esta monografia, propõe a construção de um “planeta vivo”, unindo ciência, geografia, artes e valores interculturais.
A oficina, denominada “A Terra que Germina Vida”, desenvolve aprendizagens significativas ao favorecer a observação real do ciclo da vida, associada à diversidade cultural e à responsabilidade socioambiental. Baseia-se em metodologias ativas, aprendizado por projetos e educação humanizadora, dialogando ainda com os princípios do Movimento Escoteiro: respeito, cooperação, sustentabilidade e protagonismo juvenil.
- Justificativa:
Vivemos em um contexto de urgência ambiental e crescente intolerância cultural. As crianças, desde os primeiros anos, precisam aprender através de experiências práticas que conectem conhecimento, emoção e ação.
- A atividade proposta:
estimula a reflexão sobre a ocupação dos continentes e sua vegetação;
fortalece o respeito à diversidade cultural;
fomenta o cuidado com o planeta como espaço comum;
promove o contato com elementos naturais e práticas ecológicas.
A imagem trabalhada evidencia crianças manipulando sementes, representando continentes em meio aos oceanos. O crescimento das plantas simboliza a vida que floresce quando bem cuidada.
- Objetivos:
- Objetivo Geral
Propor uma oficina interdisciplinar que promova o conhecimento científico, o respeito intercultural e a conscientização ambiental por meio de atividade prática de germinação de sementes, representando os continentes do planeta Terra.
- Objetivos Específicos:
Identificar continentes e oceanos de forma lúdica.
Observar o processo de germinação das sementes.
Relacionar diferentes culturas com seus hábitos alimentares e vegetação típica.
Desenvolver coordenação motora fina e trabalho em equipe.
Estabelecer vínculo afetivo com o meio ambiente.
Estimular inclusão e participação cooperativa.
Referencial Teórico
- A proposta fundamenta-se em:
Autor/Referência Conceito:
Paulo Freire - Educação transformadora, diálogo cultural.
Loris Malaguzzi (Reggio Emilia) - Criança como protagonista, educação por projetos.
Jean Piaget - Aprendizagem por interação com o meio.
Maria Montessori - Experiências sensoriais e autonomia.
Howard Gardner - Inteligências múltiplas (naturalista, espacial e interpessoal).
BNCC (2018) Campos de Experiência, interdisciplinaridade e sustentabilidade.
Escotismo - Educação pelo exemplo, ação e serviço.
- Metodologia:
Abordagem:
Exploração sensorial (tátil e visual).
Aprendizagem baseada em projetos (ABP).
Experimentação científica (germinação).
Roda de conversa intercultural.
Registro contínuo das observações (desenho, fala ou escrita).
Etapas:
1- Mostra da imagem do planeta e conversa inicial.
2- Pintura da bandeja (oceano).
3- Posicionamento de algodão (continentes).
4- Plantio de sementes por região.
5- Regar diariamente e observar.
6- Associar cada continente a culturas e costumes.
7- Construção de painel final ou exposição.
8- Avaliação e reflexão coletiva.Projeto Pedagógico
- Público-alvo:
Educação Infantil (4 a 6 anos);
Ensino Fundamental I (6 a 10 anos);
Grupo Escoteiro (Filhotes e Lobinhos).
- Duração:
Cerimônia inicial (1 dia) + acompanhamento do crescimento (5 a 10 dias) + apresentação final.
- Planejamento Interdisciplinar:
Área e Desenvolvimento:
Ciências- Germinação, ciclo da vida, cuidado ambiental.
Geografia - Continentes, oceanos, povos.
História/Cultura - Costumes, alimentos típicos, celebrações.
Artes - Construção visual do planeta.
Matemática - Contagem de sementes e medidas de crescimento.
Português - Relatos e registros.
Valores Humanos/Escotismo - Cooperação, empatia, sustentabilidade.
- Recursos;
Bandeja ou forma redonda de metal/plástico.
Tinta azul (água).
Algodão (continentes).
Sementes de crescimento rápido (alpiste, trigo, lentilha).
Borrifador com água.
Imagens de diferentes povos e culturas.
Música internacional para roda intercultural.
- Avaliação:
Avaliação processual e qualitativa:
- Participação na construção do planeta
- Compreensão dos ciclos da natureza
- Interessse por outras culturas
- Cuidado com as sementes
- Registros (fala, desenho ou escrita)
- Cooperação e empatia em grupo
- Resultados Esperados:
As crianças serão capazes de:
entender que todas as culturas ocupam o planeta e dependem da natureza;
identificar que a vida se desenvolve onde há cuidado;
respeitar valores culturais distintos;
praticar atitudes sustentáveis;
perceber-se como agentes responsáveis pela vida na Terra.
- Considerações Finais:
A oficina “A Terra que Germina Vida” propõe um caminho integrador entre conteúdo acadêmico, vivência emocional e consciência socioambiental. A imagem trabalhada simboliza que não há vida possível sem cuidado; e que diversidade e colaboração são fundamentais para o florescimento humano.
Ao germinar sementes nos continentes, as crianças compreendem, de forma concreta e emocional, que somos parte da Terra e corresponsáveis por seu equilíbrio. O projeto contribui não apenas para a aprendizagem escolar, mas também para a formação cidadã, solidária e ambientalmente consciente.
- Referências Bibliográficas:
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. MEC, 2018.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MALAGUZZI, Loris. As Cem Linguagens da Criança. Reggio Emilia.
PIAGET, Jean. A Linguagem e o Pensamento da Criança.
MONTESSORI, Maria. A Mente Absorvente da Criança.
GARDNER, Howard. Estruturas da Mente.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO MOVIMENTO ESCOTEIRO. Método Escoteiro.
UNESCO. Educação para Desenvolvimento Sustentável.
Kabuletê - Sons que conectam culturas
Kabuletê
Sons que conectam culturas
Autoria: Renata Bravo, idealizadora do blog Brincadeira Sustentável
Há sons que não se escutam com os ouvidos,
mas com a pele, com a memória, com a alma.
O kabuletê é um desses.
Gira entre as mãos como quem gira o tempo.
O barulho que nasce do toque das sementes contra o corpo do instrumento
é o eco de muitas vozes - vozes de crianças em brincadeira,
de ancestrais em vigília, de povos em resistência.
Cada fio que prende o barbante,
cada semente que vibra,
cada gesto que conduz o ritmo,
carrega saberes que não se leem em livros,
mas se transmitem pelo ato de fazer, de sentir, de compartilhar.
O kabuletê não pertence a um único lugar.
É ponte entre continentes e gerações.
Alguns dizem que nasceu na África,
outros que veio do Oriente.
Talvez tenha vindo de ambos,
ou talvez tenha surgido do próprio desejo humano
de criar sons para espantar medos
e celebrar a vida.
No Brasil, encontrou solo fértil nas mãos daqueles
que mesmo silenciados, seguiram cantando.
Instrumento de sobrevivência,
de alerta, de culto, de festa.
Mais tarde, tornaria-se brinquedo,
e hoje, renasce como arte, como história, como aula viva.
Nesta exposição, convidamos o público a ouvir
o que os olhos não dizem
e ver o que o som revela.
Convidamos a dançar com as memórias,
a bordar afetos,
a girar o mundo com a palma das mãos.
Aqui, o kabuletê se reinventa:
escultura, fotografia, arte têxtil, pintura, vídeo, instalação.
Grita e canta.
Conta segredos sobre ancestralidade,
sobre liberdade,
sobre o direito de existir em ritmo próprio.
Se a história muitas vezes se escreveu com espada,
aqui se escreve com semente.
Se a cultura tanto já foi calada,
aqui ganha voz, movimento e cor.
Que os sons deste kabuletê
toquem os que passam.
Que despertem em cada visitante o desejo de aprender,
de respeitar, de celebrar as raízes culturais que nos sustentam.
Porque no coração de cada batida
há a certeza de que somos feitos de movimento,
de resistência
e de poesia.
E enquanto o kabuletê gira,
gira também a história,
gira a esperança,
gira o futuro.
Projeto de Exposição Temporária
Proponente: Renata Bravo
Categoria: Exposição temporária artística e histórica
Ano de realização: 2026
Local proposto: Espaço expositivo
JUSTIFICATIVA CULTURAL
A exposição “Kabuletê - Sons que conectam culturas” propõe valorizar o kabuletê, instrumento de percussão tradicionalmente presente em brincadeiras infantis, manifestações populares e práticas afro-brasileiras.
Mais do que um objeto sonoro, o kabuletê representa resistência, ancestralidade e transmissão cultural intergeracional, dialogando com temas caros à Câmara dos Deputados: democracia, diversidade, memória nacional e educação para os valores humanitários.
A exposição conecta arte, história e pedagogia cultural, contribuindo para o debate sobre as matrizes africanas na construção da identidade brasileira, bem como sobre a importância das manifestações populares como patrimônio vivo.
OBJETIVOS
- Valorizar a cultura afro-brasileira por meio da arte e da música
- Evidenciar o kabuletê como patrimônio imaterial educativo
- Promover experiências interativas com foco em cultura, som e movimento
- Estimular o respeito às raízes culturais
- Proporcionar vivências artísticas e educativas ao público visitante
CONTEÚDO EXPOSITIVO
A exposição será dividida em núcleos temáticos:
Núcleo Conteúdo Linguagem
1. O que é o kabuletê História, conceito, origem Painéis + fotografia
2. Som e movimento Instrumentos interativos Instalação sonora
3. Arte contemporânea Kabuletês personalizados por artistas Escultura + arte têxtil
4. Memória e ancestralidade Influência afro-brasileira Linha do tempo ilustrada
5. Kabuletê e educação Produções de crianças e oficinas Fotografias + vídeo
6. Experiência sensorial Espaço para tocar e vivenciar Área interativa
Possibilidades artísticas:
Fotografia (registros culturais e educativos)
Pintura / desenho (interpretações visuais do som)
Colagem e arte têxtil (representando o movimento e cor)
Esculturas de kabuletês gigantes
Instalação sonora com fios, sementes e vibrações
Videodocumentário da construção coletiva do instrumento
PÚBLICO-ALVO
Visitantes (adultos e crianças)
Escolas em visitas institucionais
Projetos educacionais e culturais
Pesquisadores, artistas e sociedade em geral
AÇÕES EDUCATIVAS
- Oficina "Construa seu kabuletê" - com materiais sustentáveis
- Apresentações musicais e coreografias
- Contação de histórias afro-brasileiras
- Roda de conversa: Patrimônio imaterial e educação
- Atividade interativa com ritmo corporal
ACESSIBILIDADE
Textos ampliados e audioguia (com descrição sonora do instrumento)
Interação tátil com materiais (para pessoas com deficiência visual)
Tradução em Libras para placas e vídeos
Atividades com orientação multimodal
VIABILIDADE TÉCNICA
- Estruturas leves (painéis, suportes, cabos de nylon, módulos expositivos)
- Instrumentos de fácil transporte e baixo risco
- Possibilidade de montagem itinerante
- Espaço interativo com supervisão educativa
CRONOGRAMA (estimado)
Etapa Período
Pesquisa histórica e curadoria 2 meses
Desenvolvimento de protótipos/artistas convidados 2 meses
Produção e montagem 1 mês
Exposição 2 a 3 meses
Ações educativas Durante a mostra
Desmontagem 15 dias
ORÇAMENTO (síntese estimada)
Item Valor estimado (R$)
Concepção e curadoria xx
Produção de peças e materiais xx
Montagem xx
Transporte xx
Material educativo e oficinas xx
Acessibilidade xx
Total estimado xx
CONCLUSÃO
A exposição “Kabuletê - Sons que conectam culturas” propõe uma imersão artística, educativa e sensorial. Resgata a memória cultural afro-brasileira e promove o respeito à diversidade por meio da arte e da música.
Trata-se de um projeto viável, impactante e inovador, perfeitamente alinhado aos valores da agenda cultural de 2026.
- Um instrumento simples que ecoa histórias de resistência e alegria.
- Um fio que une passado, presente e futuro.
Jogo da memória tátil (adaptado para deficientes visuais)
O impacto do surto de esclerose múltipla e o fortalecimento de habilidades preexistentes
Introdução Desde muito cedo, percebi que minha forma de experimentar o mundo era diferente da maioria das pessoas. Durante anos, acreditei q...
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Sons que conectam culturas Cartilha Educativa: Conhecendo o Kabuletê Sons que encantam e conectam culturas Autora: Renata Bravo - O que é o ...
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Autora: Renata Bravo - Objetivo pedagógico: Trabalhar o tema insetos e polinização. Desenvolver a coordenação motora fina. Estimular a cria...
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Devido à falta de preparo de profissionais e à escassez de publicações que conciliem bases teóricas e a aplicação prática de metodologias ef...












