PESQUISAS, TECNOLOGIA ASSISTIVA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL DESDE 2013 - CONTATO: RENATARJBRAVO@GMAIL.COM

terça-feira, 7 de abril de 2026

Jogo da memória tátil (adaptado para deficientes visuais)


Devido à falta de preparo de profissionais e à escassez de publicações que conciliem bases teóricas e a aplicação prática de metodologias eficazes, a tarefa de se realizar a inclusão social efetiva de pessoas com deficiências visuais ainda é muito complexa.

A utilização de material cartográfico, entre croquis, plantas e, em especial, maquetes táteis ajudam no desenvolvimento da noção espacial de crianças com alguma deficiência visual. Mais do que isso, por não pautar exclusivamente na teoria, exemplos da aplicação prática de metodologias de inclusão e seus resultados, tomando emprestada a própria vivência --- período de doença degenerativa e recuperação - milagre 

Propostas à aproximação de pessoas com baixa visão ou cegueira dos demais indivíduos numa sociedade; proponho uma reflexão aos leitores acerca de como fatores sociais e culturais são importantes para o desenvolvimento psíquico, motor e cognitivo de crianças e adultos com deficiências visuais.

Abordo a importância da linguagem falada para esse desenvolvimento, bem como para a interação social de crianças.
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Material necessário : 

- Tampas de garrafa pet (com diversas texturas)
- Papelão liso ou ondulado
- Tinta puff ou tinta com relevo











Dicas de como brincar com a criança com deficiência visual 

- Use toques e voz suaves ao se comunicar com a criança que tem deficiência visual, aproximando sua face, do rosto dele, para que ela possa percebê-lo e tocá-lo.

- Conte e cante histórias. Busque mostrar o sentido da vida nas mínimas coisas, faça a criança escutar os sons mais singelos da natureza e sentir a sensibilidade do toque nas plantas, terra, areia, pedras, ...

- Ensine a utilizar os demais sentidos, como a audição e o tato, para se comunicar, como, por exemplo, ouvir o som dos pássaros na praia. Será uma experiência maravilhosa para ele e para quem estiver ensinando, pois haverá momentos em que julgarão que podem se comunicar com as aves. Sua atenção auditiva auxiliará a "enxergar" a natureza tornando-se íntima dela.
- Auxilie a criança a conhecer o próprio corpo com toques enquanto nomeia cada parte tocada. Como auxílio, cante a música "cabeça, ombro, joelho e pé, ..." 
- Incentive que a criança seguir em direção ao som de brinquedos ou da sua voz. É interessante ter brinquedos que emitam sons, como chocalhos, bolas e pelúcias com guizos.
- Brinque com a criança com deficiência visual e incentive que outras pessoas também brinquem e interajam com ela. Assim, ela se tornará mais sociável e receptiva, facilitando os relacionamentos interpessoais.
- Imite os sons que seu bebê faz e crie estímulos para que ele possa imita-lo. Isso auxiliará na comunicação.
- Se o bebê ainda não senta, coloque-o de lado para manusear o brinquedo. Invista em brinquedos com texturas diferenciadas, para estimular o tato e a percepção de diferentes objetos.
- Dê objetos à criança nomeando-os e relacionando às possíveis ações que poderão ser feitas com este item. Exemplo: “A bola. Pegue a bola. Chute a bola. Jogue a bola para cima”.
- Procure usar brinquedos contrastantes, coloridos, luminosos, de diversas texturas e tamanhos.
- Propiciar momentos em que a criança manipule e crie espontaneamente jogos a partir da exploração de objetos concretos.
- Brincadeiras com miniatura de objetos, como animais e meios de transportes, possibilitam que a criança tenha uma melhor compreensão de objetos muito grandes ou impossíveis de serem alcançados (casinha com telhado, elefante, caminhão, avião, fogão, geladeira).
- Vale incentivar brincadeiras infantis com o uso das mãos, como dedo mindinho, seu vizinho; passa anel.
- Em jogos com bola, se não for possível ter uma bola com guizo, envolva a bola com saco plástico, assim ela fará barulho enquanto se desloca.
- Salte para o alto. Com a criança agachada, segure em suas mãos e peça para ela se levantar ”bem forte e bem alto”, ajudando com um leve “puxão“ para cima.
- Jogos, brinquedos e brincadeiras para fazer com as crianças cegas e com baixa visão:
- Brincadeiras de roda: cantigas, parlendas, rimas;
- Meu mestre mandou…Como sugestão, trabalhar o esquema corporal com as crianças, solicitando que coloquem as mãos na cabeça, joelhos, pescoço, cotovelo, barriga, pés, mãos, etc.
- O que é, o que é? Brincar de adivinhação utilizando as mãos para descobrir a textura e formato dos objetos. Materiais como embalagens de xampu, escova de dentes, talheres (colher e garfo), chaves, caneta/ lápis, frutas, etc.
- Vai e vem – Brincar alternando a criança de lugar é um estímulo à coordenação visuomotora
Fantoches/Dedoches – estes brinquedos estimulam a imaginação, linguagem e o pensamento, além de  favorecerem a comunicação e expressão de sentimentos e emoções.
- Blocos de construção: Brincar com blocos favorecem o desenvolvimento da atenção e concentração, associação de formatos  e tamanhos, desenvolvimento de movimentos amplos e finos, coordenação visuomotora e noções de equilíbrio. Estes brinquedos também propiciam à criança a satisfação de inventar, construir, desconstruir e transformar, estimulando a criatividade.
- Massa de modelar – Estimula o desenvolvimento da coordenação motora fina e a criatividade.
- Jogo da velha adaptado – Permite interação com quem não tem deficiência visual.
- Jogo da memória tátil: Utiliza a percepção tátil e a memória para reunir o maior número de peças.
- Manter as brincadeiras que incluam brinquedos diversos como bonecas e carrinhos mantém a brincadeira das crianças que não enxergam com as que enxergam, sentindo-se incluídas.
Outras brincadeiras que retomam a infância dos pais e visa incluir as crianças nos momentos de lazer:
- Estátua;
- Passa anel;
- Centopéia;
- Telefone sem fio.
- Brincadeiras fáceis de produzir:
- Jogo de argolas: Estimula a percepção visuomotora, a identificação de cores para as crianças com baixa visão e a relação número / quantidade.
Confecção: Colocar uma porção de areia no fundo de 10 garrafas descartáveis. Cortar tiras de papel crepom colorido e colocar uma cor em cada garrafa. Recortar números de 1 a 10 em papel preto ou fita adesiva preta e fixar cada número em uma garrafa. As argolas podem ser confeccionadas com tampas de plástico ou anéis de fitas adesivas que encaixem nas garrafas.
- Jogo de boliche: Estimula a percepção visuomotora, a identificação de cores e a relação número x quantidade.
Confecção: Colocar uma porção de areia no fundo de 10 garrafas descartáveis. Cortar tiras de papel crepom colorido e colocar em cada garrafa uma cor.
Recortar números de 1 a 10 em papel preto ou fita adesiva preta e fixar cada número em uma garrafa. As bolas podem ser confeccionadas com meias velhas. E podem ter guizos em seu interior.
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O Jogo da Memória Tátil é uma atividade pedagógica inclusiva que utiliza diferentes texturas para estimular a memória e a percepção tátil, sendo especialmente benéfica para crianças com deficiência visual. A proposta, que desenvolvi, sugere a confecção de peças utilizando materiais como tampas de garrafa PET, papelão e tinta puff ou tinta com relevo. Essas peças devem apresentar diversas texturas que as crianças devem memorizar e associar em pares.

- Objetivos da Atividade:

Estimular a memória e a atenção: A atividade desafia as crianças a lembrarem-se das texturas e suas localizações, promovendo o desenvolvimento da memória de curto prazo.

Desenvolver a percepção tátil: Ao tocar e explorar diferentes superfícies, as crianças aprimoram sua capacidade de identificar e diferenciar texturas.

Promover a inclusão social: Ao adaptar o jogo para deficientes visuais, a atividade contribui para a inclusão de crianças com deficiência, permitindo-lhes participar ativamente das brincadeiras.

- Materiais Necessários:


Tampas de garrafa PET: Servem como base para as peças do jogo.

Papelão liso ou ondulado: Utilizado para criar diferentes texturas nas tampas.

Tinta puff ou tinta com relevo: Aplicada para criar padrões táteis nas tampas.

Tesoura e cola: Para cortar e fixar os materiais.

- Como Jogar:

Preparação das Peças: Crie 10 pares de tampas de garrafa PET, cada uma com uma textura distinta.

Organização das Peças: Disponha as tampas viradas para baixo em uma superfície plana.

Início do Jogo: Uma criança vira duas tampas por vez, tentando encontrar os pares correspondentes.

Objetivo: Memorizar a localização das texturas e formar os pares.

- Dicas para Inclusão:

Comunicação Verbal: Use descrições verbais claras ao orientar as crianças com deficiência visual.

Exploração Guiada: Permita que as crianças toquem as peças antes de iniciar o jogo para familiarizarem-se com as texturas.

Ambiente Acessível: Assegure que o espaço de jogo seja seguro e livre de obstáculos.

Esta atividade não só promove o desenvolvimento cognitivo e sensorial das crianças, mas também reforça a importância da inclusão e da acessibilidade nas práticas pedagógicas.


A medida que se entra no século XXI, tem-se razão para se ser otimista sobre as perspectivas relativas as escolas e uma sociedade mais inclusiva. Este trabalho teve como meta demonstrar que o portador de deficiência visual tem o direito garantido ao convívio social igualitário . Com a participação de professores, funcionários e alunos, pode-se realizar um trabalho para compreender a cidadania como participação social e política, adotando-se, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade e cooperação dentro da comunidade escolar.
Talvez o desafio mais importante para o futuro seja o de tornar as crianças e os jovens capazes de falarem por si próprios, até mesmo desafiarem o sistema, as visões de suas famílias e dos profissionais que trabalham com elas. Esse processo deve começar nas escolas, em parceria com os pais, porque as escolas são agentes da sociedade para a socialização da sua criança. Entretanto, tradicionalmente, elas não têm visto isso como parte do seu papel no apoio aos estudantes na crítica ao sistema ou nas decisões tomadas, através de outros, em seu nome. É preciso-se preocupar em promover a autonomia e o crescimento pessoal, temos que preparar os jovens para confrontar a discriminação e o menosprezo que eles provavelmente encontrarão em um sistema que ainda está engatilhando em direção a uma sociedade inclusiva.
Deve-se tomar como ponto de partida que os professores já têm o conhecimento necessário e as habilidades que os equipam para tal jornada; o que lhes falta, muitas vezes, é a confiança em sua própria habilidade para ensinar de modo inclusivo. É necessário que o professor também trabalhe em escolas comprometidas com a inclusão desses alunos na sociedade.
Este trabalho não teve a pretensão de ditar normas ou apontar soluções quanto ao atendimento prestado pelo profissional a educação ao deficiente visual. Mas, somada a experiência desta pesquisadora aos conhecimentos levantados em bibliografia, foi possível apresentar algumas idéias visando sanar as necessidades de informação na área da deficiente visual na sociedade, e que sirvam de base para reflexão, proporcionando mais elementos para a discussão sobre o deficiente visual.
Dessa forma, a escola terá mais subsídios para o processo de inclusão do deficiente visual.
O objetivo maior da escola é atuar através de todos os seus segmentos para possibilitar a integração das crianças que nela estudam, conduzindo-as para que atinjam o seu pontecial máximo. Este processo deverá ser dosado de acordo com as necessidades de cada criança.
À medida que se vive no século XXI, acredita-se que as perspectivas relativas a escolas e a uma sociedade mais inclusiva deverão ser mais otimistas.
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O som é um agente criador por excelência e por ele somos conectados de outra forma ao mundo objetivo e provocados a desenhar espaços, ações e sensações pela entrega aos olhos de nossos ouvidos ou aos ouvidos de nossos olhos. Ele ilumina todos os elementos de linguagem da nossa vida.

Podemos complementar e recortar poeticamente imagens sonoras sem assumir uma condução narrativa em uma busca simbólica pela visão, os sons da vida e seu valor afetivo, o feio, o belo, o singelo, o detalhe, o desafinado e o melódico.

Como e o que escolhemos perceber ou o quanto de nós olha e vê, sente e se desperta. Do silêncio ao som, do ruído à música, enxergamos mais.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A origem do recorte e da colagem como atividades infantis está ligada a três grandes eixos históricos:

Arte, educação e desenvolvimento infantil. Embora hoje sejam práticas comuns na Educação Infantil, elas nasceram de movimentos culturais e pedagógicos profundos.

1- Raízes antigas: o gesto de recortar e recompor

O ato de recortar e reorganizar imagens é muito mais antigo do que a escola:

China (século II) - Com a invenção do papel, surgem as primeiras silhuetas recortadas (jianzhi), usadas em rituais, festas e narrativas visuais.

Idade Média europeia - Recortes em papel e pergaminho eram usados para ornamentação de manuscritos, ex-votos e imagens devocionais.

Séculos XVII-XVIII - Silhuetas recortadas e colagens decorativas aparecem em álbuns familiares e livros artesanais.

Ainda não eram práticas infantis, mas já traziam a ideia de compor sentido a partir de fragmentos.

2- A colagem na arte moderna: a virada conceitual

O reconhecimento da colagem como linguagem criativa ocorre no início do século XX:

Cubismo (1907-1914) - Picasso e Braque introduzem a colagem artística (papier collé), rompendo com a arte puramente representativa.

Dadaísmo e Surrealismo - A colagem passa a expressar o imaginário, o acaso, o inconsciente e a crítica social.

- Essa revolução artística influenciou diretamente a educação: se o artista cria com fragmentos, a criança também pode criar sem precisar dominar o desenho acadêmico.

3- Entrada na pedagogia: quando vira atividade infantil

Século XIX - Educação sensorial

Friedrich Fröbel, criador do Jardim de Infância, propôs atividades manuais chamadas dons e ocupações.

Recortar, dobrar e colar eram vistos como exercícios de:

coordenação motora fina

percepção espacial

ordem e sequência

Início do século XX - Escola Nova

Educadores passaram a valorizar a expressão espontânea da criança:

Maria Montessori

Introduziu atividades de recorte progressivo para autonomia, concentração e precisão.

Ovide Decroly

Defendeu o uso de imagens recortadas ligadas ao interesse da criança.

John Dewey

Enfatizou o “aprender fazendo”: a colagem como experiência significativa.

O recorte e a colagem deixam de ser mero treino motor e passam a ser linguagem expressiva.

4- Consolidação no século XX: infância, psicologia e arte

Com os estudos do desenvolvimento infantil:

Jean Piaget

A colagem favorece a construção do pensamento simbólico.

Lev Vygotsky

A atividade promove mediação cultural e linguagem visual.

Viktor Lowenfeld (arte-educação)

Defendeu a colagem como forma legítima de expressão artística infantil.

A partir daí, recorte e colagem entram definitivamente nos currículos da Educação Infantil.

5- Por que recorte e colagem são tão importantes para crianças?

Eles unem, numa única atividade:

- desenvolvimento cognitivo

- coordenação motora fina

- percepção visual e espacial

 criatividade sem medo do “erro”

- narrativa visual e simbólica

- autonomia e autoestima

Além disso, permitem que todas as crianças criem, independentemente do nível de desenho.

6- Visão contemporânea

Hoje, o recorte e a colagem são compreendidos como:

linguagem artística

prática interdisciplinar (arte, linguagem, matemática, ciências)

ferramenta inclusiva

meio de expressão emocional

estratégia sustentável (uso de materiais reutilizados)

- Síntese final

O recorte e a colagem como atividades infantis nascem do encontro entre arte moderna, pedagogia ativa e estudos sobre o desenvolvimento da criança, transformando o gesto simples de recortar em uma poderosa forma de pensar, sentir e aprender.











Autora: Renata Bravo 

A seguir apresento o artigo científico com foco em Arte-Educação e Psicomotricidade, mantendo o relato de experiência com análise crítica, adequado para periódicos de Educação, Arte-Educação, Psicomotricidade ou Educação Inclusiva.

Recorte e colagem na arte-educação como práticas psicomotoras inclusivas: um relato de experiência

Resumo

Este artigo analisa as atividades de recorte e colagem sob a perspectiva da Arte-Educação e da Psicomotricidade, a partir de um relato de experiência com abordagem qualitativa e reflexiva. A experiência decorre de um contexto de limitações psicomotoras e perceptivas associadas a um diagnóstico médico de suspeita de esclerose múltipla, que resultou em prejuízos na coordenação motora e na percepção visual. A prática sistemática de recorte e colagem evidenciou-se como uma linguagem artística acessível e um recurso psicomotor potente, favorecendo a reorganização do gesto, da percepção e do pensamento. Os resultados indicam que tais práticas ultrapassam o caráter meramente lúdico, configurando-se como estratégias pedagógicas inclusivas que integram corpo, cognição e expressão simbólica ao longo da vida.

Palavras-chave: Arte-Educação; Psicomotricidade; Recorte e colagem; Educação Inclusiva; Relato de experiência.

1- Introdução

A Arte-Educação, enquanto campo epistemológico, compreende a arte como linguagem, experiência sensível e forma de conhecimento. Associada à Psicomotricidade, amplia-se a compreensão do processo educativo ao reconhecer o corpo como mediador das aprendizagens cognitivas, afetivas e simbólicas. Nesse contexto, práticas artísticas que envolvem o gesto, o manuseio de materiais e a organização espacial tornam-se relevantes para o desenvolvimento integral do sujeito.

O recorte e a colagem, frequentemente associados à Educação Infantil, são práticas historicamente subvalorizadas nos níveis mais avançados da educação. Entretanto, quando analisadas à luz da Arte-Educação e da Psicomotricidade, revelam-se como experiências complexas que mobilizam coordenação motora fina, percepção visual, planejamento da ação e expressão criativa. Este artigo tem como objetivo analisar criticamente o recorte e a colagem como práticas pedagógicas psicomotoras e inclusivas, a partir de um relato de experiência pessoal articulado ao referencial teórico da área.

2- Referencial teórico

2.1 Arte-Educação: a arte como linguagem do pensamento

Segundo autores como Lowenfeld e Brittain (1977), a experiência artística favorece a expressão do pensamento, das emoções e da criatividade, sem a exigência de padrões estéticos pré-definidos. Na Arte-Educação contemporânea, a ênfase desloca-se do produto final para o processo, valorizando o gesto, a experimentação e a construção de sentido.

A colagem, em especial, permite a criação a partir de fragmentos, promovendo reorganizações simbólicas que refletem o modo como o sujeito percebe e reconstrói o mundo.

2.2 Psicomotricidade e integração corpo-mente

A Psicomotricidade compreende o movimento como base da estruturação psíquica e cognitiva (WALLON, 1975). Atividades manuais, como o uso da tesoura e da cola, envolvem coordenação bilateral, controle tônico, lateralidade, percepção espacial e integração visomotora, sendo fundamentais para a organização do gesto e do pensamento.

Sob essa perspectiva, o fazer artístico não é apenas expressivo, mas estruturante do desenvolvimento humano.

2.3 Práticas inclusivas em Arte-Educação

A Arte-Educação apresenta-se como um campo privilegiado para práticas inclusivas, pois admite múltiplas formas de participação e expressão. O recorte e a colagem permitem adaptações, respeitam os ritmos individuais e valorizam as potencialidades do sujeito, alinhando-se a princípios inclusivos e ao Desenho Universal para a Aprendizagem.

3- Metodologia

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo relato de experiência, com análise crítica fundamentada nos referenciais da Arte-Educação e da Psicomotricidade. A experiência decorre de um processo pessoal vivenciado diante de limitações psicomotoras e perceptivas, incluindo prejuízos na coordenação motora fina e episódios de diplopia, associados a um diagnóstico médico de suspeita de esclerose múltipla.

As atividades desenvolvidas consistiram na realização progressiva de práticas de recorte e colagem, com diferentes níveis de precisão, materiais e desafios visuais, sendo analisados os impactos dessas práticas sobre aspectos motores, perceptivos, cognitivos e expressivos.

4- Resultados e discussão

Os resultados evidenciaram melhorias na coordenação motora fina, na integração visomotora e na organização espacial, além do aumento da capacidade de concentração e planejamento da ação. Do ponto de vista da Arte-Educação, observou-se que a colagem possibilitou a expressão simbólica sem a exigência do domínio do desenho, reduzindo frustrações e ampliando a autonomia criativa.

A análise psicomotora indica que o uso contínuo da tesoura e da cola favoreceu a reorganização do gesto e do controle motor, corroborando a ideia de que o movimento é estruturante do pensamento. A experiência problematiza a visão utilitarista ou infantilizada dessas práticas, demonstrando seu potencial educativo em contextos de inclusão e aprendizagem ao longo da vida.

5- Considerações finais

Conclui-se que o recorte e a colagem, enquanto práticas da Arte-Educação, constituem recursos psicomotores inclusivos capazes de integrar corpo, percepção, cognição e expressão simbólica. O relato de experiência analisado evidencia que tais práticas favorecem não apenas o desenvolvimento motor, mas também a construção do sujeito enquanto ser criativo, autônomo e pensante.

Defende-se, portanto, a ampliação do uso do recorte e da colagem em diferentes contextos educacionais, reconhecendo-os como práticas artísticas legítimas e pedagogicamente potentes no campo da Arte-Educação e da Psicomotricidade.

Referências (sugestão)

LOWENFELD, V.; BRITTAIN, W. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar. São Paulo: Moderna, 2003.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 1975.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Faça-se a ... sombra!

Luzes e sombras tem realmente sua poesia. Oscilantes, mais ou menos intensas, elas brincam, sugerem formas, movimentos e até mesmo sensações. Há muito, esse contraste tem sido utilizado para encantar, sentir e fazer sonhar, como acontece no Teatro de Sombras. Não à toa, portanto, crianças são atraídas pelo jogo das luzes e das sombras. Quem trabalha com bebês e crianças bem pequenas sabe como uma fonte de luz pode chamar-lhes a atenção, e como o simples "acende e apaga" se transforma numa divertida brincadeira.


Passo a Passo
1- Recorte o fundo do copo plástico
2- Cole na parte de cima do copo o plástico com durex
3- Faça o desenho no plástico com canetinha ou caneta permanente.
4- Coloque uma lanterna na extremidade contrária ao plástico e mire em uma parede.



A luz e a sombra são elementos fundamentais da linguagem visual. Com elas podemos criar no desenho, na pintura e escultura belíssimos efeitos como o de dilatação do espaço, o de profundidade e o de valorização da parte mais iluminada.












Cartilha Educativa

Faça-se a… Sombra
Autora: Renata Bravo

1- Apresentação

Título: Faça-se a… Sombra!

Introdução:
A luz e a sombra encantam as crianças com seu jogo mágico de contrastes. Formas, movimentos e sensações despertam a imaginação e criam histórias que dançam nas paredes. Esta atividade transforma simples materiais recicláveis em um pequeno espetáculo de criatividade e ciência.

Objetivos:

Sensibilizar para conceitos visuais e percepção espacial através do jogo de luz e sombra.

Estimular criatividade, coordenação motora fina, curiosidade e expressão artística.

Promover o reaproveitamento de materiais simples de forma sustentável.

2- Materiais necessários

Copo plástico transparente ou de uso único (reciclável)

Tesoura sem ponta (ou com supervisão)

Plástico fino transparente (filme plástico ou similar)

Durex ou fita adesiva

Canetinha permanente ou colorida

Lanterna pequena de mão

Parede lisa para projeção (de preferência branca)

3- Passo a passo da atividade

1. Recorte o fundo do copo plástico, criando uma moldura para projeção.

2. Cole no topo do copo um pedaço de plástico transparente usando fita adesiva.

3. Desenhe no plástico com canetinha permanente.

4. Posicione a lanterna atrás do desenho e projete a sombra na parede.

4- Orientações pedagógicas e dicas

Exploração visual: varie a inclinação da lanterna, a distância até a parede e a intensidade da luz para criar efeitos diferentes.

Variedade de desenhos: incentive a criação de animais, formas geométricas, símbolos, letras e silhuetas.

Materiais alternativos: experimente garrafas PET cortadas, papel vegetal ou cartões transparentes.

Inclusão: para crianças com deficiência visual, adicione narrativas orais; para baixa visão, use contraste máximo.

Segurança: sempre com supervisão no uso da tesoura e lanternas.

5- Conexões com competências e habilidades

Criatividade e expressão pessoal: cada desenho é uma obra única.

Coordenação motora fina: recorte, colagem e desenho exigem precisão.

Curiosidade científica: experimentação com luz, reflexão e sombra.

Sustentabilidade: consciência sobre reaproveitamento e impacto ambiental.

6- Avaliação e registro

Fotografe o momento da projeção e a criação das obras.

Estimule perguntas:

“O que mais gostou de ver?”

“Como poderia mudar a forma da sombra?”

“O que acontece quando a luz muda de posição?”

Peça que as crianças desenhem ou contem sobre o que sentiram ao ver suas sombras.

7- Possíveis adaptações

Para crianças de 3 a 6 anos:

Use materiais maiores e já preparados.

Limite a atividade a 10–15 minutos.

Associe com músicas ou histórias.

Para crianças de 7 a 12 anos:

Incentive pequenas histórias com teatro de sombras.

Experimente stop-motion, luzes coloridas ou formas mais complexas.

8- Exemplos visuais e inspirações

Inclua fotos das projeções ou crie um mini-teatro de sombras com materiais reciclados.










segunda-feira, 30 de março de 2026

Inclusão na escola: nunca pense em deficiência, pense em habilidades

A escola é o lugar onde todas as crianças devem pertencer. A inclusão acontece quando deixamos de olhar para o que falta e passamos a enxergar as habilidades que cada estudante possui.

Em atividades interdisciplinares, diferentes formas de aprender se encontram, se completam e enriquecem o processo educativo.

Quando estimulamos os sentidos, respeitamos os ritmos, garantimos acessibilidade e valorizamos os interesses, a qualidade de vida, a aprendizagem e a autoestima melhoram para todos.

Deficiência visual

Quando a visão é reduzida ou ausente, outros sentidos ganham protagonismo: audição, tato e olfato.

Na escola, podem ser incluídos em:

Banda musical escolar (percussão, canto, ritmo, grupo vocal)

Oficinas de música e instrumentos

Contação de histórias e narrativas orais

Atividades táteis (argila, texturas, materiais naturais)

Projetos sensoriais com cheiros, sons e sabores

Habilidades desenvolvidas: sensibilidade auditiva, memória, coordenação, criatividade e expressão musical.

Deficiência auditiva

Aprender não depende apenas do ouvir. O corpo, o olhar e as mãos também ensinam.

Na escola, podem ser incluídos em:

Jogos de tabuleiro (estratégia, matemática, regras)

Artes visuais (desenho, pintura, colagem, fotografia)

Atividades com imagens, mapas e sequências visuais

Dança e expressão corporal

Jogos de mímica e linguagem visual

Habilidades desenvolvidas: raciocínio lógico, atenção visual, cooperação e expressão corporal.

Deficiência intelectual

Cada aluno aprende no seu tempo. Quando o processo é respeitado, o aprendizado acontece com sentido.

Na escola, podem ser incluídos em:

Atividades de pintura, desenho e artes manuais

Música com movimento

Jogos simples e repetitivos

Oficinas práticas (culinária, jardinagem, cuidados)

Trabalhos em grupo e projetos coletivos

Habilidades desenvolvidas: coordenação motora, autonomia, socialização, criatividade e autoestima.

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Existem muitos tipos de autismo. A inclusão começa quando buscamos saber o que interessa e motiva cada pessoa.

Na escola, podem ser incluídos em:

Projetos baseados em interesses (números, animais, música, tecnologia)

Atividades estruturadas e previsíveis

Música, ritmo e sons organizados

Artes visuais, desenho detalhado e pintura

Jogos com regras claras e apoio visual

Habilidades desenvolvidas: foco, organização, criatividade, comunicação e autonomia.

Cadeirantes / deficiência física

A mobilidade reduzida não limita o pensamento, a criatividade nem a participação. Inclusão também é garantir acessibilidade física e atitudes inclusivas.

Na escola, podem ser incluídos em:

Atividades artísticas (pintura, desenho, escultura, colagem)

Música, canto e instrumentos adaptados

Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos

Projetos de tecnologia, robótica e produção digital

Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares

Habilidades desenvolvidas: autonomia, expressão, raciocínio, criatividade, liderança e trabalho em equipe.

Deficiência pode se transformar em habilidade

Quando a escola adapta o ambiente, as práticas e o olhar, surgem:

Talentos antes invisíveis

Novas formas de comunicação

Criatividade ampliada

Vínculos verdadeiros

Aprendizagens profundas

Nunca pense em deficiência. Pense em habilidades.

Porque cada pessoa percebe o mundo de um jeito e todos esses jeitos têm valor.

A Casa dos Sentidos

Na escola havia uma sala diferente.

Não tinha placa,

mas todos a chamavam de Casa dos Sentidos.

Ali, quem não via

escutava o mundo com atenção

e reconhecia os amigos

pelo som dos passos e do riso.

Quem não ouvia

dançava com o chão,

sentindo a música vibrar

nos pés e no coração.

Havia quem se movesse sobre rodas

e ensinasse à escola inteira

que o caminho não está nas pernas,

mas na vontade de chegar.

Havia quem aprendesse devagar,

mas ensinasse rápido

o valor da paciência,

do cuidado

e do tempo certo das coisas.

Havia também quem visse o mundo em detalhes invisíveis,

porque seu olhar nascia de dentro

e enxergava o que ninguém mais via.

Na Casa dos Sentidos,

ninguém era menos.

Cada um era necessário.

E todos aprenderam juntos

que o mundo

não se entende só com os olhos,

nem só com os ouvidos…

O mundo se entende

quando a escola abre espaço

para todas as habilidades existirem. 

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Inclusão na escola: quando a deficiência revela habilidades

Resumo

A educação inclusiva propõe um deslocamento de olhar: sair da lógica da deficiência e reconhecer as habilidades, potencialidades e diferentes formas de aprender. Este artigo discute como a escola pode estimular sentidos, interesses e competências de estudantes com deficiência visual, auditiva, intelectual, transtorno do espectro autista e deficiência física, por meio de atividades interdisciplinares que promovem aprendizagem, participação e qualidade de vida.

1- Introdução

A escola é, por essência, um espaço de diversidade. No entanto, durante muito tempo, estudantes com deficiência foram vistos a partir daquilo que não conseguiam fazer. A perspectiva inclusiva rompe com esse modelo e propõe uma mudança fundamental: não pensar em deficiência, mas em habilidades.

Quando a escola adapta suas práticas, valoriza os interesses individuais e estimula diferentes sentidos, cria-se um ambiente onde todos aprendem, cada um à sua maneira. A inclusão não beneficia apenas quem tem deficiência, mas toda a comunidade escolar.

2- Estímulo sensorial e qualidade de vida

O estímulo dos sentidos é um dos pilares da educação inclusiva. Quando um sentido é reduzido ou ausente, outros podem ser ampliados, promovendo autonomia, bem-estar, aprendizagem significativa e melhora da qualidade de vida.

A escola, por meio de atividades interdisciplinares, tem grande potencial para favorecer essas experiências.

3- Deficiência visual: aprender com o corpo e com o som

Na deficiência visual, os sentidos da audição, tato e olfato tornam-se centrais no processo de aprendizagem.

Possibilidades pedagógicas:

Participação na banda musical escolar, em grupos vocais e percussão

Oficinas de música, ritmo e instrumentos

Contação de histórias, narrativas orais e audiolivros

Atividades táteis com argila, texturas e materiais naturais

Projetos sensoriais envolvendo cheiros, sons e sabores

Essas experiências desenvolvem memória auditiva, coordenação, criatividade e expressão artística, fortalecendo o protagonismo do estudante.

4- Deficiência auditiva: aprender pelo olhar, pelo corpo e pela interação

A aprendizagem não acontece apenas pela escuta. Estudantes com deficiência auditiva utilizam intensamente o campo visual, o tato e a expressão corporal.

Possibilidades pedagógicas:

Jogos de tabuleiro, que envolvem estratégia, matemática e cooperação

Artes visuais: pintura, desenho, colagem e fotografia

Atividades com imagens, mapas mentais e sequências visuais

Dança, teatro e expressão corporal

Jogos de mímica e comunicação visual

Essas práticas estimulam o raciocínio lógico, a atenção, a leitura de imagens e o trabalho em grupo.

5- Deficiência intelectual: respeitar o ritmo e valorizar o processo

Na deficiência intelectual, o foco deve estar no processo de aprendizagem, não apenas no resultado. Respeitar o tempo de cada estudante é essencial para que o aprendizado faça sentido.

Possibilidades pedagógicas:

Atividades de pintura, desenho e artes manuais

Música associada ao movimento

Jogos simples, repetitivos e estruturados

Oficinas práticas como culinária, jardinagem e cuidados cotidianos

Projetos coletivos e trabalhos em grupo

Essas ações promovem coordenação motora, autonomia, socialização e fortalecimento da autoestima.

6- Transtorno do Espectro Autista (TEA): partir do interesse

O autismo não é único; existem muitos espectros e singularidades. A inclusão efetiva começa ao identificar o que interessa e motiva cada pessoa autista.

Possibilidades pedagógicas:

Projetos baseados em interesses específicos (números, animais, música, tecnologia)

Atividades estruturadas, previsíveis e com apoio visual

Música, ritmo e sons organizados

Artes visuais, desenho detalhado e pintura

Jogos com regras claras e mediação adequada

Quando o interesse é respeitado, surgem foco, engajamento, comunicação e autonomia.

7- Deficiência física e cadeirantes: acessibilidade e participação

A mobilidade reduzida não limita a capacidade cognitiva, criativa ou social. A inclusão de estudantes cadeirantes passa pela acessibilidade física, adaptações pedagógicas e atitudes inclusivas.

Possibilidades pedagógicas:

Atividades artísticas adaptadas

Música, canto e instrumentos acessíveis

Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos

Projetos de tecnologia, robótica e produção digital

Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares

Essas práticas favorecem autonomia, liderança, expressão e trabalho colaborativo.

8- A escola como espaço de transformação

Quando a escola adapta o ambiente, flexibiliza metodologias e amplia seu olhar, a deficiência deixa de ser vista como limitação e passa a ser compreendida como uma forma diferente de estar no mundo.

A educação inclusiva revela talentos, fortalece vínculos e ensina valores como empatia, respeito e cooperação.

9- Considerações finais

Pensar inclusão é pensar em humanidade.

É reconhecer que todos aprendem, ainda que não aprendam do mesmo jeito.

As circunstâncias podem ser diferentes, mas o potencial humano sempre encontra um jeito de florescer.

Porque uma escola inclusiva não prepara apenas estudantes, prepara uma sociedade mais justa, sensível e plural.


A Arte de Recortar o Essencial: o legado de Henri Matisse




Na correria do dia a dia, muitas vezes acreditamos que criar depende de muitos recursos, materiais sofisticados ou técnicas complexas. No entanto, a obra de Henri Matisse nos convida a olhar em outra direção: a da simplicidade que revela o essencial.

Na década de 1940, já enfrentando limitações físicas, o artista reinventou sua forma de produzir arte. Em sua série Jazz, ele passou a “desenhar com a tesoura”, recortando papéis pintados com guache e criando composições vibrantes, cheias de ritmo e movimento. As formas parecem dançar no espaço, como se a cor ganhasse vida própria.

Inspiradas pelo universo do circo, do teatro e da música, especialmente o jazz, suas obras traduzem energia, improviso e liberdade. Cada recorte carrega intenção, cada composição revela um olhar atento ao que realmente importa.

Mais do que uma técnica, Matisse nos oferece um ensinamento profundo: simplificar não é reduzir é descobrir.

Ao trabalhar com poucos elementos, ele nos mostra que a criatividade floresce quando damos espaço ao essencial. Esse olhar pode transformar não apenas a arte, mas também a forma como vivemos, aprendemos e ensinamos.

Em tempos de excesso, sua obra permanece atual e necessária. Talvez criar seja, antes de tudo, um exercício de escolha: o que fica, o que sai e o que, de fato, merece permanecer.

Plano de aula 

A proposta desta aula é estimular a criatividade e a expressão artística das crianças por meio da técnica de colagem com recortes, inspirada no trabalho de Henri Matisse. A atividade é indicada para a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental, com duração aproximada de 50 minutos a 1 hora.

A aula pode ser iniciada com uma conversa breve e acessível sobre o artista, destacando que, em determinado momento de sua vida, ele passou a criar obras utilizando apenas papel, cor e tesoura. O educador pode instigar a curiosidade das crianças com perguntas como: “É possível desenhar sem lápis?” ou “Como podemos criar usando apenas recortes?”.

Em seguida, são apresentados diferentes tipos de papéis, preferencialmente já disponíveis no ambiente escolar, como revistas, embalagens, papéis coloridos e outros materiais. As crianças são convidadas a explorar livremente esses elementos, escolhendo cores, texturas e formatos.

A atividade principal consiste na criação de uma composição artística a partir de recortes livres. Sem o uso de moldes prontos, as crianças recortam formas espontâneas e organizam suas produções sobre uma base de papel, experimentando combinações, sobreposições e diferentes formas de organização.

Durante o processo, o educador acompanha e incentiva, valorizando as escolhas individuais e promovendo reflexões por meio de perguntas como: “O que essa forma parece?” ou “Como você decidiu colocar essas cores juntas?”. O foco está no processo criativo, e não em um resultado padronizado.

Ao final, é proposto um momento de partilha, no qual as crianças apresentam suas produções e falam sobre suas criações. Esse momento favorece a expressão oral, a escuta e o respeito pelas diferentes formas de expressão.

A avaliação ocorre de maneira contínua e qualitativa, considerando o envolvimento, a participação, a experimentação e a capacidade de expressão de cada criança.

Como continuidade, o educador pode organizar uma exposição das produções, valorizando o trabalho realizado e ampliando o contato das crianças com a arte.




RECICLAR É IMPORTANTE, MAS QUESTIONAR É ESSENCIAL

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