Há quem atribua a origem dos barcos dentro de garrafas exclusivamente aos marinheiros, mas a história dessa curiosa arte é ainda mais antiga. Seus primeiros registros surgem nos primórdios do século XVI, nas chamadas “garrafas de paciência”, peças que traziam em seu interior cenas religiosas e simbólicas, montadas com extremo cuidado.
Com o passar do tempo, essa técnica chegou às mãos dos marinheiros. Durante longas viagens marítimas, o tempo livre era grande e os recursos eram poucos. Assim, criar tornou-se uma forma de passar o tempo, aliviar a saudade e exercitar a concentração. As garrafas passaram então a abrigar barcos, cenas portuárias e paisagens marítimas, sempre relacionadas ao universo do mar.
Não se sabe exatamente quem foi o primeiro a colocar um barco dentro de uma garrafa, nem quando isso aconteceu. No entanto, existe um exemplar histórico guardado no Museu de Lübeck, na Alemanha, datado de 1784, considerado um dos mais antigos registros dessa prática.
Os marinheiros utilizavam materiais simples e disponíveis a bordo, como madeira, osso e marfim, esculpidos manualmente. Nos finais do século passado, essa arte evoluiu, tornando-se mais elaborada, com cenas completas de portos, faróis e atividades marítimas, revelando grande habilidade técnica e criatividade.
Mas afinal, como o barco entra na garrafa?
Essa é a pergunta que mais desperta curiosidade e a resposta é um excelente exemplo de engenho e paciência.
O barco não é colocado inteiro dentro da garrafa. Ele é construído fora, com partes móveis. Os mastros e velas são dobráveis, presos por fios. O casco entra primeiro pelo gargalo da garrafa. Depois, com o auxílio de pinças, varetas longas e muita precisão, o barco é posicionado no interior.
Quando tudo está no lugar, o artesão puxa cuidadosamente os fios, fazendo com que os mastros se levantem e as velas se abram, formando o barco completo. Por fim, os fios são cortados, e a garrafa é fechada, sem nenhum corte ou colagem visível.
Essa técnica transforma o que parece impossível em realidade e ensina importantes lições: planejamento, paciência, coordenação motora fina e criatividade. Mais do que um objeto decorativo, o barco dentro da garrafa é um verdadeiro exercício de arte, ciência e imaginação.