*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.
A tese que fundamenta este blog parte de uma ideia simples e duradoura: a infância, o brincar, a cultura, a natureza e as relações humanas constituem dimensões essenciais da formação do indivíduo e da construção da vida em sociedade. Embora os contextos históricos, as tecnologias e os modos de viver se transformem, essa base permanece atual. Por isso, não se trata de uma tese vinculada a uma época específica, mas de uma perspectiva que atravessa gerações e continua encontrando sentido sempre que uma criança brinca, aprende, cria, convive e estabelece sua relação com o mundo.

A INFÂNCIA EM TRÂNSITO: MEMÓRIA, CULTURA E FUTURO

sábado, 19 de julho de 2014

Transforme vidas com maracas





Maracas Recicladas: Música, Reutilização e Inclusão

Transformar materiais simples e que seriam descartados em instrumentos musicais é uma maneira criativa de aproximar arte, música, sustentabilidade e educação. As maracas recicladas podem ser confeccionadas com diferentes materiais e permitem explorar sons, ritmos, movimentos e possibilidades de expressão, ao mesmo tempo em que despertam o olhar para a reutilização.

Para confeccionar uma maraca, podemos utilizar uma lata, um pedaço de cano, grão-de-bico ou arroz, fita crepe e tinta. Outra possibilidade é aproveitar uma garrafa PET, tampas de garrafa PET e fita adesiva. A escolha dos materiais pode variar de acordo com a disponibilidade e com a proposta da oficina. O importante é garantir que o recipiente esteja bem fechado, evitando que os grãos possam escapar.

Depois de preparar a estrutura, chega o momento de personalizar o instrumento. A pintura e os elementos decorativos permitem que cada participante deixe sua marca na criação. Assim, a maraca deixa de ser apenas um objeto sonoro e passa a representar uma experiência de criação, descoberta e expressão.

Na Oficina Artística e no Projeto Musical com Maracas Recicladas, a atividade pode ser adaptada para diferentes públicos, respeitando os ritmos, as necessidades e as possibilidades de cada participante.

Para crianças com autismo, a previsibilidade pode favorecer a participação. A atividade pode ser apresentada por meio de uma sequência visual, utilizando imagens ou pictogramas que mostrem cada etapa da construção. Antes de começar, uma pequena história social pode explicar o que acontecerá: hoje vamos criar um instrumento musical chamado maraca, vamos escolher os materiais, decorar e depois tocar juntos.

Também é importante observar a quantidade de estímulos presentes no ambiente. Sons muito intensos ou simultâneos podem ser desconfortáveis para algumas crianças, por isso é interessante oferecer um espaço tranquilo para pausas e, quando necessário, recursos que auxiliem no conforto auditivo. Dar possibilidades de escolha, como selecionar o tipo de grão, a decoração ou o ritmo que deseja tocar, contribui para a autonomia e para o envolvimento com a atividade.

No momento musical, ritmos previsíveis e repetitivos podem facilitar a participação. As maracas também podem ser utilizadas como instrumentos de exploração sensorial, permitindo que a criança perceba diferentes intensidades, velocidades e padrões sonoros. Músicas acompanhadas de movimentos simples e repetitivos podem ampliar a experiência, transformando o instrumento em uma ponte entre som, corpo e expressão.

Com idosos que vivem com Alzheimer, a atividade pode assumir outro caminho, valorizando principalmente a memória afetiva, a música e a convivência. É importante trabalhar em um ritmo mais tranquilo, utilizando explicações simples, repetição e uma sequência reduzida de ações. Quando necessário, um cuidador ou voluntário pode acompanhar o participante durante a construção.

A escolha das músicas pode ser especialmente significativa. Canções conhecidas, como boleros, forrós, sertanejo de raiz ou outras músicas que fizeram parte da história dos participantes, podem despertar lembranças e favorecer a comunicação. A maraca passa, então, a ser muito mais do que um instrumento: torna-se um elemento capaz de aproximar passado e presente por meio da música.

Os materiais também podem ser escolhidos considerando o conforto tátil e auditivo de cada participante. Sons muito agudos ou intensos devem ser evitados quando causarem desconforto. A atividade pode ser organizada em poucas etapas, permitindo que cada encontro tenha um objetivo simples e possível de realizar.

Durante a oficina, conversar sobre as cores escolhidas, os sons produzidos, as músicas conhecidas e as lembranças despertadas pela experiência cria oportunidades de estimulação cognitiva e interação social. Uma roda de canções conhecidas, acompanhada pelas maracas confeccionadas pelo próprio grupo, pode transformar o encontro em um momento de participação, alegria e pertencimento.

A força dessa proposta está justamente na sua simplicidade. Uma garrafa PET, algumas tampas, uma lata, alguns grãos e um pouco de criatividade podem se transformar em instrumentos capazes de produzir sons, provocar movimentos e criar encontros.

Quando a reciclagem encontra a arte e a música encontra a inclusão, o material deixa de ser apenas matéria. Ele se transforma em experiência, expressão e memória.

Reutilizar também é criar possibilidades. E quando todos podem participar, a música se transforma em uma linguagem de pertencimento.

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