INSPIRADO EM HEIDEGGER, BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL (POR RENATA BRAVO), NÃO SE APRESENTA COMO UM CONTEÚDO A SER DECORADO, MAS COMO UMA EXPERIÊNCIA A SER DIGERIDA, VIVIDA E INCORPORADA.

RECICLAR É IMPORTANTE, MAS QUESTIONAR É ESSENCIAL

domingo, 18 de janeiro de 2026

Capoeira e berimbau: o som que guia a capoeira

A capoeira é uma excelente atividade física e de uma riqueza sem precedentes para ajudar na formação integral do aluno. Ela atua de maneira direta sobre a criança, nos aspectos cognitivo, afetivo e psicomotor.

A sua riqueza está nas várias formas de ser contemplada na escola, onde o aluno, através de sua prática ordenada, poderá assimilá-la e, assim, atuar nas linhas com as quais mais se identificar.

Socialmente, é muito rica, pois a criança está sempre brincando, se desenvolvendo e ajudando o amigo a crescer.

Por meio dos movimentos rápidos da capoeira, é possível controlar a agressividade e proporcionar harmonia entre o corpo e a mente


A capoeira na educação infantil pode trazer vários benefícios para o desenvolvimento das crianças, como a coordenação motora, a autoconfiança e o pensamento crítico.

Coordenação motora
A capoeira usa todo o corpo, o que ajuda a desenvolver a coordenação motora
A capoeira ajuda a melhorar o equilíbrio, a flexibilidade e a agilidade
A capoeira ajuda a desenvolver a percepção corporal

Autoconfiança

A capoeira ajuda a superar a timidez e a desenvolver confiança
A capoeira ajuda a desenvolver a autoconfiança na realização dos movimentos

Pensamento crítico

A capoeira ajuda a desenvolver o pensamento crítico
A capoeira ajuda a desenvolver a capacidade de resposta rápida diante de cada situação

Convivência e respeito

A capoeira ensina a conviver e a respeitar o próximo
A capoeira promove a igualdade das relações

Saúde

A capoeira pode ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade
A capoeira pode ajudar a dar coragem e controle emocional
A capoeira pode ajudar a prevenir doenças e a manter o bom funcionamento corporal

A capoeira também pode envolver aspectos lúdicos, artísticos, estéticos e musicais

Agogô

Instrumentos musicais que vão acrescentar motivação à prática  da capoeira.

Berimbau: o som que guia a capoeira

O berimbau é um instrumento musical simples na forma, mas riquíssimo em significado cultural. Ele é o coração da capoeira, responsável por marcar o ritmo, orientar os movimentos e definir o estilo do jogo.

O que é o berimbau?

O berimbau é um instrumento de corda percutida, tradicional da cultura afro-brasileira. Apesar de sua aparência simples, ele exige técnica, sensibilidade e escuta atenta para ser tocado.

Do que ele é feito?

O berimbau é composto basicamente por:

Um pedaço de pau (verga), geralmente feito de biriba

Um pedaço de arame, normalmente reaproveitado de pneus

Uma cabaça, que funciona como caixa de ressonância

Uma baqueta (vareta de madeira)

Um dobrão ou pedra, usado para variar os sons

Um caxixi, pequeno chocalho que acompanha o toque

Essa combinação mostra como a criatividade e o reaproveitamento de materiais sempre estiveram presentes na cultura popular.

Berimbau e capoeira

Na roda de capoeira, o berimbau comanda tudo:

Define o ritmo do jogo

Indica se o jogo será mais lento ou mais rápido

Organiza a entrada e saída dos jogadores

Existem diferentes tipos de toque e até diferentes tipos de berimbau (gunga, médio e viola), cada um com sua função na roda.

Usado também por músicos

Embora seja símbolo da capoeira, o berimbau também é usado por músicos em diversos estilos, como:

Música popular brasileira (MPB)

Jazz

Trilhas sonoras

Música experimental

Seu som único, metálico e profundo chama atenção e traz identidade brasileira às composições.

Mais que um instrumento

O berimbau é mais do que um instrumento musical. Ele representa:

Resistência cultural

Herança africana no Brasil

Criatividade popular

Educação por meio da música e do corpo

Ensinar sobre o berimbau é valorizar a história, a cultura e a diversidade do nosso país.


sábado, 17 de janeiro de 2026

O avião: um sonho que ganhou asas






O avião: um sonho que ganhou asas

Tomar um chá da tarde hoje e ver um avião cruzando o céu parece algo comum. Mas esse gesto cotidiano carrega uma história fascinante de invenção, coragem e disputa de ideias.

Desde muito tempo, o ser humano sonha em voar. Esse sonho começou a se tornar realidade no início do século XX, quando diferentes inventores passaram a experimentar máquinas mais pesadas que o ar.

Santos Dumont e o voo com decolagem própria

No dia 23 de outubro de 1906, em Paris, Alberto Santos Dumont realizou um feito histórico: voou com o 14-bis sem precisar de trilhos, rampas ou catapultas.

- O avião decolou por meios próprios, apenas com o motor e o impulso das rodas.
- O voo foi público, testemunhado e registrado oficialmente.
- Por isso, Santos Dumont é reconhecido por muitos países como o Pai da Aviação.

A França teve papel importante nesse reconhecimento, pois foi lá que o voo ocorreu e onde a aviação começou a se desenvolver rapidamente.

Irmãos Wright e os testes nos Estados Unidos
Antes disso, em 1903, os irmãos Wright realizaram voos experimentais na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

- Esses voos aconteceram no Hemisfério Norte, em áreas isoladas.
- Utilizavam catapultas para auxiliar a decolagem.
- Foram testes importantes, mas sem o mesmo caráter público e autônomo do voo de Santos Dumont.

Motores e desafios técnicos

No início da aviação, os motores ainda eram um grande desafio.
Havia experiências com motores a vapor, mas eles eram pesados e pouco eficientes. O avanço dos motores a combustão foi decisivo para que os aviões ganhassem mais autonomia, velocidade e segurança.

Como acontece a aterrizagem?

Assim como a decolagem, a aterrizagem também exigiu muitos estudos:

- Redução gradual da velocidade
- Controle das asas e do ângulo de descida
- Contato suave das rodas com o solo

Esses princípios continuam sendo usados até hoje, com tecnologias muito mais avançadas.

Do 14-bis aos aviões modernos

Depois do 14-bis, surgiram vários modelos de aviões, cada vez mais eficientes. A aviação evoluiu para o transporte de passageiros, cargas, missões científicas e até exploração espacial.

O que começou como um sonho ousado se transformou em um dos maiores avanços da humanidade.

Conclusão:

O avião não é apenas uma máquina:
é resultado da criatividade humana, da observação científica e da coragem de inventores que acreditaram que voar era possível.

E toda vez que olhamos para o céu, lembramos que esse sonho começou com pessoas que ousaram tentar.

Performance percussiva com palmas e estalar dos dedos

Educação Infantil: aprender com o corpo e o brincar

Na Educação Infantil, o corpo é a principal ferramenta de aprendizagem. É por meio do movimento, do som e da brincadeira que a criança se expressa, se comunica e constrói conhecimento. Nesse contexto, a performance percussiva com palmas e estalar dos dedos se apresenta como uma prática simples, acessível e extremamente rica pedagogicamente.

O corpo como instrumento de descoberta

Antes de qualquer instrumento musical, a criança descobre que pode produzir sons com o próprio corpo. Palmas e estalos fazem parte do cotidiano infantil e, quando intencionalmente explorados, ajudam a criança a:

Perceber ritmo e tempo

Reconhecer o silêncio como parte da música

Desenvolver coordenação motora

Ampliar a escuta e a atenção

Tudo isso acontece de forma natural, respeitando o tempo e o jeito de cada criança.

Aprender brincando, aprender em grupo

As atividades rítmicas com palmas e estalos favorecem:

A socialização e o trabalho coletivo

O respeito à vez do outro

A concentração e a memória

A expressão corporal e emocional

A criança aprende que o som do grupo depende da escuta e da cooperação.

Uma prática alinhada à BNCC

Essa proposta dialoga diretamente com os Campos de Experiência da BNCC, especialmente:

Corpo, gestos e movimentos

Traços, sons, cores e formas

O eu, o outro e o nós

Escuta, fala, pensamento e imaginação

A música corporal amplia vivências sensoriais e estéticas, essenciais na infância.

Como desenvolver em sala de aula

O trabalho pode acontecer em pequenos momentos do dia:

Exploração livre de sons com as mãos

Jogos de imitação rítmica

Criação coletiva de sequências simples

Organização de uma pequena performance

Vivência e apreciação, sem cobranças ou correções

O foco está no processo, não no resultado final.

Sustentável, inclusiva e acessível

Por não exigir materiais, essa prática:

Pode ser realizada em qualquer espaço

Inclui todas as crianças

Valoriza o corpo e o brincar

Reforça uma educação sensível e sustentável

É música feita com o que a criança já tem: ela mesma.

Considerações finais

A performance percussiva com palmas e estalar dos dedos mostra que educar é criar oportunidades de expressão, escuta e movimento. Gestos simples se transformam em experiências significativas quando a escola reconhece o corpo da criança como lugar de aprendizagem.

Um convite para que a música esteja presente na rotina escolar de forma viva, lúdica e respeitosa com a infância.



Música com som de durex (fita adesiva): brincar, ouvir e criar

Você já parou para ouvir o som de uma fita adesiva sendo puxada, colada ou descolada?

Aquilo que normalmente passa despercebido no dia a dia pode se transformar em instrumento musical, fonte de curiosidade e muita imaginação para as crianças.

Na infância, ouvir é tão importante quanto tocar. Explorar sons não convencionais amplia a escuta, estimula a criatividade e mostra que a música pode nascer de qualquer lugar até de um simples rolinho de fita adesiva.

- Descobrindo os sons do durex

O durex oferece uma variedade surpreendente de timbres:

Puxar devagar: som contínuo, áspero, quase como um “ziiiip”.

Puxar rápido: pequenos estalos rítmicos.

Colar e descolar: sons secos e divertidos.

Amassar a fita: ruídos suaves, lembrando papel ou vento.

Cada gesto cria um som diferente, convidando a criança a experimentar, comparar e escolher.

- O durex como instrumento musical

Em atividades musicais, o durex pode ser usado como:

instrumento de percussão rítmica

efeito sonoro para histórias e cantigas

base para músicas experimentais infantis

estímulo para improvisação e criação coletiva

O mais importante não é o resultado final, mas o processo de escuta e invenção.

- Pensando uma música infantil com sons de durex

Tema da música

“O Som que Cola”

Uma canção divertida sobre descobrir sons escondidos nos objetos do cotidiano.

Estrutura sugerida

Introdução sonora: crianças puxando o durex lentamente (som contínuo).

Refrão: estalos rápidos de durex marcando o ritmo.

Versos: voz + pequenos efeitos sonoros (colar, descolar, amassar).

Letra simples (exemplo)

O som que cola, cola no ar

Ziiip, ziiip, vamos escutar

Puxa devagar, puxa rapidinho

Todo som vira música no caminho

(Refrão com estalos de durex)

Tac, tac, ziiip!

O som faz rir

Tac, tac, ziiip!

Vamos descobrir!

Combinações possíveis

Durex + palmas

Durex + xilofone infantil

Durex + voz (grave/aguda)

Durex como resposta sonora à canção

- Aprender brincando

Criar música com sons de durex reforça a ideia de que:

não é preciso instrumento caro para fazer música

qualquer objeto pode virar fonte de som

brincar também é investigar, ouvir e criar

É música, é brincadeira, é infância em estado puro.


Fenômenos do som na música: muito além do sustain

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Quando falamos de música, muitas vezes pensamos apenas na nota ou na melodia. Mas o som é um fenômeno vivo, cheio de nuances. O sustain, o tempo que um som permanece audível é apenas um deles.

Explorar outros fenômenos sonoros ajuda crianças a escutar melhor, criar com mais liberdade e compreender a música como experiência sensorial, física e emocional.

- Alguns fenômenos sonoros importantes:

- Ataque (Attack)

É o nascimento do som. Alguns surgem de repente (palma, tambor), outros crescem aos poucos (voz cantada, arco no violino).

- Decaimento (Decay)

O momento em que o som começa a perder força após o ataque.

- Release (Liberação)

Como o som desaparece depois que paramos de tocar.

- Timbre

A “cor” do som. É por isso que um xilofone, uma flauta doce e um kazoo soam diferentes, mesmo tocando a mesma nota.

- Ressonância

Quando o som vibra e se amplia dentro de um objeto ou espaço, como uma caixa, uma garrafa ou uma lata.

- Vibrato e Tremolo

Pequenas variações que dão vida ao som, seja na altura (vibrato) ou no volume (tremolo).

Para as crianças, perceber esses fenômenos é mais importante do que aprender nomes difíceis. O essencial é ouvir, sentir, experimentar e brincar com o som.

- Atividade Prática com Crianças

Descobrindo os Fenômenos do Som Brincando

- Faixa etária:

Educação Infantil e início do Ensino Fundamental

(adaptável para diferentes idades)

- Objetivos:

Desenvolver escuta atenta

Explorar fenômenos sonoros além do sustain

Estimular criatividade e percepção musical

Trabalhar ciência do som de forma lúdica

Valorizar materiais simples e reutilizáveis

- Materiais (simples e sustentáveis):

Garrafas plásticas vazias

Caixas de papelão

Latas

Grãos (arroz, feijão, milho)

Elásticos

Colheres de madeira

Instrumentos de brinquedo (xilofone, kazoo, flauta doce, cornetas)

- Etapas da Atividade

1- O nascimento do som (Ataque)

Peça para as crianças:

bater palmas fortes e fracas

sacudir um chocalho de uma vez ou devagar

- Pergunta-guia:

“Esse som nasceu rápido ou devagar?”

2- O corpo do som (Sustain e Decaimento)

Toque uma nota longa no xilofone

Compare com um tambor ou palma

- Pergunta-guia:

“Qual som dura mais?”

3- Onde o som mora? (Ressonância)

Bata levemente em:

caixa vazia

caixa com papel

caixa com grãos

- Descoberta:

O som muda conforme o espaço interno do objeto.

4- A cor do som (Timbre)

Toque o mesmo ritmo em:

lata

madeira

plástico

- Pergunta-guia:

“Qual som é mais alegre? Mais grave? Mais suave?”

5- O som brinca! (Vibrato e Tremolo)

Balance levemente a mão ao tocar

Experimente cantar uma nota “tremendo”

- Vivência corporal do som, sem teoria pesada.

- Encerramento criativo

Proponha que as crianças:

criem um nome para o som

desenhem o som (linhas, cores, formas)

contem como o som fez o corpo se sentir

- Conclusão pedagógica

Explorar fenômenos sonoros é ensinar que:

não existe só “certo ou errado” na música

o som é matéria, movimento e emoção

escutar é tão importante quanto tocar

Essa abordagem fortalece:  

musicalidade

percepção

coordenação

vínculo com o mundo e com os materiais

ATAQUE (ATTACK) - O NASCIMENTO DO SOM

Todo som nasce de um gesto.

O ataque é o momento exato em que o som começa.

Uma palma forte tem ataque rápido.

Uma nota cantada suavemente tem ataque lento.

Na infância, perceber o ataque é perceber o início da ação: o bater, o soprar, o tocar.

Instrumentos de brinquedo e materiais simples deixam o ataque muito claro, ajudando a criança a entender que o som começa no corpo.

- Escutar o ataque é aprender a prestar atenção ao começo das coisas.

DECAY - O SOM QUE SE TRANSFORMA

Depois de nascer, o som muda.

O decay é o momento em que ele começa a perder força.

Bata em um tambor:

o som não some de uma vez, ele vai se transformando.

Esse fenômeno ensina que: 

- o som é movimento

- nada é estático

- tudo está em transformação

Na educação musical, o decay ajuda a criança a perceber o tempo do som, não só sua altura.

RELEASE - QUANDO O SOM SE DESPEDE

O release é a forma como o som termina.

Alguns sons param de repente.

Outros se despedem devagar, como um eco distante.

Explorar o release é ensinar que:

o silêncio também faz parte da música

finalizar é tão importante quanto começar

- Música também é aprender a deixar ir.

TIMBRE - A COR DO SOM

O timbre é o que faz um som ser ele mesmo.

Uma nota no xilofone não soa igual à mesma nota na flauta ou no kazoo.

Isso acontece por causa do timbre, a cor sonora.

Na infância:

timbre é descoberta

timbre é identidade

timbre é diversidade

Não existe som feio.

Existe som diferente.

- Trabalhar timbre é trabalhar respeito às diferenças.

HARMÔNICOS - OS SONS DENTRO DO SOM

Todo som carrega outros sons dentro dele.

Eles se chamam harmônicos.

São eles que fazem um som ser: 

- brilhante

- suave

- metálico

- aveludado

Mesmo sem saber o nome, a criança sente os harmônicos.

- Ouvir harmônicos é aprender que nada vem sozinho, tudo é conjunto.

RESSONÂNCIA - QUANDO O SOM GANHA CORPO

A ressonância acontece quando o som vibra dentro de algo.

Uma caixa vazia soa diferente de uma caixa cheia.

Uma garrafa amplia o som da voz.

Aqui, a criança descobre que: 

- o som ocupa espaço

- o ambiente participa da música

Música não mora só no instrumento -

ela mora no mundo.

VIBRATO - O SOM QUE RESPIRA

O vibrato é uma pequena ondulação no som.

Muito comum na voz, ele faz a nota parecer viva, como se respirasse.

Explorar vibrato com crianças é permitir:

liberdade vocal

expressão emocional

escuta do próprio corpo

- Um som reto informa.

Um som com vibrato comunica.

TREMOLO - O SOM QUE PULSA

O tremolo é a variação rápida de intensidade.

É o som que treme, vibra, pulsa.

Em instrumentos simples, como chocalhos ou cordas, o tremolo surge naturalmente com o movimento da mão.

Ele ensina ritmo interno e coordenação.

- Tremolo é o coração batendo dentro da música.

GLISSANDO - O SOM QUE ESCORRE

O glissando é quando o som escorrega de uma nota para outra.

É o oposto do som “quadrado”.

É o som livre, contínuo.

As crianças adoram porque:

parece brincadeira

parece desenho sonoro

parece movimento

- Glissando ensina que o caminho importa tanto quanto o destino.

REVERBERAÇÃO - O SOM QUE FICA NO AR

A reverberação é o som refletido no espaço.

Uma igreja, uma sala vazia, um corredor, todos mudam o som.

Aqui a criança percebe:

- que o espaço escuta

- que o ambiente responde

Música é diálogo entre som e lugar.

- Encerramento da série

Ensinar música não é ensinar apenas notas.

É ensinar a escutar fenômenos, perceber o invisível e brincar com o som como matéria viva.

Essa abordagem: 

- amplia a criatividade

- desenvolve atenção

- respeita o tempo da infância

Sustain na Música: Aprender Ouvindo a Natureza

 Você já reparou que alguns sons duram mais tempo do que outros? Esse fenômeno musical tem nome: sustain. Na educação musical infantil, compreender o sustain é uma experiência sensível, divertida e cheia de possibilidades, especialmente quando conectamos música, natureza e sustentabilidade.

O que é Sustain?

Sustain é o tempo que um som continua audível depois de ser produzido.

Em outras palavras, é o quanto o som “fica no ar” antes de desaparecer.

Sons com sustain longo permanecem vibrando por mais tempo.

Sons com sustain curto desaparecem rapidamente.

Essa percepção ajuda a criança a desenvolver escuta, atenção e consciência sonora.

- Sustain na Educação Musical

Trabalhar o sustain na infância vai muito além da música. Ele contribui para:

Desenvolvimento da escuta ativa

Compreensão de tempo e silêncio

Exploração de emoções através do som

Respeito ao ritmo próprio das coisas

Quando a criança percebe que cada som tem seu tempo de existir, ela também aprende sobre espera, paciência e sensibilidade.

- Música e Brincadeira Sustentável

No projeto Brincadeira Sustentável, o sustain ganha vida por meio de instrumentos feitos com materiais reutilizados. Cada material produz um som diferente, e isso vira aprendizado na prática.

Exemplos:

- Latas - som seco, sustain curto

- Madeira - sustain médio

- Garrafas com água - sustain variável

- Tampinhas metálicas - sustain mais longo

Assim, a criança aprende música, ciência e sustentabilidade ao mesmo tempo, percebendo que até objetos descartados podem produzir beleza sonora.

Sons de Animais: A Natureza como Instrumento

Os sons dos animais são uma forma natural e encantadora de ensinar sustain.

Sons com sustain longo:

- Uivo do lobo

- Mugido da vaca

- Canto do sabiá

- Coaxar do sapo

Sons com sustain curto:

- Cacarejo da galinha

- Piu-piu dos passarinhos

- Latido do cachorro

Ao ouvir e imitar esses sons, a criança aprende a diferenciar sons longos e curtos de forma espontânea e divertida.

Atividade Musical: O Som que Fica e o Som que Vai

Uma proposta simples e encantadora para casa ou escola:

Ouça sons de animais ou imite com a voz

Pergunte:

“Qual som dura mais?”

“Qual acaba rápido?”

Use instrumentos feitos de sucata

Relacione os sons aos animais

Crie uma paisagem sonora da natureza

Essa atividade estimula criatividade, escuta e consciência ambiental.

- Música, Natureza e Cuidado

Assim como os sons dos animais, tudo na natureza tem seu tempo de começar e terminar. Quando cuidamos do planeta, garantimos que esses sons continuem existindo e que as crianças continuem aprendendo com eles.

Educar pelo som é também educar para o cuidado.

Sons que brincam: instrumentos de brinquedo na música infantil sustentável

No universo da Brincadeira Sustentável, a música também nasce do simples, do acessível e do imaginativo. Miniaturas de instrumentos e instrumentos de brinquedo, como cornetas de plástico, xilofones, cavaquinhos, flauta doce, kazoo e glockenspiel, mostram que criar música não depende de grandes aparatos, mas de escuta, sensibilidade e vontade de brincar.

Esses instrumentos carregam timbres leves e espontâneos, que dialogam diretamente com a infância. São sons que não intimidam, convidam. Sons que despertam curiosidade, afeto e presença, elementos essenciais tanto na educação quanto na arte.

Brincar para criar: música inédita com instrumentos simples

Na criação de músicas autorais, os instrumentos de brinquedo funcionam como disparadores criativos. Um padrão rítmico no xilofone ou uma sequência melódica no glockenspiel pode dar origem a uma canção inteira. O kazoo traz humor e liberdade, enquanto a flauta doce e o cavaquinho ajudam a organizar melodias acessíveis, que respeitam o tempo da criança.

As limitações técnicas desses instrumentos são, na verdade, uma potência pedagógica. Trabalhar com poucos sons estimula a escuta atenta, a repetição consciente e a invenção, bases fundamentais da musicalidade infantil e do processo criativo.

Repertório infantil: quando o arranjo renova a escuta

Ao serem aplicados a canções já conhecidas do repertório infantil, os arranjos com instrumentos de brinquedo têm um efeito transformador. Eles renovam músicas tradicionais sem perder sua essência, criando novas camadas de escuta e aproximação com o universo da criança.

Essa sonoridade lúdica convida à participação ativa: bater palmas, cantar junto, experimentar sons. A música deixa de ser apenas algo para ouvir e passa a ser algo para viver como toda boa brincadeira.

Sustentabilidade sonora e educação sensível

No contexto da educação e da sustentabilidade, o uso desses instrumentos reforça valores importantes: reaproveitamento, simplicidade e criatividade. Muitos desses sons podem nascer de instrumentos reutilizados, construídos artesanalmente ou compartilhados em grupo, fortalecendo a ideia de consumo consciente e coletivo.

Além disso, os instrumentos de brinquedo democratizam o acesso à música. Não exigem técnica avançada, nem equipamentos caros. Eles afirmam que a arte é um direito, não um privilégio e que toda criança pode criar, experimentar e se expressar.

Música como experiência de cuidado

Integrar instrumentos de brinquedo à música infantil é reconhecer o brincar como linguagem essencial da infância. É cuidar da escuta, do tempo e da sensibilidade. É ensinar que a música pode ser feita com o que se tem à mão, com respeito ao meio ambiente e com atenção às relações.

Na Brincadeira Sustentável, som, jogo e aprendizagem caminham juntos — criando experiências musicais afetivas, criativas e transformadoras.