INSPIRADO EM HEIDEGGER, BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL (POR RENATA BRAVO), NÃO SE APRESENTA COMO UM CONTEÚDO A SER DECORADO, MAS COMO UMA EXPERIÊNCIA A SER DIGERIDA, VIVIDA E INCORPORADA.

RECICLAR É IMPORTANTE, MAS QUESTIONAR É ESSENCIAL

sexta-feira, 19 de abril de 2024

O esporte Ă©, talvez, a melhor forma de inclusĂŁo social que existe

 O representante do QuĂȘnia estava apenas a alguns metros da linha de meta, mas confundiu-se com sinalização e parou pensando que jĂĄ tinha concluĂ­do a corrida. 


O atleta espanhol, Ivån Fernandez, estava logo atrås dele e ao perceber o que estava acontecendo, começou a gritar com o queniano para que continuarå correndo; mas Mutai não sabia espanhol e não entendeu.


EntĂŁo o espanhol empurrou-o para a vitĂłria.

Um jornalista perguntou ao Ivan:" Por que vocĂȘ fez isso?"

Ivan respondeu..."Meu sonho é que um dia possamos ter uma espécie de vida comunitåria".


- O jornalista insistiu, mas por que vocĂȘ deixou o QuĂȘnia vencer?

Ivan respondeu a ele - Eu nĂŁo deixei ele ganhar, ele ia ganhar ".

- O jornalista voltou a insistir ′′ Mas vocĂȘ poderia ter vencido!"

- Ivan olhou para ele e respondeu.. Mas qual seria o mérito da minha vitória? Qual seria a honra dessa medalha? O que minha mãe pensaria disso?"


Os VALORES são transmitidos de geração em geração


quinta-feira, 18 de abril de 2024

O ser sustentĂĄvel no caminho da felicidade!



Existe uma necessidade de mudanças urgentes, pois estamos vivendo em uma sociedade consumista, egocentrista, que passa por crises de todos os ùmbitos: econÎmica, política, social e ambiental. Serå que é tão difícil perceber que esse modelo estå esgotado em todos os sentidos? Não é possível achar normal o que o homem estå causando a si (como espécie) e ao planeta.

É possĂ­vel olhar o mundo na perspectiva da destruição, da violĂȘncia, da escassez, da corrupção, das doenças. Claro que tudo isso existe, mas ainda bem que essa nĂŁo Ă© a Ășnica perspectiva. Esse Ă© apenas um lado da moeda.

Nas minhas observaçÔes, sempre digo que tem muita gente fazendo coisas boas, colaborando para a construção de uma consciĂȘncia coletiva, transformando o aqui e agora, pensando no bem comum, fazendo mudanças interiores, empreendendo projetos sociais e/ou ambientais, abraçando causas e conectando pessoas com essa mesma sinergia.

O que me faz acreditar nisso? O foco! Tudo Ă© uma questĂŁo de olhar!

AtravĂ©s do projeto do Blog, tenho me conectado com pessoas incrĂ­veis, sensĂ­veis e preocupadas com o que fazer para “ser a mudança que desejam ver no mundo”, como tĂŁo lindamente afirmou Mahatma Gandhi.
Pessoas que estĂŁo buscando o autoconhecimento, seu propĂłsito de vida, que estĂŁo fazendo a diferença em suas profissĂ”es, em seu lar, na sociedade.  Pessoas que enxergaram que a vida Ă© um fluxo, uma grande teia, uma rede de conexĂ”es. Esses seres humanos amorosos, cidadĂŁos conscientes, optaram por viver alĂ©m do paradigma do consumismo. Decidiram reinventar suas trajetĂłrias de vida. Lançaram o olhar para o que realmente importa. Optaram pela liberdade de ser feliz num mundo complexo e paradoxal.
E como não då para ser feliz sozinho, elas arregaçaram as mangas, reuniram o que tem de melhor e estão lutando, criando, compartilhando, colaborando para a construção de um mundo mais justo e sustentåvel.

Eu acredito que esse movimento de valores essenciais como o amor, a generosidade, a compaixĂŁo, a justiça e a felicidade crescerĂĄ mais e mais, ampliando a consciĂȘncia coletiva e promovendo mudanças significativas para a humanidade e para o planeta.

VocĂȘ tambĂ©m pode fazer parte dessa mudança histĂłrica, basta transformar o seu desejo de felicidade coletiva em uma ação!  Eu acredito e estou fazendo a minha parte tambĂ©m! E vocĂȘ? 

Como as plantas podem ser importantes para o desenvolvimento infantil, e como elas podem promover o bem-estar e a saĂșde do seu filho.

Vantagens do contato das crianças e os pais com a natureza, dentro e fora de casa.:

-as plantas sĂŁo capazes de remover as toxinas responsĂĄveis pela poluição do ar em ambientes fechados.

-as plantas auxiliam em atĂ© 20% a redução do acĂșmulo de poeira do ar nas residĂȘncias. 

-as plantas em casa influenciam o humor das crianças para melhorevitando o estresse e aumentando o nĂ­vel de felicidade dos moradores. 

Com isso, jĂĄ podemos perceber que ter um toque verde em casa vai muito alĂ©m do que uma tendĂȘncia de decoração. Mas tambĂ©m melhorar a convivĂȘncia entre os pais e filhos, a qualidade de vida e tambĂ©m a saĂșde mental.



Confira a seguir como o impacto positivo das plantas para as crianças, e como elas podem beneficiar em seu desenvolvimento pessoal.

  • Vantagens de ter plantas em casa
  • BenefĂ­cios das plantas para as crianças
  • Plantas ideais para crianças
  • Principais cuidados com as plantas
  • Quais plantas nĂŁo escolher para o seu filho?

 

Vantagens de ter plantas em casa

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Floricultura, mesmo com a crise mundial causada pela pandemia do coronavĂ­rus, o setor da floricultura no Brasil encerrou o ano de 2020 com um crescimento de 10% em sua economia.

Com isso, podemos perceber que nem mesmo uma enorme pandemia conseguiu evitar a percepção das pessoas em relação Ă  importĂąncia das plantinhas dentro de suas residĂȘncias. 

Isso porque, por promoverem o bem-estar e outros benefĂ­cios maravilhosos para a saĂșde mental e fĂ­sica, as plantas podem causar um certo alĂ­vio nos dias de home office e isolamento social.

Ademais, a prĂĄtica do cultivo de plantas tambĂ©m Ă© considerada uma atividade terapĂȘutica, reduzindo os sintomas ligados Ă  depressĂŁo e outros transtornos psicolĂłgicos, segundo uma pesquisa divulgada pelo ScienceDirect

Veja abaixo as principais vantagens de ter plantas dentro da sua casa:

1. Purificam o ar

Algumas plantas como a hera, lĂ­rio-da-paz e crisĂąntemo, podem absorver melhorar alguns poluentes como a amĂŽnia, o tolueno e o formaldeĂ­do, que sĂŁo extremamente prejudiciais Ă  saĂșde. É o que afirma a NASA, em pesquisa realizada na dĂ©cada de 1980. 

Entre essas espĂ©cies, algumas outras tambĂ©m podem ajudar na absorção de compostos poluentes, como: a espada-de-sĂŁo-jorge, aloe vera, jiboia, areca-bambu, entre outras.

2. Ajudam a relaxar

AlĂ©m de proporcionar um ambiente mais relaxante em casa, o cultivo de plantas tambĂ©m Ă© considerado terapĂȘutico para vocĂȘ relaxar a sua mente e se distrair.

As plantas possuem um aroma natural para deixar a residĂȘncia com mais perfumada e agradĂĄvel. Aposte em flores como a gardĂȘnia e a lavanda, que possuem um perfume caracterĂ­stico. 

3. Minimizam a dor e a ansiedade

Sociedade Americana de CiĂȘncias da Horticultura realizou um estudo em 90 pacientes recĂ©m-operados. E o resultado foi incrĂ­vel: todos os que receberam arranjos de flores e folhagens em seus quartos, tiveram uma melhora significativa, com uma frequĂȘncia cardĂ­aca mais regulada, menores Ă­ndices de ansiedade e fadiga e menor pressĂŁo arterial.

4. Estimulam a criatividade 

VocĂȘ sabia que plantas mais coloridas auxiliam na sua criatividade

É isso mesmo! Um especialista da Costa Farms sugere que pessoas que sofrem com bloqueio criativo vĂŁo para um ambiente mais florido, jĂĄ que elas ajudam a energizar o ambiente e gerar inspiração para facilitar o processo criativo.

5. Servem como umidificadores naturais

As plantas podem ser Ăłtimas para hidratar o ambiente com suas gotĂ­culas de ĂĄgua geradas durante a transpiração. Por isso, tente substituir o seu umidificador convencional por plantas, como samambaias, por exemplo.

6. Ajudam na concentração

Um estudo elaborado pela Universidade Royal College of Agriculture revelou que os estudantes que tiveram contato com um ambiente mais verde, apresentaram 70% a mais de atenção durante as aulas.

7. Apresentam poderes curativos

HĂĄ milhares de anos que algumas espĂ©cies de plantas sĂŁo utilizadas para curar diversas doenças, como a babosa, que ainda Ă© muito utilizada em espĂ©cie de gel para o tratamento de queimaduras e outras feridas.

8. Reduzem crises alérgicas

VocĂȘ sofre com crises alĂ©rgicas, como a rinite? Uma sugestĂŁo Ă© contar com clorofitos em casa. Eles sĂŁo capazes de absorver partĂ­culas alergĂȘnicas, como a poeira, e reduzir suas crises de alergia.

9. Acalmam a visĂŁo

Uma paisagem verde pode aliviar a tensĂŁo da sua vista. Por esse motivo, tente colocar plantas mais prĂłximas Ă  mesa do trabalho que tenha o seu computador ou perto do seu local de leitura. Essa pode ser uma Ăłtima opção para nĂŁo cansar a sua visĂŁo.

Com esses itens vocĂȘ jĂĄ compreendeu como as plantas podem agregar para a sua saĂșde. Inclusive, jĂĄ produzimos um conteĂșdo sobre as plantas ideais para vocĂȘ cultivar na sua casa. Clique aqui e confira!

 

Benefícios das plantas para as crianças

Quando falamos de plantas, estamos tratando de seres vivos, e nĂŁo simplesmente de objetos decorativos. Certo? Por esse motivo, Ă© fundamental cuidar o mĂĄximo possĂ­vel da saĂșde da sua plantinha com regas e podas frequentes.

Inclusive, a prĂĄtica do cultivo de plantas, pode ser uma Ăłtima oportunidade para os pais ensinarem os seus filhos a respeitarem e cuidarem da natureza. AlĂ©m disso, essa tambĂ©m pode ser uma atividade excelente para ser feita em famĂ­lia, criando e fortalecendo os vĂ­nculos afetivos entre os pais de filhos.

Vale destacar que as plantas auxiliam as crianças em questĂ”es relacionadas ao desenvolvimento pessoal, como as habilidades motoras, atravĂ©s do contato com os cheiros, cores e texturas da natureza.

Outro aprendizado que os pequenos terĂŁo serĂĄ sobre a responsabilidade, jĂĄ que a sobrevivĂȘncia das plantas dependerĂĄ 100% de seus cuidados.

Veja outros benefĂ­cios das plantas para as crianças:

Desenvolvimento dos sentidos:

Quando o seu filho passa a ter mais proximidade com a natureza, ele começa desenvolver mais o seus sentidos cognitivos, como o olfato, atravĂ©s das ervas aromĂĄticas, o paladar, ao provar os frutos, o tato, ao sentir as diferentes texturas de folhas e flores e a visĂŁo, ao observar os diferentes cores e formatos das plantas.

Organização:

Com um contato mais frequente com o meio ambiente fica muito mais fĂĄcil para os pequenos aprenderem as diferentes espĂ©cies de plantas atravĂ©s das suas cores, folhagens e estrutura. Com isso, elas tambĂ©m poderĂŁo exercitar sua organização pessoal, classificando as plantinhas em categorias, entre as que dĂŁo ou nĂŁo dĂŁo frutos, as que sĂŁo aromĂĄticas, as que podem ser utilizadas como temperos, as que servem para fazer chĂĄs e Ăłleos e tambĂ©m as medicinais.

Maior aceitação da diferença:

responsabilidade nos cuidados com as plantas tambĂ©m farĂĄ com que as crianças percebam que cada espĂ©cie possui suas diferentes necessidades e particularidades, assim como os seres humanos. E assim, eles aprenderĂŁo a respeitar as diferenças alheias.

Aprendem sobre o ciclo da vida:

Existem algumas plantas frutĂ­feras que podem ser utilizadas para as crianças acompanharem um ciclo de vida mais completo, cultivando com frutos, flores, sementes e folhas. O cultivo pode ser feito com amoras, mexericas, jabuticabas, limĂ”es e romĂŁs em pequenos vasos.

Maior respeito Ă  natureza:

Sabemos que estĂĄ cada vez mais difĂ­cil agregar a ideia da importĂąncia da sustentabilidade na vida dos adultos… E fica ainda mais complicado quando se trata de crianças. PorĂ©m, se o seu filho tem a presença das plantas durante a rotina, ficarĂĄ mais fĂĄcil ensinar como a poda irregular das ĂĄrvores pode impactar na camada de ozĂŽnio, como as plantas sĂŁo essenciais para ajudar a limpar o ar, entre outros fatores. Com isso, elas podem se tornar mais conscientes com o meio ambiente.

Aprendem a cuidar dos seres vivos

Um exercĂ­cio interessante que vocĂȘ pode utilizar para ensinar o seu filho a ter mais cuidado com os seres vivos Ă© explicar os motivos que levam a planta a dependerem de certos cuidados para que elas tenham uma ideia mais humanizada sobre as verdinhas.

Mais responsabilidade:

Assim como os pets, as plantas sĂŁo seres vivos que necessitam da responsabilidade dos seus donos. Por isso, Ă© importante ressaltar que nĂŁo pode arrancar ou machucar as folhas, e tambĂ©m Ă© necessĂĄrio regĂĄ-las e cuidĂĄ-las periodicamente. Depois de um tempo, vocĂȘ pode incentivar o seu filho a regar e cuidar das plantas sozinho. O que acha?

Melhora na alimentação:

Como as crianças estĂŁo super habituadas a verem os alimentos jĂĄ prontos, elas acabam nĂŁo entendendo de onde vieram e como foram produzidos. Tente mostrar como funciona o ciclo de crescimento das frutas, verduras e legumes. Assim eles terĂŁo uma maior ideia e entendimento sobre o que estĂŁo consumindo, talvez atĂ© despertando um maior interesse pela nutrição.

Foi descoberto por uma pesquisa feita pela Universidade da FlĂłrida (EUA), que as pessoas que tinham um maior contato com a natureza e a jardinagem durante sua infĂąncia, consomem 15% a mais de legumes e frutas em relação Ă queles que nĂŁo tinham.

Exercita a paciĂȘncia:

Como a criança tem a oportunidade de acompanhar o processo de crescimento e desenvolvimento das plantas desde a primeira semente, ela acaba aprendendo a exercitar a paciĂȘncia, jĂĄ que Ă© preciso esperar atĂ© chegar o amadurecimento do fruto ou o desabrochar das flores.

Em resumo, mesmo que pareça uma atividade super simples, a prĂĄtica do cultivo de plantas pode causar um enorme impacto na saĂșde, formação e educação das crianças, jĂĄ que a ideia da importĂąncia e necessidade do cuidado com o meio ambiente estĂĄ cada vez mais presente nas nossas vidas.

Sendo assim, o incentivo ao contato das crianças com as plantas faz com que elas desenvolvam uma maior sensibilidade em relação ao ecossistema.

Plantas ideais para crianças

Se vocĂȘ estĂĄ em busca de plantas mais seguras, que podem ser divertidas e educativas para os pequenos, aĂ­ vai uma dica: evite espĂ©cies que sejam tĂłxicas. AlĂ©m de prejudicar a saĂșde do seu filho, tambĂ©m pode prejudicar o seu bichinho de estimação.

Vale ressaltar que vocĂȘ deve escolher plantas que tenham um tamanho adequado para o seu filho e tambĂ©m seja mais fĂĄcil de cultivar. Ok?

TambĂ©m converse com o seu pequeno para entender quais sĂŁo os seus interesses, para optar por plantinhas que chame mais a atenção dele.

Veja algumas plantas que sĂŁo mais adequadas para crianças:

PetĂșnia Roxa

Com opçÔes de flores roxas e brancas, as petĂșnias roxas sĂŁo perfeitas para crianças que gostam de praticar jardinagem ao ar livre. Elas podem ser super divertidas, por atraĂ­rem beija-flores e borboletas para o seu jardim.

Girassol

Essa tambĂ©m Ă© uma planta que atrai muitos passarinhos e oferece nĂ©ctar para as borboletas. Por ser inofensiva a crianças, o cultivo deve ser feito ao ar livre, em dias ensolarados, de preferĂȘncia.

Suculentas

Por serem super fĂĄceis de fazer manutenção e por possuĂ­rem muita textura, as suculentas sĂŁo Ăłtimas para as crianças explorarem as diferentes formas, padrĂ”es e tamanhos das folhas. AlĂ©m disso, elas nĂŁo machucam e nĂŁo sĂŁo venenosas

Amor-perfeito

Essas flores contam com uma grande diversidade de cores em suas pĂ©talas, sendo um dos motivos por serem mais comuns no paisagismo. AlĂ©m de terem um rĂĄpido crescimento, elas podem ser cultivadas em vasos, jardins ou canteiros.

DĂĄlias vermelhas e amarelas

Um dos principais atrativos dessa espĂ©cie Ă© a coloração das pĂ©talas, que podem ser laranjas, amarelas e vermelhas. AlĂ©m disso, elas tambĂ©m sĂŁo conhecidas por atrair borboletas para o seu jardim.

Capuchinha

Apresentando lindos tons de vermelho, amarelo, rosa, laranja e creme, a capuchinha apresenta um visual exĂłtico, com plantas seguras e tambĂ©m comestĂ­veis, sendo utilizados para remĂ©dios naturais.

Filodendro-brasil

Com baixa manutenção, nĂŁo apresenta riscos para as crianças e possui rĂĄpido crescimento. SĂŁo super fĂĄceis de cuidar, e tambĂ©m adaptĂĄveis para jardins e decoraçÔes criativas.

Trevo Roxo

Trevo Roxo Ă© considerado uma planta super dinĂąmica e divertida, jĂĄ que suas folhas roxas se abrem e se fecham em resposta Ă  luz do sol ou Ă  luz baixa. 

BegĂŽnia

Se desenvolve melhor em clima quente, essa plantinha Ă© super fĂĄcil de cuidar e nĂŁo deve estar exposta em lugares que possuem muito vento. 

Quais plantas nĂŁo escolher para o seu filho?

Agora que vocĂȘ jĂĄ conhece algumas plantas que podem ser ideais para criança, queremos te alertar sobre plantas que devem ser evitadas, pois podem causar alergias e oferecer perigo por conta de seus espinhos, como: azalĂ©ias, mamonas, bicos-de-papagaio, comigo-ninguĂ©m-pode, copos-de-leite, entre outros.

Principais cuidados com as plantas

Ensine o seu filho sobre os principais cuidados para cultivar as plantas em casa:

  • Mantenha as plantas prĂłximas de janelas ou varandas para que tenham maior contato com a luz, jĂĄ que elas sobrevivem Ă  base de fotossĂ­ntese.
  • Deixe a sua planta em ambientes que tenham janela com o mĂĄximo possĂ­vel de circulação de ar. Evite deixĂĄ-las em lugares fechados, pois isso pode acabar prejudicando a saĂșde das plantas e aumentando as chances de uma proliferação de fungos.
  • Cada planta possui seu devido procedimento em relação Ă  rega. Existem algumas que precisam ser regadas apenas uma vez na semana, e outras espĂ©cies exigem, pelo menos, trĂȘs vezes na semana. Por isso, na hora de comprar a sua planta, pergunte como deve ser a periodicidade da rega.
  • Aplique adubo a cada trĂȘs meses para favorecer o crescimento das plantas.


ConclusĂŁo

Durante esse texto vocĂȘ aprendeu quais sĂŁo as vantagens de cultivar plantas em casa, como elas beneficiam a sua saĂșde e do seu filho, como elas ajudam no desenvolvimento pessoal das crianças, quais plantas sĂŁo as mais ideais, quais plantas nĂŁo escolher e quais sĂŁo os principais cuidados.

A natureza na Educação Infantil, em uma era em que as crianças crescem cercadas de tecnologia e em grandes metrópoles, se tornou fundamental para seu desenvolvimento.

Interagir com o meio ambiente, tocando, cheirando ou ouvindo, alĂ©m de trabalhar os sentidos, ajuda a criança a criar empatia pelos seres vivos e consciĂȘncia ecolĂłgica.

Auxilie as crianças a explorar seus sentidos de tato, paladar e visão, com plantas nas aulas de Natureza e Sociedade.


- Sentir a grama fazer cócegas nos pés.

- Os cabelos balançando ao vento.

- O cheiro das flores.

- As diferentes texturas dos troncos das ĂĄrvores.

Todas essas e muitas outras sensaçÔes são experimentadas pelos pequenos quando suas famílias estimulam o contato com a natureza na infùncia.

Os adultos, certamente guardam lembranças especiais de viagens para a praia, passeios pelo parque e momentos repletos de diversão junto à natureza.

Nas Ășltimas dĂ©cadas, os avanços da tecnologia transformaram a maneira como as pessoas vivem e se relacionam, o que modificou profundamente o contato entre as crianças e o meio ambiente. Essa mudança, que impactou o mundo todo, tambĂ©m chegou atĂ© os pequenos, formando a Geração Alpha.

As crianças nascidas a partir de 2012 e que integram essa nova geração, jå crescem conectadas com diferentes dispositivos como tablets, celulares e computadores, além de conviverem com diversos estímulos.

Transtorno do Déficit de Natureza

O jornalista americano e especialista em Advocacy na infùncia, Richard Louv, alerta que tanto as famílias quanto os professores precisam monitorar o contato das crianças com a tecnologia e seus estímulos dentro e fora da sala de aula.

Pais e educadores que mantém os pequenos somente em casa ou dentro da sala de aula cercados de estímulos que ativam apenas alguns de seus sentidos, sem deixå-los interagir com o meio ambiente, estão não só privando as crianças do contato com a natureza na infùncia, como também contribuindo para o que ele chama de Transtorno do Déficit de Natureza.

Por que estimular o contato com a natureza na infĂąncia Ă© importante?

Estimula a valorização da natureza

Brincar ao ar livre, explorar o meio ambiente, conhecer diferentes espécies e entrar em contato com a natureza na infùncia é fundamental para que as crianças valorizem a biodiversidade que as cerca.

AlĂ©m disso, o convĂ­vio com o meio ambiente associado ao aprendizado de prĂĄticas sustentĂĄveis tambĂ©m sĂŁo muito importantes para que os pequenos se tornem protagonistas nos cuidados com o planeta no futuro. Afinal, Ă© preciso conhecer para preservar.

Incentiva a imaginação e criatividade

O contato com a natureza na infùncia desperta a imaginação e criatividade dos pequenos para encontrarem novas formas de se divertir ao passear em um parque ou uma praça com familiares e amigos.

Dessa forma, os pequenos criam novas memĂłrias, expandem seu repertĂłrio, se divertem e aprendem a conviver consigo, com os outros e com o meio ambiente.

Fortalece o sistema imunolĂłgico

Um dos grandes benefícios do contato com a natureza na infùncia é o fortalecimento do sistema imunológico dos pequenos e a prevenção da obesidade infantil.

Além disso, brincar ao ar livre e interagir com o meio ambiente também contribui para que as crianças aperfeiçoem suas habilidades psicomotoras, estimulando diretamente o desenvolvimento integral dos pequenos.

Melhora a qualidade do sono

Explorar o meio ambiente por meio de brincadeiras e atividades proporciona uma grande sensação de bem-estar e relaxamento nas crianças, o que melhora significativamente a qualidade do sono dos pequenos.

Vale lembrar ainda que os sintomas da ansiedade nas crianças tambĂ©m sĂŁo reduzidos a partir do contato com a natureza na infĂąncia.

Desenvolve os cinco sentidos

- Ouvir o som dos pĂĄssaros

- Tocar a grama

- Sentir o vento no rosto

- Cheirar as flores 

- Provar uma fruta direto do pé

SĂŁo apenas algumas das experiĂȘncias que as crianças podem vivenciar ao entrar em contato com a natureza na infĂąncia.

Dessa forma, os pequenos estimulam e desenvolvem os cinco sentidos enquanto se divertem explorando os espaços dos parques, praças e praias.

Como estimular o contato com a natureza na infĂąncia

1) HistĂłrias lĂșdicas

As histĂłrias tem o poder Ășnico de apresentar novas perspectivas aos pequenos por meio da imaginação. Por essa razĂŁo, livros infantis sobre a natureza sĂŁo recursos excelentes para estimular as crianças a conhecerem, respeitarem e cuidarem do meio ambiente.

2) Passeios e atividades ao ar livre

Que tal um piquenique no parque, uma viagem para um destino cercado pela natureza, uma tarde de atividades na pracinha do bairro ou um convite para acampar? Essas são algumas entre tantas possibilidades que envolvem o contato com a natureza na infùncia e constroem lembranças especiais, além de proporcionar tempo de qualidade em família.

3) Mini horta em casa

Quer estimular o contato diårio dos pequenos com a terra e as plantas? Fazer uma mini horta em casa é a melhor solução, além de proporcionar benefícios como a educação alimentar e a responsabilidade.
4) Controle da tecnologia

Controlar o acesso das crianças Ă  tecnologia Ă© um dever fundamental dos pais e cuidadores que desejam estimular a relação dos filhos com a natureza. É desafiador e extremamente importante monitorar o tempo de exposição dos pequenos Ă s telas.

Aprender a esperar - paciĂȘncia se aprende

O mundo de hoje Ă© repleto de recompensas instantĂąneas e as crianças quase nunca precisam esperar. Isso torna muito mais difĂ­cil ensinĂĄ-las a ter paciĂȘncia. Ainda assim, hĂĄ momentos em que serĂĄ  preciso ser paciente, como na sala de espera do mĂ©dico ou enquanto espera sua vez em um jogo.

Por isso, ensinar as crianças a serem pacientes é muito importante e não deve ser subestimado. Além, dos benefícios imediatos, isso pouparå o seu filho de muita frustração no futuro.

Como ensinar a criança a ser mais paciente?

A capacidade de esperar tem a ver com autocontrole, uma habilidade que Ă© difĂ­cil para as crianças. Isso porque, na infĂąnica, o cĂ©rebro ainda estĂĄ em desenvolvimento. Mesmo que eles nĂŁo consigam desenvolver isso sozinho, vocĂȘ pode ajudar.

Primeiramente, seja claro sobre a razĂŁo de precisar ter paciĂȘncia em alguma situação. Depois, tenha calma:  no geral, as crianças apresentam maior autorregulação Ă  medida que crescem. AlĂ©m disso, nĂŁo esqueça de dar o exemplo, afinal, se vocĂȘ quer que o seu filho seja paciente, Ă© preciso agir com tranquilidade diante dos desafios.

Quais os benefĂ­cios de ensinar paciĂȘncia para as crianças?

Uma pesquisa realizada em 2008 pela Universidade da CalifĂłrnia sugere que as crianças que crescem com adultos pacientes tĂȘm melhor saĂșde fĂ­sica e mental. Outros benefĂ­cios incluem maior habilidades de relacionamento e mais capacidade de atingir os seus objetivos.

É importante lembrar de usar palavras positivas para ensinar as crianças a terem paciĂȘncia, e nĂŁo punir. Por isso, valorize quando ela espera por algo, isso demonstra que vocĂȘ confia nas suas capacidades.

Os pais tĂȘm fundamental importĂąncia no desenvolvimento da confiança, pois Ă© neles que elas se espelham e confiam.


Confira alguns passos para ensinar paciĂȘncia Ă s crianças:

1- Ensine desde pequeno

A melhor maneira de ensinar paciĂȘncia Ă© desde que a criança Ă© pequena. Por isso, da prĂłxima vez que o seu filho pedir um lanche, prepare com calma e nĂŁo se apresse somente para evitar reclamaçÔes. Deixe que ele veja que o seu pedido estĂĄ sendo atendido, mesmo que nĂŁo seja tĂŁo rĂĄpido quanto ele esperava.

Quando vocĂȘ finalmente der ao seu filho o que ele pediu, elogie-o por ter tido paciĂȘncia para esperar. Esta Ă© uma maneira simples e eficaz de ensinar as crianças pequenas a praticar a paciĂȘncia.

2. Evite a gratificação instantùnea

Seguindo o primeiro passo, vocĂȘ nĂŁo precisa atender o seu filho instantaneamente em tudo. Claro que em algumas situaçÔes, isso serĂĄ necessĂĄrio, mas nĂŁo em tudo. Quando ela pedir pra jogar bola, por exemplo, diga que antes precisa terminar algo que estĂĄ fazendo. Depois, honre o pedido.

As crianças pequenas que tĂȘm menos noção de tempo podem ter dificuldades com isso no inĂ­cio. Mas elas irĂŁo aprender a praticar a paciĂȘncia, desde que vocĂȘ sempre cumpra o pedido depois. Novamente, agradeça Ă  criança por esperar, valorizando essa habilidade. 

3. Reconheça que esperar pode ser difícil

Todos nos sentimos impacientes Ă s vezes, e com as crianças nĂŁo Ă© diferente. Por isso Ă© importante reconhecer que esperar na sala do mĂ©dico nĂŁo Ă© divertido. EntĂŁo, da prĂłxima vez que seu filho estiver chateado porque teve que esperar mais do que queria, respire fundo. 

Lembre-se de se abaixar, olhar nos olhos dele e dar um abraço. Abraços reduzem os nĂ­veis de estresse e, consequentemente, de impaciĂȘncia. Converse com seu filho. Diga que esperar Ă© difĂ­cil e vocĂȘ entende como ele se sente. Reforce que o admira por estar esperando.

4. Ensine o autocontrole

Para as crianças, aprender a ter paciĂȘncia inclui entender que elas podem tentar controlar suas açÔes. Por exemplo, se houver apenas um controle de videogame e seu filho estiver reclamando que Ă© a vez dele, ajude-o a se acalmar para atender. Isso ajudarĂĄ a incutir a ideia de que agir com impaciĂȘncia nĂŁo Ă© a maneira de conseguir algo.

5. Pratique a paciĂȘncia com jogos

Jogos de revezamento sĂŁo Ăłtimos para praticar a paciĂȘncia. Por isso, invista em momentos divertidos brincando de jogo da memĂłria e amarelinha, por exemplo. Enquanto estiver jogando, diga coisas como: “VocĂȘ nĂŁo pode mexer nessa peça agora, mas vocĂȘ terĂĄ uma chance se esperar” e “VĂȘ como todos precisam esperar sua vez tambĂ©m?”

6. Seja o modelo de paciĂȘncia 

As crianças aprendem muito por meio da observação. Ou seja, nĂŁo Ă© somente o que vocĂȘ fala que conta, mas tambĂ©m a forma que age. Se vocĂȘ perde o controle em situaçÔes difĂ­ceis, pode apostar que seu filho vai perceber esse comportamento. 

A boa notĂ­cia Ă© que Ă© possĂ­vel aprender a ter paciĂȘncia em qualquer idade. SerĂĄ positivo para o seu filho ver vocĂȘ aprender e praticar uma paciĂȘncia. Fale sobre como Ă© difĂ­cil para vocĂȘ esperar, assim como para ele. Assim, podem aprender e praticar juntos.

7. Plante

Plante uma muda de sua preferĂȘncia, em um vaso. Acompanhe com a criança, o processo de desenvolvimento e fixação das raĂ­zes. É tambĂ©m uma forma de estimular o desenvolvimento da observação e paciĂȘncia .

A relevùncia da vida social das formigas na estruturação dos ecossistemas terrestres



CiĂȘncia e literatura como proposta transdisciplinar de conscientização ecolĂłgica

A proposta do presente artigo Ă© apresentar alguns pontos relevantes da histĂłria natural das formigas e as possĂ­veis associaçÔes que podem ser feitas em um contexto transdisciplinar de conscientização ecolĂłgica. A partir deste grupo de insetos, Ă© possĂ­vel fazer generalizaçÔes e posteriormente estender conclusĂ”es ecolĂłgicas para outros grupos taxonĂŽmicos, estabelecendo conceitos fundamentais sobre os serviços ecossistĂȘmicos desempenhados pelas variadas formas de vida que nos cerca – e que na maioria das vezes estĂĄ oculta aos olhos humanos. Mesmo com o excepcional volume de informação disponĂ­vel nos dias de hoje, principalmente por causa da revolução de meios de comunicação, a falta de integraçÔes que esclarecem conceitos e universalidades do conhecimento ainda Ă© um desafio contemporĂąneo. Ao me basear em conceitos ecolĂłgicos para apresentar a vida social das formigas, invoco passagens da literatura brasileira como proposta de uma abordagem integrativa que se manifeste em uma reflexĂŁo ecolĂłgica sobre nosso papel no gerenciamento e conservação da biodiversidade brasileira. 

Introdução 

HĂĄ algum tempo circularam pelas redes sociais alguns vĂ­deos que mostravam a arquitetura de uma enorme colĂŽnia de formigas, revelando uma espantosa estrutura composta de tĂșneis no subsolo de uma floresta2 que deixaria Oscar Niemeyer embasbacado. De imediato, lembrei-me de um provĂ©rbio sobre esses insetos que muitas pessoas pensam ser insignificantes. SalomĂŁo, o famoso rei de Israel, parece ter adquirido alguns ensinamentos pertinentes para governar seu povo depois de observar esses minĂșsculos artrĂłpodes quando aconselha: ―vai ter com a formiga, Ăł preguiçoso, e considera o seu proceder, e aprende dela a sabedoria. NĂŁo tendo ela guia, nem mestre, nem prĂ­ncipe, faz o seu provimento no estio, e ajunta no tempo da ceifa com que se sustentar‖ (Livro dos ProvĂ©rbios, 6: 6-8). 

Quando norteamos abordagens ou discussĂ”es de acordo com os preceitos da Ecologia (ou de qualquer ramo cientĂ­fico derivado dela, como a Biologia da Conservação), temos de levar em conta toda a gama de interaçÔes que ocorre entre os seres vivos. Embora isso nĂŁo seja uma tarefa nada fĂĄcil, as formigas sĂŁo um bom exemplo para descortinar a complexidade de interaçÔes ecolĂłgicas que ocorrem na natureza; ainda, esse grupo taxonĂŽmico representa bem a importĂąncia e magnitude dos serviços ecolĂłgicos prestados que sĂŁo invisĂ­veis ou negligenciados no cotidiano da maioria das pessoas. A estrutura de formigueiros mostrados em vĂ­deos populares na web, apesar de serem impressionantes, Ă© apenas uma pequena amostra do poder secreto destes insetos. HĂĄ muitos espaços interessantes que abordam sua vida social, desde entrevistas com especialistas3 , atĂ© documentĂĄrios completos4 conduzidos por entomĂłlogos (i.e., cientistas que estudam insetos) de referĂȘncia mundial no estudo desses incrĂ­veis animais, mas por ora, limito-me a invocar uma passagem que nos dĂĄ informaçÔes muito relevantes sobre o papel ecolĂłgico das formigas, ao mesmo tempo que enfatiza o nosso viĂ©s antropocĂȘntrico de pensar o mundo. O trecho a seguir Ă© do livro autobiogrĂĄfico Naturalista (1997, pg. 279) do renomado biĂłlogo Edward O. Wilson, professor e pesquisador da Universidade de Harvard, EUA:

Manchinhas avermelhadas e escuras que ziguezagueiam pelo chĂŁo para se enfiarem buracos, elas estĂŁo em toda parte; com o peso expresso em miligramas, sĂŁo habitantes de uma estranha civilização que oculta de nossos olhos sua rotina diĂĄria. Por mais de cinquenta milhĂ”es de anos e onde quer que haja terra, com exceção das camadas de gelo das regiĂ”es polares e alpinas, as formigas tĂȘm sido insetos esmagadoramente dominantes. Pelos meus cĂĄlculos, hĂĄ de um a dez quatrilhĂ”es de formigas vivas, todas pesando juntas, pela ordem mais prĂłxima de magnitude, tanto quanto a totalidade dos seres humanos. Mas uma diferença, uma diferença vital se oculta nessa equivalĂȘncia. Enquanto as formigas existem na quantidade mais correta possĂ­vel em relação ao restante do mundo vivo, os humanos se tornaram numerosos demais. Se estivĂ©ssemos fadados a desaparecer hoje, o ambiente terrestre retornaria ao fĂ©rtil equilĂ­brio que prevalecia antes da explosĂŁo populacional humana. Apenas cerca de uma dezena de espĂ©cies (entre as quais os piolhos, cĂŁes e gatos domĂ©sticos e um ĂĄcaro que vive nas glĂąndulas sebĂĄceas de nossa testa) dependem de nĂłs. Mas, se as formigas desaparecessem, dezenas de milhares de outras espĂ©cies de plantas e animais pereceriam tambĂ©m, simplificando e enfraquecendo por quase toda parte os ecossistemas terrestres."

Este Ă©pico e retumbante sucesso na colonização e estabelecimento em solos ao redor do mundo se deve a uma exĂ­mia organização social - que chega a espantar pela simplicidade - que se resume a colaboração e divisĂŁo de funçÔes. E quando tomamos consciĂȘncia deste fato, Ă© difĂ­cil evitar a sensação de que o planeta, em boa parte, pertence Ă s formigas, por mais desagradĂĄvel que isso soe aos ouvidos humanos; Ă© chocante perceber que as formigas nĂŁo sĂŁo pragas. A essĂȘncia da transcrição acima Ă© essa verdade ecolĂłgica: se as formigas desaparecessem, centenas de milhares de espĂ©cies seriam extintas e muitos ecossistemas ficariam perigosamente desestabilizados. Essa importĂąncia na estruturação dos ecossistemas terrestres do planeta se dĂĄ por regras elementares envolvidas na manutenção da vida, que essencialmente respeitam princĂ­pios bĂĄsicos da termodinĂąmica: 

(1) o da conservação de energia, que prova que um sistema nĂŁo pode criar ou consumir energia, mas apenas armazenĂĄla ou transferi-la, e 

(2) o da entropia, que Ă© a tendĂȘncia da energia se dissipar.

As formigas tĂȘm um papel fundamental no dinamismo dos ciclos biogeoquĂ­micos que sĂŁo responsĂĄveis pelos fluxos de energia e matĂ©ria na natureza, uma vez que elas participam de muitas etapas ecolĂłgicas desses processos. Ao lado dos cupins e minhocas, as formigas arejam, revolvem e drenam diariamente toneladas de terra e assim garantem a boa saĂșde do solo, mais tarde enriquecido pela matĂ©ria orgĂąnica que os insetos levam para os ninhos. ―Hoje se sabe que as formigas sĂŁo mais importantes que as minhocas nesse trabalho‖, diz o mirmecĂłlogo (i.e., especialista em formigas), Carlos Alberto BrandĂŁo, da Universidade de SĂŁo Paulo. Edward Wilson, por sua vez, calcula que elas desfazem e enterram nove de cada dez pequenos animais mortos em qualquer ponto do planeta (DIEGUEZ & PAPAROUNIS, 1993).

A Ecologia Ă© um ramo cientĂ­fico muito recente na histĂłria da ciĂȘncia, o que a faz emprestar conceitos de vĂĄrias ĂĄreas do conhecimento, sendo portanto uma disciplina transdisciplinar por excelĂȘncia. O mais interessante na filosofia cientĂ­fica Ă© justamente o fato de assumir que cientista algum poderĂĄ jamais fazer uma descoberta sem se basear sobre os elementos deixados por seus antecessores. E tĂŁo espantosa quando interessante, Ă© a constatação que certas ideias sĂŁo compartilhadas em vĂĄrias linhas de pesquisa. É atribuĂ­do a Antoine Laurent de Lavoisier (1743 —1794), o quĂ­mico francĂȘs considerado o pai da quĂ­mica moderna, um aforismo bem conhecido que encerra em si a ideia mais elementar da termodinĂąmica e da prĂłpria ecologia: ―Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

Os ecossistemas terrestres nĂŁo fogem Ă  essa regra, afinal eles funcionam como qualquer sistema termodinĂąmico estudado por fĂ­sicos ou quĂ­micos que investigam o comportamento de partĂ­culas, ĂĄtomos ou molĂ©culas. Na ecologia, entretanto, a unidade mais bĂĄsica e fundamental para o entendimento de um ecossistema Ă© a espĂ©cie, daĂ­ a importĂąncia de se conhecer bem a histĂłria natural de nossa flora e fauna para entendermos a dinĂąmica e funcionamento de comunidades e ecossistemas. Somente assim poderemos nos beneficiar de  seus serviços, inclusive para nosso bem-estar e qualidade de vida, sem a agressĂŁo desenfreada e inconsequente da atualidade, e para isso Ă© essencial que continuemos a aprender e encontrar soluçÔes observando o mundo vivo ao nosso redor – mas nos inserindo no ambiente como mais um ramo na ĂĄrvore da vida, e nĂŁo com o pensamento antropocĂȘntrico de estamos no topo de alguma escala evolutiva.

A natureza é grande nas coisas grandes, e grandíssimas nas pequeninas: o valor das pequenas coisas na Ecologia e na Evolução

O sucesso evolutivo das formigas tem muito a ver com a vida em grupo, uma preciosa combinação envolvendo organização, especialização e cooperação, tudo isso sustentado por um sistema de comunicação, sobretudo quĂ­mica, desenvolvimento durante sua longa histĂłria evolutiva (WILSON, 2013). A seleção de hĂĄbitat, por exemplo, Ă© feita por uma espĂ©cie de consenso. Cada formiga libera marcadores quĂ­micos em partes da trilha, informando assim que tem preferĂȘncia por aquele trecho. Comunicação, colaboração: quanto mais forte o sinal quĂ­mico, mais a trilha Ă© usada. Portanto, elas nĂŁo tĂȘm lĂ­der, e sim um consenso da comunidade, que Ă© estabelecido pela intensidade do ‗aroma quĂ­mico‘. Outro exemplo de cooperação Ă© o que os cientistas chamam de ‗estĂŽmago social‘: em algumas espĂ©cies, castas especializadas regurgitam o alimento coletado fora do formigueiro para os indivĂ­duos que ficaram trabalhando na manutenção interna da colĂŽnia. Cada vez mais, as pesquisas com esses insetos mostram a grandiosidade da ação em conjunto, que equivale a um superorganismo. Para se ter uma ideia da magnitude do impacto ecolĂłgico desses insetos, basta dizer que o consumo de biomassa pelas formigas dos pampas argentinos afeta o consumo de capins por parte do gado criado na regiĂŁo.

Se a sociedade humana ainda tem muito o que aprender com as das formigas, somos dignos de dĂł quando nos compararmos individualmente com esses guerreiros em miniatura. AlĂ©m de jĂĄ nascerem com uma estrutura corporal (exoesqueleto) que mais parece uma armadura de samurai, experimentos mostram que a taxa metabĂłlica das formigas Ă© bem superior Ă  nossa – e.g., ao cortar uma folha com suas mandĂ­bulas, a taxa metabĂłlica de uma formiga Ă© trĂȘs vezes maior do que a de um atleta no mĂĄximo de sua performance. Sem contar a carga transportada em proporção ao peso corporal ou Ă s distĂąncias percorridas. Nesse sentido, uma saĂșva carregando apressadamente um pedaço de folha equivaleria a um ser  humano carregando um fardo bem pesado, por dezenas de quilĂŽmetros, sem parar, a uma velocidade que nunca atingirĂ­amos a pĂ©.

Oliveira (1990) faz um levantamento de curiosidades interessantes relacionadas a refinada organização social das formigas, e como elas nĂŁo cessam de maravilhas os pesquisadores. Para o nosso contexto, vale ressaltar que se todos os animais terrestres fossem colocados numa balança, 1/10 do peso (cerca de 900.000 toneladas) seria representado por formigas, esse inseto com menos de um milionĂ©simo da massa de um ser humano. Isso significa que a população de formigas Ă© maior que a de todas as aves, rĂ©pteis e anfĂ­bios juntos, sendo estimada em torno de 10 quintilhĂ”es de indivĂ­duos (o nĂșmero 1 seguido de dezenove zeros). "Mas nĂŁo Ă© pelo peso ou pelo nĂșmero que as formigas devem ser distinguidas", lembra o entomolĂłlogo americano E. O. Wilson, da Universidade Harvard. "O desaparecimento desses insetos poderia levar Ă  extinção milhares de espĂ©cies, desestabilizando a maioria dos ecossistemas." Wilson e seu colega Bert Hölldobler publicaram em 1994, nos Estados Unidos, o livro Ants (Formigas), logo aclamado como um clĂĄssico, onde analisam o comportamento de seus animais preferidos e aponta vĂĄrias peculiaridades de sua organização social.

Outro papel ecolĂłgico desempenhado pelas formigas que Ă© de suma importĂąncia Ă© a disseminação de sementes de plantas e a função de ‗faxineiras‘, jĂĄ que comem atĂ© 90% dos cadĂĄveres de pequenos animais. Todos esses trabalhos sĂŁo levados muito a sĂ©rio. Para começar, nada de sexo - atividade exclusiva das rainhas. As trabalhadoras devem se limitar a fazer a parte que lhes toca para conservar o lar comunitĂĄrio e garantir a propagação dos genes de sua parenta privilegiada. Assim, para realizar suas funçÔes com plena eficiĂȘncia, cada uma se especializa ao mĂĄximo, mudando a prĂłpria anatomia. Os soldados sĂŁo fĂȘmeas que trocaram os ĂłrgĂŁos reprodutores por um abdĂŽmen cheio de armas biolĂłgicas. O gĂȘnero asiĂĄtico Camponotus, por exemplo, Ă© uma verdadeira bomba, que rompe o prĂłprio corpo para lançar veneno sobre os adversĂĄrios. As lava-pĂ©s, como sĂŁo conhecidas as Solenopsis invicta nativas do sul do Brasil, tem um veneno forte que causa sensação de queimadura. Elas associam-se em colĂŽnias protegidas por um contingente de atĂ© 100.000 soldados. Longe de casa, sĂŁo capazes de unir-se rapidamente para o combate por meio de ordens quĂ­micas. As formigas, por sinal, dominam uma linguagem quĂ­mica complexa. Uma colĂŽnia comum pode farejar no ar 1 trilionĂ©simo de grama de uma dĂșzia de sinais de cheiros diferentes, de acordo com os feromĂŽnios secretados no solo por vĂĄrias glĂąndulas. É desse modo que uma operĂĄria indica a outra companheira o caminho atĂ© um inseto morto. Mas o talento das formigas como quĂ­micas tem seu melhor exemplo na Oecophylla, a formiga-tecelĂŁ que vive em ĂĄrvores. Presentes em abundĂąncia nas florestas da África e no sudoeste da Ásia, elas se utilizam da seda produzida pelas larvas para ligar folhas e galhos, formando grandes e seguros pavilhĂ”es aĂ©reos, que funcionam como as teias das aranhas (OLIVEIRA, 1990).

Atualmente Ă© bem sabido pela ciĂȘncia que o CO2 Ă© o principal gĂĄs emitido por meio de atividades humanas, de acordo com a RevisĂŁo de Gases Estufa da AgĂȘncia de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. E o volume liberado sĂł aumentou desde a revolução industrial, contribuindo para o aquecimento global. O que foi novidade para a comunidade cientĂ­fica muito recentemente Ă© que as formigas tambĂ©m podem ajudar a capturar CO2 e auxiliar na luta contra o aquecimento global. Schults (2014) explica os detalhes mais relevantes de estudo publicado recentemente no periĂłdico Geology, onde os pesquisadores associaram as formigas Ă  aceleração do armazenamento de diĂłxido de carbono natural em rochas. Respondendo ao estudo, David Schwartzman, professor emĂ©rito de biogeoquĂ­mica da Howard University que revisou a pesquisa, declarou que as formigas podem ter um papel importante parar o sequestro de carbono da atmosfera, embora as pesquisas nessa ĂĄrea ainda estĂŁo apenas em seus primeiros passos.

 Por outro lado, o papel das formigas na cadeia alimentar jĂĄ Ă© bem conhecido pelos ecĂłlogos. Muitas aves, lagartos, sapos, alguns besouros e tambĂ©m o homem incluem esses insetos em suas dietas. "Os Ă­ndios tupis jĂĄ preparavam hĂĄ centenas de anos as ycobas (içås), palavra que significa gordura, devido ao abdĂŽmen cheio de ovos", informa o zoĂłlogo NĂ©lson Papavero, no livro Insetos no folclore. "Eram torradas como amendoim, moqueadas e servidas com molho de tucupi bem apimentado ou entĂŁo assadas em paçoca com farinha de mandioca", descreve Papavero. Alguns grupos indĂ­genas usam tambĂ©m as gigantes saĂșvassoldados como grampos para ligar as bordas de cortes na pele. A aplicação Ă© simples: colocam as formigas para morder a ferida e arrancam seus corpos, ficando a cabeça presa ao ferimento para auxiliar a cicatrização (OLIVEIRA, 1990).

A organização e eficiĂȘncia da vida em sociedade: as saĂșvas como personagens da histĂłria do Brasil

Qualquer pessoa que tenha observado as paisagens em torno das estradas ou reparado em algum pasto em sua cidade jĂĄ avistou grandes formigueiros ou cupinzeiros, uma vez que ao edificar suas moradas estes insetos acumulam montes de terra na superfĂ­cie, chegando a  alturas considerĂĄveis. Oliveira (1990) ressalta que essas construçÔes de terra sĂŁo endurecidas como um verdadeiro telhado de barro, que acabam abrigando alguns atraindo outros, como tatus e tamanduĂĄs, cujo prato predileto (e invariĂĄvel o ano inteiro) sĂŁo precisamente formigas saĂșvas. Outros bichos preferem esperar a Ă©poca da primavera, quando as formigas aladas encarregadas da reprodução (no caso das saĂșvas, elas conhecidas como içås ou tanajuras, no caso das fĂȘmeas, e bitus, os machos) começam a revoada de acasalamento. O autor tambĂ©m discute os benefĂ­cios e prejuĂ­zos que as formigas podem causam aos seres humanos, pois com a mesma eficiĂȘncia que elas revolvem a terra e contribuem para a fertilidade do solo, elas tambĂ©m pode destruir lavouras inteiras ou mesmo competir com o gado por gramĂ­neas.

Essa voracidade das saĂșvas fez com que elas adquirissem mĂĄ fama, pois sĂŁo uma das forças mais dominantes do planeta, e em alguns casos, tĂŁo inteligentes quanto suas primas, as abelhas. Dieguez. & Paparounis (1993) destacam que os entomĂłlogos defendem que as formigas possuem uma espĂ©cie de inteligĂȘncia que nĂŁo funciona no cĂ©rebro, mas sim embutida nas habilidades desenvolvidas em conjunto por esses pequenos seres. Acima de tudo, sua sagacidade transparece por meio da vida em sociedade: entre milhĂ”es de espĂ©cies classificadas na categoria dos insetos, apenas as formigas e os cupins desenvolveram ao mĂĄximo esse mĂ©todo de dividir tarefas e multiplicar a eficiĂȘncia do trabalho. Em suas comunidades, todas as fĂȘmeas operĂĄrias sĂŁo estĂ©reis e os machos servem apenas para inseminar a rainha, Ășnica fĂȘmea fĂ©rtil. Chamam-se ―eussociais‖ os seres que praticam tal forma de matriarcado, que foi decisiva: somente 5% de todas as espĂ©cies de abelhas, por exemplo, tĂȘm comportamento social, mas estas Ășltimas superam largamente em nĂșmero os 95% restantes.

NĂŁo Ă© Ă  toa, portanto, que costuma-se dizer que colmeias e formigueiros nĂŁo sĂŁo simples ninhos, e sim uma espĂ©cie de ‗superorganismo‘. As bem conhecidas colmeias abrigam em mĂ©dia 50.000 moradores, mas os sauveiros sĂŁo ainda mais complicados, e podem reunir mais de 5 milhĂ”es de habitantes. Em cada um deles, tĂșneis estreitos interligam dezenas de cĂąmaras — os locais onde as saĂșvas efetivamente vivem. SĂŁo ocos subterrĂąneos, geralmente com meio metro de altura, usados para diversas funçÔes: desde lixeiras comunitĂĄrias (tambĂ©m usadas como cemitĂ©rios), atĂ© berçårios onde a rainha deposita ovos. No final, a construção equivale a um prĂ©dio de trĂȘs andares enterrado a 10 metros de profundidade. AĂ­, o maior compartimento Ă© o de cultivo, onde folhas que chegam do exterior sĂŁo dispostas com cuidado e adubadas com o hormĂŽnio fertilizante, excretado pela rainha, o ĂĄcido indolil-acĂ©tico. Uma casta inteira de saĂșvas, as chamadas jardineiras, com cerca de 2 milĂ­metros de comprimento, nunca sai do formigueiro. Elas existem para cuidar do fungo, o que inclui cortar ‗ervas daninhas‘, ou seja, os fungos que nĂŁo servem para comer. As cortadeiras, que trazem as folhas, tĂȘm 5 milĂ­metros e labutam no mundo externo sob a proteção dos taludos soldados, com 1,5 centĂ­metro. Estima-se que um sauveiro maduro chega a cortar cerca de 8 toneladas de folhas por ano — o suficiente para alimentar trĂȘs bois. (DIEGUEZ. & PAPAROUNIS, 1993).

Sem dĂșvida, foi justamente essa eficiĂȘncia que sustentou o visceral preconceito contra a saĂșva, sendo possĂ­vel identifica-las atĂ© em passagem literĂĄrias, o que reflete que as saĂșvas estĂŁo relacionadas com a prĂłpria histĂłria do Brasil. JĂĄ em 1560, o padre JosĂ© de Anchieta afirmava desdenhosamente que, entre as formigas do paĂ­s, sĂł mereciam menção ―as chamadas içås, que estragam as ĂĄrvores‖. O personagem MacunaĂ­ma, da obra homĂŽnima, de 1928, do escritor modernista brasileiro MĂĄrio de Andrade, tambĂ©m faz menção a essas formigas em particular quando atesta que ―pouca saĂșde e muita saĂșva, os males do Brasil sĂŁo". Esse verso parece inspirado num vaticĂ­nio famoso, escrito 100 anos antes pelo naturalista francĂȘs Auguste Saint-Hilaire: ―Ou o Brasil acaba com a saĂșva ou a saĂșva acaba com o Brasil‖. No entanto, o erro bĂĄsico desse modo de ver as formigas como inimigas Ă© tirar da trama o principal vilĂŁo da histĂłria: o prĂłprio homem. Hoje sabemos, por exemplo, que uma das causas da proliferação de saĂșvas que acabou por provocar prejuĂ­zos catastrĂłficos na economia brasileira no sĂ©culo passado se deve as drĂĄsticas reduçÔes populacionais de tamanduĂĄs e outros vertebrados que incluem as saĂșvas em sua dieta, uma vez que sofreram com a fragmentação de hĂĄbitat provocado pelo avanço agrĂ­cola da Ă©poca para cultivo das plantaçÔes de cafĂ©, uma das principais engrenagens econĂŽmicas do paĂ­s naquela Ă©poca.

É fĂĄcil perceber, Ă  luz da ecologia, que a saĂșva causa grandes estragos onde o homem gerou fortes desequilĂ­brios ecolĂłgicos. Os pastos sĂŁo um exemplo histĂłrico: em alguns deles se podem contar atĂ© mais de 50 sauveiros em cada quadrado de apenas 100 metros de lado. Um caso notĂłrio dessa prĂĄtica ocorreu em Mato Grosso do Sul, que se diz ostentar a maior concentração de formigueiros do mundo: reunidos num sĂł, eles cobririam 500 quilĂŽmetros quadrados, ĂĄrea quase igual Ă  da cidade de Porto Alegre. O desastre foi detectado no centro do Estado, onde a mata de 2.500 quilĂŽmetros quadrados havia sido derrubada para dar lugar monocultura de eucaliptos. A conclusĂŁo inevitĂĄvel dos biĂłlogos Ă© que a ‗praga‘ saĂșva segue os desajeitados passos humanos na natureza. E nĂŁo sĂł a saĂșva: a domĂ©stica lava-pĂ©s, por exemplo, tem sido acusada de devorar atĂ© crianças no Estado americano do Texas, para onde foi levada provavelmente em cargas de navios (OLIVEIRA, 1990; DIEGUEZ & PAPAROUNIS, 1993).

No caso das saĂșvas brasileiras, apesar de preferirem fazer o corte de folhas Ă  noite para evitar os predadores, Ă© possĂ­vel vĂȘ-las trabalhando durante o dia caso pressintam, por mecanismos ainda desconhecidos, a chegada de chuvas no entardecer. Oliveira (1990) destaca que durante as tempestades, estas incansĂĄveis formigas finalmente param de trabalhar para se proteger no interior dos ninhos que, embora feitos de terra, nĂŁo ficam completamente inundados. As cĂąmaras internas, ou panelas, como se denominam os grandes salĂ”es no interior do sauveiro, sĂŁo dispostas lateralmente aos tĂșneis de forma a evitar que sejam destruĂ­dos pelas grandes chuvas. Como nos diversos ambientes de uma residĂȘncia humana, em cada cĂąmara pratica-se um tipo de atividade diferente. No que se poderia chamar de cozinha, ou horta comunitĂĄria, cultiva-se um fungo para a alimentação de toda a colĂŽnia; nos quartos funcionam um tipo de berçårio para os ovos das saĂșvas, tambĂ©m criados em meio ao fungo, e em outras dependĂȘncias funcionam o ‗lixĂŁo‘ e o cemitĂ©rio, onde sĂŁo depositadas as formigas mortas da colĂŽnia. O fungo que serve de alimento Ă s formigas, o Pholota gongylophora, por sinal, sĂł pode ser encontrado em cĂąmaras especĂ­ficas. Ali, operĂĄrias jardineiras, medindo de 2 a 3 milĂ­metros, picam em partes cada vez menores os pedaços de folhas que chegam, as quais sĂŁo implantadas nas esponjas de fungos, que as utilizam como alimento. AlĂ©m disso, as jardineiras retiram constantemente pedaços mortos do fungo, assim como folhas secas, e mantĂȘm as condiçÔes climĂĄticas ideais para o desenvolvimento do fungo, jĂĄ que longe desses cuidados, o Pholiota raramente sobrevive. Mas todo esse esforço despendido pelas formigas Ă© compensado, uma vez que tal fungo lhes fornece a capacidade de digerir a celulose e outras substĂąncias tĂłxicas dos vegetais.

Numa coisa, portanto, o herĂłi de MĂĄrio de Andrade estava certo: as diversas espĂ©cies do gĂȘnero Atta sĂŁo o maior grupo de formigas do Brasil. O padre Anchieta e Saint-Hilaire tambĂ©m anunciam bem o poder de um dos exĂ©rcitos mais poderosos do mundo que, embora compostos por minĂșsculos invertebrados, sĂŁo capazes de arquitetar cĂąmaras, galerias e tĂșneis faraĂŽnicos e muito bem organizados para o funcionamento pleno do formigueiro. Mais uma vez, devido a constante combinação que esses insetos sociais desenvolvem com maestria: organização, especialização e cooperação.

Fluxo de energia e o conceito de capacidade de suporte: o que Ă© ser ‘ecologicamente correto’? Uma lição a ser aprendida pelos humanos 

Em Ășltima instĂąncia, toda e qualquer espĂ©cie tem o crescimento de suas populaçÔes limitado pela disponibilidade de recursos no seu ambiente. Foi dessa fonte que bebeu o prĂłprio Charles Darwin (1809-1882) durante a gestação de sua teoria evolutiva, pois foi apĂłs ler o livro ―Ensaio sobre princĂ­pios populacionais‖, do economista Thomas Malthus (1766- 1834), Ă© que o jovem naturalista inglĂȘs foi capaz de conceber o raciocĂ­nio de seleção natural – o mecanismo que favorece os organismos mais bem adaptados para competir por recursos do ambiente. Se somos mais uma espĂ©cie animal, nĂłs nĂŁo temos como fugir dessa regra; pesquisas comportamentais com colĂŽnias de formigas podem oferecer informaçÔes preciosas sobre o fluxo de energia e capacidade de suporte, algumas das quais podem ser aplicadas ao Homo sapiens. 

Em um estudo hoje considerado clĂĄssico, Lugo e colaboradores (1973) investigaram as saĂșvas (Atta colombica) que vivem nas florestas tropicais Ășmidas da Costa Rica, onde coletam fragmentos de folhas novas na vegetação, levando-os aos formigueiros subterrĂąneos a fim de servirem de substrato para culturas de fungos, dos quais elas se alimentam. Os pesquisadores estimaram os gastos de energia das diferentes atividades dentro de uma colĂŽnia e concluĂ­ram que a capacidade de suporte (i.e., o tamanho mĂĄximo da colĂŽnia) Ă© atingida quando a entrada de calorias, na forma de folhas coletadas, equilibra o custo energĂ©tico do trabalho envolvido no corte e transporte das folhas, na manutenção das trilhas e no cultivo dos fungos. Os pesquisadores observaram ainda que, em um dado momento, nas colĂŽnias grandes, 25% das formigas estavam carregando folhas, enquanto 75% estavam cuidando das trilhas e dos jardins de fungos. Quando a entrada de energia era equilibrada pelos custos de manutenção, a colĂŽnia parava de crescer. 

Graças a estudos como esses, sabemos hoje que as colĂŽnias de formigas dependem de subsĂ­dios enormes importados de fora, tirados, muitas vezes, de fontes que se acumularam muito antes do aparecimento do ser humano. É consenso entre os pesquisadores que as populaçÔes humanas parecem se aproximar dos nĂ­veis mĂĄximos da capacidade de suporte dos seus respectivos ambientes. Apesar de atualmente a taxa de crescimento da população humana ser declinante, parar de crescer nĂŁo impedirĂĄ que o consumo global deixe de aumentar. A chave do problema Ă© baixar a taxa de consumo per capita, jĂĄ que os recursos limitantes que mais causam preocupação atualmente sĂŁo alimento, hĂĄbitat e combustĂ­veis fĂłsseis (ODUM & BARRET, 2007). 

A explosĂŁo demogrĂĄfica humana das Ășltimas dĂ©cadas foi promovida pelo aumento da quantidade de alimento disponĂ­vel e, mais recentemente, pelas melhorias no saneamento bĂĄsico. O primeiro fator elevou a taxa de natalidade, enquanto o segundo reduziu a de mortalidade. Um exemplo familiar Ă© o hino da copa do mundo de futebol de 1970, que dizia ―noventa milhĂ”es em ação, pra frente Brasil do meu coração…‖. E fomos! Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e EstatĂ­stica, o Brasil comportava mais de 190 milhĂ”es de habitantes em 2010. Em 40 anos, portanto, mais do que dobramos a nossa população. Uma consequĂȘncia lĂłgica disso foi o aumento na demanda por bens e serviços, o que implicou em derrubarmos (mais) florestas, construirmos (mais) barragens – o que resultou em alagarmos (mais) terrenos – e, por fim, produzirmos (mais) lixo e contaminantes. No fim das contas, a demanda por mais espaço tende a fazer com que outras espĂ©cies percam seus hĂĄbitats, seja para a construção de casas, ruas, rodovias, pastos ou plantaçÔes. 

Como levantado anteriormente, nĂŁo fomos os inventores da agricultura e da pecuĂĄria, e sim as formigas. Apenas dois gĂȘneros de todo o reino animal foram espertos o bastante para fugir Ă s incertezas da vida e garantir a sobrevivĂȘncia por meio daquilo que semeiam e colhem. O homem Ă© definitivamente um novato: existe hĂĄ pouco mais de 2 milhĂ”es de anos, aprendeu a arte do cultivo hĂĄ coisa de 100 sĂ©culos e hoje Ă© representado por uma Ășnica espĂ©cie sobre a face do planeta, o Homo sapiens. Embora o processo de domesticação foi, sem dĂșvida, um dos eventos mais importantes da histĂłria humana, ela Ă© muito recente em nossa histĂłria evolutiva. A nossa agricultura, segundo os arqueĂłlogos, parece ter surgido e se espalhado em diferentes regiĂ”es do mundo, em algum momento entre 10.000 e 5.000 anos atrĂĄs. A transição de uma vida como coletores-caçadores para uma vida como cultivadores de alimento fez com que a nossa civilização se tornasse sedentĂĄria e prosperasse, o que na literatura tĂ©cnica passou a ser chamado de ‗a revolução do NeolĂ­tico‘ (WEISDORF, 2005). Por outro lado, as formigas veem fazendo esses cultivos de outros seres vivos hĂĄ milhĂ”es de anos. 

Os pulgĂ”es, que sĂŁo parentes prĂłximos das cigarras e dos percevejos, tĂȘm uma relação mutualĂ­stica histĂłrica com as formigas que antecede qualquer hominĂ­deo que jĂĄ tenha passado pela face da Terra. Os pulgĂ”es se alimentam de seiva das plantas, um material rico em açĂșcares, e o que nĂŁo Ă© digerido Ă© avidamente consumido por certas formigas. Estas, por sua vez, cuidam do ‗rebanho de pulgĂ”es‘ ao afugentar predadores (GULLAN & CRANSTON, 2013). AlĂ©m da domesticação de animais, algumas formigas sĂŁo Ăłtimas agricultoras, jĂĄ que cultivam fungos no interior de seus formigueiros. Cada pedaço de folha que chega a uma colĂŽnia Ă© tratado com um defensivo natural produzido pelas prĂłprias formigas, para evitar que microrganismos proliferem e contaminem o jardim de fungos. A eficiĂȘncia desse processo Ă© muito superior ao que acontece quando aplicamos pesticidas para combater as pragas de nossas lavouras.

Nossas formidĂĄveis concorrentes, que existem hĂĄ um tempo que se mede na casa dos 100 milhĂ”es de anos, trazem do berço as tĂ©cnicas agrĂ­colas e sĂŁo representadas por dezenas de espĂ©cies sobre a Terra. SĂŁo as saĂșvas que aprenderam a cultivar um fungo sobre um canteiro de folhas cortadas, para depois usĂĄ-lo como alimento. Por isso, muitos entomĂłlogos, estudiosos de insetos, as consideram os mais avançados animais dessa categoria — talvez mais que as abelhas, suas primas. NĂŁo Ă© Ă  toa que saĂșvas e abelhas tĂȘm tanta importĂąncia no mundo moderno. Ambas sĂŁo descendentes de um inseto sagaz que hĂĄ mais de 200 milhĂ”es de anos descobriu um meio de colonizar o subsolo, que era, entĂŁo, um vasto e inexplorado ambiente, apenas Ă  espera de um aventureiro que o ocupasse (DIEGUEZ & PAPAROUNIS, 1993). Manter uma dieta bem versĂĄtil tambĂ©m ajuda: "elas podem explorar diferentes recursos de um ambiente sem limitação por especialização alimentar", diz o biĂłlogo Rodrigo Feitosa, da USP. Isso significa que as formigas nĂŁo sĂŁo superespecialistas em sua dieta; se uma fonte de alimento acaba, elas se organizam para procurar outra sem deixar o formigueiro desprotegido (COHEN, 2013).

Em organismos eussociais, como formigas, sĂŁo as caracterĂ­sticas da colĂŽnia que sĂŁo transmitidas Ă s futuras geraçÔes. Ou seja, o conceito de evolução se aplica ao coletivo, nĂŁo ao indivĂ­duo. As formigas que nĂŁo se reproduzem, como as operĂĄrias, tĂȘm mais tempo para se especializar em outras tarefas, como a busca de alimento e a defesa do ninho. Cohen (2013) afirma que para os biĂłlogos essa capacidade de evoluir em grupo Ă© um dos fatores que garantiram a sobrevivĂȘncia das formigas por mais de 100 milhĂ”es de anos, lembrando que as formigas tĂȘm relaçÔes simbiĂłticas (com vantagens para todos) com mais de 400 espĂ©cies de plantas, milhares de artrĂłpodes, fungos e micro-organismos.

Formigas e literatura: como pĂŽr em prĂĄtica abordagens conservacionistas e transdisciplinares? Um exemplo com GuimarĂŁes Rosa e os sistemas ecolĂłgicos do Cerrado

Mesmo com o excepcional volume de informaçÔes disponĂ­veis nos dias atuais, principalmente por causa das facilidades trazidas pela revolução dos meios de comunicação, a falta de integraçÔes que esclareçam conceitos e universalidades do conhecimento ainda Ă© um desafio. É urgente e crescente a necessidade de se promover uma alfabetização ambiental cientĂ­fica e sĂ©ria da população, mas essa abordagem de nĂ­veis mĂșltiplos e escala ampla envolve sistemas inteiros de educação e inovação. Essa proposta de abordagem integrativa, que se preocupa em desvendar explicaçÔes de causa e efeito por meio de um entendimento transdisciplinar, tem sido chamada na literatura cientĂ­fica de consiliĂȘncia (WILSON, 1999), de ciĂȘncia da sustentabilidade (KATES et al., 2001) e de ciĂȘncia integrativa (BARRET, 2001).

De fato, o desenvolvimento continuado da Ecologia parece estar cada vez mais se estabelecendo como ciĂȘncia integrativa, tĂŁo necessĂĄria aos dias de hoje. No entanto, estratĂ©gias transdisciplinares ainda sĂŁo muito pouco exploradas no dia-a-dia das escolas brasileiras, mesmo jĂĄ sendo bem sabido que para se divulgar ciĂȘncia de maneira clara e efetiva, o pĂșblico deve se sentir inserido no processo histĂłrico, reencontrando-se nos outros e identificando-se com eles. Somente esta conscientização Ă© capaz de fazer com que o conhecimento seja uma construção social que possa fazer o estudante transitar da inĂ©rcia para a autonomia, com participação ativa no meio em que vive, e nĂŁo um mero produto final resultante do acĂșmulo de dados e informaçÔes (FREIRE, 1987; TORRES, 1997). 

O escritor Guimarães Rosa, cuja biografia mostra que ele viajou com tropeiros antes de compor suas obras, é citado aqui como exemplo por estar inserir as realidades locais do Brasil, fornecendo uma caracterização detalhada do sertanejo (seus costumes, vocabulårio, crenças), e também eternizando ambientes naturais pela descrição dos cenårios de suas histórias de modo bastante convincente. Em grande parte de seus livros ou contos, o escritor mineiro compÔe paisagens e dinùmicas do Cerrado de uma maneira tão acurada que talvez apenas biólogos muito experientes soubessem descrever. Um professor não teria grandes dificuldades em explorar os conceitos ecológicos e os aspectos comportamentais da flora e da fauna desse bioma, implícitos nos trechos a seguir:

Do povinho mais miĂșdo, por enquanto, apenas o eterno cortejo das saĂșvas, que vĂŁo sob as folhas secas, levando bandeiras de pedacinhos de folhas verdes, e jĂĄ resolveram todos os problemas do trĂąnsito. Ligeira, escoteira, zanza tambĂ©m, de vez em quando, uma dessas formigas pretas caçadoras amarimbondadas, que dĂŁo ferroadas de doer trĂȘs gritos. Mas aqui estĂĄ outra, pior do que a preta corredora: esta formiga-onça rajada, que vem subindo pela minha polaina. EstĂĄ com fome. Quer das provisĂ”es. Desço-a e ponho-lhe diante de um grumo de geleia e alguns grĂŁos de farinha. NĂŁo quis. Fugiu. Quem vai comer do meu farnel Ă© todo o clĂŁ das quem-quem, esses trenzinhos serelepes, que tĂȘm ali perto a boca do seu formigueiro. Uma por uma, se entrevem; largam os glĂłbulos de terra, trocam sinais de antenas, circulam adoidadas e voltam para a cratera vermelha. Vou espalhar no chĂŁo mais comida, pois elas sĂŁo sempre simpĂĄticas: ora um menino que brinca, ora uma velhinha a rezar. 

Como serĂĄ o deus das formigas? Suponho-o terrĂ­vel. TerrĂ­vel como os que o louvam... E isto Ă© tambĂ©m como o louva-a-deus, que, acolĂĄ, ereto, faz vergar a folha do junquilho. Ele estĂĄ sempre rezando, rezando de mĂŁos postas, com punhais cruzados. Mas, no domingo passado, este mesmo, ou um qualquer louva-a-deus outro, comeu o companheiro em oito minutos, medidos no relĂłgio – deixou de lado apenas as rijas pernas-de-pau serrilhadas da vĂ­tima, e o seu respectivo colete....Foi-se. (...). EntĂŁo fiquei meio deitado, de lado. Passou ainda uma borboleta de pĂĄginas ilustradas, oscilando no voo pulandinho e entrecortado das borboletas; mas se sumiu, logo, na orla das tarumĂŁs. EntĂŁo, eu sĂł podia ver o chĂŁo, os tufos de grama e o sem-sol dos galhos. Mas a brisa arageava, movendo mesmo aqui em baixo as carapinhas dos capins e as mĂŁos de sombra. E o mulungu rei derribava flores suas na relva, como se atiram fichas ao feltro numa mesa de jogo. Paz. 

- trecho do conto SĂŁo Marcos, na obra Sagarana (ROSA, 2001, pg. 282)

E ele achava muitas coisas bonitas, e tudo era mesmo bonito, como sĂŁo todas as coisas nos caminhos do sertĂŁo. (...) Pela primeira vez na sua vida, se extasiou com as pinturas do poente, com os trĂȘs coqueiros subindo da linha da montanha para se recortarem num fundo alaranjado, onde, na descida do sol, muitas nuvens pegam fogo. E viu voar, do mulungu, vermelho, um tiĂ©-piranga, ainda mais vermelho – e o tiĂ©-piranga pousou num ramo de barbatimĂŁo sem flores, e NhĂŽ Augusto sentiu que o barbatimĂŁo todo se alegrava, porque tinha agora um ramo que era de mulungu. 

- trecho do conto A hora e a vez de Augusto Matraga, na obra Sagarana (ROSA, 2001, pg. 401-402)

O chapadĂŁo Ă© sozinho – a largueza. O sol. O cĂ©u de nĂŁo se querer ver. O verde carteado do grameal. As duas areias. As arvorezinhas ruim-inhas. A diversos que passavam abandoados de arraras – araral – conversantes. Aviavam vir os periquitos, com o canto-clim. Ali chovia? Chove – e nĂŁo encharca poça, nĂŁo rola enxurrada, nĂŁo produz lama: a chuva inteira se sorve em minuto terra a fundo, feito um azeitezinho entrador. O chĂŁo endurecia, cedo, esse rareamento de ĂĄguas. O fevereiro feito. ChapadĂŁo, chapadĂŁo, chapadĂŁo. De dia, Ă© um horror de quente, mas pra noitinha refresca, e de madrugada se escorropicha de frio, o senhor isto sabe. 

- trecho do romance Grande SertĂŁo: Veredas (ROSA, 2001, p. 339-40).

Destrinchar os processos ecolĂłgicos, evolutivos e biogeogrĂĄficos subjacentes nestas curtas passagens pode, concomitantemente, despertar o interesse de alunos que tenham inclinação para as Letras. O modo peculiar de escrever de GuimarĂŁes Rosa pode estimulĂĄ-los a se iniciar e/ou se aventurar, tambĂ©m, no mundo da literatura. É, pois, sob essa abordagem que o conhecimento cientĂ­fico tambĂ©m pode ser trabalhado: integrando-o a outros campos do saber. A ideia Ă© justamente descortinar para os educandos a conectividade que existe entre as universalidades do conhecimento, sejam elas artĂ­sticas, culturais, histĂłricas, sociais, religiosas ou cientĂ­ficas.

 O homem como gerenciador de biodiversidade: reflexĂ”es para o Brasil

O Brasil Ă© conhecido por sua extraordinĂĄria diversidade de espĂ©cies de formigas e hĂĄ muitas dĂ©cadas nossos cientistas estĂŁo dedicados a estudar vĂĄrios aspectos do grupo, desde sistemĂĄtica, histĂłria natural, comportamento, ecologia, interaçÔes com plantas, atĂ© fatores que influenciam o nĂșmero e a composição de espĂ©cies de comunidades de formigas nos diferentes ecossistemas brasileiros. Este grupo taxonĂŽmico, portanto, Ă© um exemplo para se demonstrar toda a complexidade das interaçÔes ecolĂłgicas que ocorrem na natureza.

Em geral, as pessoas costumavam manter uma relação de grande intimidade com os locais em que viviam. Nossos antepassados eram caçadores-coletores, pequenos lavradores ou pastores, pessoas que tinham de saber com exatidão todos os detalhes físicos da região de onde tiravam o sustento, caso quisessem manter intacto seu modo de vida. A maioria de nós, que vive no mundo moderno, nada tem de comparåvel a isso, exceto conhecimento pråtico e infraestrutura de nossa própria civilização extremamente técnica. No entanto, ver e apreciar, participar o tempo todo e desde sempre de padrÔes que não foram estabelecidos por nós. Lopes (2007), destaca que algum dia alguém ainda irå explicar as raízes da solidão humana moderna por essa perda de intimidade com o meio ambiente, pelas nossas incontåveis transgressÔes em relação ao planeta físico. O autor enfatiza que jå não temos mais nenhum relacionamento com a Terra, e mesmo quando ele existe, quase sempre é råpido demais, insuficiente para que as coisas sejam absorvidas. Nessa linha de raciocínio, as formigas demostram ser um bom grupo taxonÎmico para se ter uma ideia da complexidade e importùncia das relaçÔes ecológicas que ocorrem no meio ambiente que o homem compartilha com outros milhares de seres vivos.

Wilson (2008) afirma que nossa relação com a natureza Ă© primal e discute que as emoçÔes que ela desperta devem ter surgido durante a esquecida prĂ©-histĂłria da humanidade e, portanto, sĂŁo profundas e obscuras. A atração gravitacional da natureza sobre a psique humana pode ser expressa em um Ășnico termo, mais contemporĂąneo: biofilia, definido como a tendĂȘncia inata para se afiliar Ă  vida e aos processos vitais. O pesquisador ressalta que, desde a infĂąncia atĂ© a velhice, as pessoas de todas as partes do mundo sentem atração pelas outras espĂ©cies, mostrando que a apreciação da diversidade da vida Ă© universal e intrĂ­nseca ao ser humano. Explorar a vida e filiar-se a ela, transformar criaturas vivas em metĂĄforas carregadas de emoção, inseri-las na mitologia e na religiĂŁo – eis os processos fundamentais, facilmente reconhecĂ­veis, da evolução cultural biofĂ­lica. Essa filiação tem uma consequĂȘncia moral: quanto mais compreendemos outras formas de vida, mais o nosso aprendizado se expande, abrangendo a sua vasta diversidade, e maior Ă© o valor que atribuĂ­mos a elas – e, evidentemente, a nĂłs mesmos. Wilson (2008, p. 78-79) discute como essa filiação influencia as nossas preferĂȘncias por certos habitats:

 ―...os pesquisadores jĂĄ descobriram que quando pessoas de diversas culturas, incluindo as da AmĂ©rica do Norte, da Europa, da Ásia e da África, tĂȘm liberdade de escolher seu local de residĂȘncia e trabalho, elas preferem um ambiente que combine trĂȘs caracterĂ­sticas. Desejam morar em um lugar alto, com vista para fora e para baixo; de onde se possa ver uma ĂĄrea verde, com ĂĄrvores esparsas e pequenos bosques, mais semelhante a uma savana do que a um campo relvado ou a uma floresta densa; e que esteja perto de uma fonte de ĂĄgua, tal como um lago, um rio ou o mar. Mesmo que todos esses elementos sejam puramente estĂ©ticos e nĂŁo funcionais, como acontece nas residĂȘncias de veraneio, aqueles que dispĂ”em de meios para tanto estĂŁo dispostos a pagar preços elevados para obtĂȘ-los. Em testes com vĂĄrias opçÔes, verificou-se que as pessoas preferem que sua moradia seja um retiro, com uma parede, rochedo ou alguma outra coisa sĂłlida na parte de trĂĄs. Elas desejam ver um terreno frutĂ­fero em frente ao seu retiro. Apreciam que animais grandes, silvestres ou domĂ©sticos, estejam espalhados pelo local.

(...) Embasada em considerĂĄveis evidĂȘncias do registro fĂłssil, essa interpretação sustenta que os seres humanos de hoje continuam escolhendo habitats semelhantes Ă queles em que a nossa espĂ©cie evoluiu, na África, durante milhĂ”es de anos de prĂ©-histĂłria. Nossos distantes antepassados desejavam ficar ocultos em pequenos bosques com vista para uma savana ou em ĂĄreas de presas para perseguir, animais abatidos para recolher e deles alimentar-se, plantas comestĂ­veis para coletar, inimigos para evitar. Um curso d‘ĂĄgua nas proximidades fazia as vezes de limite territorial e fonte de alimentos. 

SerĂĄ tĂŁo estranho que pelo menos um resĂ­duo dessa escolha de hĂĄbitat persista entre os instintos humanos? A busca programada pelo ambiente correto Ă© um comportamento universal das espĂ©cies animais, pela melhor das razĂ”es – trata-se de um imperativo para a sobrevivĂȘncia e a reprodução. 

Embora essas vĂĄrias linhas de evidĂȘncias sejam apenas fragmentĂĄrias, elas nos dizem que grande parte da natureza humana foi programada geneticamente durante os longos perĂ­odos em que nossa espĂ©cie viveu em contato Ă­ntimo com o resto do mundo natural vivo. Hoje as pessoas da maioria dos paĂ­ses nĂŁo dĂŁo mais importĂąncia a essa conexĂŁo. Elas expulsaram a natureza viva para as margens da existĂȘncia, e o declĂ­nio desta tem uma prioridade baixĂ­ssima na ordem das suas preocupaçÔes. Com o aumento dos conhecimentos cientĂ­ficos sobre a natureza humana e a natureza viva, essas duas forças criativas da auto-imagem humana irĂŁo unir-se. A Ă©tica central vai mudar, e fecharemos o cĂ­rculo, passando a apreciar e valorizar todas as formas de vida – e nĂŁo apenas a nossa.

Os biomas brasileiros, assim como os do resto do planeta, mudaram muito ao longo dos Ășltimos milhĂ”es, milhares e centenas de anos. A extinção ou florescimento de linhagens, fatos naturais da dinĂąmica ecolĂłgica da vida, tem dependido sempre do fato das espĂ©cies estarem ou nĂŁo adaptadas a viver em novos cenĂĄrios – a ideia essencial da boa e velha evolução por seleção natural, proposta por Charles Darwin em meados do sĂ©culo XIX e que continua atual. Hoje em dia, depois do crescimento e expansĂŁo da população humana, resta pouco de todo o patrimĂŽnio biolĂłgico que tĂ­nhamos hĂĄ alguns sĂ©culos, jĂĄ que os fragmentos de vegetação natural perdem cada vez mais espaço para atividades antrĂłpicas. A racionalização e aumento no volume de informaçÔes fizeram com que nos tornĂĄssemos o Ășltimo tipo dominante de vida do planeta, fechando a porta Ă  possibilidade de qualquer outro animal fizesse o mesmo avanço e viesse, quem sabe, a desafiar nossa posição privilegiada na Terra.

À medida que estendemos as explicaçÔes cientificas dentro dos domĂ­nios da biologia, nĂłs ganhamos confiança – ou ficamos aterrorizados – pela conscientização de que nosso destino como espĂ©cie depende do nosso prĂłprio discernimento e tambĂ©m do bom funcionamento de inĂșmeros ecossistemas, e nĂŁo dos caprichos de alguma entidade sobrenatural (WILSON, 1997). À medida que pensamos com humildade sobre o nosso lugar na histĂłria da vida e Ă  medida que refletimos sobre a nossa origem biolĂłgica, começamos a perceber que os nossos antepassados ultrapassam os limites familiares ou humanos. Compartilhamos ancestrais em comum com toda e qualquer outra forma de vida, extinta ou vivente. Afinal, biologicamente falando, somos apenas mais uma entre milhĂ”es de ramificaçÔes na ĂĄrvore da vida.

Nós, brasileiros, somos detentores da fauna e da flora mais ricas de toda a América do Sul e uma das mais majestosas biodiversidades de todo o mundo. Mas como estamos agindo em relação a isso? A divulgação de informaçÔes equivocadas ou incompletas ainda encontra solo fértil em nossa sociedade, que continua a ser iludida por ideias e estereótipos que visam, na maioria das vezes, unicamente estimular o consumo. Nunca fomos tão livres social e politicamente; ao mesmo tempo, porém, nunca fomos tão submissos ao consumismo e tão passivos em relação à qualidade das informaçÔes que nos são apresentadas. Vivemos em uma sociedade que, por um lado, usufrui de avanços tecnológicos surpreendentes, mas, por outro, estå mergulhada em uma futilidade angustiante (LIPOVETSKY, 2006).

Apenas uma sociedade esclarecida e consciente da riqueza biolĂłgica de seu paĂ­s Ă© capaz de identificar um discurso progressista meramente mercantilista imbuĂ­da em uma prĂĄtica que polui nossos mares e rios, que devasta nossos biomas e que extirpa do territĂłrio nacional variedades genĂ©ticas Ășnicas. Estamos aprendendo que nĂŁo hĂĄ como pensar em desenvolver um paĂ­s sem investimentos em Educação (bĂĄsica e universitĂĄria) e em estratĂ©gias para conservar suas riquezas, elaborando planos racionais para sustentĂĄ-la. Devemos, portanto, tomar consciĂȘncia de nosso papel no gerenciamento da biodiversidade e de reflexĂ”es e açÔes que garantam que o futuro ainda espelhe essa grandeza de formas de vida. Que entre outras mil, que ainda seja o Brasil a nosso pĂĄtria amada e idolatrada. Mas que seja, sobretudo, diversificada e conservada.