INSPIRADO EM HEIDEGGER, BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL (POR RENATA BRAVO), NÃO SE APRESENTA COMO UM CONTEÚDO A SER DECORADO, MAS COMO UMA EXPERIÊNCIA A SER DIGERIDA, VIVIDA E INCORPORADA.

RECICLAR É IMPORTANTE, MAS QUESTIONAR É ESSENCIAL

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Sustentabilidade do Legado: uma leitura histórica e interdisciplinar das relações humanas

A História não é apenas um registro do passado. Ela é uma ponte entre tempos, culturas e saberes. Ao analisarmos trajetórias históricas, como a atuação dos jesuítas no século XVI, somos convidados a refletir sobre legado, sustentabilidade e relações humanas a partir de uma perspectiva interdisciplinar.

História: ações humanas e permanências

Os movimentos de expansão religiosa e cultural da Europa moderna ocorreram em um contexto de conflitos, reformas religiosas e disputas de poder. Nesse cenário, os jesuítas atuaram como educadores, missionários e mediadores culturais em diferentes partes do mundo.

Essas ações deixaram marcas duradouras: escolas, registros escritos, práticas pedagógicas e formas de organização social. A História nos ajuda a compreender como decisões humanas atravessam séculos, influenciando sociedades atuais, esse é um dos sentidos mais profundos do conceito de legado.

Geografia: território, deslocamento e adaptação

As peregrinações pela Europa, as viagens oceânicas e a entrada em florestas e territórios desconhecidos revelam uma relação direta entre seres humanos e espaço geográfico. A adaptação ao clima, ao relevo e aos recursos naturais era condição para a sobrevivência.

Nesse ponto, a interdisciplinaridade com a Geografia permite refletir sobre uso do território, mobilidade humana e impactos ambientais, conectando o passado às discussões contemporâneas sobre sustentabilidade e ocupação consciente dos espaços.

Ciências e Educação Ambiental: sustentabilidade além do meio ambiente

Embora o conceito moderno de sustentabilidade não existisse à época, as práticas de sobrevivência, cultivo, construção e deslocamento mostram uma relação constante com a natureza. A dependência direta dos recursos naturais evidencia que não há sociedade sem equilíbrio ambiental.

Trazer essa reflexão para as Ciências amplia o entendimento de sustentabilidade como algo que envolve:

preservação dos recursos,

continuidade da vida,

responsabilidade intergeracional.

Filosofia e Ética: relações humanas e valores

As relações entre missionários, povos originários e diferentes culturas levantam questões éticas fundamentais: respeito, diálogo, imposição cultural e convivência com a diferença. A Filosofia contribui ao questionar como nos relacionamos com o outro e quais valores sustentam nossas escolhas.

Pensar o legado histórico também é refletir sobre erros, conflitos e aprendizados, desenvolvendo uma postura crítica e consciente.

Educação: o legado como herança viva

A educação aparece como eixo integrador de todas essas áreas. O conhecimento transmitido de geração em geração é uma forma de sustentabilidade cultural. Quando ensinamos História de maneira interdisciplinar, formamos estudantes capazes de compreender o mundo de forma complexa, conectada e responsável.

Conclusão

Sustentabilidade do legado é entender que nossas ações constroem caminhos duradouros. A História mostra que relações humanas, território, natureza e conhecimento estão interligados. Ao trabalhar esses temas de forma interdisciplinar, a educação cumpre seu papel maior: formar cidadãos conscientes do passado, atentos ao presente e responsáveis pelo futuro 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Inclusão na escola: nunca pense em deficiência, pense em habilidades

A escola é o lugar onde todas as crianças devem pertencer. A inclusão acontece quando deixamos de olhar para o que falta e passamos a enxergar as habilidades que cada estudante possui.

Em atividades interdisciplinares, diferentes formas de aprender se encontram, se completam e enriquecem o processo educativo.

Quando estimulamos os sentidos, respeitamos os ritmos, garantimos acessibilidade e valorizamos os interesses, a qualidade de vida, a aprendizagem e a autoestima melhoram para todos.

Deficiência visual

Quando a visão é reduzida ou ausente, outros sentidos ganham protagonismo: audição, tato e olfato.

Na escola, podem ser incluídos em:

Banda musical escolar (percussão, canto, ritmo, grupo vocal)

Oficinas de música e instrumentos

Contação de histórias e narrativas orais

Atividades táteis (argila, texturas, materiais naturais)

Projetos sensoriais com cheiros, sons e sabores

Habilidades desenvolvidas: sensibilidade auditiva, memória, coordenação, criatividade e expressão musical.

Deficiência auditiva

Aprender não depende apenas do ouvir. O corpo, o olhar e as mãos também ensinam.

Na escola, podem ser incluídos em:

Jogos de tabuleiro (estratégia, matemática, regras)

Artes visuais (desenho, pintura, colagem, fotografia)

Atividades com imagens, mapas e sequências visuais

Dança e expressão corporal

Jogos de mímica e linguagem visual

Habilidades desenvolvidas: raciocínio lógico, atenção visual, cooperação e expressão corporal.

Deficiência intelectual

Cada aluno aprende no seu tempo. Quando o processo é respeitado, o aprendizado acontece com sentido.

Na escola, podem ser incluídos em:

Atividades de pintura, desenho e artes manuais

Música com movimento

Jogos simples e repetitivos

Oficinas práticas (culinária, jardinagem, cuidados)

Trabalhos em grupo e projetos coletivos

Habilidades desenvolvidas: coordenação motora, autonomia, socialização, criatividade e autoestima.

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Existem muitos tipos de autismo. A inclusão começa quando buscamos saber o que interessa e motiva cada pessoa.

Na escola, podem ser incluídos em:

Projetos baseados em interesses (números, animais, música, tecnologia)

Atividades estruturadas e previsíveis

Música, ritmo e sons organizados

Artes visuais, desenho detalhado e pintura

Jogos com regras claras e apoio visual

Habilidades desenvolvidas: foco, organização, criatividade, comunicação e autonomia.

Cadeirantes / deficiência física

A mobilidade reduzida não limita o pensamento, a criatividade nem a participação. Inclusão também é garantir acessibilidade física e atitudes inclusivas.

Na escola, podem ser incluídos em:

Atividades artísticas (pintura, desenho, escultura, colagem)

Música, canto e instrumentos adaptados

Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos

Projetos de tecnologia, robótica e produção digital

Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares

Habilidades desenvolvidas: autonomia, expressão, raciocínio, criatividade, liderança e trabalho em equipe.

Deficiência pode se transformar em habilidade

Quando a escola adapta o ambiente, as práticas e o olhar, surgem:

Talentos antes invisíveis

Novas formas de comunicação

Criatividade ampliada

Vínculos verdadeiros

Aprendizagens profundas

Nunca pense em deficiência. Pense em habilidades.

Porque cada pessoa percebe o mundo de um jeito e todos esses jeitos têm valor.

A Casa dos Sentidos

Na escola havia uma sala diferente.

Não tinha placa,

mas todos a chamavam de Casa dos Sentidos.

Ali, quem não via

escutava o mundo com atenção

e reconhecia os amigos

pelo som dos passos e do riso.

Quem não ouvia

dançava com o chão,

sentindo a música vibrar

nos pés e no coração.

Havia quem se movesse sobre rodas

e ensinasse à escola inteira

que o caminho não está nas pernas,

mas na vontade de chegar.

Havia quem aprendesse devagar,

mas ensinasse rápido

o valor da paciência,

do cuidado

e do tempo certo das coisas.

Havia também quem visse o mundo em detalhes invisíveis,

porque seu olhar nascia de dentro

e enxergava o que ninguém mais via.

Na Casa dos Sentidos,

ninguém era menos.

Cada um era necessário.

E todos aprenderam juntos

que o mundo

não se entende só com os olhos,

nem só com os ouvidos…

O mundo se entende

quando a escola abre espaço

para todas as habilidades existirem. 

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Inclusão na escola: quando a deficiência revela habilidades

Resumo

A educação inclusiva propõe um deslocamento de olhar: sair da lógica da deficiência e reconhecer as habilidades, potencialidades e diferentes formas de aprender. Este artigo discute como a escola pode estimular sentidos, interesses e competências de estudantes com deficiência visual, auditiva, intelectual, transtorno do espectro autista e deficiência física, por meio de atividades interdisciplinares que promovem aprendizagem, participação e qualidade de vida.

1- Introdução

A escola é, por essência, um espaço de diversidade. No entanto, durante muito tempo, estudantes com deficiência foram vistos a partir daquilo que não conseguiam fazer. A perspectiva inclusiva rompe com esse modelo e propõe uma mudança fundamental: não pensar em deficiência, mas em habilidades.

Quando a escola adapta suas práticas, valoriza os interesses individuais e estimula diferentes sentidos, cria-se um ambiente onde todos aprendem, cada um à sua maneira. A inclusão não beneficia apenas quem tem deficiência, mas toda a comunidade escolar.

2- Estímulo sensorial e qualidade de vida

O estímulo dos sentidos é um dos pilares da educação inclusiva. Quando um sentido é reduzido ou ausente, outros podem ser ampliados, promovendo autonomia, bem-estar, aprendizagem significativa e melhora da qualidade de vida.

A escola, por meio de atividades interdisciplinares, tem grande potencial para favorecer essas experiências.

3- Deficiência visual: aprender com o corpo e com o som

Na deficiência visual, os sentidos da audição, tato e olfato tornam-se centrais no processo de aprendizagem.

Possibilidades pedagógicas:

Participação na banda musical escolar, em grupos vocais e percussão

Oficinas de música, ritmo e instrumentos

Contação de histórias, narrativas orais e audiolivros

Atividades táteis com argila, texturas e materiais naturais

Projetos sensoriais envolvendo cheiros, sons e sabores

Essas experiências desenvolvem memória auditiva, coordenação, criatividade e expressão artística, fortalecendo o protagonismo do estudante.

4- Deficiência auditiva: aprender pelo olhar, pelo corpo e pela interação

A aprendizagem não acontece apenas pela escuta. Estudantes com deficiência auditiva utilizam intensamente o campo visual, o tato e a expressão corporal.

Possibilidades pedagógicas:

Jogos de tabuleiro, que envolvem estratégia, matemática e cooperação

Artes visuais: pintura, desenho, colagem e fotografia

Atividades com imagens, mapas mentais e sequências visuais

Dança, teatro e expressão corporal

Jogos de mímica e comunicação visual

Essas práticas estimulam o raciocínio lógico, a atenção, a leitura de imagens e o trabalho em grupo.

5- Deficiência intelectual: respeitar o ritmo e valorizar o processo

Na deficiência intelectual, o foco deve estar no processo de aprendizagem, não apenas no resultado. Respeitar o tempo de cada estudante é essencial para que o aprendizado faça sentido.

Possibilidades pedagógicas:

Atividades de pintura, desenho e artes manuais

Música associada ao movimento

Jogos simples, repetitivos e estruturados

Oficinas práticas como culinária, jardinagem e cuidados cotidianos

Projetos coletivos e trabalhos em grupo

Essas ações promovem coordenação motora, autonomia, socialização e fortalecimento da autoestima.

6- Transtorno do Espectro Autista (TEA): partir do interesse

O autismo não é único; existem muitos espectros e singularidades. A inclusão efetiva começa ao identificar o que interessa e motiva cada pessoa autista.

Possibilidades pedagógicas:

Projetos baseados em interesses específicos (números, animais, música, tecnologia)

Atividades estruturadas, previsíveis e com apoio visual

Música, ritmo e sons organizados

Artes visuais, desenho detalhado e pintura

Jogos com regras claras e mediação adequada

Quando o interesse é respeitado, surgem foco, engajamento, comunicação e autonomia.

7- Deficiência física e cadeirantes: acessibilidade e participação

A mobilidade reduzida não limita a capacidade cognitiva, criativa ou social. A inclusão de estudantes cadeirantes passa pela acessibilidade física, adaptações pedagógicas e atitudes inclusivas.

Possibilidades pedagógicas:

Atividades artísticas adaptadas

Música, canto e instrumentos acessíveis

Jogos de tabuleiro e jogos pedagógicos

Projetos de tecnologia, robótica e produção digital

Trabalhos em grupo, debates e projetos interdisciplinares

Essas práticas favorecem autonomia, liderança, expressão e trabalho colaborativo.

8- A escola como espaço de transformação

Quando a escola adapta o ambiente, flexibiliza metodologias e amplia seu olhar, a deficiência deixa de ser vista como limitação e passa a ser compreendida como uma forma diferente de estar no mundo.

A educação inclusiva revela talentos, fortalece vínculos e ensina valores como empatia, respeito e cooperação.

9- Considerações finais

Pensar inclusão é pensar em humanidade.

É reconhecer que todos aprendem, ainda que não aprendam do mesmo jeito.

As circunstâncias podem ser diferentes, mas o potencial humano sempre encontra um jeito de florescer.

Porque uma escola inclusiva não prepara apenas estudantes, prepara uma sociedade mais justa, sensível e plural.


domingo, 25 de janeiro de 2026

Brincar ao ar livre

Vivências ancestrais que nutrem o corpo, os sentidos e a alma

Brincar é uma necessidade humana. Desde os tempos mais antigos, o brincar acontece em contato com a natureza, com o corpo em movimento e com a vida em comunidade. Nas ancestralidades indígenas, brincar não se separa do viver, é aprendizado, cultura e pertencimento.

Brincar ao ar livre: energia em movimento

O espaço aberto convida o corpo a se expressar livremente. Correr, pular, rolar, escalar e explorar ativam a energia vital, fortalecem o corpo e promovem equilíbrio emocional. A natureza oferece desafios reais e acolhedores, respeitando o ritmo de cada criança.

Os sentidos despertos

No brincar ao ar livre, os sentidos são protagonistas:

A visão observa cores, formas e movimentos

A audição escuta sons da natureza e das cantigas

O tato sente a terra, a água, as folhas e os troncos

O olfato reconhece cheiros do mato, da chuva e das flores

O paladar se conecta à comida viva, como a fruta colhida do pé

Cada vivência se transforma em aprendizado profundo.

Saberes da ancestralidade indígena

As brincadeiras ancestrais ensinam através da experiência direta com a natureza e da convivência coletiva. São práticas simples que carregam valores essenciais.

Brincar no rio

O rio ensina sobre cuidado, limites e respeito. Brincar na água fortalece o corpo, acalma e conecta a criança aos ciclos naturais.

Subir na árvore

Subir em árvore desenvolve equilíbrio, força, coragem e confiança. A árvore, sagrada nas culturas indígenas, torna-se espaço de aprendizado e conexão.

Comer fruta do pé

Colher e comer a fruta diretamente da árvore é aprender sobre tempo, espera, cuidado e gratidão. O alimento ganha sentido e história.

Cantigas de roda

Na roda, todos pertencem. As cantigas unem corpo, voz e comunidade, fortalecendo vínculos, memória cultural e identidade.

Outras brincadeiras ancestrais:

Correr livre pela terra

Fazer brinquedos com elementos naturais

Brincar de imitar animais

Contar histórias ao redor da roda

Jogos de força, equilíbrio e cooperação

Brincadeiras que desenvolvem autonomia, criatividade, consciência corporal, empatia e espírito coletivo.

Brincar como herança cultural

Resgatar o brincar ao ar livre inspirado na ancestralidade indígena é honrar saberes antigos e oferecer às crianças experiências reais, sensoriais e cheias de significado. Não é voltar ao passado, é cuidar do futuro.

Brincar ao ar livre é raiz, é memória viva, é energia que circula.

Defender o brincar é defender uma infância plena, conectada e humana.



Música, Ritmo e Origem: o Bolero de Maurice Ravel como Ponte entre Mundos

Resumo

Este artigo propõe uma leitura intercultural da obra Bolero (1928), de Maurice Ravel, articulando música erudita ocidental e cosmologias indígenas a partir dos conceitos de ritmo, repetição e criação. Parte-se da compreensão da música como experiência corporal, relacional e culturalmente situada, aproximando a estrutura rítmica do Bolero de práticas musicais ancestrais, nas quais o som organiza o tempo, a memória coletiva e a relação com o mundo. O texto defende a música como ponte entre mundos distintos, contribuindo para reflexões no campo da educação musical intercultural e para o reconhecimento de epistemologias não hegemônicas.

Palavras-chave: Educação musical intercultural; Ritmo; Cosmologia indígena; Maurice Ravel; Música e ancestralidade.

1- Introdução

A música constitui uma das mais antigas formas de organização simbólica da experiência humana. Antes da escrita, da sistematização científica e da linguagem formal, o som já estruturava o tempo, o corpo e as relações coletivas. Em diferentes culturas, a música não se apresenta apenas como expressão estética, mas como linguagem fundamental de criação de sentido.

O Bolero, de Maurice Ravel, frequentemente analisado sob a ótica da música erudita europeia, oferece possibilidades de leitura que ultrapassam os limites de sua tradição de origem. Sua estrutura baseada na repetição rítmica e no crescendo contínuo permite um diálogo fecundo com cosmologias indígenas, nas quais o ritmo e o som são compreendidos como princípios organizadores do mundo.

Este artigo propõe uma leitura comparativa e intercultural do Bolero, compreendendo a música como ponte entre mundos culturais distintos, sem hierarquização estética, mas com reconhecimento de princípios sonoros compartilhados.

2- Ritmo e Repetição no Bolero de Maurice Ravel

O Bolero não se constrói pela surpresa ou pela variação temática, mas pela insistência. Um único tema, sustentado por um ostinato rítmico constante, percorre toda a obra. A transformação ocorre pelo acréscimo gradual de timbres e pelo aumento progressivo da intensidade sonora.

Essa repetição não empobrece a escuta; ao contrário, a aprofunda. Cada reapresentação do tema inaugura uma nova experiência, pois o ouvinte já foi atravessado pelo tempo musical anterior. O ritmo inicial, marcado, constante, quase hipnótico pode ser compreendido como um pulso originário, um batimento que antecede a complexidade melódica.

Nesse sentido, o Bolero evidencia que o ritmo não é mero acompanhamento, mas fundamento estrutural da música, organizando a percepção do tempo e a experiência corporal da escuta.

3- Cosmologias Indígenas: Som, Criação e Ancestralidade

Nas cosmologias indígenas, o mundo não nasce do silêncio absoluto, mas do som, da vibração e do gesto repetido. A repetição não é entendida como estagnação, mas como renovação contínua. O canto que retorna reafirma a memória coletiva e atualiza a presença dos ancestrais.

O som, nesse contexto, é força criadora. Ele convoca, organiza e mantém a relação entre humanos, natureza e espiritualidade. Fenômenos sonoros, como o trovão, não são apenas eventos físicos, mas manifestações simbólicas de transformação e comunicação do mundo natural.

A música indígena, profundamente ligada à oralidade e à coletividade, organiza o tempo de forma circular, reforçando uma compreensão não linear da experiência temporal.

4- Leitura Comparativa: Música como Experiência Compartilhada

Ao aproximar o Bolero das práticas musicais indígenas, observa-se uma convergência fundamental: a centralidade do ritmo como organizador do tempo e do corpo. Em ambos os casos, a música cria estados de atenção coletiva e escuta corporal.

O crescendo contínuo do Bolero pode ser interpretado como metáfora do processo de criação do mundo: da simplicidade à complexidade, do silêncio à plenitude sonora. Não há ruptura brusca, mas acúmulo. O tempo musical deixa de ser linear e passa a ser vivido como experiência sensível.

A culminância sonora da obra, o “boom” final, não representa um encerramento, mas uma transformação. Assim como o trovão nas cosmologias indígenas, esse impacto sonoro marca uma passagem, revelando a potência acumulada da repetição.

Essa leitura comparativa não propõe equivalência cultural, mas diálogo intercultural, reconhecendo a música como linguagem transversal às culturas humanas.

5- Educação Musical Intercultural: a Música como Ponte

Na educação musical intercultural, a música deixa de ser apenas objeto de análise técnica e passa a ser experiência relacional. O diálogo entre o Bolero e as músicas indígenas permite deslocamentos epistemológicos importantes, ampliando o repertório sonoro e cultural dos estudantes.

O estudante é convidado a escutar com o corpo, com a memória e com a sensibilidade cultural. A música torna-se espaço de tradução entre mundos distintos que compartilham o ritmo como fundamento comum.

Nesse contexto, a música atua como ponte entre culturas, tempos e formas de conhecimento, promovendo respeito à diversidade e reconhecimento de epistemologias historicamente marginalizadas.

6- Considerações Finais

Compreender o Bolero de Maurice Ravel em diálogo com cosmologias indígenas amplia as possibilidades de leitura da obra e reafirma a música como linguagem fundamental da humanidade. Ritmo, repetição e escuta coletiva atravessam culturas e revelam modos diversos de organizar o tempo e a experiência.

A música, como ponte entre mundos, não elimina diferenças, mas permite a travessia entre elas. Ouvir torna-se um ato ético, tocar um gesto de encontro, e educar musicalmente um compromisso com a pluralidade cultural e epistemológica.

Referências Sugeridas

BLACKING, John. How musical is man? Seattle: University of Washington Press, 1973.

GREEN, Lucy. How popular musicians learn. Aldershot: Ashgate, 2002.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 78, 2007.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2002.

DENORA, Tia. Music in everyday life. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.


STEAM, Cultura Maker e Música: Aprender Brincando de Forma Sustentável

Aprender pode (e deve!) ser uma experiência criativa, prática e significativa. Quando unimos STEAM, cultura maker, brincadeira sustentável e instrumentos musicais, abrimos espaço para uma educação viva, onde as crianças constroem conhecimento com as mãos, os ouvidos, o corpo e o coração.

O que é STEAM na prática?

STEAM significa Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. Na infância e em projetos socioeducativos, isso acontece quando a criança:

Testa sons e vibrações (ciência),

Cria instrumentos com materiais reutilizados (engenharia),

Mede, compara e organiza ritmos (matemática),

Explora a expressão sonora e estética (artes),

Registra, investiga e experimenta (tecnologia do cotidiano).

- Cultura Maker: aprender fazendo

Na cultura maker, o erro vira aprendizado e a curiosidade guia o processo. Ao construir instrumentos musicais com sucata, a criança:

Desenvolve autonomia e criatividade;

Aprende a planejar, testar e melhorar;

Percebe que pode criar, não apenas consumir.

- Brincadeira Sustentável: brincar cuidando do planeta

A brincadeira sustentável valoriza materiais simples e reutilizados:

Latas viram tambores,

Garrafas PET se transformam em chocalhos,

Caixas de papelão viram violões imaginários.

Além de brincar, a criança aprende sobre consumo consciente, reuso e responsabilidade ambiental.

- Instrumentos musicais e fenômenos do som

Ao explorar instrumentos (tradicionais ou construídos), surgem descobertas importantes:

- Sustain - o tempo que o som permanece audível após ser produzido.

- Altura - sons graves e agudos.

- Intensidade - sons fortes e fracos.

- Timbre - o “jeito” único de cada som.

- Ressonância e vibração – como o som se espalha e ganha corpo.

Esses fenômenos podem ser vivenciados de forma prática, sensorial e divertida, sem fórmulas complicadas.

Por que essa abordagem é tão potente?

- Integra arte, ciência e sustentabilidade

- Estimula escuta, coordenação motora e expressão

- Valoriza o brincar como linguagem de aprendizagem

- Fortalece o vínculo com o meio ambiente

- Desenvolve pensamento crítico e criativo

- Quando a criança cria, investiga e brinca, o aprendizado acontece de forma natural e significativa.

E quando isso é feito com consciência ambiental e sensibilidade artística, estamos formando cidadãos mais criativos, atentos e responsáveis.

ATIVIDADE PRÁTICA

Orquestra Sustentável: Construindo Sons e Descobrindo o Sustain

Público-alvo:

Educação Infantil (4+) e Ensino Fundamental I

(com adaptações possíveis para outras faixas etárias)

Duração:

1h a 1h30

Objetivos de Aprendizagem:

Explorar fenômenos sonoros (sustain, timbre, altura e intensidade)

Estimular criatividade, coordenação motora e escuta ativa

Desenvolver consciência ambiental por meio do reuso de materiais

Vivenciar conceitos STEAM de forma lúdica e prática

Materiais (reutilizados e seguros):

Garrafas PET, latas, potes plásticos

Tampinhas, grãos, areia, pedrinhas

Elásticos, barbante, fita adesiva

Caixas de papelão

Tesoura sem ponta

Canetinhas e materiais para decoração

ETAPA 1 - Construção dos Instrumentos (Cultura Maker)

Convide as crianças a escolherem materiais e criarem seu próprio instrumento:

Sugestões:

Chocalhos (garrafa + grãos)

Tambores (lata ou pote + balão ou papel)

Cordofone simples (caixa + elásticos)

Mediação:

“O que acontece com o som quando mudamos o material?”

“Esse som dura muito ou pouco?”

ETAPA 2 - Descobrindo os Sons (Fenômenos Musicais)

Com os instrumentos prontos, explore:

- Sustain

Toque o instrumento e conte quanto tempo o som permanece.

Compare sons curtos e longos.

- Intensidade

Toque forte e fraco.

Observe como o corpo reage ao som.

- Altura

Sons mais graves ou agudos (grãos grandes x pequenos, elásticos grossos x finos).

- Timbre

Compare instrumentos diferentes tocando o “mesmo ritmo”.

ETAPA 3 - Experimentação STEAM

Proponha desafios:

“Como fazer o som durar mais?”

“O que muda se colocarmos mais grãos?”

“E se trocarmos o material da caixa?”

- Aqui entram ciência (som), engenharia (estrutura), matemática (quantidade/tempo) e arte (expressão).

ETAPA 4 - Orquestra Sustentável

Organize uma roda

Crie sinais para começar, parar, tocar forte ou suave

Monte uma pequena composição coletiva

- Valorize o silêncio como parte da música.

ETAPA 5 - Roda de Conversa e Consciência Ambiental

Converse com as crianças:

O que era esse material antes?

Ele iria para o lixo?

O que aprendemos com essa transformação?

Avaliação (qualitativa e lúdica):

Participação e envolvimento

Capacidade de escuta

Criatividade na construção

Curiosidade e experimentação

(Pode ser feita por observação, fotos ou relatos das crianças)

ADAPTAÇÕES INCLUSIVAS

Sons táteis e vibrações para crianças com deficiência visual

Instrumentos leves e grandes para idosos ou crianças pequenas

Ritmos simples e repetitivos para crianças com TEA

Encerramento Poético:

“O som nasce do movimento,

o instrumento nasce da imaginação,

e o cuidado com o planeta nasce quando aprendemos brincando.”

SEQUÊNCIA DIDÁTICA

Descobrindo o Som: Música, Ciência e Sustentabilidade

Público-alvo:

Educação Infantil (4–5 anos) e Ensino Fundamental I (1º ao 3º ano)

(com adaptações possíveis)

Duração:

7 encontros de 50 a 60 minutos

(pode ser compactada ou ampliada)

Objetivo Geral:

Vivenciar os fenômenos do som por meio da construção de instrumentos sustentáveis, promovendo aprendizagem STEAM, escuta sensível, criatividade e consciência ambiental.

COMPETÊNCIAS DESENVOLVIDAS

Escuta ativa e percepção sonora

Coordenação motora e expressão corporal

Investigação, experimentação e criatividade

Consciência ambiental e consumo consciente

Trabalho coletivo e respeito ao silêncio

AULA 1 - O QUE É SOM?

Foco: Vibração

Objetivos específicos:

Compreender que o som nasce do movimento

Sentir o som com o corpo

Atividades:

Bater palmas, pés e objetos

Encostar a mão no instrumento enquanto toca

Sentir vibração no peito ao falar

Mediação:

“O som se mexe?”

“O que acontece quando paramos?”

- Registro Desenho livre: “Como o som se move?”

AULA 2 - SONS QUE DURAM MAIS OU MENOS

Foco: Sustain

Objetivos:

Identificar sons curtos e longos

Comparar materiais

Atividades:

Testar tambor, chocalho e elástico

Contar o tempo do som com palmas

Desafio STEAM:

“Como fazer o som durar mais?”

AULA 3 - SOM FORTE E SOM FRACO

Foco: Intensidade

Objetivos:

Controlar força e intenção sonora

Desenvolver escuta coletiva

Atividades:

Tocar forte / suave

Jogo do maestro (gestos indicam intensidade)

- Valor socioemocional Respeito ao espaço e ao outro

AULA 4 - GRAVE OU AGUDO?

Foco: Altura

Objetivos:

Diferenciar sons graves e agudos

Relacionar som e material

Atividades:

Elásticos grossos x finos

Grãos grandes x pequenos

Movimento corporal (grave = baixo / agudo = alto)

- STEAM Classificar, comparar e testar

AULA 5  CADA SOM É ÚNICO

Foco: Timbre

Objetivos:

Reconhecer identidade sonora

Valorizar diversidade

Atividades:

Mesmo ritmo em materiais diferentes

Jogo “Quem está tocando?”

Conexão humana:

“Assim como os sons, as pessoas são diferentes.”

AULA 6 - O SOM GANHA CORPO

Foco: Ressonância

Objetivos:

Entender o papel do espaço

Experimentar caixas e recipientes

Atividades:

Tocar dentro e fora da caixa

Explorar eco e amplificação

- Ciência viva Som + espaço = ressonância

AULA 7 - SILÊNCIO E CRIAÇÃO COLETIVA

Foco: Silêncio e Orquestra Sustentável

Objetivos:

Integrar todos os fenômenos

Criar música coletiva

Atividades:

Construção final dos instrumentos

Orquestra sustentável com sinais

Momentos de silêncio consciente

Encerramento poético:

“O silêncio organiza o som.”

AVALIAÇÃO (PROCESSUAL E SENSÍVEL)

Participação e curiosidade

Capacidade de escuta

Criatividade e experimentação

Trabalho em grupo

- Sem provas: observação, registros visuais, falas das crianças.

ADAPTAÇÕES INCLUSIVAS

Vibração e som tátil (deficiência visual)

Ritmos simples e previsíveis (TEA)

Instrumentos grandes e leves (idosos / EI)

CONEXÃO COM SUSTENTABILIDADE

Origem dos materiais

Reuso e transformação

Redução do descarte

Cuidado com o ambiente

FRASE-SÍNTESE DA SEQUÊNCIA

Quando a criança constrói, escuta e cria,

ela aprende ciência, arte e cuidado com o planeta ao mesmo tempo.


Cultura indígena e educação do olhar

São Paulo nasceu indígena: rios, barro e memória

Antes de ser cidade, São Paulo era território indígena.

Antes do concreto, havia barro.

Antes das avenidas, rios vivos moldavam o cotidiano.

No Rio Piratininga, peixes ficavam presos nas margens quando as águas baixavam. O mesmo acontecia no Rio dos Tamanduás e no Anhangabaú, todos nomes em tupi, lembrando que São Paulo fala, desde a origem, uma língua indígena.

Cada nome carrega um significado, uma relação com a natureza, um modo de viver. São Paulo é indígena na raiz, mesmo quando tenta esquecer.

O colégio de barro e a cidade que surgiu ao redor

No século XVI, padres jesuítas como Manuel da Nóbrega e José de Anchieta chegaram a esse território. A primeira construção importante da cidade foi o Colégio de São Paulo, feito de taipa de pilão, barro, terra, água e mãos.

Essa parede de taipa, ainda existente no Pátio do Colégio, é considerada a parede mais antiga de São Paulo. Ela não foi erguida sozinha: foi construída com o conhecimento de artesãos indígenas, que dominavam técnicas de construção com terra muito antes da chegada dos europeus.

Há muitos símbolos, muitas leituras possíveis…

Mas a origem é uma só.

Catequização, língua e saberes

A Companhia de Jesus teve papel central na formação da cidade. A catequização dos povos indígenas foi parte desse processo complexo, contraditório e histórico.

José de Anchieta, além de religioso, foi linguista, educador, escritor e cozinheiro. No século XVI, escreveu a gramática da língua tupi, registrando uma língua viva, falada e cantada.

Também adaptou receitas: a mandioca virou base de uma nova culinária, uma espécie de “massa de pão dos trópicos”, mistura de saber indígena e adaptação europeia.

Educação, língua, comida e fé se cruzavam no cotidiano.

Biblioteca, memória e centro histórico

Nomes como Padre Antônio Vieira e Anchieta fazem parte dessa história que pode ser revisitada hoje no Museu Anchieta, na biblioteca do Pátio do Colégio, no coração do centro histórico de São Paulo.

Estátuas de barro, figuras simples os “paulistinhas”  lembram que a cidade nasceu pequena, feita de terra, mãos e encontros culturais.

Educar o olhar para a origem

Conhecer essa história é mais do que aprender datas.

É perceber que São Paulo não começou em prédios altos, mas em rios, trilhas, palavras indígenas e paredes de barro.

Olhar para a cidade com esse cuidado é também um ato educativo: reconhecer a origem, valorizar os povos indígenas e compreender que a cidade que somos hoje nasceu de muitas mãos, mas de um só chão.

São Paulo é indígena.

E essa memória ainda pulsa sob nossos pés.

São Paulo: onde tudo começou

A cidade de São Paulo nasceu de forma simples e cheia de significado. No dia 25 de janeiro de 1554, em uma pequena cabana de pau-a-pique, foi fundado o Colégio de São Paulo de Piratininga. A partir desse gesto singelo, em meio à mata e aos caminhos indígenas, começava a história de uma das maiores cidades do mundo.

Da primeira construção, feita com materiais simples e saberes da época, não restam vestígios materiais. O tempo passou, a cidade cresceu, se transformou. Mas a memória permaneceu.

Aqui, no Pateo do Collegio, preserva-se a parede mais antiga de São Paulo, construída em taipa-de-pilão, técnica ancestral que mistura terra, água e trabalho humano. Essa parede é remanescente da segunda edificação do Colégio, erguida ainda no século XVI, e segue de pé como testemunha silenciosa da história.

Dizem que as paredes têm ouvidos…

Se isso for verdade, imagine quantas histórias essa parede já escutou: encontros, conflitos, orações, decisões, sonhos e transformações. Séculos de vida pulsando ao seu redor.

São Paulo nasceu assim: pequena, feita de terra, mãos e esperança.

E é por isso que olhar para esse lugar é também olhar para nossas origens.

São Paulo: onde tudo começou.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Atividades adaptadas - celas braille

Louis Braille: o toque que iluminou o mundo

Quando a visão falta, o conhecimento não pode faltar.

O sistema de comunicação tátil estruturado em uma matriz de seis pontos salientes revolucionou de forma definitiva o acesso ao conhecimento e a integração social de pessoas cegas em todo o mundo. Criado por Louis Braille, ainda muito jovem, esse método genial transformou a leitura e a escrita em ferramentas reais de autonomia intelectual para quem não enxerga.

Mais do que um sistema de leitura, o braile é um ato de liberdade.

Uma genialidade que enfrentou resistência

Apesar de sua eficiência incontestável, a trajetória do braile foi marcada por fortes resistências institucionais. Durante anos, o método foi desacreditado, proibido e substituído por sistemas menos funcionais de letras em relevo, defendidos por escolas tradicionais.

Louis Braille, infelizmente, não viveu para ver o triunfo de sua própria criação. Ele faleceu em 1852, e somente anos depois seu sistema foi reconhecido oficialmente e padronizado internacionalmente. A história nos lembra, mais uma vez, que ideias transformadoras nem sempre são acolhidas de imediato.

Um missionário do bem 

Louis Braille pode ser visto como um verdadeiro missionário do bem. Um exemplo de inteligência, sensibilidade e superação. Com seu invento, deixou um legado imensurável para a humanidade, abrindo caminhos para:
acesso à leitura e à escrita
inclusão no estudo formal
acesso à informação
profissionalização e autonomia
participação plena na vida social e cultural

Seu trabalho mostrou que limitação visual não é limitação intelectual.

O Brasil e o braile 

Pouca gente sabe, mas o Brasil foi o segundo país do mundo a adotar oficialmente o sistema braile. Um dado histórico que reforça a importância de conhecermos e valorizarmos essa trajetória, especialmente em um país que ainda luta diariamente pela inclusão plena.

Conhecer a história do braile é também reconhecer que educação inclusiva não é favor é direito.

Um legado que atravessa gerações

Hoje, o braile é reconhecido como um direito humano fundamental. Ele garante que a escuridão física jamais signifique o silenciamento da mente ou a exclusão do saber literário, científico e cultural.

O toque de Louis Braille continua vivo.
E, através dele, milhões de pessoas seguem lendo, aprendendo, criando e transformando o mundo.


Celas braille

Encaixar as bolinhas nas tampas 

Material: tampas pet, miçangas redondas, papelão

Encaixar as bolinhas 
Material: miçangas redondas, papelão


Material: caixas de fósforo e letras em alto contraste



Dupla cela braille
Material: papelão e velcro


Uma cela braille é um espaço retangular com seis pontos em relevo que representam letras, números, sinais de pontuação, e outros símbolos. A combinação desses pontos forma os símbolos braille.

Como é formada uma cela braille?

Os pontos são numerados de cima para baixo, coluna da esquerda: pontos 1, 2, 3
Coluna da direita: pontos 4, 5, 6
A disposição dos pontos em duas colunas verticais permite 63 combinações
Alguns consideram a célula vazia como um símbolo também, totalizando 64 combinações

Quem criou o braille?

Louis Braille criou o braille em 1824. O braille é um sistema de leitura para pessoas cegas ou com baixa visão.

Como ler braille?

As células braille são dispostas em linhas impressas em papel ou noutro suporte tátil
Os pontos em relevo podem ser lidos com os dedos

Linhas braille eletrônicas

As linhas braille eletrônicas permitem aos seus utilizadores a interação com computadores e dispositivos móveis
A maioria das linhas braille tem teclas com funções diversas, que permitem dispensar os teclados tradicionais

O Braille não é uma língua e, sim, um código pelo qual muitos idiomas como português, inglês, espanhol, árabe, chinês e dezenas de outros podem ser escritos e lidos. É usado por milhares de pessoas em todo o mundo em suas línguas nativas e fornece um meio de alfabetização para todos.
Não é alfabeto e sim código. Código para leitura e não para escrita.