Sustentabilidade e acessibilidade podem ser trabalhadas de forma integrada desde a Educação Infantil, considerando que uma sociedade sustentável também precisa criar condições para que diferentes pessoas participem dos espaços educativos, culturais, ambientais e sociais com autonomia e dignidade.
Na infância, essa relação pode ser desenvolvida por meio da exploração de materiais reutilizados, da criação de brinquedos acessíveis e da organização de espaços que ofereçam diferentes possibilidades de participação. Caixas de papelão, tubos, tampas, tecidos, potes, papéis e embalagens previamente higienizadas podem ser transformados em objetos de exploração, construção e brincadeira, permitindo que as crianças investiguem texturas, formas, sons, movimentos e diferentes maneiras de interagir.
ATIVIDADE PRÁTICA - UM BRINQUEDO PARA TODOS
Faixa etária: Educação Infantil.
Tema: Sustentabilidade, acessibilidade e inclusão.
Objetivo: estimular criatividade, cooperação, percepção das diferenças e capacidade de criar soluções que ampliem a participação nas brincadeiras.
Materiais: caixas de papelão, tubos, tampas grandes, tecidos, potes, papéis, barbantes e outros materiais reutilizáveis seguros e previamente higienizados.
O professor apresenta os materiais e convida as crianças a observar, tocar, comparar, agrupar e imaginar novas possibilidades de uso. Em seguida, propõe a questão: “Como podemos criar uma brincadeira da qual diferentes crianças possam participar?”
A turma constrói coletivamente um brinquedo, painel, jogo ou pequeno circuito. Durante a criação, as crianças são estimuladas a pensar em diferentes formas de tocar, observar, movimentar, encaixar, ouvir, escolher e participar. Um mesmo recurso pode apresentar diferentes texturas, tamanhos, formas, sons ou possibilidades de manipulação.
O professor atua como mediador, fazendo perguntas como: “O que podemos mudar?”; “Existe outra maneira de fazer?”; “Como podemos facilitar?”; “Como mais pessoas poderiam participar dessa brincadeira?”
Depois da construção, as crianças experimentam o objeto, observam seu funcionamento e sugerem modificações. O processo pode ser registrado por meio de desenhos, fotografias e falas das crianças, permitindo documentar as hipóteses, descobertas e soluções desenvolvidas pelo grupo.
A proposta trabalha acessibilidade de maneira concreta, evitando reduzi-la à adaptação posterior de uma atividade. A acessibilidade passa a fazer parte do próprio processo de criação. A criança aprende que um espaço, um objeto ou uma brincadeira pode ser pensado de diferentes maneiras para ampliar as possibilidades de participação.
Nesse processo, o material reutilizado deixa de ser apenas um objeto destinado ao descarte e passa a constituir recurso de investigação, criação, aprendizagem e convivência. A sustentabilidade está presente na ressignificação dos materiais e na responsabilidade ambiental; a acessibilidade, na redução de barreiras; e a inclusão, na ampliação das possibilidades de participação.
Transformar materiais também pode significar transformar possibilidades: criar, adaptar, experimentar e descobrir diferentes maneiras de brincar, aprender e participar.