*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.
A tese que fundamenta este blog parte de uma ideia simples e duradoura: a infância, o brincar, a cultura, a natureza e as relações humanas constituem dimensões essenciais da formação do indivíduo e da construção da vida em sociedade. Embora os contextos históricos, as tecnologias e os modos de viver se transformem, essa base permanece atual. Por isso, não se trata de uma tese vinculada a uma época específica, mas de uma perspectiva que atravessa gerações e continua encontrando sentido sempre que uma criança brinca, aprende, cria, convive e estabelece sua relação com o mundo.

A INFÂNCIA EM TRÂNSITO: MEMÓRIA, CULTURA E FUTURO

sábado, 14 de dezembro de 2024

Nunca mais jogue a casca de manga no lixo

 Na industrialização da manga, a casca é um dos componentes de descarte. No entanto, a mesma pode ser utilizada como fonte de nutrientes, na composição de diversos outros produtos. Logo, este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de doces de corte, formulados com 0% (controle), 25%, 50%, 75% e 100% de cascas, em substituição à polpa de manga (Mangifera indica L. cv. Haden). Os critérios de qualidade utilizados foram: umidade, cinzas, proteínas, lipídios, carboidratos totais, açúcares totais, açúcares redutores, açúcares não redutores, pH, acidez total, acidez titulável e em ácido cítrico, sólidos solúveis totais, fibras (totais, solúveis e insolúveis), antioxidantes, características microbiológicas e aceitabilidade sensorial (aparência, aroma, sabor e cor). Nos doces formulados com casca de manga, foram observados teores significativamente maiores de minerais (cinzas), pH, fibra alimentar, sólidos solúveis e sacarose. O incremento de casca de manga, nas formulações, elevou a atividade antioxidante, permitindo sugerir que a casca da manga é uma fonte alternativa de antioxidantes naturais. Os resultados das análises microbiológicas foram satisfatórios para todos os tratamentos, estando dentro dos padrões estabelecidos. No aspecto sensorial, houve boa aceitação, com notas acima de 7, para aparência, sabor, cor e aroma. Portanto, a substituição parcial ou total da polpa por cascas, na formulação de doce de corte de manga Haden é uma alternativa viável, sob os aspectos nutricional, sensorial e microbiológico.

Doces de corte formulados com casca de manga

INTRODUÇÃO

A manga é uma fruta bastante apreciada pelos consumidores brasileiros, sendo destinada ao consumo direto e/ou industrialização, na forma de compotas, geleias, sorvetes, néctares, polpas congeladas e sucos concentrados, que podem ser reconstituídos e adoçados, antes do consumo.

Durante o processamento da manga, a casca e a semente são descartadas, gerando 40-50% da massa total da fruta em rejeitos (FAO 2009) que poderiam ser aproveitados como fonte alternativa de nutrientes.

O aproveitamento de cascas, talos e outros componentes descartados pela agroindústria mostra-se uma boa alternativa para o combate à fome, à miséria e ao desperdício, promovendo a segurança alimentar, por meio de uma educação para o consumo, de forma consciente.

Com o propósito de minimizar o desperdício e oferecer uma opção de alimentação alternativa de baixo custo, Oliveira et al. (2002) estudaram o aproveitamento da casca do maracujá-amarelo (Passiflora edulis f. Flavicarpa), a qual tem como constituintes básicos carboidratos, proteínas e pectina, aproveitáveis como matéria-prima para a elaboração de doce em calda. Verificaram boa aceitação, principalmente por parte de crianças, além de favorecer a geração de renda para empreendedores, com o aumento do valor comercial para o produto, diminuindo o desperdício das partes não convencionais para consumo.

Em razão de a manga ser uma fruta sazonal e muito abundante, em vários países tropicais, seria vantajoso, tanto em termos econômicos como nutricionais, tornar viável um melhor aproveitamento da mesma, de maneira que possam ser preservados, tanto quanto possível, seus componentes naturais, como vitaminas, pigmentos, fibras, açúcares e outros.

Neste sentido, a industrialização da manga, inclusive da casca, pode ser uma alternativa para atenuar perdas, pelo aproveitamento das frutas fora do padrão de comercialização in natura, para abrandar a geração de resíduos orgânicos sólidos e produzir alimentos saudáveis, pela incorporação de fibras e compostos com atividade antioxidante. Profissionais de saúde têm recomendado maior ingestão de fibras alimentares, incentivando o consumo de frutas e hortaliças, como forma de se reduzir a incidência de doenças crônico-degenerativas. Por outro lado, a busca por substitutos naturais para os antioxidantes sintéticos tem elevado o número de pesquisas envolvendo alimentos de origem vegetal que são potenciais fontes destas substâncias (Kaur & Kapoor 2002, Wolfe 2003, Oliveira et al. 2007).

1. A utilização de cascas de manga cv. Haden, em substituição parcial ou total à polpa, em doces de corte, é viável, sob os aspectos nutricional, sensorial e microbiológico.

2. As cascas misturadas aos doces reduziram o valor calórico, porém, aumentam os teores de fibras e a atividade antioxidante, elevando os valores nutricionais.

3. Ambos os tipos de doce desenvolvidos tem boa aceitabilidade entre os consumidores, estando dentro dos padrões microbiológicos estabelecidos pela legislação brasileira.


A casca de manga pode ser usada para fazer chás e outras preparações, pois é rica em nutrientes e fibras, e pode trazer vários benefícios à saúde:
- Antioxidantes
A casca da manga é rica em vitaminas A e C, que neutralizam os radicais livres, que podem causar doenças degenerativas e desequilíbrios metabólicos.
- Fibras
As fibras da casca da manga ajudam no funcionamento intestinal, no trânsito intestinal e na perda de peso.
- Anti-inflamatório
A casca da manga é rica em nutrientes como ferro, zinco, cálcio, potássio e magnésio, que ajudam a diminuir processos inflamatórios e cólicas menstruais.
- Diurético
O chá de casca de manga ajuda a evitar a retenção de líquidos e a diminuir o inchaço.
- Pele
As vitaminas A e C da casca da manga ajudam a combater os radicais livres que causam envelhecimento da pele.
- Cabelo
As vitaminas da manga ajudam a dar brilho ao cabelo.

A casca da manga pode ser aproveitada em preparações como sucos e cascas caramelizadas.

Receita de suco com casca de manga

Ingrediientes:

5 cascas de manga picadas
1 1/2 litros de água
Açúcar ou mel à gosto

Preparação

- lavar e higienizar bem as mangas, descascar e reservar as cascas.
- levar para o liquidificador as cascas com a água e bater por 2 minutos.
- coar, adoçar e servir gelado.


Receita de cascas de manga caramelizadas

Ingredientes:


Cascas de 2 mangas
1 xícara (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de água
1 pau de canela
3 potes de iogurte natural bem consistentes (200g cada)
Modo de preparo:

Lave e corte as cascas de manga bem finas. Reserve;
Em uma panela de fundo grosso, com fogo baixo, coloque o açúcar e espere derreter;
Com cuidado, acrescente a água. Mexa bem até o açúcar derreter novamente;
Adicione a canela e as cascas de manga. Mexa bem por aproximadamente 1 minuto;
Retire do fogo e espere esfriar um pouco;
Adicione em cima do iogurte natural. Sirva.
Dica: Use a polpa da manga congelada como sorvete e sirva junto com as cascas caramelizadas.




sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

O jogo entre falar, escrever, ler na reabilitação de pacientes afásicos

Para a reabilitação da afasia motora, alguns exercícios que podem ser realizados são:

Aumento do controle da boca, língua e lábios
Falar mais lentamente
Usar frases mais curtas
Planejamento da pontuação em uma frase
Associação de letras por maiúscula/minúscula e manuscrito/imprensa
Associação imagem - palavra escrita
Associação entre imagem e palavra falada
Associação entre palavra falada e palavra escrita
Associação entre letra escrita e letra falada
Ditado de palavras e letras

Além dos exercícios, é importante ter paciência e dar mais tempo para a pessoa se expressar e compreender. Também é recomendável conversar em ambientes tranquilos e usar frases simples e curtas.

A terapia para a afasia deve ser adaptada à situação da pessoa e deve ser realizada por um fonoaudiólogo.


O atendimento fonoaudiológico de afásicos com manifestações sintomáticas na linguagem oral e/ou
escrita nos convoca a refletir sobre a natureza da relação oralidade-escrita nas afasias. A não
problematização dessa relação na literatura específica é notória e tem conseqüências: a escuta do clínico
se volta para o sintoma que se manifesta na fala. Aliás, é em função de uma queixa, via de regra relativa
à oralidade, que se instaura esse campo clínico. Só que levando em conta o que nele se testemunha, tanto no processo diagnóstico quanto terapêutico, fala e escrita se cruzam numa afetação mútua: ora a escrita é suporte para fala, ora a fala é suporte para a escrita. Pretendemos, então, problematizar como entram em jogo essas duas modalidades de linguagem quando, na terapêutica, se implementa um jogo cuja base é seu entrecruzamento. Se a fala e a escrita não se dissociam porque são governadas pela língua, há diferenças a serem enfrentadas. É por esse caminho que Fonseca (1995, 2002) propõe uma ação clínica que se fundamenta no entrecruzamento fala-escrita (do paciente e do terapeuta). Discutiremos, portanto, a sua implementação no atendimento de dois pacientes afásicos. Nos dois casos, atribui-se a ele as mudanças operadas na fala/escrita dos pacientes. No primeiro caso, as mudanças na fala e na escrita ocorrem simultaneamente. Já no segundo caso, a escrita é suporte para as mudanças na fala.

Na clínica de linguagem com afásicos, testemunha-se o cruzamento da oralidade com a escrita, tanto no que diz respeito à configuração do quadro sintomático quanto no curso do atendimento. Transformações em ambas as modalidades são operadas, na fala e na escrita, quando se toma uma modalidade como suporte da outra. Sinalizamos, então, para o fato de que oralidade e escrita comparecem na afasia e, conseqüentemente, no processo terapêutico de sua “reabilitação”, numa relação mútua de afetação. Em função disso, propõe-se uma ação clínica que se fundamenta no entrecruzamento fala-escrita: um jogo entre a fala-escrita do terapeuta com a fala-escrita do paciente.




quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

A comemoração do Natal com crianças é importante por vários motivos

Natal na Infância: Memória, Cultura e Valores

A comemoração do Natal com crianças possui importância social, cultural e afetiva, pois proporciona experiências de convivência, interação e participação em tradições familiares e comunitárias. As atividades natalinas favorecem o desenvolvimento socioemocional, estimulam a comunicação, a cooperação e a criação de vínculos, além de contribuírem para a formação de memórias afetivas associadas à infância.

As tradições de Natal também participam da construção da identidade cultural e social, permitindo que as crianças conheçam costumes, símbolos, narrativas e práticas transmitidas entre gerações. O período pode ser utilizado pedagogicamente para abordar valores como generosidade, gratidão, empatia, respeito às diferenças, solidariedade, cuidado e responsabilidade com o outro.

Para ressignificar a celebração, é possível conversar com as crianças sobre o significado que atribuem à data, estimular a reflexão sobre consumo e compartilhamento, incentivar a doação de objetos em bom estado que não são mais utilizados e promover ações de solidariedade ou voluntariado em família. A produção de uma lembrança de Natal feita pela própria criança também constitui uma experiência significativa, pois envolve criatividade, dedicação e expressão de afeto.

Dessa forma, a celebração pode ultrapassar a dimensão material dos presentes e valorizar a convivência, a partilha, a memória, os vínculos familiares e comunitários e a construção de atitudes solidárias. Para famílias que vivenciam a tradição cristã, o período também pode ser apresentado como momento de reflexão sobre o nascimento de Jesus e valores associados à união, ao amor, à esperança e ao cuidado com o próximo.













 

O trenó e as renas são símbolos importantes do Natal, pois representam a capacidade do Papai Noel de entregar presentes às crianças em todo o mundo:

Renas

Na cultura popular, as renas são mágicas e voadoras, e puxam o trenó do Papai Noel na noite de Natal. Cada rena tem um nome e uma função, como Rudolph, que guia o caminho em noites de neblina. As renas são preparadas para o Natal desde cedo, com a ajuda dos elfos, que as alimentam e promovem brincadeiras. 

Trenó

O trenó é uma boa opção para atravessar locais com neve, pois sua estrutura permite que deslize pelo caminho, facilitando o transporte de pesos e de passageiros. Por muito tempo, os cães foram os principais responsáveis por puxar os trenós. 






 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Jogos, aprendizagem e deficiência intelectual: o brincar como recurso pedagógico inclusivo


O jogo constitui um recurso pedagógico de grande relevância para a educação inclusiva, especialmente quando planejado a partir das características, potencialidades, necessidades de apoio e formas de participação de cada estudante. No contexto da deficiência intelectual, atividades lúdicas estruturadas podem favorecer experiências relacionadas à atenção, memória de trabalho, resolução de problemas, linguagem, coordenação motora, planejamento, flexibilidade cognitiva, autorregulação e interação social. Entretanto, sua utilização pedagógica não deve partir da ideia de que todos os estudantes aprendem da mesma maneira ou de que a deficiência determina previamente suas possibilidades de desenvolvimento. O princípio fundamental é reconhecer o estudante como sujeito ativo do processo educativo e organizar condições para que ele possa participar, experimentar, compreender, criar e produzir conhecimento.

A deficiência intelectual é compreendida atualmente a partir da interação entre o funcionamento intelectual, o comportamento adaptativo e o contexto em que a pessoa vive. Dessa perspectiva, as possibilidades de aprendizagem não podem ser reduzidas a um diagnóstico. O desenvolvimento ocorre em interação com as condições ambientais, as oportunidades educacionais, as relações sociais e os apoios disponibilizados. Por isso, uma prática pedagógica inclusiva não consiste apenas em adaptar o aluno à escola, mas também em transformar estratégias, materiais, tempos, espaços e formas de mediação para ampliar sua participação.

Nesse contexto, o jogo assume uma função que ultrapassa a recreação. Quando existe intencionalidade pedagógica, ele pode constituir uma situação de aprendizagem na qual o estudante mobiliza conhecimentos, formula hipóteses, experimenta possibilidades, estabelece relações, compreende regras, toma decisões e observa as consequências de suas ações. O caráter lúdico não elimina a dimensão cognitiva da atividade; ao contrário, pode criar condições para que determinados conhecimentos sejam experimentados de maneira concreta, significativa e contextualizada.

A contribuição de Piaget para a compreensão do desenvolvimento cognitivo permite considerar o jogo como uma atividade relacionada aos processos de assimilação e construção de estruturas de conhecimento. A perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, por sua vez, evidencia a importância da interação social, da linguagem e da mediação no desenvolvimento. Nesse sentido, uma situação de jogo pode criar oportunidades para que o estudante realize, com apoio de outras pessoas e mediante recursos adequados, ações que posteriormente poderá desempenhar com maior autonomia. O professor, portanto, não ocupa uma posição meramente observadora: organiza o ambiente, apresenta desafios, ajusta o nível de complexidade, oferece pistas, modela procedimentos e acompanha as respostas do estudante.

O jogo também favorece a construção de experiências sociais. Ao participar de atividades compartilhadas, o estudante pode aprender a esperar sua vez, compreender regras, comunicar intenções, negociar estratégias, lidar com resultados, solicitar ajuda, oferecer colaboração e reconhecer diferentes formas de participação. Essas experiências contribuem para o desenvolvimento da autonomia e da convivência, sem transformar a socialização em mera exigência comportamental. A participação social é parte constitutiva da aprendizagem.

Outro aspecto relevante está relacionado à motivação. Atividades excessivamente abstratas, descontextualizadas ou pouco acessíveis podem dificultar a participação de determinados estudantes. A utilização de objetos manipuláveis, imagens, movimentos, sons, pistas visuais, materiais concretos e situações-problema pode ampliar as possibilidades de compreensão e expressão. O recurso lúdico, nesse caso, não substitui o conhecimento sistematizado; ele pode funcionar como uma ponte entre a experiência concreta e a elaboração conceitual.

Para que isso aconteça, entretanto, o jogo precisa apresentar objetivos definidos. Um jogo matemático, por exemplo, pode trabalhar correspondência, quantidade, sequência, comparação, classificação ou resolução de problemas. Um jogo de linguagem pode explorar associação entre imagem e palavra, narrativa, comunicação e construção de sentidos. Atividades de percurso podem mobilizar orientação espacial, planejamento, coordenação motora e tomada de decisão. Jogos cooperativos podem favorecer comunicação, negociação e resolução coletiva de problemas. O mesmo princípio pode ser aplicado às ciências, às artes, à cultura, à educação ambiental e aos demais campos de experiência e componentes curriculares.

A adaptação pedagógica deve ser compreendida como estratégia de acessibilidade e participação, e não como redução automática do conteúdo. É possível modificar o tamanho das peças, utilizar contrastes visuais, reduzir estímulos concorrentes, ampliar o tempo de resposta, utilizar comunicação alternativa, oferecer pistas graduadas, simplificar inicialmente determinadas regras ou permitir diferentes formas de registro. A finalidade é preservar o objetivo pedagógico, criando diferentes caminhos para que o estudante possa alcançá-lo.

Nesse sentido, um mesmo jogo pode apresentar diferentes níveis de complexidade. O professor pode começar com uma tarefa de reconhecimento e associação, avançar para classificação e sequência e posteriormente introduzir tomada de decisão, antecipação e resolução de problemas. O estudante não precisa necessariamente executar a mesma ação, da mesma forma e no mesmo tempo que os demais para participar da mesma experiência educativa. A inclusão pedagógica pressupõe diferentes possibilidades de acesso ao conhecimento.

A avaliação também precisa acompanhar esse princípio. Em vez de observar apenas o resultado final ou comparar o estudante com um padrão único de desempenho, é necessário analisar o processo: quais estratégias utilizou, que tipo de ajuda necessitou, quanto tempo permaneceu envolvido, quais conceitos reconheceu, como comunicou suas escolhas e quais ações conseguiu realizar com maior autonomia. O jogo pode, portanto, funcionar simultaneamente como estratégia de ensino, situação de interação e instrumento de observação pedagógica.

Na perspectiva da Brincadeira Sustentável, essa compreensão pode ser ampliada pela utilização de materiais acessíveis, reutilizados e transformados em recursos de aprendizagem. Caixas, tampas, papéis, embalagens, tecidos, elementos naturais e outros materiais selecionados e higienizados podem tornar-se peças, tabuleiros, percursos, sistemas de classificação, objetos de investigação ou elementos de narrativas. A transformação do material também pode constituir parte da própria experiência educativa, articulando criatividade, sustentabilidade, acessibilidade, percepção sensorial e construção de conhecimento.

Assim, o material não precisa chegar pronto à criança. Ele pode ser investigado, modificado e ressignificado. Uma caixa pode transformar-se em cenário; tampas podem constituir peças de classificação; embalagens podem tornar-se elementos de um jogo matemático; papéis podem formar mapas, cartas ou sequências narrativas. A materialidade deixa de ser apenas suporte e passa a integrar a experiência pedagógica.

Essa perspectiva é particularmente relevante para estudantes que necessitam de diferentes formas de acesso ao conhecimento. O professor pode trabalhar simultaneamente com estímulos visuais, táteis, motores, espaciais, sonoros e linguísticos, observando quais combinações favorecem a participação de cada estudante. O objetivo não é criar uma atividade paralela para o aluno com deficiência intelectual, mas ampliar as possibilidades de participação na experiência coletiva.

O jogo, portanto, não deve ser utilizado para infantilizar o estudante, tampouco como estratégia para ocupar o tempo escolar. Sua função pedagógica depende da intencionalidade, da mediação, da acessibilidade e da relação estabelecida entre a atividade e os objetivos de aprendizagem. Brincar e aprender não constituem experiências opostas: em determinadas condições, o brincar pode ser precisamente o modo pelo qual o estudante experimenta conceitos, relações, regras, hipóteses e possibilidades de ação.

A educação inclusiva exige, nesse sentido, uma mudança de perspectiva: não perguntar apenas o que o estudante consegue fazer sozinho, mas também quais condições, recursos, mediações e relações podem ampliar sua participação. O jogo torna-se significativo quando permite que o estudante deixe de ocupar uma posição exclusivamente receptiva e passe a agir sobre o objeto, sobre o problema, sobre o ambiente e sobre as relações que estabelece com os outros.

A aprendizagem é, portanto, entendida como processo dinâmico. O estudante com deficiência intelectual não deve ser definido exclusivamente por suas limitações, mas compreendido em sua singularidade, considerando habilidades, interesses, formas de comunicação, necessidades de apoio, experiências anteriores e possibilidades de desenvolvimento. O planejamento pedagógico precisa partir dessas informações para criar desafios possíveis, progressivos e significativos.

Nesse processo, o professor desempenha papel fundamental. Cabe-lhe observar, planejar, experimentar, registrar, analisar e replanejar. O jogo não oferece resultados pedagógicos automaticamente; sua potência depende da qualidade da experiência construída. Uma mesma atividade pode produzir resultados completamente diferentes conforme o modo como é apresentada, os recursos utilizados, o grau de desafio, a mediação realizada e as oportunidades oferecidas para que o estudante tome decisões.

Dessa maneira, jogos e brincadeiras podem constituir importantes instrumentos para uma pedagogia que articule aprendizagem, participação, autonomia, criatividade e convivência. Mais do que transformar conteúdos considerados difíceis em atividades simplesmente prazerosas, trata-se de construir situações nas quais o conhecimento possa ser experimentado, problematizado e elaborado de diferentes maneiras.

O princípio central não é brincar para ensinar de forma mais fácil, mas criar experiências nas quais brincar, investigar, interagir e aprender possam acontecer de maneira integrada. Quando planejado com intencionalidade e acessibilidade, o jogo deixa de ser um recurso secundário e passa a constituir uma linguagem pedagógica capaz de ampliar as possibilidades de participação e construção do conhecimento.

Na perspectiva da Brincadeira Sustentável, essa concepção acrescenta ainda uma dimensão material, cultural e ambiental: aquilo que seria descartado pode tornar-se objeto de investigação, criação e aprendizagem. O jogo passa, então, a reunir diferentes dimensões — cognitiva, motora, social, estética, cultural e ambiental — em uma experiência concreta de transformação. Não se trata apenas de reciclar materiais ou produzir brinquedos, mas de ressignificar objetos, situações e possibilidades de aprendizagem.

A inclusão, nesse sentido, não se realiza somente pela presença física do estudante na escola. Ela se concretiza quando existem condições reais para participar, comunicar-se, criar, escolher, experimentar, aprender e produzir sentidos. O jogo pode contribuir para esse processo justamente porque permite múltiplas formas de ação e expressão, desde que seja concebido como instrumento pedagógico intencional e não como simples passatempo.

Assim, os jogos constituem uma possibilidade metodológica relevante para a educação de estudantes com deficiência intelectual, especialmente quando articulados a objetivos claros, mediação qualificada, acessibilidade, avaliação processual e respeito à singularidade. Seu valor pedagógico está menos no objeto denominado “jogo” do que na experiência educativa que pode ser construída por meio dele.

Brincar, nesse contexto, não significa afastar-se da aprendizagem. Significa criar condições para que o estudante possa entrar em relação com o conhecimento por meio da ação, da imaginação, da interação, da experimentação e da descoberta. É nesse espaço entre o que já se sabe, o que se consegue realizar com apoio e aquilo que ainda está em construção que a experiência lúdica pode adquirir verdadeiro sentido pedagógico.


terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Os leopardos africanos vivem em uma grande variedade de habitats na África sub-saariana, incluindo:

Florestas montanhosas, Pastagens, Savanas, Áreas áridas desérticas. 

Os leopardos estão mais em risco em áreas de semi-deserto, onde os recursos são escassos e podem entrar em conflito com agricultores nômades e seus rebanhos. 

Leopardo africano (Panthera Pardus Pardus)

O leopardo é um felino carnívoro, solitário e territorialista, que pode correr até 60 km/h e saltar até 6 m na horizontal e 3 m na vertical. A sua pelagem varia do amarelo ao avermelhado e é repleta de rosetas, que são pequenos aglomerados de manchas pretas. 

Tamanho: Os machos são maiores, pesando entre 80 e 96 kg, enquanto as fêmeas pesam entre 55 e 65 kg 

Habilidades: São rápidos, podem nadar e subir em árvores 

Alimentação: Comem uma grande variedade de presas, como roedores, aves, antílopes, gnus e javalis 

Habitat: Vivem em florestas tropicais, planícies de pastagem, desertos e áreas alpinas 

Reprodução: A estação reprodutiva ocorre o ano todo, mas atinge o pico na estação chuvosa 

Filhotes: Nascem com cerca de um quilo e os olhos fechados 

Pantera-negra: Alguns leopardos apresentam melanismo, uma condição rara que resulta na pantera-negra 

O leopardo é um dos quatro grandes felinos do gênero Panthera, juntamente com o leão, tigre e onça-pintada. 



Jogos e brincadeiras são importantes para pessoas com deficiência auditiva porque:

- Promovem a interação entre deficientes e não deficientes, rompendo com o comportamento excludente.

- Contribuem para a inclusão social, permitindo que a criança surda participe igualmente dos jogos e se sinta incluída.

- Tornam o aprendizado mais significativo e facilitam a interação com os pares e com o docente


- Podem ser uma ferramenta para tornar conteúdos mais acessíveis.

Atividades lúdicas podem ajudar a reduzir a ansiedade e a angústia, e a aumentar a autoconfiança e a segurança das pessoas com deficiência auditiva.

Para que os jogos sejam inclusivos, é importante que a criança surda se sinta convicta do que irá acontecer e da forma como participará.
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Este trabalho objetiva compreender o desenvolvimento da criança com deficiência auditiva e surdez em relação às crianças ouvintes, tendo em vista suas principais dificuldades e de que forma propor jogos que contribuam para a aprendizagem. Através de pesquisa bibliográfica, em livros, artigos acadêmicos, documentos oficiais e sites, o trabalho traz propostas para o mediador do conhecimento em sala regular de ensino trabalhar com essas crianças em questão, com oportunidades para todos. Há diferenças entre o desenvolvimento da criança surda em relação ao ouvinte, não pela falta de capacidade, mas pela falta da aquisição da linguagem, fator a ser trabalhado na sala regular, principalmente através dos jogos que são grandes aliados na educação infantil, favorecendo a atividade lúdica, de forma prazerosa. 

1 Introdução 

Este trabalho busca uma compreensão sobre o desenvolvimento dos alunos com deficiência auditiva e surdez, durante a realização dos jogos. A partir das dificuldades apresentadas, apontar os elementos que contribuem para uma melhor compreensão do que se pretende, quando apresentado o jogo. 

A educação especial vem passando no decorrer das décadas por transformações. Os alunos com deficiência auditiva e surdez não eram bem aceitos na sociedade, nem em instituições de ensino. Para Mazzotta (2005, p. 200): 

[...] e, nesse sentido, cabe lembrar que a Educação Especial não deve ser entendida como simples instância preparadora para o ensino comum, embora se deseje que o maior número possível dos alunos possa dele se beneficiar [...] (MAZZOTTA, 2005, p. 200). 

Atualmente esses alunos são aceitos na sociedade e é obrigatória a matrícula a partir da educação infantil, aos quatro anos de idade. Os alunos com deficiência auditiva e surdez são incluídos em sala regular de ensino e é imprescindível que o professor estabeleça comunicação com seu aluno, principalmente através da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), como destaca Lacerda (2013, p. 23): 

Essa lei também tornou obrigatório o ensino da Libras aos estudantes de fonoaudiologia e pedagogia, aos estudantes de Magistério e nos cursos de especialização em Educação Especial, ampliando a abrangência de profissionais com conhecimento sobre Libras e as possibilidades de o trabalho com os alunos surdos ser desenvolvido de forma a respeitar sua condição linguística diferenciada, ainda que de forma incipiente. (LACERDA, 2013, p. 23). 

Tendo como princípio básico a comunicação entre o aluno (com deficiência auditiva ou surdez) com o professor da sala de aula, é preciso compreender que o desenvolvimento do aluno deve acontecer de maneira satisfatória, motivando o aluno para o processo ensino aprendizagem. 

A presença de um intérprete de LIBRAS na sala de aula também facilita a aprendizagem do aluno com deficiência auditiva ou surdez, mas, em determinados momentos, torna-se delicada a relação, uma vez que o aluno divide sua atenção entre os dois educadores presentes na sala. 

Em relação à prática do docente, “a responsabilidade de ensinar é do professor” (LACERDA, 2013, p. 35) e cabe a ele conhecer a língua de sinais e facilitar o processo ensino aprendizagem, promovendo atividades adaptadas à deficiência auditiva e surdez para que essas crianças tenham a mesma oportunidade de aprendizagem das demais crianças. 

Os jogos e os materiais apresentados de forma lúdica também são grandes facilitadores no processo de aprendizagem para esses alunos, despertando a curiosidade e o interesse. 

Por outro lado, não somente o lúdico deve ser trabalhado, mas a cognição desse aluno, o que contribui diretamente para uma aprendizagem escolar eficaz, promovendo associações do meio em que o aluno está inserido com o ambiente escolar. A socialização é importante, “a lembrar-se de que o conceito de Vygotsky tem um significado mais abrangente, sempre envolvendo a interação social” (KOHL, 2010, p. 59). 

2 Aspectos históricos da educação especial 

A história da educação especial atravessou períodos que foram marcados por avanços, promovendo um olhar aos alunos com necessidades especiais, incluindo-os na sociedade de forma gradual, inclusive nas instituições escolares. 

No início do século XX alguns países desenvolvidos aplicavam testes de inteligência em seus alunos com a intenção de separá-los, selecionando os aptos para a escola regular e os inaptos que não poderiam frequentá-la. 

A partir da década de 1960 a educação sofreu mudanças significativas, impulsionada por uma nova concepção educacional que favorecia as crianças com necessidades educacionais especiais. Para Marchesi (2004, p. 15): 

A educação especial viveu profundas transformações durante o século XX. Impulsionada pelos movimentos sociais que reivindicavam mais igualdade entre todos os cidadãos e a superação de qualquer tipo de discriminação, incorporou-se, aos poucos, ao sistema educacional regular e buscou fórmulas que facilitassem a integração dos alunos com alguma deficiência. (MARCHESI, 2004, p.15). 

Essas mudanças ocorreram tanto na sociedade como nas instituições escolares. A princípio na sociedade, as pessoas que nasciam com necessidades especiais eram consideradas imbecis e não poderiam conviver com outras pessoas ditas como “normais”. 

Por volta da década de 1960, os alunos com necessidades educacionais especiais eram ingressados em escolas especiais e não poderiam ser matriculados em escolas regulares de ensino, pois se buscava cura para essas deficiências, a fim de torná-los o mais semelhante possível em relação ao restante da sociedade. 

Aproximadamente duas décadas mais tarde a Espanha começou a desenvolver projetos para a integração desses alunos com necessidades educacionais especiais às escolas regulares de ensino. Dessa forma, esses alunos também estariam inseridos na sociedade. Para Marchesi (2004, p. 24):

A integração educativa deve ser valorizada não apenas em si mesma, levando em conta se possibilita o desenvolvimento pessoal e social da criança, mas também favorece a integração na sociedade durante a juventude e a idade adulta. (MARCHESI, 2004, p. 24). 

A importância de oferecer escolas de qualidade a todos os alunos passa a ser discutida entre os países na Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, resultando, em 1994, na declaração de Salamanca, realizada na Espanha, com o principal objetivo de incluir todas as crianças na escola regular de ensino. 

A declaração de Salamanca reuniu 88 países e 25 organizações internacionais relacionadas à educação, tendo como principal objetivo garantir o acesso de todos à educação, conforme o documento Salamanca (1994): 

Toda criança tem direito à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem, toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas [...] aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades [...] (SALAMANCA, 1994). 

Com o documento, a superação das diferenças entre as crianças e o ensino de qualidade era uma meta a ser alcançada, para que as limitações das crianças com necessidades educativas especiais fossem trabalhadas e elas tivessem os direitos garantidos. 

Aos países em acordo caberia incluir essas crianças com necessidades educativas especiais na escola regular e, além disso, contribuir para que tivessem uma educação com qualidade, com professores capacitados para atender e satisfazer as necessidades de cada uma. 

Para garantir os requisitos propostos, a declaração de Salamanca propõe aos países que busquem por articulação à política, implantando programas que enfatizem mudanças na educação, combatendo o preconceito e garantindo a qualidade do ensino. 

Além da política, devem-se estabelecer apoios e parcerias de instituições, como Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE’s), considerado um importante vínculo, principalmente para uma integração de todos com o objetivo da inclusão educacional.

A partir de Salamanca algumas transformações passaram a acontecer, havia integração dos alunos especiais em escolas regulares de ensino, mas ainda alguns países não tinham aderido à proposta. 

Anos mais tarde, em 2001, houve a Declaração Internacional de Montreal, realizada em Quebéc, no Canadá, que defendia em relação à educação especial o envolvimento da comunidade e da sociedade civil na identificação dos principais problemas e das possíveis soluções para garantir a todos o acesso à educação. 

Sendo assim, os principais sistemas educacionais internacionais adotaram medidas e programas favorecendo a inclusão das crianças com necessidades educativas especiais, através da qual as crianças têm o direito ao acesso e permanência na escola, preferencialmente na rede regular de ensino. A inclusão, para Mittler (2003, p. 34): 

[...] é baseada em um sistema de valores que faz com que todos se sintam bem-vindos e celebra a diversidade que tem como base o gênero, a nacionalidade, a raça, a linguagem de origem, o background social, o nível de aquisição educacional ou a deficiência [...] (MITTLER, 2003, p.34). 

Além de conquistada sua vaga, a criança com necessidade educativa especial tem o direito ao suporte necessário para auxiliar em seu aprendizado, como materiais especializados, recursos pedagógicos e outros que contribuam para um ensino de qualidade. 

Em âmbito internacional, as mudanças foram acontecendo de forma gradual, sendo que em países subdesenvolvidos essas transformações levaram mais tempo ainda para acontecer. 

3 Principais mudanças da educação especial no Brasil 

No caso do Brasil, havia apenas quarenta instituições em todo o país para atender essas crianças com necessidades educativas especiais e eram mantidas principalmente pela ajuda de governos.

De acordo com as trocas de governos e com as propostas a serem aplicadas, a educação especial ficava à mercê do novo governo, que somente colocava em prática as propostas que estivessem de acordo com os interesses do governo atual. 

Apenas na Constituição Federal de 1988 é que se garantiu a educação a todos: 

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988). 

O Brasil, assim como os demais países, passou a considerar a educação especial um fator importante, desde que efetivada com qualidade e igualdade, valorizando os profissionais da educação escolar. 

Em 1990 surgiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que assegura especificamente a educação especial, preferencialmente em rede pública de ensino, e garante a qualidade para o trabalho e a igualdade no atendimento. 

Outro avanço acerca das leis federais foi a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em 1996. Em seu Capítulo V – Da Educação Especial, além de explicar sobre o tema, ela prevê avanços em benefício dos alunos especiais: 

Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. 1º haverá, quando necessário, serviço de apoio especializado, na rede regular, para atender às particularidades da clientela de educação especial. 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função de condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. (BRASIL, 1996).

Diante das propostas de mudanças e das leis que garantiam a inclusão escolar, o desenvolvimento integral dessas crianças especiais passaria a contar com recursos específicos e com uma adaptação no currículo escolar que favorecesse o ensino. 

O currículo escolar da educação básica é importante e considerado flexível, modificado de acordo com a realidade das crianças e desenvolvido na educação infantil a partir do lúdico, onde se aprende de forma prazerosa, como a partir dos jogos, que auxiliam no processo de desenvolvimento das crianças de modo geral e também nas crianças com deficiências. 

4 Definição do jogo e suas características 

Não existe um único significado para a palavra jogo, pois ela sofre variações linguísticas com o passar do tempo e ainda tem outras finalidades dependendo da região. 

Os materiais utilizados para um jogo em uma determinada região podem ser considerados como não jogo para outra região, dependendo exclusivamente da função que se exerce sobre os materiais e sobre o jogo propriamente dito. Kishimoto (2007, p. 15) exemplifica: 

A dificuldade aumenta quando se percebe que um mesmo comportamento pode ser visto como jogo ou não-jogo. Se para um observador externo a ação da criança indígena que se diverte atirando com arco e flecha em pequenos animais é uma brincadeira, para a comunidade indígena nada mais é que uma forma de preparo para a arte da caça necessária à subsistência da tribo. Assim, atirar com arco e flecha para uns, é jogo, para outros, é preparo profissional. Uma mesma conduta pode ser jogo ou não-jogo em diferentes culturas, dependendo do significado a ela atribuído. Por tais razões fica difícil elaborar uma definição de jogo que englobe a multiplicidade de suas manifestações concretas. Todos os jogos possuem peculiaridades que os aproximam ou distanciam. (KISHIMOTO, 2007, p.15).

O jogo é algo abrangente, sua definição se torna complexa por se tratar de um termo que não é definitivo, levando em consideração suas particularidades e não apenas os objetos utilizados. 

Desde outros tempos ele é utilizado, pois “o jogo serviu de vínculo entre os povos, é um facilitador da comunicação entre os seres humanos” (ORTIZ, 2005, p. 9) e se faz útil no desenvolvimento das crianças, principalmente por favorecer a comunicação. 

Nem sempre o jogo foi visto como um recurso pedagógico, sendo assim, seu uso era restrito, com o passar dos anos foi percebida sua importância, principalmente através da aprendizagem de forma lúdica, que leva em consideração o ensino prazeroso, que faz sentido para a criança. 

O ser humano, de modo geral, sente prazer pelo jogo, principalmente por se tratar de algo interessante e desafiante, algo estimulante e em que se depende de regras para vencer. 

Pode ser apresentado de diversas formas, utilizando-se de inúmeros objetos, como corda, tatames, tecnologias, bolas, ou então exigindo de seus jogadores raciocínio durante as partidas. 

Sobre o conceito de jogo, Ortiz (2005, p. 17) afirma: 

O conceito de jogo é tão versátil e elástico que escapa a uma localização conceitual definitiva. Nesse sentido, qualquer tentativa, por mais erudita que seja somente será capaz de captar uma parte de verdade do jogo, não global ou total. (ORTIZ, 2005, p.17). 

O conceito de jogo e suas intencionalidades foram se transformando ao decorrer dos anos, as teorias apresentadas por conceituados autores são diferenciadas entre si, sendo que “as explicações mais conhecidas são a teoria do excedente energético, do pré-exercício, da recapitulação e a do relaxamento” (KISHIMOTO, 2007, p. 32). 

Para a referida autora, a teoria do excedente energético é aquela em que o jogo tem como sua principal utilidade o gasto de energia excessivo. Teoria desenvolvida em 1855 por Herbert Spencer. 

Ainda segundo ela, a teoria do pré-exercício é como uma preparação da criança para a vida adulta. A teoria da recapitulação diz respeito à reprodução da evolução humana, como brincar de cabana, numa reprodução aos homens de antigamente. 

Por fim, a teoria do relaxamento está relacionada literalmente ao nome dado, uma vez que o jogo era utilizado como uma recompensa ao trabalho difícil durante o dia todo, sendo aplicado como uma forma de relaxar (KISHIMOTO, 2007). 

Essas teorias atualmente não condizem com a realidade atual, uma vez que os jogos são utilizados de forma pedagógica e auxiliam no processo de desenvolvimento das crianças. 

O jogo está relacionado ao prazer, à representação da realidade, a incertezas, à liberdade do jogador, à sequência, sendo assim, sua realização favorece o campo imaginário: “todo jogo com regras contém uma situação imaginária” (KISHIMOTO, 2007, p. 28). 

Entre os principais benefícios do jogo estão a importância da construção de valores e a construção do conhecimento. A primeira volta-se ao saber esperar, saber perder, o respeito ao próximo, entre outros. A segunda construção permite ao jogador entender melhor a temática utilizada nos jogos, quando se joga com conteúdos específicos, permite-se à criança uma compreensão concreta, facilitando sua aprendizagem. 

Sendo assim, o jogo é fator indispensável para a educação infantil, deve estar presente no currículo e ser realizado de forma efetiva. Deve ser utilizado na instituição escolar o máximo que puder. Segundo Murcia (2005, p. 44): 

Para concluir, gostaria de destacar duas ideias. A primeira tem relação com o fato de que o jogo deve ser considerado um instrumento que impulsiona a aprendizagem, porque ajuda a criança a consolidar habilidades e destrezas. Nesse sentido, desempenha um papel muito positivo sobre o desenvolvimento psicológico. Por isso, devemos fazer com que nossas crianças dediquem a essa atividade o maior tempo possível, abandonando a ideia de que a brincadeira é incompatível com a aprendizagem e destacando o prazer, a diversão e entretenimento derivados da atividade lúdica também não são incompatíveis a aquisição de novos conhecimentos e habilidades. (MURCIA, 2005, p. 44).

5 O jogo para a Educação Infantil 

Tendo em vista o desenvolvimento íntegro das crianças de modo geral, no que se referem à aprendizagem, os jogos são aplicados principalmente para desenvolver aspectos intelectuais, motores, afetivos e sociais. 

Durante a realização dos jogos, o professor deve aproveitar a oportunidade e trabalhar os valores, as diferenças, o tempo e o ritmo de cada criança da sala, enfatizando o respeito a todos, principalmente se na sala houver alguma criança com deficiência. 

6 O jogo para crianças com deficiências 

As crianças com necessidades educativas especiais podem apresentar dificuldades durante a realização do jogo, ou as regras talvez não fique claro para elas, para isso, é necessário que haja uma comunicação com essa criança, explicando a finalidade do jogo como também adequar o jogo à criança com deficiência. 

Em relação às deficiências, há quesitos que favorecem o jogo para essas crianças, com propostas que auxiliam especificamente cada uma das principais deficiências, tornando o jogo prazeroso a todos e garantindo a socialização (SOMMERHALDER; ALVES, 2011). 

Ainda segundo os referidos autores, primeiramente para as crianças com deficiência física o que se deve garantir é a segurança e o conforto, além disso, “não exigir um controle motor muito apurado” (SOMMERHALDER; ALVES, 2011), tendo em vista a fragilidade de movimentos de acordo com os casos específicos. 

As crianças que apresentam deficiência visual conseguem se desenvolver melhor através do sensorial tátil e audição, sendo assim, as texturas e os sons são os que mais favorecem, igualmente para os jogos de tabuleiro.

Os jogos com experiências mais concretas e com objetos são preferencialmente para crianças com deficiência mental; é importante que o jogo seja bem explicado, apresentando as funcionalidades e o motivo e ressaltando a participação de cada jogador. 

Para as crianças com deficiência auditiva e surdez, que é o principal foco deste trabalho, prioritariamente o que se deve levar em consideração são os jogos através do campo da visão, sem objetos como apitos ou afins com princípios sonoros, mesmo que estes sejam apenas para início ou término dos jogos. 

7 O jogo para crianças com deficiência auditiva e surdez 

A comunicação é fundamental para a realização dos jogos, uma vez que a criança surda precisa estar convicta do que irá se desenrolar no jogo e a maneira que será a sua participação. 

A criança surda não deve ser entendida como alguém sem capacidade e ser vista com piedade perante os amigos, mas deve participar igualmente dos jogos, estabelecendo comunicação entre todos, para que sinta incluída. 

Sobre a participação dessas crianças especiais no jogo, é importante a atenção à manifestação delas. Segundo Santana (2007, p. 79):

Para fugir do isolamento social resultante da ausência de língua, a criança surda usa gestos, icônicos e indicativos, a fim de comunicar-se com os ouvintes. O uso de gestos não é exclusivo dos surdos, pois pequenos ouvintes também os produzem e interpretam durante seu desenvolvimento. Pelo fato de a língua de sinais possuir um canal visuomanual, os sinais são confundidos, muitas vezes, com gestos. (SANTANA, 2007, p. 79). 

Logo, durante a realização dos jogos, a criança com deficiência auditiva ou surdez pode se manifestar e muito provavelmente ela fará isso, se não compreender algo, ou fará como uma manifestação de sentimentos, que deverá ser percebida, principalmente por ser a sua forma de comunicação. ]

Dependendo do caso e da lesão no ouvido, a criança pode apresentar deficiência auditiva ou ser diagnosticada com surdez. É importante que o professor da sala regular saiba sobre as limitações de seu aluno, dessa forma, poderá melhor interferir e adaptar as atividades. 

Em relação à perda auditiva, vale lembrar que “a classificação da perda é: perda leve de 20 a 40 dB, perda média de 40 a 70 dB, perda séria de 70 a 90 dB e perda profunda superior a 90 dB” (MARCHESI, 2004, p. 174). 

Para avaliar o nível de perda auditiva da criança é necessário um exame de audiometria, realizado pelos profissionais da área de fonoaudiologia e/ou otorrinolaringologia. 

A partir dos resultados, o professor deve ser comunicado para estar mais convicto de suas práticas pedagógicas, visando contribuir para a um ensino de qualidade e que faça sentido à criança. 

Os jogos devem ser levados em consideração, pois é uma prática importante no desenvolvimento das crianças surdas. Segundo Marchesi (2004, p. 184): 

Uma das condutas mais importantes da etapa representativa e simbólica é o jogo. Esse tipo de atividade, que não exige a presença de intercâmbios comunicativos, é particularmente relevante para analisar o desenvolvimento cognitivo das crianças surdas. (MARCHESI, 2004, p.184).

Ainda segundo o referido autor, as crianças surdas entre zero a dois anos apresentam o desenvolvimento muito semelhante à criança ouvinte, em que a imitação vocal e emissão dos sons são os únicos fatores diferenciais de uma para outra – algumas crianças surdas apenas balbuciam. 

Dos dois aos quatro anos de idade o desenvolvimento ainda é muito similar, a diferença é que a criança surda requer muito do concreto, do campo tátil e da visão, sendo assim, o mundo da fantasia sofre certo atraso, por pertencer ao campo do que não se pode tocar (MARCHESI, 2004). 

Os jogos que trabalham a imaginação e o mundo da fantasia são fundamentais durante essa fase do desenvolvimento, dessa forma as crianças surdas participam de novas experiências, contribuindo para sua aprendizagem. 

O principal destaque de diferenças, durante a educação infantil, está na faixa etária de quatro a seis anos. A linguagem é pouco compreendida, desde que o nível linguístico não seja reforçado, assim, a criança surda começa a apresentar dificuldades no ambiente escolar. 

Para que a linguagem seja compreendida por essas crianças especiais, é importante que elas desde bem pequenas já adquiram a língua de sinais, para que dominem nessa idade uma forma de linguagem e de comunicação. 

Além da necessidade de uma linguagem para comunicação desde pequenas, outros fatores em dificuldade são a socialização, a memória e a sequência que ficam comprometidas pela ausência da fala e da comunicação. (MARCHESI, 2004).

8 O intérprete de LIBRAS 

Sobre a comunicação é imprescindível que ela seja estabelecida entre o professor e o aluno, como também entre todos os alunos da sala de aula. Para que isso seja garantido, há a presença do intérprete da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) na sala de aula, que faz mediações e estabelece sólida comunicação. Segundo Lacerda (2013, p. 50): 

Nesse sentido, são necessários profissionais que tenham domínio da Libras, que pensem estratégias pedagógicas que contemplem as necessidades das crianças surdas, e em alguns casos a presença do intérprete se faz necessária para que alguns desses alvos sejam alcançados. (LACERDA, 2013, p. 50). 

Ao intérprete cabe estabelecer a comunicação, garantindo a inclusão da criança surda e, além disso, auxiliar o professor em práticas pedagógicas de forma a contribuir para a aprendizagem e desenvolvimento da criança. 

Para tanto, a relação entre o professor da sala regular e do intérprete deve ser amigável, devendo haver troca de experiências, com o objetivo de contribuir e mediar o conhecimento, com afetividade e responsabilidade. 

O trabalho do intérprete de Libras merece cuidado por se tratar de um ensino a partir da proposta bilíngue, primeiro na língua de sinais e depois posteriormente na Língua Portuguesa. Sobre isso, Lacerda (2013, p. 50): 

No caso da educação de surdos, acrescentam-se necessidades de que devem ser atendidas pelas instituições – a de oferecer oportunidades para que a criança se torne bilíngue, esteja em interação com pares em sua língua e tenha contato com a comunidade surda, podendo se reconhecer como pertencente a ela e reconhecer aspectos pertinentes à surdez. Esse é um desafio especialmente difícil na realidade atual, que vem buscando caminhos para a educação inclusiva. (LACERDA, 2013, p. 50). 

A criança surda não deve ser vista como um estrangeiro em seu próprio país de origem, ela deve ser inserida na sociedade e ter contato com a comunidade surda, dessa forma ela se vê pertencente a um grupo específico, sendo que o conhecimento e a cultura podem ser favorecidos nessa inserção.

De acordo com as dificuldades apresentadas e principalmente pela falta da linguagem nas crianças com deficiência auditiva e surdez, serão apresentadas algumas propostas de jogos que trabalham especificamente cada uma dessas dificuldades. 

9 Propostas de jogos para se trabalhar em sala de aula com crianças com deficiência auditiva e surdez.

É visto que os jogos auxiliam no processo de aprendizagem das crianças, sendo indispensável como recurso em sala de aula, principalmente por se desenvolver a partir do lúdico, de forma prazerosa. 

O jogo é formado por um conjunto de dimensões importantes. Segundo Marchesi (2004, p.182): 

Uma das condutas mais importantes da etapa representativa e simbólica é o jogo. Esse tipo de atividade, que não exige a presença de intercâmbios comunicativos, é particularmente relevante para analisar o desenvolvimento cognitivo das crianças surdas. (MARCHESI, 2004, p.182). 

Durante a realização dos jogos, podem-se identificar e analisar as facilidades e dificuldades das crianças surdas, sendo assim, ao professor cabe intervir e mediar de acordo com o que é apresentado. 

A memória é outra área que as crianças surdas apresentam dificuldades. Conforme Marchesi (1993, p. 89): 

Tanto en niños sordos como en oyentes, los processos de organización y control de la memoria comienzan a una edad similar. Ocurre que, en general, los niños sordos rindem menos en tareas de recuerdo que los oyentes.Esto no significa una menor capacidade en general sino una consecuencia del déficit auditivo. (MARCHESI, 1993, p. 89).

Em atividades que exigem lembranças e memória, há um menor rendimento por parte das crianças surdas, não pela falta de capacidade, mas sim por uma consequência da perda auditiva. Para desenvolver a memória e lembranças, o jogo da memória é proposto, segundo o quadro abaixo: 

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Quadro 3.1 – Aplicações do Jogo da Memória. 
JOGO DA MEMÓRIA 
Objetivos do jogo: lembrar o maior número possível de objetos e a sequência que foi tocado. No outro jogo da memória combinar as figuras idênticas ou ainda virar uma figura que corresponda ao seu sinal. 

Realização: escolhido o primeiro jogador, este sai de seu lugar e toca em qualquer objeto que esteja na sala e, ao mesmo tempo, digita ou sinaliza (dependendo da proposta do jogo) o nome do objeto. Volta para o seu lugar e toca em outro jogador. Este, por sua vez, toca no objeto que seu precedente tocou, digita-lhe/sinaliza-lhe o nome e toca outro objeto digitando/sinalizando o nome. O jogo prossegue da mesma forma. Os jogadores devem tocar e digitar/sinalizar o nome de todos os objetos tocados anteriormente e acrescentar mais um. No outro jogo da memória, cada jogador tem uma chance de virar as figuras que estão de cabeça para baixo, afim de que sejam idênticas ou correspondentes. 

Fator de desenvolvimento: o desenvolvimento é da memória, forçando a criança a lembrar-se de jogadas anteriores. Neste jogo a linguagem também está presente, uma vez que a criança precisa ter o domínio da linguagem de sinais. Se jogado em sala de aula, a socialização também é fator de desenvolvimento. 
Fonte: MEC, Saberes e Práticas da Inclusão, Educação Infantil, Surdez, 2006.
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Durante a realização dos jogos, a comunicação deve ser estabelecida, principalmente pelos sinais em LIBRAS, como também a realização ser com a correspondência entre imagem e sinal. Dessa forma, há um desenvolvimento no conhecimento da linguagem sinalizada. 

A sequência narrativa é outra dificuldade apresentada por algumas crianças surdas. Para isso, o quebra-cabeça é um jogo que reforça essa sequência e permite ao professor e ao intérprete que trabalhem com os sinais da imagem apresentada, conforme apresentado no quadro abaixo: 

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Quadro 3.2 – Aplicações do Jogo Quebra-Cabeça 
QUEBRA-CABEÇA 
Objetivos do jogo: reconstruir uma imagem, como a do corpo humano, a partir de peças que se interligam. 
Realização: entrega-se para o aluno um quebra-cabeça do corpo humano. O aluno monta o quebra-cabeça à medida que o professor digita, escreve ou sinaliza o nome das partes do corpo. Fator de desenvolvimento: a sequência lógica na construção de uma imagem. 
Fonte: MEC, Saberes e Práticas da Inclusão, Educação Infantil, Surdez, 2006. 
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Auxiliando na sequência narrativa e lógica, se os jogos apresentados são trabalhados em grupo na sala de aula regular, além da sequência permitem uma socialização entre as crianças, minimizando as diferenças. 

Outro jogo sobre sequência é o dominó, que pode ser utilizado com vários campos semânticos, preferencialmente contextualizados para que assim tenham mais sentido para as crianças surdas.

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Quadro 3.3 – Aplicações do Jogo de Dominó. 
DOMINÓ 
Objetivo do jogo: dar sequência à trilha montada pelas peças na ordem da última imagem das extremidades. 
Realização: podem-se utilizar vários campos semânticos, contendo frases/figuras de ações; de nomes/figuras de objetos; de antônimos; de quantidade (numeral/número); de grau do substantivo (aumentativo/diminutivo). Obs.: todos podem ser trabalhados com figuras/palavras da língua portuguesa ou da Língua Brasileira de Sinais. 
Fator de desenvolvimento: fica evidente a questão da comparação e da sequência que há de se estabelecer. A parte da socialização é algo fundamental neste jogo. Caso haja peças correspondentes e não idênticas, a criança deve ter o domínio da linguagem de sinais. 
Fonte: MEC, Saberes e Práticas da Inclusão, Educação Infantil, Surdez, 2006. 
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Outra dificuldade apresentada pela criança surda é a sequência, sendo que o fundamental “é prestar atenção ao rosto do adulto para perceber sua intenção comunicativa e olhar para o objeto ao qual se faz referência” (MARCHESI, 2004, p. 177). 

Logo, durante a realização do jogo o adulto deve estar atento à comunicação estabelecida, para que a criança surda não seja prejudicada, podendo jogar livremente. 

O bingo de figuras apresentado no quadro a seguir permite à criança surda a socialização e o conhecimento dos sinais das imagens apresentadas, de acordo com o campo semântico escolhido pelo professor. 

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Quadro 3.4 – Aplicações do jogo 
Bingo de Figuras
Objetivo do jogo: marcar o maior número de figuras que são ditadas pelo professor ou mostradas em sinais. 
Realização: o campo semântico pode variar com objetos ou ações. Sua representação é correspondente em língua de sinais e no português escrito (palavra ou frase). O professor apresenta as figuras e os alunos marcam sua correspondência gráfica (seja por meio de sinais ou por meio de palavras/frases). 

Fator de desenvolvimento: a parte da socialização é algo fundamental neste jogo. A criança deve ter o domínio da linguagem de sinais. É preciso atenção nos sinais, encontrando correspondência no tabuleiro da criança. 
Fonte: MEC, Saberes e Práticas da Inclusão, Educação Infantil, Surdez, 2006. 
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Assim como os demais jogos, as variações podem acontecer principalmente na troca de campo semântico, na troca de quem dita as pedras marcadas e no trabalho com frases ou mais palavras que permitem desafios maiores à criança surda.

As adequações e adaptações devem priorizar o pleno desenvolvimento da criança surda, tendo em vista a superação das dificuldades apresentadas, pois essas dificuldades estão relacionadas à perda auditiva e à linguagem oral, e não à falta de capacidade dessas crianças especiais. 

9 Considerações Finais: 

O desencadeamento para a inclusão escolar, além de levar muito tempo para sua consolidação, custou a muitas crianças o não direito de pertencer à escola, que foi conquistado apenas há décadas atrás. 

A partir dessa conquista, a criança surda depende de uma comunicação na rede de ensino para que seja garantido o seu desenvolvimento, cabendo ao professor ser o facilitador da aprendizagem, através de adaptações que superem as dificuldades dessas crianças em questão.

Os jogos contribuem para esse desenvolvimento íntegro, devendo ser trabalhados tanto na sala regular de ensino como na sala de recursos, que é uma sala com atendimento individual e com professor especialista, geralmente em turno contrário ao da sala regular. 

Antes mesmo de apresentar os jogos às crianças, faz-se importante que o professor experimente sua realização e oportunize as variações adequadas para o jogo, visando principalmente o campo abstrato, que é o mundo da fantasia, em uma proposta que permita a imaginação. 

O papel do intérprete de LIBRAS é algo fundamental, uma vez que, em parceria com o professor titular da sala de aula regular, contribui para a formação da criança surda, a partir de uma proposta bilíngue, que é o ensino em LIBRAS como primeira língua e a escrita em língua portuguesa posteriormente. 

Contudo, deve-se ressaltar o potencial das crianças com deficiência auditiva e surdez, que a partir de estímulos adequados conseguem aprender e ter o desenvolvimento similar ao da criança ouvinte, sendo assim, a inclusão acontece e as crianças surdas têm as mesmas oportunidades das ouvintes.

10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. 
Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. Disponível em: . Acesso em: 22.09.2014. 
______. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 2006. Leis de Diretrizes e Bases da Educação. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 20 de dezembro. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2014. 
KISHIMOTO, T. M. et.al. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 10 ed. São Paulo: Cortez Editora, 2007. 
KOHL, O. M. Vygotsky: Aprendizagem e Desenvolvimento: um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 2010. 
LACERDA, F. B. C. Intérprete de Libras em atuação na educação infantil e no ensino fundamental. 5. ed. Porto Alegre: Editora Mediação, 2013 
ORTIZ, P. J. Aproximação teórica à realidade do jogo. In: MURCIA, J. A. M. Aprendizagem através do jogo. Porto Alegre: Artmed Editora, 2005. p. 9. 
MARCHESI, A. et al. Desenvolvimento psicológico da educação: transtornos do desenvolvimento e necessidades educativas especiais. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. v.3. ______. El desarrollo cognitivo y linguístico de los niños sordos. 3. ed. Madrid: Alianza Editorial, 1993. 
MAZZOTTA, S. J. M. Educação especial no Brasil história e políticas públicas. 5. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2005. 
MEC – Ministério da Educação e do Desporto. Declaração de Salamanca. Disponível em: . Acesso em: 10 out. 2014. 
MITTLER, P. Educação Inclusiva: contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003. 
MURCIA, M. A. J. et. al. Aprendizagem através do jogo. Porto Alegre: Artmed Editora, 2005. SANTANA, P. A. Surdez e linguagem: aspectos e implicações neolinguísticas. São Paulo: Plexus Editora, 2007. 
SOMMERHALDER, A.; ALVES, D. F. Jogo e a educação da infância: muito prazer em aprender. Curitiba: Editora CRV, 2011.



Os jogos para deficientes visuais são importantes por diversos motivos, entre eles:

Jogo da memória tátil (adaptado para deficientes visuais)

Inclusão social
Os jogos adaptados podem ser uma forma de inclusão social e de interação entre crianças com e sem deficiência.

Desenvolvimento de competências

Os jogos podem ajudar a desenvolver competências sociais, autocontrolo, regulação e ligação aos outros.

Aprendizagem

Os jogos adaptados podem ser uma ferramenta importante no processo de alfabetização e de aprendizagem sobre o mundo.

Estimulação dos sentidos

Os jogos que associam diferentes formas, espessuras, cheiros, cores, tamanhos, texturas, sons e símbolos estimulam os sentidos restantes da criança.

Prazer e motivação

As atividades adaptadas devem proporcionar prazer e motivação, o que leva à intencionalidade e desenvolve a iniciativa e a autonomia.

Alguns exemplos de jogos adaptados para deficientes visuais são:

Jogo do Uno Braille

Scrabble com caracteres ampliados e Braille
Jogo de palavras Boggle ampliado
Jogo SUDOKU Braille magnético
Jogo de palavras cruzadas Braille ampliado
Jogo quatro em linha tátil
Dominó em alto relevo
Jogo de damas tátil
Jogo de xadrez adaptado



A sociobiodiversidade é a relação entre a diversidade biológica, a prática de atividades sustentáveis e o conhecimento ancestral das populações tradicionais.

 Os povos indígenas são essenciais para a sociobiodiversidade, pois:

Desenvolvem técnicas agrícolas adaptadas a ambientes extremos, como secas, altitude e inundações
Cultivam plantas que se adaptam a essas condições, como a castanheira, a pupunha, o cacau, o babaçu, a mandioca e a araucária
Usam técnicas de manejo específicas que conjugam produtividade com preservação ambiental
Desempenham um papel essencial na preservação do meio ambiente
Promovem oportunidades econômicas para suas comunidades

A sociobiodiversidade abrange uma vasta diversidade de atividades, setores e produtos, como:

Colheita responsável de recursos florestais e animais

Agricultura praticada por famílias
Produção de artesanato único
Pesca tradicional
Cuidado da paisagem
Acolhimento comunitário no turismo local



Percepção multissensorial e criatividade

Introdução Desde a infância, percebo o mundo de maneira predominantemente multissensorial. Letras, números, formas, cores, objetos e configu...