*BRINCADEIRA SUSTENTÁVEL DESDE 2013*

Pesquisa, conceito e autoria: Renata Bravo / Contato: renatarjbravo@gmail.com

Inspirada em Heidegger, a Brincadeira Sustentável não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser vivida, elaborada e incorporada.
A tese que fundamenta este blog parte de uma ideia simples e duradoura: a infância, o brincar, a cultura, a natureza e as relações humanas constituem dimensões essenciais da formação do indivíduo e da construção da vida em sociedade. Embora os contextos históricos, as tecnologias e os modos de viver se transformem, essa base permanece atual. Por isso, não se trata de uma tese vinculada a uma época específica, mas de uma perspectiva que atravessa gerações e continua encontrando sentido sempre que uma criança brinca, aprende, cria, convive e estabelece sua relação com o mundo.

A INFÂNCIA EM TRÂNSITO: MEMÓRIA, CULTURA E FUTURO

sábado, 22 de agosto de 2026

Brasil amplia esmagamento de soja e transforma cada vez mais produção em valor

Brasil amplia o esmagamento de soja: o que podemos aprender com essa transformação?

O Brasil está entrando em uma nova etapa da cadeia da soja. O esmagamento do grão deve alcançar níveis recordes, mostrando que o país não está apenas produzindo mais, mas também ampliando sua capacidade de transformar a matéria-prima dentro do próprio território.

Quando a soja é esmagada, ela se transforma principalmente em óleo e farelo, que seguem para diferentes cadeias produtivas, como alimentação, produção de ração e biodiesel.

Mas esse movimento vai muito além do agronegócio. Ele pode ser uma excelente oportunidade de aprendizagem interdisciplinar.

Geografia: podemos estudar onde a soja é produzida, os caminhos percorridos até as indústrias e os portos e a importância do Arco Norte para o escoamento.

Matemática: analisar volumes de produção, custos de transporte, distâncias, produtividade, preços e comparar o valor do grão com o valor dos produtos processados.

Ciências: compreender o que acontece com a soja durante o processamento, seus componentes, a produção de óleo e farelo e suas diferentes utilizações.

Educação ambiental: discutir o uso do solo, a conservação dos rios, os impactos da produção, a importância da água e os efeitos das secas sobre as hidrovias.

História e infraestrutura: entender como ferrovias, rodovias, hidrovias e portos foram construídos e como modificaram a ocupação e a economia do território brasileiro.

Economia e educação financeira: refletir sobre cadeia produtiva, agregação de valor, geração de empregos, exportações e circulação de riqueza.

Tecnologia: investigar como máquinas, indústrias, sistemas de armazenamento e diferentes meios de transporte tornam possível movimentar milhões de toneladas de produtos.

Cartografia: construir mapas da cadeia da soja, identificando regiões produtoras, áreas de processamento, rotas de transporte e portos.

E existe ainda uma pergunta fundamental:

O que acontece quando a natureza não consegue acompanhar o ritmo da economia?

A seca dos rios, a redução da navegabilidade e os problemas de infraestrutura mostram que produção e desenvolvimento precisam caminhar junto com planejamento, conservação ambiental e conhecimento do território.

A soja, portanto, pode deixar de ser apenas um tema do agronegócio e se transformar em uma verdadeira sala de aula a céu aberto.

Um único produto permite estudar território, ciência, matemática, economia, tecnologia, meio ambiente, logística, história e cidadania.

Aprender a partir da realidade é também aprender a compreender como o mundo funciona.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Atividades sobre soldados na Educação Infantil: valorizando o profissional do exército e sua importância para o país




Dia do Soldado na Educação Infantil

Em homenagem ao Dia do Soldado, celebrado em 25 de agosto, os alunos da Educação Infantil participaram de atividades lúdicas e educativas para conhecer um pouco mais sobre a profissão e compreender a importância dos soldados para o país.

Para tornar esse momento significativo e divertido, as crianças confeccionaram chapéus de soldado com materiais reutilizáveis e participaram de uma brincadeira de marcha, vivenciando, de forma simbólica, alguns movimentos e comandos relacionados à rotina dos soldados.

O principal objetivo foi valorizar o trabalho dos profissionais que servem e protegem a sociedade, desenvolvendo nas crianças noções de respeito, cooperação, responsabilidade e cidadania.

Atividades

  • Roda de conversa sobre os soldados e suas funções;
  • Apresentação de imagens de soldados em diferentes situações;
  • Desenhos sobre a profissão;
  • Confecção de chapéus de soldado;
  • Marcha dos soldados, com comandos simples como “marche”, “pare” e “vire”;
  • Atividades de arte utilizando materiais reutilizáveis;
  • Brincadeiras que estimulem a cooperação, a atenção e o respeito às regras;
  • Conhecimento do Monumento aos Pracinhas como espaço de memória e homenagem;
  • Circuito de atividades inspirado em algumas habilidades desenvolvidas pelos soldados.

Como trabalhar o Dia do Soldado na Educação Infantil?

O tema pode ser abordado de maneira lúdica, respeitosa e adequada à faixa etária, destacando que os soldados desempenham diferentes funções e podem atuar em situações de proteção, ajuda humanitária e apoio à população.

A atividade pode começar com uma roda de conversa, perguntando às crianças o que sabem sobre os soldados. Em seguida, o professor pode apresentar imagens de soldados em diferentes situações e conversar sobre algumas das atividades e habilidades que fazem parte de sua formação.

Depois, as crianças podem representar o que compreenderam por meio de desenhos, brincadeiras de movimento e atividades artísticas.

A marcha dos soldados pode ser realizada como uma brincadeira de coordenação motora, com comandos simples. A confecção do chapéu também permite trabalhar criatividade, coordenação motora fina e consciência ambiental, especialmente quando são utilizados materiais reutilizáveis.

Atividades e habilidades que os soldados aprendem

Ao conhecer a profissão de soldado, as crianças também podem descobrir que esses profissionais precisam aprender diferentes habilidades ao longo de sua formação. Algumas envolvem equilíbrio, orientação, coordenação motora, comunicação, trabalho em equipe, resistência e cuidado com o ambiente.

Dependendo da função e da formação, os soldados podem aprender atividades como:

  • Equitação: aprender a montar e conduzir cavalos, desenvolvendo equilíbrio, atenção e coordenação;
  • Tirolesa e técnicas de corda: utilizadas em determinados treinamentos para desenvolver segurança, controle corporal e capacidade de superar obstáculos;
  • Orientação e cartografia: aprender a utilizar mapas, bússolas e outros recursos para encontrar caminhos;
  • Marcha: desenvolver resistência, disciplina, coordenação e capacidade de caminhar em grupo;
  • Travessia de obstáculos: trabalhar equilíbrio, agilidade e capacidade de enfrentar diferentes desafios;
  • Natação e travessia de ambientes aquáticos: em algumas formações, desenvolver habilidades para atuar em diferentes ambientes;
  • Primeiros socorros: aprender procedimentos básicos para prestar auxílio em situações de emergência;
  • Comunicação e sinalização: utilizar diferentes formas de comunicação para trabalhar em equipe;
  • Sobrevivência e contato com a natureza: desenvolver conhecimentos para se orientar e agir com segurança em ambientes naturais;
  • Trabalho em equipe: aprender a colaborar, respeitar funções e tomar decisões coletivamente.

Na Educação Infantil, essas habilidades podem ser transformadas em brincadeiras educativas e circuitos motores, sem reproduzir situações de combate. As crianças podem fazer uma pequena pista de obstáculos, brincar de orientação com mapas simples, realizar atividades de equilíbrio, criar uma representação de tirolesa com bonecos, brincar de marcha e participar de jogos de cooperação.

Dessa maneira, o tema permite trabalhar movimento, natureza, aventura, criatividade, cooperação, autonomia e resolução de problemas, aproximando as crianças de algumas habilidades presentes na formação dos soldados de maneira segura e adequada à infância.

Monumento aos Pracinhas

O Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, conhecido como Monumento aos Pracinhas, está localizado no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. É um importante espaço de memória e homenagem aos militares brasileiros que participaram da Segunda Guerra Mundial.

Apresentar esse patrimônio às crianças possibilita conversar, de maneira simples e adequada à idade, sobre memória, história e respeito. Os monumentos ajudam a preservar lembranças de pessoas e acontecimentos importantes para um país.

Como atividade, o professor pode apresentar uma fotografia do monumento e perguntar: O que é um monumento? Por que construímos lugares para homenagear pessoas? O que podemos aprender quando conhecemos a história de um lugar?

Depois, as crianças podem desenhar o monumento ou criar seus próprios pequenos monumentos utilizando materiais reutilizáveis, transformando a proposta em uma experiência de arte, história e educação patrimonial.

Objetivos

  • Compreender, de forma adequada à idade, algumas funções desempenhadas pelos soldados;
  • Conhecer algumas habilidades presentes na formação dos soldados;
  • Valorizar o trabalho dos profissionais que servem e protegem a sociedade;
  • Desenvolver noções de cidadania, respeito e cooperação;
  • Conhecer o significado dos monumentos como espaços de memória;
  • Conhecer o Monumento aos Pracinhas como patrimônio histórico e cultural;
  • Desenvolver a atenção e a capacidade de seguir instruções;
  • Estimular a coordenação motora ampla e fina;
  • Desenvolver equilíbrio, orientação e percepção espacial;
  • Desenvolver a criatividade e a expressão artística;
  • Incentivar a participação ativa nas atividades coletivas;
  • Promover o reaproveitamento de materiais em propostas de arte.

Sobre o Dia do Soldado

O Dia do Soldado é comemorado em 25 de agosto, data escolhida em homenagem ao nascimento de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, que nasceu em 25 de agosto de 1803.

A data é uma oportunidade para apresentar às crianças, de maneira simples e apropriada, o papel dos soldados e outras formas de serviço à sociedade. Além da atuação na defesa do país, integrantes das Forças Armadas podem participar de ações de apoio à população, inclusive em situações de emergência e desastres, além de missões de paz.

Na Educação Infantil, mais importante do que memorizar informações é transformar o tema em uma experiência de aprendizagem, movimento, arte, imaginação, memória, cooperação e cidadania.


Terras Raras: o Nordeste pode revelar uma nova fronteira mineral brasileira

 

Terras raras: o Nordeste pode estar diante de uma nova fronteira de estudos e pesquisa mineral 

Quando se fala em terras raras no Brasil, o olhar muitas vezes se volta para outras regiões. Mas o Nordeste também reúne ambientes geológicos que merecem atenção e podem ganhar importância estratégica nos próximos anos.

A Bahia aparece como um dos principais focos, com ocorrências e áreas de interesse em regiões como Jequié, Caetité, Lagoa Real e Maracás. O Piauí, especialmente na borda oriental da Bacia do Parnaíba, também apresenta áreas que justificam estudos e pesquisas mais aprofundados.

É importante, porém, separar potencial geológico de descoberta econômica. A existência de ocorrências ou anomalias não significa necessariamente a presença de uma jazida economicamente viável. Por isso, o primeiro passo é ampliar o conhecimento.

Mapeamentos geológicos, levantamentos geoquímicos e geofísicos, análises de solos e regolitos, estudos de lateritas e argilas iônicas e pesquisas mineralógicas podem ajudar a identificar novos alvos de prospecção e compreender melhor a distribuição desses elementos no território nordestino.

As terras raras são estratégicas para tecnologias fundamentais para o futuro: ímãs permanentes, motores elétricos, equipamentos eletrônicos, energias renováveis, tecnologias avançadas e aplicações de defesa.

E estudar esses recursos significa muito mais do que procurar uma nova fonte de minério.

Ciência, porque a pesquisa permite descobrir onde estão as terras raras, em que quantidade, associadas a quais minerais e quais métodos podem ser utilizados para seu aproveitamento. Ciência transforma uma suspeita geológica em conhecimento comprovado.

Geologia, porque é preciso compreender como o território se formou e quais ambientes apresentam maior possibilidade de concentrar esses elementos. A geologia ajuda a responder: onde procurar e por que procurar ali?

Tecnologia, porque encontrar o minério é apenas uma etapa. É necessário desenvolver e dominar tecnologias para separar, beneficiar e processar as terras raras, avançando do recurso mineral para produtos de maior valor agregado.

Conhecimento do território, porque pesquisar o subsolo também significa conhecer melhor o próprio Brasil. Mapear formações geológicas e recursos minerais ajuda a planejar investimentos, infraestrutura, pesquisa, conservação ambiental e ocupação territorial.

Novas possibilidades para a economia, porque, se as pesquisas confirmarem depósitos economicamente viáveis, podem surgir oportunidades em pesquisa mineral, mineração, beneficiamento, processamento, indústria, tecnologia, serviços especializados e formação de mão de obra.

Mais do que simplesmente exportar minério, o grande desafio é criar condições para desenvolver cadeias produtivas nacionais, agregando conhecimento, tecnologia e valor aos recursos encontrados.

Investir em pesquisa significa conhecer melhor o nosso subsolo e criar condições para tomar decisões mais qualificadas sobre onde pesquisar, onde investir e, eventualmente, onde produzir sempre com responsabilidade ambiental e planejamento.

O Nordeste possui uma história importante na mineração e ainda tem muito a revelar.

Investir em estudos sobre terras raras no Nordeste é investir em ciência para descobrir, em geologia para compreender, em tecnologia para transformar, em conhecimento para planejar o território e em novas possibilidades para diversificar e fortalecer a economia brasileira.

O mapa das terras raras brasileiras ainda está sendo desenhado e o Nordeste pode ter um papel muito maior nessa história. 

Índia abre mercado para o açúcar brasileiro

Índia abre espaço para 1 milhão de toneladas de açúcar e cria oportunidade para o Brasil

A decisão da Índia de autorizar a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar sem tarifa de importação movimenta o mercado internacional e abre uma nova janela de oportunidade para o agronegócio brasileiro.

A medida, anunciada em agosto de 2026, ocorre em um momento de estoques mais apertados no mercado indiano e de necessidade de garantir o abastecimento interno.

Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial de açúcar, a abertura representa uma oportunidade estratégica para ampliar sua presença em um dos maiores mercados consumidores do planeta.

Uma oportunidade para o açúcar brasileiro

A Índia é um dos grandes protagonistas do mercado mundial de açúcar. Quando precisa complementar sua oferta doméstica, a demanda indiana pode provocar mudanças importantes nos fluxos internacionais da commodity.

O Brasil parte de uma posição privilegiada.

A produção em larga escala, a experiência exportadora e a presença consolidada nos mercados internacionais permitem ao país responder rapidamente a novas oportunidades de demanda.

A abertura indiana pode, portanto, favorecer os embarques brasileiros e fortalecer ainda mais a posição do país no comércio global de açúcar.

Sustentabilidade também entra nessa equação

A expansão do mercado internacional não depende apenas da capacidade de produzir mais. Cada vez mais, compradores e consumidores observam como os alimentos são produzidos, transportados e comercializados.

Nesse cenário, eficiência produtiva, uso responsável da água e do solo, redução de desperdícios, aproveitamento de resíduos e melhoria da logística tornam-se diferenciais importantes.

O setor sucroenergético brasileiro possui uma característica estratégica: além do açúcar, a mesma cadeia produtiva está integrada à produção de etanol e energia, permitindo o aproveitamento de diferentes partes da matéria-prima e agregando valor à produção.

A sustentabilidade, portanto, deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a fazer parte da própria competitividade internacional.

Brasil pode transformar oportunidade em estratégia

A abertura temporária do mercado indiano mostra como mudanças na oferta e na demanda podem criar novas oportunidades para o agronegócio brasileiro.

Mas aproveitar essa janela exige mais do que aumentar as exportações. É necessário garantir eficiência, qualidade, rastreabilidade, infraestrutura e capacidade logística.

Do campo brasileiro aos portos e, depois, aos consumidores indianos, cada etapa da cadeia influencia o resultado final.

A oportunidade está aberta. O desafio é transformá-la em comércio, competitividade e desenvolvimento sustentável.

O açúcar brasileiro no mercado global

A decisão indiana reforça uma tendência importante: o agronegócio brasileiro está cada vez mais conectado às necessidades de diferentes regiões do mundo.

Quando um grande país consumidor precisa de mais açúcar, o Brasil está entre os fornecedores capazes de responder.

E essa conexão entre produção, comércio internacional, segurança alimentar, logística e sustentabilidade mostra que o futuro do agronegócio não será definido apenas pela quantidade produzida, mas pela capacidade de produzir e chegar ao consumidor de forma eficiente e responsável.

Algodão brasileiro conquista o mercado global


O algodão brasileiro está vivendo um momento histórico. Em poucos anos, o país deixou de ser apenas um importante produtor para se consolidar como líder mundial nas exportações de algodão, conquistando espaço e confiança nos principais mercados internacionais.

No ano comercial 2025/26, encerrado em julho, o Brasil exportou aproximadamente 3,37 milhões de toneladas de algodão, um crescimento de 19% em relação ao ciclo anterior. A receita chegou a cerca de US$ 5,3 bilhões.

Mais impressionante ainda é observar a velocidade dessa transformação. Em 2022/23, o Brasil exportava cerca de 1,45 milhão de toneladas. Em apenas quatro anos, esse volume mais que dobrou.

Da lavoura brasileira para o mundo

A expansão do algodão brasileiro está diretamente ligada ao aumento da produção, aos ganhos de produtividade e à profissionalização da cadeia.

Estados como Mato Grosso, Bahia, Goiás e Mato Grosso do Sul ganharam importância na produção nacional, com grandes áreas mecanizadas e investimentos em tecnologia, manejo, pesquisa e qualidade da fibra.

O resultado é um produto cada vez mais competitivo no mercado internacional.

Mas não se trata apenas de produzir mais.

O mercado mundial exige qualidade, regularidade de fornecimento, rastreabilidade e práticas ambientais responsáveis. E é justamente nesse conjunto de fatores que o algodão brasileiro vem construindo sua reputação.

A Ásia olha para o Brasil

A indústria têxtil asiática é um dos grandes motores dessa expansão.

China, Bangladesh, Vietnã, Turquia, Paquistão e Índia estão entre os mercados que compram o algodão brasileiro para abastecer suas indústrias.

A China, em particular, ganhou destaque como grande comprador, reforçando a importância do Brasil nas cadeias globais de produção de tecidos e vestuário.

Isso significa que uma fibra produzida em uma fazenda brasileira pode percorrer milhares de quilômetros até chegar a uma indústria asiática e, posteriormente, transformar-se em uma roupa vendida em qualquer parte do planeta.

É a agricultura brasileira conectada diretamente à economia global.

Produzir mais também exige infraestrutura

O crescimento das exportações traz uma questão fundamental: como transportar tudo isso?

A expansão da produção agrícola brasileira precisa caminhar junto com investimentos em ferrovias, rodovias, portos e hidrovias.

Os corredores do chamado Arco Norte ganharam importância justamente porque podem reduzir distâncias e custos para o escoamento da produção das regiões agrícolas do Centro-Oeste e do Matopiba.

Mas essa infraestrutura precisa acompanhar o crescimento da produção.

Problemas como estiagens, assoreamento de rios, limitações portuárias, estradas precárias e gargalos ferroviários podem comprometer a competitividade conquistada no campo.

Não basta produzir uma fibra de qualidade. É preciso conseguir levá-la ao mercado mundial com eficiência.

Sustentabilidade será cada vez mais importante

A conquista de novos mercados também aumenta a responsabilidade.

Os consumidores e as grandes marcas internacionais estão cada vez mais atentos à origem das matérias-primas que utilizam. Questões como conservação do solo, uso responsável da água, preservação ambiental, rastreabilidade e condições de produção passam a fazer parte da competitividade.

Nesse cenário, o algodão brasileiro tem uma oportunidade estratégica: mostrar que produção, tecnologia e sustentabilidade podem caminhar juntas.

A liderança nas exportações não deve ser vista apenas como um recorde comercial. Ela representa uma oportunidade para fortalecer toda a cadeia produtiva e agregar mais valor ao produto brasileiro.

De commodity a referência global

O algodão mostra uma transformação importante do agronegócio brasileiro.

O país não está apenas ampliando sua produção. Está conquistando espaço em cadeias internacionais cada vez mais exigentes.

A pergunta agora é: como transformar essa liderança em uma posição duradoura?

A resposta passa por investimento em pesquisa, tecnologia, infraestrutura, sustentabilidade, qualidade e abertura de novos mercados.

O algodão brasileiro já conquistou o mundo.

O próximo desafio é garantir que essa conquista seja competitiva, sustentável e capaz de gerar valor para muito além da porteira.

O campo brasileiro e a economia global

A história do algodão revela algo maior: quando produção, tecnologia, logística, conhecimento e sustentabilidade se encontram, uma cadeia agrícola pode transformar a posição de um país no mercado internacional.

Da lavoura brasileira às indústrias têxteis da Ásia, o algodão percorre uma longa jornada.

E essa jornada mostra que o Brasil tem potencial não apenas para alimentar o mundo, mas também para vesti-lo.

Japão, China e Brasil: como decisões do outro lado do mundo chegam até nós


Quando falamos de economia, pode parecer que decisões tomadas em países distantes pouco têm a ver com a nossa realidade. Mas basta observar o caminho de uma commodity, o preço do dólar ou o movimento de um porto para perceber que o mundo está profundamente conectado.

O Japão e a China são dois bons exemplos.

Enquanto uma mudança nos juros japoneses pode alterar o fluxo de dinheiro pelo mundo, os estímulos econômicos chineses podem aumentar a procura por produtos brasileiros, como soja, minério de ferro, petróleo e carnes.

E essas mudanças chegam ao Brasil por diferentes caminhos.

Japão: quando os juros mudam o caminho do dinheiro

Durante muitos anos, o Japão manteve juros extremamente baixos. Isso favoreceu uma estratégia conhecida como Yen Carry Trade: investidores tomavam dinheiro emprestado no Japão a custos reduzidos e aplicavam em países onde os juros eram mais altos.

O Brasil, com suas taxas de juros historicamente elevadas, pode fazer parte desse circuito.

Quando o Banco do Japão aumenta os juros, porém, essa estratégia fica menos interessante. Investidores podem reduzir posições em países emergentes e levar parte dos recursos de volta para o Japão.

Uma das consequências possíveis é a pressão sobre o câmbio brasileiro.

Se o real perde valor diante do dólar, produtos importados e diversos insumos podem ficar mais caros, aumentando a pressão sobre a inflação.

Ou seja: uma decisão monetária tomada no Japão pode chegar ao Brasil através do mercado financeiro e do preço do dólar.

China: quando a economia cresce, o Brasil sente

A relação com a China acontece de outra maneira.

A China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e possui enorme importância para o mercado de commodities.

Quando o governo chinês adota medidas para estimular a economia, aumentar investimentos e fortalecer a atividade industrial, pode haver aumento da demanda por matérias-primas.

E o Brasil está entre os grandes fornecedores mundiais.

A soja produzida no campo brasileiro, o minério extraído de nossas regiões de mineração, o petróleo e as proteínas animais fazem parte dessa grande engrenagem do comércio internacional.

Mais demanda chinesa pode significar mais exportações brasileiras, maior entrada de dólares e fortalecimento da balança comercial.

Do campo brasileiro aos mercados internacionais

É aqui que economia, território e vida cotidiana se encontram.

Uma decisão tomada em Pequim pode influenciar a demanda por soja brasileira. Essa demanda interfere na produção agrícola, no transporte, nos portos, nas ferrovias e nas hidrovias.

Da mesma forma, alterações no mercado financeiro internacional podem influenciar o dólar e, consequentemente, os custos de máquinas, combustíveis, fertilizantes, equipamentos e outros produtos utilizados na produção.

Por isso, falar de economia não é falar apenas de bancos e bolsas de valores.

É também falar de agricultura, natureza, infraestrutura, trabalho, transporte, cidades e desenvolvimento.

E o papel da logística?

Existe ainda outro elo fundamental nessa cadeia: como levar aquilo que produzimos até o mercado consumidor.

O crescimento das exportações aumenta a importância das rotas de transporte, dos portos, das ferrovias e das hidrovias brasileiras.

Nesse contexto, questões ambientais e de infraestrutura também passam a ter dimensão econômica.

Problemas como seca, assoreamento de rios, limitações de navegabilidade e gargalos logísticos podem afetar o escoamento da produção e aumentar os custos para produtores e empresas.

A economia, portanto, não acontece apenas nos mercados. Ela acontece também no território.

Um mundo conectado

Japão e China representam dois movimentos diferentes que podem afetar o Brasil.

O Japão influencia principalmente pelo caminho financeiro: juros, investimentos, câmbio e fluxo de capitais.

A China influencia fortemente pelo caminho comercial: produção, consumo, commodities e exportações.

E o Brasil está no encontro dessas duas forças.

Compreender essas conexões ajuda a perceber que aquilo que parece distante pode estar diretamente relacionado ao nosso cotidiano — ao preço dos alimentos, ao valor do dólar, à produção de soja, ao funcionamento dos portos e até às condições dos rios utilizados para transportar nossa produção.

No mundo globalizado, a economia também é uma história sobre pessoas, natureza, território e escolhas.

É olhar para o que acontece em Tóquio ou Pequim e perguntar:

o que isso significa para o campo brasileiro, para nossas cidades e para o futuro que estamos construindo?

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

De Caxias às Urnas: Que Brasil Queremos?

Quando olhamos para a história de Duque de Caxias, é comum encontrarmos a imagem do militar, do comandante e do homem associado aos grandes conflitos que marcaram o Brasil do século XIX.

Mas talvez seja possível olhar para essa trajetória por outro ângulo.

Mais do que perguntar quais batalhas Caxias venceu, podemos perguntar qual ideia de Brasil estava por trás de sua atuação.

O Brasil daquele período ainda era uma jovem nação. A unidade territorial, a estabilidade política e a afirmação do país diante de seus vizinhos eram questões fundamentais. Caxias tornou-se uma das figuras associadas a esse processo de construção e consolidação do Estado brasileiro.

Hoje, os desafios são outros.

O Brasil não precisa apenas defender suas fronteiras. Precisa também saber o que fazer com aquilo que existe dentro delas.

Temos uma das maiores biodiversidades do planeta, enormes reservas de água, uma agricultura de escala mundial, petróleo, gás, minérios e recursos estratégicos que podem ter enorme importância para a economia e para a tecnologia do futuro.

Entre esses recursos estão as terras raras, utilizadas em equipamentos eletrônicos, sistemas de energia, motores, ímãs de alta tecnologia e diversas aplicações estratégicas.

Mas uma riqueza existente no subsolo não significa, automaticamente, riqueza para a população.

A verdadeira soberania está também na capacidade de pesquisar, desenvolver tecnologia, processar, industrializar e agregar valor aos recursos que pertencem ao território nacional.

É uma mudança importante na própria ideia de defesa do país.

No século XIX, defender a soberania significava, entre outras coisas, preservar a integridade territorial.

No século XXI, soberania também significa não depender permanentemente de outros países para produzir aquilo que temos condições de desenvolver aqui.

Significa investir em universidades, institutos de pesquisa, formação profissional, infraestrutura, energia, indústria e inovação.

Significa pensar no longo prazo.

E é justamente aí que a história encontra as eleições.

Uma eleição não deveria ser apenas uma escolha entre pessoas, partidos, slogans ou campanhas publicitárias.

É uma oportunidade de perguntar:

Que projeto de país está sendo apresentado?

O que será feito com nossas riquezas?

Como serão protegidos nossos recursos naturais?

Que lugar terão a ciência, a educação e a tecnologia?

Como o Brasil pretende aumentar sua capacidade industrial?

Como transformar crescimento econômico em oportunidades para quem vive aqui?

Como equilibrar desenvolvimento e preservação ambiental?

Como preparar o país para um mundo em que água, energia, alimentos, minerais estratégicos, tecnologia e conhecimento terão importância cada vez maior?

E, talvez, uma pergunta ainda mais importante:

Que Brasil queremos entregar às próximas gerações?

É nesse sentido que o legado de Caxias pode ultrapassar os livros de história.

Não para transformá-lo em símbolo de determinado partido ou candidato — e muito menos para dizer ao cidadão em quem deve votar.

Seu legado pode servir como ponto de partida para uma reflexão sobre responsabilidade pública, compromisso com a Nação e consciência de que as decisões de hoje produzem consequências muito além do presente.

O cidadão não entrega apenas um voto.

Entrega, temporariamente, uma parcela da responsabilidade sobre os rumos do país.

Por isso, escolher representantes exige mais do que simpatia. Exige informação, comparação, memória e capacidade de olhar para além das promessas imediatas.

É preciso observar quem apresenta propostas consistentes, quem conhece os desafios brasileiros, quem compreende a importância das instituições e quem consegue pensar o país não apenas para os próximos quatro anos, mas para as próximas décadas.

A história nos mostra que nenhuma Nação se constrói de um dia para o outro.

Território, instituições, conhecimento, infraestrutura, indústria e identidade nacional são construídos ao longo de gerações.

Por isso, talvez a grande pergunta desta eleição não seja simplesmente “em quem votar?”

Talvez seja:

“Que Brasil estamos ajudando a construir quando fazemos nossa escolha?”

Caxias pertence à história.

O futuro do Brasil pertence às nossas escolhas.



Terras Raras: do subsolo ao desenvolvimento do Brasil

 

Terras raras: como essa riqueza pode ajudar o Brasil?

As terras raras podem representar muito mais para o Brasil do que uma nova oportunidade de exportação mineral.

O verdadeiro potencial está em transformar a riqueza existente no subsolo em conhecimento, tecnologia, indústria, empregos e desenvolvimento sustentável.

CIÊNCIA E CONHECIMENTO

Pesquisar terras raras significa ampliar o conhecimento sobre o território brasileiro. São necessários estudos geológicos, mineralógicos, químicos e tecnológicos para identificar os recursos, compreender suas características e desenvolver formas mais eficientes e responsáveis de aproveitá-los.

Esse processo também fortalece universidades, centros de pesquisa, laboratórios e a formação de profissionais especializados.

TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

As terras raras são importantes para diversas tecnologias estratégicas, incluindo ímãs permanentes, motores elétricos, equipamentos eletrônicos e outras aplicações de alta tecnologia.

Por isso, o desafio brasileiro não deve ser apenas extrair e exportar. É preciso avançar no beneficiamento, processamento e desenvolvimento de tecnologias para agregar valor dentro do próprio país.

INDÚSTRIA E ECONOMIA

Uma cadeia nacional de terras raras pode movimentar diferentes setores: pesquisa mineral, mineração, processamento, indústria química, equipamentos, tecnologia e serviços especializados.

Quanto mais etapas forem realizadas no Brasil, maior poderá ser a geração de empregos qualificados, renda, inovação, investimentos e arrecadação.

DESENVOLVIMENTO REGIONAL

Muitas áreas com potencial mineral estão fora dos grandes centros econômicos. Projetos bem planejados podem contribuir para levar investimentos, infraestrutura, capacitação profissional e novas oportunidades para municípios e regiões produtoras.

RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

Potencial mineral não significa exploração a qualquer custo.

É fundamental considerar água, solo, biodiversidade, resíduos, recuperação das áreas e tecnologias que reduzam impactos ambientais.

O desenvolvimento mineral precisa estar associado a planejamento e responsabilidade.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

O território não é apenas uma área onde existe um recurso mineral. É também o lugar onde vivem pessoas.

Comunidades, trabalhadores e municípios precisam ser considerados nos processos de pesquisa e eventual exploração, com segurança, participação, respeito e distribuição dos benefícios.

VALORIZAÇÃO CULTURAL

Cada região possui história, identidade, patrimônio e modos de vida próprios.

O desenvolvimento econômico precisa respeitar essa dimensão e reconhecer que o patrimônio cultural também faz parte da riqueza brasileira.

UM RECURSO ESTRATÉGICO PARA O FUTURO

As terras raras podem ajudar o Brasil a fortalecer sua soberania tecnológica, diversificar sua economia, desenvolver novas indústrias, gerar empregos qualificados e ampliar sua participação em cadeias produtivas estratégicas.

Mas o maior benefício não estará simplesmente na quantidade de minério retirada do solo.

Estará na nossa capacidade de transformar riqueza mineral em conhecimento, conhecimento em tecnologia, tecnologia em indústria e indústria em desenvolvimento.

Tudo isso sem esquecer os quatro pilares que precisam caminhar juntos:

Ambiental
Social
Econômico
Cultural

O Brasil tem recursos naturais. O desafio é transformá-los em desenvolvimento para o presente sem comprometer o futuro.

Terras raras podem ser uma riqueza estratégica. O que faremos com essa riqueza é uma escolha de país. 


Nunca deixe de abrir um vinho - e, na próxima taça, experimente um brasileiro

Nunca deixe de abrir um vinho. Mas, antes de escolher a próxima garrafa, permita-se conhecer também a história que existe por trás dela.

A produção brasileira de vinhos está vivendo um momento muito interessante. Novas regiões estão ganhando espaço, produtores estão experimentando diferentes variedades e técnicas, e os consumidores começam a descobrir uma diversidade que vai muito além do que tradicionalmente conhecíamos.

Os espumantes brasileiros já conquistaram reconhecimento e se tornaram uma referência importante. Agora, os vinhos tintos também vêm chamando atenção pela qualidade, pela variedade de estilos e pelas características próprias de cada região.

E talvez uma das formas mais interessantes de descobrir tudo isso seja por meio de uma degustação às cegas.

Sem conhecer o rótulo, a vinícola, a região ou o preço, deixamos de lado as expectativas e prestamos atenção ao que realmente acontece na taça: os aromas, os sabores, a acidez, a textura, o corpo, o equilíbrio e a sensação que permanece depois do gole.

A parte técnica é importante. Ela nos ajuda a compreender como aquele vinho foi produzido. Mas não determina, sozinha, se vamos gostar dele.

Um vinho pode ser mais leve ou mais encorpado, mais ácido ou mais macio. Pode ser complexo ou simplesmente agradável. Pode combinar perfeitamente com uma determinada ocasião e não com outra.

Vinho também é experiência.

E é justamente aí que entra o consumo consciente.

Escolher um vinho brasileiro não significa afirmar que ele será sempre melhor do que um vinho estrangeiro. Significa dar oportunidade para conhecer o que está sendo produzido no próprio país, descobrir novos produtores e perceber a diversidade dos nossos territórios.

É também olhar para a escolha de consumo de uma maneira mais ampla: de onde vem esse produto? Quem o produz? Que cadeia de trabalho existe por trás daquela garrafa? Como ele chega até a nossa mesa?

Quando valorizamos uma produção nacional, ajudamos a movimentar uma cadeia que envolve produtores, trabalhadores rurais, vinícolas, comércio, restaurantes, turismo e diversos outros serviços.

Isso não significa que todo produto brasileiro seja automaticamente sustentável. Consumo consciente exige informação e atenção também aos aspectos ambientais, sociais e econômicos da produção.

Mas significa reconhecer que cada escolha de consumo pode carregar consequências e também oportunidades de valorização.

Talvez seja essa uma das coisas mais interessantes em uma taça de vinho: ela pode nos levar muito além do sabor.

Pode nos fazer conhecer um território, uma cultura, uma história, um produtor e uma parte da economia que muitas vezes passa despercebida.

Então, na próxima vez que for escolher uma garrafa, experimente olhar para os rótulos brasileiros com curiosidade.

Prove. Compare. Descubra.

E depois permita que o vinho percorra lentamente a boca. Observe os aromas, os sabores e as sensações que ele desperta.

Porque consumir conscientemente também pode ser isso: escolher com mais informação, apreciar com mais presença e valorizar aquilo que é produzido perto de nós.

Talvez a próxima grande descoberta esteja em uma garrafa brasileira. 


Futuro da fidelidade: consumo consciente ou consumo por impulso?


O futuro dos programas de fidelidade está mudando e o cashback é uma das ferramentas que mais influencia essa transformação.

Para a Geração Z, pontos, cashback e benefícios já fazem parte da decisão de compra. Não se trata apenas de escolher o que comprar, mas também de pensar como pagar melhor, quanto receber de volta e como aproveitar esse benefício no futuro.

Pix, cartão de crédito, pontos, cashback e carteiras digitais passam a ser considerados conjuntamente na hora de escolher a melhor forma de pagamento. A lógica é otimizar cada gasto.

E isso pode ser muito positivo.

Por exemplo: se uma pessoa já precisava comprar um eletrodoméstico, escolher uma loja que oferece cashback pode transformar parte daquele gasto em uma economia futura.

Ou, em vez de simplesmente acumular pontos, o consumidor pode direcioná-los para uma viagem, uma experiência ou outra despesa planejada.

Mas existe outro lado.

Imagine que uma pessoa não precisava de um tênis novo, mas decide comprá-lo porque a loja oferece 20% de cashback. Ela recebe o benefício, mas gastou dinheiro que não pretendia gastar.

Outro exemplo: uma promoção oferece pontos em dobro e faz o consumidor antecipar uma compra que poderia esperar. A sensação é de oportunidade, mas a recompensa acabou influenciando o comportamento de consumo.

Afinal, ganhar 5% de volta não significa economizar 5% se você gastou 100% em algo que não precisava.

É aí que entra o consumo consciente.

O futuro da fidelidade não deveria ser simplesmente sobre acumular mais pontos ou oferecer mais cashback. Deveria ser sobre gerar valor real para o consumidor, com praticidade, transparência, personalização e consciência.

O consumidor quer rapidez. Quer entender o benefício. Quer resgatar facilmente. Quer sentir que está fazendo uma escolha inteligente.

E as marcas terão um desafio ainda maior: construir fidelidade não apenas por meio de descontos e recompensas, mas criando experiências relevantes e relações de confiança.

No fim, talvez a verdadeira fidelidade seja aquela em que a marca conquista um cliente recorrente e o consumidor percebe valor sem precisar consumir mais do que precisa.

Porque fidelizar não deveria significar fazer o consumidor comprar mais.

Deveria significar ajudá-lo a escolher melhor.


O futuro do café brasileiro interessa ao mundo

 

O café brasileiro é difícil de substituir. Mas quem está disposto a investir para garantir seu futuro?

Quando tomamos uma xícara de café, muitas vezes não imaginamos a dimensão que existe por trás dela.

O Brasil não é apenas um dos maiores produtores e exportadores de café do mundo. Reunimos escala, diversidade, qualidade, tecnologia, conhecimento e uma cadeia produtiva construída ao longo de gerações.

Do Arábica ao Conilon, das montanhas de Minas Gerais às lavouras do Espírito Santo, São Paulo, Bahia e tantas outras regiões, o café brasileiro apresenta uma enorme diversidade de aromas, sabores e características.

E existe algo ainda mais estratégico: a capacidade brasileira de produzir em grande escala e abastecer o mercado internacional com regularidade.

Outros países também produzem excelentes cafés e são fundamentais para o mercado mundial. Mas substituir rapidamente a combinação brasileira de volume, diversidade, qualidade e capacidade de fornecimento não é simples.

Por isso, o futuro do café brasileiro não interessa apenas ao Brasil.

Empresas, investidores e instituições estrangeiras também têm interesse econômico na continuidade da produção brasileira, seja porque compram nossos grãos, dependem deles para suas indústrias, investem em tecnologia ou participam de diferentes etapas dessa cadeia produtiva.

Mas existe uma ameaça que não pode ser ignorada:

O clima.

Secas, temperaturas mais elevadas, alterações no regime de chuvas e eventos extremos podem comprometer a produtividade e a qualidade das lavouras.

E então surge uma pergunta:

Quem está investindo para que o café brasileiro consiga enfrentar as mudanças climáticas?

Porque esse não é um problema apenas do cafeicultor.

Produtores e cooperativas precisam de recursos para adaptar as lavouras, recuperar solos, proteger nascentes, melhorar o uso da água e adotar variedades mais resistentes.

Bancos e investidores podem financiar a transição para uma cafeicultura mais preparada para secas, calor e alterações no regime de chuvas.

Empresas de tecnologia e instituições de pesquisa precisam desenvolver novas variedades, sistemas de irrigação mais eficientes, monitoramento climático e soluções capazes de aumentar a resiliência das lavouras.

Indústrias e grandes compradores de café, inclusive empresas internacionais, têm interesse direto em garantir que haverá produção suficiente e de qualidade no futuro.

Investidores estrangeiros também podem participar desse processo, financiando empresas, tecnologias e projetos voltados à produção sustentável e à adaptação climática.

O poder público tem papel fundamental na pesquisa, no crédito, na assistência técnica, no seguro rural e nas políticas de adaptação.

E o consumidor também faz parte dessa cadeia.

Porque, no fim, não estamos falando apenas de uma xícara de café.

Estamos falando de agricultura, emprego, renda, exportações, indústria, tecnologia, meio ambiente, cultura e desenvolvimento econômico.

O café brasileiro interessa ao mundo.

E talvez seja justamente por isso que precisamos fazer uma pergunta que ultrapassa as fronteiras do Brasil:

Se tantos dependem do nosso café, quem está disposto a investir para garantir que ele continue existindo?

Investir hoje em adaptação climática não é apenas proteger uma lavoura.

É proteger o futuro de uma das cadeias produtivas mais importantes do Brasil.

O café pode ser produzido em muitos lugares do mundo. Mas a dimensão, a diversidade e a importância do café brasileiro fazem dele algo muito difícil de substituir.


Consumo consciente e venda consciente - Por que empresas de eletrodomésticos estão falindo?

Quando vender demais pode enfraquecer o próprio negócio

Vivemos em uma época em que comprar ficou cada vez mais fácil. Cartões, parcelamentos, limites elevados e ofertas constantes criam a sensação de que sempre é possível levar mais um produto para casa.

Mas ter crédito não significa ter dinheiro. E ter limite disponível não significa ter condições reais de assumir uma nova dívida.

Nesse cenário, existe uma questão que precisa ser discutida não apenas pelo lado do consumidor, mas também pelo lado das empresas: consumo consciente e venda consciente deveriam caminhar juntos.

Muitas vezes, funcionários são pressionados por metas e acabam insistindo para que o cliente compre. O consumidor pode até ter crédito disponível, mas isso não significa que terá condições de honrar aquele compromisso no futuro.

Para uma pessoa que já apresenta um comportamento de compra compulsiva, essa insistência pode ser ainda mais problemática. Uma promoção, um parcelamento aparentemente pequeno ou a frase “você ainda tem limite” podem transformar uma vontade momentânea em uma dívida que permanecerá por meses ou anos.

Mas existe outro lado dessa história.

A raiz do problema pode estar na “venda a qualquer custo”?

Será que uma das raízes desse problema está justamente na lógica de vender a qualquer custo?

Quando a prioridade passa a ser vender cada vez mais, utilizar todo o limite disponível do consumidor e alcançar metas a qualquer preço, a empresa pode estar confundindo faturamento com saúde financeira.

Vender muito não significa necessariamente receber muito.

E receber muito também não significa necessariamente gerar lucro.

Vender não significa necessariamente receber

Uma empresa pode comemorar o aumento das vendas e, ainda assim, estar aumentando sua necessidade de capital de giro.

O produto é vendido, sai do estoque, mas o pagamento pode ser recebido posteriormente, dependendo das condições da venda e da forma de pagamento. Enquanto isso, a empresa precisa continuar pagando fornecedores, funcionários, impostos, aluguel, energia e todas as demais despesas.

Por isso, é importante diferenciar algumas coisas que muitas vezes são tratadas como se fossem iguais:

vender não é o mesmo que faturar;
faturar não é o mesmo que receber;
receber não é o mesmo que ter lucro;
e ter lucro não significa necessariamente ter caixa disponível naquele momento.

Dependendo do modelo de venda e de financiamento, a inadimplência também pode atingir direta ou indiretamente o varejo, além de afetar o sistema de crédito e a capacidade de consumo das famílias.

Quando os recebimentos atrasam, quando as margens diminuem ou quando a empresa precisa financiar uma operação cada vez maior, o capital de giro pode ficar pressionado.

Se, para continuar funcionando, a empresa precisa recorrer cada vez mais a empréstimos, os custos financeiros aumentam e a operação pode se tornar mais difícil de sustentar.

A lógica pode acabar sendo:

venda → produto sai → recebimento demora → necessidade de capital de giro aumenta → caixa fica pressionado → empresa busca crédito → custos financeiros aumentam → dificuldade financeira.

Por isso, vender muito não é necessariamente sinônimo de vender bem.

E por que isso chama atenção no setor de eletrodomésticos?

Grandes empresas do varejo de eletrodomésticos dependem fortemente de vendas parceladas e do acesso dos consumidores ao crédito. Quando as famílias estão endividadas e a inadimplência aumenta, o impacto pode atingir o varejo e todo o ecossistema de crédito e consumo.

É importante reconhecer que a dificuldade de uma empresa não possui necessariamente uma única causa. Juros, endividamento, inadimplência, concorrência, custos, gestão, estoques, margens, capital de giro e mudanças no comportamento do consumidor também fazem parte dessa equação.

Mas existe uma pergunta que merece ser feita:

Até que ponto um modelo baseado em estimular continuamente o consumo consegue se sustentar quando uma parcela dos consumidores já está financeiramente comprometida?

Quando vender mais também pode ser um problema

Precisamos ampliar o conceito de consumo consciente.

Não se trata apenas de perguntar se realmente precisamos daquele produto ou se podemos reutilizar algo que já temos.

Também precisamos perguntar:

Posso pagar por isso sem comprometer meu orçamento?

Essa compra é realmente necessária?

Estou comprando porque preciso ou porque fui convencido a comprar?

Da mesma forma, as empresas deveriam perguntar:

Estamos oferecendo um produto ou estimulando uma dívida?

Estamos construindo uma relação duradoura com o cliente ou apenas tentando alcançar uma meta?

Estamos vendendo de maneira saudável para o consumidor e para a própria empresa?

Uma empresa sustentável não deveria avaliar seu sucesso somente pela quantidade de produtos vendidos, mas também pela qualidade dessas vendas, pelo recebimento, pelas margens, pela geração de caixa, pela fidelização dos clientes e pela saúde financeira do negócio.

Porque existe uma contradição perigosa na lógica de vender a qualquer custo: ela pode gerar resultados imediatos, mas comprometer o futuro.

Consumidor e empresa podem entrar no mesmo ciclo

O consumidor compra mais do que pode pagar.

O vendedor vende mais do que deveria.

A empresa comemora o aumento das vendas.

O crédito continua sendo utilizado.

O endividamento cresce.

A inadimplência aparece.

O caixa começa a sentir os efeitos da operação.

O capital de giro fica pressionado.

E a empresa pode precisar de mais crédito para continuar funcionando.

No fim, o consumidor pode ficar endividado e a empresa também pode enfrentar dificuldades financeiras.

Por isso, talvez seja necessário repensar o que entendemos por sucesso no consumo e nos negócios.

Nem tudo o que pode ser vendido precisa ser vendido.

Nem tudo o que pode ser comprado precisa ser comprado.

Consumo consciente e venda consciente são duas faces da mesma responsabilidade.

Porque uma venda que o consumidor não consegue sustentar pode parecer boa hoje, mas pode ser ruim para todos amanhã.

E fica a pergunta:

Quando vender mais deixa de ser crescimento e passa a enfraquecer consumidores, empresas e a própria economia?

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Quando a internet desaprendeu a brincar e a conviver

A internet não precisa ser uma arena. Que legado estamos deixando?

Houve um tempo em que entrar em uma rede social era, em grande parte, uma forma de encontrar pessoas, conversar, rir, compartilhar interesses e descobrir afinidades.

Hoje, às vezes, parece que entramos em uma arena.

Um comentário é publicado. Alguém interpreta de determinada maneira. Outra pessoa responde para rebater. Uma terceira entra para defender ou atacar. E aquilo que começou como uma simples opinião rapidamente se transforma em críticas, réplicas, tréplicas e, mais adiante, uma briga generalizada.

Talvez algumas redes sociais já não devessem chamar seus espaços de “comentários”. Poderiam ser “críticas e réplicas”. Afinal, muitas vezes já não comentamos para conversar, mas para vencer uma discussão que ninguém havia proposto.

E existe algo ainda mais preocupante: escrevemos na internet coisas que provavelmente não teríamos coragem de dizer diante da própria pessoa.

Falamos de desconhecidos. Julgamos pessoas cuja história não conhecemos. Fazemos acusações, ironias e comentários agressivos a partir de algumas poucas linhas que encontramos na tela.

Se essa mesma pessoa estivesse sentada diante de nós, será que usaríamos as mesmas palavras?

Será que diríamos aquilo olhando nos olhos?

E mesmo olhando nos olhos, discordar não deveria significar atacar.

Podemos dizer:

“Eu não concordo.”

“Penso de outra maneira.”

“Tenho uma experiência diferente.”

“Não vejo dessa forma.”

E continuar conversando.

A convivência humana sempre foi feita de diferenças. Pessoas pensam, sentem e interpretam o mundo de maneiras diferentes. Isso não é um problema a ser eliminado. É parte da experiência de viver em sociedade.

Porque gentileza gera gentileza.

Uma resposta respeitosa pode mudar completamente o rumo de uma conversa. Uma pergunta feita com curiosidade pode substituir uma acusação. Um simples “talvez eu tenha entendido errado” pode abrir espaço para que duas pessoas voltem a conversar.

A agressividade, ao contrário, também gera consequências.

Uma palavra ríspida provoca outra. Um ataque recebe outro ataque. A ironia recebe uma ironia ainda maior. E, pouco a pouco, duas pessoas que poderiam simplesmente discordar acabam se transformando em adversárias.

Na internet, isso acontece ainda mais rapidamente porque outras pessoas entram na conversa, o conflito ganha visibilidade e aquilo que era uma pequena discordância pode virar espetáculo.

Quando a internet ainda era um lugar para encontrar amigos

Quem viveu a época do Orkut e das primeiras redes sociais dos anos 2000 talvez se lembre de uma internet com outro espírito.

Havia os famosos depoimentos, em que amigos escreviam uns para os outros para dizer o que admiravam naquela pessoa. Eram declarações de amizade, elogios, lembranças e demonstrações de carinho.

Havia comunidades para praticamente tudo.

Pessoas se reuniam porque gostavam do mesmo filme, livro, banda, lugar, brincadeira ou simplesmente porque compartilhavam uma maneira de enxergar o mundo.

E havia algo que hoje parece quase ingênuo: as pessoas brincavam.

Até amigo oculto virtual era possível. Pessoas que muitas vezes nunca tinham se encontrado pessoalmente participavam, trocavam presentes e, de alguma maneira, aquilo funcionava.

Não era necessário transformar cada interação em uma disputa.

É claro que aquela internet também tinha problemas. Não era um paraíso perdido.

Mas havia uma sensação maior de que a rede social era um lugar de encontro, e não necessariamente um lugar de combate.

E talvez isso ajude a explicar uma situação que hoje é cada vez mais perceptível: inúmeras pessoas que eram muito ativas nas redes sociais no início dos anos 2000 simplesmente deixaram de querer participar das redes atuais.

Não necessariamente porque deixaram de gostar de tecnologia ou porque perderam o interesse em conversar pela internet.

Muitas simplesmente não se reconhecem mais na dinâmica atual.

Aquela pessoa que passava horas participando de comunidades, conversando, fazendo amizades, trocando mensagens, compartilhando interesses e brincando pode hoje entrar em uma rede social e sentir que aquele espaço já não oferece a mesma experiência.

Em vez de encontrar uma comunidade, encontra uma disputa por atenção.

Em vez de uma conversa, encontra uma sucessão de opiniões.

Em vez de brincadeiras, encontra polêmicas.

Em vez de descobrir pessoas com interesses semelhantes, encontra uma quantidade enorme de conteúdo produzido para gerar reação.

Talvez essas pessoas não tenham simplesmente abandonado as redes.

Talvez tenham abandonado uma dinâmica que deixou de ser aquela que as fez gostar das redes sociais em primeiro lugar.

E isso é significativo.

Porque uma rede social deveria, em sua essência, ser social.

Deveria aproximar pessoas, criar encontros, estimular descobertas, permitir conversas e favorecer a formação de comunidades.

Quando a experiência passa a ser dominada por disputa, comparação, exposição, publicidade, algoritmos e monetização da atenção, talvez alguma coisa fundamental tenha se perdido.

Talvez não seja estranho, portanto, que pessoas que participaram ativamente da primeira geração das redes sociais hoje prefiram simplesmente não participar das atuais.

Elas não deixaram de gostar de estar com outras pessoas. Talvez apenas não gostem mais da maneira como as redes passaram a organizar esse encontro.

E talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes perguntas do nosso tempo:

Será que as redes sociais ainda estão oferecendo a dinâmica social que as tornou tão atraentes no começo?

Talvez fosse melhor quando a internet era menos preocupada em transformar cada interação em número.

Quando conversar não precisava gerar engajamento.

Quando brincar não precisava gerar visualizações.

Quando uma comunidade não precisava ser transformada em audiência.

Quando uma opinião não precisava ser transformada em conteúdo.

Quando uma pessoa podia simplesmente estar ali porque queria conversar.

Não porque precisava produzir.

Não porque precisava aparecer.

Não porque precisava monetizar.

Não porque precisava vencer uma discussão.

Talvez seja hora de recuperar um pouco dessa simplicidade.

Não para voltar ao passado, mas para lembrar por que as pessoas quiseram estar juntas na internet em primeiro lugar.

O que aconteceu com a brincadeira?

Talvez tenhamos ficado sérios demais.

Transformamos opiniões em posições, posições em identidades e diferenças em disputas.

Parece que desaprendemos a simplesmente deixar passar.

Nem todo comentário precisa de resposta.

Nem toda opinião precisa ser corrigida.

Nem toda pergunta precisa receber uma aula.

Nem toda diferença de pensamento precisa terminar em uma discussão.

Às vezes, podemos apenas ler, pensar “não concordo” e seguir a vida.

Isso também é convivência.

Talvez tenhamos esquecido que a internet também poderia ser um espaço de leveza.

Um lugar para fazer uma piada, compartilhar uma lembrança, participar de uma comunidade, descobrir uma música, conversar sobre um livro, trocar experiências ou simplesmente rir de alguma coisa.

Nem tudo precisa virar debate. Nem tudo precisa virar crítica. Nem tudo precisa virar réplica. E, principalmente, nem tudo precisa virar briga.

O comentário que poderia ter sido uma conversa

Existe ainda um problema próprio da comunicação escrita: não vemos o tom de voz, a expressão do rosto ou a intenção por trás das palavras.

Na vida real, muitas situações seriam resolvidas em segundos:

“Você quis dizer isso?”

“Não, eu quis dizer aquilo.”

“Ah, entendi!”

E a conversa continuaria.

Na internet, muitas vezes pulamos diretamente para a indignação.

Interpretamos. Julgamos. Respondemos.

E só depois descobrimos que havíamos entendido tudo errado.

Uma pergunta pode ser transformada em provocação, uma dúvida em crítica e uma opinião em ataque.

Talvez uma das atitudes mais simples para melhorar a convivência virtual seja também uma das mais esquecidas:

perguntar antes de julgar.

Quando a tela nos faz esquecer que existe uma pessoa

Do outro lado de cada perfil existe uma pessoa.

Alguém com uma história, sentimentos, dificuldades, alegrias, medos, conquistas e dias bons e ruins.

Nós, porém, conhecemos apenas algumas linhas de um comentário e, a partir delas, construímos uma pessoa inteira em nossa cabeça.

Depois, discutimos com essa versão imaginária.

Essa talvez seja uma das maiores armadilhas da convivência virtual: começamos a responder não necessariamente ao ser humano que está do outro lado, mas à imagem que criamos dele.

A distância da tela facilita isso.

Não vemos a expressão de constrangimento. Não vemos a surpresa. Não vemos a dor.

Mas a ausência dessas reações não significa que elas não existam.

A tela não elimina a humanidade de quem está do outro lado.

Por isso, podemos ser firmes sem sermos agressivos, discordar sem humilhar e criticar uma ideia sem atacar uma pessoa.

Quando o engajamento vira parte da notícia

Existe ainda uma questão que não podemos ignorar: o engajamento.

As redes sociais foram construídas para estimular participação. Curtir, comentar, compartilhar, concordar, discordar e conversar fazem parte de sua dinâmica.

O problema não está em participar.

Está em como participamos.

Uma notícia pode começar falando sobre um acontecimento e terminar falando sobre as pessoas que estão discutindo o acontecimento.

Uma pessoa comenta.

Outra rebate.

Alguém provoca.

Outra responde.

Mais pessoas entram.

E, de repente, o assunto original desaparece.

O conflito passa a ser o verdadeiro conteúdo.

Quanto maior a indignação, maior a quantidade de respostas. Quanto mais respostas, maior o alcance. Quanto maior o alcance, mais pessoas entram.

Assim, uma discussão pode continuar simplesmente porque gera atenção.

E aqui aparece uma pergunta incômoda:

Esse engajamento todo vale a pena?

Quando passamos longos minutos ou até horas respondendo a provocações, quem realmente está ganhando?

Nós?

A pessoa com quem estamos discutindo?

Ou a própria dinâmica da plataforma, que consegue manter nossa atenção, nosso tempo e nossa participação?

Nem toda pessoa que participa dessas discussões está sendo paga diretamente por isso.

Mas nossa atenção tem valor.

Nosso tempo tem valor.

Nossos comentários têm valor.

Nosso compartilhamento tem valor.

A interação ajuda a movimentar aquilo que está sendo publicado.

E então surge uma pergunta ainda mais desconfortável:

Estamos brigando de graça enquanto alguém monetiza a nossa atenção?

Talvez.

Isso não significa que toda discussão seja inútil. Há debates importantes, denúncias necessárias, informações que precisam ser corrigidas e assuntos que merecem discussão.

O problema é quando o conflito passa a ser mais importante do que o assunto.

Quando a provocação vale mais do que a reflexão.

Quando a indignação produz mais interação do que uma explicação cuidadosa.

Quando discordar deixa de ser uma forma de participar e passa a ser uma forma de alimentar o espetáculo.

Por isso, antes de responder, talvez valha perguntar:

Estou acrescentando alguma coisa?

Essa conversa vai produzir conhecimento ou apenas mais conflito?

Quero realmente conversar ou estou apenas reagindo à provocação?

E, principalmente:

Vale o meu tempo?

Às vezes, não responder não significa perder.

Significa simplesmente não entrar no jogo.

Quem ganha com a nossa briga?

Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes.

Estamos acostumados a pensar em discussões como disputas em que alguém precisa vencer.

Mas, nas redes, muitas vezes não existe vencedor.

Existem apenas duas pessoas irritadas, uma publicação com mais alcance e uma discussão que continua sendo alimentada.

Nós podemos acreditar que estamos vencendo uma discussão, quando talvez estejamos apenas ajudando a manter uma máquina de engajamento funcionando.

E existe uma ironia nisso tudo: até quem entra para criticar uma publicação pode ajudar a espalhá-la.

Uma opinião provocativa chama atenção.

Uma frase agressiva provoca respostas.

Uma afirmação controversa é compartilhada para ser criticada.

E, justamente porque as pessoas discordam, ela alcança ainda mais gente.

Talvez seja necessário recuperar a capacidade de não reagir.

Nem toda provocação merece resposta.

Nem toda polêmica precisa da nossa participação.

Nem todo comentário merece nosso tempo.

Às vezes, seguir adiante é uma escolha muito mais inteligente do que tentar convencer alguém que não está interessado em conversar.

Precisamos reaprender a conviver

Talvez a questão não seja recuperar o Orkut ou qualquer outra rede social do passado.

Talvez seja recuperar um jeito de estar com o outro.

Precisamos reaprender que elogiar não nos diminui.

Que fazer uma pergunta não é uma provocação.

Que discordar não é atacar.

Que mudar de ideia não é perder.

E que uma pessoa que pensa diferente de nós continua sendo uma pessoa.

A internet poderia ser novamente um espaço de encontro entre pessoas que não se conhecem, mas que podem descobrir interesses em comum.

Poderia ser um lugar para aprender, brincar, criar, conversar e até discordar — sem transformar toda diferença em guerra.

Porque informação nós já temos de sobra.

Talvez esteja faltando outra coisa:

leveza, brincadeira, gentileza e boa vontade para interpretar o outro antes de julgá-lo.

Um ambiente virtual também precisa ser saudável

Assim como cuidamos dos espaços que frequentamos presencialmente, precisamos cuidar dos espaços em que convivemos virtualmente.

Uma praça, uma escola, uma biblioteca ou qualquer espaço coletivo precisa de regras mínimas de convivência para que as pessoas possam permanecer ali com segurança e tranquilidade.

Nas redes sociais não deveria ser diferente.

O ambiente virtual também é um espaço de convivência humana.

Isso não significa concordar com tudo.

Não significa deixar de questionar.

Não significa aceitar qualquer comportamento.

Significa compreender que firmeza não precisa ser agressividade, discordância não precisa ser hostilidade e liberdade de expressão não precisa significar falta de educação.

Um ambiente virtual saudável deveria permitir que as pessoas pudessem perguntar sem medo de serem ridicularizadas, expressar uma opinião sem imediatamente serem atacadas e participar de uma conversa sem precisar se preparar para uma batalha.

Precisamos recuperar a possibilidade de simplesmente conversar.

E talvez recuperar também algo que parecia tão simples:

o direito de brincar.

Que legado social estamos deixando na internet?

Essa talvez seja a pergunta central.

Tudo o que publicamos, comentamos e compartilhamos ajuda a construir a cultura daquele ambiente.

Quando alguém entra em uma rede social e encontra agressividade, ironia, humilhação e intolerância, que tipo de comportamento estamos ensinando?

Estamos ensinando que discordar é atacar?

Que constranger alguém é uma forma de demonstrar inteligência?

Que uma pessoa desconhecida pode ser julgada sem que conheçamos sua história?

Que, protegidos por uma tela, podemos dizer coisas que jamais teríamos coragem de dizer olhando alguém nos olhos?

É esse o legado social que queremos deixar?

Cada comentário é também uma pequena escolha sobre o mundo que queremos construir.

Podemos deixar uma internet em que as pessoas tenham medo de perguntar, errar ou se expressar.

Ou podemos ajudar a construir uma internet onde exista espaço para aprender, discordar, brincar, perguntar, mudar de ideia, fazer amigos e descobrir novas perspectivas.

O legado não está apenas nas grandes publicações.

Está também naquele comentário escrito para um desconhecido.

Na maneira como respondemos a uma pergunta.

Na forma como tratamos alguém que pensa diferente.

Na decisão de continuar uma discussão ou simplesmente deixá-la passar.

Cada interação ajuda a construir a cultura da internet.

Por isso, não adianta reclamar que a internet ficou tóxica se continuamos alimentando a toxicidade.

Não adianta pedir respeito enquanto escrevemos para desconhecidos coisas que não diríamos diante deles.

Não adianta defender a liberdade de expressão se confundimos liberdade com licença para humilhar.

Talvez o legado que poderíamos deixar seja muito mais simples:

“Aqui as pessoas podem conversar.”

“Aqui as pessoas podem discordar sem se odiar.”

“Aqui ninguém precisa ser humilhado para que outra pessoa se sinta superior.”

“Aqui ainda é possível brincar.”

“Aqui ainda existe gentileza.”

“Aqui existe espaço para o outro.”

Talvez seja hora de voltar a brincar

Talvez o caminho para uma internet mais saudável comece justamente por algo que parece pequeno: voltar a brincar.

Fazer uma piada sem transformar alguém em alvo.

Compartilhar uma lembrança.

Participar de uma comunidade porque gostamos de alguma coisa.

Elogiar um trabalho.

Perguntar por curiosidade.

Rir de uma situação.

Conversar com alguém que pensa diferente.

Ou simplesmente passar por um comentário sem sentir necessidade de responder.

Talvez precisemos de uma nova etiqueta para a convivência virtual:

antes de responder, tentar compreender;

antes de julgar, perguntar;

antes de atacar, lembrar que existe uma pessoa do outro lado;

antes de escrever algo que não diríamos pessoalmente, pensar se realmente precisamos escrever.

E talvez seja hora de recuperar uma ideia que parecia natural antes de a internet se transformar tanto em uma economia da atenção:

nem toda interação precisa gerar engajamento.

Nem toda conversa precisa produzir números.

Nem toda presença precisa ser monetizada.

Às vezes, uma conversa pode simplesmente existir porque duas pessoas quiseram conversar.

Uma brincadeira pode existir porque alguém quis brincar.

Um comentário pode existir porque alguém quis compartilhar uma lembrança.

E uma comunidade pode existir simplesmente porque pessoas encontraram algo em comum.

Talvez fosse melhor quando a internet era menos preocupada em transformar cada reação em número.

Quando conversar não precisava gerar engajamento.

Quando brincar não precisava gerar visualizações.

Quando uma comunidade não precisava ser transformada em audiência.

Quando uma opinião não precisava ser transformada em conteúdo.

Quando uma pessoa podia simplesmente estar ali porque queria conversar.

Não porque precisava produzir.

Não porque precisava aparecer.

Não porque precisava monetizar.

Não porque precisava vencer uma discussão.

Talvez seja hora de recuperar um pouco dessa simplicidade.

Não para voltar ao passado, mas para lembrar por que as pessoas quiseram estar juntas na internet em primeiro lugar.

Porque uma internet saudável não será construída apenas por novas tecnologias ou novas regras.

Será construída por pessoas que decidam, todos os dias, como querem tratar as outras pessoas.

A internet não precisa ser uma arena.

Pode ser uma praça.

Um espaço de encontro, descoberta, amizade, criatividade, aprendizado e troca.

Um lugar onde não precisamos concordar com todos, mas podemos aprender a respeitar todos.

Porque, antes de sermos perfis, comentários, opiniões ou seguidores, somos pessoas.

E talvez seja justamente essa lembrança tão simples que possa ajudar a tornar novamente saudável o ambiente virtual que construímos juntos.

Daqui a alguns anos, quando alguém olhar para o que deixamos registrado na internet, talvez não encontre apenas uma coleção de discussões, ataques e disputas.

Talvez encontre também sinais de que, em algum momento, decidimos mudar.

Que escolhemos a conversa em vez da briga.

A curiosidade em vez do julgamento.

A gentileza em vez da humilhação.

A brincadeira em vez da hostilidade.

A convivência em vez da disputa.

Porque o legado social que deixamos na internet não será medido apenas pela quantidade de seguidores, curtidas ou visualizações que conseguimos.

Será medido também pelo tipo de ambiente que ajudamos a construir.

E essa talvez seja a pergunta que deveríamos fazer antes de cada comentário:

Que internet estou ajudando a deixar para os outros?

Que sociedade minhas palavras estão ajudando a construir?

Que legado quero deixar?

Talvez essa seja uma escolha muito maior do que parece.

Porque, no fim, cada comentário é também uma pequena ação sobre o mundo.

E o mundo virtual que teremos amanhã está sendo construído, comentário por comentário, hoje.


Uma imagem pode ensinar muito mais do que parece


À primeira vista, vemos apenas o símbolo do Chicago Bulls, um dos times mais conhecidos do basquete mundial.

Um touro bravo, forte, com olhar determinado, pronto para entrar em quadra.

Mas basta mudar o olhar.

Virar a imagem de cabeça para baixo.

E, de repente, surge uma nova possibilidade: um robô estudando, como se estivesse diante de um livro.

É quase como se o Touro pudesse se transformar em Robô.

E aqui começa uma brincadeira:

E se esse touro também tivesse sido programado para virar um robô e ajudar o time a vencer os jogos?

Talvez, dentro dele, existissem todos os comandos necessários para formar um time perfeito.

CORRER.
CALCULAR.
OBSERVAR.
PLANEJAR.
SINALIZAR.
MONTAR.
COOPERAR.
CRIAR ESTRATÉGIAS.
VENCER.

Assim, os jogadores poderiam jogar como touros, usando força, coragem e determinação, ou como robôs, usando cálculos, estratégia, tecnologia e comandos.

E talvez pudessem fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Ser touro quando precisassem de coragem.

Ser robô quando precisassem de estratégia.

Mas então surge uma pergunta ainda mais interessante:

Será que é possível programar tudo?

Será que podemos colocar em um robô todos os comandos necessários para uma grande conquista?

E onde ficariam a imaginação, a intuição, a surpresa, o erro e a descoberta?

Talvez o robô pudesse ter todos os comandos.

Mas será que conseguiria inventar um comando que nunca recebeu?

É aí que a brincadeira ganha outro sentido.

O curioso é que a imagem original do logotipo do Chicago Bulls não foi criada para representar um robô. Criado por Dean P. Wessel, em 1966, o símbolo foi pensado para representar um touro bravo, expressando força e identidade para o time.

A imagem do robô é uma interpretação que nosso cérebro constrói quando encontramos novas formas na mesma figura.

E talvez seja justamente aí que comece a aprendizagem.

Porque, quando mudamos a perspectiva, não mudamos apenas a imagem.

Mudamos aquilo que somos capazes de perceber.

A criança pode perguntar:

O que você está vendo?

O que acontece quando mudamos a posição da imagem?

Você consegue encontrar outras formas escondidas?

Por que nosso cérebro consegue enxergar algo diferente na mesma figura?

Será que o touro virou mesmo um robô?

Ou foi o nosso cérebro que inventou essa nova possibilidade?

E, de repente, uma simples imagem se transforma em uma experiência de investigação.

Do Touro ao Robô: quando uma imagem vira uma aventura

A partir dessa brincadeira, podemos imaginar uma história.

O Touro representa a força, a coragem e a determinação.

O Robô representa a tecnologia, os comandos, a programação e a capacidade de organizar informações.

Os jogadores podem entrar em quadra como touros ou como robôs.

Como touros, avançam com coragem, força e energia.

Como robôs, observam, calculam, planejam e seguem estratégias.

Mas existe algo que pode surpreender os dois:

a criatividade.

Imagine que o Touro tenha sido programado para se transformar em Robô sempre que fosse necessário vencer uma prova.

Ele possui mapas, cálculos, estratégias e comandos.

Ele sabe tudo.

Ou pensa que sabe.

Então encontra uma equipe de crianças.

Uma equipe que também tem estratégia, disciplina e preparação, mas que possui uma coisa que não estava prevista em sua programação:

a capacidade de imaginar.

Quando surge um problema inesperado, o robô procura o comando correspondente.

As crianças inventam uma solução.

Quando o caminho conhecido desaparece, o robô procura uma rota programada.

As crianças criam outra.

Quando uma regra muda, o robô precisa receber uma nova instrução.

As crianças conversam, experimentam, erram, aprendem e tentam novamente.

E talvez seja aí que esteja a grande diferença entre ser programado para vencer e aprender a construir uma vitória.

Porque uma grande conquista não nasce apenas de comandos.

Nasce de pessoas capazes de pensar juntas.

Uma imagem que atravessa diferentes conhecimentos

A partir dessa única figura, podemos viajar por diferentes áreas do conhecimento.

Arte: formas, linhas, composição, percepção visual e criação.

Matemática: simetria, proporção, orientação espacial e transformações.

Ciências: percepção, cérebro e os diferentes modos como interpretamos aquilo que vemos.

Tecnologia: robôs, inteligência artificial, programação e representação visual.

Língua Portuguesa: descrição, interpretação, argumentação e criação de histórias.

Educação Física: esporte, regras, estratégia, cooperação, disciplina e trabalho em equipe.

História e cultura: símbolos, identidade, memória e a maneira como uma equipe pode representar uma cidade, uma época e gerações de pessoas.

E ainda existe a história do próprio Chicago Bulls.

O time conquistou seis campeonatos da NBA, em 1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998. Nos anos 1990, viveu uma das maiores dinastias da história do basquete, com nomes como Michael Jordan, Scottie Pippen e Dennis Rodman.

Na temporada de 1995–96, os Bulls venceram 72 jogos na temporada regular, um recorde da época, e terminaram conquistando mais um campeonato.

Mas o que podemos aprender com tudo isso vai muito além dos troféus.

Um grande jogador pode fazer a diferença.

Mas uma grande equipe precisa de muito mais.

Precisa de talento, disciplina, preparação, estratégia, confiança, persistência e cooperação.

Precisa compreender que cada pessoa tem uma função.

Que nem todos precisam fazer a mesma coisa.

Que diferentes habilidades podem se complementar.

E que uma conquista coletiva nasce da capacidade de trabalhar junto.

O time dos Touros e dos Robôs

Talvez seja possível imaginar um jogo em que cada jogador escolha seu modo de jogar.

Alguns entram como Touros.

Outros entram como Robôs.

O Touro corre, enfrenta, avança e não desiste.

O Robô observa, calcula, organiza e cria estratégias.

Mas, durante o jogo, eles descobrem que não precisam escolher apenas um dos dois.

O jogador pode ser Touro e Robô.

Pode usar a força quando necessário e a inteligência quando o desafio exigir.

Pode correr como um touro e pensar como um robô.

Pode seguir uma estratégia e, de repente, inventar outra.

E é justamente essa combinação que torna o jogo interessante.

Porque, se todos fossem apenas robôs, talvez tudo fosse previsível.

Se todos fossem apenas touros, talvez faltasse estratégia.

Mas quando força, inteligência, criatividade e cooperação se encontram, surge uma equipe capaz de enfrentar o inesperado.

Quando o esporte encontra o estudo

Talvez seja justamente por isso que essa imagem seja tão interessante para pensar a educação.

De um lado, temos o esporte.

De outro, quando mudamos o olhar, encontramos o estudo.

E, no meio desse encontro, aparecem a tecnologia, a criatividade, a disciplina, a investigação e o trabalho em equipe.

Sem que precisemos separar cada conhecimento em uma caixa.

O símbolo nos leva à Arte.

A Arte nos leva à Matemática.

A Matemática nos leva à Ciência.

A Ciência nos leva à Tecnologia.

A Tecnologia nos leva a imaginar o futuro.

O esporte nos ensina estratégia, disciplina e cooperação.

E o trabalho em equipe nos ensina algo fundamental para a vida:

ninguém constrói grandes conquistas sozinho.

É assim que a interdisciplinaridade deixa de ser apenas um conceito e passa a ser uma experiência.

Uma imagem pode ser Arte.

Pode ser Matemática.

Pode ser Ciência.

Pode ser Tecnologia.

Pode ser História.

Pode ser esporte.

Pode ser uma conversa.

Pode ser uma pergunta.

Pode ser uma brincadeira.

E pode ser o início de uma descoberta.

E se o robô não souber brincar?

Na infância, isso é ainda mais potente.

A curiosidade abre a porta.

A brincadeira convida a entrar.

A investigação conduz o caminho.

E a descoberta transforma aquilo que parecia ser apenas uma imagem em conhecimento.

Talvez o Robô saiba jogar.

Talvez saiba calcular.

Talvez tenha todos os comandos.

Mas será que ele sabe brincar?

Será que sabe inventar uma regra nova?

Será que sabe olhar para uma figura e enxergar aquilo que ninguém havia percebido?

Será que sabe fazer uma pergunta para a qual ainda não existe resposta?

Talvez essa seja a grande vantagem da criança.

Ela ainda não sabe que determinada coisa “não pode ser vista” daquele jeito.

Então ela olha.

Inventa.

Experimenta.

E encontra.

Talvez a grande lição esteja justamente em virar a imagem.

Olhar novamente.

Experimentar outro ângulo.

Desconfiar da primeira resposta.

Perceber que aquilo que parecia ser apenas um símbolo pode revelar outras possibilidades.

Porque educar também é isso:

ensinar a olhar de novo.

Ensinar que existem diferentes perspectivas.

Que uma mesma realidade pode ser interpretada de diferentes maneiras.

E que, quando conseguimos conectar conhecimentos que pareciam separados, descobrimos algo novo.

Esporte.

Estudo.

Tecnologia.

Disciplina.

Cooperação.

Criatividade.

Curiosidade.

Interdisciplinaridade.

Tudo pode começar com uma simples pergunta:

“O que você consegue enxergar quando muda o seu olhar?”

E talvez, quando virarmos novamente a imagem, o Touro continue ali.

Ou talvez encontremos o Robô.

Talvez os jogadores possam ser os dois.

Touros quando precisam de coragem.
Robôs quando precisam de estratégia.
E crianças quando precisam inventar o que ainda não existe.

Porque vencer não é apenas seguir comandos.

É saber quando seguir, quando mudar e, principalmente, quando criar um novo caminho.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

7 de Setembro: muito além do grito do Ipiranga

Quem fez a Independência do Brasil?

Quando chega o mês de setembro, uma imagem costuma aparecer nos livros, nas escolas e nas comemorações: D. Pedro montado a cavalo, às margens do riacho do Ipiranga, levantando a espada e proclamando a Independência.

Essa imagem se tornou um dos maiores símbolos da história brasileira.

Mas a História é muito maior do que uma pintura.

A Independência do Brasil não aconteceu em um único instante. O 7 de setembro de 1822 foi um marco decisivo de um processo político que vinha sendo construído havia anos e que continuou depois daquela data. A separação de Portugal ainda precisou ser consolidada militarmente e politicamente em diferentes regiões do território brasileiro.

Por isso, neste 7 de Setembro, podemos fazer uma pergunta diferente:

Quem estava construindo o Brasil antes, durante e depois da Independência?

ANTES DO 7 DE SETEMBRO: UM BRASIL EM TRANSFORMAÇÃO

Para compreender 1822, precisamos voltar no tempo.

Em 1808, a chegada da Família Real portuguesa ao Brasil provocou profundas transformações.

O Rio de Janeiro tornou-se sede da monarquia portuguesa. Foram criadas instituições, ampliadas atividades comerciais e administrativas e modificada a posição política do território brasileiro.

Em 1815, o Brasil deixou de ser formalmente uma colônia e passou a integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Isso criou uma situação inédita: o Brasil passou a ter importância política muito maior dentro do mundo português.

Mas, em 1820, a Revolução Liberal do Porto mudou novamente o cenário.

As Cortes portuguesas passaram a exigir o retorno de D. João VI e tentaram reorganizar a relação entre Portugal e Brasil.

D. João VI voltou para Portugal em 1821 e deixou seu filho, D. Pedro, como príncipe regente no Brasil.

A tensão aumentou.

D. JOÃO VI - O REI QUE DEIXOU UM BRASIL DIFERENTE

D. João VI não proclamou a Independência.

Mas sua presença no Brasil foi fundamental para compreender por que a Independência se tornou possível.

A transferência da corte para o Rio de Janeiro modificou a estrutura administrativa, econômica e política do território.

Quando voltou para Portugal, deixou aqui um Estado muito diferente daquele que existia antes de 1808. A própria Biblioteca Nacional destaca que as transformações promovidas durante sua permanência no Brasil ajudaram a tornar muito difícil retornar simplesmente à situação anterior.

Pergunta para os estudantes:

Uma mudança histórica pode continuar produzindo consequências mesmo depois que a pessoa que a iniciou vai embora?

D. PEDRO - O HOMEM DO GRITO, MAS NÃO O ÚNICO PERSONAGEM

D. Pedro tinha apenas 23 anos quando decidiu permanecer no Brasil.

Em janeiro de 1822, aconteceu o famoso Dia do Fico.

Pressionado a retornar para Portugal, o príncipe decidiu permanecer.

A decisão foi importante para o processo que levaria à Independência. Um abaixo-assinado com milhares de assinaturas havia pedido sua permanência.

Depois vieram novas pressões das Cortes portuguesas.

D. Pedro passou a contar com ministros e aliados que defendiam maior autonomia para o Brasil.

Em 7 de setembro, durante sua viagem por São Paulo, recebeu as notícias vindas do Rio de Janeiro e decidiu romper politicamente com Portugal.

Foi ele quem proclamou a Independência às margens do Ipiranga.

Mas será que um país se torna independente porque uma única pessoa grita uma frase?

Essa é uma excelente pergunta para uma aula de História.

MARIA LEOPOLDINA  A MULHER QUE GOVERNOU ENQUANTO D. PEDRO ESTAVA EM SÃO PAULO

Maria Leopoldina merece um lugar de destaque nessa história.

Ela era austríaca, filha da poderosa Casa de Habsburgo, recebeu uma educação ampla e demonstrava interesse pelas ciências naturais e pela política.

Em 1822, enquanto D. Pedro estava viajando para São Paulo, Leopoldina assumiu a regência.

No dia 2 de setembro de 1822, presidiu uma reunião extraordinária do Conselho de Estado que analisou as novas determinações vindas de Lisboa. As mensagens recebidas indicavam que as Cortes portuguesas pretendiam anular decisões tomadas no Brasil e reorganizar o governo.

Leopoldina enviou as notícias a D. Pedro juntamente com sua própria correspondência.

As mensagens chegaram ao príncipe em 7 de setembro.

Por isso, estudar a Independência também significa estudar o protagonismo feminino na política brasileira.

Leopoldina não estava simplesmente "esperando o marido".

Ela estava governando.

LEOPOLDINA E AS CIÊNCIAS

Existe ainda outra possibilidade interdisciplinar fascinante.

Leopoldina tinha interesse pelas ciências naturais e trouxe consigo pesquisadores e coleções científicas. Seu conhecimento ajuda a mostrar que a formação de um país também envolve ciência, educação, cultura e conhecimento sobre a natureza.

Atividade

Pesquisar:

  • plantas brasileiras conhecidas pelos europeus no século XIX;

  • minerais encontrados no Brasil;

  • animais descritos por naturalistas;

  • expedições científicas realizadas no período.

Depois, criar um "Caderno Científico de Leopoldina", com desenhos, mapas, pequenos textos e identificação das espécies.

JOSÉ BONIFÁCIO  O CÉREBRO POLÍTICO DA INDEPENDÊNCIA

José Bonifácio de Andrada e Silva é conhecido como Patriarca da Independência.

Mas ele não era apenas político.

Era cientista, naturalista e mineralogista.

Sua formação científica ajuda a mostrar às crianças que diferentes áreas do conhecimento podem participar da construção de um projeto de país.

José Bonifácio tornou-se ministro de D. Pedro e teve papel central na articulação política da Independência. Também participou da elaboração de manifestos que apresentavam a separação como um processo já em curso.

Depois, entretanto, sua relação com D. Pedro se deteriorou.

José Bonifácio acabou preso e exilado após o fechamento da Assembleia Constituinte.

Isso permite discutir uma questão importante:

Pessoas que ajudam a construir uma mudança histórica podem depois discordar do caminho que ela toma?

Sim.

E isso acontece frequentemente na História.

GONÇALVES LEDO  A VOZ POLÍTICA

Outro personagem importante é Joaquim Gonçalves Ledo.

Ele participou ativamente das articulações políticas que defendiam a Independência e esteve ligado à elaboração do Manifesto aos Povos do Brasil, em agosto de 1822.

Enquanto José Bonifácio também produzia documentos destinados às nações estrangeiras, diferentes grupos políticos discutiam qual deveria ser o futuro do Brasil.

Aqui surge uma ótima oportunidade para trabalhar:

Quem controla as palavras também pode influenciar a História.

JOSÉ CLEMENTE PEREIRA  A POLÍTICA DAS CIDADES

José Clemente Pereira, ligado à Câmara do Rio de Janeiro, também teve participação nas articulações políticas do período.

A política não acontecia somente nos palácios.

Acontecia nas câmaras municipais, nas ruas, nas reuniões, nas cartas, nos jornais e nos espaços de debate.

Interdisciplinaridade

Língua Portuguesa:

Os estudantes podem comparar:

  • uma carta;

  • um manifesto;

  • uma notícia de jornal;

  • uma postagem nas redes sociais.

Depois, responder:

Como cada gênero textual tenta convencer o leitor?

PAULO BREGARO - O MENSAGEIRO

Pouco conhecido pelas crianças, Paulo Bregaro foi um dos mensageiros responsáveis por levar ao príncipe as notícias decisivas vindas do Rio de Janeiro.

Sua história mostra algo muito interessante:

Grandes acontecimentos dependem também de pessoas que não aparecem nas pinturas.

Antes da internet, uma informação podia levar dias para chegar.

Uma carta precisava ser transportada fisicamente.

Um mensageiro precisava viajar.

Um cavalo precisava percorrer o caminho.

Atividade

Imagine que você vive em 1822.

Como enviaria uma notícia urgente do Rio de Janeiro para São Paulo?

Depois compare:

carta → telégrafo → telefone → rádio → televisão → internet → redes sociais.

A atividade permite trabalhar a evolução dos meios de comunicação.

MAS E O POVO?

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes.

A Independência não foi construída apenas por príncipes, ministros e intelectuais.

Havia milhares de pessoas vivendo no território brasileiro:

indígenas, negros escravizados, negros livres, trabalhadores urbanos, agricultores, comerciantes, soldados, mulheres, crianças e populações de diferentes províncias.

Muitas dessas pessoas não aparecem nos grandes quadros históricos.

Isso não significa que não fizeram parte da História.

Significa que precisamos procurar suas histórias.

A INDEPENDÊNCIA NÃO TERMINOU NO IPIRANGA

Aqui está uma das maiores oportunidades para ensinar História de forma crítica.

Depois do 7 de setembro, Portugal não simplesmente disse:

"Tudo bem, Brasil. Agora você é independente."

Houve conflitos armados em diferentes regiões.

A consolidação da Independência envolveu lugares como Bahia, Maranhão, Pará e Piauí, entre outros.

Na Bahia, por exemplo, a luta continuou até 1823.

Portanto:

7 de setembro de 1822 = proclamação simbólica e política da Independência.

Consolidação da Independência = processo que continuou depois.

MARIA QUITÉRIA - UMA MULHER NA GUERRA DA INDEPENDÊNCIA

Quando falamos de Independência, precisamos sair do eixo Rio de Janeiro–São Paulo.

Na Bahia, mulheres também participaram dos conflitos.

Uma das personagens mais conhecidas é Maria Quitéria, que entrou para as forças que lutavam pela Independência da Bahia.

Sua trajetória permite trabalhar:

  • participação feminina;

  • guerra;

  • identidade;

  • território;

  • cidadania;

  • coragem;

  • representação histórica.

A criança pode ser convidada a pensar:

Por que algumas pessoas entram para a História e outras permanecem quase invisíveis?

JOANA ANGÉLICA - RESISTÊNCIA NA BAHIA

Outra personagem é Joana Angélica, religiosa que morreu durante os conflitos em Salvador, em 1822.

Sua história mostra que os conflitos políticos atingiram diferentes espaços da sociedade.

A Independência não aconteceu apenas em uma estrada de São Paulo.

Ela também foi vivida nas cidades, nas casas, nas igrejas, nos quartéis e nas comunidades.

PEDRO LABATUT E LORD COCHRANE = A GUERRA PELO TERRITÓRIO

A consolidação da Independência também envolveu militares e forças navais.

Entre os personagens associados às campanhas militares estão Pedro Labatut e Lord Cochrane.

Eles ajudam a trabalhar um aspecto muitas vezes esquecido:

um país não é formado somente por uma declaração política; também precisa controlar e organizar seu território.

Geografia

Podemos perguntar:

Por que controlar Bahia, Maranhão, Pará e outras regiões era importante para a formação do território brasileiro?

Os alunos podem construir um mapa do Brasil e marcar:

Rio de Janeiro
São Paulo
Bahia
Maranhão
Pará
Piauí

Depois, traçar as rotas das notícias, dos exércitos e das forças navais.

PERSONAGENS QUE NÃO PODEM SER ESQUECIDOS

A História da Independência também deve ser contada através dos personagens coletivos.

Não sabemos o nome de todas as pessoas que participaram.

Mas sabemos que existiam:

  • mulheres que trabalhavam e sustentavam famílias;

  • negros escravizados e libertos;

  • indígenas;

  • soldados;

  • trabalhadores;

  • agricultores;

  • comerciantes;

  • marinheiros;

  • artesãos;

  • crianças;

  • populações urbanas e rurais.

Muitos não deixaram retratos.

Muitos não escreveram livros.

Mas viveram as consequências da transformação política.

Uma boa educação histórica também ensina a procurar quem ficou fora da fotografia.

E DEPOIS DA INDEPENDÊNCIA?

O Brasil independente ainda precisava responder a muitas perguntas.

Que tipo de país seria?

Quem teria poder político?

Como seria o governo?

Quem seria cidadão?

Como funcionaria a economia?

Como seria organizada a Constituição?

Em 1824, D. Pedro I outorgou a primeira Constituição brasileira.

Em 1825, Portugal reconheceu oficialmente a Independência do Brasil.

Ou seja:

o 7 de setembro foi um começo, não o fim da história.

D. PEDRO I DEPOIS DO 7 DE SETEMBRO

Depois da Independência, D. Pedro passou de príncipe regente a imperador.

Mas seu governo enfrentou conflitos políticos.

A Assembleia Constituinte foi dissolvida em 1823.

No ano seguinte, foi outorgada a Constituição de 1824.

Em 1831, D. Pedro I abdicou do trono brasileiro em favor de seu filho, que ainda era criança.

A trajetória de D. Pedro mostra que o personagem do famoso quadro do Ipiranga continuou vivendo uma história política complexa depois daquele momento.

JOSÉ BONIFÁCIO DEPOIS DA INDEPENDÊNCIA

José Bonifácio também nos ensina que os personagens históricos não são estáticos.

O homem que ajudou a construir a Independência acabou entrando em conflito com o próprio imperador.

Foi preso e exilado.

Isso nos ajuda a compreender que:

ser aliado em determinado momento não significa concordar para sempre.

História também é feita de divergências, escolhas, alianças e rupturas.

LEOPOLDINA - UMA VIDA MUITO MAIS LONGA QUE O 7 DE SETEMBRO

Maria Leopoldina morreu em 1826, poucos anos depois da Independência.

Sua trajetória, entretanto, deixou marcas importantes na história brasileira.

Ela foi princesa, regente, imperatriz, mãe, estudiosa das ciências e personagem política.

Sua presença permite uma pergunta fundamental para as crianças:

Quantas mulheres participaram da construção do Brasil, mas não aparecem nos livros com o mesmo destaque que os homens?

INDEPENDÊNCIA TAMBÉM É ECONOMIA

A Independência política não significou automaticamente independência econômica.

O Brasil continuou dependente de relações comerciais internacionais.

Também manteve estruturas sociais profundamente desiguais e a escravidão.

Isso abre espaço para uma discussão interdisciplinar sobre:

terra + trabalho + comércio + impostos + exportações + riqueza + desigualdade.

Matemática e Educação Financeira

Criar uma pequena simulação:

"Você acaba de criar um país.
Quanto dinheiro entra?
Quanto sai?
O que precisa ser produzido?
Como transportar mercadorias?
Quem trabalha?
Quem recebe?"

Assim, a criança percebe que construir um país envolve escolhas econômicas.

INDEPENDÊNCIA E MEIO AMBIENTE

José Bonifácio também permite estabelecer uma ponte entre História e Meio Ambiente.

Como naturalista e estudioso dos recursos naturais, ele pensava sobre as riquezas e possibilidades do território brasileiro.

Podemos trazer a pergunta para o presente:

Ser independente significa poder utilizar todos os recursos naturais sem limites?

Ou significa também:

ter responsabilidade sobre aquilo que pertence ao território e às futuras gerações?

Atividade

Criar um "Mapa das riquezas naturais do Brasil".

Pesquisar:

florestas
rios
minerais
agricultura
biodiversidade
energia solar
energia dos ventos

Depois discutir:

Como utilizar os recursos naturais sem destruir o patrimônio ambiental?

ARTE: ENTRE A HISTÓRIA E A REPRESENTAÇÃO

Uma das melhores formas de ensinar a Independência é comparar pinturas.

A famosa obra Independência ou Morte, de Pedro Américo, apresenta uma representação heroica do episódio.

Mas a própria historiografia mostra que aquela imagem não deve ser confundida literalmente com uma fotografia do que aconteceu. A representação foi construída posteriormente e transformou o episódio em um grande símbolo nacional.

Atividade artística

Observar a pintura e perguntar:

O que o artista escolheu mostrar?

Depois:

O que ele não mostrou?

Cada criança pode criar uma nova obra:

"A Independência que eu não vi no quadro"

Podem aparecer:

  • Leopoldina;

  • José Bonifácio;

  • mensageiros;

  • soldados;

  • mulheres;

  • negros;

  • indígenas;

  • trabalhadores;

  • pessoas comuns;

  • cidades e províncias.

LÍNGUA PORTUGUESA: SE VOCÊ PUDESSE ESCREVER UMA CARTA EM 1822...

Proponha:

"Você é uma criança vivendo no Brasil em 1822. Escreva uma carta contando o que está acontecendo."

A carta deverá responder:

  1. Onde você mora?

  2. O que ouviu sobre D. Pedro?

  3. O que sua família pensa?

  4. Você sabe o que significa Independência?

  5. O que gostaria que mudasse?

  6. O que gostaria que permanecesse?

Depois, comparar com uma postagem atual nas redes sociais.

Desafio:

Como seria o 7 de Setembro se existisse internet em 1822?

DO MENSAGEIRO À INTERNET

Em 1822, uma notícia precisava viajar fisicamente.

Hoje, uma notícia pode atravessar o planeta em segundos.

Essa comparação permite trabalhar:

História + Tecnologia + Língua Portuguesa + Cidadania.

Mas existe uma questão ainda mais importante:

Receber uma informação rapidamente significa que ela é verdadeira?

Assim, a Independência pode servir para ensinar também educação midiática.

Pesquisar fontes.

Comparar versões.

Identificar exageros.

Separar fato de interpretação.

Entender que uma imagem histórica também pode transmitir uma determinada visão.

UMA GRANDE PERGUNTA PARA O 7 DE SETEMBRO

Depois de conhecer todos esses personagens, podemos voltar à pergunta inicial:

Quem fez a Independência do Brasil?

D. Pedro?

Sim.

Foi ele quem proclamou a Independência no episódio que se tornou o marco do 7 de Setembro.

Maria Leopoldina?

Sim.

Ela participou diretamente das decisões políticas enquanto exercia a regência e enviou ao marido as notícias decisivas.

José Bonifácio?

Sim.

Teve papel central na articulação política e no projeto de construção do novo país.

Gonçalves Ledo?

Sim.

Participou das articulações e da construção política do movimento.

Militares?

Sim.

A consolidação exigiu conflitos armados em diferentes regiões.

Mulheres?

Sim.

Como demonstram Maria Leopoldina, Maria Quitéria, Joana Angélica e tantas outras cujas histórias ainda precisam ser pesquisadas.

Populações negras?

Sim.

Faziam parte da sociedade brasileira e participaram, de diferentes maneiras, das guerras, do trabalho, da economia e da vida social daquele período.

Indígenas?

Também.

Viviam em um território que estava sendo politicamente reorganizado e foram afetados pelas decisões e conflitos.

E o povo?

Também.

Porque nenhuma transformação política acontece sem uma sociedade inteira vivendo suas consequências.

O QUE SIGNIFICA SER INDEPENDENTE?

Talvez essa seja a pergunta mais bonita para levar para a escola.

Ser independente não significa apenas ter uma bandeira.

Não significa apenas cantar o Hino Nacional.

Não significa apenas desfilar no dia 7 de setembro.

Independência também pode significar aprender a pensar, questionar, participar, cuidar do lugar onde vivemos e compreender nossas responsabilidades.

Uma criança que aprende a perguntar:

"Por quê?"

já está exercitando uma forma de liberdade.

Uma criança que aprende a ouvir opiniões diferentes está exercitando cidadania.

Uma criança que aprende a cuidar da natureza compreende que o território não pertence somente à sua geração.

Uma criança que conhece diferentes personagens da História entende que o Brasil não foi construído por uma única pessoa.

7 DE SETEMBRO: UMA HISTÓRIA PARA TODOS

Talvez o maior ensinamento do 7 de Setembro seja justamente este:

nenhuma história cabe inteira dentro de uma única pintura.

O Brasil de 1822 era formado por muitas pessoas, interesses, conflitos, sonhos e desigualdades.

A Independência foi uma ruptura política importante, mas não resolveu automaticamente os problemas sociais, econômicos e políticos existentes.

Por isso, ensinar o 7 de Setembro não precisa significar apenas decorar uma data.

Podemos transformar a data em uma investigação:

Quem estava lá?

Quem decidiu?

Quem lutou?

Quem trabalhou?

Quem foi esquecido?

Quem ganhou poder?

Quem continuou sem liberdade?

O que mudou?

O que permaneceu?

E, finalmente:

Que Brasil queremos construir hoje?

Essa talvez seja a melhor maneira de transformar o 7 de Setembro em uma verdadeira experiência de educação, cidadania, memória, cultura e participação.

PROPOSTA INTERDISCIPLINAR - "A INDEPENDÊNCIA EM 360°"

História: linha do tempo de 1808 a 1825.

Geografia: mapa das rotas de D. Pedro, das mensagens e dos conflitos da Independência.

Língua Portuguesa: cartas, manifestos, notícias e produção de textos.

Matemática: distâncias percorridas, tempo das viagens, comparação entre meios de transporte e comunicação.

Ciências: Leopoldina, José Bonifácio, biodiversidade e recursos naturais.

Arte: releitura de Independência ou Morte.

Educação Financeira: comércio, produção, impostos e relações econômicas.

Tecnologia: comparar a comunicação de 1822 com WhatsApp, redes sociais e internet.

Educação para a cidadania: liberdade, participação, direitos, responsabilidades e respeito às diferenças.

Educação ambiental: patrimônio natural e responsabilidade sobre o território.

Educação inclusiva: permitir que cada criança participe de diferentes maneiras — desenho, escrita, dramatização, colagem, pesquisa, oralidade, mapas, dobraduras ou construção coletiva.

ATIVIDADE FINAL - "MONTE O SEU BRASIL DE 1822"

Cada grupo recebe uma personagem ou personagem coletivo:

D. Pedro
Maria Leopoldina
José Bonifácio
Gonçalves Ledo
José Clemente Pereira
Paulo Bregaro
Maria Quitéria
Joana Angélica
militares e marinheiros
mulheres anônimas
trabalhadores
negros livres e escravizados
povos indígenas
populações das diferentes províncias

Cada grupo pesquisa:

Quem era?

O que fez?

Onde estava?

O que defendia?

O que aconteceu depois?

Depois, todos os grupos montam um grande painel:

"O BRASIL NÃO NASCEU EM UM ÚNICO GRITO"

No centro:

7 DE SETEMBRO DE 1822

Ao redor:

ANTES → DURANTE → DEPOIS

E cada personagem ocupa seu lugar na história.

Porque conhecer a Independência é muito mais do que decorar o nome de quem estava montado em um cavalo.

É descobrir quantas pessoas, ideias, conflitos e caminhos foram necessários para construir o Brasil.

Que o 7 de Setembro seja também um convite para conhecer, questionar e participar da construção do país que ainda estamos construindo.

Percepção multissensorial e criatividade

Introdução Desde a infância, percebo o mundo de maneira predominantemente multissensorial. Letras, números, formas, cores, objetos e configu...