O Brasil chegava à segunda metade do século XX muito diferente daquele que havia existido no final do Império.
A economia já não dependia exclusivamente da agricultura.
A indústria havia ganhado espaço.
As cidades cresciam.
O mercado interno se ampliava.
O Estado possuía novas instituições econômicas.
Mas ainda existia um enorme problema:
o país precisava de infraestrutura para sustentar o crescimento.
Era necessário produzir mais energia, ampliar transportes, desenvolver a indústria e integrar um território de dimensões continentais.
É nesse cenário que surge Juscelino Kubitschek.
O projeto de acelerar o desenvolvimento
Juscelino assumiu a Presidência da República em 1956 com uma proposta ambiciosa de modernização.
Seu governo ficou marcado pelo Plano de Metas, organizado em torno de setores considerados estratégicos.
A ideia era acelerar o crescimento econômico.
Daí surgiu a expressão que se tornaria símbolo de seu governo:
“cinquenta anos em cinco”.
Energia
Uma economia industrial precisa de energia.
Sem eletricidade suficiente, fábricas não conseguem ampliar sua produção.
Sem energia, cidades não conseguem crescer adequadamente.
Por isso, a expansão energética tornou-se uma das prioridades do período.
Transportes
O Brasil também precisava reduzir suas enormes distâncias econômicas.
Ferrovias já existiam.
Portos eram fundamentais.
Mas o país passou a apostar fortemente na expansão das rodovias.
O automóvel começava a ocupar lugar central na estratégia de integração territorial.
A indústria automobilística
Durante o governo Juscelino, empresas automobilísticas estrangeiras instalaram fábricas no Brasil.
A produção de automóveis criou uma cadeia industrial complexa.
Era necessário produzir:
aço + pneus + vidro + componentes + máquinas + combustíveis + serviços.
Uma fábrica poderia gerar atividades econômicas muito além de seus próprios muros.
Capital estrangeiro
Aqui aparece uma questão importante para a nossa tese.
O desenvolvimento brasileiro não ocorreu apenas com capital nacional.
O governo Juscelino buscou também atrair investimentos estrangeiros.
O raciocínio era pragmático:
se o país precisava industrializar-se rapidamente, poderia utilizar capital, tecnologia e conhecimento vindos do exterior.
Capital nacional e capital estrangeiro
Isso não significava necessariamente escolher um contra o outro.
A questão era como utilizar o capital estrangeiro para ampliar a capacidade produtiva brasileira.
Esse debate permanece atual.
A indústria como cadeia
A instalação de uma montadora não significa apenas fabricar automóveis.
Cria demanda por fornecedores.
Os fornecedores precisam de trabalhadores.
Os trabalhadores recebem salários.
Os salários alimentam o comércio.
O comércio movimenta serviços.
A indústria gera efeitos multiplicadores.
O mercado interno
A industrialização também fortaleceu o mercado consumidor brasileiro.
Mais pessoas passaram a trabalhar em atividades urbanas.
Os salários monetários aumentaram a circulação de dinheiro.
A população passou a consumir novos produtos.
A economia urbana ganhou velocidade.
O Brasil urbano
A migração do campo para as cidades continuava.
O Brasil se tornava cada vez mais urbano.
As cidades passaram a concentrar:
indústria + comércio + serviços + educação + administração + cultura.
Brasília
Mas nenhuma obra simbolizou tanto o projeto de Juscelino quanto Brasília.
A nova capital foi inaugurada em 1960.
Sua construção representava muito mais do que a transferência da sede do governo.
Era também uma tentativa de integrar o interior do país.
A interiorização
Durante séculos, grande parte da atividade econômica brasileira esteve concentrada próxima ao litoral.
Brasília representava uma nova visão territorial.
O centro do país passava a ocupar posição estratégica.
A construção de Brasília
A obra mobilizou trabalhadores, engenheiros, arquitetos e empresas.
Foi uma demonstração da capacidade de realizar uma grande obra nacional em prazo relativamente curto.
Mas também gerou críticas pelos custos e pelo impacto fiscal.
Como quase todas as grandes decisões de desenvolvimento, apresentou benefícios e custos.
Desenvolvimento tem preço
Essa é uma questão que precisa ser considerada.
Infraestrutura exige investimento.
Investimento exige recursos.
Quando o Estado investe, precisa financiar esse investimento por meio de:
tributação + dívida + receitas + participação privada.
Não existe obra gratuita.
O problema da inflação
O crescimento acelerado também trouxe desequilíbrios.
A inflação tornou-se um problema importante.
O país precisava crescer.
Mas precisava também preservar a estabilidade monetária.
Esse conflito atravessaria as décadas seguintes.
Crescimento não é estabilidade
Um país pode crescer rapidamente e, ao mesmo tempo, acumular desequilíbrios.
Pode investir muito e gerar inflação.
Pode aumentar o consumo e elevar importações.
Pode expandir a indústria e aumentar a necessidade de financiamento.
Por isso, desenvolvimento exige coordenação.
O papel do planejamento
O governo Juscelino mostrou a importância do planejamento econômico.
Não bastava construir uma fábrica isolada.
Era necessário pensar no conjunto:
energia + transporte + indústria + financiamento + mercado.
Essa lógica continuaria presente nos governos seguintes.
A transformação social
A industrialização criou uma nova sociedade.
O trabalhador urbano tornou-se cada vez mais importante.
A classe média se expandiu.
Novas profissões surgiram.
Universidades cresceram.
A cultura urbana ganhou força.
O Brasil entrava definitivamente em uma sociedade industrial e urbana.
Mas o campo continuava importante
A modernização não eliminou a agricultura.
Ao contrário.
O campo continuava responsável por grande parte das exportações.
A economia brasileira passou a funcionar com dois grandes motores:
agricultura + indústria.
A contradição permanece
Enquanto algumas regiões recebiam investimentos industriais e infraestrutura moderna, outras continuavam enfrentando pobreza, baixa produtividade e infraestrutura limitada.
A desigualdade regional continuava sendo um dos grandes desafios brasileiros.
Nordeste e Sudeste
A concentração industrial no Sudeste aumentou as diferenças econômicas regionais.
Isso estimulou debates sobre desenvolvimento regional.
O Estado passou a criar políticas específicas para regiões menos desenvolvidas.
O desenvolvimento regional
A ideia era simples:
Se determinadas regiões possuíam menos infraestrutura e menos capital, poderiam ficar permanentemente para trás.
Por isso, políticas públicas deveriam criar condições para reduzir essas diferenças.
O planejamento territorial
Esse princípio permanece atual.
Não basta pensar no crescimento nacional.
É preciso perguntar:
onde o crescimento está acontecendo?
quem está participando dele?
quais regiões estão ficando para trás?
A grande transformação
Com Juscelino, o Brasil deu mais um passo na transição:
do país agrícola para o país industrial e urbano.
Mas a transformação não eliminou as estruturas anteriores.
A terra continuava concentrada.
A desigualdade patrimonial permanecia.
O poder econômico continuava influente.
A diferença é que agora novos centros de poder haviam surgido.
Do coronel ao empresário
O poder econômico brasileiro já não estava apenas no grande proprietário rural.
Agora também estava:
na indústria + nos bancos + no comércio + nas grandes empresas.
A elite econômica havia se diversificado.
Da fazenda à fábrica
Essa mudança é central para compreender a história brasileira.
A riqueza podia nascer da terra.
Mas também podia nascer da indústria.
Do comércio.
Do sistema financeiro.
Da infraestrutura.
O capitalismo brasileiro estava se tornando mais complexo.
Da fábrica ao conhecimento
E essa transformação prepararia o próximo estágio.
A industrialização exigiria cada vez mais:
engenheiros + cientistas + técnicos + administradores + pesquisadores.
O conhecimento começaria a adquirir valor econômico crescente.
O legado de Juscelino
O governo Juscelino acelerou a industrialização brasileira, ampliou a infraestrutura e consolidou a visão de que o Estado poderia planejar grandes transformações econômicas.
Mas também deixou desafios:
inflação + dívida + desigualdade regional + dependência tecnológica.
O desenvolvimento havia avançado.
Mas suas contradições também ficaram mais visíveis.
A pergunta seguinte
Depois de Vargas e Juscelino, o Brasil já possuía uma estrutura industrial muito mais desenvolvida.
Mas ainda precisava resolver uma questão fundamental:
como financiar o crescimento de longo prazo e construir uma infraestrutura energética capaz de sustentar uma economia cada vez mais industrial?
Essa pergunta nos leva a uma nova etapa.
E nela aparecerão:
energia elétrica + grandes hidrelétricas + petróleo + Petrobras + planejamento estatal + expansão industrial.
O Brasil começaria a compreender que energia não é apenas uma questão técnica.
É também uma questão econômica, estratégica e geopolítica.
Continua.
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