O Brasil havia construído uma base industrial muito mais ampla.
Possuía grandes empresas.
Produzia aço.
Explorava petróleo.
Construía hidrelétricas.
Expandia rodovias.
Produzia automóveis.
As cidades cresciam rapidamente.
Mas o desenvolvimento acelerado trouxe uma nova questão:
como financiar o crescimento sem perder o equilíbrio econômico?
Essa pergunta marcaria profundamente as décadas de 1960, 1970 e 1980.
Um país que queria crescer
A industrialização criou expectativas de modernização.
O Brasil queria ampliar sua infraestrutura, produzir mais e reduzir sua dependência de produtos importados.
Para isso, seriam necessários investimentos gigantescos.
Estradas.
Usinas.
Portos.
Siderúrgicas.
Petroquímica.
Telecomunicações.
Mineração.
Habitação.
O Estado assume grandes projetos
Durante o regime militar iniciado em 1964, o Estado ampliou sua participação em grandes projetos de infraestrutura e em setores estratégicos.
Empresas estatais passaram a ocupar posição importante em áreas como:
energia + petróleo + mineração + telecomunicações + infraestrutura.
O planejamento econômico
O período foi marcado por planos nacionais de desenvolvimento.
A ideia era acelerar a transformação estrutural da economia.
O Estado atuava como:
planejador + investidor + financiador + produtor.
O chamado “Milagre Econômico”
Entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970, o Brasil apresentou taxas elevadas de crescimento econômico.
A indústria se expandiu.
A infraestrutura avançou.
O emprego urbano cresceu.
Grandes obras foram realizadas.
O país parecia finalmente acelerar sua modernização.
Mas crescimento não significa igualdade
O crescimento econômico foi acompanhado por forte concentração de renda.
Os benefícios do desenvolvimento não foram distribuídos de maneira uniforme.
Esse ponto é fundamental para compreender a história econômica brasileira.
Produzir mais riqueza não garante, por si só, distribuição equilibrada.
A questão que retorna
A pergunta da primeira parte da série reaparece:
quem consegue participar da riqueza produzida?
A economia crescia.
Mas uma parcela importante da população permanecia com baixa renda e pouco patrimônio.
Infraestrutura e concentração
As grandes obras aumentavam a capacidade produtiva do país.
Mas também podiam concentrar investimentos em determinadas regiões.
O Sudeste continuava possuindo enorme peso industrial.
Outras regiões precisavam de políticas específicas para ampliar sua capacidade produtiva.
O Nordeste
O desenvolvimento regional continuava sendo um dos grandes desafios.
A criação da SUDENE, em 1959, havia expressado a tentativa de enfrentar as desigualdades regionais.
A ideia era promover desenvolvimento econômico em uma região historicamente marcada por menor industrialização e pobreza.
Desenvolvimento regional
A questão regional não era apenas social.
Era econômica.
Uma região com baixa infraestrutura possui maior dificuldade para:
atrair empresas + gerar empregos + desenvolver tecnologia + aumentar produtividade.
O Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento
Na década de 1970, o Brasil lançou o II Plano Nacional de Desenvolvimento.
O objetivo era continuar a industrialização e reduzir vulnerabilidades externas.
Foram estimulados setores como:
energia + petroquímica + siderurgia + mineração + bens de capital.
O petróleo muda novamente o cenário
Mas o mundo havia mudado.
Os choques do petróleo elevaram fortemente os preços internacionais.
O Brasil, dependente de importações, enfrentou aumento dos custos.
A conta externa ficou mais difícil.
O endividamento
Para manter os investimentos e financiar o crescimento, o país recorreu intensamente ao financiamento externo.
Naquele momento, havia grande disponibilidade de crédito internacional.
Parecia possível continuar investindo.
Mas existia um risco:
a dívida precisaria ser paga no futuro.
Quando o cenário internacional mudou
No final da década de 1970 e início dos anos 1980, as condições internacionais mudaram.
As taxas de juros internacionais aumentaram.
O crédito externo ficou mais caro.
Países endividados passaram a enfrentar dificuldades.
O Brasil foi profundamente afetado.
A crise da dívida
A década de 1980 ficou conhecida como uma década de forte crise econômica.
O crescimento desacelerou.
A inflação aumentou.
O investimento diminuiu.
A dívida externa tornou-se um problema central.
A inflação
A inflação passou a corroer o poder de compra.
Os preços aumentavam rapidamente.
Famílias tinham dificuldade para planejar.
Empresas enfrentavam dificuldade para calcular custos.
O dinheiro perdia valor.
Inflação não é apenas um número
Para uma família de baixa renda, a inflação pode significar perda concreta de qualidade de vida.
O salário recebido hoje pode comprar menos algumas semanas depois.
Para empresas, a inflação dificulta contratos e investimentos.
Para o Estado, dificulta planejamento orçamentário.
A perda da capacidade de planejamento
Quando os preços mudam rapidamente, torna-se difícil responder à pergunta:
quanto valerá amanhã aquilo que estou comprando hoje?
Uma economia precisa de previsibilidade.
Sem ela, decisões de longo prazo ficam mais difíceis.
A importância da moeda
A moeda não serve apenas como meio de pagamento.
Ela também funciona como:
unidade de conta + reserva de valor.
Quando perde estabilidade, toda a economia sofre.
A crise econômica também é uma crise social
A inflação e o baixo crescimento afetaram trabalhadores, empresas e famílias.
O desemprego aumentou em determinados períodos.
O poder de compra foi prejudicado.
A pobreza continuou sendo um problema.
A abertura política
Ao mesmo tempo em que a economia enfrentava dificuldades, o Brasil vivia um processo gradual de abertura política.
A sociedade civil ganhou espaço.
Movimentos sociais se fortaleceram.
Sindicatos passaram a atuar com maior liberdade.
A demanda por democracia cresceu.
A redemocratização
Em 1985, terminou o regime militar e teve início uma nova etapa democrática.
A Constituição de 1988 consolidou direitos políticos e sociais fundamentais.
O país entrava em uma nova fase.
Mas a democracia herdou uma economia difícil
A redemocratização não resolveu automaticamente os problemas econômicos.
O novo regime precisava enfrentar:
inflação + dívida + baixo crescimento + desigualdade + necessidade de investimentos.
A Constituição de 1988
A Constituição ampliou direitos sociais e estabeleceu novas responsabilidades para o Estado.
Educação.
Saúde.
Previdência.
Assistência.
Direitos trabalhistas.
Proteção social.
Isso representou uma ampliação importante do papel social do Estado.
Mas direitos também exigem recursos
Esse é um ponto econômico fundamental.
Para oferecer políticas públicas, o Estado precisa de receitas.
E as receitas dependem de uma economia capaz de produzir e arrecadar de maneira sustentável.
A equação fiscal
Surge então uma questão que continuará aparecendo na história brasileira:
como financiar direitos sociais, investimentos e serviços públicos sem comprometer a estabilidade econômica?
Essa pergunta está diretamente ligada à discussão tributária.
A reforma tributária retorna
A tributação volta ao centro do debate.
Não apenas porque o Estado precisa arrecadar.
Mas porque o sistema tributário influencia:
consumo + investimento + produção + emprego + distribuição de renda.
O Brasil precisava estabilizar a moeda
Sem estabilidade monetária, seria difícil construir um novo ciclo de crescimento.
Diversos planos econômicos foram tentados.
Alguns fracassaram.
Outros produziram resultados temporários.
Até que uma mudança decisiva ocorreria na década de 1990.
O Plano Real
Em 1994, entrou em circulação o real.
O Plano Real conseguiu estabilizar a inflação e representou uma das maiores mudanças econômicas da história recente brasileira.
A estabilidade monetária alterou o cotidiano das famílias e das empresas.
A moeda volta a cumprir sua função
Com inflação muito menor, tornou-se mais fácil:
planejar + poupar + investir + financiar + consumir.
A estabilidade criou condições para uma nova etapa econômica.
Mas estabilidade não resolve tudo
Controlar a inflação é fundamental.
Mas não elimina automaticamente:
desigualdade;
baixa produtividade;
problemas educacionais;
infraestrutura insuficiente;
desigualdades regionais;
déficits públicos;
dificuldades de investimento.
A estabilidade é uma condição necessária.
Não é o desenvolvimento inteiro.
Uma nova etapa
A partir dos anos 1990, o Brasil entraria em uma economia mais aberta ao comércio internacional, ao capital estrangeiro e à competição global.
Empresas precisaram aumentar produtividade.
Tecnologia ganhou importância.
Consumidores passaram a ter acesso a novos produtos.
A economia brasileira entrou em outra fase.
Da indústria protegida à competição global
Durante décadas, a indústria brasileira havia sido protegida por diferentes mecanismos.
Com a abertura econômica, muitas empresas passaram a enfrentar concorrência internacional mais intensa.
Algumas conseguiram modernizar-se.
Outras perderam espaço.
A globalização
A globalização alterou novamente a questão do poder econômico.
Agora uma empresa brasileira não competia apenas com outra empresa brasileira.
Poderia competir com empresas de vários países.
As cadeias produtivas tornaram-se internacionais.
A nova pergunta
Se no século XIX o desafio era construir ferrovias e infraestrutura básica;
se no século XX o desafio foi industrializar;
no final do século XX surgiu outro:
como competir em uma economia globalizada?
A resposta exigiria novamente:
produtividade + tecnologia + educação + infraestrutura + estabilidade.
E a história retorna ao ponto inicial
A pergunta sobre terra, capital e poder permanece.
Mas agora o capital circula internacionalmente.
A tecnologia atravessa fronteiras.
As empresas operam em vários países.
O conhecimento tornou-se um dos principais ativos econômicos.
O Brasil entrou definitivamente em uma nova etapa.
Do Estado produtor ao Estado regulador
A década de 1990 também marcou mudanças na relação entre Estado e empresas.
Houve privatizações e reformas institucionais.
Alguns setores passaram a ter maior participação privada.
O Estado passou a atuar mais fortemente como:
regulador + fiscalizador + formulador de políticas públicas.
Mas o Estado não desapareceu
Continuou responsável por:
educação + saúde + segurança + infraestrutura + regulação + políticas sociais.
E permaneceu proprietário de empresas estratégicas em determinados setores.
A discussão nunca foi simplesmente “Estado ou mercado”.
Foi sempre:
qual Estado, qual mercado e para qual finalidade?
A grande transição
O Brasil havia passado por uma longa sequência:
economia colonial → Império → República agrária → industrialização → Estado desenvolvimentista → crise → estabilização → globalização.
Cada etapa transformou a anterior.
Nenhuma apagou completamente suas marcas.
E agora surge o século XXI
A economia brasileira entraria em um período marcado por:
internet + globalização + novas tecnologias + expansão do crédito + novas políticas sociais + crescimento do agronegócio + economia de serviços.
O poder econômico ganharia novas dimensões.
A terra continuaria importante.
O capital financeiro continuaria importante.
A indústria continuaria importante.
Mas surgiria um novo protagonista:
a tecnologia.
E, com ela, uma nova forma de riqueza:
os dados e o conhecimento.
Continua.
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