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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Parte XLIV - A crise dos anos 2010: quando crescimento, Estado e confiança entraram em conflito

 O Brasil entrou no século XXI carregando uma estrutura econômica muito diferente daquela que existia no período colonial.

A agricultura havia se modernizado.

A indústria estava consolidada.

O setor de serviços havia se tornado dominante.

O sistema financeiro era sofisticado.

O país possuía universidades, centros de pesquisa e grandes empresas.

A democracia estava institucionalizada.

Mas uma questão continuava presente:

como manter o crescimento econômico sem comprometer a estabilidade das contas públicas, da moeda e da capacidade de investimento?

Essa pergunta se tornaria especialmente importante a partir da década de 2010.

Um período de expansão

Nos primeiros anos do século XXI, o Brasil viveu um período de crescimento favorecido por vários fatores.

A economia mundial estava em expansão.

A demanda internacional por commodities aumentava.

Os preços de produtos como minério de ferro, soja e petróleo favoreciam as exportações brasileiras.

Ao mesmo tempo, o mercado interno crescia.

O ciclo das commodities

A expansão das commodities trouxe receitas importantes para o país.

Exportações maiores significavam entrada de dólares.

Estados e municípios produtores receberam receitas.

Empresas ampliaram investimentos.

O agronegócio ganhou ainda mais importância.

A China entra definitivamente na equação

A expansão econômica chinesa aumentou fortemente a demanda por matérias-primas.

Para o Brasil, isso significou uma oportunidade extraordinária.

O país possuía exatamente alguns dos produtos procurados pelo mercado internacional:

minério de ferro + soja + petróleo + carnes + celulose + açúcar.

Mas existe um risco

Quando uma economia depende fortemente de produtos cujos preços são definidos internacionalmente, seus resultados podem oscilar.

Durante o ciclo de alta, as receitas crescem.

Quando os preços caem, as receitas diminuem.

Por isso, crescimento baseado em commodities precisa ser acompanhado de diversificação.

O mercado interno cresce

Ao mesmo tempo, milhões de brasileiros passaram a consumir mais.

Houve expansão do emprego formal em diversos períodos.

O crédito aumentou.

O salário mínimo teve ganhos reais em diferentes anos.

Programas de transferência de renda ampliaram a proteção social.

Inclusão econômica

Esse processo produziu uma transformação importante.

Famílias que anteriormente estavam excluídas de determinados mercados passaram a ter acesso a:

eletrodomésticos + automóveis + crédito + serviços + educação.

O mercado consumidor brasileiro se expandiu.

Mas inclusão pelo consumo tem limites

Comprar mais não significa necessariamente acumular patrimônio.

Uma família pode melhorar seu padrão de consumo sem construir uma reserva financeira ou adquirir ativos produtivos.

Por isso, desenvolvimento precisa combinar:

renda + patrimônio + educação + produtividade.

O investimento público

Durante esse período, o Estado também ampliou investimentos em infraestrutura e programas de desenvolvimento.

Grandes projetos foram planejados.

Energia.

Transportes.

Habitação.

Saneamento.

Infraestrutura urbana.

O papel dos bancos públicos

Bancos públicos tiveram participação importante no financiamento de investimentos.

O crédito de longo prazo foi utilizado para apoiar empresas e projetos considerados estratégicos.

A lógica era estimular o investimento privado por meio de financiamento.

Mas crédito não é capital infinito

Todo crédito precisa ser financiado.

Quando o Estado ou uma instituição pública amplia empréstimos, é necessário avaliar:

risco + retorno + capacidade de pagamento + impacto fiscal.

O crédito pode acelerar o desenvolvimento.

Mas também pode aumentar vulnerabilidades quando utilizado sem equilíbrio.

A desaceleração

A economia mundial começou a mudar.

Os preços das commodities perderam força.

O crescimento brasileiro desacelerou.

Ao mesmo tempo, alguns desequilíbrios internos começaram a aparecer.

O problema fiscal

O Estado precisava financiar:

saúde + educação + previdência + infraestrutura + programas sociais + investimentos.

Mas as receitas não cresciam no mesmo ritmo.

A questão fiscal tornou-se cada vez mais importante.

A confiança

Economia também depende de expectativas.

Empresas investem quando acreditam que haverá demanda, estabilidade e segurança para recuperar o capital investido.

Famílias consomem quando possuem confiança na própria renda.

Investidores procuram previsibilidade.

Quando a confiança diminui, o investimento pode cair.

A crise política

A crise econômica ocorreu simultaneamente a uma crise política de grandes proporções.

Investigações sobre corrupção atingiram empresas, partidos e autoridades.

A Operação Lava Jato tornou-se um dos acontecimentos políticos mais importantes do período.

A Petrobras novamente no centro

A Petrobras, que havia aparecido na nossa história como símbolo da busca brasileira por soberania energética, voltou ao centro do debate.

Dessa vez, em razão das investigações sobre contratos e corrupção envolvendo empresas e agentes políticos.

A questão institucional

O episódio mostrou algo importante:

empresas estatais possuem enorme importância econômica, mas também precisam de mecanismos fortes de governança e controle.

Quanto maior a empresa e maior seu orçamento, maior também precisa ser a transparência.

Estado e empresa

A discussão retorna novamente.

Uma empresa estatal pode atuar em setores estratégicos.

Mas precisa possuir:

governança + transparência + eficiência + controle.

A propriedade pública, por si só, não garante eficiência.

Da mesma maneira, a propriedade privada, por si só, não garante ausência de problemas.

A recessão

Em 2015 e 2016, o Brasil enfrentou uma forte recessão.

A produção caiu.

O desemprego aumentou.

Empresas reduziram investimentos.

Famílias perderam renda.

A arrecadação pública foi afetada.

A crise revela fragilidades

Quando a economia cresce, alguns problemas podem permanecer escondidos.

Quando o crescimento desaparece, aparecem com maior clareza:

baixa produtividade + infraestrutura insuficiente + desequilíbrios fiscais + dependência de commodities + desigualdades regionais.

O impeachment

Em 2016, a presidente Dilma Rousseff deixou o cargo após um processo de impeachment aprovado pelo Congresso Nacional.

Michel Temer assumiu a Presidência.

O país entrou em nova etapa política.

A busca por reformas

O novo governo apresentou propostas voltadas à estabilização das contas públicas e à recuperação da economia.

A discussão sobre reformas ganhou força.

Previdência.

Trabalho.

Gastos públicos.

Tributação.

Ambiente de negócios.

A questão fiscal retorna

Mais uma vez, chegamos à mesma pergunta:

como financiar o Estado sem comprometer a capacidade de crescimento da economia?

Não existe resposta simples.

Se o Estado arrecada pouco, pode faltar recurso para serviços e investimentos.

Se arrecada excessivamente ou de maneira distorcida, pode prejudicar produção, investimento e consumo.

A reforma trabalhista

Em 2017, foi aprovada uma reforma da legislação trabalhista.

O objetivo declarado era modernizar relações de trabalho, aumentar flexibilidade e estimular a formalização e o emprego.

Os críticos apontaram riscos de precarização.

O debate demonstrou que a relação entre trabalho e capital continua sendo uma das grandes questões do desenvolvimento.

A Previdência

Outro grande debate foi a reforma da Previdência.

O envelhecimento da população aumenta a pressão sobre sistemas previdenciários.

Quanto maior a proporção de idosos, maior a necessidade de planejamento de longo prazo.

Demografia também é economia

Uma sociedade que envelhece precisa pensar em:

produtividade + previdência + saúde + mercado de trabalho + tecnologia.

O crescimento futuro dependerá cada vez mais da capacidade de produzir mais com uma população economicamente ativa proporcionalmente menor.

A eleição de 2018

Em 2018, Jair Bolsonaro foi eleito presidente.

O país entrou em uma nova etapa política marcada por forte polarização.

O debate econômico continuou centrado em:

reformas + crescimento + segurança fiscal + privatizações + infraestrutura + papel do Estado.

A reforma da Previdência

Em 2019, foi aprovada uma reforma da Previdência.

O objetivo principal era melhorar a sustentabilidade das contas previdenciárias diante das mudanças demográficas e fiscais.

Mas então surgiu uma crise mundial

Em 2020, a pandemia de COVID-19 provocou uma interrupção econômica sem precedentes recentes.

Empresas fecharam temporariamente.

Atividades foram interrompidas.

Cadeias produtivas foram afetadas.

Milhões de pessoas tiveram suas rotinas econômicas alteradas.

O Estado volta ao centro

Durante a pandemia, governos do mundo inteiro ampliaram gastos e medidas emergenciais.

O Brasil também adotou políticas de transferência de renda e apoio a empresas e trabalhadores.

Mais uma vez, o Estado tornou-se fundamental para impedir que uma crise excepcional provocasse danos ainda maiores.

A pandemia mostrou uma nova realidade

Uma economia globalizada pode ser extremamente eficiente.

Mas também pode ser vulnerável quando uma crise interrompe cadeias produtivas.

A falta de determinados componentes em um país pode afetar fábricas em outro continente.

A importância da produção nacional

Isso reacendeu discussões sobre:

indústria nacional + segurança alimentar + energia + medicamentos + tecnologia + infraestrutura.

Não significa abandonar o comércio internacional.

Significa avaliar quais setores são estratégicos demais para depender exclusivamente de fornecedores externos.

A economia depois da pandemia

A recuperação trouxe novas mudanças.

A digitalização acelerou.

O comércio eletrônico cresceu.

O trabalho remoto ganhou espaço.

Empresas passaram a utilizar ainda mais tecnologia.

A inteligência artificial começou a transformar diferentes setores.

O conhecimento torna-se infraestrutura

Chegamos novamente à questão central da nossa série.

No passado, infraestrutura significava principalmente:

estradas + ferrovias + portos + energia.

Hoje também significa:

internet + dados + computação + ciência + tecnologia.

A nova disputa econômica

Países competem não apenas por território e recursos naturais.

Competem por:

talentos + tecnologia + investimentos + inovação + capacidade industrial.

O Brasil possui oportunidades

O país possui:

grande mercado interno;

recursos naturais;

agricultura competitiva;

matriz energética diversificada;

universidades;

empresas;

capacidade científica;

território;

potencial de energias renováveis.

Mas possui desafios

Também enfrenta:

baixa produtividade + desigualdade + infraestrutura insuficiente + complexidade tributária + dificuldades educacionais + insegurança regulatória em determinados setores.

O desafio é transformar potencial em produtividade.

A história retorna ao começo

A primeira parte desta série começou com uma pergunta:

quem controla a terra, o capital e os meios de produção?

Agora podemos acrescentar:

quem controla o conhecimento, a tecnologia, os dados e a infraestrutura?

A nova concentração

A concentração econômica do século XXI pode ocorrer sem grandes propriedades rurais.

Pode estar em:

capital financeiro + tecnologia + plataformas + dados + propriedade intelectual + infraestrutura.

A estrutura mudou novamente.

Mas existe uma oportunidade histórica

Diferentemente da terra, que é fisicamente limitada, o conhecimento pode ser multiplicado.

Uma descoberta científica pode beneficiar milhões de pessoas.

Uma tecnologia pode ser reproduzida.

Uma aula pode alcançar milhares de estudantes.

Um software pode chegar a praticamente qualquer lugar conectado.

Por isso, educação é investimento

Educação não deve ser vista apenas como gasto social.

Também é infraestrutura econômica.

Uma população mais qualificada possui maior capacidade de:

produzir + inovar + empreender + adaptar-se + criar novas tecnologias.

A grande questão do século XXI

O Brasil já conseguiu construir:

território + agricultura + indústria + energia + mercado interno.

Agora precisa transformar essa base em:

produtividade + inovação + conhecimento + patrimônio.

A continuidade histórica

A longa trajetória brasileira pode ser resumida assim:

terra → agricultura → exportação → capital → indústria → infraestrutura → energia → tecnologia → conhecimento.

Cada etapa não eliminou completamente a anterior.

A agricultura continua importante.

A indústria continua importante.

A energia continua importante.

O capital continua importante.

Mas o conhecimento passou a atravessar todas essas dimensões.

E chegamos a uma nova pergunta

Se no passado a grande questão era democratizar o acesso à terra;

se depois foi necessário ampliar o acesso ao trabalho industrial, à educação e ao crédito;

hoje surge uma questão ainda mais ampla:

como democratizar o acesso ao conhecimento, à tecnologia e à capacidade de produzir riqueza?

Essa pergunta prepara a próxima parte da nossa história.

Porque o Brasil não enfrenta mais apenas a disputa entre campo e cidade.

Nem apenas entre capital e trabalho.

O novo desafio envolve:

Estado + mercado + tecnologia + conhecimento + democracia + sustentabilidade.

E é justamente nesse ponto que a história econômica encontra a geopolítica do século XXI.

Continua.

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