CONTATO: RENATARJBRAVO@GMAIL.COM - PESQUISAS, TECNOLOGIA ASSISTIVA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL DESDE 2013.

"Inspirado em Heidegger, Brincadeira Sustentável (por Renata Bravo) não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser digerida, vivida e incorporada."

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Parte X - O Brasil no século XXI: crescimento, inclusão e os novos desafios do desenvolvimento

 

Entramos agora no século XXI.

O Brasil já havia atravessado transformações que, poucas décadas antes, pareciam impossíveis.

A sociedade era majoritariamente urbana.

A indústria estava consolidada.

A agricultura havia alcançado elevada produtividade em diversos setores.

O sistema elétrico possuía grande capacidade de geração.

As telecomunicações haviam se expandido.

A inflação havia sido controlada.

A democracia estava consolidada institucionalmente.

Mas uma questão permanecia:

como transformar crescimento econômico em desenvolvimento capaz de alcançar uma parcela maior da população?

Um novo Brasil

No início dos anos 2000, o Brasil possuía uma economia muito mais integrada ao mercado internacional.

As exportações haviam adquirido grande importância.

A China começava a se tornar um dos principais parceiros comerciais do país.

A demanda internacional por commodities brasileiras crescia.

Soja, minério de ferro, petróleo, carnes, açúcar, café e outros produtos passaram a gerar receitas importantes para a economia nacional.

O Brasil encontrava novamente uma vantagem histórica:

seus recursos naturais.

Mas agora havia uma diferença.

A produção brasileira estava muito mais sofisticada.

A agricultura utilizava ciência e tecnologia.

A mineração empregava equipamentos avançados.

A indústria estava integrada a cadeias internacionais.

O petróleo exigia tecnologia de exploração em águas profundas.

O país já não era simplesmente um exportador de produtos primários.

Era uma economia complexa, ainda que permanecessem características de forte dependência das commodities.

O crescimento das commodities

A expansão da economia chinesa aumentou a demanda internacional por matérias-primas.

Isso beneficiou países produtores de commodities, entre eles o Brasil.

As exportações cresceram.

As receitas aumentaram.

O agronegócio ganhou ainda mais importância.

A mineração se expandiu.

O setor energético recebeu novos investimentos.

Esse movimento ajudou a criar condições para um período de crescimento econômico.

Mas também trouxe uma questão:

até que ponto um país pode depender da demanda internacional por produtos primários?

Quando os preços internacionais estão elevados, as receitas aumentam.

Quando caem, o cenário muda.

Por isso, a diversificação produtiva continua sendo uma questão estratégica.

A expansão do consumo

Durante os anos 2000, milhões de brasileiros passaram a ter maior acesso ao consumo.

O aumento da renda, a expansão do crédito, a formalização do emprego e políticas de transferência de renda contribuíram para ampliar o mercado interno.

Mais famílias passaram a comprar:

eletrodomésticos + automóveis + computadores + celulares + móveis + serviços.

Esse processo teve um efeito importante.

O trabalhador não era apenas força de trabalho.

Também era consumidor.

E o consumidor movimentava a indústria, o comércio e os serviços.

Assim, o mercado interno ganhou ainda mais importância.

Transferência de renda

Programas sociais também passaram a ocupar posição relevante na política econômica e social.

O Bolsa Família, criado em 2003 a partir da unificação de programas anteriores, tornou-se um dos principais instrumentos de transferência de renda do país.

Seu objetivo central era reduzir a pobreza e ampliar o acesso das famílias a serviços básicos, especialmente educação e saúde.

A transferência de renda não substitui emprego, educação ou patrimônio.

Mas pode funcionar como proteção contra a pobreza extrema e como instrumento de inclusão.

Aqui surge novamente uma diferença fundamental:

renda não é patrimônio.

Receber uma renda maior pode melhorar imediatamente a vida de uma família.

Construir patrimônio pode modificar sua segurança econômica por gerações.

A questão do patrimônio

Uma família que consegue comprar uma casa passa a possuir um ativo.

Uma família que consegue abrir uma pequena empresa passa a possuir uma estrutura produtiva.

Uma família que consegue poupar pode formar uma reserva.

Uma pessoa que recebe educação de qualidade acumula capital humano.

Por isso, o desenvolvimento de longo prazo depende da capacidade de transformar renda em:

educação + poupança + patrimônio + qualificação + capacidade produtiva.

Essa é uma das grandes diferenças entre simplesmente aumentar o consumo e construir mobilidade social sustentável.

O crédito se expande

Outro elemento importante foi a expansão do crédito.

Durante muito tempo, o acesso ao crédito no Brasil esteve fortemente concentrado.

Com a expansão do sistema financeiro e das políticas de inclusão bancária, mais pessoas passaram a ter acesso a empréstimos, financiamento e outros instrumentos financeiros.

O crédito pode ser poderoso instrumento de desenvolvimento.

Permite comprar uma casa.

Abrir um negócio.

Comprar máquinas.

Investir em produção.

Financiar estudos.

Mas também exige responsabilidade.

Crédito sem capacidade de pagamento pode transformar oportunidade em endividamento.

Portanto:

crédito é instrumento de desenvolvimento quando está associado à capacidade produtiva e ao planejamento.

O Brasil e o pré-sal

Outra transformação importante ocorreu no setor energético.

A descoberta de grandes reservas de petróleo na camada do pré-sal abriu novas perspectivas para o país.

A exploração dessas reservas exigia tecnologia sofisticada.

Era necessário operar em grandes profundidades, enfrentar condições geológicas complexas e desenvolver equipamentos específicos.

Mais uma vez, o petróleo demonstrava algo que já havia aparecido em outros momentos da história:

recurso natural só se transforma em riqueza quando existe capacidade técnica, capital, conhecimento e infraestrutura para explorá-lo.

Petróleo e conhecimento

A exploração do pré-sal mostrou a importância da capacidade tecnológica brasileira.

Não bastava possuir petróleo.

Era necessário saber:

encontrar + perfurar + extrair + transportar + processar.

A riqueza natural precisava ser acompanhada de conhecimento.

Essa é uma mudança fundamental na nossa narrativa.

No Brasil colonial, a terra era o grande ativo.

No Brasil industrial, máquinas e energia ganharam importância.

No século XXI, tecnologia e conhecimento passaram a determinar cada vez mais o valor econômico dos recursos naturais.

O Programa de Aceleração do Crescimento

Em 2007, foi lançado o Programa de Aceleração do Crescimento - PAC.

A proposta era ampliar investimentos em infraestrutura.

Energia.

Transportes.

Habitação.

Saneamento.

Logística.

Infraestrutura urbana.

O princípio continuava semelhante ao que havia orientado Juscelino e, posteriormente, os grandes projetos do regime militar:

sem infraestrutura, o crescimento encontra limites.

Infraestrutura e produtividade

Uma estrada ruim aumenta o custo do transporte.

Um porto congestionado encarece a exportação.

Uma rede elétrica insuficiente limita a indústria.

Uma conexão de internet precária reduz oportunidades econômicas.

Um sistema de saneamento deficiente afeta a saúde e a produtividade.

Portanto, infraestrutura não é apenas obra pública.

É parte da capacidade produtiva de uma sociedade.

A crise financeira de 2008

Em 2008, uma grande crise financeira internacional atingiu a economia mundial.

O sistema financeiro dos Estados Unidos entrou em grave crise, provocando efeitos em diversos países.

O Brasil também foi afetado.

Mas possuía algumas condições que ajudaram a enfrentar o choque.

Reservas internacionais mais elevadas.

Sistema financeiro relativamente regulado.

Mercado interno em expansão.

E uma economia que vinha se beneficiando do ciclo das commodities.

O governo adotou medidas para estimular o crédito, o consumo e o investimento.

O país conseguiu evitar uma recessão prolongada naquele primeiro momento.

A importância do mercado interno

A crise internacional mostrou uma vantagem importante.

Um país com grande mercado consumidor possui alguma capacidade de compensar, em parte, uma queda das exportações.

O Brasil possuía centenas de milhões de consumidores.

Isso dava ao mercado interno enorme importância.

Mas também revelava um problema:

mercado consumidor não é a mesma coisa que capacidade produtiva.

Para sustentar o consumo no longo prazo, é necessário produzir.

É preciso investir.

Aumentar produtividade.

Gerar empregos.

Criar empresas competitivas.

Desenvolver tecnologia.

Dilma Rousseff e a continuidade do projeto desenvolvimentista

Em 2011, Dilma Rousseff assumiu a Presidência da República.

Seu governo manteve forte presença do Estado na economia e ampliou políticas de investimento em infraestrutura e energia.

O país continuava apostando no desenvolvimento por meio de grandes projetos, crédito e participação estatal.

Mas o cenário internacional começava a mudar.

O ciclo de alta das commodities perderia força.

E alguns problemas internos começaram a se tornar mais evidentes.

Quando o crescimento desacelera

Uma economia pode crescer durante determinado período apoiada por:

commodities + consumo + crédito + investimento público + expansão do emprego.

Mas, quando esses motores perdem força, a produtividade torna-se ainda mais importante.

Se a produtividade não cresce suficientemente, torna-se difícil sustentar salários, lucros e investimentos ao mesmo tempo.

A economia começa a enfrentar limitações.

A produtividade como grande desafio

Essa questão nos leva novamente ao centro da nossa tese.

Não existe desenvolvimento sustentável apenas com distribuição.

Também não existe desenvolvimento sustentável apenas com crescimento.

É necessário produzir mais e melhor.

Isso exige:

educação + tecnologia + infraestrutura + segurança jurídica + investimento + inovação + gestão.

A produtividade permite que uma economia aumente sua produção sem depender exclusivamente do aumento da quantidade de trabalhadores ou do consumo de recursos.

A crise política e econômica

A partir de 2014, o Brasil entrou em uma grave crise econômica.

A desaceleração econômica se aprofundou.

O desemprego aumentou.

As contas públicas ficaram pressionadas.

A crise política também se intensificou.

O país passou a discutir novamente questões que pareciam antigas:

qual deve ser o tamanho do Estado?

qual deve ser o papel das empresas estatais?

como equilibrar responsabilidade fiscal e políticas sociais?

como estimular investimentos?

como recuperar a produtividade?

A Operação Lava Jato e a crise institucional

A Operação Lava Jato, iniciada em 2014, revelou um grande esquema de corrupção envolvendo contratos, empresas e agentes políticos.

As investigações tiveram enorme impacto político e institucional.

A Petrobras esteve no centro de parte importante do caso.

O episódio também afetou empresas de construção pesada e diversos setores da economia.

Independentemente das disputas políticas posteriores, o período demonstrou uma questão fundamental:

instituições, governança e transparência também fazem parte do desenvolvimento econômico.

Corrupção e má governança podem aumentar custos, reduzir investimentos e comprometer a confiança.

O impeachment de 2016

Em 2016, Dilma Rousseff sofreu processo de impeachment e deixou a Presidência.

Michel Temer assumiu o governo.

O país entrou em uma nova fase de reformas e tentativas de reorganização fiscal.

A discussão econômica passou a enfatizar mais fortemente:

controle dos gastos públicos + reformas estruturais + investimento privado + produtividade.

A reforma trabalhista

Em 2017, foi aprovada uma reforma da legislação trabalhista.

Seus defensores argumentavam que ela poderia modernizar relações de trabalho, reduzir insegurança jurídica e estimular contratações.

Seus críticos apontavam riscos de precarização e redução de direitos.

O debate revelou novamente uma questão presente desde a industrialização:

como equilibrar proteção do trabalhador e capacidade das empresas de contratar, investir e competir?

Essa não é uma questão exclusivamente brasileira.

É um dos grandes dilemas das economias modernas.

A reforma da Previdência

Em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro, foi aprovada uma ampla reforma da Previdência.

O debate estava relacionado ao envelhecimento da população e à sustentabilidade das contas previdenciárias.

Mais uma vez, a questão econômica estava ligada a uma transformação demográfica.

Uma sociedade que envelhece precisa repensar:

trabalho + aposentadoria + produtividade + poupança + saúde + previdência.

A pandemia

Em 2020, a pandemia de Covid-19 provocou uma ruptura mundial.

A economia foi profundamente afetada.

Empresas fecharam temporariamente.

Trabalhadores perderam renda.

Cadeias produtivas foram interrompidas.

Hospitais ficaram sob forte pressão.

Governos de todo o mundo adotaram medidas extraordinárias.

No Brasil, programas emergenciais ajudaram a preservar renda de milhões de pessoas durante o período mais crítico.

A pandemia mostrou novamente a importância do Estado como instrumento de proteção em momentos de crise.

Mas também revelou a importância de empresas, trabalhadores, ciência, tecnologia e capacidade logística.

Nenhum desses elementos funcionou isoladamente.

A ciência como infraestrutura

Durante a pandemia, uma realidade tornou-se evidente:

ciência também é infraestrutura nacional.

Vacinas exigem pesquisa.

Medicamentos exigem conhecimento.

Sistemas de informação exigem tecnologia.

Hospitais exigem profissionais especializados.

Produção de equipamentos exige indústria.

Distribuição exige logística.

A crise demonstrou que soberania não depende apenas de possuir território ou recursos naturais.

Depende também da capacidade de produzir conhecimento e responder a situações inesperadas.

A transformação digital

Enquanto a pandemia restringia a circulação física, acelerava-se outra transformação:

a digitalização da economia.

Trabalho remoto.

Comércio eletrônico.

Serviços digitais.

Bancos digitais.

Educação a distância.

Plataformas de comunicação.

Automação.

Inteligência artificial.

A economia entrou em uma nova etapa.

O espaço físico continuava importante.

Mas a informação passou a circular em velocidade inédita.

Uma nova forma de capital

No início desta série, falávamos principalmente de:

terra + capital + meios de produção.

Agora precisamos acrescentar:

dados + tecnologia + conhecimento + propriedade intelectual.

Uma empresa pode possuir poucos terrenos e poucas máquinas, mas controlar uma tecnologia extremamente valiosa.

Uma plataforma digital pode conectar milhões de consumidores.

Uma empresa de biotecnologia pode possuir conhecimento que vale bilhões.

Uma pequena empresa pode competir internacionalmente graças à internet.

O conceito de capital tornou-se muito mais amplo.

Mas a desigualdade também mudou

A tecnologia cria oportunidades.

Mas também pode criar novas desigualdades.

Quem possui acesso à internet de qualidade possui vantagem.

Quem possui boa formação possui vantagem.

Quem sabe utilizar ferramentas digitais possui vantagem.

Quem possui capital para investir em tecnologia possui vantagem.

A desigualdade do século XXI não é apenas:

quem possui terra?

Também é:

quem possui conhecimento e capacidade tecnológica?

A grande transformação

Chegamos, então, a uma conclusão importante.

A história brasileira não é uma sucessão de sistemas completamente separados.

É uma sucessão de transformações.

A terra permaneceu importante.

O capital mudou de forma.

O trabalho mudou.

A indústria surgiu.

A agricultura se modernizou.

O Estado mudou de função.

A tecnologia ganhou importância.

O conhecimento tornou-se estratégico.

E a democracia passou a organizar institucionalmente os conflitos entre diferentes projetos de sociedade.

A pergunta permanece

No início desta série, perguntamos:

quem controla a terra, o capital e os meios de produção?

Agora podemos formular uma pergunta ainda mais ampla:

quem controla os instrumentos capazes de gerar riqueza no século XXI?

Terra.

Capital.

Energia.

Infraestrutura.

Tecnologia.

Dados.

Conhecimento.

Propriedade intelectual.

A resposta a essa pergunta ajudará a compreender os próximos capítulos da história brasileira.

Porque o Brasil chegou ao presente com enormes vantagens:

território + recursos naturais + agricultura + energia + população + mercado interno + ciência + indústria.

Mas também carrega desafios:

desigualdade + baixa produtividade em vários setores + infraestrutura insuficiente + diferenças educacionais + concentração patrimonial + dependência tecnológica em áreas estratégicas.

O futuro brasileiro dependerá da maneira como essas forças serão combinadas.

Do passado ao futuro

A longa trajetória que começou com a propriedade da terra chegou agora à economia do conhecimento.

A questão deixou de ser apenas quem possui a terra.

Passou a ser também:

quem consegue transformar conhecimento em produção?

Quem consegue transformar tecnologia em empresa?

Quem consegue transformar educação em renda?

Quem consegue transformar renda em patrimônio?

Quem consegue transformar patrimônio em novas oportunidades para a geração seguinte?

Essas perguntas nos levam ao último grande movimento da nossa análise:

o Brasil contemporâneo diante da economia global, da revolução tecnológica, das novas formas de trabalho e da disputa pelo controle do conhecimento.

Porque talvez a próxima grande fronteira econômica brasileira não esteja apenas em suas terras, seus rios, suas reservas minerais ou seu petróleo.

Ela poderá estar na capacidade de transformar conhecimento em valor, inovação em produtividade e oportunidade em patrimônio.

Continua.

Parte IX - Redemocratização, inflação e a reconstrução da economia brasileira

 

A história brasileira havia chegado a uma nova encruzilhada.

O país que entrou na década de 1980 era muito diferente daquele que havia iniciado o século XX.

Já não era predominantemente rural.

Possuía uma indústria diversificada.

Grandes empresas estatais.

Uma agricultura tecnificada em expansão.

Universidades e centros de pesquisa.

Grandes cidades.

Uma infraestrutura energética muito maior.

Mas carregava também problemas que se acumulavam havia décadas:

inflação, endividamento, desigualdade, concentração patrimonial e dificuldades de financiamento do desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o regime militar chegava ao fim.

O Brasil precisava reconstruir sua democracia e, simultaneamente, reorganizar sua economia.

A redemocratização

Em 1985, terminou o regime militar.

A transição foi marcada pela eleição indireta de Tancredo Neves e pela posse de José Sarney após a doença e morte de Tancredo.

O país recuperava progressivamente suas instituições democráticas.

Mas a democracia encontrava uma economia fragilizada.

O desafio era enorme:

como reconstruir as instituições políticas sem interromper a capacidade de desenvolvimento econômico?

A Constituição de 1988

Em 1988, o Brasil promulgou uma nova Constituição.

Ela ampliou direitos sociais, fortaleceu garantias individuais e estabeleceu novas responsabilidades para o Estado.

Educação, saúde, assistência social, proteção ao trabalhador e diversos outros direitos passaram a ocupar posição central no ordenamento constitucional.

A Constituição também reafirmou a propriedade privada.

Mas estabeleceu que a propriedade deveria cumprir uma função social.

Essa combinação é importante.

O modelo brasileiro não eliminou a propriedade privada.

Também não adotou uma economia estatal integral.

Construiu um sistema no qual:

propriedade + liberdade econômica + direitos sociais + função social + regulação estatal

passaram a coexistir.

A economia precisava de estabilidade

Mas havia um problema imediato.

A inflação.

Durante os anos 1980, a inflação brasileira tornou-se extremamente elevada.

Os preços aumentavam rapidamente.

O dinheiro perdia poder de compra.

As famílias precisavam reorganizar constantemente seus gastos.

Empresas tinham dificuldade para planejar.

Investimentos de longo prazo tornavam-se mais difíceis.

A inflação também produzia efeitos diferentes conforme a capacidade econômica de cada pessoa.

Quem possuía patrimônio, aplicações financeiras ou mecanismos de proteção conseguia se defender melhor.

Quem dependia exclusivamente do salário sofria mais.

Assim, a inflação não era apenas um problema monetário.

Era também um problema social.

Os planos econômicos

Durante o governo Sarney, foram lançados diferentes planos para tentar controlar a inflação.

Vieram congelamentos de preços e salários, mudanças monetárias e outras medidas.

Alguns produziram resultados temporários.

Mas a inflação retornava.

Isso demonstrava que o problema era mais profundo.

Não bastava controlar preços por decreto.

Era necessário reorganizar as bases da economia.

A eleição de 1989

Em 1989, o Brasil realizou a primeira eleição presidencial direta desde 1960.

A democracia brasileira estava novamente funcionando em escala nacional.

Fernando Collor de Mello foi eleito presidente.

Seu governo apresentou uma proposta de modernização econômica que incluía abertura comercial e mudanças no papel do Estado.

A economia brasileira começava a se aproximar mais intensamente do ambiente internacional.

A abertura econômica

Durante décadas, o Brasil havia protegido diversos setores industriais da concorrência estrangeira.

Essa política ajudou a desenvolver empresas nacionais.

Mas também produziu limitações.

Em alguns setores, a proteção prolongada reduziu a pressão por inovação e produtividade.

A abertura comercial aumentou a competição.

Empresas brasileiras passaram a enfrentar produtos estrangeiros com maior intensidade.

O consumidor ganhou acesso a mais opções.

Mas setores menos preparados enfrentaram dificuldades.

A abertura, portanto, produziu vencedores e perdedores.

O papel da competição

A competição pode estimular:

produtividade + inovação + redução de custos + qualidade.

Mas ela também pode provocar fechamento de empresas e perda de empregos em setores pouco competitivos.

Por isso, uma abertura econômica bem-sucedida exige capacidade de adaptação.

Educação.

Crédito.

Tecnologia.

Infraestrutura.

Ambiente regulatório.

Qualificação profissional.

Sem esses elementos, a competição internacional pode ser extremamente difícil para determinados setores.

O impeachment

O governo Collor enfrentou uma grave crise política.

Em 1992, o presidente sofreu processo de impeachment e deixou o cargo.

Itamar Franco assumiu a Presidência.

Foi durante seu governo que ocorreu uma das transformações econômicas mais importantes da história recente do Brasil.

O Plano Real

Em 1994, foi lançado o Plano Real.

O plano conseguiu controlar a inflação por meio de uma combinação de medidas econômicas e institucionais.

A estabilização da moeda mudou profundamente a vida cotidiana.

Planejar tornou-se mais fácil.

O salário deixou de perder valor na mesma velocidade.

O consumidor passou a ter maior previsibilidade.

Empresas puderam planejar melhor seus investimentos.

A estabilidade monetária criou uma nova condição para o desenvolvimento.

A moeda e a confiança

Uma moeda estável é muito mais do que um instrumento de troca.

Ela funciona como referência para contratos.

Salários.

Preços.

Investimentos.

Empréstimos.

Poupança.

Quando a moeda perde valor rapidamente, o horizonte econômico encurta.

Quando existe estabilidade, torna-se possível pensar em anos ou décadas.

Por isso:

estabilidade monetária também é infraestrutura econômica.

Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente em 1994 e reeleito em 1998.

Seu governo aprofundou algumas das transformações iniciadas no período anterior.

O Brasil avançou em processos de privatização, abertura econômica e reforma do Estado.

Empresas estatais de diferentes setores foram privatizadas.

A justificativa era aumentar eficiência, reduzir determinados encargos do Estado e estimular investimentos privados.

Privatização

A privatização tornou-se um dos grandes debates econômicos da época.

Seus defensores argumentavam que empresas privadas poderiam operar determinados setores com maior eficiência e capacidade de investimento.

Seus críticos questionavam a perda de controle estatal sobre setores estratégicos e as condições em que algumas empresas foram vendidas.

A questão fundamental era:

quais atividades devem ser diretamente controladas pelo Estado e quais podem ser realizadas com eficiência pela iniciativa privada sob regulação pública?

Essa pergunta continua atual.

O Estado muda de função

O Estado brasileiro não desapareceu.

Seu papel começou a mudar.

Em vez de ser necessariamente o proprietário direto de empresas em todos os setores, passou a atuar mais fortemente como:

regulador + fiscalizador + formulador de políticas públicas + provedor de serviços sociais + indutor do desenvolvimento.

Essa mudança é fundamental para compreender o Brasil contemporâneo.

O debate deixou de ser apenas:

Estado ou mercado?

Passou a ser:

qual Estado e qual mercado?

A estabilidade não resolveu tudo

O Plano Real resolveu um problema fundamental:

a inflação crônica.

Mas não eliminou a desigualdade.

Não resolveu automaticamente o problema da educação.

Não eliminou a pobreza.

Não distribuiu patrimônio.

Não acabou com as diferenças regionais.

Isso demonstra novamente a diferença entre:

estabilidade econômica e desenvolvimento social.

São dimensões relacionadas, mas não idênticas.

O patrimônio volta ao centro

Com a estabilização monetária, tornou-se mais possível pensar em patrimônio de longo prazo.

Comprar uma casa.

Poupar.

Investir.

Abrir uma empresa.

Financiar um imóvel.

Planejar a aposentadoria.

A estabilidade monetária ampliou a capacidade de planejamento de famílias e empresas.

Mas o acesso a esses instrumentos continuou desigual.

Quem já possuía patrimônio partia novamente de uma posição privilegiada.

Quem não possuía precisava construir patrimônio a partir da renda do trabalho.

A questão histórica reaparecia em uma nova forma.

A desigualdade de ponto de partida

Aqui encontramos novamente a pergunta que atravessa toda esta série:

Duas pessoas podem possuir os mesmos direitos.

Mas se uma recebe educação de qualidade, possui patrimônio familiar, acesso a crédito e redes profissionais, enquanto outra começa sem esses recursos, suas possibilidades serão diferentes.

A democracia garante direitos.

Mas a economia precisa criar caminhos para que esses direitos possam ser exercidos concretamente.

Por isso, desenvolvimento não pode ser medido apenas pela renda média.

É necessário observar:

patrimônio + educação + crédito + produtividade + infraestrutura + acesso à tecnologia.

O Brasil entra na globalização

Durante os anos 1990, a economia mundial passou por uma transformação acelerada.

Empresas começaram a operar em cadeias internacionais.

Tecnologias de comunicação reduziram distâncias.

O comércio mundial cresceu.

A produção passou a ser distribuída entre diferentes países.

O Brasil entrou mais intensamente nesse processo.

Isso trouxe oportunidades.

Mas também trouxe novas formas de competição.

Do território nacional às cadeias globais

Antes, uma empresa brasileira podia pensar principalmente no mercado interno.

Agora, precisava considerar concorrentes internacionais.

Uma fábrica poderia importar componentes.

Outra poderia exportar.

Uma empresa poderia instalar sua produção em outro país.

A logística tornou-se ainda mais importante.

Portos.

Rodovias.

Ferrovias.

Aeroportos.

Telecomunicações.

Internet.

Tudo passou a fazer parte da competitividade nacional.

A agricultura brasileira ganha escala

Enquanto a indústria enfrentava a globalização, a agricultura brasileira também se transformava.

A pesquisa desenvolvida ao longo das décadas anteriores permitiu ampliar a produtividade.

O cerrado tornou-se uma das grandes fronteiras agrícolas do mundo.

Soja, milho, algodão, café, carnes e outros produtos passaram a ocupar posição estratégica nas exportações.

O agronegócio tornou-se uma das grandes forças econômicas brasileiras.

Mas a agricultura familiar continuou desempenhando papel importante no abastecimento e na economia regional.

Novamente, o Brasil apresentava diferentes modelos produtivos coexistindo.

A questão ambiental

A expansão econômica também aumentou a preocupação ambiental.

Desmatamento.

Uso da água.

Conservação do solo.

Mudanças climáticas.

Biodiversidade.

A produção agrícola e industrial precisava incorporar uma nova dimensão:

sustentabilidade.

A questão ambiental deixou de ser apenas uma preocupação ecológica.

Passou a ser também econômica.

Um país que destrói seus recursos naturais compromete sua própria capacidade produtiva.

O novo século

Ao chegar ao século XXI, o Brasil já era outra sociedade.

A economia era:

urbana + industrial + agrícola + tecnológica + financeira + integrada ao comércio internacional.

A velha sociedade baseada principalmente na grande propriedade rural havia desaparecido.

Mas algumas estruturas permaneciam.

A concentração patrimonial continuava.

As diferenças regionais continuavam.

O acesso desigual à educação continuava.

O crédito continuava sendo mais acessível para alguns grupos do que para outros.

A propriedade continuava sendo uma fonte importante de segurança econômica.

E o conhecimento havia se tornado ainda mais valioso.

Uma nova forma de poder

No passado, o poder econômico podia estar concentrado na propriedade da terra.

Depois, passou para grandes comerciantes, industriais, bancos e empresas.

No século XXI, surgiram novas formas de concentração:

dados + tecnologia + plataformas + capital financeiro + propriedade intelectual + infraestrutura digital.

A economia mudou novamente.

A terra continua importante.

O capital continua importante.

A indústria continua importante.

Mas o conhecimento passou a ocupar uma posição estratégica.

A pergunta original retorna

Começamos esta série perguntando:

quem controla a terra, o capital e os meios de produção também possui maior capacidade de influenciar a economia e a política.

Agora podemos ampliar a pergunta:

quem controla a terra, o capital, a tecnologia, o conhecimento e as redes de produção possui maior capacidade de influenciar a economia e a política?

A resposta ajuda a compreender o Brasil do século XXI.

A concentração econômica não desapareceu.

Ela se transformou.

O Brasil democrático

A redemocratização criou uma diferença fundamental em relação aos períodos anteriores.

Hoje existem instituições democráticas, eleições, liberdade de organização política, imprensa plural e mecanismos jurídicos de controle.

Isso não elimina os conflitos econômicos.

Mas cria instrumentos institucionais para disputá-los.

A democracia permite que diferentes projetos de desenvolvimento sejam apresentados e debatidos.

E chegamos novamente à questão da liberdade

No início desta série, vimos que o capitalismo nasceu associado à ideia de liberdade econômica.

O indivíduo deveria poder:

trabalhar + comerciar + possuir + empreender + acumular.

Mas a história brasileira mostrou que liberdade econômica pode coexistir com desigualdade de oportunidades.

Por isso, o desafio contemporâneo não é simplesmente escolher entre liberdade e igualdade.

É compreender como construir:

liberdade + oportunidade + propriedade + produtividade + educação + democracia.

Uma nova etapa se aproxima

A história brasileira havia passado da terra para a indústria.

Da indústria para a infraestrutura.

Da infraestrutura para a tecnologia.

E agora começava a entrar em uma economia na qual informação, conhecimento e inovação se tornariam cada vez mais determinantes.

Essa transformação produziria novas empresas, novas profissões, novas formas de trabalho e novas formas de concentração econômica.

Mas também abriria oportunidades que não existiam nas gerações anteriores.

Uma pequena empresa poderia alcançar consumidores de todo o país.

Um profissional poderia trabalhar para uma organização situada em outro continente.

Uma pessoa poderia aprender uma profissão pela internet.

Uma inovação criada em uma pequena cidade poderia alcançar o mercado mundial.

O conhecimento poderia atravessar fronteiras.

Mas a desigualdade de acesso à tecnologia poderia criar novas barreiras.

E é justamente nesse ponto que a nossa história chega ao presente.

Da terra ao capital.
Do capital à indústria.
Da indústria à infraestrutura.
Da infraestrutura à tecnologia.
Da tecnologia ao conhecimento.

A pergunta continua sendo a mesma:

quem consegue participar dessa transformação?

E, para responder a essa pergunta, precisamos olhar para os primeiros anos do século XXI, quando o Brasil experimentou crescimento, expansão do consumo, políticas de inclusão social, aumento das exportações e novas disputas sobre o papel do Estado e do mercado.

Continua.

Parte VIII - Brizola, educação e a disputa pelo projeto de desenvolvimento brasileiro


Até aqui, acompanhamos uma longa transformação.

O Brasil nasceu dentro do capitalismo mercantil europeu.

Construiu uma economia baseada na grande propriedade e no trabalho escravizado.

Passou pelo Império.

Conheceu o café, as ferrovias e o capital industrial.

Aboliu a escravidão.

Tornou-se República.

Industrializou-se.

Criou empresas estatais.

Ampliou sua infraestrutura.

Construiu grandes hidrelétricas.

Expandiu a agricultura.

E atravessou um período de forte crescimento econômico durante o regime militar.

Mas uma questão permaneceu presente:

crescimento econômico é suficiente para produzir desenvolvimento social?

É nesse ponto que a trajetória de Leonel Brizola se torna importante.

Brizola e o trabalhismo

Brizola nasceu em 1922, no Rio Grande do Sul.

Sua formação política ocorreu dentro do ambiente do trabalhismo brasileiro, profundamente influenciado pela tradição política de Getúlio Vargas.

O trabalhismo defendia a valorização do trabalho, a presença do Estado na economia e a construção de políticas sociais.

Brizola aproximou essas ideias de uma preocupação que se tornaria central em sua trajetória:

a educação como instrumento de transformação social.

Para ele, desenvolvimento não poderia ser medido apenas por fábricas, estradas, energia ou crescimento do Produto Interno Bruto.

Era necessário formar pessoas capazes de participar desse desenvolvimento.

A educação como infraestrutura

Essa ideia merece atenção.

Normalmente, quando se fala em infraestrutura, pensamos em:

estradas;

portos;

ferrovias;

energia;

saneamento;

telecomunicações.

Mas existe outra infraestrutura fundamental:

a formação humana.

Uma economia industrial precisa de trabalhadores qualificados.

Uma economia tecnológica precisa de conhecimento.

Uma sociedade democrática precisa de cidadãos preparados para compreender seus direitos e responsabilidades.

Portanto:

educação também é infraestrutura.

Essa visão aproxima a trajetória de Brizola de uma questão que apareceu anteriormente nesta série:

o conhecimento tornou-se um dos principais meios de produção do século XX e, ainda mais, do século XXI.

Brizola no Rio Grande do Sul

Antes de chegar ao governo do Rio de Janeiro, Brizola teve uma longa trajetória política no Rio Grande do Sul.

Foi deputado estadual.

Deputado federal.

E governador do estado entre 1959 e 1963.

Durante seu governo, ganhou destaque sua política de expansão da educação pública e de infraestrutura.

Um dos episódios mais conhecidos foi a construção de uma ampla rede de escolas.

A proposta era levar educação para regiões que ainda não possuíam estrutura escolar suficiente.

A educação deixava de ser vista apenas como serviço público.

Passava a ser tratada como investimento estratégico no desenvolvimento regional.

As escolas como projeto de Estado

Essa concepção é importante porque muda a pergunta.

Em vez de perguntar apenas:

“quanto custa construir uma escola?”

passamos a perguntar:

“quanto custa para uma sociedade não educar sua população?”

Uma escola pode representar um gasto no orçamento de determinado ano.

Mas uma população mais educada pode representar:

maior produtividade;

melhores salários;

maior capacidade de inovação;

menor dependência tecnológica;

mais empreendedorismo;

maior participação econômica;

maior mobilidade social.

Educação, portanto, possui efeitos econômicos que ultrapassam o curto prazo.

O contexto de 1961

Em 1961, o Brasil atravessava uma grave crise política.

O presidente Jânio Quadros renunciou.

Seu vice, João Goulart, deveria assumir.

Mas setores militares e políticos resistiram à sua posse.

Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, teve papel importante na Campanha da Legalidade, defendendo a posse constitucional de Goulart.

A crise terminou com uma solução de compromisso.

João Goulart assumiu a Presidência sob o sistema parlamentarista.

Posteriormente, em 1963, um plebiscito restaurou o presidencialismo.

Brizola e João Goulart

Brizola e Goulart pertenciam ao mesmo campo político do trabalhismo, mas não eram figuras idênticas.

Tinham trajetórias próprias.

Entretanto, compartilhavam algumas preocupações:

desenvolvimento nacional + reformas sociais + fortalecimento do trabalho + soberania econômica.

A política brasileira estava cada vez mais dividida sobre o ritmo e a profundidade dessas reformas.

As Reformas de Base

O governo João Goulart defendia as chamadas Reformas de Base.

Entre elas estavam propostas relacionadas a:

reforma agrária;

reforma tributária;

reforma educacional;

reforma urbana;

reforma bancária;

reforma eleitoral.

A ideia era modificar estruturas consideradas responsáveis pela concentração econômica e pelas desigualdades sociais.

Para seus defensores, tratava-se de modernizar o país.

Para seus adversários, as reformas poderiam ameaçar a propriedade privada e alterar profundamente a ordem política e econômica.

A polarização cresceu.

A questão agrária retorna

Perceba a continuidade da nossa narrativa.

Na primeira parte, vimos a formação da propriedade da terra.

Depois, a Lei de Terras.

A Abolição sem distribuição de patrimônio.

A permanência da concentração fundiária.

A modernização agrícola.

Agora, na década de 1960, a reforma agrária voltava ao centro do debate nacional.

A questão permanecia:

como ampliar a participação econômica sem destruir a capacidade produtiva?

Essa pergunta continua atual.

1964

Em 1964, o governo João Goulart foi derrubado.

Brizola deixou o Brasil e passou anos no exílio.

O projeto político das Reformas de Base foi interrompido.

O país entrou em duas décadas de regime militar.

Mas as ideias relacionadas à educação, desenvolvimento e soberania não desapareceram.

Brizola continuaria defendendo essas questões mesmo fora do país.

O exílio

Durante o exílio, Brizola manteve atividade política.

A experiência de viver fora do Brasil também reforçou sua oposição ao regime militar.

Quando o processo de abertura política começou, Brizola voltou ao país.

Mas encontrou um cenário político diferente.

O Brasil havia se industrializado.

As cidades haviam crescido.

A classe trabalhadora havia se transformado.

Novos movimentos sociais surgiram.

E a questão da educação havia adquirido ainda maior importância.

A redemocratização

Com o fim do regime militar, Brizola voltou a disputar espaço na política brasileira.

Em 1982, foi eleito governador do Rio de Janeiro.

Sua segunda experiência de governo seria marcada novamente pela educação.

Foi nesse período que surgiram os Centros Integrados de Educação Pública, os CIEPs.

Os CIEPs

Os CIEPs foram concebidos como escolas de tempo ampliado.

A ideia era oferecer não apenas ensino tradicional.

O projeto buscava integrar:

educação + alimentação + atividades culturais + esporte + cuidados básicos + formação integral.

A escola deveria ocupar uma parte significativa do cotidiano da criança.

A proposta partia de uma compreensão ampla da infância.

A criança não precisava apenas de uma sala de aula.

Precisava de condições para aprender, alimentar-se, brincar, praticar esportes e desenvolver diferentes capacidades.

Darcy Ribeiro

O projeto dos CIEPs contou com participação fundamental do antropólogo, educador e político Darcy Ribeiro.

Darcy compartilhava a visão de que a educação pública precisava alcançar principalmente as crianças das camadas populares.

A escola deveria funcionar como instrumento de redução das desigualdades.

Não apenas oferecendo conteúdo.

Mas criando condições para que a criança permanecesse na escola por mais tempo e tivesse acesso a diferentes experiências.

Educação e mobilidade social

Aqui retornamos diretamente à tese desta série.

No início, a questão era:

quem possui a terra?

Depois:

quem possui o capital?

Mais tarde:

quem controla a indústria e a energia?

Agora aparece outra dimensão:

quem possui conhecimento?

O conhecimento não substitui a terra, o capital ou a propriedade.

Mas pode modificar profundamente a capacidade de uma pessoa participar da economia.

Uma criança que recebe educação de qualidade pode adquirir uma profissão.

Criar uma empresa.

Ingressar em uma universidade.

Desenvolver tecnologia.

Produzir conhecimento.

Aumentar sua renda.

Construir patrimônio.

A educação pode, portanto, ampliar a mobilidade social.

Brizola e a propriedade

É importante compreender que a defesa da educação por Brizola não estava separada de sua visão econômica.

Para ele, não bastava distribuir renda.

Era necessário criar condições para que a população tivesse instrumentos próprios de desenvolvimento.

Nesse sentido, educação e trabalho estavam relacionados.

Uma pessoa educada poderia aumentar sua produtividade.

Um trabalhador qualificado poderia alcançar melhores oportunidades.

Uma sociedade educada poderia desenvolver tecnologia própria.

O país poderia reduzir sua dependência externa.

Soberania nacional

A ideia de soberania aparece novamente.

Durante a Era Vargas, ela esteve ligada ao petróleo.

Durante Juscelino, esteve relacionada à capacidade de industrialização.

Durante o regime militar, apareceu nos grandes projetos de energia, infraestrutura e indústria pesada.

Na trajetória de Brizola, a soberania também passava pela educação.

Porque um país que não domina conhecimento e tecnologia permanece dependente daqueles que os dominam.

Essa questão tornou-se ainda mais importante com a chegada da economia tecnológica.

A educação como meio de produção

Essa talvez seja uma das maiores transformações da história econômica.

No passado, a riqueza estava fortemente associada à terra.

Depois, o capital industrial ganhou importância.

Mais tarde, máquinas, energia e infraestrutura tornaram-se fundamentais.

Hoje, tecnologia, informação, ciência e conhecimento possuem peso crescente.

Isso significa que uma política educacional também pode ser uma política econômica.

Formar pessoas é formar capacidade produtiva.

Brizola e o Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, os CIEPs tornaram-se uma das marcas mais conhecidas do governo Brizola.

Mas sua trajetória política não se limitou à educação.

Brizola também defendia infraestrutura, transporte, desenvolvimento regional e fortalecimento da autonomia nacional.

Sua visão estava inserida em uma tradição política que entendia o Estado como instrumento de desenvolvimento.

Seus adversários, por outro lado, criticavam custos, métodos administrativos e concepções políticas associadas ao projeto.

Assim como ocorreu com Vargas, sua trajetória não pode ser reduzida a uma única interpretação.

O debate que permanece

A experiência de Brizola coloca uma questão fundamental:

qual é o papel do Estado na formação das oportunidades?

Se uma criança nasce em uma família com patrimônio, boa educação, acesso à tecnologia e redes de relacionamento, suas possibilidades são maiores.

Se outra nasce sem essas condições, pode enfrentar obstáculos muito maiores.

O Estado pode tentar reduzir essa diferença oferecendo:

educação;

saúde;

infraestrutura;

crédito;

qualificação;

segurança;

acesso à tecnologia.

Mas isso não significa necessariamente eliminar a propriedade privada ou substituir o mercado.

Pode significar criar condições para que mais pessoas tenham capacidade de participar dele.

A grande continuidade

Assim, a trajetória que começou com a terra chega a uma nova dimensão.

No Brasil colonial:

terra.

No Império:

terra + comércio + café + capital.

Na República:

terra + indústria + bancos + trabalho assalariado.

Na Era Vargas:

Estado + indústria + energia + petróleo + trabalho.

No período de Juscelino:

infraestrutura + indústria + capital estrangeiro + mercado interno.

Durante o regime militar:

energia + indústria pesada + infraestrutura + tecnologia + agricultura moderna.

Na trajetória de Brizola:

educação + desenvolvimento + soberania + oportunidade.

A estrutura econômica tornou-se cada vez mais complexa.

Mas a pergunta original continua válida:

quem possui os instrumentos necessários para produzir riqueza?

Da terra ao conhecimento

Talvez seja possível resumir toda essa trajetória em uma transformação:

A terra foi o grande instrumento de poder do Brasil agrário.

O capital industrial tornou-se fundamental para o Brasil moderno.

A energia permitiu a expansão da indústria.

A infraestrutura integrou o território.

A tecnologia aumentou a produtividade.

E o conhecimento passou a determinar, cada vez mais, quem consegue participar da economia contemporânea.

A questão da oportunidade, portanto, adquiriu uma nova dimensão.

Não basta possuir liberdade jurídica.

É preciso ter condições reais para utilizá-la.

O Brasil depois da industrialização

Ao final do século XX, o Brasil já havia passado por uma transformação gigantesca.

Era uma sociedade urbana.

Industrial.

Tecnológica.

Com agricultura altamente produtiva em diversos setores.

Com grandes empresas nacionais.

Com multinacionais.

Com universidades.

Com instituições científicas.

Com infraestrutura energética.

Com um grande mercado interno.

Mas também com desigualdade.

Concentração patrimonial.

Diferenças regionais.

Problemas educacionais.

E uma dívida histórica relacionada ao acesso às oportunidades.

O país havia mudado.

A pergunta, entretanto, permanecia.

Como transformar desenvolvimento econômico em mobilidade social?

Essa será a questão central da próxima etapa.

Porque, a partir da década de 1980, o Brasil entrará em uma nova fase:

a redemocratização, a crise da inflação, a abertura econômica e a estabilização da moeda.

E, nesse novo cenário, a relação entre Estado, mercado, capital, propriedade e oportunidade será novamente redefinida.

Continua.

Parte VII - 1964, o regime militar e a construção de um novo Brasil

 

A história brasileira havia chegado a um ponto de grande transformação.

O país já não era predominantemente agrário.

A industrialização havia avançado.

As cidades cresciam.

O mercado interno se expandia.

A agricultura começava a incorporar novas tecnologias.

A energia e a infraestrutura passaram a ser consideradas estratégicas.

Mas as desigualdades continuavam profundas.

A questão da terra permanecia sem solução.

A educação ainda não alcançava toda a população de maneira igual.

E o debate político estava cada vez mais polarizado.

Em 1964, essa tensão chegou ao limite.

A ruptura institucional de 1964

Em março e abril de 1964, uma ruptura institucional levou João Goulart a deixar a Presidência da República.

Os militares assumiram o controle do governo.

O novo regime justificou a intervenção como necessária para preservar a ordem política e combater aquilo que considerava uma ameaça à estabilidade nacional.

Mas o resultado foi a instalação de uma ditadura.

Direitos políticos foram restringidos.

O Congresso sofreu intervenções.

Houve cassações de mandatos.

A censura foi ampliada.

Oposição política foi perseguida.

A liberdade de expressão sofreu fortes limitações.

A economia, entretanto, continuou sendo transformada.

E essa combinação é essencial para compreender o período.

Autoritarismo e desenvolvimento

O regime militar não abandonou o projeto de industrialização.

Ao contrário.

O Estado continuou investindo fortemente em:

energia + transporte + telecomunicações + indústria + infraestrutura + pesquisa tecnológica.

Grandes projetos foram planejados.

Empresas estatais ganharam importância.

O planejamento econômico passou a ocupar posição central.

O objetivo era transformar o Brasil em uma potência industrial.

O país deveria crescer, modernizar sua infraestrutura e ampliar sua capacidade produtiva.

O Estado como grande investidor

Durante esse período, o Estado assumiu papel ainda maior na economia.

Empresas estatais atuaram em setores considerados estratégicos.

Petróleo.

Energia elétrica.

Mineração.

Telecomunicações.

Transportes.

Siderurgia.

Infraestrutura.

A lógica era que determinados setores exigiam investimentos tão grandes e de retorno tão longo que o Estado deveria participar diretamente.

Essa estratégia produziria resultados importantes.

Mas também aumentaria significativamente o tamanho e o poder econômico do Estado.

A expansão da infraestrutura

Grandes rodovias foram construídas.

A infraestrutura energética foi ampliada.

Novas hidrelétricas surgiram.

As redes de telecomunicações cresceram.

A indústria pesada avançou.

O país começou a construir uma infraestrutura compatível com uma economia industrial de grande escala.

O território brasileiro começava a ser conectado por uma rede cada vez mais ampla de estradas, energia e comunicação.

Mais uma vez, a infraestrutura transformava o território.

A expansão da eletrificação

A energia elétrica tornou-se uma das grandes bases do desenvolvimento.

A industrialização exigia grandes quantidades de eletricidade.

As cidades também precisavam de energia para iluminação, transporte e serviços.

A construção de grandes hidrelétricas tornou-se uma política estratégica.

A água dos grandes rios brasileiros passou a ser vista não apenas como recurso natural, mas como instrumento de desenvolvimento econômico.

O Brasil possuía uma vantagem geográfica:

grande disponibilidade de recursos hídricos.

Isso permitiu construir uma matriz elétrica fortemente baseada na geração hidrelétrica.

Itaipu

Um dos maiores símbolos desse período foi a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, realizada em parceria entre Brasil e Paraguai.

O projeto demonstrava a dimensão que os grandes empreendimentos haviam alcançado.

Não se tratava mais de construir apenas uma fábrica ou uma ferrovia.

Era possível transformar grandes territórios por meio de obras de infraestrutura de escala continental.

Itaipu tornou-se uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo.

A energia produzida ajudaria a sustentar a expansão econômica das décadas seguintes.

A indústria pesada

A industrialização avançou para setores mais complexos.

Siderurgia.

Petroquímica.

Bens de capital.

Máquinas.

Equipamentos.

Química.

Automóveis.

Construção pesada.

O Brasil buscava deixar de ser apenas consumidor de produtos industriais estrangeiros.

A meta era construir uma cadeia produtiva nacional mais completa.

A pergunta econômica havia mudado novamente.

Não bastava mais:

quem possui a terra?

Agora era necessário perguntar:

quem possui a indústria e a tecnologia necessárias para produzir?

O chamado “Milagre Econômico”

Entre aproximadamente 1968 e 1973, o Brasil experimentou taxas elevadas de crescimento econômico.

Esse período ficou conhecido como Milagre Econômico.

A indústria cresceu.

As obras de infraestrutura se multiplicaram.

O emprego urbano aumentou.

O consumo de determinados setores da população se expandiu.

O país cresceu rapidamente.

Mas o crescimento veio acompanhado de concentração de renda.

O desenvolvimento não beneficiou todos os grupos sociais da mesma maneira.

A economia crescia.

Mas a desigualdade permanecia elevada.

Crescimento não é distribuição

Essa experiência ajuda a reforçar uma das teses centrais desta série.

Crescimento econômico e distribuição de renda não são a mesma coisa.

Um país pode produzir mais.

Pode construir mais.

Pode exportar mais.

Pode aumentar o Produto Interno Bruto.

E, ainda assim, manter grandes parcelas da população em condições econômicas precárias.

Por isso, avaliar o desenvolvimento exige observar também:

quem participa do crescimento?

quem possui patrimônio?

quem tem acesso à educação?

quem consegue crédito?

quem consegue transformar crescimento econômico em mobilidade social?

A modernização do campo

Durante o regime militar, o campo também passou por profundas transformações.

Máquinas agrícolas começaram a se expandir.

O uso de fertilizantes e defensivos aumentou.

Novas técnicas de produção foram incorporadas.

A pesquisa agrícola ganhou importância.

A produtividade cresceu em diversas culturas.

O Brasil começou a construir as bases do agronegócio moderno.

Mas essa modernização não ocorreu de maneira uniforme.

Algumas regiões e produtores tiveram maior acesso a tecnologia, crédito e infraestrutura.

Outros permaneceram em sistemas de produção mais tradicionais.

A modernização agrícola aumentou a produtividade, mas não eliminou a concentração fundiária.

A transformação do cerrado

Uma das grandes mudanças posteriores foi a expansão da agricultura para áreas do Centro-Oeste.

O desenvolvimento de tecnologias capazes de adaptar a produção agrícola às características do cerrado permitiu ampliar significativamente a fronteira agrícola.

Essa transformação teria consequências enormes.

O Brasil passaria a produzir em escala muito maior soja, milho, carnes e outros produtos.

O campo brasileiro se tornaria cada vez mais integrado à indústria.

Sementes.

Máquinas.

Fertilizantes.

Armazenamento.

Logística.

Processamento.

Exportação.

O agronegócio moderno começava a se consolidar como uma grande cadeia econômica.

A criação da Embrapa

Em 1973, foi criada a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária — Embrapa.

A pesquisa científica passou a ocupar posição estratégica na transformação da agricultura brasileira.

O desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições tropicais foi fundamental para ampliar a produtividade.

Essa experiência demonstra novamente a importância do conhecimento como meio de produção.

A terra continuava necessária.

Mas a capacidade de produzir mais em determinada área dependia cada vez mais de:

ciência + tecnologia + pesquisa + infraestrutura + capital humano.

A equação econômica estava mudando.

O petróleo e a energia

A expansão econômica também aumentou a necessidade de petróleo.

O Brasil ainda dependia fortemente das importações.

Essa dependência tornou-se um problema grave na década de 1970.

Em 1973, ocorreu a primeira grande crise internacional do petróleo.

Os preços dispararam.

Países importadores foram fortemente afetados.

O Brasil estava entre eles.

A crise revelou uma vulnerabilidade:

um país industrial precisa controlar ou garantir fontes seguras de energia.

O choque do petróleo

O aumento do preço do petróleo elevou os custos de transporte, produção e importação.

A economia brasileira sofreu pressão.

A inflação voltou a se tornar um problema.

A dívida externa começou a crescer.

O governo buscou novas alternativas.

Uma delas seria fundamental para a história energética brasileira:

o álcool combustível.

O Proálcool

Em 1975, foi criado o Programa Nacional do Álcool — Proálcool.

A ideia era utilizar a produção de cana-de-açúcar para substituir parte da gasolina.

O programa estimulou:

  • produção de etanol;
  • desenvolvimento tecnológico;
  • adaptação de motores;
  • expansão da indústria sucroalcooleira;
  • pesquisa energética.

O Brasil começava a desenvolver uma alternativa própria para reduzir a dependência do petróleo importado.

Mais uma vez, a agricultura e a indústria se encontravam.

Cana → usina → combustível → transporte → economia.

Geisel e a segunda fase do desenvolvimento

O governo de Ernesto Geisel, iniciado em 1974, herdou uma economia pressionada pelo choque do petróleo.

Sua resposta foi ampliar os investimentos estruturais.

O chamado II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) buscou fortalecer setores como:

energia + petroquímica + siderurgia + mineração + bens de capital + infraestrutura.

A lógica era enfrentar a crise externa construindo maior capacidade produtiva interna.

Era uma aposta de longo prazo.

O preço da estratégia

Mas havia um problema.

Grandes projetos exigiam enormes volumes de capital.

Como os recursos internos eram insuficientes, o Brasil recorreu intensamente ao financiamento externo.

Durante determinado período, isso pareceu sustentável.

Mas o cenário internacional mudou.

As taxas de juros internacionais aumentaram.

A dívida externa brasileira tornou-se cada vez mais pesada.

O modelo de crescimento baseado em grande endividamento começou a apresentar seus limites.

A crise dos anos 1980

No início da década de 1980, o Brasil entrou em uma profunda crise econômica.

Inflação elevada.

Dívida externa.

Baixo crescimento.

Desemprego.

Perda de poder de compra.

A sociedade começou a sentir os efeitos acumulados de anos de desequilíbrio.

O projeto desenvolvimentista precisava ser repensado.

O Estado continuava grande.

Mas sua capacidade de investir diminuía.

A abertura política

Ao mesmo tempo, o regime militar começava a perder força.

A sociedade pressionava pela redemocratização.

Movimentos sociais, sindicatos, organizações civis e setores políticos passaram a exigir maior liberdade.

A abertura foi gradual.

Em 1985, o regime militar chegou ao fim.

O Brasil entrava novamente em uma fase democrática.

Mas carregava uma economia profundamente transformada.

Era um país industrial.

Urbanizado.

Energético.

Mais integrado territorialmente.

Com grandes empresas estatais.

Com uma agricultura moderna em expansão.

Com uma dívida externa elevada.

E com uma inflação que se tornaria um dos maiores problemas da Nova República.

E onde entra Brizola?

É nesse ponto da história que Leonel Brizola ganha importância.

Brizola havia sido governador do Rio Grande do Sul e, posteriormente, do Rio de Janeiro.

Sua trajetória estava ligada a uma visão de desenvolvimento que colocava educação, infraestrutura, soberania nacional e participação do Estado no centro do projeto político.

Sua história também se conecta diretamente ao período anterior a 1964.

Mas há uma razão ainda mais importante para colocá-lo neste ponto da narrativa:

Brizola representa uma das diferentes correntes que disputaram o significado do desenvolvimento brasileiro durante o século XX.

Para compreender sua trajetória, será necessário voltar um pouco no tempo.

Porque Brizola não surgiu apenas como personagem da redemocratização.

Sua formação política está ligada ao trabalhismo de Getúlio Vargas, à experiência de João Goulart e à crise política que antecedeu 1964.

E há ainda outra questão que merece ser compreendida:

por que a educação se tornou, para Brizola, uma questão estratégica de desenvolvimento?

Essa será a próxima etapa da nossa história.

Continua.

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