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"Inspirado em Heidegger, Brincadeira Sustentável (por Renata Bravo) não se apresenta como um conteúdo a ser decorado, mas como uma experiência a ser digerida, vivida e incorporada."

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Parte XLV - O Brasil na nova ordem mundial: território, recursos e poder

 Depois das transformações econômicas e políticas das últimas décadas, o Brasil entrou em uma nova etapa.

A questão já não é apenas como organizar a economia nacional.

É também compreender qual é o lugar do Brasil no mundo.

Porque, no século XXI, nenhuma grande economia consegue se desenvolver completamente isolada.

Capital circula entre países.

Tecnologia atravessa fronteiras.

Mercadorias percorrem continentes.

Energia influencia decisões estratégicas.

E os recursos naturais voltaram a ocupar uma posição central na geopolítica.

Um território extraordinário

O Brasil possui uma das maiores extensões territoriais do planeta.

Esse território reúne:

água + terras agrícolas + florestas + minerais + petróleo + biodiversidade + sol + vento.

Essa combinação oferece uma vantagem estratégica.

Mas também produz responsabilidades.

Recursos naturais não são riqueza automática

Ter recursos naturais não significa necessariamente transformá-los em desenvolvimento.

A história mundial demonstra que países ricos em recursos podem permanecer pobres quando não conseguem transformar suas riquezas naturais em:

infraestrutura + conhecimento + indústria + produtividade + instituições.

O recurso é apenas o ponto de partida.

A Amazônia

A Amazônia ocupa posição especial nessa discussão.

Ela possui importância ambiental, econômica, científica e geopolítica.

Sua biodiversidade pode gerar conhecimento.

Seus rios possuem importância energética e logística.

Seus recursos naturais possuem valor econômico.

Mas sua preservação também é fundamental para o equilíbrio ambiental.

Preservação e desenvolvimento

A discussão não precisa ser apresentada como uma escolha absoluta entre:

preservar ou desenvolver.

A verdadeira questão é:

como desenvolver sem destruir aquilo que possui valor econômico, ambiental e estratégico para as próximas gerações?

A biodiversidade como patrimônio

Durante muito tempo, a natureza foi vista principalmente como fonte de matérias-primas.

Hoje, biodiversidade também pode representar:

pesquisa + medicamentos + biotecnologia + alimentos + cosméticos + novos materiais.

O conhecimento pode transformar biodiversidade em inovação.

Mas existe um risco

Se o país possui biodiversidade, mas não desenvolve ciência e tecnologia para estudá-la, outros países podem capturar grande parte do valor criado a partir desse conhecimento.

Mais uma vez:

recurso sem conhecimento pode gerar dependência.

Mineração

O mesmo raciocínio vale para os minerais.

O Brasil possui importantes reservas minerais.

Minério de ferro, por exemplo, possui enorme importância para as exportações brasileiras.

Mas existe uma diferença entre exportar minério e produzir bens industriais sofisticados a partir dele.

O valor agregado

Quanto mais etapas produtivas são realizadas dentro do país, maior pode ser o valor econômico gerado.

Extrair.

Beneficiar.

Transformar.

Fabricar.

Desenvolver tecnologia.

Criar produtos.

A cadeia pode ser muito mais longa do que a simples exportação da matéria-prima.

O petróleo do século XXI

A descoberta e exploração do pré-sal transformaram novamente a posição energética brasileira.

O Brasil ampliou significativamente sua capacidade de produção de petróleo.

A tecnologia desenvolvida para exploração em águas profundas tornou-se um patrimônio de conhecimento.

A tecnologia como vantagem estratégica

O pré-sal demonstra uma mudança importante.

Não basta possuir petróleo.

É necessário possuir tecnologia para encontrá-lo e produzi-lo em condições complexas.

Nesse caso:

recurso natural + ciência + engenharia = capacidade econômica.

Energia renovável

Ao mesmo tempo, o Brasil possui uma matriz energética com participação relevante de fontes renováveis.

Hidrelétrica.

Biocombustíveis.

Eólica.

Solar.

Essa característica pode se tornar uma vantagem em um mundo que busca reduzir emissões de gases de efeito estufa.

A transição energética mundial

Países estão investindo em novas formas de geração e armazenamento de energia.

Isso modifica mercados tradicionais.

Petróleo continua importante.

Mas novas tecnologias começam a ganhar espaço.

Uma oportunidade brasileira

O Brasil pode participar dessa transformação utilizando suas vantagens naturais.

Sol.

Vento.

Biomassa.

Água.

Território.

Mas, novamente, o diferencial será a capacidade tecnológica.

A geopolítica dos alimentos

Existe outra dimensão estratégica:

alimentação.

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo.

Isso significa que sua importância ultrapassa a economia doméstica.

A produção brasileira participa da segurança alimentar de diversos países.

Mas segurança alimentar começa dentro do país

Um grande exportador também precisa garantir abastecimento interno.

Isso exige equilíbrio entre:

exportação + mercado interno + produção familiar + produção empresarial + estoques + logística.

Agricultura familiar e agronegócio

Não existe necessidade econômica de tratar esses segmentos como inimigos.

Eles possuem funções diferentes e podem coexistir.

A agricultura familiar pode ter forte presença no abastecimento e em mercados regionais.

Grandes produtores podem operar em cadeias de exportação de grande escala.

Cooperativas podem conectar produtores menores a mercados maiores.

A logística

Produzir é apenas uma parte da equação.

É necessário transportar.

Armazenar.

Processar.

Exportar.

Uma produção agrícola altamente eficiente pode perder competitividade se não possuir infraestrutura logística adequada.

Ferrovias, rodovias e portos

Voltamos novamente à questão que já apareceu no século XIX com as ferrovias de Mauá e posteriormente durante a industrialização.

Infraestrutura determina a capacidade econômica de um território.

O território brasileiro ainda precisa ser integrado

Existem regiões com excelente infraestrutura.

Outras ainda enfrentam dificuldades de transporte, energia, saneamento e conectividade.

A desigualdade territorial continua sendo um obstáculo ao desenvolvimento.

A infraestrutura digital

Agora surgiu uma nova dimensão.

Uma região pode estar fisicamente distante dos grandes centros e, ainda assim, participar da economia global se possuir conectividade adequada.

Internet tornou-se infraestrutura.

Da estrada à fibra óptica

No passado, integrar o território significava construir:

estradas + ferrovias + portos.

Hoje também significa construir:

redes de comunicação + data centers + infraestrutura digital.

A nova economia não elimina a antiga

Uma fazenda moderna precisa de internet.

Uma fábrica moderna precisa de energia e dados.

Um porto moderno precisa de sistemas digitais.

Um banco depende de tecnologia.

Um hospital depende de conectividade.

A economia física e a economia digital estão cada vez mais integradas.

A disputa pelo conhecimento

As grandes potências mundiais disputam atualmente:

chips + inteligência artificial + computação + energia + minerais estratégicos + biotecnologia.

O conhecimento tornou-se elemento de poder nacional.

O Brasil e os minerais críticos

A transição energética aumenta a importância de determinados minerais utilizados em baterias, equipamentos eletrônicos e tecnologias avançadas.

Isso cria uma nova oportunidade para países com recursos minerais.

Mas também cria o risco de repetir um modelo antigo:

exportar matéria-prima e importar tecnologia.

A escolha estratégica

O Brasil pode simplesmente vender recursos.

Ou pode buscar desenvolver:

processamento + indústria + pesquisa + tecnologia + formação profissional.

A segunda alternativa exige mais investimento e planejamento, mas pode gerar maior valor agregado.

A nova industrialização

Talvez a questão industrial do século XXI seja diferente daquela enfrentada por Vargas ou Juscelino.

Não se trata apenas de construir fábricas.

É necessário construir capacidade tecnológica.

Indústria 4.0

Robótica.

Automação.

Inteligência artificial.

Internet das coisas.

Big data.

Impressão 3D.

Essas tecnologias estão transformando a produção industrial.

O trabalhador também muda

O trabalhador do futuro precisará combinar habilidades técnicas com capacidade de adaptação.

A educação profissional torna-se cada vez mais importante.

A formação não termina com a escola.

O aprendizado precisa acompanhar a transformação tecnológica.

O desafio da educação

Essa talvez seja uma das maiores questões brasileiras.

Não basta ampliar o acesso à escola.

É preciso melhorar a aprendizagem.

Ensinar matemática.

Ciência.

Leitura.

Tecnologia.

Pensamento crítico.

Capacidade de resolver problemas.

Educação como política econômica

Educação não é apenas política social.

É também política de desenvolvimento.

Um país que não forma trabalhadores qualificados terá dificuldade para atrair investimentos tecnológicos.

Capital humano

O termo pode parecer econômico, mas possui uma dimensão social profunda.

Cada pessoa carrega conhecimento, experiência e capacidade produtiva.

Quanto maior a qualidade dessa formação, maior pode ser sua contribuição para a economia.

A democracia também entra nessa equação

Desenvolvimento econômico sustentável depende de instituições confiáveis.

Empresas precisam de segurança jurídica.

Investidores precisam de previsibilidade.

Trabalhadores precisam de direitos.

Cidadãos precisam de liberdade.

O Estado precisa prestar contas.

Instituições importam

A história demonstra que recursos naturais, por si só, não garantem prosperidade.

Países que possuem instituições estáveis tendem a possuir maior capacidade de planejar no longo prazo.

A propriedade também mudou

A propriedade continua sendo importante.

Mas hoje pode assumir formas diferentes:

terra + imóveis + empresas + ações + patentes + marcas + software + dados.

O conceito de patrimônio tornou-se muito mais amplo.

A grande transformação

Voltamos à pergunta da primeira parte.

Quem controla os meios de produção possui maior capacidade de influenciar a economia.

Mas os meios de produção do século XXI são muito mais variados.

Podem ser físicos.

Financeiros.

Tecnológicos.

Intelectuais.

Digitais.

A nova questão da oportunidade

Se o conhecimento tornou-se um meio de produção, então democratizar o acesso ao conhecimento passa a ser também uma questão econômica.

Uma criança que aprende ciência e tecnologia não está apenas estudando.

Está adquirindo uma ferramenta de participação futura na economia.

O Brasil diante de uma escolha

O país possui condições excepcionais.

Mas precisa decidir como utilizar essas vantagens.

Pode continuar sendo grande exportador de commodities.

Pode avançar na industrialização.

Pode desenvolver tecnologia.

Pode combinar as três coisas.

A escolha não precisa ser excludente.

Uma economia de múltiplas forças

O Brasil pode ser simultaneamente:

potência agrícola + potência energética + potência mineral + economia industrial + mercado consumidor + produtor de tecnologia.

Mas isso exige coordenação.

O papel do Estado

O Estado pode:

regular + planejar + investir + financiar ciência + construir infraestrutura + garantir educação.

Mas empresas precisam:

produzir + investir + inovar + competir + gerar empregos.

E a sociedade precisa participar desse processo.

A questão central

O verdadeiro desafio não é escolher entre Estado e mercado.

É construir instituições capazes de fazer com que:

Estado + empresas + trabalhadores + universidades + sociedade

produzam desenvolvimento.

A longa história chega a um novo ponto

Começamos falando de terra.

Passamos pelo açúcar.

O ouro.

O café.

As ferrovias.

Mauá.

A industrialização.

Vargas.

Juscelino.

A energia.

A Petrobras.

A crise.

A estabilização.

A globalização.

As commodities.

A tecnologia.

Agora chegamos ao ponto em que todos esses elementos se encontram.

A nova fronteira do desenvolvimento

No século XXI, talvez a maior riqueza de um país não esteja apenas no que ele possui.

Mas naquilo que ele consegue transformar.

Transformar:

terra em alimento;

água em energia;

petróleo em tecnologia;

minério em indústria;

biodiversidade em conhecimento;

conhecimento em inovação;

inovação em produtividade;

produtividade em oportunidades.

Essa transformação é o verdadeiro desafio.

E a pergunta permanece

A história brasileira mostrou que o país possui recursos.

O que nem sempre conseguiu foi transformar esses recursos em oportunidades distribuídas de maneira suficientemente ampla.

Por isso, a grande questão do século XXI não é apenas:

“Quanto o Brasil possui?”

É:

“O que o Brasil consegue fazer com aquilo que possui?”

E, principalmente:

“Quem terá condições de participar dessa transformação?”

A resposta dependerá de educação, infraestrutura, produtividade, instituições, capital, ciência, tecnologia e capacidade de construir oportunidades.

A história continua.

Mas a próxima etapa nos levará a uma questão ainda mais profunda:

se terra, capital, indústria, energia e tecnologia foram sucessivamente incorporados à economia brasileira, o que acontece quando o conhecimento passa a ser o principal instrumento de poder?

Continua.

Parte XLIV - A crise dos anos 2010: quando crescimento, Estado e confiança entraram em conflito

 O Brasil entrou no século XXI carregando uma estrutura econômica muito diferente daquela que existia no período colonial.

A agricultura havia se modernizado.

A indústria estava consolidada.

O setor de serviços havia se tornado dominante.

O sistema financeiro era sofisticado.

O país possuía universidades, centros de pesquisa e grandes empresas.

A democracia estava institucionalizada.

Mas uma questão continuava presente:

como manter o crescimento econômico sem comprometer a estabilidade das contas públicas, da moeda e da capacidade de investimento?

Essa pergunta se tornaria especialmente importante a partir da década de 2010.

Um período de expansão

Nos primeiros anos do século XXI, o Brasil viveu um período de crescimento favorecido por vários fatores.

A economia mundial estava em expansão.

A demanda internacional por commodities aumentava.

Os preços de produtos como minério de ferro, soja e petróleo favoreciam as exportações brasileiras.

Ao mesmo tempo, o mercado interno crescia.

O ciclo das commodities

A expansão das commodities trouxe receitas importantes para o país.

Exportações maiores significavam entrada de dólares.

Estados e municípios produtores receberam receitas.

Empresas ampliaram investimentos.

O agronegócio ganhou ainda mais importância.

A China entra definitivamente na equação

A expansão econômica chinesa aumentou fortemente a demanda por matérias-primas.

Para o Brasil, isso significou uma oportunidade extraordinária.

O país possuía exatamente alguns dos produtos procurados pelo mercado internacional:

minério de ferro + soja + petróleo + carnes + celulose + açúcar.

Mas existe um risco

Quando uma economia depende fortemente de produtos cujos preços são definidos internacionalmente, seus resultados podem oscilar.

Durante o ciclo de alta, as receitas crescem.

Quando os preços caem, as receitas diminuem.

Por isso, crescimento baseado em commodities precisa ser acompanhado de diversificação.

O mercado interno cresce

Ao mesmo tempo, milhões de brasileiros passaram a consumir mais.

Houve expansão do emprego formal em diversos períodos.

O crédito aumentou.

O salário mínimo teve ganhos reais em diferentes anos.

Programas de transferência de renda ampliaram a proteção social.

Inclusão econômica

Esse processo produziu uma transformação importante.

Famílias que anteriormente estavam excluídas de determinados mercados passaram a ter acesso a:

eletrodomésticos + automóveis + crédito + serviços + educação.

O mercado consumidor brasileiro se expandiu.

Mas inclusão pelo consumo tem limites

Comprar mais não significa necessariamente acumular patrimônio.

Uma família pode melhorar seu padrão de consumo sem construir uma reserva financeira ou adquirir ativos produtivos.

Por isso, desenvolvimento precisa combinar:

renda + patrimônio + educação + produtividade.

O investimento público

Durante esse período, o Estado também ampliou investimentos em infraestrutura e programas de desenvolvimento.

Grandes projetos foram planejados.

Energia.

Transportes.

Habitação.

Saneamento.

Infraestrutura urbana.

O papel dos bancos públicos

Bancos públicos tiveram participação importante no financiamento de investimentos.

O crédito de longo prazo foi utilizado para apoiar empresas e projetos considerados estratégicos.

A lógica era estimular o investimento privado por meio de financiamento.

Mas crédito não é capital infinito

Todo crédito precisa ser financiado.

Quando o Estado ou uma instituição pública amplia empréstimos, é necessário avaliar:

risco + retorno + capacidade de pagamento + impacto fiscal.

O crédito pode acelerar o desenvolvimento.

Mas também pode aumentar vulnerabilidades quando utilizado sem equilíbrio.

A desaceleração

A economia mundial começou a mudar.

Os preços das commodities perderam força.

O crescimento brasileiro desacelerou.

Ao mesmo tempo, alguns desequilíbrios internos começaram a aparecer.

O problema fiscal

O Estado precisava financiar:

saúde + educação + previdência + infraestrutura + programas sociais + investimentos.

Mas as receitas não cresciam no mesmo ritmo.

A questão fiscal tornou-se cada vez mais importante.

A confiança

Economia também depende de expectativas.

Empresas investem quando acreditam que haverá demanda, estabilidade e segurança para recuperar o capital investido.

Famílias consomem quando possuem confiança na própria renda.

Investidores procuram previsibilidade.

Quando a confiança diminui, o investimento pode cair.

A crise política

A crise econômica ocorreu simultaneamente a uma crise política de grandes proporções.

Investigações sobre corrupção atingiram empresas, partidos e autoridades.

A Operação Lava Jato tornou-se um dos acontecimentos políticos mais importantes do período.

A Petrobras novamente no centro

A Petrobras, que havia aparecido na nossa história como símbolo da busca brasileira por soberania energética, voltou ao centro do debate.

Dessa vez, em razão das investigações sobre contratos e corrupção envolvendo empresas e agentes políticos.

A questão institucional

O episódio mostrou algo importante:

empresas estatais possuem enorme importância econômica, mas também precisam de mecanismos fortes de governança e controle.

Quanto maior a empresa e maior seu orçamento, maior também precisa ser a transparência.

Estado e empresa

A discussão retorna novamente.

Uma empresa estatal pode atuar em setores estratégicos.

Mas precisa possuir:

governança + transparência + eficiência + controle.

A propriedade pública, por si só, não garante eficiência.

Da mesma maneira, a propriedade privada, por si só, não garante ausência de problemas.

A recessão

Em 2015 e 2016, o Brasil enfrentou uma forte recessão.

A produção caiu.

O desemprego aumentou.

Empresas reduziram investimentos.

Famílias perderam renda.

A arrecadação pública foi afetada.

A crise revela fragilidades

Quando a economia cresce, alguns problemas podem permanecer escondidos.

Quando o crescimento desaparece, aparecem com maior clareza:

baixa produtividade + infraestrutura insuficiente + desequilíbrios fiscais + dependência de commodities + desigualdades regionais.

O impeachment

Em 2016, a presidente Dilma Rousseff deixou o cargo após um processo de impeachment aprovado pelo Congresso Nacional.

Michel Temer assumiu a Presidência.

O país entrou em nova etapa política.

A busca por reformas

O novo governo apresentou propostas voltadas à estabilização das contas públicas e à recuperação da economia.

A discussão sobre reformas ganhou força.

Previdência.

Trabalho.

Gastos públicos.

Tributação.

Ambiente de negócios.

A questão fiscal retorna

Mais uma vez, chegamos à mesma pergunta:

como financiar o Estado sem comprometer a capacidade de crescimento da economia?

Não existe resposta simples.

Se o Estado arrecada pouco, pode faltar recurso para serviços e investimentos.

Se arrecada excessivamente ou de maneira distorcida, pode prejudicar produção, investimento e consumo.

A reforma trabalhista

Em 2017, foi aprovada uma reforma da legislação trabalhista.

O objetivo declarado era modernizar relações de trabalho, aumentar flexibilidade e estimular a formalização e o emprego.

Os críticos apontaram riscos de precarização.

O debate demonstrou que a relação entre trabalho e capital continua sendo uma das grandes questões do desenvolvimento.

A Previdência

Outro grande debate foi a reforma da Previdência.

O envelhecimento da população aumenta a pressão sobre sistemas previdenciários.

Quanto maior a proporção de idosos, maior a necessidade de planejamento de longo prazo.

Demografia também é economia

Uma sociedade que envelhece precisa pensar em:

produtividade + previdência + saúde + mercado de trabalho + tecnologia.

O crescimento futuro dependerá cada vez mais da capacidade de produzir mais com uma população economicamente ativa proporcionalmente menor.

A eleição de 2018

Em 2018, Jair Bolsonaro foi eleito presidente.

O país entrou em uma nova etapa política marcada por forte polarização.

O debate econômico continuou centrado em:

reformas + crescimento + segurança fiscal + privatizações + infraestrutura + papel do Estado.

A reforma da Previdência

Em 2019, foi aprovada uma reforma da Previdência.

O objetivo principal era melhorar a sustentabilidade das contas previdenciárias diante das mudanças demográficas e fiscais.

Mas então surgiu uma crise mundial

Em 2020, a pandemia de COVID-19 provocou uma interrupção econômica sem precedentes recentes.

Empresas fecharam temporariamente.

Atividades foram interrompidas.

Cadeias produtivas foram afetadas.

Milhões de pessoas tiveram suas rotinas econômicas alteradas.

O Estado volta ao centro

Durante a pandemia, governos do mundo inteiro ampliaram gastos e medidas emergenciais.

O Brasil também adotou políticas de transferência de renda e apoio a empresas e trabalhadores.

Mais uma vez, o Estado tornou-se fundamental para impedir que uma crise excepcional provocasse danos ainda maiores.

A pandemia mostrou uma nova realidade

Uma economia globalizada pode ser extremamente eficiente.

Mas também pode ser vulnerável quando uma crise interrompe cadeias produtivas.

A falta de determinados componentes em um país pode afetar fábricas em outro continente.

A importância da produção nacional

Isso reacendeu discussões sobre:

indústria nacional + segurança alimentar + energia + medicamentos + tecnologia + infraestrutura.

Não significa abandonar o comércio internacional.

Significa avaliar quais setores são estratégicos demais para depender exclusivamente de fornecedores externos.

A economia depois da pandemia

A recuperação trouxe novas mudanças.

A digitalização acelerou.

O comércio eletrônico cresceu.

O trabalho remoto ganhou espaço.

Empresas passaram a utilizar ainda mais tecnologia.

A inteligência artificial começou a transformar diferentes setores.

O conhecimento torna-se infraestrutura

Chegamos novamente à questão central da nossa série.

No passado, infraestrutura significava principalmente:

estradas + ferrovias + portos + energia.

Hoje também significa:

internet + dados + computação + ciência + tecnologia.

A nova disputa econômica

Países competem não apenas por território e recursos naturais.

Competem por:

talentos + tecnologia + investimentos + inovação + capacidade industrial.

O Brasil possui oportunidades

O país possui:

grande mercado interno;

recursos naturais;

agricultura competitiva;

matriz energética diversificada;

universidades;

empresas;

capacidade científica;

território;

potencial de energias renováveis.

Mas possui desafios

Também enfrenta:

baixa produtividade + desigualdade + infraestrutura insuficiente + complexidade tributária + dificuldades educacionais + insegurança regulatória em determinados setores.

O desafio é transformar potencial em produtividade.

A história retorna ao começo

A primeira parte desta série começou com uma pergunta:

quem controla a terra, o capital e os meios de produção?

Agora podemos acrescentar:

quem controla o conhecimento, a tecnologia, os dados e a infraestrutura?

A nova concentração

A concentração econômica do século XXI pode ocorrer sem grandes propriedades rurais.

Pode estar em:

capital financeiro + tecnologia + plataformas + dados + propriedade intelectual + infraestrutura.

A estrutura mudou novamente.

Mas existe uma oportunidade histórica

Diferentemente da terra, que é fisicamente limitada, o conhecimento pode ser multiplicado.

Uma descoberta científica pode beneficiar milhões de pessoas.

Uma tecnologia pode ser reproduzida.

Uma aula pode alcançar milhares de estudantes.

Um software pode chegar a praticamente qualquer lugar conectado.

Por isso, educação é investimento

Educação não deve ser vista apenas como gasto social.

Também é infraestrutura econômica.

Uma população mais qualificada possui maior capacidade de:

produzir + inovar + empreender + adaptar-se + criar novas tecnologias.

A grande questão do século XXI

O Brasil já conseguiu construir:

território + agricultura + indústria + energia + mercado interno.

Agora precisa transformar essa base em:

produtividade + inovação + conhecimento + patrimônio.

A continuidade histórica

A longa trajetória brasileira pode ser resumida assim:

terra → agricultura → exportação → capital → indústria → infraestrutura → energia → tecnologia → conhecimento.

Cada etapa não eliminou completamente a anterior.

A agricultura continua importante.

A indústria continua importante.

A energia continua importante.

O capital continua importante.

Mas o conhecimento passou a atravessar todas essas dimensões.

E chegamos a uma nova pergunta

Se no passado a grande questão era democratizar o acesso à terra;

se depois foi necessário ampliar o acesso ao trabalho industrial, à educação e ao crédito;

hoje surge uma questão ainda mais ampla:

como democratizar o acesso ao conhecimento, à tecnologia e à capacidade de produzir riqueza?

Essa pergunta prepara a próxima parte da nossa história.

Porque o Brasil não enfrenta mais apenas a disputa entre campo e cidade.

Nem apenas entre capital e trabalho.

O novo desafio envolve:

Estado + mercado + tecnologia + conhecimento + democracia + sustentabilidade.

E é justamente nesse ponto que a história econômica encontra a geopolítica do século XXI.

Continua.

Parte XLIII - O Brasil entra no século XXI: commodities, inclusão e uma nova economia

 O Brasil chegou ao século XXI depois de atravessar uma das maiores transformações de sua história.

Já não era o país predominantemente rural do Império.

Também não era o país agrário-exportador da República Velha.

Havia se tornado uma economia urbana, industrial, diversificada e integrada ao mercado internacional.

Mas ainda carregava antigas questões:

desigualdade + concentração patrimonial + diferenças regionais + baixa produtividade + infraestrutura insuficiente.

Ao mesmo tempo, surgiam novas oportunidades.

A estabilidade muda as possibilidades

A estabilização da moeda na década de 1990 criou uma condição fundamental para o desenvolvimento:

previsibilidade.

Famílias passaram a conseguir planejar melhor seus gastos.

Empresas puderam organizar investimentos com maior horizonte.

O crédito começou a se expandir.

A economia entrou em uma nova fase.

Mas o desafio seguinte seria transformar estabilidade em crescimento sustentável.

A abertura econômica

O Brasil também passou a participar mais intensamente da economia global.

Empresas estrangeiras ampliaram sua presença.

Empresas brasileiras começaram a buscar mercados externos.

Produtos importados passaram a competir com maior intensidade no mercado nacional.

Essa abertura trouxe benefícios e dificuldades.

A competição internacional

Empresas que possuíam baixa produtividade passaram a enfrentar maior pressão.

Algumas desapareceram.

Outras modernizaram seus processos.

Outras encontraram novos mercados.

A competição internacional mostrou uma realidade que se tornaria cada vez mais importante:

não basta produzir; é preciso produzir com eficiência.

Produtividade novamente

A palavra retorna.

Produtividade.

Ela esteve presente na agricultura.

Na indústria.

Nos serviços.

E agora aparecia como condição para competir globalmente.

Uma empresa produtiva consegue produzir mais utilizando melhor seus recursos.

Um país produtivo consegue aumentar sua renda sem depender exclusivamente da expansão da quantidade de trabalhadores ou da exploração de novos recursos naturais.

A tecnologia começa a mudar tudo

A internet começou a transformar a economia.

Empresas passaram a utilizar computadores em praticamente todas as atividades.

A comunicação tornou-se mais rápida.

Informações passaram a circular em escala mundial.

O comércio eletrônico começou a surgir.

Novas profissões apareceram.

O conhecimento ganha ainda mais valor

A economia começou a depender cada vez mais de pessoas capazes de:

programar + pesquisar + analisar + criar + administrar + inovar.

O conhecimento deixou de ser apenas instrumento cultural.

Passou a ser também um ativo econômico estratégico.

O Brasil e a nova economia mundial

Ao mesmo tempo, o país encontrou uma oportunidade extraordinária.

A expansão econômica de grandes mercados asiáticos aumentou a demanda mundial por alimentos, energia e matérias-primas.

O Brasil possuía exatamente alguns dos recursos mais procurados.

A nova força do agronegócio

A agricultura brasileira entrou em uma nova etapa.

A produção passou a incorporar:

biotecnologia + mecanização + agricultura de precisão + pesquisa + genética + logística.

O campo tornou-se altamente integrado à ciência.

A pesquisa agrícola

Uma das instituições fundamentais nesse processo foi a Embrapa.

A pesquisa científica aplicada à agricultura ajudou a desenvolver tecnologias adaptadas às condições brasileiras.

Solos.

Clima.

Culturas.

Manejo.

Produção tropical.

A ciência passou a ampliar a capacidade produtiva do território.

A transformação do Cerrado

Uma das maiores transformações agrícolas brasileiras ocorreu no Cerrado.

Regiões que durante muito tempo foram consideradas pouco adequadas para determinadas culturas passaram a ser incorporadas à produção por meio de pesquisa, correção do solo, tecnologia e mecanização.

Isso ampliou enormemente a fronteira agrícola.

O lado positivo

O Brasil tornou-se um dos grandes produtores mundiais de:

soja + milho + café + açúcar + carnes + celulose + diversos outros produtos.

As exportações cresceram.

O país passou a obter grandes volumes de divisas.

Mas surge novamente a questão histórica

A produção de commodities gera riqueza.

Mas precisamos perguntar:

quanto dessa riqueza permanece no território?

quanto valor é agregado no próprio país?

quanto conhecimento é produzido aqui?

quantas cadeias industriais são criadas a partir dessas matérias-primas?

A velha questão do período colonial reaparece em uma economia completamente diferente.

Não somos mais uma economia colonial

É importante não confundir.

O Brasil possui indústria, universidades, empresas nacionais, tecnologia, mercado interno e instituições próprias.

Não existe equivalência entre exportar commodities hoje e a economia colonial.

A questão é outra:

como aumentar o valor econômico produzido dentro do país?

Da matéria-prima ao produto de maior valor

Produzir soja é importante.

Mas também pode ser importante desenvolver tecnologias, equipamentos, processamento, logística e produtos derivados.

Produzir petróleo é importante.

Mas desenvolver engenharia, equipamentos, petroquímica e conhecimento tecnológico pode gerar ainda mais valor.

A importância das cadeias produtivas

Uma economia forte não depende apenas do produto final.

Depende da cadeia inteira.

Quanto maior a capacidade de produzir localmente:

máquinas + equipamentos + tecnologia + serviços especializados + pesquisa,

maior tende a ser a retenção de valor econômico.

O comércio exterior

As exportações são fundamentais para um país de grande dimensão.

Elas geram divisas.

Permitem importar máquinas e tecnologias.

Ampliam mercados para empresas.

Aumentam a capacidade de inserção internacional.

Mas exportar não significa abandonar o mercado interno.

O mercado brasileiro

O Brasil possui uma característica rara:

um enorme mercado consumidor interno.

Isso permite que empresas tenham escala mesmo antes de conquistar mercados internacionais.

O mercado interno pode funcionar como uma plataforma para a expansão empresarial.

A expansão do consumo

Nos primeiros anos do século XXI, uma parcela significativa da população brasileira passou a ter maior acesso ao consumo.

Crédito.

Emprego.

Aumento da renda.

Programas sociais.

Valorização do salário mínimo.

Esses fatores contribuíram, em diferentes momentos, para ampliar o mercado consumidor.

Mas consumo não é patrimônio

Essa distinção é essencial para a tese.

Uma família pode conseguir comprar mais.

Mas isso não significa necessariamente que tenha acumulado patrimônio.

Pode consumir mais sem possuir:

casa própria + poupança + empresa + investimentos.

Renda e patrimônio

A renda determina parte da capacidade de consumo.

O patrimônio determina também a capacidade de enfrentar crises e transmitir segurança econômica para a próxima geração.

Por isso, a discussão sobre desenvolvimento precisa considerar os dois.

A expansão do crédito

O crédito tornou-se uma ferramenta importante para ampliar o consumo e financiar investimentos.

Mas, novamente:

crédito pode antecipar capacidade de consumo, mas precisa ser acompanhado de renda e planejamento.

Quando o endividamento cresce muito, o efeito pode se inverter.

A inclusão econômica

A ampliação do acesso ao consumo representou uma mudança importante.

Milhões de brasileiros passaram a participar de maneira mais intensa do mercado.

Mas participar do consumo não significa necessariamente participar da propriedade dos meios de produção.

Essa diferença continua fundamental.

O empreendedorismo

O século XXI também ampliou a possibilidade de pequenos negócios.

Uma pessoa poderia começar uma empresa com recursos relativamente menores do que no passado.

A internet reduziu algumas barreiras de entrada.

Uma pequena empresa poderia alcançar consumidores de outras cidades e até de outros países.

Mas a tecnologia não elimina todas as desigualdades

Grandes empresas continuam possuindo vantagens.

Possuem:

capital + dados + infraestrutura + marcas + equipes especializadas.

A tecnologia pode democratizar algumas oportunidades e, simultaneamente, concentrar outras.

As plataformas digitais

Empresas digitais podem conectar milhões de consumidores e trabalhadores.

Isso cria novos mercados.

Mas também levanta novas questões:

quem controla a plataforma?

quem controla os dados?

como o trabalho é remunerado?

como garantir concorrência?

O trabalho também muda

O trabalhador do século XXI pode ser:

empregado tradicional;

autônomo;

empreendedor;

prestador de serviços;

profissional remoto;

trabalhador de plataforma.

As relações econômicas ficaram mais complexas.

A educação torna-se decisiva

Quanto mais complexa a economia, maior a importância da qualificação.

Uma pessoa com educação de qualidade possui maior possibilidade de transitar entre diferentes atividades.

Uma pessoa sem formação adequada pode ficar limitada aos empregos de menor produtividade e remuneração.

A desigualdade também muda de forma

No passado, a desigualdade estava fortemente associada à terra.

Depois, passou a envolver também:

salário + patrimônio + educação + acesso ao crédito.

Agora acrescenta-se:

tecnologia + informação + capacidade digital.

Uma nova divisão econômica

Podemos imaginar duas pessoas vivendo na mesma cidade.

Ambas possuem acesso à internet.

Mas uma possui:

educação de qualidade;

computador;

inglês;

qualificação profissional;

capital para investir;

rede de contatos.

A outra possui apenas um celular e conexão limitada.

Formalmente, ambas estão conectadas.

Economicamente, não possuem as mesmas oportunidades.

A desigualdade digital

A tecnologia pode reduzir distâncias geográficas.

Mas também pode criar novas diferenças entre aqueles que conseguem utilizá-la produtivamente e aqueles que apenas consomem conteúdo.

O desafio passa a ser transformar acesso digital em capacidade econômica.

O Brasil diante do mundo

No século XXI, o país também ganhou maior importância internacional.

Participou de grupos e instituições multilaterais.

Ampliou relações comerciais.

Fortaleceu vínculos com países emergentes.

A economia brasileira tornou-se parte importante das cadeias globais de alimentos, energia e matérias-primas.

Mas ainda existe vulnerabilidade

Quando grande parte das exportações depende de commodities, os preços internacionais podem afetar fortemente as receitas externas.

Se os preços sobem, o país ganha.

Se caem, a situação pode se deteriorar.

Diversificação continua sendo uma questão estratégica.

A indústria diante de um novo mundo

A indústria brasileira passou a enfrentar concorrentes cada vez mais tecnológicos.

China.

Estados Unidos.

Europa.

Coreia do Sul.

Japão.

Outros países asiáticos.

A competição passou a ocorrer não apenas por preço.

Mas também por:

tecnologia + qualidade + escala + inovação.

O desafio tecnológico

A questão central deixou de ser apenas industrializar.

Agora é:

inovar.

Criar novos produtos.

Desenvolver novas tecnologias.

Registrar patentes.

Formar pesquisadores.

Aproximar universidades e empresas.

A universidade

As universidades brasileiras passaram a desempenhar papel cada vez mais importante na pesquisa científica.

Mas existe uma dificuldade histórica:

transformar conhecimento acadêmico em produtos, empresas e tecnologias comercialmente competitivas.

A ponte entre ciência e mercado

Uma economia inovadora precisa aproximar:

universidade + empresa + governo + sociedade.

A pesquisa precisa encontrar caminhos para chegar à produção.

A empresa precisa encontrar conhecimento para resolver problemas.

O Estado pode financiar etapas de maior risco.

O Brasil possui capacidade

O país não parte do zero.

Possui pesquisadores.

Universidades.

Empresas.

Centros tecnológicos.

Instituições de pesquisa.

Mas precisa transformar essa capacidade em maior produtividade e inovação.

A grande mudança

Se a primeira parte desta série começou perguntando quem controla a terra, o capital e os meios de produção, agora a pergunta precisa ser ampliada.

No século XXI:

quem controla a tecnologia e o conhecimento também possui capacidade de influenciar a produção.

A nova forma de patrimônio

Uma empresa de tecnologia pode possuir poucos bens físicos e, ainda assim, valer bilhões.

Seu patrimônio pode estar em:

software + marca + dados + patentes + conhecimento + usuários.

Isso seria difícil de imaginar no Brasil do Império.

Da fazenda à plataforma

A transformação é extraordinária.

No século XIX, uma grande propriedade rural podia representar enorme concentração econômica.

No século XX, uma indústria podia representar essa concentração.

No século XXI, uma plataforma digital pode conectar milhões de pessoas e concentrar enorme poder econômico.

A forma mudou.

A questão estrutural permanece:

quem controla os instrumentos da produção?

Mas existe uma diferença fundamental

Hoje, conhecimento pode ser compartilhado.

Uma pessoa pode aprender pela internet.

Uma pequena empresa pode acessar ferramentas digitais.

Um agricultor pode utilizar informações meteorológicas.

Um estudante pode acessar bibliotecas internacionais.

A tecnologia criou possibilidades de democratização que não existiam em períodos anteriores.

O futuro dependerá do acesso

Por isso, a questão central do século XXI talvez seja:

como transformar conhecimento e tecnologia em instrumentos de mobilidade social?

Se forem acessíveis, podem ampliar oportunidades.

Se ficarem concentrados, podem produzir novas formas de desigualdade.

A longa trajetória

A história que começamos com a terra agora chegou a um ponto muito diferente.

A terra continua importante.

O capital continua importante.

O trabalho continua importante.

A indústria continua importante.

A energia continua importante.

Mas agora existe outro elemento indispensável:

conhecimento.

E a próxima grande transformação

O Brasil entrou no século XXI com novas oportunidades, mas também com novos desafios.

A economia global mudou.

A China tornou-se uma grande potência econômica.

As cadeias produtivas foram reorganizadas.

A tecnologia avançou rapidamente.

O agronegócio ganhou escala.

A economia digital surgiu.

E o país precisaria enfrentar novamente uma questão antiga:

como transformar crescimento econômico em desenvolvimento duradouro?

A resposta nos levará à próxima etapa da história brasileira:

a década de 2010, a crise econômica, a mudança política e a discussão sobre os limites do modelo de desenvolvimento.

Porque, mais uma vez, o Brasil descobriria que crescer, distribuir, investir e manter estabilidade são desafios diferentes e precisam ser conciliados.

Continua.

Parte XLII - O Brasil entre o crescimento e a crise: desenvolvimento, dívida e inflação

 O Brasil havia construído uma base industrial muito mais ampla.

Possuía grandes empresas.

Produzia aço.

Explorava petróleo.

Construía hidrelétricas.

Expandia rodovias.

Produzia automóveis.

As cidades cresciam rapidamente.

Mas o desenvolvimento acelerado trouxe uma nova questão:

como financiar o crescimento sem perder o equilíbrio econômico?

Essa pergunta marcaria profundamente as décadas de 1960, 1970 e 1980.

Um país que queria crescer

A industrialização criou expectativas de modernização.

O Brasil queria ampliar sua infraestrutura, produzir mais e reduzir sua dependência de produtos importados.

Para isso, seriam necessários investimentos gigantescos.

Estradas.

Usinas.

Portos.

Siderúrgicas.

Petroquímica.

Telecomunicações.

Mineração.

Habitação.

O Estado assume grandes projetos

Durante o regime militar iniciado em 1964, o Estado ampliou sua participação em grandes projetos de infraestrutura e em setores estratégicos.

Empresas estatais passaram a ocupar posição importante em áreas como:

energia + petróleo + mineração + telecomunicações + infraestrutura.

O planejamento econômico

O período foi marcado por planos nacionais de desenvolvimento.

A ideia era acelerar a transformação estrutural da economia.

O Estado atuava como:

planejador + investidor + financiador + produtor.

O chamado “Milagre Econômico”

Entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970, o Brasil apresentou taxas elevadas de crescimento econômico.

A indústria se expandiu.

A infraestrutura avançou.

O emprego urbano cresceu.

Grandes obras foram realizadas.

O país parecia finalmente acelerar sua modernização.

Mas crescimento não significa igualdade

O crescimento econômico foi acompanhado por forte concentração de renda.

Os benefícios do desenvolvimento não foram distribuídos de maneira uniforme.

Esse ponto é fundamental para compreender a história econômica brasileira.

Produzir mais riqueza não garante, por si só, distribuição equilibrada.

A questão que retorna

A pergunta da primeira parte da série reaparece:

quem consegue participar da riqueza produzida?

A economia crescia.

Mas uma parcela importante da população permanecia com baixa renda e pouco patrimônio.

Infraestrutura e concentração

As grandes obras aumentavam a capacidade produtiva do país.

Mas também podiam concentrar investimentos em determinadas regiões.

O Sudeste continuava possuindo enorme peso industrial.

Outras regiões precisavam de políticas específicas para ampliar sua capacidade produtiva.

O Nordeste

O desenvolvimento regional continuava sendo um dos grandes desafios.

A criação da SUDENE, em 1959, havia expressado a tentativa de enfrentar as desigualdades regionais.

A ideia era promover desenvolvimento econômico em uma região historicamente marcada por menor industrialização e pobreza.

Desenvolvimento regional

A questão regional não era apenas social.

Era econômica.

Uma região com baixa infraestrutura possui maior dificuldade para:

atrair empresas + gerar empregos + desenvolver tecnologia + aumentar produtividade.

O Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento

Na década de 1970, o Brasil lançou o II Plano Nacional de Desenvolvimento.

O objetivo era continuar a industrialização e reduzir vulnerabilidades externas.

Foram estimulados setores como:

energia + petroquímica + siderurgia + mineração + bens de capital.

O petróleo muda novamente o cenário

Mas o mundo havia mudado.

Os choques do petróleo elevaram fortemente os preços internacionais.

O Brasil, dependente de importações, enfrentou aumento dos custos.

A conta externa ficou mais difícil.

O endividamento

Para manter os investimentos e financiar o crescimento, o país recorreu intensamente ao financiamento externo.

Naquele momento, havia grande disponibilidade de crédito internacional.

Parecia possível continuar investindo.

Mas existia um risco:

a dívida precisaria ser paga no futuro.

Quando o cenário internacional mudou

No final da década de 1970 e início dos anos 1980, as condições internacionais mudaram.

As taxas de juros internacionais aumentaram.

O crédito externo ficou mais caro.

Países endividados passaram a enfrentar dificuldades.

O Brasil foi profundamente afetado.

A crise da dívida

A década de 1980 ficou conhecida como uma década de forte crise econômica.

O crescimento desacelerou.

A inflação aumentou.

O investimento diminuiu.

A dívida externa tornou-se um problema central.

A inflação

A inflação passou a corroer o poder de compra.

Os preços aumentavam rapidamente.

Famílias tinham dificuldade para planejar.

Empresas enfrentavam dificuldade para calcular custos.

O dinheiro perdia valor.

Inflação não é apenas um número

Para uma família de baixa renda, a inflação pode significar perda concreta de qualidade de vida.

O salário recebido hoje pode comprar menos algumas semanas depois.

Para empresas, a inflação dificulta contratos e investimentos.

Para o Estado, dificulta planejamento orçamentário.

A perda da capacidade de planejamento

Quando os preços mudam rapidamente, torna-se difícil responder à pergunta:

quanto valerá amanhã aquilo que estou comprando hoje?

Uma economia precisa de previsibilidade.

Sem ela, decisões de longo prazo ficam mais difíceis.

A importância da moeda

A moeda não serve apenas como meio de pagamento.

Ela também funciona como:

unidade de conta + reserva de valor.

Quando perde estabilidade, toda a economia sofre.

A crise econômica também é uma crise social

A inflação e o baixo crescimento afetaram trabalhadores, empresas e famílias.

O desemprego aumentou em determinados períodos.

O poder de compra foi prejudicado.

A pobreza continuou sendo um problema.

A abertura política

Ao mesmo tempo em que a economia enfrentava dificuldades, o Brasil vivia um processo gradual de abertura política.

A sociedade civil ganhou espaço.

Movimentos sociais se fortaleceram.

Sindicatos passaram a atuar com maior liberdade.

A demanda por democracia cresceu.

A redemocratização

Em 1985, terminou o regime militar e teve início uma nova etapa democrática.

A Constituição de 1988 consolidou direitos políticos e sociais fundamentais.

O país entrava em uma nova fase.

Mas a democracia herdou uma economia difícil

A redemocratização não resolveu automaticamente os problemas econômicos.

O novo regime precisava enfrentar:

inflação + dívida + baixo crescimento + desigualdade + necessidade de investimentos.

A Constituição de 1988

A Constituição ampliou direitos sociais e estabeleceu novas responsabilidades para o Estado.

Educação.

Saúde.

Previdência.

Assistência.

Direitos trabalhistas.

Proteção social.

Isso representou uma ampliação importante do papel social do Estado.

Mas direitos também exigem recursos

Esse é um ponto econômico fundamental.

Para oferecer políticas públicas, o Estado precisa de receitas.

E as receitas dependem de uma economia capaz de produzir e arrecadar de maneira sustentável.

A equação fiscal

Surge então uma questão que continuará aparecendo na história brasileira:

como financiar direitos sociais, investimentos e serviços públicos sem comprometer a estabilidade econômica?

Essa pergunta está diretamente ligada à discussão tributária.

A reforma tributária retorna

A tributação volta ao centro do debate.

Não apenas porque o Estado precisa arrecadar.

Mas porque o sistema tributário influencia:

consumo + investimento + produção + emprego + distribuição de renda.

O Brasil precisava estabilizar a moeda

Sem estabilidade monetária, seria difícil construir um novo ciclo de crescimento.

Diversos planos econômicos foram tentados.

Alguns fracassaram.

Outros produziram resultados temporários.

Até que uma mudança decisiva ocorreria na década de 1990.

O Plano Real

Em 1994, entrou em circulação o real.

O Plano Real conseguiu estabilizar a inflação e representou uma das maiores mudanças econômicas da história recente brasileira.

A estabilidade monetária alterou o cotidiano das famílias e das empresas.

A moeda volta a cumprir sua função

Com inflação muito menor, tornou-se mais fácil:

planejar + poupar + investir + financiar + consumir.

A estabilidade criou condições para uma nova etapa econômica.

Mas estabilidade não resolve tudo

Controlar a inflação é fundamental.

Mas não elimina automaticamente:

desigualdade;

baixa produtividade;

problemas educacionais;

infraestrutura insuficiente;

desigualdades regionais;

déficits públicos;

dificuldades de investimento.

A estabilidade é uma condição necessária.

Não é o desenvolvimento inteiro.

Uma nova etapa

A partir dos anos 1990, o Brasil entraria em uma economia mais aberta ao comércio internacional, ao capital estrangeiro e à competição global.

Empresas precisaram aumentar produtividade.

Tecnologia ganhou importância.

Consumidores passaram a ter acesso a novos produtos.

A economia brasileira entrou em outra fase.

Da indústria protegida à competição global

Durante décadas, a indústria brasileira havia sido protegida por diferentes mecanismos.

Com a abertura econômica, muitas empresas passaram a enfrentar concorrência internacional mais intensa.

Algumas conseguiram modernizar-se.

Outras perderam espaço.

A globalização

A globalização alterou novamente a questão do poder econômico.

Agora uma empresa brasileira não competia apenas com outra empresa brasileira.

Poderia competir com empresas de vários países.

As cadeias produtivas tornaram-se internacionais.

A nova pergunta

Se no século XIX o desafio era construir ferrovias e infraestrutura básica;

se no século XX o desafio foi industrializar;

no final do século XX surgiu outro:

como competir em uma economia globalizada?

A resposta exigiria novamente:

produtividade + tecnologia + educação + infraestrutura + estabilidade.

E a história retorna ao ponto inicial

A pergunta sobre terra, capital e poder permanece.

Mas agora o capital circula internacionalmente.

A tecnologia atravessa fronteiras.

As empresas operam em vários países.

O conhecimento tornou-se um dos principais ativos econômicos.

O Brasil entrou definitivamente em uma nova etapa.

Do Estado produtor ao Estado regulador

A década de 1990 também marcou mudanças na relação entre Estado e empresas.

Houve privatizações e reformas institucionais.

Alguns setores passaram a ter maior participação privada.

O Estado passou a atuar mais fortemente como:

regulador + fiscalizador + formulador de políticas públicas.

Mas o Estado não desapareceu

Continuou responsável por:

educação + saúde + segurança + infraestrutura + regulação + políticas sociais.

E permaneceu proprietário de empresas estratégicas em determinados setores.

A discussão nunca foi simplesmente “Estado ou mercado”.

Foi sempre:

qual Estado, qual mercado e para qual finalidade?

A grande transição

O Brasil havia passado por uma longa sequência:

economia colonial → Império → República agrária → industrialização → Estado desenvolvimentista → crise → estabilização → globalização.

Cada etapa transformou a anterior.

Nenhuma apagou completamente suas marcas.

E agora surge o século XXI

A economia brasileira entraria em um período marcado por:

internet + globalização + novas tecnologias + expansão do crédito + novas políticas sociais + crescimento do agronegócio + economia de serviços.

O poder econômico ganharia novas dimensões.

A terra continuaria importante.

O capital financeiro continuaria importante.

A indústria continuaria importante.

Mas surgiria um novo protagonista:

a tecnologia.

E, com ela, uma nova forma de riqueza:

os dados e o conhecimento.

Continua.

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